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Corcovado (1960)
Tom Jobim -- Intérpretes: Tom Jobim & Elis Regina (Fantástico, 1974)
Um cantinho e um violão
Esse amor, uma canção
Pra fazer feliz a quem se ama
Muita calma pra pensar
E ter tempo pra sonhar
Da janela vê-se o Corcovado
O Redentor que lindo
Quero a vida sempre assim com você perto de mim
Até o apagar da velha chama
E eu que era triste
Descrente deste mundo
Ao encontrar você eu conheci
O que é felicidade, meu amor
O grande amor (1960)
Tom Jobim & Vinicius de Moraes -- Intérpretes: Stan Getz & João Gilberto
Haja o que houver,
há sempre um homem,
para uma mulher.
E há de sempre haver para esquecer,
um falso amor e uma vontade de morrer.
Seja como for há de vencer
o grande amor,
que há de ser no coração,
como perdão pra quem chorou.
Olha pro céu (1960)
Tom Jobim -- Intérprete: Fátima Guedes
Olha que céu
Está cheio de estrelas
Longe é o céu
Olha pro céu
Mil estrelas que vão
Olha pra mim
Que sozinho vou também
Que não pedi pra sofrer
E não pedi pra gostar de você
Olha no céu uma estrela que cai
Riscando o azul
Grande é o céu
Um abismo de luz
Se grande é o céu
Maior é o meu amor
E vejo o céu infinito
Que existe em teus olhos
Olha que céu
Está cheio de estrelas
Longe é o céu
Olha pro céu
Mil estrelas que vão
Olha pra mim
Que sozinho vou também
Que não pedi pra sofrer
E não pedi pra gostar de você
Olha no céu uma estrela que cai
Riscando o azul
Grande é o céu
Um abismo de luz
Se grande é o céu
Maior é o meu amor
E vejo o céu infinito
Que existe em teus olhos
E vejo o céu infinito
Que existe em teus olhos
E vejo o céu infinito
Que existe em teus olhos
Brasília: Sinfonia da Alvorada/III: A Chegada dos Candangos (1960)
Tom Jobim & Vinicius de Moraes -- Intérprete (instrumental): OSB - Orquestra Sinfônica Brasileira/Regente: Roberto Minczuk
O amor em paz (1960)
Tom Jobim & Vinicius de Moraes -- Intérpretes: Zé Renato & Tom Jobim
Eu amei
E amei, ai de mim, muito mais do que devia amar
E chorei
Ao sentir que iria sofrer e me desesperar
Foi então
Que da minha infinita tristeza aconteceu você
Encontrei
Em você a razão de viver e de amar em paz
E não sofrer mais
Nunca mais
Porque o amor é a coisa mais triste quando se desfaz
Porque o amor é a coisa mais triste quando se desfaz
Discussão (1960)
Tom Jobim & Newton Mendonça -- Intérprete: Leila Pinheiro
Se você pretende sustentar opinião
E discutir por discutir
Só pra ganhar a discussão
Eu lhe asseguro pode crer
Que quando fala o coração
Às vezes é melhor perder
Do que ganhar você vai ver
Já percebi a confusão
Você quer ver prevalecer
A opinião sobre a razão
Não pode ser não pode ser
Pra que trocar o sim por não
Se o resultado é solidão
Em vez de amor uma saudade
Vai dizer quem tem razão
Se você pretende sustentar opinião
E discutir por discutir
Só pra ganhar a discussão
Eu lhe asseguro pode crer
Que quando fala o coração
Às vezes é melhor perder
Do que ganhar você vai ver
Já percebi a confusão
Você quer ver prevalecer
A opinião sobre a razão
Não pode ser não pode ser
Pra que trocar o sim por não
Se o resultado é solidão
Em vez de amor uma saudade
Vai dizer quem tem razão
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quarta-feira, 16 de março de 2016
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
A tal da terceira idade
Recentemente, Ruy Castro e Cora Rónai escreveram crônicas sobre a chamada terceira idade, com diferentes abordagens. Ruy Castro voltou ao tema mais ou menos duas semanas depois (denunciando inclusive deturpações de seu texto original que circularam bastante na internet). Os textos, como sói acontecer com esses dois renomados e requintados escritores, são muito bem escritos, mas pesa neles um certo pessimismo e um certo mau humor com essa fase da vida. Acho que ambos estavam num mau dia, com o humor em baixa, o que acontece aos melhores dos mortais às vezes mais do que se espera e deseja.
A tal da terceira idade é uma experiência fascinante, não há a menor dúvida. O "fascinante" evidentemente só se aplica se houver predisposição positiva para enfrentá-la, caso contrário ela certamente será um calvário e um atalho para um fim triste. Voltarei a isto mais adiante.
Como toda experiência, a terceira idade nos traz surpresas positivas e negativas. Entre estas últimas a mais contundente é sem dúvida o enorme descompasso entre a mente e o corpo: este envelhece e se deteriora muito mais rápido que aquela (volto a frisar que isto só se aplica a quem entra mentalmente "inteiro" na terceira idade). Essa enorme defasagem nos impõe desafios extras, às vezes sutis outras vezes evidentes (mais isto que aquilo), que nos obrigam a cuidados adicionais obrigatórios, dentro e fora de casa. A começar pelo lado físico. Dentro de casa, por exemplo, qualquer altura acima da ponta dos pés é um forte convite a um tombo de resultados imprevisíveis, e uma escada tem que ser subida e descida degrau a degrau. Atravessar a rua, só com tempo de folga no sinal verde. Forçar a barra é uma burrice inconsequente e muito arriscada. Afobação não combina com nada, muito menos com a terceira idade.
Esse mesmo distanciamento mente x corpo nos reserva surpresas que nos espantam: por exemplo, a primeira vez que alguém lhe cede o lugar numa condução é um impacto. Você logo pensa: caramba, estou tão velho assim?!
A terceira idade nos provoca reações paradoxais. Nos tornamos mais compreensivos e tolerantes com certas coisas, mas absolutamente irritadiços e intolerantes com outras, em especial com aquelas que traduzem desrespeito, falta de educação, falta de civilidade e ausência de espírito comunitário -- estas grosserias nos levam (ou me levam) à beira da apoplexia. Onde isso acontece? Em qualquer lugar que tenha pelo menos dois brasileiros juntos. Lugares mais comuns: metrô, cinema, shoppings ... Isso ocorre -- ou pelo menos ocorreu -- em certo grau também com Ruy Castro e Cora Rónai, como se observa nos textos acima citados.
Mas, a terceira idade é também muito enriquecedora. A bênção dos netos é uma emoção permanente, renovada e indescritível. Conviver com essas criaturas maravilhosas ultrapassa qualquer expectativa. A saudável "competição" com os pais deles nas funções de educá-los e "deseducá-los" por si só vale o ingresso.
A terceira idade nos apresenta também, de maneira clara e inequívoca, a perfeita noção da finitude da vida. E este é um conceito muito desafiador e potencialmente muito perigoso. Uma mente despreparada e passiva pode levar a uma decisão profundamente desastrosa de, por exemplo, interromper aprendizados, realizações e conquistas sob a ótica absurdamente distorcida de que "não faz sentido acumular mais acervos, se o fim não está lá tão distante". Nada mais estapafúrdio! A vida é tão valiosa, rica e sublime que deixar de desfrutá-la sempre e permanentemente na plenitude da capacidade física e mental de cada é um erro ao mesmo tempo injustificável e imperdoável -- e que sai incrivelmente caro.
A terceira idade nos traz também uma descoberta no mínimo intrigante: o enorme poder de um suspiro, de um lamento ou de um gemido ... O que isso ajuda a vencer uma chatice é impressionante ...
Não vou entrar na seara dos problemas físicos e psicológicos acarretados pela terceira idade, eles foram suficientemente abordados por Ruy Castro e Cora Rónai. Apenas acho que, por serem inevitáveis e inexoráveis vários deles, a melhor filosofia é fazer de cada limão a melhor limonada possível. Simples assim.
O grande problema de que tenho conhecimento por leitura e por ouvir dizer quanto à terceira idade são o desconforto e a extrema dificuldade de adaptação a ela experimentados por quem se aposenta. Vou abordar o problema no caso masculino, com o qual mais convivo e também por minha própria experiência. As mulheres, por sua própria natureza, costumam se sair melhor que nós também nessa fase da vida.
Tenho conhecidos e amigos qua caíram num vácuo e até em depressão após a aposentadoria, simplesmente por perderem a noção do que fazer da vida. Sei de casos até de suicídio por isso. Não há uma panaceia para o problema, cada pessoa é um caso, mas há algumas regras básicas de aplicação universal.
Viver intensamente a vida familiar. O "intensamente" não implica necessariamente fazer tudo junto, mas compartilhar tudo ao máximo (os bons e os maus momentos), dialogar frequentemente, viajar em grupo sempre que possível, reunir-se sempre que possível, estreitar ao máximo os laços internos. A força de uma família unida é insuperável e insubstituível. Uma base familiar unida, companheira e sólida é um gigantesco passo para uma velhice serena e feliz.
Manter a mente sempre em atividade e aberta a novas experiências. Um dos grandes medos de quem ingressa na terceira idade é a chegada do "alemão" (Alzheimer), um hóspede indesejável que não sai mais da casa que o hospeda. Esse é um mal horrível, infelizmente ainda sem cura. Sabe-se que certas células já se predispõem a "agasalhá-lo" já na meia-idade, ou até antes. Mas sabe-se também que manter a mente permanentemente ocupada e desafiada tem um tremendo poder de adiar ou até mesmo de eliminar a vinda do alemão.
Uma primeira e urgente preocupação/iniciativa de quem está para se aposentar, ou recém iniciou sua aposentadoria, é não só manter seus hobbies e distrações/ocupações preferidos, mas procurar permanentemente diversificá-los e expandí-los. Quem não os tem, necessita criá-los impreterivelmente, não importa seu valor absoluto ou relativo. Música, leitura, cinema, teatro, museus, gastronomia (que pode ser boa sem assaltar o bolso), caminhadas, debates são sensacionais para isso. Atividades outras como por exemplo carpintaria, jardinagem, colecionar qualquer coisa, aprender e praticar idiomas, fazer cursos diversos e enriquecedores, explorar ao máximo a internet (sem dela ficar escravo) para expandir horizontes de informação e cultura, escrever, fazer passatempos que desafiam sua mente [palavras cruzadas (em mais de um idioma, se for de sua capacidade), jogos diversos (há por exemplo dois jogos interessantes que distraem e ensinam ao mesmo tempo: o freerice [que tem as opções Humanidades (Pinturas Famosas/Literatura/Fome no Mundo/Frases Famosas); -- Matemática (Tábuas de Multiplicação/ Matemática Básica (pré-Álgebra); -- Aprendizado de Idioma (Alemão/Espanhol/Francês/Italiano/Latim); -- Ciências (Anatomia Humana); -- Inglês (Vocabulário/Gramática); -- Química (Símbolos Químicos -- lista completa)/Símbolos Químicos (básicos); -- Geografia (Marcos Mundiais/Identificação de Países em Mapas/Capitais Mundiais/Bandeiras do Mundo)/Preparação para Exame] e o Letroca (um jogo para, a partir de letras embaralhadas, encontrar as diversas opções de palavras possíveis, com tempo marcado -- pode ser jogado em português, espanhol e inglês)].
Além de alguns dos hobbies acima, acrescentei um que que me ocupa intensamente e me dá uma enorme satisfação, que foi criar e manter este blogue, o BomLero -- escrito unicamente em português, ele está neste exato momento em que escrevo com 384.176 acessos, com seguidores em países tão diversos como Vietnã, Coreia do Sul, EUA, Irlanda, Israel, Alemanha, Espanha, Índia, Eslováquia, Polônia, Rússia, Ucrânia, Portugal, México, Itália e outros (o Google Blogger atualiza e informa isso o tempo todo). Decidi fazê-lo sem enfoque único e específico, mas aberto como um jornal, porque acredito que isso me permite ser mais útil aos meus seguidores ao mesmo tempo em que me apresenta um desafio maior e constante, que é o de buscar notícias diferenciadas e interessantes em fontes diversas que consigo dominar.
Combater o sedentarismo. Cerca de 70% da população mundial sofrem os riscos do sedentarismo, responsável por mais de 50% das mortes por infarto. A falta de exercício pode ser um fator de risco tão grave para o coração quanto a hipertensão, diabetes, tabagismo, colesterol alto ou obesidade - e, se associado a esses, pior ainda. Para se ter uma ideia, de acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde, 70% da população mundial são de sedentários. E a falta de atividade física, somada a uma alimentação não-balanceada, é responsável por 54% do número de mortes por infarto. Já um estilo de vida ativo pode ajudar a reduzir o risco de morte em até 40%.
"A atividade física ajuda a baixar os níveis de colesterol e melhorar o controle do diabetes, além de auxiliar no equilíbrio da pressão arterial e melhorar a capacidade respiratória", explica o cardiologista Marcos Bubna. "São atividades simples, como caminhada, corrida, natação ou andar de bicicleta, que podem salvar muitas vidas", completa.
O ideal, segundo os parâmetros da Sociedade Brasileira de Cardiologia, é praticar uma atividade aeróbica pelo menos quatro dias por semana, com um mínimo de 40 minutos de duração, que podem ser divididos em dois ou três períodos diários. "Antes de iniciar seu programa de atividade física é muito importante um bom check-up do coração, um eletrocardiograma, o teste de esforço e a consulta com um cardiologista. Esse cuidado pode dar muito mais segurança ao exercício e para prevenção cardíaca", reforça Bubna.
Ficar muito tempo sentado é considerado hoje tão maléfico quanto o tabagismo. Um estudo australiano publicado em outubro de 2012 no British Journal of Sports Medicine comparou ficar sentado e o tabagismo. De acordo com o estudo, cada hora de televisão que as pessoas assistem, presumivelmente sentadas corta cerca de 22 minutos de sua vida útil, enquanto estima-se que os fumantes encurtam suas vidas por cerca de 11 minutos por cigarro.
A tal da terceira idade é uma experiência fascinante, não há a menor dúvida. O "fascinante" evidentemente só se aplica se houver predisposição positiva para enfrentá-la, caso contrário ela certamente será um calvário e um atalho para um fim triste. Voltarei a isto mais adiante.
Como toda experiência, a terceira idade nos traz surpresas positivas e negativas. Entre estas últimas a mais contundente é sem dúvida o enorme descompasso entre a mente e o corpo: este envelhece e se deteriora muito mais rápido que aquela (volto a frisar que isto só se aplica a quem entra mentalmente "inteiro" na terceira idade). Essa enorme defasagem nos impõe desafios extras, às vezes sutis outras vezes evidentes (mais isto que aquilo), que nos obrigam a cuidados adicionais obrigatórios, dentro e fora de casa. A começar pelo lado físico. Dentro de casa, por exemplo, qualquer altura acima da ponta dos pés é um forte convite a um tombo de resultados imprevisíveis, e uma escada tem que ser subida e descida degrau a degrau. Atravessar a rua, só com tempo de folga no sinal verde. Forçar a barra é uma burrice inconsequente e muito arriscada. Afobação não combina com nada, muito menos com a terceira idade.
Esse mesmo distanciamento mente x corpo nos reserva surpresas que nos espantam: por exemplo, a primeira vez que alguém lhe cede o lugar numa condução é um impacto. Você logo pensa: caramba, estou tão velho assim?!
A terceira idade nos provoca reações paradoxais. Nos tornamos mais compreensivos e tolerantes com certas coisas, mas absolutamente irritadiços e intolerantes com outras, em especial com aquelas que traduzem desrespeito, falta de educação, falta de civilidade e ausência de espírito comunitário -- estas grosserias nos levam (ou me levam) à beira da apoplexia. Onde isso acontece? Em qualquer lugar que tenha pelo menos dois brasileiros juntos. Lugares mais comuns: metrô, cinema, shoppings ... Isso ocorre -- ou pelo menos ocorreu -- em certo grau também com Ruy Castro e Cora Rónai, como se observa nos textos acima citados.
Mas, a terceira idade é também muito enriquecedora. A bênção dos netos é uma emoção permanente, renovada e indescritível. Conviver com essas criaturas maravilhosas ultrapassa qualquer expectativa. A saudável "competição" com os pais deles nas funções de educá-los e "deseducá-los" por si só vale o ingresso.
A terceira idade nos apresenta também, de maneira clara e inequívoca, a perfeita noção da finitude da vida. E este é um conceito muito desafiador e potencialmente muito perigoso. Uma mente despreparada e passiva pode levar a uma decisão profundamente desastrosa de, por exemplo, interromper aprendizados, realizações e conquistas sob a ótica absurdamente distorcida de que "não faz sentido acumular mais acervos, se o fim não está lá tão distante". Nada mais estapafúrdio! A vida é tão valiosa, rica e sublime que deixar de desfrutá-la sempre e permanentemente na plenitude da capacidade física e mental de cada é um erro ao mesmo tempo injustificável e imperdoável -- e que sai incrivelmente caro.
A terceira idade nos traz também uma descoberta no mínimo intrigante: o enorme poder de um suspiro, de um lamento ou de um gemido ... O que isso ajuda a vencer uma chatice é impressionante ...
Não vou entrar na seara dos problemas físicos e psicológicos acarretados pela terceira idade, eles foram suficientemente abordados por Ruy Castro e Cora Rónai. Apenas acho que, por serem inevitáveis e inexoráveis vários deles, a melhor filosofia é fazer de cada limão a melhor limonada possível. Simples assim.
O grande problema de que tenho conhecimento por leitura e por ouvir dizer quanto à terceira idade são o desconforto e a extrema dificuldade de adaptação a ela experimentados por quem se aposenta. Vou abordar o problema no caso masculino, com o qual mais convivo e também por minha própria experiência. As mulheres, por sua própria natureza, costumam se sair melhor que nós também nessa fase da vida.
Tenho conhecidos e amigos qua caíram num vácuo e até em depressão após a aposentadoria, simplesmente por perderem a noção do que fazer da vida. Sei de casos até de suicídio por isso. Não há uma panaceia para o problema, cada pessoa é um caso, mas há algumas regras básicas de aplicação universal.
Viver intensamente a vida familiar. O "intensamente" não implica necessariamente fazer tudo junto, mas compartilhar tudo ao máximo (os bons e os maus momentos), dialogar frequentemente, viajar em grupo sempre que possível, reunir-se sempre que possível, estreitar ao máximo os laços internos. A força de uma família unida é insuperável e insubstituível. Uma base familiar unida, companheira e sólida é um gigantesco passo para uma velhice serena e feliz.
Manter a mente sempre em atividade e aberta a novas experiências. Um dos grandes medos de quem ingressa na terceira idade é a chegada do "alemão" (Alzheimer), um hóspede indesejável que não sai mais da casa que o hospeda. Esse é um mal horrível, infelizmente ainda sem cura. Sabe-se que certas células já se predispõem a "agasalhá-lo" já na meia-idade, ou até antes. Mas sabe-se também que manter a mente permanentemente ocupada e desafiada tem um tremendo poder de adiar ou até mesmo de eliminar a vinda do alemão.
Uma primeira e urgente preocupação/iniciativa de quem está para se aposentar, ou recém iniciou sua aposentadoria, é não só manter seus hobbies e distrações/ocupações preferidos, mas procurar permanentemente diversificá-los e expandí-los. Quem não os tem, necessita criá-los impreterivelmente, não importa seu valor absoluto ou relativo. Música, leitura, cinema, teatro, museus, gastronomia (que pode ser boa sem assaltar o bolso), caminhadas, debates são sensacionais para isso. Atividades outras como por exemplo carpintaria, jardinagem, colecionar qualquer coisa, aprender e praticar idiomas, fazer cursos diversos e enriquecedores, explorar ao máximo a internet (sem dela ficar escravo) para expandir horizontes de informação e cultura, escrever, fazer passatempos que desafiam sua mente [palavras cruzadas (em mais de um idioma, se for de sua capacidade), jogos diversos (há por exemplo dois jogos interessantes que distraem e ensinam ao mesmo tempo: o freerice [que tem as opções Humanidades (Pinturas Famosas/Literatura/Fome no Mundo/Frases Famosas); -- Matemática (Tábuas de Multiplicação/ Matemática Básica (pré-Álgebra); -- Aprendizado de Idioma (Alemão/Espanhol/Francês/Italiano/Latim); -- Ciências (Anatomia Humana); -- Inglês (Vocabulário/Gramática); -- Química (Símbolos Químicos -- lista completa)/Símbolos Químicos (básicos); -- Geografia (Marcos Mundiais/Identificação de Países em Mapas/Capitais Mundiais/Bandeiras do Mundo)/Preparação para Exame] e o Letroca (um jogo para, a partir de letras embaralhadas, encontrar as diversas opções de palavras possíveis, com tempo marcado -- pode ser jogado em português, espanhol e inglês)].
Além de alguns dos hobbies acima, acrescentei um que que me ocupa intensamente e me dá uma enorme satisfação, que foi criar e manter este blogue, o BomLero -- escrito unicamente em português, ele está neste exato momento em que escrevo com 384.176 acessos, com seguidores em países tão diversos como Vietnã, Coreia do Sul, EUA, Irlanda, Israel, Alemanha, Espanha, Índia, Eslováquia, Polônia, Rússia, Ucrânia, Portugal, México, Itália e outros (o Google Blogger atualiza e informa isso o tempo todo). Decidi fazê-lo sem enfoque único e específico, mas aberto como um jornal, porque acredito que isso me permite ser mais útil aos meus seguidores ao mesmo tempo em que me apresenta um desafio maior e constante, que é o de buscar notícias diferenciadas e interessantes em fontes diversas que consigo dominar.
Combater o sedentarismo. Cerca de 70% da população mundial sofrem os riscos do sedentarismo, responsável por mais de 50% das mortes por infarto. A falta de exercício pode ser um fator de risco tão grave para o coração quanto a hipertensão, diabetes, tabagismo, colesterol alto ou obesidade - e, se associado a esses, pior ainda. Para se ter uma ideia, de acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde, 70% da população mundial são de sedentários. E a falta de atividade física, somada a uma alimentação não-balanceada, é responsável por 54% do número de mortes por infarto. Já um estilo de vida ativo pode ajudar a reduzir o risco de morte em até 40%.
"A atividade física ajuda a baixar os níveis de colesterol e melhorar o controle do diabetes, além de auxiliar no equilíbrio da pressão arterial e melhorar a capacidade respiratória", explica o cardiologista Marcos Bubna. "São atividades simples, como caminhada, corrida, natação ou andar de bicicleta, que podem salvar muitas vidas", completa.
O ideal, segundo os parâmetros da Sociedade Brasileira de Cardiologia, é praticar uma atividade aeróbica pelo menos quatro dias por semana, com um mínimo de 40 minutos de duração, que podem ser divididos em dois ou três períodos diários. "Antes de iniciar seu programa de atividade física é muito importante um bom check-up do coração, um eletrocardiograma, o teste de esforço e a consulta com um cardiologista. Esse cuidado pode dar muito mais segurança ao exercício e para prevenção cardíaca", reforça Bubna.
Ficar muito tempo sentado é considerado hoje tão maléfico quanto o tabagismo. Um estudo australiano publicado em outubro de 2012 no British Journal of Sports Medicine comparou ficar sentado e o tabagismo. De acordo com o estudo, cada hora de televisão que as pessoas assistem, presumivelmente sentadas corta cerca de 22 minutos de sua vida útil, enquanto estima-se que os fumantes encurtam suas vidas por cerca de 11 minutos por cigarro.
Veja algumas dicas simples para deixar o sedentarismo de lado, respeitando sempre as eventuais limitações de cada pessoa :
- Adotar quatro dias na semana para fazer uma caminhada -- além dos benefícios para o coração, a prática ajuda no bem-estar;
- Levantar-se para falar com alguém que esteja próximo, ao invés de chamá-lo pelo telefone;
- Aproveitar toda e qualquer oportunidade para se locomover andando;
- Para subir ou descer um andar, prefira a escada a menos de algum impedimento de força maior.
Caminhar é o mais simples e acessível dos remédios, e seguramente um dos mais prazerosos. Lhe permite várias opções mentais junto com o exercício físico: não pensar em nada e só curtir o entorno (a melhor alternativa), ou pensar em planos e coisas leves. Levar problemas para a caminhada é besteira, sai o tiro pela culatra. Se você tiver um desses relógios que registram o batimento cardíaco verá que isso não falha: se você caminhar pensando em problemas que o atormentam, o coração inevitavelmente se acelera.
- Para subir ou descer um andar, prefira a escada a menos de algum impedimento de força maior.
Caminhar é o mais simples e acessível dos remédios, e seguramente um dos mais prazerosos. Lhe permite várias opções mentais junto com o exercício físico: não pensar em nada e só curtir o entorno (a melhor alternativa), ou pensar em planos e coisas leves. Levar problemas para a caminhada é besteira, sai o tiro pela culatra. Se você tiver um desses relógios que registram o batimento cardíaco verá que isso não falha: se você caminhar pensando em problemas que o atormentam, o coração inevitavelmente se acelera.
Não veja a terceira idade como um castigo. Enfim, a terceira idade tem aspectos e prazeres que igualam ou facilmente superam as mazelas físicas e outros problemas que quase sempre ou inevitavelmente traz, é só saber encontrá-los e desfrutá-los. Otimismo e alto astral são indispensáveis para um suave navegar nesse oceano especial da vida, e em qualquer outro, claro. E isso está longe de ser demagogia ou algo para inglês ver. Basta, por exemplo, ouvir a música e meditar a letra de "Tocando em Frente", de Almir Sater e Renato Teixeira, que tem versos simplesmente geniais e definitivos como "Cada um de nós compõe a sua história/Cada ser em si carrega o dom de ser capaz, de ser feliz".
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sábado, 19 de dezembro de 2015
20 anos sem Tom Jobim (VII)
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Sem você (1959)
Tom Jobim & Vinicius de Moraes -- Intérprete: Chico Buarque
Sem você (1959)
Tom Jobim & Vinicius de Moraes -- Intérprete: Chico Buarque
| Sem você Sem amor É tudo sofrimento Pois você É o amor Que eu sempre procurei em vão Você é o que resiste Ao desespero e à solidão Nada existe E o tempo é triste Sem vocêMeu amor, meu amor Nunca te ausentes de mim Para que eu viva em paz Para que eu não sofra mais Tanta mágoa assim No mundo Sem você Só em teus braços (1959) Tom Jobim -- Intérprete: Rosa Passos |
| Sim, promessas fiz Fiz projetos pensei tanta coisa E agora o coração me diz Que só em teus braços amor eu ia ser feliz Eu tenho este amor para dar O que é que eu vou fazer Eu tentei esquecer E prometi Apagar da minha vida este sonho E vem o coração e diz Que só em teus braços amor eu ia ser feliz Que só em teus braços amor eu posso ser feliz Soneto da Separação (1959) Tom Jobim & Vinicius de Moraes -- Intérpretes: Mônica Salmaso & Jazz Sinfônica
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto De repente da calma fez-se o vento Que dos olhos desfez a última chama E da paixão fez-se o pressentimento E do momento imóvel fez-se o drama De repente, não mais que de repente Fez-se de triste o que se fez amante E de sozinho o que se fez contente Fez-se do amigo próximo, distante Fez-se da vida uma aventura errante De repente, não mais que de repente
Demais (1959)
Tom Jobim & Aloysio de Oliveira -- Intérprete: João Nogueira
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segunda-feira, 19 de outubro de 2015
20 anos sem Tom Jobim (VI)
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Frevo de Orfeu (1959)
Tom Jobim & Vinicius de Moraes -- Intérprete: Elis Regina
Vem
Vamos dançar ao sol
Vem
Que a banda vai passar
Vem
Ouvir o toque dos clarins
Anunciando o carnaval
E vão brilhando os seus metais
Por entre cores mil
Verde mar, céu de anil
Nunca se viu tanta beleza
Ai, meu Deus
Que lindo o meu Brasil
Garoto (1959)
Tom Jobim (música instrumental) -- Intérprete: Raphael Rabello
Meditação (1959)
Tom Jobim & Newton Mendonça -- Intérpretes: João Gilberto & Caetano Veloso
Frevo de Orfeu (1959)
Tom Jobim & Vinicius de Moraes -- Intérprete: Elis Regina
Vem
Vamos dançar ao sol
Vem
Que a banda vai passar
Vem
Ouvir o toque dos clarins
Anunciando o carnaval
E vão brilhando os seus metais
Por entre cores mil
Verde mar, céu de anil
Nunca se viu tanta beleza
Ai, meu Deus
Que lindo o meu Brasil
Garoto (1959)
Tom Jobim (música instrumental) -- Intérprete: Raphael Rabello
Meditação (1959)
Tom Jobim & Newton Mendonça -- Intérpretes: João Gilberto & Caetano Veloso
| Quem acreditou No amor, no sorriso, na flor Então sonhou, sonhou... E perdeu a paz O amor, o sorriso e a flor Se transformam depressa demais Quem, no coração Abrigou a tristeza de ver Tudo isto se perder E, na solidão Procurou um caminho e seguiu Já descrente de um dia feliz Quem chorou, chorou E tanto que seu pranto já secou Quem depois voltou Ao amor, ao sorriso e à flor Então tudo encontrou Pois, a própria dor Revelou o caminho do amor E a tristeza acabou O nosso amor (1959) Tom Jobim & Vinicius de Moraes -- Intérpretes: Celso Moreira (guitarrista mineiro) com Milton Ramos no contrabaixo elétrico e "Neném" Esdra Ferreira na bateria (só instrumental) Samba de uma nota só (1959) Tom Jobim & Newton Mendonça -- Intérpretes: Tom Jobim & coro (festival de Jazz em Montreal, 1986)
Eis aqui este sambinha
Feito numa nota só Outras notas vão entrar Mas a base é uma só Esta outra é consequência Do que acabo de dizer Como eu sou a consequência Inevitável de você Quanta gente existe por aí Que fala tanto e não diz nada Ou quase nada Já me utilizei de toda a escala E no final não sobrou nada Não deu em nada E voltei pra minha nota Como eu volto pra você Vou cantar em uma nota Como eu gosto de você E quem quer todas as notas Ré, mi, fá, sol, lá, si, dó Fica sempre sem nenhuma Fique numa nota só |
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quinta-feira, 24 de setembro de 2015
20 anos sem Tom Jobim (V)
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Canta,canta mais (1959)
Tom Jobim & Vinicius de Moraes -- Intérpretes: OSESP (Orq. Sinfônica do Estado de S. Paulo) e coro [Ana Lontra Jobim (2ª mulher de Tom)/Beth Jobim (filha de Tom)/Maúcha Adnet/Simone Caymmi (mulher de Danilo Caymmi)]
Canta, canta
Sente a beleza
Canta, canta
Esquece a tristeza
Tanta, tanta
Tanta tristeza
Canta
Canta
Quem canta o mal espanta
Vai sempre cantando mais, mais
Canta pra não chorar
Canta, canta
Canta, vai, vai
Segue cantando em paz
Canta, canta
Canta mais
Canta, canta
Sente a beleza
Canta, canta
Esquece a tristeza
Tanta, tanta
Tanta tristeza
Canta
Canta, canta
Canta, vai, vai
Segue cantando em paz
Canta, canta
Canta mais
Esquecendo você (1959)
Tom Jobim -- Intérprete: Gal Costa (ao vivo)
Eu vou ter que passar minha vida
Cantando uma só canção
Eu vou ter que aprender a viver
Sozinho na solidão
Eu vou ter que lembrar tantas vezes
O riso dos olhos seus
Eu vou ter que passar minha vida
Tentando esquecer este adeus
Eu vou ter que esquecer seu sorriso
E o pranto dos olhos meus
Eu vou ter que esquecer seu olhar
Na hora do adeus
Eu vou ter que esquecer minha vida
Só você não percebe por que
Eu vou ter que passar minha vida
Esquecendo você
Meditação (1959)
Tom Jobim & Newton Mendonça -- Intérpretes: João Gilberto e Caetano Veloso (ao vivo, em Buenos Aires)
Canta,canta mais (1959)
Tom Jobim & Vinicius de Moraes -- Intérpretes: OSESP (Orq. Sinfônica do Estado de S. Paulo) e coro [Ana Lontra Jobim (2ª mulher de Tom)/Beth Jobim (filha de Tom)/Maúcha Adnet/Simone Caymmi (mulher de Danilo Caymmi)]
Sente a beleza
Canta, canta
Esquece a tristeza
Tanta, tanta
Tanta tristeza
Canta
Canta
Quem canta o mal espanta
Vai sempre cantando mais, mais
Canta pra não chorar
Canta, canta
Canta, vai, vai
Segue cantando em paz
Canta, canta
Canta mais
Canta, canta
Sente a beleza
Canta, canta
Esquece a tristeza
Tanta, tanta
Tanta tristeza
Canta
Canta, canta
Canta, vai, vai
Segue cantando em paz
Canta, canta
Canta mais
Esquecendo você (1959)
Tom Jobim -- Intérprete: Gal Costa (ao vivo)
Cantando uma só canção
Eu vou ter que aprender a viver
Sozinho na solidão
Eu vou ter que lembrar tantas vezes
O riso dos olhos seus
Eu vou ter que passar minha vida
Tentando esquecer este adeus
Eu vou ter que esquecer seu sorriso
E o pranto dos olhos meus
Eu vou ter que esquecer seu olhar
Na hora do adeus
Eu vou ter que esquecer minha vida
Só você não percebe por que
Eu vou ter que passar minha vida
Esquecendo você
Meditação (1959)
Tom Jobim & Newton Mendonça -- Intérpretes: João Gilberto e Caetano Veloso (ao vivo, em Buenos Aires)
Quem acreditou
No amor, no sorriso, na flor
Então sonhou, sonhou...
E perdeu a paz
O amor, o sorriso e a flor
Se transformam depressa demais
Quem, no coração
Abrigou a tristeza de ver
Tudo isto se perder
E, na solidão
Procurou um caminho e seguiu
Já descrente de um dia feliz
Quem chorou, chorou
E tanto que seu pranto já secou
Quem depois voltou
Ao amor, ao sorriso e à flor
Então tudo encontrou
Pois, a própria dor
Revelou o caminho do amor
E a tristeza acabou
No amor, no sorriso, na flor
Então sonhou, sonhou...
E perdeu a paz
O amor, o sorriso e a flor
Se transformam depressa demais
Quem, no coração
Abrigou a tristeza de ver
Tudo isto se perder
E, na solidão
Procurou um caminho e seguiu
Já descrente de um dia feliz
Quem chorou, chorou
E tanto que seu pranto já secou
Quem depois voltou
Ao amor, ao sorriso e à flor
Então tudo encontrou
Pois, a própria dor
Revelou o caminho do amor
E a tristeza acabou
O que tinha de ser (1959)
Tom Jobim & Vinicius de Moraes --Intépretes: Tom & Elis Regina
Porque foste na vida
A última esperança
Encontrar-te me fez criança
Porque já eras meu
Sem eu saber sequer
Porque és o meu homem
E eu tua mulher
Porque tu me chegaste
Sem me dizer que vinhas
E tuas mãos foram minhas com calma
Porque foste em minh'alma
Como um amanhecer
Porque foste o que tinha de ser
A última esperança
Encontrar-te me fez criança
Porque já eras meu
Sem eu saber sequer
Porque és o meu homem
E eu tua mulher
Porque tu me chegaste
Sem me dizer que vinhas
E tuas mãos foram minhas com calma
Porque foste em minh'alma
Como um amanhecer
Porque foste o que tinha de ser
Por toda a minha vida (1959)
Tom Jobim & Vinicius de Moraes -- Intérpretes: Tom & Elis Regina
Minha bem-amada
Quero fazer-te um juramento uma canção
Eu prometo, por toda a minha vida
Ser somente teu e amar-te como nunca
Ninguém jamais amou, ninguém
Minha bem-amada
Estrela pura aparecida
Eu te amo e te proclamo
O meu amor
O meu amor
Maior que tudo quanto existe
Oh, meu amor
Quero fazer-te um juramento uma canção
Eu prometo, por toda a minha vida
Ser somente teu e amar-te como nunca
Ninguém jamais amou, ninguém
Minha bem-amada
Estrela pura aparecida
Eu te amo e te proclamo
O meu amor
O meu amor
Maior que tudo quanto existe
Oh, meu amor
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quinta-feira, 3 de setembro de 2015
Um tango de 1934 (Cambalache) tem letra tão atual que poderia ser o hino dos governos dos últimos 12,7 anos
Depois que postei na minha página do Facebook (Vasco Costa) a gravação do tango Cambalache, cantado por Adriana Varela, recebi por emails pedidos sobre a tradução da sua letra. Aí vai ela. Observem que, mesmo depois de 81 anos, a letra é tão atual e tão coerente com o que vem nos acontecendo nos últimos 12,7 anos que poderia tranquila e perfeitamente transformar-se no hino dos (des)governos desse período.
A letra em espanhol:
Cambalache
(Tango,
Enrique Santos Discépolo, 1934, composto para o filme "A alma do bandoneón")
Que
el mundo fue y será una porquería, ya lo sé,
en
el quinientos seis y en el dos mil también;
que
siempre ha habido chorros,
maquiavelos
y estafáos,
contentos
y amargaos, barones y dublé.
Pero
que el siglo veinte es un despliegue
de
maldad insolente
ya no hay quien lo niegue,
vivimos
revolcaos en un merengue
y
en un mismo lodo todos manoseaos.
Hoy
resulta que es lo mismo ser derecho que traidor,
ignorante,
sabio, chorro, generoso, estafador.
¡
Todo
es igual, nada es mejor,
lo
mismo un burro que un gran profesor!
No
hay aplazaos ni escalafón,
los
inmorales nos han igualao...
Si
uno vive en la impostura
y
otro roba en su ambición,
da
lo mismo que sea cura,
colchonero,
rey de bastos,
caradura
o polizón.
¡
Qué
falta de respeto, qué atropello a la razón!
¡
Cualquiera
es un señor, cualquiera es un ladrón!
Mezclaos
con Stavisky van don Bosco y la Mignon,
don
Chicho y Napoleón, Carnera y San Martín.
Igual
que en la vidriera irrespetuosa
de
los cambalaches se ha mezclao la vida,
y
herida por un sable sin remache
ves
llorar la Biblia contra un calefón.
Siglo
veinte, cambalache, problemático y febril,
el
que no llora no mama y el que no afana es un gil.
¡
Dale
no más, dale que va,
que
allá en el horno nos vamos a encontrar!
¡
No
pienses más, siéntate a un lao,
que
a nadie importa si naciste honrao!
Es
lo mismo el que labura
noche
y día como un buey
que
el que vive de los otros,
que
el que mata que el que cura
o está fuera de la ley
A versão em português (a tradução feita não teve nenhuma preocupação com métrica ou rima):
Brechó
[1]
Que
o mundo foi e será uma porcaria, eu já sei
em
506 e no 2.000 também;
que
sempre houve ladrões, maquiavéis e vigaristas,
felizes
e amargos, autênticos e imitações.
Mas
que o século 20 é um alarde
de
maldade insolente não há quem o negue,
vivemos
envoltos em uma desordem
e
em um mesmo lodo todos manipulados.
ignorante,
sábio, ladrão, generoso, vigarista.
Tudo
é igual, nada é melhor,
dá
no mesmo um burro e um grande professor!
Não
há reprovados nem hierarquia,
os
imorais nos igualaram …
Se
alguém vive na impostura
e
outro rouba em sua ambição,
dá
no mesmo que seja padre,
fabricante
de colchões, rei de paus,
caradura
ou clandestino.
Qualquer
um é um senhor, qualquer um é um ladrão!
Mesclados
com Stavisky [2] vão Dom Bosco [3] e a Mignon [4],
Don
Chicho [5] e Napoleão, Carnera [6] e San Martín [7].
E ferida
por um gancho vês chorar a Bíblia junto a um aquecedor [de água].
Século
vinte, brechó, problemático e febril.
Quem
não chora não mama, quem não rouba é um idiota!
Chega, não mais, que lá no forno [inferno] vamos nos encontrar!
Não
penses mais, senta-te de um lado,
Que
a ninguém importa se nascestes honrado!
Se
é o mesmo o que trabalha noite e dia como um boi
que
o que vive dos outros
que
o que mata, que o que cura ou está fora da lei.
[1]
Brechó – “cambalache“ em espanhol pode ser também escambo
[negociação com troca de mercadorias, sem envolvimento de dinheiro
de nenhuma espécie] de coisas de baixo valor com o intuito de ludibriar. Aqui
neste tango é usado com o significado de “brechó” (como
comprova o verso “como nas vitrines desrespeitosas dos brechós
...”), certamente no sentido de comércio de coisas velhas e/ou
usadas, nem sempre de valor garantido ou evidente. Mas, em outros trechos me parece aplicar-se também tanto o sentido de escambo (com intuito de trapacear), como o de cambalacho (negócio feito com o intuito de trapacear, de fraudar a outra parte).
[2]
(Alexander) Stavisky – um trapaceiro ucraniano de altos voos, um
empresário que em 1933/34 na França subornava políticos
(conservadores, liberais e socialistas), burgueses e policiais.
[3]
Dom Bosco – sacerdote italiano fundador da ordem dos Salesianos,
santificado pelo papa Pio XI em 1934.
[4]
La Mignon – figura representativa de uma prostituta.
[5] Don Chicho -- apelido do chefe da máfia argentina Juan Galiffi, detido e processado em 1932.
[6] Carnera (Primo Carnera) -- pugilista italiano, campeão mundial dos pesos-pesados no biênio 1933/34.
[7] San Martín (José Francisco de San Martín y Matorras) -- general sul-americano cujas campanhas militares foram decisivas para a independência de Argentina, Chile e Peru.
Os versos mais controvertidos da letra de Cambalache são os que dizem:
"... y herida por un sable sin remache [e ferida por um gancho]
ves llorar la Bíblia junto a un calefón" [vês chorar a Bíblia junto a um aquecedor (de água)]
Traduzo a seguir a explicação para esses versos dada no site La Gazeta, da Argentina.
"Esses versos contrastam um livro de grande valor religioso com um artefato mundano e essa expressão já foi utilizada em muitas outras coisas. Por exemplo, para intitular um programa (Jorge Guinzburg) ou um tema discográfico (Joaquín Sabina). Talvez o autor [Discépolo] em seu enfoque do "século vinte problemático e febril", no qual "tudo é igual, nada é melhor" quis juntar Deus (a Bíblia) com o diabo (o aquecedor, gerador de calor e de fogo) e daí conclua com a profecia "... que lá no forno nos vamos encontrar". Não deixa de ser uma possibilidade.
Mas, uma análise desde outro ponto de vista -- resgatada de arquivos -- revela um costume antigo, que junta os dois elementos daqueles versos emblemáticos. Se se trata de algo real, demonstrável ou crível, não se encontra a respeito explicação fidedigna entre os muitos escribas, literatos e intelectualóides que dizem estudar o tango.
(...) Um autor anônimo começa advertindo: "A história tem relação com os banheiros, a higiene pessoal e a forma de fazê-la naquela época, que hoje muita gente -- especialmente os jovens -- pode não ter conhecido, por conta dos banheiros existentes atualmente, pelo menos no mundo ocidental e cristão.
"Os banheiros atuais, que costumam ser chamados de 'completos', incluem no mínimo vaso sanitário, lavabo, chuveiro e bidê. Até fins do século XIX se utilizavam pequenos urinóis (também chamadas de "taças noturnas"), cujos conteúdos eram atirados pelas janelas ao grito de "Aí vai água!". Antes, havia ainda latrinas, que costumavam ficar nos fundos das casas. [Ver "Banho, o berço da intimidade (III)".]
Em Buenos Aires -- prossegue o autor anônimo -- coexistiram esses recipientes e as latrinas até princípios do século XX, época em que as famílias abastadas começaram a instalar banheiros. Logo seu uso se generalizou em quase todas as habitações, inclusive nas modestas. O 'miniambiente' simples possuía pelo menos sanitário e lavabo. Se os luxuriosos donos das casas tinham o costume mouro de lavar-se de corpo inteiro de maneira mais ou menos seguida, sempre que dispusessem de meios econômicos para custear esse capricho, os banheiros tinham também um chuveiro. E, claro, se havia um chuveiro era preciso esquentar a água, assim se instalava um aquecedor ao lado do chuveiro.
Entretanto, segundo essa história singular, o papel higiênico demorou a ter sua carta de cidadania como artigo de limpeza. Quando surgiu, era muito caro e não estava ao alcance de todas as famílias. Então, as pessoas se viam obrigadas a usar para esses finssanitários o vulgar papel de jornal ou, na sua falta, qualquer outro. Era muito apreciado um papel que fosse mais sedoso; assim,os usuários sofridos tratavam de conseguir nas quitandas os papéis que embrulhavam as maçãs e outros produtos agrícolas.
E aqui, aparece em cena a Bíblia. "Outro papel muito apreciado era o chamado "papel bíblia", especialmente fino e macio. Ora, já na época existia a Sociedade Bíblica, uma de cujas missões era difundir a bíblia protestante, ofertando para isso, grátis, exemplares do livro sagrado (obséquio que ainda hoje continua sendo praticado).
Como se fossem devotos fervorosos, muitos habitantes de Buenos Aires aceitavam essa gentileza e, ainda que fosse a maioria católica, passavam a apanhar a bíblia protestante que a Sociedade Bíblica oferecia nas ruas, nas praças ou em sua sede central.
Entretanto, termina esta história, conta-se que quem obtinha essas bíblias protestantes não o faziam, em sua maioria, para lê-las. Eles furavam uma de suas capas e as penduravam em um gancho de arame, ao lado do aquecedor e perto do sanitário e iam arrancando suas folhas suaves para usá-las como papel higiênico". 'Sable sin remache' ['sabre sem rebite', em tradução livre direta] era precisamente o nome dado a um gancho no qual se pendurava o papel higiênico ao lado do sanitário.
Nesse fato ter-se-ia inspirado Enrique Santos Discépolo para dizer com elegante suspeita, própria dos grandes, esta frase que deixou provocativa:
”Igual que en la vidriera irrespetuosa de los cambalaches
se ha mezclao la vida,
Y herida por un sable sin remache
ves llorar la Biblia junto a un calefón”.
(...) Um autor anônimo começa advertindo: "A história tem relação com os banheiros, a higiene pessoal e a forma de fazê-la naquela época, que hoje muita gente -- especialmente os jovens -- pode não ter conhecido, por conta dos banheiros existentes atualmente, pelo menos no mundo ocidental e cristão.
"Os banheiros atuais, que costumam ser chamados de 'completos', incluem no mínimo vaso sanitário, lavabo, chuveiro e bidê. Até fins do século XIX se utilizavam pequenos urinóis (também chamadas de "taças noturnas"), cujos conteúdos eram atirados pelas janelas ao grito de "Aí vai água!". Antes, havia ainda latrinas, que costumavam ficar nos fundos das casas. [Ver "Banho, o berço da intimidade (III)".]
Em Buenos Aires -- prossegue o autor anônimo -- coexistiram esses recipientes e as latrinas até princípios do século XX, época em que as famílias abastadas começaram a instalar banheiros. Logo seu uso se generalizou em quase todas as habitações, inclusive nas modestas. O 'miniambiente' simples possuía pelo menos sanitário e lavabo. Se os luxuriosos donos das casas tinham o costume mouro de lavar-se de corpo inteiro de maneira mais ou menos seguida, sempre que dispusessem de meios econômicos para custear esse capricho, os banheiros tinham também um chuveiro. E, claro, se havia um chuveiro era preciso esquentar a água, assim se instalava um aquecedor ao lado do chuveiro.
Entretanto, segundo essa história singular, o papel higiênico demorou a ter sua carta de cidadania como artigo de limpeza. Quando surgiu, era muito caro e não estava ao alcance de todas as famílias. Então, as pessoas se viam obrigadas a usar para esses finssanitários o vulgar papel de jornal ou, na sua falta, qualquer outro. Era muito apreciado um papel que fosse mais sedoso; assim,os usuários sofridos tratavam de conseguir nas quitandas os papéis que embrulhavam as maçãs e outros produtos agrícolas.
E aqui, aparece em cena a Bíblia. "Outro papel muito apreciado era o chamado "papel bíblia", especialmente fino e macio. Ora, já na época existia a Sociedade Bíblica, uma de cujas missões era difundir a bíblia protestante, ofertando para isso, grátis, exemplares do livro sagrado (obséquio que ainda hoje continua sendo praticado).
Como se fossem devotos fervorosos, muitos habitantes de Buenos Aires aceitavam essa gentileza e, ainda que fosse a maioria católica, passavam a apanhar a bíblia protestante que a Sociedade Bíblica oferecia nas ruas, nas praças ou em sua sede central.
Entretanto, termina esta história, conta-se que quem obtinha essas bíblias protestantes não o faziam, em sua maioria, para lê-las. Eles furavam uma de suas capas e as penduravam em um gancho de arame, ao lado do aquecedor e perto do sanitário e iam arrancando suas folhas suaves para usá-las como papel higiênico". 'Sable sin remache' ['sabre sem rebite', em tradução livre direta] era precisamente o nome dado a um gancho no qual se pendurava o papel higiênico ao lado do sanitário.
Nesse fato ter-se-ia inspirado Enrique Santos Discépolo para dizer com elegante suspeita, própria dos grandes, esta frase que deixou provocativa:
”Igual que en la vidriera irrespetuosa de los cambalaches
se ha mezclao la vida,
Y herida por un sable sin remache
ves llorar la Biblia junto a un calefón”.
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