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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Aumento do percentual de etanol na gasolina vai afetar os carros antigos e os importados

[A porcentagem de etanol em nossa gasolina é bem o símbolo da incompetência do governo Dilma NPS (Nosso Pinóquio de Saia), oscilando à  galega, o que se torna um pesadelo para os produtores de etanol -- ver postagem anterior "Etanol brasileiro: um pepino, um abacaxi ou ambos?" --, para a indústria automobilística e para os proprietários de carros. Reproduzo a seguir reportagem de Pedro Cerqueira sobre o assunto, publicada no Estado de Minas. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]

'Nova gasolina' poderá provocar diversos problemas nos carros, como queda no desempenho e falha no software nos carros importados e desregular o carburador e corroer componentes de motores de veículos mais antigos

Mais uma vez, a corda arrebentou no lado mais fraco. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) se antecipou ao governo federal e anunciou que, a partir de 16 de fevereiro, em plena folia momesca, o teor de etanol na gasolina será de 27% no lugar dos 25% usados atualmente. A medida não contempla a gasolina premium, que continua a ter o percentual de 25%. A decisão conjunta foi tomada na segunda-feira, em reunião que contou com representantes da Casa Civil, além de integrantes de outros ministérios, da Anfavea e do setor sucroalcooleiro.

Se a medida for aprovada nesses termos, os veículos a gasolina poderão apresentar problemas, principalmente os modelos mais antigos. Para Edson Orikassa, da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, o aumento do percentual de etanol na gasolina pode provocar uma reação química nos polímeros que estão em contato com o combustível (como vedações, mangueiras, tubos e o próprio tanque), podendo causar até vazamento de combustível. Segundo Orikassa, outro problema decorrente disso seria a necessidade de uma nova regulagem no carburador desses veículos.

O engenheiro também prevê problemas para os importados, uma queda na performance do motor e falhas provenientes do processamento incorreto do software do veículo frente à nova mistura. De acordo com Mauricio Assumpção Trielli, professor de engenharia mecânica do Centro Universitário FEI e especialista em motores e combustíveis, também existe uma preocupação quanto à deformação de materiais nos veículos importados.

Apesar de os veículos flex estarem preparados para a mistura de gasolina e etanol em qualquer proporção, os proprietários vão amargar algum prejuízo, nem que seja o fato de estar pagando por gasolina e levando ainda mais etanol. Para esses , o mínimo que se pode esperar é no consumo de combustível. Trielli afirma que a mudança também não traz muito benefício ambiental, já que, se por um lado ocorre a diminuição do monóxido de carbono, por outro aumenta a emissão de aldeídos.

De acordo com a Anfavea, a conclusão dos testes de durabilidade se dará em meados de março, um mês depois da adoção oficial do novo combustível. Por isso, a entidade recomenda que os veículos com motor movidos a gasolina utilizem a premium, que não terá a porcentagem alterada. Porém, na prática, o proprietário de um veículo importado tem condições de abastecer com o combustível premium, mas o dono de um veículo mais velho não tem a mesma oportunidade e é ele quem vai pagar o pato.

A Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) se manifestou sobre a necessidade de realização de testes de durabilidade capazes de detectar o desgaste de peças e componentes das motocicletas com a maior utilização do etanol na gasolina, a fim de obter uma avaliação mais precisa sobre os efeitos da nova mistura.

[O site novaCana.com é bastante completo e didático na apresentação do etanol como combustível veicular, em seus inúmeros e múltiplos aspectos. Ver também "Etanol (álcool): tudo sobre esse biocombustível".

A Anfavea recomenda que consumidores não usem a gasolina com 27% de álcool enquanto os testes de durabilidade não forem concluídos, o que só ocorrerá em março.

Quando a proposta de elevação da mistura foi apresentada, ficou acertado que seriam realizados dois tipos de testes, de desempenho e de durabilidade. O primeiro foi concluído e não encontrou problema, já o segundo só será concluído em março e uma nova reunião sobre o assunto está marcada para abril. Novamente o padrão Dilma NPS na adoção de medidas que impactam o bolso do contribuinte e a economia: assim como fez com a conta de luz (e quebrou a cara), a madame alardeia o aumento de etanol na gasolina pelo menos 1,5 mês antes da indústria automobilística se pronunciar tecnicamente sobre isso.

Reportagem publicada pelo jornal Gazeta do Povo em abril de 2013 informa que o rendimento do etanol nos carros flex é, em média, 32% mais baixo que o da gasolina, tanto na cidade quanto na estrada. Por isso, em grande parte dos veículos só compensa abastecer com álcool se ele custar, no máximo, 68% do preço do combustível fóssil.

A estimativa foi feita pela Gazeta do Povo com base em dados do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular naquele ano de 2013. Na edição deste ano, o Inmetro testou 360 modelos à venda no país, dos quais 230 bicombustíveis. Os testes mostram que a “regra dos 70%” – pela qual o etanol deixa de ser vantajoso quando seu preço passa de 70% do valor da gasolina – não serve para a maioria dos automóveis.

Embora essa fórmula leve em conta o poder calorífico dos dois combustíveis, o fato é que cada motor flex tem uma calibragem. E a maioria privilegia o uso de gasolina. No trânsito urbano, apenas 23 modelos bicombustíveis testados pelo Inmetro conseguiram, com álcool, um rendimento igual ou superior a 70% do alcançado com a gasolina. Na estrada, 29 atingiram esse desempenho.

É importante ressaltar que um motor com baixo rendimento do álcool em relação à gasolina não é, necessariamente, “beberrão”. Exemplo disso é o Renault Clio 1.0. Com ambos os combustíveis, ele foi o carro flex de menor consumo nos testes do Inmetro; mesmo assim, a eficiência do álcool nesse veículo ficou abaixo de 70% da atingida pela gasolina.

Em Curitiba e boa parte do Paraná, conhecer a relação etanol/gasolina de seu carro era quase irrelevante até poucos anos atrás. Entre 2003 e 2010, o álcool foi quase sempre bem mais barato – na média desse período, ele foi vendido pelo equivalente a 61% do preço da gasolina. De 2011 para cá, no entanto, o encarecimento do etanol tornou a gasolina mais competitiva. E, mesmo com os aumentos recentes, ela ainda é a opção mais econômica.

Nos últimos anos, a perda de competitividade derrubou o consumo de etanol. Em 2012, foram vendidos 9,9 bilhões de litros no país, 40% abaixo do recorde alcançado três anos antes. Em compensação, a demanda por gasolina avança sem freios: cresceu 56% desde 2009 e, no ano passado, beirou os 40 bilhões de litros.

O Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular é conduzido pelo Inmetro, que, em testes de laboratório, mede o consumo de combustíveis e a emissão de poluentes de veículos à venda no país. Para simular situações reais de uso, o Inmetro usa um fator de ajuste que “embute” no resultado final aspectos como qualidade do combustível, estado dos pneus, uso de ar-condicionado, conservação de vias e diferentes maneiras de dirigir. A adesão das montadoras ao programa é voluntária – os 360 modelos testados em 2013 correspondem a 83% do mercado.



Evolução dos motores flex no Brasil - Ilustração: Gazeta do Povo (2013) - clique na imagem para ampliá-la

O gráfico abaixo, elaborado pelo MME (Ministério de Minas e Energia), mostra a evolução dos preços do açúcar e do petróleo em relação ao preço do etanol de janeiro/2003 a janeiro/2011. Observe-se que nesse gráfico o petróleo estava a US$ 150/barril e hoje está a US$ 59,31.

Fonte: Google

Por falarem gasolina, é interessante dar uma olhada gráfica no seu processo de produção a partir do petróleo:



Esquema de algumas frações do petróleo obtidas pela destilação fracionada, primeira etapa do seu refino*
* Créditos da imagem: Autora: Theresa Knott/ Fonte: Wikimedia Commons

Um barril de petróleo contém 159 litros e está cotado hoje a US$ 59,31 (R$ 165,47) ou seja, o litro do petróleo bruto está hoje custando R$ 1,04. Um barril de petróleo pode produzir até 80 litros de gasolina  e várias outras substâncias (ver figura acima). Em outras palavras, cerca de 50% do conteúdo de um barril de petróleo são conversíveis em gasolina; com o preço de hoje do petróleo, cada litro de gasolina sai na produção por cerca de R$ 2,07 a grosso modo. Com o preço da gasolina no posto a cerca de R$ 3,30/litro no RJ após o aumento (contra os R$ 2,07 no refino), só em gasolina a Petrobras passou a faturar R$ 264,00 por barril de petróleo, o que lhe permite comprar 1,6 barril de petróleo bruto. A Petrobras continua sendo uma estatal p'ra lá de original -- o preço do petróleo despenca, mas ela não reduz um centavo no preço da gasolina que produz e vende. O bolso do contribuinte que a sustenta, com toda essa roubalheira que hoje se conhece, não é problema dela. 

O estímulo à produção de etanol pode afetar a produção de açúcar, reduzindo-a, e com isso gerar outro tipo de problema. O gráfico de evolução de preços de açúcar, etanol e petróleo evidencia a fronteira de atratividade do açúcar e do etanol para o produtor. Num pé de cana, um terço é açúcar, os outros 70% são pura fibra de celulose, o bagaço.

Uma tonelada de cana de açúcar produz de 85 a 90 litros de álcool. ]


(Fonte: Sindaçúcar)




segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Amplia-se o espaço para o etanol brasileiro na União Europeia e na China

As vantagens já conhecidas do etanol brasileiro estão ganhando novo impulso diante de cenários internacionais cada vez mais favoráveis. Além da necessidade global de reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, o Brasil pode se beneficiar de uma série de fatos. Um deles é a definição de metas de mistura do etanol na gasolina dos Estados Unidos e da União Europeia. A produção americana está próxima do teto estabelecido para 2022, o que significa que terão de importar quantidades maiores a cada ano.

A União Europeia, da mesma forma, estabeleceu na sua legislação a obrigatoriedade de combustíveis renováveis até 2020, de tal forma que 10% do consumo do setor de transportes tem que vir de fontes renováveis. Tanto a Europa como os Estados Unidos produzem cerca de 50% do que consomem. Além disso, os mercados asiáticos, principalmente a China, devem reforçar a lista de compradores.

"É uma grande oportunidade para o Brasil, porque o etanol de cana de açúcar é considerado um etanol sustentável, exatamente o que o mundo deseja. Estamos falando de algo próximo de 17 bilhões de litros no consumo anual na União Europeia e de 136 bilhões de litros para os Estados Unidos, isso para 2022", afirmou Eduardo Leão de Sousa, diretor executivo da União Brasileira de Cana de Açúcar (Unica) no 13º Encontro Internacional de Energia promovido pela Fiesp. Além da qualidade, o etanol brasileiro supera os demais quando se trata de minimizar os danos do efeito estufa. "O etanol produz nove unidades de energia renovável para cada unidade de energia fóssil colocada no sistema, muito superior ao milho e ao trigo, que são de quatro e dois, respectivamente", informa Sousa. 

[Essa possivel ampliação significativa de mercado para o etanol brasileiro no exterior traz igualmente em seu bojo alguns problemas potenciais para o país, que a meu ver não podem ser desprezados. À parte a questão da real e efetiva capacidade brasileira de suprir de maneira sustentável e responsável essa demanda toda, ou parte dela, esse mercado externo certamente irá -- ou poderá com grande probabilidade -- drenar parte significativa do etanol destinado ao nosso mercado interno de veículos e, principalmente, prejudicar significativamente nossa produção de açúcar. O primeiro desses problemas potenciais já abordei no ano passado, e o segundo foi objeto de postagem recente, neste ano.]


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Álcool brasileiro terá livre acesso aos EUA em 2012

A Unica (União da Indústria da Cana-de-açúcar) divulgou nota nesta sexta-feira informando a abertura do mercado norte-americano para o álcool brasileiro a partir do próximo mês.

"A legislação americana vigente, que inclui altos subsídios para a indústria do etanol e uma pesada tarifa contra o produto importado, expira no dia 31 de dezembro. Mas, com o fim das atividades no Congresso americano para 2011 nesta sexta-feira, não haverá mais oportunidade para qualquer medida que impeça a abertura para o etanol brasileiro, a partir do primeiro dia de 2012, do maior mercado consumidor de combustíveis do mundo". 

Os subsídios pagos às distribuidoras que fazem a mistura de etanol à gasolina, que custam cerca de US$ 6 bilhões por ano, e a tarifa de US$ 0,54 sobre cada galão importado para o país impediam que o etanol brasileiro chegasse ao mercado dos Estados Unidos com preços competitivos.

O presidente da Unica, Marcos Jank, prevê que agora o caminho está aberto para que as várias matérias primas utilizadas para produzir etanol --como milho, beterraba e cana-- sejam avaliadas exclusivamente com base nas características para produzir biocombustíveis eficientemente.  "O que conta é o baixo uso de energia fóssil para produzir a mais elevada quantidade de energia renovável possível, algo que a cana faz melhor do que qualquer outra matéria prima. E na atual conjuntura global vale muito a redução de emissões de gases que causam o aquecimento global" afirmou.

Jank disse ainda que "hoje a prioridade é atender o mercado doméstico". "Mas, com o fim da tarifa americana, é possível visualizar a consolidação do etanol como commodity internacional, como já acontece com o açúcar" completou.  [É aí que mora o perigo. A chance da produção brasileira ser deslocada em grande escala para os EUA, em detrimento do mercado brasileiro, é enorme. Quem tem carro a álcool ou flex é bom ficar de dedos cruzados e rezar uma novenazinha de vez em quando (ou apelar para os santos de sua crença). Vejam postagem anterior sobre o nosso etanol.]

Veja mais:


Medidas protecionistas foram renovadas por três décadas
Dilma edita MP para estimular estocagem de etanol

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Brasil deixa de produzir 4,7 bi de litros de álcool em 2011

A produção de etanol hidratado -- usado nos veículos-- caiu 29% no acumulado da safra de cana-de-açúcar até outubro deste ano, se comparado ao que foi produzido no mesmo período do ano passado. Isso representa 4,7 bilhões de litros a menos circulando no mercado. Se em 2010 a produção foi de 16,4 bilhões de litros até outubro, neste ano somou 11,6 bilhões.

Os dados são da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) e foram divulgados nesta quinta-feira. De acordo o sindicato, a queda se deve à baixa renovação dos canaviais --com a cana mais velha, ela produz menos--, ao reflexo das secas dos dois últimos anos e da geada deste ano e ao fenômeno do florescimento da cana. 

Frente ao cenário de crise, as indústrias priorizaram a produção de anidro --etanol que vai misturado à gasolina-- para segurar o preço do combustível. Segundo a Unica, a produção do anidro aumentou 15% em relação à safra passada.

[A notícia acima, apresentada meio secamente pelo jornal, deve deixar mais uma vez muito ressabiado quem decidiu comprar carro flex -- não acredito que ainda exista viv'alma lúcida com carro só a álcool. Ela vem comprovar mais uma vez o que escrevi em 28/8/11 na postagem :"Álcool brasileiro: um pepino, um abacaxi, ou ambos?"].

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Governo reduzirá tribuno de usina para elevar oferta de etanol

A política do governo em relação ao etanol combustível continua sendo feita na base da administração por espasmo ou por arroto, confirmando postagens anteriores que fiz. A decisão agora é reduzir a tributação das usinas para aumentar a oferta de etanol no mercado -- como não planeja, o governo toma decisões pontuais beneficiando esse ou aquele setor da economia. Usineiro tem fama de sempre tirar proveito do governo -- ganha um doce quem adivinhar o que acontecerá com a produção do etanol, mesmo com essa colher de chá do Planalto, se o preço do açúcar estiver melhor cotado no mercado. Sem esquecer que também não é impossível que falte açúcar por causa da produção do etanol ...

O governo irá reduzir a tributação das usinas de cana-de-açúcar produtoras de etanol. O objetivo é estimular a produção do combustível é atrair mais investidores e, dessa forma, evitar que o combustível falte no país. Segundo o secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Manoel Bertone, haverá uma diminuição de PIS/Cofins para essas empresas.

Bertone também informou que o governo irá usar recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para financiar o tratamento e a renovação de canaviais. Segundo ele, esse financiamento será dado aos produtores com taxas de juros mais baixas.  De acordo com o secretário, essa decisão foi tomada para dar mais segurança energética ao país. "O principal motivo dessa redução é a segurança energética. Essas são medidas que proporcionem aos investidores uma melhor atração. Para que o país possa se beneficiar desse produto", explicou.

"O Ministério da Fazenda está preparando essas medidas e devem ser anunciadas em breve. Envolvem medidas de cunho fiscal, como o PIS/Cofins. Financiamento para renovação e tratamento dos canaviais detidos pelas usinas. Serão recursos do BNDES e a taxa de juros será diferenciada", afirmou Bertone. "Queremos aumentar o volume de financiamento, a taxas de juros mais adequadas, de modo que os canaviais possam ser renovados na sua plenitude", declarou.

Ontem, o governo anunciou a redução de 25% para 20% do teor de álcool anidro misturado à gasolina vendida nos postos do país. A medida foi tomada para tentar evitar a falta de etanol no mercado --o preço do combustível tem aumentado muito nas últimas semanas. Além disso, a produção de cana-de-açúcar no país deve ter queda de 5,6% na safra 2011/212, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira pelo Ministério da Agricultura.  Essa medida ocorre após a ampliação da importação dos produtos dos EUA. No mesmo sentido, em abril o governo já havia decidido alterar o intervalo percentual de álcool anidro que era permitido adicionar à gasolina. Por meio de medida provisória, foi estabelecido o piso de 18% e o máximo de 25% de adição, regra que alterou o intervalo de 20% a 25% em vigor até então. Com isso, se achar necessário, o governo poderá reduzir ainda mais, para até 18%, o percentual de álcool na gasolina.

Com o aumento do preço do álcool combustível (hidratado), o consumidor que tem carro flex migrou para a gasolina. A maior demanda pelo derivado de petróleo exigiu volume maior de anidro, cujo preço disparou.  O governo prevê que o menor percentual de anidro reduza seu preço e, por consequência, o da gasolina.


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Governo vai reduzir para 20% percentual de álcool na gasolina

No dia 28/7 fiz uma postagem com o título "Etanol brasileiro: um pepino, um abacaxi, ou ambos?". A notícia abaixo só faz confirmar o título e o texto da postagem.

O governo vai reduzir de 25% para 20% a proporção da mistura de álcool anidro na gasolina a partir de 1º de outubro. A informação foi dada nesta segunda-feira, 29, pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, depois de uma reunião com a presidente Dilma Rousseff. "Nós temos que garantir o abastecimento olhando para este ano e olhando para o próximo ano também porque verificamos que a safra do próximo ano não será muito melhor do que a atual. Então temos que tomar providência desde logo", justificou Lobão.

O novo porcentual da mistura de álcool na gasolina valerá por tempo "indeterminado", segundo o ministro. "Depois calibraremos, verificando a resolução, no momento em que acharmos que há segurança para suspendermos", afirmou. Além dessa medida de "segurança" contra desabastecimento do mercado e de preços altos, Lobão ressaltou que medidas complementares já anunciadas, como o financiamento da estocagem também serão adotadas. Segundo o ministro, os parâmetros das linhas de financiamento com "favorecimento" estão em fase e considerações finais do ministro da Fazenda, Guido Mantega. A previsão, segundo Lobão, é de que as medidas sejam anunciadas nos próximos dias. Também participaram da reunião Mantega, o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, e a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.

Na última sexta-feira, o ministro minimizou a quebra da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul e os impactos das perdas nas lavouras para a produção de etanol. Mesmo com uma redução de entre 50 milhões e 70 milhões de toneladas de matéria prima entre as safras 2010/2011 e 2011/2012 - o correspondente a toda produção do Nordeste, ou ainda da Tailândia, terceiro produtor mundial de cana - o ministro classificou a perda como "pequena" e "conjuntural".

No dia 27 de julho, o governo federal anunciou que havia adiado por 30 dias a decisão de reduzir a mistura do etanol na gasolina. Na época, Lobão havia dito "não há desabastecimento de etanol e, muito menos, de gasolina" que exigisse uma alteração neste momento.