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sexta-feira, 24 de maio de 2013

Hoje é dia de luto e vergonha no país -- Renan Calheiros assume a Presidência da República

Como desgraça pouca é bobagem, vamos passar pelo carma e a vergonha de termos hoje como presidente do país o Sr. José Renan Vasconcelos Calheiros. Continua, péssimo, nosso flagelo: 8 anos de NPA, 2 anos da doce Dona Dilma e 24 h de Calheiros -- e ainda há quem ache que votar mal não tem consequências ...

Esse cidadão já teve que renunciar à presidência do Senado em 2007 por denúncias de corrupção, e escapou duas vezes de perder o mandato pela mesma razão graças ao espírito corporativo de seus comparsas.

Rede de escândalos envolvendo Calheiros:
  • Atos secretos no Senado -- No centro do escândalo, José Sarney (PMDB-AP) tentou dividir a responsabilidade pelos atos secretos mostrando que seus antecessores no cargo de presidente do Senado também se valeram do expediente. Entre eles, Renan Calheiros (PMDB-AL) apareceu como o recordista de atos secretos: 260 de 663 atos tabelados, incluindo a criação de cargos e nomeações em favor de aliados. O ex-presidente do Senado manteve silêncio sobre o caso e, como Sarney, resistiu a mais esta leva de denúncias. Foi reeleito senador em 2010 e, três anos depois, alçado por seus pares à presidência da Casa.
  • Renangate - Caso do laranjal alagoano
  • Renangate - Caso Mônica Veloso
  • Renangate - Caso Schincariol
  • Renangate - Golpe no INSS

quinta-feira, 17 de março de 2011

Ecos do Carnaval (II)

Gostaria de acrescentar algo mais à postagem de ontem sobre esse assunto.

O luxo e a ostentação dos desfiles das escolas de samba do Rio (e em S. Paulo também), tanto do Grupo Especial quanto dos Grupos de Acesso, estão em absoluto e total contraste e discrepância com a realidade sócio-econômica de suas comunidades, o que certamente será sempre um prato feito para sociólogos, psicólogos, antropólogos e outros "ólogos" da vida. No Rio há ainda a se destacar o longo e absoluto domínio dos bicheiros sobre as escolas e sua Liga (a Liesa) o que, além de matéria para os "ólogos" já citados, deveria ser objeto de análise e ação de um importante segmento da sociedade organizada representado por uma mulher de olhos vendados e segurando uma balança de dois pratos -- acontece que entre nós e nesse caso essa figura já foi de longa data substituída por outra, também carregada de simbolismo, que é a dos três macacos, em que um não vê, outro não ouve, e o terceiro não fala.

O contraponto saudável e mais genuíno às atuais escolas de samba hoje no Rio são os blocos carnavalescos, que neste ano se multiplicaram de forma nunca antes vista. Esses grupos são motivadores e catalisadores de manifestações mais livres e democráticas do autêntico jeito de se manifestar e se divertir do povão, em todas suas camadas, mas esse setor do carnaval está passando por transformações a meu ver um tanto perigosas e dignas de atenção. Alguns blocos cresceram desmesuradamente, alguns optando pelo crescimento turbinado pelas redes sociais de comunicação na internet (caso típico do bloco da Preta Gil), acarretando problemas absolutamente fora de seu controle e que geram crescentes protestos dos afetados por seus desfiles. Outros blocos, felizmente, permanecem quase familiares, prezam seus conceitos próprios de agremiação e de desfile, para a enorme alegria de seus participantes.

Mas um fato que me chamou particularmente a atenção foi a iniciativa da Globo e/ou da Prefeitura de premiar blocos da sociedade com critérios muito próximos ou coincidentes com os utilizados para a premiação das escolas de samba. Este é para mim o caminho mais curto para se desvirtuar também os blocos e pasteurizá-los, avacalhando com mais uma manifestação popular da melhor qualidade.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Ecos do Carnaval

Ontem, depois de longo tempo sem vê-lo, assisti ao programa Observatório da Imprensa na TV Brasil -- o programa, o de ontem e outros que já vi, me soa inferior ao site ( www.observatoriodaimprensa.com.br ), que é muito interessante.

Alberto Dines, o criador e condutor do Observatório, fez ontem um comentário que  achei inteiramente pertinente -- abordando o Carnaval de 2011, ele classificou de apelação e puxa-saquismo os enredos da Beija-Flor no Rio e da Vai-Vai em S. Paulo, homenageando pessoas ainda vivas (Roberto Carlos e Maestro João Carlos Martins, respectivamente). Concordo totalmente com ele -- guardando as devidas proporções, isso é parecido a dar-se a um logradouro público o nome de uma pessoa ainda viva.

No caso da Beija-Flor, é óbvio ululante que Roberto Carlos ganhou o título para a escola, jurado algum teria, como não teve, "peito" de dar nota ruim para seu desfile, daí a profusão de 10 que a escola recebeu -- o exagero fica patente quando se observa que os mesmos jurados não foram tão bonzinhos com outras escolas que tiveram desempenho tão bom ou até melhor que o da Beija-Flor em vários quesitos.

A meu ver esse é mais um detalhe da sistemática deturpação ou distorção por que vem passando o desfile das grandes escolas na Sapucaí, começando pelo fato de terem transformado o samba-enredo em marcha-enredo. O desfile ficou excessiva e tristemente mercantilizado e estilizado, o passista de samba no pé é uma figura em acelerada extinção, as rainhas das baterias em sua esmagadora maioria são boazudas incompetentes no samba e desvinculadas da escola e da "comunidade", a figura do participante foi jogada p'ro beleléu -- hoje é comum se ver alas inteiras com fantasias ridículas que não nos deixam ver nem os olhos do participante, muito menos se é homem ou mulher ... E as tais marchas-enredo de hoje não chegam nem aos pés de sambas-enredo antológicos de outrora, como "100 Anos de Liberdade", "O Saber Poético da Literatura de Cordel", "Os Cinco Bailes da História do Rio" e tantos outros -- e a tendência é piorar.

terça-feira, 8 de março de 2011

A decadência da Portela

A Portela é uma das grandes escolas de samba do Rio que tem admiradores espalhados por outras agremiações, é a "segunda escola" de muita gente. História rica, repleta de nomes legendários no passado (Paulo Benjamin de Oliveira, Natal e outros) e no presente (como Paulinho da Viola e Monarco, por exemplo), seu azul-e-branco é agradável e bonito, sua águia é imponente, e tem desfiles e sambas-enredo antológicos em seu currículo.

Infelizmente, de uns tempos para cá baixou uma caveira de burro na escola e a Portela só tem enfrentado problemas e dissabores, amargando um incômodo e longo jejum de títulos na Sapucaí (no ano passado foi apenas a nona colocada). E neste ano um incêndio em suas instalações na Cidade do Samba jogou definitivamente por terra suas aspirações para o Carnaval de 2011. Outras escolas passaram ou estão passando por problemas semelhantes ou idênticos, e souberam tirar da adversidade o estímulo para viradas e retomadas de seus lugares no mundo do Carnaval -- espero e torço para que o mesmo ocorra com a Portela.

No entanto, neste Carnaval de 2011 nada foi mais forte e emblemático como sinal da decadência da Portela, e péssimo sinal de que a recuperação será muito difícil, do que a absurda, incompreensível e inaceitável paparicação da escola com Ronaldinho Gaúcho! Vê-lo desfilar ombro a ombro com a maravilhosa Velha Guarda, ao lado de figuras como Paulinho da Viola e Monarco, é de dar engulhos ao mais frio dos mortais. Foi uma demonstração lamentável de mercantilização e de subserviência a valores menores e mesquinhos, incompatível com a grandeza da Portela. Que tristeza!!