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sábado, 17 de dezembro de 2016

Associação de juízes acusa publicamente o ministro Gilmar Mendes de infringir o Estatuto da Magistratura e uma Lei -- por que então ele não é punido?!

Gilmar Mendes, o atento - (Foto: Google)

Gilmar Mendes tem um problema crônico de diarreia verbal e, patentemente, necessita com urgência de um psiquiatra. Com a arrogância dos energúmenos e o ar professoral dos pobres de espírito, Gilmar adora deitar falação em público de maneira absolutamente destemperada, grosseira, agressiva e inteiramente descompassada com a discrição que deve pautar sempre o comportamento de um juiz de uma Suprema Corte.

Gilmar Mendes se arvorou de palmatória do Brasil e do mundo, falando sobre tudo e sobre todos, sempre contra tudo e contra todos, invariavelmente num linguajar chulo para o seu cargo e suas funções. É um moralista bufão, ridículo, palhaço e patético. Cobra perfeição e correção de seus pares no STF, sem cinicamente olhar para seu próprio rabo. Gilmar retém de longa data posição de destaque no Supremo em pedidos de vista de processos e em prazo de retenção desses processos. Levantamento feito já em 2010 o mostra  liderando com 22% dos pedidos de vista (praticamente o dobro do segundo colocado, Marco Aurélio Mello, com 12%) e com, em média, 462,67 dias de retenção de processo! Sentar sobre processos é o esporte preferido de Gilmar, deixando em inúmeros deles a marca indelével de sua região glútea.

Ultimamente, com destaque a partir do surgimento do mensalão e do petrolão e seus julgamentos no STF, Gilmar perdeu de vez a temperança e passou a dar shows patéticos de descontrole ético e verbal, opinando abertamente sobre processos ainda em tramitação no Supremo, desancando autoridades constitucionalmente em seus cargos e emitindo conceitos e opiniões pejorativos e extremamente agressivos sobre pares seus no STF e sobre seus pareceres e decisões. O último surto de virulência absurda de Gilmar foi dirigido contra o seu colega ministro Luiz Fux, por conta da decisão deste de determinar à Câmara dos Deputados que reexaminasse  o projeto de lei anticorrupção sob a ótica de uma iniciativa popular e não parlamentar. Independente da correção ou não da decisão de Fux, ele em hipótese alguma pode ser agredido como foi por Gilmar Mendes.

Por conta dessa e de várias outras atitudes chulas de Gilmar Mendes, a AJUFESP - Associação dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul emitiu em 15 de dezembro corrente a seguinte nota:

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NOTA DA AJUFESP
A Associação dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul vem a público esclarecer que o Estatuto da Magistratura (Lei Complementar 35/1979, aplicável a todos os magistrados do Brasil) proíbe aos magistrados que manifestem “por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem, ou juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças, de órgãos judiciais, ressalvada a crítica nos autos e em obras técnicas ou no exercício do magistério” (art. 36, inciso III). Além disso, a Lei Complementar 35/1979 exige que todos os magistrados mantenham “conduta irrepreensível na vida pública e particular” (art. 35, inciso VIII).

Também assim o Código de Ética da Magistratura Nacional, instituído pelo Conselho Nacional de Justiça em agosto de 2008, quando o órgão e o STF eram presididos pelo Ministro Gilmar Mendes.

Nesse contexto, causa espécie a sem-cerimônia com que o próprio Ministro Gilmar Mendes, magistrado do Supremo Tribunal Federal, vem reiteradamente violando as leis da magistratura e os deveres éticos impostos a todos os juízes do país, valendo-se da imprensa para tecer juízos depreciativos sobre decisões tomadas no âmbito da Operação Lavajato e mesmo sobre decisões de colegas seus, também Ministros do Supremo Tribunal Federal.

Nada impede que o Ministro Gilmar Mendes, preferindo a função de comentarista à de magistrado, renuncie à toga e vá exercer livremente sua liberdade de expressão, como cidadão, em qualquer dos veículos da imprensa, comentando - aí já sem as restrições que o cargo de juiz necessariamente lhe impõe - o acerto ou desacerto de toda e qualquer decisão judicial. Enquanto permanecer magistrado da mais alta Corte do país, porém, a sociedade brasileira espera que ele se comporte como tal, dando o exemplo de irrestrito cumprimento das leis do país e dos deveres ético-disciplinares impostos a todos os juízes.

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O que vemos acima, com todas as letras, é a acusação pública de uma associação de juízes federais de que um ministro do STF - Supremo Tribunal Federal, o Sr. Gilmar Mendes, é infrator reincidente do Estatuto da Magistratura e do Código de Ética da Magistratura Nacional. E aí, como é que fica isso?! Nada vai acontecer contra esse ministro?! Vai-se permitir que ele personifique Renan Calheiros dentro do STF?! Ministro do Supremo é inalcançável pelos braços e o tacape da Lei?! Onde estamos?!

Com a palavra a ministra-presidente do Supremo, Cármen Lúcia. O problema é que, desde que decidiu aderir ao grupelho de pares do STF que pusilanimemente decidiu manter Renan Calheiros na presidência do Senado e do Congresso Nacional, a madame ministra tem tido dificuldades físicas e mentais para desempenhar seu cargo e suas funções -- físicas porque o rabo preso pesa-lhe demasiado, mentais porque o resquício decente de sua consciência não lhe tem dado trégua.


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Está farto das redes sociais? Você não é o único

[Algo aparentemente impensável mostra indícios de estar começando a acontecer: as pessoas estão ficando cansadas das redes sociais. Traduzo a seguir reportagem de Jackeline Beltrán, publicada no jornal espanhol El Mundo. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]

(Arte: Riki Blanco)

Pela primeira vez desde seu aparecimento, cai seu uso. Já ficamos entediados com  fotos de pés e discussões com desconhecidos?

As redes sociais perderam seu encanto, e isto não é um exagero. Seu consumo caiu pela primeira vez, depois de dez anos de um crescimento enorme.

Para começar, um dado: em 2015, os espanhóis gastaram nove minutos menos por semana nas principais redes sociais, em comparação com 2014. Em um mercado que se alimenta, em grande parte, do tempo que lhe dedicamos, essa diminuição marca um ponto de inflexão em uma forma até agora hipnótica de consumo. Algo ocorre com nossa vida social virtual e nos Estados Unidos já lhe deram um nome: social media fatigue (fadiga social).Em espanhol:  as redes começam a nos cansar. Pelo menos, tal e como as conhecemos.

O Facebook continua reinando, mas não escapa da queda. Cada semana, os espanhóis lhe dedicam uma média de 4 horas e 23 minutos. Isto já é 8 minutos menos do que em 2014, segundo um estudo anual de redes sociais do IAB Spain, a  associação que representa o setor de publicidade em redes sociais.

Ainda que pareça pouco, se multiplicarmos isso pelos 15 milhões de usuários que há no país, a plataforma de Mark Zuckerberg está perdendo dois milhões de horas a cada semana. E na Internet, tempo é sinônimo de receita. A queda do Twitter é bastante mais notória: cai 37 minutos e fica com 2 horas e 32 minutos por semana. 

A que se deve essa queda? "A intensidade  com que se usavam as redes em seus inícios foi controlada", conclui o relatório do VII Observatório de Redes Sociais elaborado por The Cocktail Analysis y Arena em dezembro de 2015. Isto é, já superamos a emoção da primeira vez. 

"Os usuários já não dão às redes um papel central em suas vidas, ainda que um em cada quatro as reconheça como imprescindíveis", explica Felipe Romero, CEO de The Cocktail Analysis. Algo semelhante ocorre em nível global. O uso do Facebook, que já supera o 1,6 bilhão de usuários, caiu 8% em nove países (Alemanha, Austrália, Brasil, Espanha, Estados Unidos, Índia, Reino Unido e África do Sul), segundo uma análise que o medidor de tráfego SimilarWeb fez em dispositivos Android. 

Há duas razões que explicam essa tendência: "Primeiro, o social puro está esfriando", assinala Romero. Isto significa dizer que converter o muro em nosso diário pessoal, bisbilhotar perfis alheios, compartilhar fotos da última festa ou ampliar o número de amigos virtuais já não agrada  como antes. 

As redes sociais estão evoluindo. Os jovens preferem os serviços de mensagens instantâneas instantâneas do que as ferramentas tradicionais. 


O relatório do Observatório mostra um perfil de um tipo de usuário que é cada vez mais comum: o que se sente saturado de navegar entre  grandes quantidades de fotos, retuítes, memes, discussões próprias e alheias ... e começa a usar essas plataformas como ferramentas mais  funcionais do que sociais. Há outros que simplesmente as abandonam. Segundo a pesquisa, 10% dos espanhóis se obrigam a não entrar em seus perfis para deixar o hábito.

Por isso é mais comum a busca por espaços de desconexão, como as zonas livres de wifi -- que nos empurram para aquele costume quase esquecido de nos falarmos entre nós. Há iniciativas, como a 99 dias sem Facebook, uma experiência de uma agência de comunicação holandesa que convida os usuários a se absterem da rede social para ver se seu estado de espírito melhora, e cruzadas antirredes de figuras influentes que se rebelaram contra a ditadura do Like (curtir). 

"Não medi bem meu tempo, me conectava muito e isso acabou condicionando meu trabalho, tanto que o uso do Twitter chegou a pesar sobre a atenção que  dedicava ao correio eletrônico", conta o diretor artístico do Museu Thyssen-Bornemisza, Guillermo Solana, que encerrou sua conta em setembro passado, depois de três anos de uso. 

Esse não foi o único motivo, foi também o ambiente de "ruído e hostilidade" que começou a perceber: "Às vezes, usar o Twitter é como organizar uma luta num bar, há um tom de discussão constante e isso me cansou". 

Dissemos antes que havia dois motivos que explicam o cansaço provocado pelas redes sociais. Aqui vai o  segundo: elas estão evoluindo, e nós com elas. Das mais populares, a maior (Facebook) tem 12 anos e a menor (Snapchat), cinco. A  primeira é o muro público por excelência, o que guarda cada detalhe da nossa vida. A segunda, ao contrário, é tão reservada que alguns ainda não a entenderam por completo. 

"A evolução das redes sociais tem sido muito rápida, e como sociedade mal estamos aprendendo a usá-las. É um comportamento lógico que alguém necessite se desconectar por um tempo, se abusou de algo", analisa Enrique Dans, professor da IE Business School. Que destaca algo mais: a fadiga social também atinge os jovens, e em grande escala. 

"Os jovens vêem que o Facebook se estendeu tanto, que neles já estão não apenasseuspais mas também seus avós. Não encerram suas contas, mas continuam usando-as apenas para cumprimentos por aniversários ou para ver alguma foto", explica Dans. Em seu lugar, há uma preferência pelos serviços de mensagens instantâneas e mais privativos, como WhatsApp, Telegram e Snapchat, aplicativos criados especificamente para as telas dos celulares.

Os dados confirmam essa tendência: o WhatsApp é o preferido dos internautas espanhóis, acima das redes sociais consideradas puras. Depois de crescer em bom ritmo, estas pisaram no freio -- na Espanha, entre 2008 e 2012 sua penetração passou de 45% para 92%, e daí em 2015 baixou para 89%.

Em 2014, "ver o que fazem meus contatos" era a atividade favorita dos usuários espanhóis, e enviar mensagens ocupava o segundo lugar. Hoje é o contrário: sobe a troca de mensagens, seguida de ver vídeos e ouvir música, e cai o interesse em bisbilhotar os outros. Por isso, se esses usuários para fazer isso tivessem que usar exclusivamente o computador, "se perderiam, se frustariam, porque ficaram condicionados pelo vídeo e pelo celular", argumenta Romero.

Zuckerberg já percebeu isso. O Facebook comprou o WhatsApp e o Instagram (o Snapchat resistiu e recusou a oferta de US$ 3 bilhões que ele lhe fez) e há pouco se atualizou para para dar prioridade às publicações de amigos e familiares sobre outros conteúdos. E o fez com esta mensagem: "Em 2006, quando lançamos nosso News Feed, era difícil imaginar o desafio que enfrentamos agora: demasiada informação para que uma pessoa apenas possa consumí-la". 

Sim, o excesso afeta também o gigante. Porque até a vida social (virtual) em grandes quantidades pode cair-nos mal.

[A reportagem acima, do El Mundo, tem praticamente o mesmo título de um artigo de 08 de junho deste ano ("Do you suffer from Social media fatigue? You are not alone") publicado no site Foursys.  

Esse tema da "fadiga social" mencionado acima já foi abordado pelo Globo em agosto de 2011 ("Usuários de Facebook, Twitter e Orkut estão ficando cansados das redes sociais, diz Gartner" -- a Gartner é uma empresa de consultoria fundada em 1979 por Gideon Gartner, que desenvolve tecnologias relacionadas à introspecção necessária para seus clientes tomarem suas decisões). 

Uma pesquisa realizada pela Gartner com usuários de redes sociais como Twitter, Facebook e Orkut afirmava que, na época, "havia sinais de maturidade no mercado" e havia grupos de internautas que estavam mostrando uma espécie de "fadiga das mídias sociais". Um levantamento sobre uso, frequência de acessos e opiniões dos usuários, com objetivo de analisar tendências, feito com 6.295 pessoas com idade entre 13 e 74 anos, em 11 mercados desenvolvidos e em desenvolvimento entre dezembro de 2010 e janeiro de 2011, mostrou que parte significativa dos entrevistados dizia estar usando menos as redes sociais. 

A pesquisa ouviu 581 pessoas no Brasil, um dos países onde mais usuários foram entrevistados. E de acordo com análise da BBC, o Orkut, rede social da Google, ainda era o líder em usuários, seguido pelo You Tube -- que apresenta também funções sociais -- e pelo Facebook.

Em 6 de junho deste ano, o site CNBC publicou o artigo "As pessoas estão gastando muito menos tempo com aplicativos de mídias sociais: Relatório" ("People are spending much less time on social media apps: Report"). O relatório refere-se também ao estudo feito com usuários de Android, comparando o tempo gasto por eles com Facebook, Instagram, Twitter e Snapchat de de janeiro a março de 2016 relativamente ao mesmo período de 2015. São do relatório os seguintes gráficos (Q1 = primeiro trimestre), que mostram o tempo médio (em minutos, eixo das ordenadas) gasto com os aplicativos Instagram, Twitter, Snapchat e Facebook:






Me parece que, apesar da queda em sua utilização, as redes sociais continuarão ainda por longo tempo exercendo muita atração sobre muita gente e permanecerão sendo uma enorme fonte de receitas para os aplicativos que as dominam. Como esse setor da Tecnologia da Informação é extremamente dinâmico, de uma hora para outra podem surgir novidades e/ou aperfeiçoamentos que podem fazer essas redes ganharem novo impulso.]

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Também na política estamos colhendo o que semeamos, e a safra é a pior possível

O processo de impeachment de Dilma Rousseff, que dura já 9 meses e cujo parto está insuportável de se aturar, tem servido para expor a todos, ao vivo e em cores, a baixíssima e péssima qualidade de nossos políticos e de nosso Congresso.

Desde o julgamento na Câmara ao julgamento final no Senado, iniciado formalmente ontem, o que temos visto é um desfilar infindável e repugnante de mediocridades, baixarias, palhaçadas, absoluta falta de educação e de noção de comportamento civilizado, e total alheamento aos interesses do país. Atacam-se e defendem-se, com unhas e dentes, pessoas físicas e o interesse do país é jogado para escanteio porque o que prevalece são sempre os interesses pessoais e partidários.

A reta  final do processo de impeachment, iniciada ontem no Senado Federal, mostrou ao país cenas inacreditáveis de pugilato verbal -- no limiar da agressão física -- em que os parlamentares se comportaram como se estivessem numa zorra total, em que o desempenho se media pelo número de xingamentos e apelidos de baixo coturno trocados entre eles. A chamada Câmara Alta do Congresso Nacional mostrou-se rasteira, mesquinha e medíocre como há muito não se via em quantidade e qualidade. Senadores e senadoras nunca primaram pela ética e bons modos, mas ontem extrapolaram. E hoje a baixaria prosseguiu, no mesmo padrão de imundície.

Não bastassem as lambanças, os malfeitos e as irresponsabilidades de Dilma, ainda  temos que engolir essa lavagem com o péssimo tempero do comportamento indecente dos senadores e senadoras.

Vejamos alguns exemplos do que ressoou ontem no Senado, que parecia mais uma disputa de desafetos juvenis de porre e de bocas imundas do que um debate de juízes que decidirão o destino de uma presidente da República, com todas as consequências inevitáveis e de praxe qualquer que seja o desfecho do julgamento.

Bate-boca e empurrões entre os senadores Renan Calheiros, Gleisi Hoffmann e Lindberg Farias - André Coelho / Agência O Globo
Baixaria I - 25/8/2016

“Aqui não há ninguém com condições de acusar ninguém, nem de julgar. Por isso, dizemos que é uma farsa. Qual é a moral deste Senado para julgar a presidente da República?” Digo eu: pelo menos a senadora se incluiu na totalidade dos sem moral, mesmo porque seria impossível provar que ela tem alguma moral para criticar quem quer que seja em termos de ética.
Gleisi Hoffmann (PT-PR)


“Não sou assaltante de aposentado".
De Ronaldo Caiado (DEM-GO) para Gleisi


“Você é. E você é de trabalhador escravo".
De Gleisi para Caiado


“Canalha. Sua ligação é com o Carlinhos Cachoeira. Demóstenes é que sabe da sua vida".
De Lindbergh para Caiado


“Tem que fazer antidoping. Fica aqui cheirando não".
De Caiado para Lindbergh


“Eu nem sou do PSDB, nem sou do PMDB, mas aqui é o sujo falando do mal lavado, é a lata e o lixo".
Magno Malta (PR-ES)


Baixaria II (26/8/2016)

Lindbergh Farias chama Ronaldo Caiado de "desqualificado".

Ronaldo Caiado, em resposta, disse que Lindbergh é "pior que Beira-Mar" e tem uma "cracolândia" em seu gabinete.

Renan Calheiros disse que a Casa é um "hospício".

Lindbergh Farias disse que o peemedebista está "descompensado" e perdeu a chance de "ficar calado".

Renan Calheiros disse que a  sessão de ontem foi uma demonstração de que "a burrice é infinita". 

O ambiente ficou tão conturbado, que o ministro Ricardo Lewandowski foi obrigado a suspender a sessão. Ninguém disse nada, mas desconfio seriamente que, além da baderna, o cheiro de cloaca devia estar insuportável.

Para demonstrar que o Senado e o processo de impeachment viraram um circo -- de péssimo desempenho --, acusação e defesa têm o direito de levar ao plenário até 20 convidados cada uma. Deve ser algum teste de comportamento grupal quanto a sadismo e masoquismo.

O interessante e curioso é que entre os "convidados" (me engana que eu gosto) de Dilma está (ou estava) Lula. Acontece que hoje ele foi formalmente indiciado pela Polícia Federal em processo da Operação Lava-Jato. Talvez com isso ele ajude a homogeneizar o ambiente, repleto de senadores pendurados em processos  no Supremo Tribunal Federal. 

Definitivamente, está inequívoca e cristalinamente comprovado que nós brasileiros somos incompetentes e irresponsáveis na escolha de nossos representantes no Congresso Nacional.

Recomenda-se desinfetar a TV diariamente, até que termine essa novela do impeachment.


sábado, 7 de maio de 2016

Perfil conciso de uma (govern)anta




Desonesta
Iracunda
Leniente
Mentirosa
Arrogante

Reincidente
Obtusa
Ultrapassada
Saberete
Sáfara (*)
Enganadora
Faltosa
Falaciosa


(*) Sáfaro - áspero no trato, indelicado, rude (Dicionário Houaiss, 1ª ed., 2001, pág. 2495)

quarta-feira, 4 de maio de 2016

A taxa de suicídios nos EUA aumentou rápida e bruscamente no século 21, principalmente entre as mulheres brancas de meia-idade

[Traduzo a seguir uma reportagem de Dan Keating e Lenny Bernstein publicada no jornal americano The Washington Post. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]

A taxa de suicídios nos EUA aumentou rápida e bruscamente desde a virada do século, liderada por um aumento ainda maior entre pessoas brancas de meia-idade, particularmente mulheres, de acordo com dados federais liberados há uma semana.

A recessão severa da década passada, mais vício em drogas, "divórcio grisalho" [aumento de divórcio entre casais de mais idade, de cabelos grisalhos], aumento no isolamento social, e até mesmo o crescimento da Internet e da mídia social podem ter contribuído para o  aumento de suicídios, de acordo com várias pessoas que estudam o assunto.

Mas, angústia provocada por razões econômicas -- e esperanças frustradas, geralmente -- podem corroborar ou dar sustentação a parte desse aumento, particularmente para pessoas brancas de meia-idade. Os dados mostraram o aumento anual de 1% em suicídios entre 1999 e 2006, mas um pico anual de 2% depois disso, com a deterioração da economia, o aumento disparado do desemprego e milhões de pessoas perdendo suas casas.

"As pessoas estavam crescendo com uma certa expectativa ... e a Grande Recessão e outras coisas realmente mudaram isso", disse Julie A. Phillips, uma professora de sociologia na Universidade Rutgers que estuda a demografia do suicídio. "As coisas não estão se desenvolvendo do modo que as pessoas esperavam. Tenho por certo que isso teve um efeito".

Aumentos nos índices de suicídio


Taxas de mortes por 100.000 pessoas aumentaram para os principais tipos de suicídio  --All Americans: Todos os americanos; - White me: Homens brancos; - White women: mulheres brancas; - Firearms: armas de fogo; - Suffocation: asfixia; - Poisoning: envenenamento -- Fontes: Centros para Controles de Doenças, Centro Nacional para Estatísticas de Saúde  -- (Gráfico: The Washington Post)

O estudo do Centro Nacional para Estatísticas de Saúde mostra um salto alarmante em asfixia -- na maior parte por enforcamento -- como um método de suicídio. O uso deste método aumentou 89%, após o ajuste do crescimento da população, e 157% para as mulheres brancas. Especialistas se esforçam para identificar uma razão para isso; o uso de armas de fogo e de pílulas caiu como parcela do crescente número de suicídios.

O suicídio continua sendo uma das 10 principais causas de morte para os americanos. Seu aumento ocorre em meio a um declínio de longo prazo de índices de morte pela maioria de outras causas letais, como câncer e doenças cardíacas, o resultado de bilhões de dólares gastos em pesquisa e desenvolvimento de outros tratamentos.

A taxa de homicídios nos EUA também está em baixa [o oposto do que ocorre no Brasil]: há mais de dois suicídios para cada homicídio. Entre os brancos, há mais de sete suicídios para cada assassinato.

Junto com o abuso de opiáceos [derivados do ópio] e o álcool, o suicídio atraiu recentemente a atenção como uma das principais causas de um surpreendente aumento em mortandade  de homens e mulheres brancos desde a virada do século passado, especialmente para pessoas entre 45 e 54 anos. Um estudo em novembro passado pelos economistas da Universidade de Princeton, Anne Case e Angus Deaton, e outros estudos semelhantes, despertou novas preocupações com pessoas brancas de meia-idade, especialmente pessoas com menor nível de educação e pessoas vivendo em áreas rurais, que parecem ser afetadas de modo mais grave. O relatório da semana passada não contribuirá em nada para aliviar isso.

No geral, os dados recentes mostram que a taxa de suicídios ajustada à idade deu um salto de 24% entre 1999 e 2014, de 10,5 por 100.000 pessoas para 13 por 100.000 pessoas. Ataxa aumentou para ambos os sexos e para todos os grupos etários de 10 a 74 anos. Dados distintos mostram que o ritmo continuou nos dois primeiros trimestres de 2015.

Mais homens do que mulheres completam o suicídio, porque tendem a usar métodos mais letais como armas de fogo e saltar de edifícios ou pontes. Mas, mulheres tentam suicídio em um número muito maior.


Suicídio em ascensão para americanos nativos brancos e americanos nativos em geral -- Native American - americano nativo; - White - brancos; - Asian - asiáticos; - Black - negros; Hispanic - hispânicos  -- Fontes: Centros para Controle de Doenças, Centro Nacionalpara Estatísticas de Saúde - (Gráfico: The Washington Post)

Estatísticas sobre suicídio e raça liberados separadamente pela agência na semana passada mostraram que índios americanos e pessoas nativas do Alasca sofreram o maior aumento na taxa de suicídios, embora suas populações sejam muito menores que as de outros grupos étnicos nos EUA. Os brancos ficaram em segundo lugar. Entre as mulheres na faixa etária de 45 a 64 anos, por exemplo, o índice de suicídios aumentou 80%, passando de por 100.000 em 1999 para 12,6 por 100.000 em 2014.

As taxas de suicídio decaíram de meados dos anos 1980 até cerca de 2000, mas as taxas voltaram aos níveis dos anos 1980 com o envelhecimento da geração da explosão populacional, disse Cathy Barber da Escola de Saúde Pública de Harvard.

Alex Crosby, chefe da área de fiscalização da divisão de prevenção da violência dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças, disse que o suicídio pode ser influenciado por muitos fatores -- alguns pessoais, alguns sociais -- tornando difícil tirar conclusões amplas  sobre os dados. "Sabemos algo sobre os fatores de risco aumentando e os fatores de proteção diminuindo", disse ele.

O suicídio pode ser um ato impulsivo para alguns, mas outros se envolvem em semanas ou meses de planejamento, disse ele. Ser uma vítima de violência ou de abuso infantil aumenta o risco de suicídio, assim como ter pais que abusam de drogas ou que estiveram presos. Doença mental ou abuso de drogas estão associados também com taxas de suicídio mais elevadas.

Isolamento social, intimidação/agressão (bullying) -- do tipo tradicional ou via internet -- e o crescimento da Internet podem ter também alguma influência, dizem Crosby e outros especialistas.

Sally C. Curtin, uma especialista em estatística do Centro Nacional para Estatísticas da Saúde e principal autora do estudo liberado na semana passada, disse que "a Internet pode ser uma faca de dois gumes. Matérias sobre prevenção podem ser largamente disseminadas, mas você pode também simplesmente pesquisar "suicídio" no Google. É simplesmente muito diferente quanta informação temos nas pontas de nossos dedos".

Não apenas é fácil encontrar conselho online sobre como cometer suicídio, como também materiais tais os sacos plásticos conhecidos como "sacos de saída" ou "sacos suicidas", usados para asfixia. Buscas no Yahoo  e no Google por palavras ligadas a suicídio apresentaram anúncios pagos por livros de orientação e outras parafernálias. Ambos, Yahoo e Google, disseram que têm políticas contra tais anúncios e os bloqueiam sempre que os encontram.

A prevenção ainda é um desafio. Travas de segurança em armas de fogo, redes e barreiras em pontes, e medicamentos garantidos com segurança têm sido apresentados para prevenir atos impetuosos, mas os especialistas disseram que são necessários esforços de bases mais amplas. "Sabemos que se trata de uma condição mental. Sabemos que pode ser prevenida", disse Jill Harkavy-Friedman, vice-presidente de pesquisa na Fundação Americana de Prevenção de Suicídio. A pesquisa e o financiamento ainda não se nivelaram com isso. Quando o estigma desaparecer, isso mudará. Mas temos que botar dinheiro por trás disso".

[O estudo descrito acima confirma integralmente o livro sobre as mortes devidas a álcool, drogas e suicídios entre os americanos de 45 a 54 anos, analisado em postagem anterior.]


sábado, 30 de abril de 2016

Álcool, drogas, suicídios -- os americanos brancos de 45 a 54 anos estão sendo dizimados

[Traduzo a seguir a análise do livro "Rising morbidity and mortality in midlife among white non-Hispanic Americans in the 21st century" ("Morbidez e mortalidade crescentes na meia-idade entre americanos brancos não-hispânicos no século 21") - Angus Deaton (Prêmio Nobel de Economia 2015) et al, Proceedings of the National Academy of Sciences (USA), Novembro 2015, feita por Jean-Pierre Robin no jornal francês Le Figaro de 16/11/2015. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.] 

Angus Deaton, Prêmio Nobel de Economia 2015 - (Foto: Jewel Samad/AFP)

A epidemia de Aids, que custou a vida de 650.000 americanos depois dos anos 1980, está hoje sob controle. Mas, uma outra hecatombe, ligada desta vez ao álcool, às drogas e aos suicídios, está grassando nos EUA com uma amplitude comparável. É nestes termos que Angus Deaton apresenta suas descobertas publicadas em novembro de 2015 pela Academia Nacional de Ciências dos EUA. 

Não se pode acusar o Prêmio Nobel de Economia de 2015 de tirar proveito de sua aura internacional para "se promover"-- a divulgação do estudo, realizado com sua esposa Anne Case, economista em Princeton, estava programada de longa data. Os autores demonstram que após duas décadas de diminuição de 2% ao ano, a mortalidade dos "americanos brancos não-hispânicos de 45 a 54 anos" recomeçou a crescer em 0,5% a cada ano a partir de 1999 e até 2013 ("Morbidez e mortalidade crescentes na meia-idade entre americanos brancos não-hispânicos no século 21").

A formulação de estatísticas étnicas americanas surpreende à primeira vista um francês. Mas, no caso, ela é essencial nas análises do casal Case-Deaton: o aumento de mortalidade que observaram refere-se exclusivamente aos "brancos não-hispânicos" de idade madura. Essa taxa de mortalidade passou de 371,5 (por 100.000) em 1998 para 415,4 em 2013. Ao contrário, a mortalidade dos hispânicos de mesma idade de mesma idade diminuiu (de 333,2 para 269,6). A queda é ainda mais pronunciada para os negros (796,7 em 1998 para 581,9 em 2013).

Essa sobremortalidade recente atinge indiferentemente homens e mulheres. Ela surpreende ainda mais por ser a única entre os países "ricos". Os dois economistas registram que nos seis países analisados (Austrália, Canadá, Alemanha, França, Reino Unido e Suécia) a mortalidade na faixa etária de 45 a 54 anos continuou a diminuir. Na França, ela passou de 420 mortos (por 100.000) em 1999 para 375 em 2013.

[Eis o gráfico correspondente, no estudo Case-Deaton: 

Fig. 1 - Mortalidade por todas as causas, na faixa etária de 45-54 anos, para Americanos Brancos Não-Hispânicos (USW), Americanos Hispânicos (USH), e seis países comparativos: França (FRA), Alemanha (GER), Reino Unido (UK), Canadá (CAN), Austrália (AUS) e Suécia (SWE).]

A "epidemia" que dizima os "americanos brancos" após uma quinzena de anos não tem precedentes no outro lado do Atlântico. No máximo, "havia sido observada uma pausa na redução na redução da mortalidade durante os anos 1960, grandemente explicável pela mudanças históricas no tabagismo", lembram os autores. Eles excluem um possível "efeito de geração": "Os americanos nascidos entre 1945 e 1965 não haviam apresentado taxas de mortalidade particularmente elevadas antes de chegar à meia-idade". O corte  entre os decênios 1978-1998, de um lado, e os quinze anos seguintes é incrível. Se a tendência anterior tivesse se prolongado, "488.500 mortes teriam sido evitadas, das quais 54.000 em 2013", calcularam os autores. A hecatombe atual é da mesma ordem que as 650.000 mortes ligadas à Aids que castigou os americanos entre 1981 e 2015, acrescentam eles. 

Os autores frisam que são os primeiros a expor a sobremortalidade dos "americanos brancos não-hispânicos de 45 a 54 anos", sob o risco de irritar seu público com essa denominação refinada. Mas, todo o valor de sua descoberta vem desse luxo de precisão! Assim, os CDC -- os centros de controle e de prevenção de doenças que estabelecem as estatísticas de mortalidade nos EUA, não identificaram o fenômeno "porque sua explicação exige uma decomposição das cifras segundo a idade e a raça"(sic). Desculpem, mas o Nobel de 2015 usa essa expressão! 

"Saúde mental ruim"

Os três males que castigam hoje o americano branco não-hispânico são perfeitamente identificáveis: álcool, drogas, suicídios. Quanto às suas progressões maléficas, elas são igualmente mensuráveis. O casal Case-Deaton chegou a uma estatística macabra -- drogas: 30,1 mortos por 100.000; suicídios: 25,5; álcool: 21,1. Para cada uma dessas três "causas externas" de morte, a maioria branca dos americanos de idade madura exibe de agora em diante resultados mais desfavoráveis que as "minorias" (sic). Ocorria o inverso há quinze anos. Há que se observar entretanto dois fatores de melhora, os óbitos por câncer de pulmão decresceram assim como as mortes ligadas a meios de transporte. Quanto à obesidade, frequentemente apresentada como o flagelo da classe média: "ela não se constituiu em uma ameaça crescente na história recente", avaliam os autores.

Por outro lado, o aumento da mortalidade afeta especificamente as categorias de menor nível de educação, aumentando em 20% em quinze anos  para os americanos que, no melhor dos casos, tem um diploma do curso secundário. Ao contrário, para os diplomados de curso superior sua taxa de mortalidade continuou a diminuir.

Além disso, os americanos estão completamente conscientes de que sua saúde se deteriora: as pessoas de 45-54 anos são quatro vezes mais numerosas a se queixar, nas pesquisas, "de sua saúde mental ruim", e os que se declaram "incapazes de trabalhar" dobraram após quinze anos.

Apesar da riqueza de seu diagnóstico, os autores avaliam "que a deterioração da morbidez e da mortalidade dos americanos brancos não-hispânicos de meia-idade foi apenas parcialmente elucidada". Como explicar os abusos de drogas? O consumo de heroína avançou em 63% por causa do endurecimento no controle dos analgésicos à base de morfina? Da mesma forma, os dois economistas assinalam a degradação debilitante da renda da classe média a partir de 1990, ou a fragilização das aposentadorias ligada às incertezas dos mercados financeiros. Se se abstêm de concluir, eles não falam menos de "geração perdida" a propósito desses americanos de idade madura.

"Habitualmente, quando surge uma nova tendência nos EUA isso é frequentemente (mas não sempre) um presságio do que ocorrerá 10 ou 15 anos mais tarde nas outras economias desenvolvidas. Toda "Schadenfreude" [alegria com a desgraça alheia] seria inoportuna", adverte Eric Chaney, economista-chefe do grupo Axa. Não nos alegremos com os problemasda sociedade americana!

[PS - Quando é que veremos publicado algo pelo menos parecido sobre nossa sociedade?!]


quinta-feira, 28 de abril de 2016

A história recente do Brasil não é a que Dilma e sua turma querem nos impingir

Nesta altura do campeonato, o Brasil inteiro -- inclusive os 54 milhões de masoquistas que a reelegeram -- sabem de mão cheia que além de inteiramente incompetente e desastrosa, Dilmanta NPS (Nosso Pinóquio de Saia) é uma requintada e contumaz mentirosa. Sua mentiras são históricas e não se resumem apenas ao conjunto de inverdades que compôs o incrível estelionato eleitoral de outubro de 2014.

A principal mentira histórica que nossa (govern)anta insiste em contar, apoiada pelo PT, é que ela e seus companheiros de luta armada pegaram em armas para defender a democracia no país. Esse discurso, decorado por todos os guerrilheiros da época que ainda convivem conosco e que tentaram e ainda tentam fazer de  Dilmanta uma versão muito estropeada de Joana d'Arc tupiniquim, é uma mentira deslavada. Essa turma pegou em armas para combater a ditadura militar não para implantar aqui uma democracia, mas sim para aqui instaurar a ditadura do proletariado. Vídeos a seguir, de companheiros de luta armada de Dilmanta insuspeitos como Eduardo Jorge e Fernando Gabeira desmentem a versão de Dilmanta. Eduardo Jorge foi militante ativo e ferrenho do PT até 2003 quando, decepcionado e desiludido com a atuação do partido, abandonou a sigla, como ele mesmo declara em vídeo.

A figura de Dilmanta como uma democrata de formação é um conto do vigário.

Começarei com o vídeo do discurso memorável e contundente do senador Magno Malta (PR-ES) no Senado em 25 de abril corrente, que jogou por terra definitivamente toda a argumentação nítida e inequivocamente mentirosa e fantasiosa da quadrilha Dilmanta, Lula BL (Boca de Latrina) e PT contra o impeachment. Foi sintomático, embora constrangedor, ver o silêncio dos senadores e senadoras do governo diante das verdades contundentes de Magno Malta.


 

Apresento a seguir os depoimentos  de Fernando Gabeira e Eduardo Jorge, citados por Magno Malta em seu discurso.

Fernando Gabeira é conhecido pela sua atuação no Partido Verde brasileiro (do qual é membro-fundador), defendendo posições polêmicas em questões consideradas como tabus na cultura política brasileira (como a profissionalização da prostituição, o casamento homossexual e a descriminalização da maconha). É conhecido também por ter participado da luta armada contra a ditadura como militante do Movimento Revolucionário Oito de Outubro, que tentava instaurar o socialismo no Brasil. Ele não era um guerrilheiro propriamente dito, mas trabalhava como repórter do Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro.

Em 1970, Gabeira foi preso na cidade de São Paulo. Resistiu à prisão e tentou fugir em direção a um matagal que existia por perto. Vários tiros foram disparados e um deles atingiu suas costas, perfurando rim, estômago e fígado. Encarcerado, recebeu a liberdade em junho do mesmo ano tendo sido trocado com outros 39 presos pelo embaixador alemão Ehrenfried von Holleben, que também havia sido sequestrado. O grupo foi banido do país e exilado para a Argélia. Ao longo de quase uma década, esteve em vários países dentre os quais o Chile, a Suécia e a Itália. Na Suécia, onde passou a maior parte da vida, formou-se em Antropologia na Universidade de Estocolmo e exerceu a profissão de repórter e até a função de condutor de metrô em Estocolmo. Voltou ao Brasil em 1979 onde passou, então, a atuar como jornalista e escritor, defendendo o fim do regime militar.


Apresento um vídeo compacto, em que Gabeira desmente aqueles que afirmam que a luta armada no Brasil destinava-se a implantar um regime democrático no país -- o objetivo real era a instalar por aqui a ditadura do proletariado. Gabeira desmente também Lula BL, quando este afirma que Cuba é uma democracia socialista.




Eduardo Jorge Martins Alves Sobrinho estudou Medicina na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, entre 1968 e 1973. Especializou-se em Medicina Preventiva, na Universidade de São Paulo (USP), entre 1974 e 1975, e em Saúde Pública, também na USP, em 1976. Militou no movimento estudantil e no PCBR, em João Pessoa, a partir de 1968. Preso e processado por duas vezes - em João Pessoa, entre 1969 e 1970, e em São Paulo, entre 1973 e 1974), com base na Lei de Segurança Nacional. Atuou em movimentos populares na periferia de São Paulo, a partir de 1974, e organizou os primeiros conselhos populares de saúde, em 1978. Trabalhou como médico sanitarista da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.

Foi deputado estadual e federal pelo Partido dos Trabalhadores em várias legislaturas, de 1983 a 2003. Em 1991 propôs a remoção das marcas comerciais de medicamentos, um pontapé inicial para os futuros medicamentos genéricos. Porém, divergências com o partido que ajudou a fundar levaram-no a filiar-se ao Partido Verde, em 2004. É co-autor da legislação constitucional sobre Seguridade Social (Saúde, Previdência e Assistência Social) e autor ou co-autor de leis brasileiras que regulamentam os medicamentos genéricos, o planejamento familiar e a esterilização voluntária; das leis de vinculação de recursos orçamentários para o SUS e de restrição ao uso do amianto, bem como da lei orgânica da assistência social.

Foi candidato a presidente da República na eleição presidencial em 2014. Acabou virando meme durante sua campanha presidencial, por dizer várias frases engraçadas nos debates, como "Eu não tenho nada a ver com isso". Ficou em 6º lugar, com 0,61% dos votos (630.099).

Apresento três vídeos com Eduardo Jorge, dois deles de mesmo teor, só que o primeiro é compacto, e um terceiro vídeo em que ele explica porque saiu do PT.











Todos os vídeos acima põem nossa história recente e atual em seus devidos termos, e comprovam irrefutavelmente que Dilma é uma farsante de longa data, que se apresenta ao país como uma democrata e uma mártir da democracia, quando a verdade é bem outra -- ela pegou em armas e ajudou seu grupo militar a assaltar, sequestrar e matar para tentar implantar aqui um regime comunista.

Os vídeos comprovam também que todos aqueles que a defendem e lhe dão suporte na alta cúpula do PT, liderados por Lula BL, são igualmente mentirosos conscientes e cúmplices da mesma farsa por ação e omissão.

Esses mesmos vídeos confirmam igualmente o embuste que foi a chamada Comissão Nacional da Verdade, que abordou o período da luta militar contra a ditadura com a visão maniqueísta e escandalosamente deturpada e parcial de que do lado da ditadura só havia demônios e bandidos, e do lado dos guerrilheiros só havia mocinhos e anjinhos. Abordei isso em detalhe em postagem anterior (Comissão Nacional da Verdade Parcial).

quarta-feira, 20 de abril de 2016

A ciência do prazer: porque gostamos do que gostamos

[Traduzo a seguir artigo do site BBC Mundo sobre o mecanismo do prazer.]

O artista simbolista austríaco Gustav Klimt era todo um mestre pintando o prazer, como demonstra o quadro Danae, de 1907 - (Foto: Creative Commons) - Ver  postagem anterior


3,4-dihidroxifenilalanina. É isto que está por trás do prazer. Uma substância química produzida pelas células nervosas do cérebro para enviar sinais às demais células. No entanto, não é tão simples ... nem tão complicado.

Nosso circuito do prazer pode ser acionado por algumas coisas óbvias e outras não tão óbvias. "Há algumas coisas de que gostamos porque estamos programados para gostar delas, como consumir alimentos, beber água e ter relações sexuais", explica à BBC David Linden, professor de Neurociência na Universidade John Hopkins, de Baltimore (EUA), e autor de um livro chamado  "O compasso do prazer". 

"Há outras coisas de que aprendemos a desfrutar. Por exemplo, enquanto estamos programados para que o que é doce nos agrade, as preferências pessoais estão determinadas mais que tudo pela experiência individual, a aprendizagem, a família, a cultura --todas as coisas que nos fazem indivíduos", diz Linden. 

Chocolate? Claro que sim! Mas lhe faltam alguns anos para ver se aguenta o  amargor de uma cerveja - (Foto: Pixabay)

"As pessoas gostam das coisas com que cresceram", acrescenta o especialista. "Por exemplo, vivo em Baltimore e aqui há gente que gosta de pimentas e outras não. Se vivesse no México, é muito provável que quase todas as pessoas que conhecesse gostariam de pimentas".

Acontece a mesma coisa com os animais? Os animais de estimação aprendem a desfrutar das coisas que comem seus donos, apesar de seus instintos? "Os gatos mexicanos desenvolvem o gosto por pimentas? Não, nunca. Isso é algo que os humanos podem fazer, mas os animais não, e não sabemos porquê". 

Nada de amargores

Seja porque seja, assinala Linden, estamos programados para não gostar do que é amargo. Na natureza, frequentemente as coisas amargas são tóxicas, assim pois você não deve comê-las, ou precisa  prepará-las com cuidado. "É por isso que, não raramente, uma criança -- que ainda não conhece muito de comida -- recusa as coisas amargas. À medida que crescemos, à medida que vamos aprendendo sobre o que devemos e não devemos comer, pode ser que nos agradem algumas coisas amargas", esclarece Linden. 

Ocasionalmente, a genética desempenha um papel em nossos gostos. Linden cita o exemplo do coentro. 

"O coentro é bom, mas nem tanto", dizem por aí - (Foto: Pixabay)

"Há quem o odeie, e há quem o adore. E agora sabemos que todos que o odeiam têm uma mutação em um receptor olfativo particular no nariz, que deteta um produto químico que é liberado quando se mastiga o coentro". 

Entretanto, isso não ocorre muito amiúde. Um estudo de irmãos gêmeos que cresceram em locais diferentes mostra que o grosso das preferências alimentícias é aprendido, e não herdado.

Coisas bonitas, belos sons

Samir Zeki ensina Neuroestética no University College, de Londres. Pesquisa a maneira pela qual a beleza nos dá prazer. "Me especializei no cérebro visual e nas respostas efetivas -- como desejo, amor, beleza --  que desencadeiam estímulos visuais", explica ele. 

Nem todos os prazeres nascem iguais, mas terminam sendo - (Foto: Pixabay)

"Quando se experimenta ou se vivencia uma beleza -- em uma paisagem, em uma peça musical, na matemática, em um rosto, em um corpo -- não importa de que forma, a mesma parte do cérebro emocional é acionada. É o centro do prazer no cérebro, e está associado à satisfação. E é que, se você considera que a beleza é prazer, é gratificante, é que isso faz parte do mesmo estado afetivo, da elevação ou grandeza do prazer, de satisfação, de recompensa". 

Mas, todos os prazeres são iguais? O prazer que nos dão as drogas, o sexo ou a comida, todos atuam da mesma forma no cérebro? 

"Uma das coisas que descobrimos é que, quando se trata de prazer, parece haver um santuário interno de regiões do cérebro que são unitárias", responde Morten Kringelbach, um neurocientista que  trabalha nas Universidades de Aarhus, na Dinamarca, e Oxford, no Reino Unido. "Para mim, isso isso é potencialmente muito interessante e surpreendente", opina ele e exemplifica: "Se se pensa no prazer que nos dá a comida, isso é sentido de maneira muito diferente  do prazer que nos é proporcionado pela música. Entretanto, todas as informações indicam que provavelmente não deveríamos nos guiarmos por nossas experiências: os sinais elétricos em zonas específicas do cérebro são os mesmos". 

Assim, aqueles ou aquelas que dizem que o chocolate é muito melhor que o sexo talvez estejam comendo um chocolate muito bom.  

Um, dois e três!

Como já antecipamos, no fundo de tudo isso existe algo com um nome muito longo:  3,4-dihidroxifenilalanina ou, se preferir, de maneira mais resumida, dopamina. 

Esta é uma  representação da essencial dopamina, que rege o nosso prazer - (Foto: SPL)

"Sabemos que a dopamina é crucial, que se você aumentar sua quantidade o prazer aumenta, e se você a retirar a capacidade de sentir prazer ficará bloqueada. E sabemos que ela atua em locais particulares do cérebro, que se forem destruídos você deixará de sentir prazer. O que ainda é um mistério é por quê a liberação de dopamina nessa parte do cérebro produz prazer", destaca Linden. 

Qualquer que seja a razão, o prazer chega em três fases de acordo com Kringelbach:
● primeiro vem o desejo: antecipação, anseio, ânsias;
● depois há  um período do gosto: desfruta-se da  comida, do vinho, do sexo, do filme, ou da metanfetamina;
● finalmente vem a saciedade: o período da satisfação.

Por que insistem em controlar nosso prazer?

Moça fumando maconha em frente à Corte Suprema do México, enquanto se discutia o tema da legalização da droga em novembro de 2015 -- ela foi aprovada para uso recreativo - (Foto: BBC Mundo)

As autoridades, assinala Linden, querem regular/regulamentar o  que fazemos, assinala Linden.   

"Estou falando de sexo e  drogas. Dizem: 'você não pode ter relações sexuais se não estiver casado' ou 'não pode pagar por elas' ou 'não pode ser homossexual'; e não pode consumir nenhuma droga que acione seu centro do prazer, seja ela nicotina, álcool, maconha, etc', enquanto outras pessoas dizem 'você pode beber bebida alcoólica, nada mais'. Nesse sentido, regular nosso circuito de prazer no cérebro é uma das grandes missões tanto de governos, como de religiões". 

A razão disso? "Creio que lhes preocupam muito nossos prazeres, porque são eles que regem nossa conduta. São muito fortes. Para essas instituições isso representa uma ameaça, pois as coisas que são altamente prazerosas podem alterar a ordem estabelecida". 

O prazer e  a dor

Alguns prazeres são óbvios e muito compartilhados: o chocolate ou Bach, uma cerveja ou um entardecer. Mas outros prazeres parecem estranhos. Um sádico tem prazer infligindo dor, um masoquista, sentindo-a. 

"Não há nada, biologicamente, por que há algumas pessoas que desenvolvem um gosto por certas práticas sexuais e outras não. Mas, sem dúvida existe sim algo a dizer sobre o pazer e a dor", diz Linden. "Ambos são indicadores de que algo é importante, significativo. Nos dizem: preste atenção a isso! Guarde-o em sua memória, porque é algo de que você precisará se lembrar mais adiante!". 

O prazer e a dor não fazem um par apenas na cama, mas também na comida - (Foto: Guiness World Records)

"É isso que o prazer e a  dor têm em comum. Assim, é possível que quando se mesclam, seja em uma prática sexual ou em um prato de comida com pimenta, há quem possa desfrutá-los porque lhe são supersignificativos e isso, por si só, é de alguma maneira gratificante", diz o neurocientista. 

Assim pois, o prazer está escrito na bioquímica do nosso cérebro. O que acontece é que às vezes, como disse o filósofo existencialista dinamarquês Soren Kierkegaard, "a maioria dos homens persegue  o prazer com tal açodamento que, na sua pressa, passa ao largo dele".