Dilma Rousseff reagiu pronta e consternadamente à morte de Fidel, e mandou ao país e à família do cubano a seguinte mensagem :
Ele morreu; mas morreu porque viveu e só morreu quando chegou ao fim; mas não morre só ele, morre todo mundo que deixou a vida também. Porque se ele morrer, não vai viver, nem morrer, ninguém vai morrer nem viver, vai morrer todo mundo.
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sábado, 3 de dezembro de 2016
quinta-feira, 28 de abril de 2016
A história recente do Brasil não é a que Dilma e sua turma querem nos impingir
Nesta altura do campeonato, o Brasil inteiro -- inclusive os 54 milhões de masoquistas que a reelegeram -- sabem de mão cheia que além de inteiramente incompetente e desastrosa, Dilmanta NPS (Nosso Pinóquio de Saia) é uma requintada e contumaz mentirosa. Sua mentiras são históricas e não se resumem apenas ao conjunto de inverdades que compôs o incrível estelionato eleitoral de outubro de 2014.
A principal mentira histórica que nossa (govern)anta insiste em contar, apoiada pelo PT, é que ela e seus companheiros de luta armada pegaram em armas para defender a democracia no país. Esse discurso, decorado por todos os guerrilheiros da época que ainda convivem conosco e que tentaram e ainda tentam fazer de Dilmanta uma versão muito estropeada de Joana d'Arc tupiniquim, é uma mentira deslavada. Essa turma pegou em armas para combater a ditadura militar não para implantar aqui uma democracia, mas sim para aqui instaurar a ditadura do proletariado. Vídeos a seguir, de companheiros de luta armada de Dilmanta insuspeitos como Eduardo Jorge e Fernando Gabeira desmentem a versão de Dilmanta. Eduardo Jorge foi militante ativo e ferrenho do PT até 2003 quando, decepcionado e desiludido com a atuação do partido, abandonou a sigla, como ele mesmo declara em vídeo.
A figura de Dilmanta como uma democrata de formação é um conto do vigário.
Começarei com o vídeo do discurso memorável e contundente do senador Magno Malta (PR-ES) no Senado em 25 de abril corrente, que jogou por terra definitivamente toda a argumentação nítida e inequivocamente mentirosa e fantasiosa da quadrilha Dilmanta, Lula BL (Boca de Latrina) e PT contra o impeachment. Foi sintomático, embora constrangedor, ver o silêncio dos senadores e senadoras do governo diante das verdades contundentes de Magno Malta.
Apresento a seguir os depoimentos de Fernando Gabeira e Eduardo Jorge, citados por Magno Malta em seu discurso.
Fernando Gabeira é conhecido pela sua atuação no Partido Verde brasileiro (do qual é membro-fundador), defendendo posições polêmicas em questões consideradas como tabus na cultura política brasileira (como a profissionalização da prostituição, o casamento homossexual e a descriminalização da maconha). É conhecido também por ter participado da luta armada contra a ditadura como militante do Movimento Revolucionário Oito de Outubro, que tentava instaurar o socialismo no Brasil. Ele não era um guerrilheiro propriamente dito, mas trabalhava como repórter do Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro.
Em 1970, Gabeira foi preso na cidade de São Paulo. Resistiu à prisão e tentou fugir em direção a um matagal que existia por perto. Vários tiros foram disparados e um deles atingiu suas costas, perfurando rim, estômago e fígado. Encarcerado, recebeu a liberdade em junho do mesmo ano tendo sido trocado com outros 39 presos pelo embaixador alemão Ehrenfried von Holleben, que também havia sido sequestrado. O grupo foi banido do país e exilado para a Argélia. Ao longo de quase uma década, esteve em vários países dentre os quais o Chile, a Suécia e a Itália. Na Suécia, onde passou a maior parte da vida, formou-se em Antropologia na Universidade de Estocolmo e exerceu a profissão de repórter e até a função de condutor de metrô em Estocolmo. Voltou ao Brasil em 1979 onde passou, então, a atuar como jornalista e escritor, defendendo o fim do regime militar.
Eduardo Jorge Martins Alves Sobrinho estudou Medicina na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, entre 1968 e 1973. Especializou-se em Medicina Preventiva, na Universidade de São Paulo (USP), entre 1974 e 1975, e em Saúde Pública, também na USP, em 1976. Militou no movimento estudantil e no PCBR, em João Pessoa, a partir de 1968. Preso e processado por duas vezes - em João Pessoa, entre 1969 e 1970, e em São Paulo, entre 1973 e 1974), com base na Lei de Segurança Nacional. Atuou em movimentos populares na periferia de São Paulo, a partir de 1974, e organizou os primeiros conselhos populares de saúde, em 1978. Trabalhou como médico sanitarista da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.
Foi deputado estadual e federal pelo Partido dos Trabalhadores em várias legislaturas, de 1983 a 2003. Em 1991 propôs a remoção das marcas comerciais de medicamentos, um pontapé inicial para os futuros medicamentos genéricos. Porém, divergências com o partido que ajudou a fundar levaram-no a filiar-se ao Partido Verde, em 2004. É co-autor da legislação constitucional sobre Seguridade Social (Saúde, Previdência e Assistência Social) e autor ou co-autor de leis brasileiras que regulamentam os medicamentos genéricos, o planejamento familiar e a esterilização voluntária; das leis de vinculação de recursos orçamentários para o SUS e de restrição ao uso do amianto, bem como da lei orgânica da assistência social.
Foi candidato a presidente da República na eleição presidencial em 2014. Acabou virando meme durante sua campanha presidencial, por dizer várias frases engraçadas nos debates, como "Eu não tenho nada a ver com isso". Ficou em 6º lugar, com 0,61% dos votos (630.099).
Apresento três vídeos com Eduardo Jorge, dois deles de mesmo teor, só que o primeiro é compacto, e um terceiro vídeo em que ele explica porque saiu do PT.
Todos os vídeos acima põem nossa história recente e atual em seus devidos termos, e comprovam irrefutavelmente que Dilma é uma farsante de longa data, que se apresenta ao país como uma democrata e uma mártir da democracia, quando a verdade é bem outra -- ela pegou em armas e ajudou seu grupo militar a assaltar, sequestrar e matar para tentar implantar aqui um regime comunista.
Os vídeos comprovam também que todos aqueles que a defendem e lhe dão suporte na alta cúpula do PT, liderados por Lula BL, são igualmente mentirosos conscientes e cúmplices da mesma farsa por ação e omissão.
Esses mesmos vídeos confirmam igualmente o embuste que foi a chamada Comissão Nacional da Verdade, que abordou o período da luta militar contra a ditadura com a visão maniqueísta e escandalosamente deturpada e parcial de que do lado da ditadura só havia demônios e bandidos, e do lado dos guerrilheiros só havia mocinhos e anjinhos. Abordei isso em detalhe em postagem anterior (Comissão Nacional da Verdade Parcial).
A principal mentira histórica que nossa (govern)anta insiste em contar, apoiada pelo PT, é que ela e seus companheiros de luta armada pegaram em armas para defender a democracia no país. Esse discurso, decorado por todos os guerrilheiros da época que ainda convivem conosco e que tentaram e ainda tentam fazer de Dilmanta uma versão muito estropeada de Joana d'Arc tupiniquim, é uma mentira deslavada. Essa turma pegou em armas para combater a ditadura militar não para implantar aqui uma democracia, mas sim para aqui instaurar a ditadura do proletariado. Vídeos a seguir, de companheiros de luta armada de Dilmanta insuspeitos como Eduardo Jorge e Fernando Gabeira desmentem a versão de Dilmanta. Eduardo Jorge foi militante ativo e ferrenho do PT até 2003 quando, decepcionado e desiludido com a atuação do partido, abandonou a sigla, como ele mesmo declara em vídeo.
A figura de Dilmanta como uma democrata de formação é um conto do vigário.
Começarei com o vídeo do discurso memorável e contundente do senador Magno Malta (PR-ES) no Senado em 25 de abril corrente, que jogou por terra definitivamente toda a argumentação nítida e inequivocamente mentirosa e fantasiosa da quadrilha Dilmanta, Lula BL (Boca de Latrina) e PT contra o impeachment. Foi sintomático, embora constrangedor, ver o silêncio dos senadores e senadoras do governo diante das verdades contundentes de Magno Malta.
Apresento a seguir os depoimentos de Fernando Gabeira e Eduardo Jorge, citados por Magno Malta em seu discurso.
Fernando Gabeira é conhecido pela sua atuação no Partido Verde brasileiro (do qual é membro-fundador), defendendo posições polêmicas em questões consideradas como tabus na cultura política brasileira (como a profissionalização da prostituição, o casamento homossexual e a descriminalização da maconha). É conhecido também por ter participado da luta armada contra a ditadura como militante do Movimento Revolucionário Oito de Outubro, que tentava instaurar o socialismo no Brasil. Ele não era um guerrilheiro propriamente dito, mas trabalhava como repórter do Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro.
Em 1970, Gabeira foi preso na cidade de São Paulo. Resistiu à prisão e tentou fugir em direção a um matagal que existia por perto. Vários tiros foram disparados e um deles atingiu suas costas, perfurando rim, estômago e fígado. Encarcerado, recebeu a liberdade em junho do mesmo ano tendo sido trocado com outros 39 presos pelo embaixador alemão Ehrenfried von Holleben, que também havia sido sequestrado. O grupo foi banido do país e exilado para a Argélia. Ao longo de quase uma década, esteve em vários países dentre os quais o Chile, a Suécia e a Itália. Na Suécia, onde passou a maior parte da vida, formou-se em Antropologia na Universidade de Estocolmo e exerceu a profissão de repórter e até a função de condutor de metrô em Estocolmo. Voltou ao Brasil em 1979 onde passou, então, a atuar como jornalista e escritor, defendendo o fim do regime militar.
Apresento um vídeo compacto, em que Gabeira desmente aqueles que afirmam que a luta armada no Brasil destinava-se a implantar um regime democrático no país -- o objetivo real era a instalar por aqui a ditadura do proletariado. Gabeira desmente também Lula BL, quando este afirma que Cuba é uma democracia socialista.
Eduardo Jorge Martins Alves Sobrinho estudou Medicina na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, entre 1968 e 1973. Especializou-se em Medicina Preventiva, na Universidade de São Paulo (USP), entre 1974 e 1975, e em Saúde Pública, também na USP, em 1976. Militou no movimento estudantil e no PCBR, em João Pessoa, a partir de 1968. Preso e processado por duas vezes - em João Pessoa, entre 1969 e 1970, e em São Paulo, entre 1973 e 1974), com base na Lei de Segurança Nacional. Atuou em movimentos populares na periferia de São Paulo, a partir de 1974, e organizou os primeiros conselhos populares de saúde, em 1978. Trabalhou como médico sanitarista da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.
Foi deputado estadual e federal pelo Partido dos Trabalhadores em várias legislaturas, de 1983 a 2003. Em 1991 propôs a remoção das marcas comerciais de medicamentos, um pontapé inicial para os futuros medicamentos genéricos. Porém, divergências com o partido que ajudou a fundar levaram-no a filiar-se ao Partido Verde, em 2004. É co-autor da legislação constitucional sobre Seguridade Social (Saúde, Previdência e Assistência Social) e autor ou co-autor de leis brasileiras que regulamentam os medicamentos genéricos, o planejamento familiar e a esterilização voluntária; das leis de vinculação de recursos orçamentários para o SUS e de restrição ao uso do amianto, bem como da lei orgânica da assistência social.
Foi candidato a presidente da República na eleição presidencial em 2014. Acabou virando meme durante sua campanha presidencial, por dizer várias frases engraçadas nos debates, como "Eu não tenho nada a ver com isso". Ficou em 6º lugar, com 0,61% dos votos (630.099).
Apresento três vídeos com Eduardo Jorge, dois deles de mesmo teor, só que o primeiro é compacto, e um terceiro vídeo em que ele explica porque saiu do PT.
Todos os vídeos acima põem nossa história recente e atual em seus devidos termos, e comprovam irrefutavelmente que Dilma é uma farsante de longa data, que se apresenta ao país como uma democrata e uma mártir da democracia, quando a verdade é bem outra -- ela pegou em armas e ajudou seu grupo militar a assaltar, sequestrar e matar para tentar implantar aqui um regime comunista.
Os vídeos comprovam também que todos aqueles que a defendem e lhe dão suporte na alta cúpula do PT, liderados por Lula BL, são igualmente mentirosos conscientes e cúmplices da mesma farsa por ação e omissão.
Esses mesmos vídeos confirmam igualmente o embuste que foi a chamada Comissão Nacional da Verdade, que abordou o período da luta militar contra a ditadura com a visão maniqueísta e escandalosamente deturpada e parcial de que do lado da ditadura só havia demônios e bandidos, e do lado dos guerrilheiros só havia mocinhos e anjinhos. Abordei isso em detalhe em postagem anterior (Comissão Nacional da Verdade Parcial).
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domingo, 21 de dezembro de 2014
Empresas americanas vão deitar e rolar com o porto de Mariel em Cuba, construído com financiamento sigiloso do Brasil
A notícia pegou todo mundo de surpresa: EUA e Cuba anunciaram o reatamento de suas relações diplomáticas. Por essa ninguém esperava. As implicações disso são enormes, política e economicamente falando, e as perspectivas para o Brasil não são cor-de-rosa.
Um ponto fundamental na análise dessa mudança de atitudes é o prazo em que se desenrolaram as negociações: americanos e cubanos negociaram durante 18 meses a normalização de suas relações. Ou seja, os dois lados conversam sobre isso desde junho do ano passado.
A partir de agora, Cuba deixa de ser território proibido para as empresas americanas e paraíso exclusivo para empresas espanholas, chinesas, brasileiras, etc. O estado americano da Flórida está a apenas cerca de 160 km de Cuba. Com um PIB de cerca de US$ 800 bilhões -- mais de um terço do PIB brasileiro -- a Flórida é uma potência econômica, maior que países como Turquia, Holanda, Arábia Saudita, Suécia, Irã e outros. Em 2014, o PIB da Flórida cresceu mais que o PIB americano.
Cuba é para a Flórida um mercado mais próximo que a grossa maioria dos demais estados americanos. Os benefícios do moderníssimo porto de Mariel para os EUA em geral, e para a Flórida em particular, são incomensuráveis. Orçado em US$ 957 milhões, dos quais US$ 682 milhões (71%) financiados em termos sigilosos pelo BNDES, Mariel vem sendo construído pela Oderbrecht desde 2010 e teve sua primeira fase inaugurada em janeiro deste ano de 2014. Os americanos ficarão superagradecidos ao Brasil. As empresas americanas certamente serão imbatíveis em preços para o mercado cubano, e o porto de Mariel será importantíssimo para isso. Só no arroz por exemplo, cuja qualidade é semelhante à do nosso, o frete médio dos EUA para Cuba é 60% inferior ao do Brasil para a ilha.
Vejamos agora a cronologia dos fatos. Seis meses antes da inauguração da primeira fase do porto de Mariel os cubanos iniciaram sua negociações de reatamento com os americanos, sabendo portanto desde então do aumento enorme da importância estratégica do porto de Mariel nesse contexto. Como praticamente todo mundo, o Brasil foi deixado à margem desses entendimentos.
A publicação Carta Capital, de Mino Carta, divulga uma leitura peculiar do financiamento do porto de Mariel pelo Brasil feita pela FGV (Fundação Getulio Vargas). Diz ela que "O polêmico projeto do Porto de Mariel, em Cuba, indica que o Brasil estava prevendo o fim do isolamento imposto pelos Estados Unidos à ilha comunista e o relaxamento do embargo econômico, afirmaram especialistas ouvidos pela DW Brasil no início deste ano". (...) "O Porto de Mariel é visto como uma maneira de se antecipar aos investidores americanos", disse Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da FGV, na ocasião da inauguração do porto, em janeiro. O megaprojeto contou com financiamento do BNDES, e a presidente brasileira, Dilma Rousseff, foi à Cuba para a abertura da primeira parte do empreendimento".
Como as condições do financiamento do BNDES tornaram-se secretas, por determinação de Dilma NPS (Nosso Pinóquio de Saia), ninguém fora dos governos cubano e brasileiro sabe em que condições isso foi feito e quais são efetivamente os compromissos assumidos pelo governo cubano e os direitos do lado brasileiro. O sigilo imposto ao contrato impede também que se saiba, fora dos círculos restritos citados, se Cuba estará honrando ou não tais compromissos.
Ninguém tem, portanto, a mínima condição de afirmar que o financiamento e a construção de Mariel foram ou são vantajosos para o Brasil. Isso de "antecipar-se aos investimentos americanos" não vale nada, a menos que se divulguem abertamente as eventuais vantagens que o Brasil terá no uso do porto por tê-lo financiado com dinheiro público em nível tão elevado. O fato inconteste é que nossos concorrentes americanos, comprovadamente muitíssimo mais eficientes que nós, terão um porto moderníssimo "made by Brazil" à sua disposição, a 160 km de sua costa, para desovar tudo de bom de que os cubanos mais necessitam. Com a enorme presença cubana em solo americano, nem toda ela de inimigos do regime cubano, tudo conspira para que os americanos façam uma enorme "American Pie" no fogão verde-amarelo de Mariel. Se o Brasil conseguir algumas migalhas, poderá ser um milagre.
Vejam um quadro resumo do comércio Brasil - Cuba feito pelo jornal gaúcho Zero Hora [daí a inclusão do Rio Grande do Sul (RS) nas estatísticas] - clique na imagem se quiser ampliá-la. Vê-se que, mesmo com o embargo americano, a importação cubana dos EUA vale quase 81% da correspondente do Brasil. Observa-se também a grande importância da China e da Espanha para Cuba hoje. O fato de um país europeu em dificuldades como a Espanha exportar para Cuba 66% mais que o Brasil demonstra nossa incompetência também no mercado cubano. Em 50 anos de embargo americano não soubemos conquistar um mercado cativo em Cuba, e a nossa pauta de exportações para os cubanos resume-se a commodities.
Um ponto fundamental na análise dessa mudança de atitudes é o prazo em que se desenrolaram as negociações: americanos e cubanos negociaram durante 18 meses a normalização de suas relações. Ou seja, os dois lados conversam sobre isso desde junho do ano passado.
A partir de agora, Cuba deixa de ser território proibido para as empresas americanas e paraíso exclusivo para empresas espanholas, chinesas, brasileiras, etc. O estado americano da Flórida está a apenas cerca de 160 km de Cuba. Com um PIB de cerca de US$ 800 bilhões -- mais de um terço do PIB brasileiro -- a Flórida é uma potência econômica, maior que países como Turquia, Holanda, Arábia Saudita, Suécia, Irã e outros. Em 2014, o PIB da Flórida cresceu mais que o PIB americano.
Cuba é para a Flórida um mercado mais próximo que a grossa maioria dos demais estados americanos. Os benefícios do moderníssimo porto de Mariel para os EUA em geral, e para a Flórida em particular, são incomensuráveis. Orçado em US$ 957 milhões, dos quais US$ 682 milhões (71%) financiados em termos sigilosos pelo BNDES, Mariel vem sendo construído pela Oderbrecht desde 2010 e teve sua primeira fase inaugurada em janeiro deste ano de 2014. Os americanos ficarão superagradecidos ao Brasil. As empresas americanas certamente serão imbatíveis em preços para o mercado cubano, e o porto de Mariel será importantíssimo para isso. Só no arroz por exemplo, cuja qualidade é semelhante à do nosso, o frete médio dos EUA para Cuba é 60% inferior ao do Brasil para a ilha.
Vejamos agora a cronologia dos fatos. Seis meses antes da inauguração da primeira fase do porto de Mariel os cubanos iniciaram sua negociações de reatamento com os americanos, sabendo portanto desde então do aumento enorme da importância estratégica do porto de Mariel nesse contexto. Como praticamente todo mundo, o Brasil foi deixado à margem desses entendimentos.
A publicação Carta Capital, de Mino Carta, divulga uma leitura peculiar do financiamento do porto de Mariel pelo Brasil feita pela FGV (Fundação Getulio Vargas). Diz ela que "O polêmico projeto do Porto de Mariel, em Cuba, indica que o Brasil estava prevendo o fim do isolamento imposto pelos Estados Unidos à ilha comunista e o relaxamento do embargo econômico, afirmaram especialistas ouvidos pela DW Brasil no início deste ano". (...) "O Porto de Mariel é visto como uma maneira de se antecipar aos investidores americanos", disse Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da FGV, na ocasião da inauguração do porto, em janeiro. O megaprojeto contou com financiamento do BNDES, e a presidente brasileira, Dilma Rousseff, foi à Cuba para a abertura da primeira parte do empreendimento".
Como as condições do financiamento do BNDES tornaram-se secretas, por determinação de Dilma NPS (Nosso Pinóquio de Saia), ninguém fora dos governos cubano e brasileiro sabe em que condições isso foi feito e quais são efetivamente os compromissos assumidos pelo governo cubano e os direitos do lado brasileiro. O sigilo imposto ao contrato impede também que se saiba, fora dos círculos restritos citados, se Cuba estará honrando ou não tais compromissos.
Ninguém tem, portanto, a mínima condição de afirmar que o financiamento e a construção de Mariel foram ou são vantajosos para o Brasil. Isso de "antecipar-se aos investimentos americanos" não vale nada, a menos que se divulguem abertamente as eventuais vantagens que o Brasil terá no uso do porto por tê-lo financiado com dinheiro público em nível tão elevado. O fato inconteste é que nossos concorrentes americanos, comprovadamente muitíssimo mais eficientes que nós, terão um porto moderníssimo "made by Brazil" à sua disposição, a 160 km de sua costa, para desovar tudo de bom de que os cubanos mais necessitam. Com a enorme presença cubana em solo americano, nem toda ela de inimigos do regime cubano, tudo conspira para que os americanos façam uma enorme "American Pie" no fogão verde-amarelo de Mariel. Se o Brasil conseguir algumas migalhas, poderá ser um milagre.
Vejam um quadro resumo do comércio Brasil - Cuba feito pelo jornal gaúcho Zero Hora [daí a inclusão do Rio Grande do Sul (RS) nas estatísticas] - clique na imagem se quiser ampliá-la. Vê-se que, mesmo com o embargo americano, a importação cubana dos EUA vale quase 81% da correspondente do Brasil. Observa-se também a grande importância da China e da Espanha para Cuba hoje. O fato de um país europeu em dificuldades como a Espanha exportar para Cuba 66% mais que o Brasil demonstra nossa incompetência também no mercado cubano. Em 50 anos de embargo americano não soubemos conquistar um mercado cativo em Cuba, e a nossa pauta de exportações para os cubanos resume-se a commodities.
Obama enfrentará sérias dificuldades em 2015 para ter esse reatamento de relações plenamente aprovado pelo Congresso americano, que terá as duas Casas amplamente dominada pelos republicanos. Mas, creio que prevalecerá o pragmatismo dos americanos. O reatamento, além dos enormes dividendos políticos na região, trará inequívocos benefícios econômicos para a indústria e a agricultura americanas.
O The New York Times, o respeitável e respeitado formador de opinião nos EUA, já em outubro passado (11/10) defendia em editorial o fim do embargo sobre Cuba e afirmava que, pela primeira vez em 50 anos mudanças políticas nos EUA e mudanças de atitudes em Cuba, se tornava politicamente viável restabelecer relações diplomáticas formais entre os dois países e o término do embargo desprovido de sentido. Após a histórica decisão de Obama, o mesmo jornal em 17 de dezembro voltou a defender enfaticamente a decisão democrata.
Ainda é cedo para se ter uma ideia da real dimensão e extensão do impacto do reatamento EUA-Cuba na América Latina, em termos geopolíticos e econômicos, mas seria prudente o Brasil pensar seriamente sobre isso porque nada será mais como antes em Cuba.
quinta-feira, 13 de março de 2014
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Cubana se desliga do Mais Médicos e diz que pedirá refúgio ao Brasil. E agora, dona Dilma NPS?
[A atuação dos governos petistas com o regime antidemocrático de Cuba tem sido de vergonhosa omissão e criminosa cumplicidade com o sistemático desrespeito aos direitos humanos nesse país. Na recente viagem a Havana, para inaugurar o porto de Mariel, Dilma NPS (Nosso Pinóquio de Saias) silenciou mais uma vez sobre os atentados à democracia em Cuba. A mais revoltante e repugnante atitude petista nesse sentido deu-se em 2007, durante o governo do NPA (Nosso Pinóquio Acrobata, Lula) quando depois de terem abandonado a delegação cubana que participava dos Jogos Pan Americanos no Rio de Janeiro, os boxeadores Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux foram presos e deportados para Cuba. Na ocasião, o Ministério da Justiça explicou que os dois queriam voltar para a ilha. “Sinceramente, até hoje não entendi o que ocorreu e por que voltamos a Cuba”, disse Lara em entrevista ao Estado de S. Paulo. Os dois boxeadores fugiram em 2009 para os EUA, desmentindo o governo brasileiro. Por causa dessa e de outras atitudes de omissão e apadrinhamento em relação a governos antidemocráticos da América nossa reputação internacional nesse quesito é péssima. A reportagem abaixo foi publicada hoje na edição digital brasileira do jornal espanhol El País. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]
Profissional cria uma saia justa ao Governo Dilma Rousseff, que tem relações estreitas com o regime dos Castro
Ministro da Justiça diz que vai analisar o pedido quando o receber
A médica cubana Ramona Rodriguez dá entrevista no Congresso Nacional. / W.DIAS (EFE/AG. BRASIL)
Uma médica cubana de 51 anos desistiu de trabalhar no programa Mais Médicos, do governo federal, e vai pedir refúgio ao Brasil. Ela foi a primeira profissional a deixar o programa nessas condições e pode gerar um problema diplomático ao Governo Dilma Rousseff (PT) que tem relações estreitas com o regime de Raúl Castro.
Desde ontem, Ramona Matos Rodriguez está instalada no gabinete da liderança do partido Democratas (DEM) na Câmara dos Deputados. A médica está no Brasil desde dezembro do ano passado. Até o último sábado, ela trabalhava na cidade de Pacajá, no Pará (Norte do país), de onde fugiu com destino à capital federal.
Em uma entrevista coletiva concedida hoje ao lado de políticos do DEM, que fazem oposição ao Governo de Rousseff, Rodriguez afirmou que foi enganada com relação ao pagamento dos salários. Conforme a médica, quando ela decidiu vir ao país, o acordo era para que o governo brasileiro pagasse 10.000 reais à Cuba por cada profissional cedido e metade desse valor seria repassado para os médicos. Porém, diz Rodriguez, ela estaria recebendo 400 dólares por mês (quase 1.000 reais) e tinha outros 600 dólares depositados em uma conta em Cuba, mas esse valor só poderia ser sacado quando ela voltasse à terra natal. [Fica assim revelado um detalhe importantíssimo que o governo Dilma NPS escondeu do contribuinte brasileiro -- vê-se pois que o governo petista da Dama de Ferrugem contribui para a exploração profissional e humana dos médicos cubanos pela ditadura cubana.]
Durante a entrevista coletiva, Rodriguez mostrou aos jornalistas um contrato assinado com a Sociedade Mercantil Cubana Comercializadora de Serviços Médicos Cubanos. Essa foi a empresa que teria intermediado a vinda da médica ao país. No lançamento do programa no ano passado, porém, o governo Rousseff afirmou que o acordo com Cuba teria a intermediação da Organização Panamericana de Saúde (OPAS). Essa entidade que receberia R$ 510 milhões por um semestre de serviços prestados entregaria parte desse valor para Havana, que o dividiria com seus médicos.
Rodriguez, que foi recebida pelo deputado federal Ronaldo Caiado, justificou seu pedido de asilo dizendo que teme ser detida quando regressar para Cuba. “Pretendo ficar aqui. Pedi a proteção do deputado porque eu temo pela minha vida. Estou certa que nesse momento se eu for para Cuba, serei presa. Fui enganada pelo governo cubano” [com a cumplicidade do governo brasileiro].
Em entrevista a EL PAÍS, Caiado afirmou que deixará seu gabinete aberto para receber outros cubanos que estejam insatisfeitos com a situação de trabalho em território brasileiro. "Esses médicos cubanos estão sendo usados como escambo. Recebem só 10% do que o governo paga e sofrem uma usurpação completa da mão de obra. O mais grave é o Brasil ser conivente com um regime ditatorial que não respeita os direitos humanos e explora os serviços desse profissionais capacitados", afirmou.
Em entrevista à rádio CBN, Roberto Luiz D’Avilla, presidente do Conselho Federal de Medicina, órgão que já se manifestou contrário à contratação de profissionais estrangeiros, disse que a médica vivia uma condição de semiescravidão. “O Conselho Federal de Medicina apoia essa médica que teve a coragem de fugir de uma situação que lhe era totalmente desfavorável. É uma semiescravidão, nós denunciamos isso na Organização Internacional do Trabalho, na Organização Mundial de Saúde e Ministério Público Federal do Trabalho”.
Só um refugiado cubano
Por conta da saia justa diplomática, o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo concedeu uma entrevista coletiva para explicar quais os procedimentos para se conceder o refúgio a um estrangeiro. Ele tentou deixar claro que não cabe a ele diretamente conceder ou não o refúgio. "Naturalmente qualquer pedido que nos for apresentado será processado na forma da lei e apreciado pelas autoridades competentes como determina nossa Constituição e nossa legislação".
Conforme a legislação, quem define os beneficiados é o Conselho Nacional de Refugiados (CONARE). Vinculado ao Ministério da Justiça, ele é um colegiado formado por sete entidades, seis delas do governo federal, responsáveis por julgar caso a caso. No ano passado, cerca de 5.200 pedidos foram apresentados e 649 autorizações de refúgio foram concedidas. Apenas um cubano foi aceito como refugiado no período. Não há informações sobre quantos cubanos fizeram essa solicitação.
O processo para análise do pedido pode levar meses. Porém, depois que algum cidadão faz a solicitação, ele não pode ser deportado do país. No caso da médica Rodriguez, ela ainda tem o visto de permanência no Brasil porque não foi oficialmente desligada do programa Mais Médicos. Ela perderá a autorização de estada assim que for descredenciada pelo Ministério da Saúde. "Por enquanto nada a impede de ficar no Brasil", afirmou o ministro Cardozo.
A médica e os advogados do DEM de Brasília passaram a tarde desta quarta-feira elaborando o pedido de refúgio. [Vamos ver o tratamento que o governo Dilma NPS dará a esse caso, tendo sempre em mente o que o NPA fez com os boxeadores cubanos -- ver início da postagem -- e com o marginal italiano Cesare Battisti. Tomando este último caso como paradigma, cubano e quem mais seja que queira refugiar-se no Brasil tem que primeiro e necessariamente matar alguém em sua terra, senão nada feito. Vale lembrar que o ministro da Justiça no caso Battisti era Tarso Genro, a mesma eminência marrom que hoje governa o Rio Grande do Sul e mantém o Presídio Central de Porto Alegre como a pior prisão do país.]
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Indecentes úteis
[A passagem da blogueira cubana Yoani Sanchez pelo Brasil tinha tudo para ser normal e tranquila, não fosse a boçalidade exacerbada de um bando de petistas que, sob o cabresto de lideranças do PT (esses militantes petistas adoram esse tipo de subserviência que afronta quem tem um mínimo de racionalidade), se comportaram como verdadeiros imbecis antidemocráticos. É mais do que evidente a ligação da atitude irracional dessa gentalha com a visita do NPA (Nosso Pinóquio Acrobata, Lula) a Cuba no finalzinho de janeiro e seu encontro com os irmãos Castro.
Aliás, esses pigmeus mentais petistas dessa vez funcionaram sob duplo cabresto: o do PT e o do embaixador cubano no Brasil, que orquestrou ostensivamente essa palhaçada sob o olhar cúmplice e humilhado do Itamaraty, nitidamente a mando da Dona Dilma, que parece não ter aprendido nada de democracia com as experiências que teve. O silêncio ensurecedor do chanceler Patriota -- nada mais desconchavado do que este sobrenome e o comportamento desse cidadão -- quanto aos saracoteios abusados do embaixador cubano explica-se também pelo fato de Cuba ser território cativo do nosso chanceler n° 2, Marco Aurélio Garcia, que está se convalescendo de uma operação. Mas, vamos a mais um texto cirúrgico de Dora Kramer sobre o assunto, publicado hoje no O Estado de S. Paulo.]
Indecentes úteis
Dora Kramer - O Estado de S. Paulo, 26/2/2013
Aqueles que não
conseguem convencer, quando fanáticos agridem, constrangem e, se lhes
for dada a oportunidade, prendem e arrebentam. Foi a nítida
impressão deixada pela ação orquestrada a partir da Embaixada de Cuba
com pequenos, barulhentos e virulentos grupos defensores da ditadura
Castro, contra a presença da jornalista Yoani Sanchez por uma semana no
Brasil.
Tirante a violência, nada de mais grave haveria no patrulhamento não fossem dois fatos: a presença de um assessor com assento no Palácio do Planalto na reunião em que a representação de Havana distribuiu a missão aos chefes dos tarefeiros e o mutismo do PT diante dos atentados à liberdade de uma pessoa dizer o que quer a quem estiver disposto a ouvir. De onde fica plenamente autorizada a constatação de que esse tipo de intolerância não é episódio isolado, nem nascido por geração espontânea. Foi apenas a manifestação mais histérica e malsucedida do modo petista (e área de influência) de lidar com as diferenças de ação e pensamento.
Numa expressão já meio gasta: o exercício do contraditório. Este enlouquece o PT. E aqui se fala do partido como um todo não na intenção maldosa de generalizar, mas porque a direção deixou o senador Eduardo Suplicy literalmente falando sozinho no enfrentamento da barbárie. Do partido como um todo não se ouviu palavra, nenhum reparo, apenas ressalvas aqui e ali à "deselegância" dos indecentes úteis.
A falta de cerimônia com que se dedicaram à selvageria é fruto do exemplo. Isso se vê quando o governo desqualifica de maneira desonesta (para não dizer mentirosa) as ações de seus antecessores - até mesmo os que hoje são seus aliados -, quando autoridades confundem crítica com falta de apreço à pátria, quando o dever de informar é classificado com desejo de conspirar, quando o exercício da oposição é "vendido" à população como uma atividade quase criminosa.
No caso da cubana ocorreu um monumental tiro no pé: o que seria uma visita tratada com destaque, mas sem maiores consequências nem celebrações - até porque Yoani Sanchez não diz nada que já não seja de conhecimento público sobre as agruras da vida em Cuba -, no lugar da visita de uma jornalista que reclama pela adaptação de seu país à contemporaneidade, o que se teve foi uma repercussão monumental.
Ao se tornar alvo (fácil) da rebeldia sem causa, virou capa da revista de maior circulação no Brasil, falou no Congresso Nacional e foi convidada de honra em programas de entrevistas no rádio e na televisão. Bom para ela, melhor ainda para a exposição das patrulhas ao ridículo. E tem gente que ainda apoia o direito da Embaixada de Cuba de pôr os patrulheiros na rua argumentando que o fez em legítima defesa.
Imagine o prezado leitor e a cara leitora se a Embaixada dos Estados Unidos resolvesse organizar manifestações no mesmo tom para revidar, a pretexto de proteger a moça dos ataques. O mundo viria abaixo e certamente o governo brasileiro protestaria contra a indevida intromissão.
Expurgo. A exposição de fotos no Senado, organizada pelo PT em comemoração aos 33 anos de vida e 10 do partido no poder, simplesmente suprimiu o ano de 2005. O período em que veio a público o esquema do mensalão também desapareceu das festividades partidárias.
Uma incoerência em relação aos protestos de injustiça e acusações de farsa que o PT faz sobre o julgamento. Acreditasse mesmo em suas alegações, o natural seria o partido aproveitar a passagem dos aniversários para ressaltar o que, na sua versão, seria algo nunca antes ocorrido no País em matéria de atentado à Justiça, aos direitos individuais e, sobretudo, à verdade.
Preferiu nada falar. De onde, se conclui, consentiu.
Tirante a violência, nada de mais grave haveria no patrulhamento não fossem dois fatos: a presença de um assessor com assento no Palácio do Planalto na reunião em que a representação de Havana distribuiu a missão aos chefes dos tarefeiros e o mutismo do PT diante dos atentados à liberdade de uma pessoa dizer o que quer a quem estiver disposto a ouvir. De onde fica plenamente autorizada a constatação de que esse tipo de intolerância não é episódio isolado, nem nascido por geração espontânea. Foi apenas a manifestação mais histérica e malsucedida do modo petista (e área de influência) de lidar com as diferenças de ação e pensamento.
Numa expressão já meio gasta: o exercício do contraditório. Este enlouquece o PT. E aqui se fala do partido como um todo não na intenção maldosa de generalizar, mas porque a direção deixou o senador Eduardo Suplicy literalmente falando sozinho no enfrentamento da barbárie. Do partido como um todo não se ouviu palavra, nenhum reparo, apenas ressalvas aqui e ali à "deselegância" dos indecentes úteis.
A falta de cerimônia com que se dedicaram à selvageria é fruto do exemplo. Isso se vê quando o governo desqualifica de maneira desonesta (para não dizer mentirosa) as ações de seus antecessores - até mesmo os que hoje são seus aliados -, quando autoridades confundem crítica com falta de apreço à pátria, quando o dever de informar é classificado com desejo de conspirar, quando o exercício da oposição é "vendido" à população como uma atividade quase criminosa.
No caso da cubana ocorreu um monumental tiro no pé: o que seria uma visita tratada com destaque, mas sem maiores consequências nem celebrações - até porque Yoani Sanchez não diz nada que já não seja de conhecimento público sobre as agruras da vida em Cuba -, no lugar da visita de uma jornalista que reclama pela adaptação de seu país à contemporaneidade, o que se teve foi uma repercussão monumental.
Ao se tornar alvo (fácil) da rebeldia sem causa, virou capa da revista de maior circulação no Brasil, falou no Congresso Nacional e foi convidada de honra em programas de entrevistas no rádio e na televisão. Bom para ela, melhor ainda para a exposição das patrulhas ao ridículo. E tem gente que ainda apoia o direito da Embaixada de Cuba de pôr os patrulheiros na rua argumentando que o fez em legítima defesa.
Imagine o prezado leitor e a cara leitora se a Embaixada dos Estados Unidos resolvesse organizar manifestações no mesmo tom para revidar, a pretexto de proteger a moça dos ataques. O mundo viria abaixo e certamente o governo brasileiro protestaria contra a indevida intromissão.
Expurgo. A exposição de fotos no Senado, organizada pelo PT em comemoração aos 33 anos de vida e 10 do partido no poder, simplesmente suprimiu o ano de 2005. O período em que veio a público o esquema do mensalão também desapareceu das festividades partidárias.
Uma incoerência em relação aos protestos de injustiça e acusações de farsa que o PT faz sobre o julgamento. Acreditasse mesmo em suas alegações, o natural seria o partido aproveitar a passagem dos aniversários para ressaltar o que, na sua versão, seria algo nunca antes ocorrido no País em matéria de atentado à Justiça, aos direitos individuais e, sobretudo, à verdade.
Preferiu nada falar. De onde, se conclui, consentiu.
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quinta-feira, 8 de março de 2012
Cuba vai testar em humanos uma nova vacina contra dengue
Cuba realizará neste ano testes clínicos de uma vacina tetravalente da dengue em humanos, segundo anunciaram nesta quarta-feira, 8, autoridades
do setor de saúde no Congresso Internacional de Biotecnologia, em
Havana. O diretor do Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia (Cigb),
Gerardo Guillén, explicou que pesquisas realizadas em macacos mostraram
que a vacina conseguiu controlar a multiplicação do vírus. Mas devido ao fato de existirem quatro tipos de vírus diferentes da
dengue, a vacina precisaria resistir a cada um deles, por isso seu
caráter tetravalente.
Guillén informou que até o momento não existem medicamentos para prevenir a doença. Além do Cigb, outros três institutos trabalharam no desenvolvimento da vacina.
A pesquisadora Lisset Hermida, que coordena a equipe que executa o projeto, disse que ele começou a ser desenvolvido em 1992, e o estágio atual está na fase de testes pré-clínicos em primatas, que antecede as provas realizadas com humanos.
A doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti se caracteriza por febre alta, mal-estar e dores de cabeça, nos olhos e nas articulações. Segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPS), a dengue afeta a cada ano cerca de 100 milhões de pessoas em todo mundo.
Guillén informou que até o momento não existem medicamentos para prevenir a doença. Além do Cigb, outros três institutos trabalharam no desenvolvimento da vacina.
A pesquisadora Lisset Hermida, que coordena a equipe que executa o projeto, disse que ele começou a ser desenvolvido em 1992, e o estágio atual está na fase de testes pré-clínicos em primatas, que antecede as provas realizadas com humanos.
A doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti se caracteriza por febre alta, mal-estar e dores de cabeça, nos olhos e nas articulações. Segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPS), a dengue afeta a cada ano cerca de 100 milhões de pessoas em todo mundo.
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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Dilma Rousseff, nosso caixeiro-viajante em Cuba
Quem esperava que Dilma Rousseff fosse a Cuba como estadista, enganou-se redondamente. Ela cumpriu simplesmente o papel de um caixeiro-viajante, nada mais que isto. Se alguém tinha ainda alguma dúvida de que também em política externa e direitos humanos Dilma não tem rumo, nem diretriz, deve estar plenamente consciente disso -- também nessas áreas nossa ex-guerrilheira tem a firmeza e a constância de rumo de uma biruta de campo de aviação, o símbolo perfeito de seu governo.
Como ex-guerrilheira, a presidente tem um comportamento incompreensível e errático em matéria de direitos humanos. Ela criou uma espécie de "hierarquia" nessa área que faria a alegria do Stanislaw Ponte Preta, o autor da expressão "samba do crioulo doido". O que vale para o Brasil não vale para Cuba, e tampouco se aplica ao Irã e aos EUA, e aí vai num zigue-zague de quem sai de uma festança depois de beber todas.
No Brasil, Dilma virou madrinha de uma aberração chamada de Comissão da Verdade -- que, por sinal, sequer saiu do papel -- que pode, no máximo, apurar, mas jamais punir. É um eunuco num harém. Quando assumiu, esfriou as relações com o Irã (corrigindo, espantosamente, uma das inúmeras mancadas de seu criador e tutor, Lula, o Nosso Pinóquio Acrobata, em política externa) e nisso a questão dos direitos humanos teria tido algum papel, embora não se saiba de que relevância.
Em Cuba, ela deu seu showzinho particular e típico. Silenciou sobre os malfeitos de Cuba em termos de direitos humanos, mas resolveu assumir o papel de um arremedo de guerrilheira das arábias e criticou, sem citá-los nominalmente, os EUA por causa de Guantánamo, esquecendo-se de que em matéria de direitos humanos o Brasil tem telhado de vidro, rabo preso e culpa no cartório. Através da esdrúxula Lei da Anista, o Brasil criou a fantástica figura do criminoso inimputável. A melhor-- aliás, perfeita -- definição sobre a missão de Dilma em Cuba foi dada pela dissidente e blogueira cubana Yoani Sánchez: "Dilma veio a Cuba de carteira aberta e olhos fechados".
A blogueira cubana acertou na mosca. A Odebrecht está construindo um megaporto em Cuba (o de Mariel), uma obra de quase um bilhão de dólares (mais exatamente, US$ 957 milhões, dos quais US$ 682 milhões são financiados pelo BNDES). Fica então entendido assim: país que nos garante uma obra dessas tem todo o direito de fazer o que quiser com seus cidadãos, não temos nada com isso. Estamos, pois, usando com Cuba do mesmíssimo pragmatismo que hipocritamente criticamos nos EUA. Não sou nenhum inocente de achar que o que Dilma fez está absolutamente errado, ela tem mesmo que vender nossa tecnologia e nossos equipamentos lá fora, para reduzir nossa exagerada e perigosa dependência das commodities. O que me agride a inteligência e o olfato é esse papo dela de falsa moralista. Faz-me lembrar de Sobral Pinto, célebre defensor de presos políticos -- quando foram lhe falar da "nossa" democracia, ele retrucou: "Não existe democracia à brasileira, existe peru à brasileira" -- Dilma Rousseff devia ler Sobral Pinto e sobre ele.
Nosso histórico com Cuba em termos de direitos humanos é péssimo. Quando lá esteve em março de 2010, Lula, o Nosso Pinóquio Acrobata (NPA), comparou a bandidos de S. Paulo um preso político que fazia greve de fome. E o mesmo NPA devolveu a Cuba dois pugilistas que pediram asilo ao Brasil no final dos Jogos Panamericanos. Essa política dúbia, de dobradiça na coluna vertebral no relacionamento com nossos vizinhos, é uma característica espantosa e lamentável do Itamaraty -- por causa dela, vivemos expostos a humilhações inacreditáveis por parte da Bolívia, do Equador, da Argentina, e por aí vai.
Como ex-guerrilheira, a presidente tem um comportamento incompreensível e errático em matéria de direitos humanos. Ela criou uma espécie de "hierarquia" nessa área que faria a alegria do Stanislaw Ponte Preta, o autor da expressão "samba do crioulo doido". O que vale para o Brasil não vale para Cuba, e tampouco se aplica ao Irã e aos EUA, e aí vai num zigue-zague de quem sai de uma festança depois de beber todas.
No Brasil, Dilma virou madrinha de uma aberração chamada de Comissão da Verdade -- que, por sinal, sequer saiu do papel -- que pode, no máximo, apurar, mas jamais punir. É um eunuco num harém. Quando assumiu, esfriou as relações com o Irã (corrigindo, espantosamente, uma das inúmeras mancadas de seu criador e tutor, Lula, o Nosso Pinóquio Acrobata, em política externa) e nisso a questão dos direitos humanos teria tido algum papel, embora não se saiba de que relevância.
Em Cuba, ela deu seu showzinho particular e típico. Silenciou sobre os malfeitos de Cuba em termos de direitos humanos, mas resolveu assumir o papel de um arremedo de guerrilheira das arábias e criticou, sem citá-los nominalmente, os EUA por causa de Guantánamo, esquecendo-se de que em matéria de direitos humanos o Brasil tem telhado de vidro, rabo preso e culpa no cartório. Através da esdrúxula Lei da Anista, o Brasil criou a fantástica figura do criminoso inimputável. A melhor-- aliás, perfeita -- definição sobre a missão de Dilma em Cuba foi dada pela dissidente e blogueira cubana Yoani Sánchez: "Dilma veio a Cuba de carteira aberta e olhos fechados".
A blogueira cubana acertou na mosca. A Odebrecht está construindo um megaporto em Cuba (o de Mariel), uma obra de quase um bilhão de dólares (mais exatamente, US$ 957 milhões, dos quais US$ 682 milhões são financiados pelo BNDES). Fica então entendido assim: país que nos garante uma obra dessas tem todo o direito de fazer o que quiser com seus cidadãos, não temos nada com isso. Estamos, pois, usando com Cuba do mesmíssimo pragmatismo que hipocritamente criticamos nos EUA. Não sou nenhum inocente de achar que o que Dilma fez está absolutamente errado, ela tem mesmo que vender nossa tecnologia e nossos equipamentos lá fora, para reduzir nossa exagerada e perigosa dependência das commodities. O que me agride a inteligência e o olfato é esse papo dela de falsa moralista. Faz-me lembrar de Sobral Pinto, célebre defensor de presos políticos -- quando foram lhe falar da "nossa" democracia, ele retrucou: "Não existe democracia à brasileira, existe peru à brasileira" -- Dilma Rousseff devia ler Sobral Pinto e sobre ele.
Nosso histórico com Cuba em termos de direitos humanos é péssimo. Quando lá esteve em março de 2010, Lula, o Nosso Pinóquio Acrobata (NPA), comparou a bandidos de S. Paulo um preso político que fazia greve de fome. E o mesmo NPA devolveu a Cuba dois pugilistas que pediram asilo ao Brasil no final dos Jogos Panamericanos. Essa política dúbia, de dobradiça na coluna vertebral no relacionamento com nossos vizinhos, é uma característica espantosa e lamentável do Itamaraty -- por causa dela, vivemos expostos a humilhações inacreditáveis por parte da Bolívia, do Equador, da Argentina, e por aí vai.
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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Símbolo do declínio cubano, porto revive com investimento brasileiro
[Diante da posição decepcionante da presidente Dilma quanto à questão dos direitos humanos em Cuba durante sua recente visita a Havana, e levando em conta a notícia abaixo, é lícito concluir que estamos usando com Cuba a mesmíssima política "pragmática" que hipocritamente criticamos nos americanos. Com uma obra de quase um bilhão de dólares para apenas uma empresa brasileira, o governo cubano pode fazer o que quiser com seus cidadãos, isso não é problema nosso ...]
Uma parceria entre Brasil e Cuba pretende transformar o Porto de Mariel, a 40 km de Havana, em um dos maiores da América Latina.
A presidente Dilma Rousseff visita nesta terça-feira o local, que deve se tornar o principal símbolo do recente processo de abertura econômica da ilha. Serão investidos, em quatro anos, US$ 957 milhões, dos quais US$ 682 milhões (71%) financiados pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). Trata-se da maior obra em Cuba desde que, em 1959, Fidel Castro liderou a Revolução que o levou ao poder e instaurou o socialismo no país.
Três décadas atrás, o Porto de Mariel foi o local de partida de cerca de 125 mil cubanos que deixaram a ilha caribenha rumo aos Estados Unidos em 1980 atrás de melhores condições de vida e acabou tornando-se um símbolo da derrocada da economia cubana. O êxodo precedeu o declínio do então maior parceiro econômico de Cuba, a União Soviética, e teve o dedo do presidente Fidel Castro, que, diante de uma onda de invasões da embaixada peruana por cubanos desejosos de emigrar, declarou que todos que quisessem abandonar a pátria poderiam fazê-lo.
A migração em massa dos "marielitos", como ficaram conhecidos, prejudicou as ambições de reeleição do então presidente americano Jimmy Carter quando se descobriu que parte do grupo era integrada por presos e doentes mentais cubanos.
A viagem de Dilma a Cuba ocorre uma semana após a liberação da última parcela do empréstimo à obra, executada pela empresa brasileira Odebrecht, iniciada em 2010 e prevista para terminar em 2014. Em visita ao porto em setembro, o presidente Raúl Castro, que sucedeu o irmão Fidel em 2008, afirmou: "Esta obra tem uma importância econômica extraordinária, não só para o desenvolvimento presente do país, mas também para o futuro".
O empreendimento inclui uma "zona especial de desenvolvimento" de 400 quilômetros quadrados, que abrigará indústrias voltadas à exportação e ao mercado cubano. Segundo diplomatas brasileiros, além de ajudar Cuba em sua missão de "atualizar" o socialismo e diversificar suas fontes de receitas, a ampliação do porto abrirá oportunidades de negócios para empresas brasileiras interessadas em se instalar ou expandir as operações na América Central. E caso os Estados Unidos suspendam seu embargo econômico à ilha, as empresas instaladas no porto terão acesso privilegiado ao maior mercado global, uma vez que Mariel está a apenas 160 km do Estado americano da Flórida.
Por ora, uma companhia brasileira – a fabricante de vidro Fanavid – já se prepara para abrir uma unidade no local, em associação com o governo cubano. Cerca de 80% da produção da fábrica deverá se destinar à exportação.
As obras em Mariel incluem ainda ações para facilitar o acesso de produtos ao porto, como a reforma de mais de 30 km de estradas e a construção de 18 km de rodovias, 63 km de estrutura para ferrovias e quase 13 km de vias ferroviárias.
Com a dragagem do porto, que permitirá seu uso por navios de grande calado, ele poderá movimentar 1 milhão de contêineres por ano. Comparado com portos brasileiros, Mariel só terá capacidade inferior ao de Santos, que em 2011 movimentou 2,7 milhões de contêineres. Também serão construídos 700 metros de cais para o terminal de contêineres, um centro de carga, pátios, redes de abastecimento de água e tratamento de resíduos, além de toda infraestrutura para o fornecimento de energia elétrica.
Atualmente 2,7 mil trabalhadores atuam nas obras; após a conclusão do porto, espera-se que ele gere 3 mil empregos diretos e 5 mil indiretos.
Com a reabertura de Mariel, o porto deve recuperar a notoriedade que experimentou há décadas, mesmo antes do êxodo dos "marielitos" rumo à Flórida, em 1980.
Em 1962, auge da Guerra Fria e no caso que ficou conhecido como a Crise dos Mísseis de Cuba, aviões americanos fotografaram sete barcos lança-mísseis Komar, de fabricação soviética, ancorados no porto. A descoberta gerou temores nos Estados Unidos de que os soviéticos estivessem se preparando para um ataque nuclear às terras americanas, suspeita reforçada após a divulgação de imagens que mostravam cerca de 40 silos para abrigar armas atômicas em Cuba.
Uma parceria entre Brasil e Cuba pretende transformar o Porto de Mariel, a 40 km de Havana, em um dos maiores da América Latina.
A presidente Dilma Rousseff visita nesta terça-feira o local, que deve se tornar o principal símbolo do recente processo de abertura econômica da ilha. Serão investidos, em quatro anos, US$ 957 milhões, dos quais US$ 682 milhões (71%) financiados pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). Trata-se da maior obra em Cuba desde que, em 1959, Fidel Castro liderou a Revolução que o levou ao poder e instaurou o socialismo no país.
Três décadas atrás, o Porto de Mariel foi o local de partida de cerca de 125 mil cubanos que deixaram a ilha caribenha rumo aos Estados Unidos em 1980 atrás de melhores condições de vida e acabou tornando-se um símbolo da derrocada da economia cubana. O êxodo precedeu o declínio do então maior parceiro econômico de Cuba, a União Soviética, e teve o dedo do presidente Fidel Castro, que, diante de uma onda de invasões da embaixada peruana por cubanos desejosos de emigrar, declarou que todos que quisessem abandonar a pátria poderiam fazê-lo.
A migração em massa dos "marielitos", como ficaram conhecidos, prejudicou as ambições de reeleição do então presidente americano Jimmy Carter quando se descobriu que parte do grupo era integrada por presos e doentes mentais cubanos.
A viagem de Dilma a Cuba ocorre uma semana após a liberação da última parcela do empréstimo à obra, executada pela empresa brasileira Odebrecht, iniciada em 2010 e prevista para terminar em 2014. Em visita ao porto em setembro, o presidente Raúl Castro, que sucedeu o irmão Fidel em 2008, afirmou: "Esta obra tem uma importância econômica extraordinária, não só para o desenvolvimento presente do país, mas também para o futuro".
O empreendimento inclui uma "zona especial de desenvolvimento" de 400 quilômetros quadrados, que abrigará indústrias voltadas à exportação e ao mercado cubano. Segundo diplomatas brasileiros, além de ajudar Cuba em sua missão de "atualizar" o socialismo e diversificar suas fontes de receitas, a ampliação do porto abrirá oportunidades de negócios para empresas brasileiras interessadas em se instalar ou expandir as operações na América Central. E caso os Estados Unidos suspendam seu embargo econômico à ilha, as empresas instaladas no porto terão acesso privilegiado ao maior mercado global, uma vez que Mariel está a apenas 160 km do Estado americano da Flórida.
Por ora, uma companhia brasileira – a fabricante de vidro Fanavid – já se prepara para abrir uma unidade no local, em associação com o governo cubano. Cerca de 80% da produção da fábrica deverá se destinar à exportação.
As obras em Mariel incluem ainda ações para facilitar o acesso de produtos ao porto, como a reforma de mais de 30 km de estradas e a construção de 18 km de rodovias, 63 km de estrutura para ferrovias e quase 13 km de vias ferroviárias.
Com a dragagem do porto, que permitirá seu uso por navios de grande calado, ele poderá movimentar 1 milhão de contêineres por ano. Comparado com portos brasileiros, Mariel só terá capacidade inferior ao de Santos, que em 2011 movimentou 2,7 milhões de contêineres. Também serão construídos 700 metros de cais para o terminal de contêineres, um centro de carga, pátios, redes de abastecimento de água e tratamento de resíduos, além de toda infraestrutura para o fornecimento de energia elétrica.
Atualmente 2,7 mil trabalhadores atuam nas obras; após a conclusão do porto, espera-se que ele gere 3 mil empregos diretos e 5 mil indiretos.
Com a reabertura de Mariel, o porto deve recuperar a notoriedade que experimentou há décadas, mesmo antes do êxodo dos "marielitos" rumo à Flórida, em 1980.
Em 1962, auge da Guerra Fria e no caso que ficou conhecido como a Crise dos Mísseis de Cuba, aviões americanos fotografaram sete barcos lança-mísseis Komar, de fabricação soviética, ancorados no porto. A descoberta gerou temores nos Estados Unidos de que os soviéticos estivessem se preparando para um ataque nuclear às terras americanas, suspeita reforçada após a divulgação de imagens que mostravam cerca de 40 silos para abrigar armas atômicas em Cuba.
Dilma Rousseff e o presidente cubano Raúl Castro na recente visita oficial da presidente a Cuba, ambos irradiando felicidade -- já os dissidentes cubanos ... - (Foto: Google).
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domingo, 14 de agosto de 2011
Havana (re)descobre os Beatles
Os cabelos e sotaques estavam errados, mas a plateia só tinha
interesse numa coisa: a banda da casa estava cantando Beatles, aqui em Cuba, em um bar novo chamado Yellow Submarine --em meados dos anos 1960,
uma iniciativa desse tipo no país poderia ter acabado em prisões.
Melhor ainda: talvez em função dessa história, os integrantes da banda
tocaram como rebeldes. Velozes e crus, eles passavam pelas linhas de
baixo de "Dear Prudence" como se a canção fosse nova. Tocaram "Rocky
Raccoon" em ritmo acelerado e, quando chegaram ao verso inicial de "Let
It Be" --"when I find myself in times of trouble"--, a plateia inteira
começou a cantar junto. As pessoas balançavam o corpo, olhavam fixamente
para os músicos ou cantavam o refrão a plenos pulmões, com os olhos
fechados em êxtase.
"Se não há Beatles, não há rock'n'roll", disse Guille Vilar, um dos coproprietário do bar. "Isto é música autêntica." -- "Este lugar é diferente", disse Alexander Peña, estudante de fora de Havana que estava sentado no bar com três amigos. Mesmo assim, o bar é inteiramente cubano. O Ministério da Cultura é proprietário e administrador do estabelecimento, aberto em março. Isso significa um couvert barato (US$ 2,50), imagens dos Beatles sem licenciamento oficial e garçons trajando os coletes pretos habituais -aos quais, como de praxe, é preciso fazer o pedido pelo menos três vezes antes que qualquer bebida seja servida de fato.
Pode ser que agora Guille Vilar possa declarar o que diz, mas os revolucionários cubanos não souberam muito bem como interpretar a música dos Beatles quando ela foi lançada, tempos atrás. Hoje, os vínculos entre o rock de contracultura e a política de esquerda são plenamente conhecidos. Mas naquela época, as autoridades cubanas --ou algumas delas, pelo menos-- enxergavam qualquer coisa em inglês como sendo americana e quase traiçoeira. Ao lado dos cabelos compridos, dos jeans boca de sino e da homossexualidade, os Beatles eram vistos como motivo de alarme ou prisão, em um tempo em que uniformes militares verdes representavam uma declaração solene.
Muitos cubanos ainda se lembram de ter de ouvir às escondidas qualquer álbum dos Beatles que conseguissem encontrar, no período que sucedeu à crise dos mísseis cubanos (1962) e ao embargo comercial americano.
"Se não há Beatles, não há rock'n'roll", disse Guille Vilar, um dos coproprietário do bar. "Isto é música autêntica." -- "Este lugar é diferente", disse Alexander Peña, estudante de fora de Havana que estava sentado no bar com três amigos. Mesmo assim, o bar é inteiramente cubano. O Ministério da Cultura é proprietário e administrador do estabelecimento, aberto em março. Isso significa um couvert barato (US$ 2,50), imagens dos Beatles sem licenciamento oficial e garçons trajando os coletes pretos habituais -aos quais, como de praxe, é preciso fazer o pedido pelo menos três vezes antes que qualquer bebida seja servida de fato.
Pode ser que agora Guille Vilar possa declarar o que diz, mas os revolucionários cubanos não souberam muito bem como interpretar a música dos Beatles quando ela foi lançada, tempos atrás. Hoje, os vínculos entre o rock de contracultura e a política de esquerda são plenamente conhecidos. Mas naquela época, as autoridades cubanas --ou algumas delas, pelo menos-- enxergavam qualquer coisa em inglês como sendo americana e quase traiçoeira. Ao lado dos cabelos compridos, dos jeans boca de sino e da homossexualidade, os Beatles eram vistos como motivo de alarme ou prisão, em um tempo em que uniformes militares verdes representavam uma declaração solene.
Muitos cubanos ainda se lembram de ter de ouvir às escondidas qualquer álbum dos Beatles que conseguissem encontrar, no período que sucedeu à crise dos mísseis cubanos (1962) e ao embargo comercial americano.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Permanece o mistério sobre a saúde de Hugo Chávez
Nos últimos 15 dias a rotina na Venezuela é sempre a mesma: circula em Caracas a notícia de que Hugo Chávez está agonizante, depois de ter sido submetido a uma operação de emergência em Havana no dia 10 de junho para curar-se de um "abscesso pélvico". Logo em seguida, aparece na televisão em cadeia nacional o vice-presidente ou algum ministro (são mais de 27, algo como o que temos no Brasil) e nega o boato, sem dar detalhes sobre a saúde do comandante mas abundante em comentários sobre sua boa índole revolucionária.
A informação mais detalhada sobre seu quadro clínico até agora foi dada pelo próprio Chávez, no dia 12, em uma ligação telefônica de um hospital não identificado em Havana transmitida diretamente pela cadeia de TV Telesur: "A operação foi um sucesso ... Foram feitas biópsias, estudos, microbiologia em laboratórios diferentes, não há ali nenhum sinal maligno. Era um abscesso, com a sorte de que não houve infecção" disse Chávez. Desde então, Caracas não forneceu mais dados clínicos sobre a patologia de Chávez, o que desencadeou uma onda de especulações.
Tanto Chávez como seus ministros depositaram toda sua confiança nos médicos cubanos para achar a cura da enfermidade. Os sacerdotes venezuelanos, os xamãs, os pastores que simpatizam com o chavismo, os ajudavam com rezas durante a "cerimônia ecumênica indígena pela saúde de Hugo Chávez" transmitida ontem pelo canal público de TV Venezolana de Televisión, no mesmo espaço em que cada domingo vai ao ar o programa Alô, presidente.
A informação mais detalhada sobre seu quadro clínico até agora foi dada pelo próprio Chávez, no dia 12, em uma ligação telefônica de um hospital não identificado em Havana transmitida diretamente pela cadeia de TV Telesur: "A operação foi um sucesso ... Foram feitas biópsias, estudos, microbiologia em laboratórios diferentes, não há ali nenhum sinal maligno. Era um abscesso, com a sorte de que não houve infecção" disse Chávez. Desde então, Caracas não forneceu mais dados clínicos sobre a patologia de Chávez, o que desencadeou uma onda de especulações.
Tanto Chávez como seus ministros depositaram toda sua confiança nos médicos cubanos para achar a cura da enfermidade. Os sacerdotes venezuelanos, os xamãs, os pastores que simpatizam com o chavismo, os ajudavam com rezas durante a "cerimônia ecumênica indígena pela saúde de Hugo Chávez" transmitida ontem pelo canal público de TV Venezolana de Televisión, no mesmo espaço em que cada domingo vai ao ar o programa Alô, presidente.
Chávez recebe a visita de Fidel e Raúl Castro no hospital, em imagem fornecida pelas autoridades cubanas no dia 17 de junho (Reuters).
domingo, 16 de janeiro de 2011
Sinais de liberalização dos EUA em relação a Cuba
Depois de quase 50 anos de embargo econômico americano, Cuba vê agora sinais claros de liberalização do governo Obama. Os EUA anunciaram hoje novas medidas de intercâmbio com Cuba que aprofundam a política de abertura planejada por Obama -- entre tais medidas se incluem a liberação de contatos e atividades na ilha por organizações religiosas, autorização para o intercâmbio de tipo acadêmico (incluindo cursos de formação), e permissão para que os cubanos residentes nos EUA enviem dinheiro ao seu país, mesmo que não tenham parentesco com os destinatários. Essas medidas despertaram reações opostas na colônia cubana radicada nos EUA, com os radicais se opondo à sua concretização.
O Washington Post publicou dois artigos sobre o assunto, este e um outro. Parece, finalmente, que começa a prevalecer o bom senso entre os americanos e talvez se inicie pela via democrática o que um embargo cruel não logrou obter em 50 anos -- o regime não caiu, a população tem sido tremendamente castigada, e o país atraiu apoios indesejáveis e indesejados como por exemplo o da União Soviética (que quase gera um conflito armado com os EUA) em priscas eras, e mais recentemente o de Hugo Chávez, entre outros.
O Washington Post publicou dois artigos sobre o assunto, este e um outro. Parece, finalmente, que começa a prevalecer o bom senso entre os americanos e talvez se inicie pela via democrática o que um embargo cruel não logrou obter em 50 anos -- o regime não caiu, a população tem sido tremendamente castigada, e o país atraiu apoios indesejáveis e indesejados como por exemplo o da União Soviética (que quase gera um conflito armado com os EUA) em priscas eras, e mais recentemente o de Hugo Chávez, entre outros.
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