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segunda-feira, 6 de julho de 2015

Foto e vídeo mostram Dilma NPS em descontraído convívio com empresário que virou delator do petrolão

Pessoas que sempre se sentiram blindadas contra tudo e contra todos, que usavam e ainda usam aqueles famosos três macaquinhos ("não vejo", "não ouço", "não falo") como talismãs, que sempre se esconderam e ainda se escondem por trás da falsa fachada de absoluta integridade do que fazem, do que mandam fazer e do que deixam fazer, perdem as estribeiras e o autocontrole quando esse seu mundozinho começa a esfarelar como castelo de areia. Isso inevitavelmente acabou ocorrendo com Dilma NPS (Nosso Pinóquio de Saia), como já aconteceu e continua acontecendo com seu criador e padrinho, o NPA (Nosso Pinóquio Acrobata, Lula). 

Nossa Dama de Ferrugem, que teria resistido bravamente a torturas  na época da ditadura, já dá mostras evidentes de que  já não consegue mais resistir à pressão devastadora e inquestionável da Operação Java-Jato contra os alicerces de seu governo e de sua própria reputação. Em sua recente passagem pelos EUA, nossa governanta vituperou a atuação do empresário Ricardo Pessoa em sua delação premiada, dizendo que "não respeita delator" -- e arrematou dizendo que "delação é coisa meio de Idade Média". O desconforto da madame decorre do fato de que as revelações desse empresário, dono da UTC e presidente do "clube de empreiteiras" que supriu e operou o propinoduto do petrolão (em parceria com executivos da Petrobras nomeados e sustentados em sua esmagadora maioria pelo PT), fizeram com que a lama do escândalo já estragasse alguns de seus melhores pares de sapatos -- e o lodaçal continua subindo. 

Mostrando ignorância inadmissível para uma presidente de República que se preze mas perfeitamente coerente com seu baixo nível cultural, a ex-guerrilheira evidencia desconhecer que "a delação premiada é uma técnica de investigação consistente na oferta de benefícios pelo Estado àquele que confessar e prestar informações úteis ao esclarecimento do fato delituoso. É mais precisamente chamada “colaboração premiada” – visto que nem sempre dependerá ela de uma delação. Essa técnica de investigação ganhou notoriedade ao ser usada pelo magistrado italiano Giovanni Falcone para desmantelar a Cosa Nostra. A primeira lei a prever essa colaboração premiada no Brasil foi a Lei de Crimes Hediondos.

Porém, esse instituto somente foi reforçado e ganhou aplicabilidade prática com a Lei 9.613/1998, de combate à lavagem de dinheiro. Essa lei passou a prever prêmios mais estimulantes ao colaborador como a possibilidade de condenação a regime menos gravoso (aberto ou semiaberto), substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos e até mesmo perdão judicial (art. 1º, § 5º, Lei 9.613/1998). No mesmo sentido caminhou a Lei 9.807/1999, que trata da proteção de testemunhas (arts. 13 e 14, Lei 9.807/1999)".

Aliás, a bem da verdade, a reação da madame é um misto de desespero, ignorância lato sensu e malandragem de segunda classe. É um esforço inútil de querer desqualificar algo que lhe tem provocado insônias terríveis.

Até muito recentemente, no decorrer de 2012, Dilma NPS não demonstrava nenhuma antipatia ou desconforto em relação a Ricardo Pessoa, muito pelo contrário -- como se pode ver pela foto e o vídeo abaixo. Em 13 de julho de 2012, nossa governanta participou de uma daquelas cerimônias festivas de lançamento de obras públicas: era a vez do estaleiro Enseada de Paraguaçu, em Maragojipe, na Bahia. Lá estavam Dilma NPS e três dos empreiteiros hoje presos na Operação Lava-Jato: Marcelo Odebrecht, da Odebrecht, Léo Pinheiro, da OAS, e ele, Ricardo Pessoa, da UTC, como mostrado na foto. A cerimônia teve direito à quebra de um barril de saquê e a um brinde com a bebida japonesa. No vídeo, sobre o batismo da plataforma P-59,  cabe destacar os seguintes momentos: aos 38min48seg ela cumprimenta o ex-presidente da Petrobras Sergio Gabrielli; aos 39min06seg ela faz rápida menção ao ex-diretor de Engenharia da Petrobras Renato Duque; aos 39min48seg Dilma NPS faz enfática e destacada saudação aos empreiteiros presentes Marcelo Odebrecht, da Odebrecht, Ricardo Ribeiro (Pessoa), da UTC e Ricardo Galvão, da Queiroz Galvão, na cerimônia de batismo da plataforma P-59 no estaleiro Enseada do Paraguaçu.

É bom lembrar que em 2012, ano em que ocorreu a festança citada acima, o petrolão corria solto e fagueiro (a Operação Lava-Jato foi deflagrada em março de 2014) e a negociata da compra da refinaria de Pasadena (EUA) já havia ocorrido (em 2006) com o aval de Sergio Gabrielli e da nossa governanta (então presidente do Conselho de Administração da Petrobras e ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República). Na data da cerimônia citada acima, Renato Duque já não era mais diretor de Engenharia da estatal (indicado por José Dirceu, ficou no cargo de 2003 a 27/4/2012). 


Foto: Veja


Não aparece na foto, mas está no vídeo o presidente da Sete Brasil à época -- essa empresa, que tinha ou tem contratos para fornecimento de sondas à Petrobras, está abalada e quase fechou por denúncia de envolvimento em propinas do petrolão.  O estaleiro Enseada do Paraguaçu também foi atingido seriamente por esse escândalo. Em 28/02/2015, o Consórcio Estaleiro Paraguaçu (CEP) decidiu encerrar as atividades nas obras do estaleiro de Maragojipe, conforme informou a Enseada Indústria Naval S.A.. O motivo seria a crise nacional na indústria naval, resultante da falta de pagamentos das obras contratadas. Na época, a Enseada possuía 82% de avanço físico do trabalho concluído. 

Fica cada vez mais fácil entender a mágoa da governanta Dilma NPS com o empresário Ricardo Ribeiro Pessoa, dono da UTC e chefe do "clube das empreiteiras" do petrolão. 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Após 500 anos, são encontrados os restos do navio Santa Maria, de Cristóvão Colombo

[A reportagem traduzida abaixo é do jornal inglês The Independent e foi publicada hoje, 13/5.]


Restos de navio encontrados ao largo da costa do Haiti são considerados uma das mais importantes descobertas submarinas da história - (Ilustração: The Independent).

Mais de cinco séculos depois que o navio capitânia de Cristóvão Colombo, o Santa Maria, foi destruído no Caribe, pesquisadores arqueológicos acham que podem ter encontrado os há muito perdidos restos do navio -- repousando no fundo do mar ao largo da costa norte do Haiti. Essa é provavelmente uma das mais importantes descobertas arqueológicas submarinas no mundo. "Todas as evidências geográficas, de topologia submarina e arqueológicas sugerem fortemente que esses são os destroços do famoso navio capitânia de Cristóvão Colombo, o Santa Maria", disse o chefe de uma recente expedição de reconhecimento ao local, um dos principais pesquisadores de arqueologia submarina dos EUA, Barry Clifford. "O governo haitiano tem sido extremamente solícito -- e agora necessitamos continuar trabalhando com ele para executar uma detalhada escavação arqueológica dos destroços", disse ele.

Até agora, a equipe de Clifford fez unicamente trabalho de pesquisa não invasivo no local, medindo-o e fotografando-o.

A identificação provisória dos destroços como sendo do Santa Maria tem sido possível por meio de descobertas bastante separadas entre si, feitas por outros arqueólogos em 2003, sugerindo que a localização do ponto de defesa ou vigília de Colombo estava relativamente próxima. Munido dessa nova informação sobre essa localização, Clifford pôde usar os dados do diário de Colombo para calcular onde os destroços deveriam estar. Uma expedição, feita por sua equipe uma década atrás, já havia encontrado e fotografado os destroços -- mas não havia no entanto, naquele estágio, percebido sua provável identidade. 

Foi um reexame atual das fotografias submarinas feitas naquela investigação inicial (executada em 2003), combinado com dados de recentes mergulhos de reconhecimento feitos no local (realizados pela equipe de Clifford no início deste mês), que permitiu a Clifford identificar provisoriamente os destroços como sendo do Santa Maria. Até agora, as evidências são substanciais. É a localização certa em termos do que Colombo, escrevendo em seu diário, descreveu o ponto do naufrágio em relação ao seu posto de vigilância. 

O local fecha também com o conhecimento histórico existente sobre a topografia submarina associada com a perda do Santa Maria. As correntes locais são também consistentes com o que se sabe historicamente sobre o modo como o navio foi deslocado imediatamente antes de seu desaparecimento. A impressão digital dos destroços, representada pela pilha do lastro da embarcação, está também exatamente onde se esperaria que estivesse em se tratando de um navio do porte do Santa Maria.

Utilizando magnetômetros marinhos, sonares laterais e mergulhadores, a equipe de Clifford tem há vários anos examinado mais de 400 anomalias do fundo do mar ao largo da costa norte do Haiti e reduziu a busca pelo Santa Maria à minúscula área onde foram encontrados os destroços que a equipe acredita que sejam exatamente do navio perdido de Colombo.



Os destroços submarinos que se considera serem do navio capitânia de Cristóvão Colombo - (Foto: Brandon Clifford - Fonte: The Independent).

Um reexame das evidências fotográficas tiradas durante a investigação inicial de 2003 por Clifford e seu filho Brandon forneceram também indicações consistentes com a hipótese de que a embarcação é da época de Colombo -- incluindo um provável canhão antigo, exatamente do tipo dos que se sabe estavam a bordo do Santa Maria.

Quando Clifford e sua equipe retornaram ao local no início deste mês, seu objetivo era identificar de maneira definitiva o canhão e outros artefatos de superfície que haviam sido fotografados em 2003. Mas, infelizmente, todos os objetos visíveis para avaliação -- incluindo o canhão -- haviam sido pilhados por mergulhadores ilegais. "Informamos o governo haitiano de nossa descoberta -- e estamos na expectativa de trabalhar com ele e com outros colegas haitianos para assegurar que o local seja plenamente protegido e preservado. Será uma oportunidade maravilhosa trabalhar com as autoridades haitianas para preservar as evidências e as peças do navio que mudou o mundo", disse Clifford. "Estou confiante em que uma escavação completa dos destroços resultará na primeira evidência arqueológica marinha detalhada já feita da descoberta da América por Colombo". 



Cristóvão Colombo (Alamy) - (Fonte: The Independent).

"Em termos ideais, se as escavações forem bem sucedidas e dependendendo do estado de conservação de qualquer madeira que lá esteja, é possível afinal içar o que lá estiver, preservá-lo de maneira completa e colocá-lo em exposição permanente em um museu do Haiti. Acredito que, tratados dessa maneira, os destroços têm o potencial de desempenhar um papel importante no desenvolvimento adicional da indústria do turismo do Haiti no futuro", disse Clifford.

Barry Clifford, que conversou sobre o local dos destroços com o presidente do Haiti, Michel Martelly, no ano passado, é um dos mais experientes exploradores de sítios arqueológigos submarinos no mundo. Nas últimas quatro décadas ele realizou trabalhos de investigação em dezenas de destroços históricos em diferentes partes do mundo. Foi ele que descobriu e escavou  os primeiros destroços completamente identificados de um navio pirata, o Whydah, em 1984, e mais recentemente descobriu o navio capitânia do Capitão Kidd ao largo de Madagascar.

O Santa Maria foi construído em algum momento na segunda metade do século 15 no País Basco, ao norte da Espanha. Em 1492, Colombo alugou o navio e navegou com ele saindo da costa atlântica do sul da Espanha, via Ilhas Canárias, em busca de uma nova rota ocidental para a Ásia.  

Após 37 dias, Colombo chegou às Bahamas -- mas, exatas dez semanas depois, sua nave capitânia Santa Maria, com ele a bordo, foi arrastada à noite para um banco de recifes ao largo da costa norte do Haiti e teve que ser abandonada. Então, em uma vila nativa próxima, Colombo começou a construir sua primeira fortificação -- e uma semana depois, deixando muitos de seus homens na fortificação, usou seus dois navios restantes para voltar à Espanha para informar aos seus patrões reais -- o rei Fernando e a rainha Isabela da Espanha -- sua descoberta do que entendia ser uma nova rota ocidental para a Ásia.


A jornada fatal do Santa Maria - A rota da primeira viagem de Cristóvão Colombo. Três navios partiram, o Santa Maria foi perdido mas o Nina e o Pinta completaram a viagem. - A primeira viagem: partida: 3 de agosto de 1492 -- retorno: 15 de março de 1493. -- 25 de dezembro - o Santa Maria é destruído.

Um importante arqueólogo marítimo americano, o professor Charles Beeker da Universidade de Indiana, que participou da recente expedição de reconhecimento de Clifford ao Haiti e que também fez uma avaliação visual submarina do local, disse que "isso garante uma investigação científica detalhada para obter peças para diagnóstico". "Há alguma evidência persuasiva a partir da fotos de 2003 do local e dos recentes megulhos de reconhecimento de que esses destroços podem muito bem ser do Santa Maria".

"Mas, será necessária uma escavação para encontrar mais evidências e confirmar isso", disse o professor Beeker, que é diretor do Departamento de Ciência Submarina da Universidade de Indiana.

A investigação dos destroços tem o apoio do canal "History" da TV americana, que adquiriu direitos exclusivos para produzir um grande programa de televisão sobre o assunto.











domingo, 23 de junho de 2013

Estaleiro OSX de Eike Batista dá calote em fornecedor e tenta evitar falência

[O império e o prestígio de Eike Batista estão derretendo mais que manteiga ao sol de um meio-dia carioca. Também o estaleiro OSX anda mal das pernas, como nos conta a Folha de S. Paulo de hoje. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]

A OSX, estaleiro do empresário Eike Batista, está com sérias dificuldades. A empresa deu calote em ao menos um fornecedor e está sendo pressionada por bancos a pagar ou renegociar R$ 2 bilhões em dívidas de curto prazo. Segundo a Folha apurou, a OSX não honrou um pagamento de cerca de R$ 500 milhões à construtora espanhola Acciona. As duas empresas seguem negociando, mas a Acciona não descarta pedir a falência da OSX. Os espanhóis estavam construindo o píer de atracação de navios do estaleiro da OSX no porto do Açu, em São João da Barra, no litoral norte do Rio de Janeiro (RJ). O porto, que pertence a empresa de logística LLX, é outro megaprojeto de Eike [esse projeto também é um poço sem fundo de problemas].

Por meio de nota, a OSX informou que "os contratos com fornecedores têm cláusulas de confidencialidade que impedem a empresa de comentar". Os porta-vozes da Acciona na Espanha não foram localizados até o fechamento desta edição.  A Acciona é uma das principais fornecedoras da OSX. Segundo o balanço do primeiro trimestre do ano, a OSX deve R$ 724 milhões a fornecedores -- R$ 623 milhões a companhias de fora do país.

Advogados contratados por Eike e a equipe do banco BTG estão negociando intensamente nas últimas semanas com fornecedores e bancos credores para evitar a recuperação judicial ou até a falência da OSX. O maior receio é um efeito dominó nas empresas do grupo EBX, que já sofrem com uma crise de confiança dos investidores. No último ano, o valor de mercado das companhias do "império X" (que reúne OGX, MPX, OSX, LLX, MMX e CCX) caiu R$ 36 bilhões, para R$ 9,74 bilhões.

A situação da OSX é tão grave que o estaleiro conta com a assessoria do escritório de advocacia Mattos Filho e contratou a empresa especializada em reestruturação de dívidas Alvarez & Marsal. Esta foi a responsável pela recuperação judicial da Varig.  Os estrangeiros estariam sendo mais duros nas negociações com a OSX do que os bancos nacionais, que temem arcar com prejuízos importantes em seus balanços. As dívidas bancárias da OSX com vencimento nos próximos 12 meses chegam a R$ 1,922 bilhão. Os principais credores são Itaú BBA, BNDES, Caixa Econômica Federal e o Arab Banking Corporation. Segundo a nota da OSX, suas dívidas de curto prazo estão "equacionadas".

Demissões em massa

A OSX vem realizando demissões em massa. Na última quarta-feira, uma liminar da Justiça do Trabalho determinou que a empresa reintegre 331 funcionários que foram demitidos desde janeiro. A empresa disse que está tomando as medidas cabíveis.  Conforme a Folha apurou, as obras do estaleiro da OSX no porto do Açu estão quase abandonadas. A empresa diz que "as obras não estão nem serão paralisadas".

A OSX diz que "vem implementando o novo plano de negócios", que "foca nas atividades de leasing, que são geradoras de caixa, e na construção do estaleiro em fases". O braço de leasing da OSX contratou a construção de três plataformas de produção de petróleo na Ásia, mas apenas uma ficou pronta e está alugada para a OGX (que também tem graves problemas). As duas ainda em construção também seriam destinadas à OGX, mas a reportagem apurou que uma delas pode ser negociada com a Petrobras. A estatal não comenta.

[Fracasso empresarial pode acontecer com qualquer um, o problema é quando isso arrasta dinheiro público para o ralo, como no caso das empresas de Eike Batista. Por obra e graça da supersimpática e eficiente Dona Dilma, o Tesouro Nacional está atolado bem acima dos joelhos na gestão do império de Eike via BNDES e Caixa Econômica. O "X" desse império passou a ser o "X" do problema principalmente para o BNDES -- embora a Petrobras também tenha sido convocada para a respiração boca a boca dessas empresas.  Temos todos que torcer e rezar para que o tal império de Eike não vá à garra, porque senão nosso dinheiro suado irá para as cucuias junto com ele.]

Leia também:

Caixa e BNDES têm quase metade da dívida da OSX, de Eike
Ex-ministros deixam conselho da OGX
Blog do 'FT' faz paralelo entre investidores de Eike e manifestantes

quarta-feira, 20 de março de 2013

Fernando Pimentel, ministro blindado por Dilma, envolvido em nova denúncia

[O ministro Fernando Pimentel continua fortemente blindado pela nossa terna Dona Dilma, que impede que se apurem denúncias sobre alguns milhões que ele teria recebido de consultoria que teria prestado -- há quem diga que ele não prestou, mas recebeu assim mesmo -- quando já no governo. Agora, esse cidadão aparece como envolvido num mal cheiroso lobby para transferir para o Rio de Janeiro um estaleiro hoje em fase de implantação no Espírito Santo. O ministro estaria atuando pró Eike Batista, segundo a revista Época em reportagem do dia 18 deste mês. Reproduzo abaixo o texto da reportagem.]

Há um mês, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, trabalha para convencer uma empresa estrangeira a transferir um investimento de R$ 500 milhões no Espírito Santo para um empreendimento do empresário Eike Batista no Rio de Janeiro. Pimentel e um lobista de Eike – lobista com padrinhos poderosos em Brasília – pressionaram o embaixador do Brasil em Cingapura, Luís Fernando Serra, a conseguir um encontro de Pimentel com executivos da SembCorp Marine, sediada no país asiático.  O objetivo era fazer com que a Sembcorp transferisse seu projeto de construção do estaleiro Jurong Aracruz, do Espírito Santo para Porto Açu, projeto de Eike em São João da Barra, no litoral do Rio de Janeiro. E o lobby já deu resultados. Na quarta-feira da semana passada, Pimentel recebeu, em seu gabinete, os executivos da SembCorp. [Esse Porto Açu de Eike já tem um histórico no mínimo esquisito, sob vários aspectos.]

O embaixador Serra contou a ÉPOCA os detalhes da pressão que recebeu. No dia 4 de fevereiro, ele recebeu um email de Amaury Pires, diretor de relações institucionais da EBX, uma das empresas de Eike. Entre 2010 e 2011, indicado pelo deputado Valdemar Costa Neto, do PR de São Paulo, aquele recentemente condenado no julgamento do mensalão, Pires foi diretor do Fundo da Marinha Mercadante, vinculado ao governo e destinado a financiar a indústria naval brasileira. No ano passado, quando Pires já trocara de lado e passara a trabalhar na EBX, as empresas de Eike foram autorizadas a receber R$ 1,5 bilhão do Fundo da Marinha Mercante – do total de R$ 7 bilhões previstos em investimentos pelo fundo.

Dois dias depois, em 6 de fevereiro, Pires telefonou para o embaixador Serra. Parecia falar como dirigente do governo. Disse que o Porto Açu – um terminal portuário e logístico de R$ 4,5 bilhões – era um projeto “estratégico” para o governo federal. Foi além: pediu ajuda ao embaixador Serra para “viabilizar” um encontro de um representante da empresa SembCorp com "um ministro brasileiro". Naquele momento da conversa, Pires não especificou qual ministro. Pires não mediu palavras: avisou que o objetivo do encontro era convencer a SembCorp a estabelecer o estaleiro no Porto Açu, e não mais no Espírito Santo. Para mostrar que não usava o nome de Fernando Pimentel em vão, Pires avisou ao embaixador Serra que este seria procurado em breve pelo ministro.

Pires vendeu ao Itamaraty a ideia de que os interesses de Eike coincidiam com os do governo brasileiro. Dois dias depois, como havia prometido o diretor da EBX, Pimentel telefonou ao embaixador Serra. Pediu que ele acertasse o encontro com o representante da SembCorp, em Brasília. Deixou implícito que a conversa trataria da possibilidade de transferência do estaleiro para o porto de Eike. Em seguida, como é de praxe, Serra recebeu na Embaixada um ofício em papel, em que Pimentel solicita “seus bons préstimos” para marcar o encontro. Recebeu também uma cópia por email. A missão oficial de Serra envolvia trocar o representante da SembCorp. No início, um diretor encontraria o ministro. Mas o governo e a EBX queriam alguém com autonomia suficiente para decidir pela troca do investimento de um local para outro.

Mesmo após o contato de Pimentel, Pires continuou a procurar o embaixador em Cingapura por telefone e email. “Foram inúmeras e incontáveis vezes”, afirma Serra. “O assunto era sempre o mesmo: acertar o encontro entre o executivo da SembCorp e o ministro. Em todas as ocasiões, ele (Amaury Pires) mencionava que o objetivo era levar o investimento para o Porto Açu. Meu trabalho foi, a pedido do ministro Pimentel, viabilizar o encontro.” Como a reunião realizada na semana passada entre Pimentel e os executivos da Sembcorp deixa claro, Amaury Pires e a EBX alcançaram seu primeiro objetivo na tentativa de levar dinheiro para Porto Açu.

A forcinha do governo vem a calhar para o empreendimento de Eike Batista em Porto Açu. Como muitos dos negócios de Eike, esse também enfrenta problemas. O Porto Açu foi lançado como um ousado empreendimento para escoar a produção de minério de outra empresa do grupo, a MMX, em Minas Gerais, para exportação. No papel, o porto teria ainda área para a instalação de outras empresas. Poderia gerar 50 mil empregos. A principal empresa a se instalar no porto seria uma siderúrgica do grupo chinês Wuham Iron and Steel Co. (Wisco). No ano passado, porém, a Wisco desistiu do negócio por falta de infraestrutura no local. Há problemas também com o Ministério Público Federal. O MPF questiona o porto na Justiça. Segundo procuradores, Eike recebeu do governo do Rio de Janeiro, indevidamente, um terreno de utilidade pública para realizar a obra – e o terreno não poderia usado para fins comerciais.

Na semana passada, após saber que Pimentel recebera os diretores da empresa de Cingapura, mas ainda sem conhecimento dos bastidores agora revelados por ÉPOCA, o senador Ricardo Ferraço, do PMDB do Espírito Santo, acusou o embaixador Luís Fernando Serra de fazer lobby em favor de Eike. Em pronunciamento na tribuna do Senado, Ferraço disse que Serra teria “pressionado” a empresa a mudar seu investimento do Espírito Santo para o Porto Açu. Ferraço prometeu enviar ao Itamaraty um pedido de informações sobre a conduta do embaixador Serra. “Estão batendo na pessoa errada”, diz Serra. “Tenho 40 anos de carreira. Eu não tomaria nenhuma iniciativa sem instruções superiores. Marquei a reunião a pedido do ministro Pimentel.” A ÉPOCA, Serra afirma que enviará a seus superiores os diversos emails que recebeu de Amaury Pires, além do ofício remetido por Pimentel.

Em curta nota, o ministro Fernando Pimentel afirma que recebeu o vice-presidente-executivo da Sembcorp, Tan Cheg Guan, e o diretor financeiro da empresa, Tan Cheng Tat, “para discutir a ampliação dos investimentos da companhia no Brasil”. A nota diz ainda que “em nenhum momento se discutiu a transferência do investimento no estaleiro Jurong Aracruz, que a empresa de Cingapura constrói no Espírito Santo”. A SemCorp negou, por meio de nota, a intenção de deixar o Espírito Santo. O grupo afirma que o objetivo do encontro de seus executivos com o ministro Pimentel foi discutir “potenciais investimentos” no Brasil. “Para o grupo EBX não há o que comentar”, disse a nota enviada pela assessoria de imprensa de Eike. Abordado por ÉPOCA, Pires afirmou: “Não tem nada disso, não. Não tem nada a declarar, não, amigo. Obrigado pela sua atenção. Forte abraço para você. Muito sucesso”.

Peças do imbróglio do estaleiro Jurong Aracruz

O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, se reuniu com executivos da empresa Sembcorp - (Foto: Igo Estrela / Editora Globo).

O empresário Eike Batista - (Foto: Michel Filho/Agência O Globo).

 Luís Fernando Serra, embaixador do Brasil em Cingapura, é acusado de fazer lobby em favor de Eike - (Foto: Everson Bressan-AENotícias).

 Porto Açu – um terminal portuário e logístico de R$ 4,5 bilhões - (Foto: Felipe Hanower / Agência O Globo).

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Twitter sofre "ataque sofisticado" e 250.000 usuários podem ter tido seus dados roubados

A rede social Twitter anunciou ter detetado um "ataque sofisticado" que pode ter permitido aos hackers o acesso aos dados pessoais de 250.000 usuários, aos quais foi recomendado que troquem e reforcem suas senhas.  "Descobrimos um ataque em andamento e fomos capazes de bloqueá-lo poucos minutos depois. (...) Esse ataque não era trabalho de amadores, e não acreditamos que tenha sido um incidente isolado", comentou em seu blog de Twitter Bob Lord, diretor de segurança da empresa.

Lord acrescentou que "os hackers eram extremamente sofisticados, e acreditamos que outras companhias e organizações tenham sido também atacadas recentemente. Das informações roubadas constam nomes, contas de correio e senhas de usuários. Ainda que apenas uma pequena porcentagem de usuários tenha sido potencialmente afetada, lhes sugerimos fortemente que melhorem suas senhas e seus procedimentos de segurança". Lord recomendou aos usuários a criação de senhas que mesquem letras, números e outros símbolos.

O ataque revelado pela rede Twitter ocorreu na mesma semana em que os jornais The New York Times e Wall Street Journal tiveram seus códigos de segurança violados, segundo eles por hackers chineses. A rede social disse que está trabalhando em conjunto com as agências de segurança federais e governamentais para rastrear a origem dos ataques.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Submarino nuclear brasileiro sai do papel em 2016

O parceiro francês no programa de construção de quatro avançados submarinos diesel-elétricos e de um outro movido a energia atômica, para a Marinha -- a Direction des Constructions Navales et Services --, festejou com o grupo brasileiro de especialistas em treinamento - cerca de 50 deles - a oficialização da data do início do ProSub - o Projeto do Submarino com Propulsão Nuclear Brasileiro. A cerimônia que marca a contagem do tempo foi realizada no Centro Tecnológico da Marinha, em São Paulo, no campus da USP.

O contrato, incluindo obras civis, vale € 6,7 bilhões, cerca de R$ 21 bilhões [a taxa de R$ 3,13 por euro está muito exagerada!], um dos três maiores empreendimentos públicos do País. O grupo brasileiro majoritário no empreendimento é a Odebrecht Defesa e Tecnologia (ODT). A contar do dia 6 de julho, a agência de desenvolvimento dos projetos vinculados ao ProSub terá três anos, talvez pouco menos, para produzir a concepção básica do submarino. Segundo o coordenador, almirante José Alberto Accioly Fragelli, "terá início, então, a parte dos planos detalhados, junto com a construção do navio em 2016, no estaleiro que está sendo estruturado em Itaguaí, no Rio". [É "interessante" comparar o custo desse contrato com os R$ 34 bi (valor do governo) ou os R$ 50 bi (cálculos mais realistas) do nosso famigerado trem-bala ...]

A previsão para as etapas de conclusão situam em 2021 ou 2022 a finalização da embarcação. A montagem eletrônica, o carregamento do reator compacto e os testes de mar devem consumir, talvez, mais dois anos. Um almirante ouvido pelo Estado acredita que sob pressão estratégica - uma eventual ameaça externa - o SN-Br pode entrar em operação efetiva em 2023. Se não, é coisa para 2025. O empreendimento, de longo prazo, contempla uma frota de seis submarinos nucleares e 20 convencionais; 15 novos, S-Br, da classe Scorpène e cinco revitalizados. Tudo isso até 2047, conforme o Paemb - Plano de Articulação e de Equipamento da Marinha.

A frota de submarinos de ataque será o principal elemento dissuasivo da Defesa brasileira. Um oficial especializado, que não pode ser identificado, sustenta que "a percepção do agressor deve ser a de que haverá resposta rápida e devastadora a qualquer aventura, vinda de uma fonte difícil de identificar, capaz de surgir em qualquer lugar". Mais comedido, o comandante da Força, almirante Júlio Moura Neto, lembra a "necessidade de dar prioridade à estratégia do temor das consequências considerados fatores como o Pré-Sal, a posição do Brasil no contexto internacional, a garantia da segurança marítima e a vigilância sobre as águas jurisdicionais, que somam 4,5 milhões de quilômetros quadrados, uma Amazônia no mar". 

Dinheiro garantido. Não está faltando dinheiro para o Pro Sub. Em 2011 o investimento foi de R$ 1,8 bilhão. Para 2012, o governo destinou R$ 2,15 bilhões - recursos livres de cortes. Em Itaguaí, litoral sul do Rio, há 6,3 mil pessoas trabalhando no complexo formado pelo novo estaleiro e nova base de operações - 500 desses funcionários foram treinados no canteiro que recebe este mês a primeira equipe de engenheiros e projetistas da DCNS. Vão trabalhar com o pessoal da Marinha no navio nuclear.

Em novembro terminam as obras da construção da Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (Ufem), onde serão construídos os submarinos S-Br, com motores diesel-elétricos. Um mês depois, chegam da França as seções 3 e 4 do primeiro navio, que foram juntadas por soldagem de alta tecnologia em Cherbourg, em dezembro de 2011. Em 2015 fica pronto o estaleiro, e em 2017 será entregue o S-Br que abre a série de quatro, recebidos um a cada 18 meses. A gleba do conjunto tem 980 mil metros quadrados, dos quais 750 mil metros quadrados sob a água. Haverá dois píeres de 150 metros e três docas de 170 metros. Base e estaleiro ocuparão 27 prédios. A dragagem mobiliza 6 milhões de metros cúbicos. As especificações dos navios brasileiros ainda estão sendo definidas. O Scorpène Br é cerca de 100 toneladas mais pesado e 5 metros mais longo que a configuração padrão, forma de aumentar a autonomia e o conforto a bordo. 

O programa brasileiro não é o único da América do Sul. Na Venezuela, Hugo Chávez negocia com a Rússia a compra de 7 a 11 submarinos - um deles nuclear, o Akula, de 12,7 mil toneladas, armado com torpedos e mísseis. Na Argentina, a presidente Cristina Kirchner anunciou, em junho de 2010, um programa considerado tecnicamente pouco viável. A ideia é converter a motorização de três velhos modelos de origem alemã, o San Juan, o Santa Cruz e o Domec, dos anos 1970, concluídos no início dos 1980, atualmente em fase de revitalização. Todos receberiam um reator de concepção local, o Carem, desconhecido fora da Invap, empresa que teria criado o produto. Um dos navios modernizados estaria pronto para uso em 2015, outro em 2020. O terceiro ficaria dependente dos resultados apurados no procedimento.

sábado, 7 de julho de 2012

Veto do Ibama a estaleiro em Alagoas gera reação de senadores do Estado, liderados por Renan Calheiros

A negativa do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de conceder licença prévia para construção de um estaleiro em Alagoas provocou uma reação política na bancada do estado no Senado, liderada pelo senador Renan Calheiros (PMDB). Na sexta-feira (6), o senador disse que a decisão do Ibama de vetar o empreendimento é política e será respondida com atraso na tramitação de um projeto que beneficia servidores da área ambiental.  [Se Renan Calheiros sozinho é contra alguma coisa, a chance de que essa coisa seja honesta e decente é de 99,999% -- se ele estiver, como agora, apoiado por outro expoente do grupo da "ética minima minimorum" do Senado, o Sr. Fernando Collor, aí então a coisa que os contraria tem 200% de chance de ser certa, correta, honesta, decente, saudável e de interesse do país. Só alguém de mente e visão distorcidas como esses dois senhores, que os alagoanos nos fizeram o desfavor de eleger, pode chamar de "política" uma decisão de cunho ambiental. Vamos ver se Dª Dilma não se curva à chantagem dessas duas criaturas.]

No fim de junho, o Ibama negou a licença prévia para o Estaleito Eisa Alagoas, que o grupo Sinergy pretende construir em Coruripe, no litoral sul alagoano. De acordo com o órgão ambiental, o local escolhido pela empresa para construção do estaleiro é inadequado, por estar localizado em área de mangue. “Mais da metade da área proposta [55,4%] para instalação do empreendimento encontra-se em área de preservação permanente [APP], área de mangue, ecossistema fundamental para inúmeras espécies”, diz parecer emitido pelo Ibama.

Para Calheiros, a recusa do Ibama foi política e as exigências para a construção do estaleiro em Alagoas estão sendo maiores do que para empreendimentos semelhantes instalados em outros estados do país. Em resposta à negativa da licença ambiental, o senador pediu vistas a um projeto que tramita na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado para criar cargos e que garante o remanejamento definitivo de servidores de outros órgão que foram cedidos para o Ministério do Meio Ambiente.  “Indiscutivelmente, é uma questão política. Nós sempre ajudamos, eu sempre tive boa vontade, mas, enquanto o Ibama não resolver esse problema de Alagoas, sinceramente eu não vou ter com o Ibama a mesma boa vontade que eu sempre tive”, disse Calheiros, que tem o apoio dos outros dois senadores alagoanos, Fernando Collor (PTB) e Benedito de Lira (PP).

Com o pedido de vista, o projeto saiu da pauta. Com o começo do recesso do Congresso e, em seguida, o período eleitoral, a proposta corre o risco de ficar parada na CCJ por muito tempo. “Eu o tirei de pauta e não pretendo trazê-lo de volta enquanto o Ibama não resolver essa questão em Alagoas. Já que virou uma questão política, nós vamos tratá-la como questão política a partir de agora e até o fim”, reiterou Calheiros.

Em ofício enviado ao grupo Sinergy na última semana, o Ibama pede que o empreendedor apresente locais alternativos para a construção do estaleiro, com informações comparativas sobre o impacto ambiental de cada uma, de acordo com a legislação ambiental brasileira. A empresa anunciou que irá pedir a reconsideração do parecer pelo Ibama.

A construção do estaleiro tem previsão de investimentos de R$1,5 bilhão. De acordo com o governo de Alagoas, a obra pode gerar até 10 mil empregos diretos e 40 mil indiretos.