[Ver postagem anterior. O texto abaixo é de Miriam Leitão, de sua coluna de hoje no Globo. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]
Confusões inexplicáveis
Miriam Leitão - O Globo (28/2/2013)
É muita trapalhada, em muitas frentes, ao mesmo tempo. A Petrobras
comprou uma refinaria por um preço muito acima do razoável e teve que
lançar parte do dinheiro a prejuízo; o BNDES toma decisões inexplicáveis
de alocação de recursos públicos e tem prejuízo; balanços dos bancos
públicos saem com meias verdades. Quando tudo dá errado, o Tesouro usa o
seu, o meu, o nosso dinheiro.
O resultado de toda essa confusão será mais confusão, porque o governo
escolheu o caminho dos ajustes que encomendam mais desajustes. Um
encontro de contas honesto, que admitisse todas as perdas com as
decisões controvertidas — por equívoco ou coisa pior — revelaria o
tamanho real do rombo que o governo nos últimos anos foi criando para o
país. Quem crê que as contas sempre têm que ser pagas sente uma
compreensível preocupação com as notícias que diariamente aparecem nos
jornais sobre as operações perigosas dos vários tentáculos do governo.
É o caso de Pasadena, o estranho episódio da refinaria que foi
comprada de uma trading belga, em 2005, e um ano depois vendida para a
Petrobras por um preço várias vezes maior e que já fez a estatal lançar à
prejuízo meio bilhão de reais no último balanço. Ou os belgas são muito
astutos, ou as decisões na Petrobras foram tomadas por pessoas sem
qualquer noção de valor, ou são todos os envolvidos bem espertos. [Ver postagem anterior sobre isso.]
O “Estado de S.Paulo” revelou ontem que o Ministério Público apresentou
ao Tribunal de Contas da União representação contra a Petrobras [ver aqui]. Os
números são eloquentes: em 2005, a trading belga Astra/Transcor comprou a
refinaria de petróleo Pasadena por US$ 42,5 milhões. Um ano depois,
vendeu 50% da refinaria para Petrobras por US$ 360 milhões. Depois
disso, as sócias se desentenderam e para encerrar a briga a estatal
brasileira pagou mais US$ 820,5 milhões à empresa belga. E agora, no
balanço do quarto trimestre, a Petrobras lançou a prejuízo R$ 464
milhões. Ou seja, esse valor é o prejuízo até o momento do
impressionante negócio feito pela empresa.
No balanço do BNDES, foram registrados R$ 3,32 bilhões de perdas com
empréstimos ou capitalizações que fracassaram. Uma dessas perdas foi a
tentativa frustrada do BNDES de fazer uma gigante de leite, a
LBR-Lácteos, no qual entrou com 30% do capital e que está em processo de
recuperação judicial. Só nesse erro o banco perdeu R$ 865 milhões. Há
casos discutíveis em várias áreas, em que o banco tem entrado de forma
atrapalhada e sem prestar contas à sociedade, com estratégias
discutíveis e prejuízos indiscutíveis. O lucro do banco só não caiu
muito porque o Conselho Monetário Nacional permitiu que ele não
registrasse a perda de valor das ações transferidas pelo Tesouro.
Nunca é demais lembrar que houve ainda o caso da Caixa, que comprou 49%
das ações do Panamericano por R$ 800 milhões, para logo depois descobrir
que ele tinha um rombo de R$ 4,3 bilhões. Depois disso, a Caixa teve
que pôr mais dinheiro no Panamericano.
O caso da refinaria Abreu e Lima construída pela Petrobras é outro que
precisa de boas e bem contadas explicações porque os custos de
construção deram saltos ornamentais. No início, seria de US$ 2,5 bilhões
e está caminhando para US$ 20 bilhões. E o único ganhador com isso será
o petróleo venezuelano, já que ela foi desenhada para refinar apenas o
petróleo do país vizinho [ver postagem anterior sobre isso].
O Tesouro se prepara para fazer mais uma capitalização no BNDES que pode
chegar a R$ 8 bilhões. Isso depois de ter transferido a títulos de
empréstimos R$ 350 bilhões desde 2008 para o banco. A fonte tradicional
de financiamento do banco é o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), que
só conseguiu fechar suas contas no positivo porque o Tesouro injetou R$ 5
bilhões.
Esses são alguns dos casos estranhos. Não são os únicos.
[Isso que está aí em cima é apenas a ponta do iceberg. Só nos malfeitos descritos acima, o país e nós nos ferramos em R$ 38 bi. Falta incluir os rombos da Valec, os prejuízos da greve ilegal dos estivadores de portos públicos apaniguada pelo governo, as maquiagens nas contas públicas para engordar o superavit primário (usando inclusive as contas do FGTS), os rombos na Petrobras além dos já mencionados acima, os R$ 8,7 bi injetados pelo Tesouro Nacionalno setor elétrico para bancar uma redução tarifária que para a indústria, em fevereiro, foi praticamente anulado pela necessidade de uso de usinas térmicas, etc, etc. Enquanto isso, o país carece de educação suficiente e adequada, atendimento à saúde pública, infraestrutura, saneamento básico, etc, etc. Isso é um pálido balanço da década petista no governo, com todas as impressões digitais da terna Dona Dilma, vendida ao país pelo NPA como uma grande gestora.]
Alarmante informação que a Miriam Leitão divulga e o Blog repassa. Não sei o que mais precisa ser informado sobre a baderna economico-financeira atual. Há três tipos de mentiras, parodiando Disraeli, primeiro ministro da rainha Vitória:
ResponderExcluira mentira simples, a mentira deslavada e as planhlhas com numerários que o governo soca goela abaixo da população.