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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Mesquitas do Irã

O Irã, ultimamente nas manchetes por conta do acordo nuclear firmado com os EUA (ainda a ser ratificado pelo Congresso americano), tem importância cultural para a humanidade muito além dos aspectos puramente militares e estratégicos que lhe têm sido dados.

Anteriormente conhecido como Pérsia, é um país localizado na Ásia Ocidental. Tem fronteiras ao norte com Armênia, Azerbaijão e Turquemenistão e com o Cazaquistão e a Rússia através do Mar Cáspio; a leste com Afeganistão e Paquistão; ao sul com o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã; a oeste com o Iraque, e a noroeste com a Turquia. Sua importância estratégica é evidente. O Irã é o 17° país mais populoso do mundo.

O país é o lar de uma das civilizações mais antigas do mundo, que começa com a formação do reino de Elam em 2800 a.C. Os povos iranianos medos unificaram o país no primeiro de muitos impérios que iriam se seguir em 625 a.C., após a nação se tornar o principal poder cultural e político dominante na região. O Irã atingiu o auge de seu poder durante o Império Aquemênida, fundado por Ciro, o Grande em 550 a.C. e que, na sua maior extensão, compunha grandes porções do mundo antigo, que se estendiam do vale do Indo, no leste, à Trácia e Macedônia, na fronteira nordeste da Grécia, tornando-se um dos maiores impérios que o mundo já vira. Os Aquemênidas entraram em colapso em 330 a.C. após as conquistas de Alexandre, o Grande, mas o país alcançou uma nova era de prosperidade após o estabelecimento do Império Sassânidaem 224 d.C., sob o qual o Irã se tornou uma das principais potências da Europa Oriental e da Ásia Central nos quatro séculos seguintes.

Em 633 d.C., árabes muçulmanos invadiram o Irã e conquistaram-no por volta 651 d.C. O Irã depois desempenhou um papel vital durante a subsequente Idade de Ouro Islâmica, produzindo diversos cientistas, acadêmicos, artistas e pensadores influentes. O surgimento em 1501 do Império Safávida promoveu o xiismo duodecimano islâmico como a religião oficial e marcou um dos divisores de águas mais importantes da história iraniana e muçulmana. A Revolução Constitucional Persa de 1906 estabeleceu o primeiro parlamento da nação, que operava dentro sistema político de monarquia constitucional. Após um golpe de Estado apoiado por Reino Unido e Estados Unidos em 1953, o Irã tornou-se gradualmente autocrático. A crescente oposição contra a influência estrangeira e a repressão política culminou com a Revolução Iraniana, que acabou por criar uma república islâmica em 1º de abril de 1979. Apesar de ser uma nação multicultural que inclui vários grupos étnicos e linguísticos, o islamismo xiita e o persa são os únicos classificados como a religião e o idioma oficiais do país, respectivamente.

No mundo muçulmano, as mesquitas sempre foram uma demonstração impressionante da qualidade de sua arquitetura e de sua arte. As mesquitas do Irã não fogem à regra, como mostram as fotos a seguir (as de fotógrafo não identificado são todas do Google).














Fotos da mesquita Nasir-al-Musk, em Shiraz, também conhecida como "Mesquita Rosa"

Mesquita mausoléu do oitavo Imam Reza, um dos maiores centros de peregrinação do Irã


Cúpulas de mesquitas em Ishafan






Mesquita do Xeque Lutfulah e seu teto, em Isfahan

Mesquita em Isfahan


Teto da mesquita de Seyyed, em Isfahan - (Foto: Mohammad Domiri, um estudante de física iraniano de 23 anos)


Teto da mesquita Nasir-al-Musk - (Foto: Marinela T. Gondii)


Cúpula de mesquita não identificada no Irã




Imagens da mesquita Vakil - (Foto: Mohammad Domiri, um estudante de física iraniano de 23 anos)







Mesquita Jameh, em Yazd (a última das três fotos mostra detalhes do teto da mesquita)


Mesquita Imam, em Isfahan








Mesquita em Isfahan












segunda-feira, 25 de novembro de 2013

As reações em Israel ao acordo nuclear firmado com o Irã

A primeira observação que se tira das recentes negociações entre os EUA e outras potências mundiais com o Irã para enquadramento do seu programa nuclear é o absoluto isolamento internacional de Israel em relação a um assunto que lhe é de vital importância. A segunda conclusão -- que acaba sendo origem da primeira -- é que tal isolamento se deu, e se dá, por culpa exclusiva dos israelenses, que têm mostrado preferência por ações militares a negociações diplomáticas, apostando alto em seu poderio militar e no tradicional apoio americano. Desta vez, porém, a coisa não funcionou como Israel queria e esperava.

Ainda há muito ceticismo pairando no ar em relação ao acordo a que se chegou com os iranianos, haverá ainda um tempo probatório em relação a isso. Mas, a posição de Israel nesse contexto é a pior de que se tem notícia ultimamente no cenário do Oriente Médio. Para possibilitar uma ideia de como isso tudo repercutiu no país e em seu governo, listo abaixo os títulos das principais matérias recentes apresentadas sobre o assunto pelos dois jornais de destaque da imprensa de Israel, o Haaretz (O País), de tendência esquerdista, e o The Jerusalem Post, mais ligado às posições do governo.

Haaretz

Avanço em Genebra -- Irã e potências mundiais fecham acordo provisório sobre programa nuclear (Anschel Pfeffer).

Com acordo do Irã selado, não espere que Israel mande sua força aérea. Isso seria suicídio político. Ainda assim, o acordo apenas mantém o Irã estacionado onde está -- ele ainda está bem posicionado para, repentinamente, mover-se na direção de uma bomba (Amos Harel).

Agora que o acordo está feito, lutar por novas sanções prejudicaria mais Israel que o Irã (Chemi Shalev).

Acordo fechado em Genebra. Netanyahu: acordo nuclear com Irã coloca Israel em perigo, nos defenderemos (Barak Ravid).

Um bom acordo: o pacto de Genebra distancia o Irã da bomba nuclear. Apesar da crítica rude de Netanyahu, o acordo de Genebra impõe sérias restrições ao Irã e permite ao Ocidente acesso a informações valiosas sobre seu programa nuclear (Barak Ravid). 

Revelado: EUA e Irã mantiveram conversações nucleares durante meses, antes que acordo fosse alcançado. O canal secreto se estabeleceu já em março de 2013, de acordo com a AP (Associated Press) -- Obama informou Netanyahu apenas dois meses atrás e depois colocou as potências mundiais a par (Barak Ravid).

Perfil. Ativista transformada em diplomata, no centro das conversações nucleares. Catherine Ashton nunca disputou uma eleição e não tem experiência diplomática, mesmo assim representou o mundo nas negociações com o Irã (Anshel Pfeffer).

Casa Branca apresenta os termos do acordo com o Irã. Documento completo: "Entendimentos iniciais relativos ao Programa Nuclear da República Islâmica do Irã".

The Jerusalem Post

Netanyahu diz que acordo nuclear com o Irã é "erro histórico". Jerusalém continuará seus esforços para garantir que Teerã não produza armas nucleares (Herb Keinon).

Acordo com Irã é mais arriscado do que parece. Acordo nuclear acertado em Genebra assume riscos altos e desnecessários, e se apoia em fundamentos precários que podem levar ao colapso do regime de sanções. Pode-se esperar que o Irã passará os próximos seis meses tentando dividir as potências internacionais (Yaakov Lappin).

EUA saúdam entendimento com Irã como um "bom acordo". Kerry diz que acordo trará mais segurança para Israel, porque estabelece um mecanismo para monitorar as atividades nucleares de Teerã. Presidente da Comissão de Assuntos Externos do Congresso diz que a nova legislação de sanções do Congresso respeitaria a moratória de 6 meses (Michael Wilner).

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Marc Rich, o homem que vendeu petróleo iraniano a Israel

[A reportagem traduzida abaixo foi publicada hoje na versão em inglês do jornal israelense Haaretz ("O País", em hebreu). O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]

O empresário Marc Rich, que morreu ontem na Suiça aos 78 anos, será enterrado hoje em Israel. Rich morreu de um derrame, em um hospital próximo à sua casa em Lucerna. De acordo com a revista Forbes, os bens de Rich em 2012 somavam US$ 2,5 bilhões.

Rich era uma figura polêmica. De um lado, até ser perdoado em 2001, ele foi um fugitivo acusado nos EUA em um dos maiores casos de evasão fiscal da história americana e de fazer comércio com o Irã do aiatolá Khomeini, apesar das sanções dos EUA. Por outro lado, apesar de ter sido acusado também de transacionar com países hostis a Israel, autoridades sêniores do governo israelense, instituições públicas e organizações sem fins lucrativos o reverenciavam e chegaram mesmo a pressionar o ex-presidente americano Bill Clinton para que o perdoasse. Apesar disso, Rich nunca foi condenado nos EUA por aquelas ou quaisquer outras acusações feitas contra ele. 

Rich doou centenas de milhões de shekels (ILS) [1,00 ILS = 0,276 US$] a organizações israelenses: ao Partido Trabalhista, ao Conselho presidencial, à cinemateca de Tel Aviv, ao Centro Interdisciplinar em Herzliya, ao Museu de Israel, à Orquestra Filarmônica e outras.

Recentemente, o mistério que cercava o abrangente apoio dado a Rich foi disperso. Um outro aspecto de sua vida foi revelado em uma entrevista que deu em 2009 ao jornalista suiço Daniel Ammann, publicada mais tarde em uma biografia que Ammann escreveu dele com o título "O Rei do Petróleo: As Vidas Secretas de Marc Rich", que foi traduzida para o hebreu e aprovada por Rich. No livro, Rich admitiu que havia comprado petróleo do Irã mesmo após a revolução islâmica durante o governo de Khomeini, assim como durante a crise dos reféns americanos em 1979 e até meados dos anos 1990. Ele afirmou que grande parte desse petróleo foi para Israel durante esses anos.

De acordo com Rich, Israel foi dependente do petróleo iraniano mesmo depois que as relações entre os dois países foram cortadas. Ele disse que suas conexões empresariais com o Irã se iniciaram antes da revolução local, com o conhecimento de funcionários sêniores do regime iraniano, e que simplesmente continuou a fazer negócios com eles apesar das sanções impostas pelos americanos. Ele disse que os iranianos continuaram a "honrar os contratos".

Quando Clinton tentou explicar porque deveria perdoar Rich e seu sócio Pincus (Pinky) Green no seu último dia como presidente, uma das razões eram os muitos pedidos nesse sentido que havia recebido de altos líderes dos partidos israelenses Likud ("União") e Trabalhista, incluindo Ehud Barak e Shimon Peres. De acordo com Clinton, eles lhe explicaram que Rich havia feito doações para instituições israelenses sem fins lucrativos e para os esforços do Mossad [o serviço secreto de Israel] destinados a resgatar judeus de países hostis, assim como para o processo de paz via financiamento de iniciativas para educação e saúde em Gaza e na Margem Esquerda.  [É muito interessante e didático conhecer a elasticidade do raciocínio de Israel em relação ao Irã -- para o grande público, o Irã é o Belzebu que quer destruir o país e os judeus, e por isso deve até ser bombardeado e se possível arrasado por conta de seu programa nuclear. Mas, por trás dos bastidores o petróleo iraniano e os lucros que propiciou a Rich, o grande benemérito de Israel, eram não só bem-vindos como essenciais e até beatificados. A ponto de justificar uma enorme pressão sobre o governo americano, obrigando-o a se violentar para atender o lobby israelense. Como diria Cícero, o tempora, o mores!]

Em uma entrevista à revista Newsweek em 2002, Clinton disse  ter-se lamentado por ter dado o perdão a Rich e que isso causou danos à sua imagem.

Rich afirmou no livro que, na realidade, era um colaborador do Mossad.  Ele disse que forneceu informações ao Mossad sobre o que estava ocorrendo no Irã, na Síria e na Rússia para ajudar Israel e que de fato colaborou nos esforços para trazer para Israel judeus da Etiópia, Iêmen e países árabes. De acordo com relatórios, Rich franqueou seus escritórios ao Mossad para que este os usasse para camuflar suas atividades.

Todos aqueles que receberam doações de Rich se esforçaram ao máximo para garantir que seu passado não fosse revelado, como por exemplo -- de acordo com informes da mídia -- seus negócios com o Iraque de Saddam Hussein e com a África do Sul durante o apartheid, assim como buscaram enfatizar suas contribuições para Israel.  Uma fundação através da qual ele atuou não fornece informações transparentes sobre as atividades dela em Israel, e só depois do perdão de Clinton começou a destacar o nome de Rich.  Durante aquele período, Rich manteve um perfil discreto e se recusava a dar entrevistas.

Apesar disso, essa fundação é considerada uma das maiores e mais generosas de Israel. Foi montada e instalada por Rich, sua ex-esposa a compositora Denise Rich, e seus sócios Alec Hackel e Pincus Green -- este último fugiu com Rich dos EUA. De acordo com seus próprios informes, a fundação doou mais de US$ 135 milhões ao longo das duas últimas décadas.

Rich, que nasceu na Bélgica, começou sua carreira na Philipp Brothers, uma das maiores empresas comercializadoras de matérias primas na época, dela saindo com Green em 1974 para criar a empresa de commodities Marc Rich & Cia AG. Rich e Green foram os primeiros pioneiros a operar com o mercado spot [mercado à vista] -- bens para entrega imediata -- para petróleo, e o exploraram para auferir lucros rápidos. Por causa de seu grande sucesso nesse setor, Rich foi apelidado de o "rei das commodities".

A empresa de Rich acabou transformando-se na gigantesca Glencore International na área de commodities, mas Rich vendeu-a em 1993 e fundou uma nova empresa, a Holding Marc Rich & Cia., também na Suiça. Além de investir em commodities, Rich expandiu seus investimentos nos anos 1980 a setores adicionais comprando com o industrial Marvin Davis os estudios da 20th Century Fox em 1981. Mas em 1984, depois que Rich fugiu dos EUA, Davis vendeu sua parte para Rupert Murdoch por US$ 250 milhões.

Marc Rich em 1985 - (Foto: Reuters).


sábado, 16 de fevereiro de 2013

Blogueiros estragam armação do governo iraniano com seu avião "invisível"

Uma imagem do jato de caça "invisível" (stealth fighter jet) iraniano, o Qaher-313,  distribuída pela pela agência estatal de notícias do Irã - ("Foto": Khouz News).


A imagem do novo caça "invisível" iraniano patrulhando os céus foi arquitetada para causar espanto e admiração entre os inimigos do país. Mas, a alegada superioridade militar iraniana caiu por terra quando blogueiros descobriram que, na realidade, a imagem do caça havia sido superposta sobre a de picos nevados por meio do Photoshop. Especialistas já haviam manifestado dúvidas em relação ao Qaher-313, o segundo avião produzido em casa pelo Irã, revelado este mês em uma cerimônia especial que contou com a presença do presidente Ahmadinejad.  [Os caças "stealth" utilizam a tecnologia de dissimulação, com características que permitem interferir no radar inimigo e, também, reduzir sua detecção nos espectros infravermelho, visual, áudio e radiofrequência-- a tecnologia da dissimulação teria sido iniciada na Alemanha, durante a Segunda Grande Guerra.]

O caça, dito como combinando as caracter as características dos caças americanos US-F35 e F-22, não poderia voar porque era muito pequeno e feito de plástico, alega a crítica. Sem rebites e parafusos, o avião era um modelo em miniatura ou, no melhor das hipóteses, um protótipo de teste, segundo especialistas em aeronáutica. [Esta história me cheira mal contada -- acho os iranianos macacos velhos demais para fazer uma besteira dessas; por outro lado, a simples admissão da possibilidade de ser um protótipo muda radicalmente a história.]

O caça americano F35, fabricado pela Lockheed Martin - (Foto: Google).

O caça americano (stealth fighter) F22 "Raptor", fabricado pela Lockheed Martin - (Foto: Google).

O site da agência estatal Khouz News publicou uma foto do Qaher-313 em um voo imponente, sobrevoando o pico de uma montanha. Blogueiros iranianos, entretanto, perceberam que a foto era idêntica à revelada na cerimônia oficial de 2 de fevereiro. O ângulo do avião, o reflexo da luz e as sombras eram os mesmos. A única alteração era que a imagem teria sido superposta sobre uma imagem de fundo retratando o monte iraniano Damavand, retirada do site de armazenamento de imagens PickyWallpapers.com e ligeiramente iluminada.

Ahmad Vahidi, o ministro iraniano da Defesa, havia informado que o caça podia voar a baixa altitude para evitar radar, poderia levar uma carga de armamentos e era construído com "materiais high-tech". Entretanto, a foto "forjada" do voo confirmou a opinião de céticos como David Cenciotti, que escreve para o blogue Aviationist.  Analisando a imagem inicial liberada pelo Irã, ele disse que a cabina parecia ser demasiado pequena para acomodar um piloto humano, e estava cheia de controles "de um tipo que você espera encontrar em aviões privados pequenos". Cenciotti disse ainda que "as entradas de ar são extremamente pequenas, ao passo que a seção da turbina não apresenta nenhum tipo de bocal ou tubeira: a pós-combustão das turbinas poderia derreter todo o jato".

A revista de aviação Flight International disse que a má qualidade da cena do voo apresentada pelo Irã parecia mostrar muito mais um avião de controle remoto feito para se parecer com o Qaher-313. John Reed, especialista militar e em defesa da revista Foreign Policy (Política Externa), disse: "É seriamente improvável que tal aeronave tenha espaço para acomodar a aviônica, os radares, os equipamentos de contramedidas eletrônicas, o dispositivo contra aquecimento e, o mais importante de tudo para um caça, o armamento que faz com que os jatos "invisíveis" modernos sejam eficientes".


As duas fotos que teriam sido utilizadas para gerar a foto do início desta postagem - (Fotos: PetaPixel).

O Irã fez pouco das dúvidas, classificando-as como "propaganda inimiga". Mas, a publicação da foto no Khouz News, um website que focaliza notícias da província de Khuzestão, no sudoeste do país, sugere que o regime esteja querendo impressionar um público interno com "evidência" de avanço científico. Embora a República Islâmica possa estar longe de construir o caça "invisível" perfeito, ela está se saindo melhor usando o Photoshop. Anteriormente, o Irã já havia sido apanhado fazendo trapaça, ao adicionar digitalmente em uma foto de 2008 um quarto míssil em um teste desse armamento.

Notícias de que o Irã havia enviado com um sucesso um macaco ao espaço este mês foram questionadas, quando dois animais diferentes foram apresentados nas fotos da mídia estatal.

No ano passado, o Irã alardeou de ter construído o Koker 1, o primeiro VANT (Veículo Aéreo Não Tripulado) de lançamento vertical no mundo. Após exame minucioso das fotos liberadas pelos iranianos, o piloto e blogueiro Gary Mortimer concluiu que o projeto apresentava uma notável semelhança com um veículo que havia sido construído e lançado por uma equipe da Universidade de Chiba, no Japão, em 2008.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Uma arma que não podemos controlar

[Um artigo para ler e pensar, de Misha Glenny -- professor visitante da Escola de Assuntos Internacionais e Públicos da Universidade de Colúmbia, e autor do livro "DarkMarket: Cyberthieves, Cybercops and You"("DarkMarket": Ladrões cibernéticos, Policiais cibernéticos e Você" --, publicado no IHT (International Herald Tribune) de 24 deste mês, que um querido amigo me enviou.]

A decisão dos EUA e de Israel de desenvolver e, depois, injetar o vírus Stuxnet nas instalações nucleares do Irã  no final do governo de George W. Bush marcou um ponto de inflexão significativo e perigoso na militarização gradual da Internet.  Washington começou a cruzar o Rubicão. Se continuar, a guerra contemporânea sofrerá uma mudança radical à medida que avançarmos em território perigoso e ainda não mapeado.

Uma coisa é desenvolver vírus e deixá-los guardados, em segurança, para uso futuro se a situação assim o determinar. Outra, bem diferente, é desenvolvê-los e utilizá-los em tempos de paz. Efetivamente, o Stuxnet detonou uma arma que deu início a uma corrida armamentista nova que, muito provavelmente, levará à disseminação na Internet de armamento cibernético similar e ainda mais potente. Entretanto, diferentemente do que ocorre com armas nucleares e químicas, os países estão desenvolvendo armas cibernéticas fora de qualquer marco regulatório.

Não há tratado ou acordo internacional restringindo o uso de armas cibernéticas, que são capazes de fazer qualquer coisa desde o controle de um laptop pessoal até a completa interrupção de todo o sistema central de comunicações ou bancário de um país. É do interesse dos EUA pressionar para a criação de um protocolo dessa natureza, antes que o monstro criado pela falta dele venha se aninhar em nossa casa.

O Stuxnet foi desenvolvido e instalado com o objetivo específico de contaminar as instalações de enriquecimento de urânio de Natanz, no Irã. Isso exigiu uma manobra sorrateira para introduzir o vírus na rede privada segura e "offline" da usina. Mas, apesar do isolamento de Natanz, o Stuxnet escapou de alguma maneira para a selva cibernética, acabando por afetar centenas de milhares de sistemas mundo afora. Esse é um dos perigos assustadores de uma corrida armamentista descontrolada no espaço cibernético; uma vez liberados, os desenvolvedores de vírus geralmente perdem o controle de suas criações, que inevitavelmente irão buscar e atacar as redes de instituições ou países inocentes. Além disso, todos os países possuidores de uma capacidade cibernética ofensiva ficarão tentados a usá-la, uma vez que o primeiro tiro tenha sido dado.

Até as declarações recentes de David E. Sanger no The New York Times, não havia nenhuma prova definitiva de que os EUA estavam por trás do Stuxnet. Agora, especialistas em segurança cibernética encontraram uma ligação inequívoca entre seus criadores e um vírus recentemente descoberto chamado Flame, que transforma computadores infectados em ferramentas de espionagem de múltiplos usos e que invadiu máquinas pelo Oriente Médio afora.

Por longa data, os EUA têm sido uma liderança louvável no combate à disseminação de códigos de computador daninhos, conhecidos como malware, que brincalhões, criminosos, pessoal de serviços de segurança e organizações terroristas têm utilizado para atingir seus objetivos. Mas, ao introduzir vírus tão daninhos como o Stuxnet e o Flame, os EUA abalaram seriamente sua credibilidade. 

O Flame circulou pela Web durante pelo menos quatro anos e conseguiu não ser detetado pelos grandes operadores antivírus como McAfee, Symantec, Kaspersky Lab e F-Secure [na realidade, foi a Kaspersky Lab que descobriu o Flame] -- empresas que são vitais para que os usuários respeitadores das leis possam conduzir suas atividades pessoais ou comerciais na Web sem serem molestados pelo exército de desenvolvedores de vírus que invadem a Internet para roubar nosso dinheiro, nossos dados, nossa propriedade intelectual ou nossas identidades. Mas, gente sênior do setor tem mostrado profunda preocupação com a produção e aplicação, pelo Estado, dos vírus mais potentes já vistos.

Durante a guerra fria, os ativos mais importantes dos países eram os mísseis com ogivas nucleares. Geralmente, sua quantidade e sua localização eram de conhecimento geral [das partes envolvidas], assim como os danos que poderiam causar e quanto tempo lhes seria necessário para causar tais danos.

Guerra cibernética avançada é diferente: os ativos de um país repousam tanto na fraqueza das defesas computacionais do inimigo, quanto na potência das armas de que ele dispõe. Assim, para avaliar sua própria  capacidade, um país se vê tentado a penetrar nos sistemas do inimigo antes que um conflito ocorra. Não é de bom alvitre atingí-lo com as hostilidades já deflagradas -- ele estará preparado, e há o risco de que ele já tenha invadido e infectado nossos sistemas. Uma vez tendo assumido o controle, a lógica da guerra cibernética é assustadoramente preventiva e pode levar a uma disseminação descontrolada de malware.

Até agora, os EUA têm sido relutantes em discutir com a Rússia e a China a regulamentação da Internet. Washington acredita que quaisquer iniciativas voltadas para um tratado podem solapar e enfraquecer sua suposta superioridade nos campos do armamento cibernético e da robótica. E receia que Moscou e Beijing possam explorar uma regulamentação global de atividade militar na Web para justificar e fortalecer, ainda mais, as ferramentas poderosas que já usam para restringir a liberdade de seus cidadãos na rede. Os EUA têm que agora cogitar de entabular discussões com as maiores potências mundiais, por mais execrável que isso possa parecer, sobre as regras de gestão da Internet como um domínio militar [já no ano passado o Pentágono definiu o ciberespaço como um território de guerra  -- ver também os preparativos do Pentágono para uma guerra cibernética].

Qualquer acordo que se estabeleça deve regulamentar apenas os usos militares da Internet, e devem, especificamente, evitar quaisquer cláusulas que possam afetar o uso privado ou comercial da Web. Ninguém pode deter a corrida mundial para criar armas cibernéticas, mas um tratado poderia evitar seu desenvolvimento em tempos de paz e permitir uma resposta coletiva contra países ou organizações que o violem. [Ver postagem "Brasil discute gestão da Internet na ONU".]

Superioridade técnica não é permanente, nem imutável, e os EUA são plausivelmente mais dependentes de sistemas computacionais ligados em redes do que qualquer outro país do mundo. Washington precisa deter a espiral rumo a uma corrida armamentista que, a longo prazo, não tem garantia de ganhar.


quarta-feira, 30 de maio de 2012

Flame, uma nova etapa na guerra cibernética

[O texto abaixo, traduzido do jornal francês Le Figaro, é meramente informativo. Quem estiver interessado em detalhes mais técnicos deve necessariamente recorrer ao artigo da Wired citado no texto.]

Um programa de vírus extremamente complexo, operando escondido há pelo menos dois anos, acaba de ser descoberto. Operado provavelmente por vários países, seu alvo principal é o Irã.
  • O que é o Flame, e como foi descoberto?
O vírus Flame foi descoberto há duas semanas  pelas equipes do Kaspersky Lab, uma empresa russa produtora de programas antivírus. Por solicitação da União Internacional das Telecomunicações (instituição ligada à ONU), elas analisavam os computadores pertencentes ao Ministério Iraniano do Petróleo e à Sociedade Nacional de Petróleo dessa república islâmica. As máquinas pareciam de fato terem sido vítimas de um vírus, que roubava e deletava informações importantes.

As equipes do Kaspersky descobriram então um vírus cujas "complexidade  e funcionalidade excediam as de todas as outras ameaças cibernéticas conhecidas até hoje". Seu código é cem vezes mais complexo que o de um vírus clássico e vinte vezes mais complexo que o do vírus Stuxnet. Descoberto em 2010, este último vírus havia sido utilizado para atacar o programa nuclear iraniano. Mas, se o Flame se assemelha ao Stuxnet e ao seu "primo" DuQu, nada até agora confirma que ele tenha sido desenvolvido pela mesma equipe.
  • Qual o objetivo do Flame?
Segundo Kaspersky, o Flame é uma "arma cibernética" utilizada para fins de espionagem entre países. Os computadores mais afetados estão localizados no Irã, na Palestina, no Sudão e na Síria. O Líbano, a Arábia Saudita e o Egito são também visados por esse vírus, mas com menor agressividade.

O Flame não parece visar alvos precisos/específicos. Os pesquisadores do Kaspersky consideram que foi concebido para coletar informações diversas em alvos tão diversos como empresas privadas, organismos estatais, escolas ou cidadãos.

Se um computador for contaminado por causa de uma simples porta USB ou de um acesso a uma rede local, o Flame, ao contrário do Stuxnet, não se reproduz automaticamente para infectar um grande número de máquinas. Segundo o site Wired, que publicou um longo artigo sobre esse vírus, quem concebeu o Flame "quis controlar sua propagação e, assim, reduzir o risco de detecção. Essa, certamente, foi sua resposta à propagação ilimitada do Stuxnet, propagação essa que acelerou a descoberta desse vírus".
  • O que o Flame faz, exatamente?
De acordo com as primeiras pesquisas, o Flame é essencialmente um vírus espião capaz de se instalar num computador que rode com o Windows. Mesmo uma máquina equipada com o Windows 7 e perfeitamente atualizada pode ser infectada por esse vírus.

O Flame é capaz de ligar o microfone do computador, a fim de gravar conversas sem que ninguém saiba. Se a máquina reconhece o Bluetooth,  o Flame pode então atingir uma zona próxima e fazer uma varredura de todos os aparelhos (especialmente os celulares) para acessar seus arquivos de endereços. O vírus captura igualmente, minuto a minuto, as imagens do monitor. Se o usuário do computador acessar sua caixa de mensagens, ou utilizar um programa de mensagens instantâneas, o vírus acessa os arquivos a cada 15 segundos. E, finalmente, o Flame pode gravar senhas.

Esse vírus gigante, de 20 megabytes quando todos os seus módulos estão instalados, não revelou ainda todos os seus segredos. "Levamos seis meses analisando o Stuxnet. Ora, o Flame é vinte vezes mais complicado. Nos custará bem uns dez anos para entendê-lo completamente", disse à Wired Alexander Gostev, o principal especialista em segurança do Kaspersky Lab.
  • Quem está por trás dessa "arma cibernética"?
Kaspersky estima que um ou mais países estão na origem do Flame, sem dizer nomes.  Tendo em vista as semelhanças entre o Flame e o Stuxnet, as atenções já se voltam para os Estados Unidos e Israel, mas sem provas formais. Indagado sobre isso, o ministro do Exterior israelense considerou que o emprego de tais vírus "é justificado, por qualquer um que considere a ameaça iraniana como uma ameaça relevante". "Israel está na vanguarda das tecnologias novas, e estas ferramentas nos oferecem todas as possibilidades possíveis", acrescentou ele, alimentando assim as especulações sobre o papel de Tel Aviv na concepção do Flame.

De acordo com as primeiras análises, o Flame começou a infectar computadores há pelo menos dois anos. Mas, segundo o laboratório de criptografia e de sistemas de segurança húngaro que descobriu o DuQu, o Flame pode estar ativo desde 2007. "Se foram capazes de criar tal coisa há cinco anos, não ouso imaginar o que podem fazer hoje", comensou o responsável por uma empresa britânica de cibersegurança, segundo a agência de notícias Reuters.

Para Eugène Kaspersky, fundador da empresa que tem seu nome, o Flame é uma "nova etapa" na guerra cibernética. "É necessário compreender bem que tais armas podem ser facilmente utilizadas contra não importa qual país. E, contrariamente às guerras convencionais, os países mais desenvolvidos são aí os mais vulneráveis".

Mapa geográfico das regiões infectadas pelo vírus Flame detectadas pelo Kaspersky Lab (clique na imagem para ampliá-la) - (Fonte : Wired/Cortesia Kaspersky Lab).

O nome Flame vem de um dos principais módulos dentro do programa - (Fonte: Wired/Cortesia Kaspersky Lab).

Os pesquisadores não estão seguros sobre como o Flame invade seu alvo inicial, antes de se espalhar por outras máquinas, mas o gráfico acima indica possíveis vetores de infecção - (Fonte: Wired/Cortesia Kastersky Lab).


domingo, 29 de janeiro de 2012

Pentágono quer "navio-mãe" como base de comandos no Oriente Médio

O Pentágono está apressando o envio de uma grande base flutuante para grupos de comando no Oriente Médio, devido ao aumento das tensões com o Irã, com a al-Qaeda no Iêmen, e com piratas somalianos, entre outras ameaças.

Em resposta a uma solicitação do Comando Central dos EUA, que supervisiona as operações militares no Oriente Médio, a Marinha está convertendo um navio de guerra velho -- que havia planejado desativar -- em uma base temporária para os comandos [tropas especiais]. Oficiosamente apelidado de "navio-mãe", a base flutuante pode acomodar barcos menores de alta velocidade e helicópteros, comumente usados pelos SEALs da Marinha, segundo mostram documentos do governo.

As forças de Operações Especiais são uma peça chave na estratégia da administração Obama para tornar as forças armadas americanas mais compactas e mais ágeis, tendo em vista que o Pentágono enfrentará cortes de gastos de pelo menos US$ 487 bilhões na próxima década.

O tenente-coronel comandante Mike Kafka, um porta-voz do Comando das Forças de Frotas da Marinha, declinou de dar mais detalhes sobre o objetivo da base flutuante ou de dizer onde, exatamente, ela ficará estacionada no Oriente Médio. Outros oficiais da Marinha admitiram que estavam trabalhando em um ritmo incomum, para concluir a conversão e enviar o navio para a região por volta do início do verão.

Documentos da Marinha indicam que o navio pode ser direcionado para o Golfo Pérsico, onde o Irã tem ameaçado bloquear o Estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial para grande parte do suprimento de petróleo mundial. Uma proposta de pesquisa de mercado emitida pelo Comando de Operações de Carga Marítimas Militares, datada de 22 de dezembro e postada online, afirma que a base flutuante destina-se ao Golfo Pérsico. Outros documentos contratuais não especificam um local, mas dizem que o navio-mãe seria usado para missões de "apoio a medidas defensivas contra minas". Oficiais da defesa dizem que, se o Irã tentar fechar o Estreito de Ormuz ele se apoiará em minas para obstruir a rota marítima.

Com uma grande base naval no Bahrein, e um ou dois grupos de porta-aviões usualmente comissionados para a região, a Marinha tem uma forte presença no Golfo Pérsico e águas adjacentes. O acréscimo do navio-mãe terá relativamente pouco efeito para aumentar o poderio marítimo dos EUA, mas poderá desempenhar um papel útil na realização de missões de comando secretas longe da costa.

A operacionalização da base flutuante pode também marcar o retorno dos grupos dos SEALs às operações marítimas, pois na última década eles passaram a maior parte de seu tempo em operações terrestres no Iraque e no Afeganistão.

[...] A base flutuante poderia ser adequada também para as costas da Somália, um país falido sob todos os aspectos, que abriga um ramo da al-Qaeda e quadrilhas de piratas [esta história de piratas "da Somália" está mal contada -- vejam o vídeo  http://dotsub.com/view/8446e7d0-e5b4-496a-a6d2-38767e3b520a ]. Um navio-mãe ali daria aos SEALs ou a outros comandos mais flexibilidade em missões como a de quarta-feira, na qual foram resgatados um dinamarquês e uma americana que há meses eram reféns de piratas somalianos. 


O navio anfíbio de assalto americano USS Ponce navega pela Canal de Suez em março de 2011. Se reformado como um "navio-mãe", o navio poderia servir de apoio para missões dos SEALs da Marinha americana - (Foto: The Washington Post).

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Huawi nega fornecer tecnologia para Irã

A Huawei Technologies afirmou nesta quarta-feira, 4, que as acusações de seis legisladores norte-americanos de que a fabricante chinesa violou leis e forneceu tecnologia sensível ao Irã se basearam em notícias equivocadas.  “Infelizmente, alguns membros do Congresso continuam a citar notícias equivocadas, que têm acusações infundadas”, declarou em comunicado a segunda maior fabricante de equipamentos de telecomunicações do mundo.

A Huawei, fundada pelo presidente-executivo Ren Zhengfei, vem tentando se expandir no setor de telecomunicações nos Estados Unidos, mas enfrenta oposição política por causa de preocupações com a segurança nacional. A ligação de Zhengfei com as Forças Armadas chinesas é vista como um obstáculo ao crescimento da companhia na América do Norte, embora a Huawei tenha repetidamente negado a relação militar.

Em carta do Departamento de Relações Exteriores dos EUA, seis legisladores do país pediram que o governo investigasse se a Huawei e outras companhias de telecomunicações violaram uma lei de sanção ao Irã aprovada pelo Congresso em 2010 ao fornecerem tecnologia sensível ao país asiático. O pedido foi redigido em 22 de dezembro, mas só veio a público esta semana. O documento se refere a uma notícia do Wall Street Journal, em outubro, de que o governo iraniano usou tecnologia da Huawei e outras tecnologias para “restringir a voz da população iraniana e a livre circulação de informação independente no Irã”.

Irã ameaça navios americanos e alarma os mercados de petróleo

O Irã subiu o tom na sua guerra de palavras com os EUA na terça-feira, avisando os navios da Marinha americana para ficarem fora do estratégico Estreito de Ormuz, [por onde circula de um terço a 40% do petróleo mundial] o que sacudiu os mercados de commodities e fez subirem os preços do petróleo.

O mais recente de uma série de comunicados provocativos de líderes iranianos foi feito pelo comandante das forças armadas do Irã, Gen. Ataollah Salehi, que pareceu ameaçar um porta-aviões americano que navegava fora das águas do Golfo Pérsico na semana passada. "Avisamos a esse navio, que é considerado uma ameaça para nós, para que não volte, e não repetimos nossas palavras duas vezes", disse Salehi, de acordo com a Agência de Notícias dos Estudantes Iranianos.

O governo Obama ignorou a ameaça, mas o tom crescentemente belicoso -- associado com novas sanções econômicas contra o Irã esperadas para entrar em vigor nas semanas vindouras -- fez o preço do petróleo subir mais de 4% em um dia de notícias econômicas animadoras. Mercados do ouro fecharam em seu nível mais alto em 10 semanas.

Além da guerra verbal, o Irã em uma semana testou novos mísseis, gabou-se de avanços em tecnologia nuclear, e jurou fechar o Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo em retaliação às sanções ocidentais ao seu programa nuclear.

Autoridades americanas atribuem a linguagem dura e desagradável da terça-feira à crescente frustração do Irã com sua vacilante economia, que dizem estar sofrendo o efeito de várias rodadas de sanções ocidentais adotadas contra o país nos últimos três anos. A moeda iraniana, o rial, desvalorizou-se a valores sem precedentes em relação dólar na terça-feira, forçando o Banco Central do país a inundar o mercado local com dólares. Cambistas vêm descarregando rials em antecipação a sanções ainda mais duras, incluindo medidas assinadas por Obama no sábado visando o próprio banco central iraniano. Além disso, espera-se que a União Europeia aprove novas sanções em sua reunião de 30 de janeiro, incluindo restrições à importação da principal commodity de exportação do Irã, o petróleo. [O país tem as segundas maiores reservas mundiais de gás natural, e é o terceiro em reservas de petróleo].

O navio visado pelos ataques verbais do Irã é o porta-aviões USS John C. Stennis, que comporta cerca de 85 aviões de combate, fora outros armamentos. Esse navio, baseado perto do Bahrein, partiu para o Golfo Pérsico com seu grupo de combate na semana passada antecipando-se aos exercícios militares de 10 dias do Irã. Autoridades americanas e analistas militares consideram a ameaça um blefe, ressaltando a reputação iraniana de ameaças retóricas vazias. Um porta-voz do Pentágono disse que a Marinha continuaria a posicionar seus navios no Golfo "como tem feito há décadas".

Navios de guerra iranianos participam de um desfile naval no último dia dos exercícios militares Velayat-90, na terça-feira, no Mar de Omã, perto do Estreito de Ormuz. O comandante militar iraniano avisou a um porta-aviões americano para não retornar ao Golfo Pérsico - (Foto: Reuters).

O porta-aviões americano USS John C. Stennis - (Foto: Marinha americana).

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Irã diz que está abrindo os segredos do VANT americano capturado

Segundo a Associated Press, o Irã está se gabando de estar no processo de fazer a "engenharia reversa" de um VANT (Veículo Aéreo Não Tripulado) espião americano de alta tecnologia que capturou no início deste mês.

Autoridades de segurança nacional iranianas disseram hoje que quase concluíram a extração de dados do avião não tripulado que caiu (ou foi abatido) sobre o país.  Elas planejam abrir um processo contra os EUA, em cortes americanas, contra a "invasão" do espaço aéreo do país pelo VANT.


Autoridades iranianas e americanas têm apresentado versões conflitantes sobre praticamente cada aspecto da saga do avião espião. O Irã diz que detectou o avião em seu espaço aéreo, invadiu seus controles e o abateu eletronicamente. Os EUA têm mantido a versão de que a aeronave teve problema de funcionamento, embora as autoridades americanas não saibam explicar como ela aterrisou quase intacta, quando normalmente voa a uma altitude de 50.000 pés (ca. de 15 km).


Até recentemente, os EUA diziam que não estava claro se o Irã tinha de fato em seu poder um VANT americano, mas autoridades [americanas] confirmam agora que isso de fato é verdade, diz o CBS News. O avião foi identificado como sendo um RQ-170 Sentinela, também conhecido como a "Besta de Kandahar", tecnologicamente um dos mais avançados aviões espias dos EUA.

Para mais detalhes, o Christian Science Monitor [um jornal diário americano, publicado online]  apresenta uma história detalhada sobre esse affair do avião espião e suas implicações.

Esta foto, publicada no dia 8 de dezembro pelos Guardas Revolucionários Iranianos, é apresentada como mostrando o chefe da divisão aeroespacial desses Guardas, Gen. Amir Ali Hajzadeh (à esquerda), ouvindo um coronel não identificado que aponta para um VANT RQ-170 Sentinela - (Foto: Sepahnews/AP).

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Uso de VANTs ressalta estratégia mais dura dos EUA contra o Irã

O uso de VANTs (Veículos Aéreos Não Tripulados) de vigilância pela CIA sobre o Irã reflete uma crença crescente na administração Obama de que ações secretas e pressão econômica cuidadosamente coreografada podem ser os únicos meios de coagir o Irã a abandonar suas ambições nucleares, na opinião de autoridades atuais e passadas dos EUA.

A mudança do governo para uma abordagem de maior confrontação -- que inclui também um aumento de vendas de armas para inimigos potenciais do Irã no Oriente Médio, assim como comunicados belicosos de autoridades americanas e de aliados importantes -- sugere um pessimismo cada vez maior sobre as perspectivas de diálogo com líderes iranianos, dizem as autoridades [americanas].


Autoridades americanas dizem ainda que os VANTs [como o abatido no leste do Irã na semana passada] são parte de uma frota de aeronaves secretas que a CIA tem usado por vários anos, na escalada de uma campanha de espionagem visando as instalações nucleares do Irã.

Com o aumento dos esforços contra o programa nuclear iraniano, os EUA ampliaram também a venda de munição de destruição de bunkers, caças a jato, e outros armamentos para países do Golfo Pérsico, assim como para Israel, estruturando esforços de longo prazo para aumentar o poderio militar de aliados-chaves dos EUA na região, dizem as mesmas autoridades.  [Este é o repeteco de um filme já visto antes no Iraque, no Afeganistão, na Líbia, etc, etc. É o elefante americano movendo-se novamente com sua sutileza paquidérmica em mais uma loja de louças e porcelanas do Oriente Médio.]

Enfatizando a ameaça militar implícita,  o secretário de Defesa Leon E. Panetta citou na semana passada planos de contingência para uma "ampla faixa de opções militares", para uso contra o Irã, se necessário. Ele expressou "a determinação do governo de impedir que o Irã desenvolva armas nucleares", uma frase que sugere uma intenção de impedir a república islâmica de obter a tecnologia para [construir] blocos de armas nucleares. Comunicados anteriores da Casa Branca manifestavam apenas a intenção de impedir o Irã de adquirir bombas nucleares.

Mas, enquanto endossam o uso crescente de sanções, autoridades americanas estão cada vez mais conscientes das limitações de tais medidas. Um estudo do Congresso, liberado na semana passada, insinuava que o Irã conseguiu limitar os danos de sanções internacionais contra sua economia -- em parte devido aos imensos ganhos que teve com preços de petróleo próximos de recordes em anos recentes. E o estudo alerta que sanções mais duras contra as indústrias de petróleo e financeiras do Irã podem pressionar os preços [do petróleo] para valores ainda mais elevados.