[Vamos ver se agora é p'ra valer -- pela segunda vez, a Embraer ganha a licitação para vender 20 aviões Super Tucanos à Força Aérea americana: a primeira, ocorrida em fins de dezembro de 2011, foi cancelada em fevereiro de 2012 por pressão da concorrente da Embraer na disputa, a americana Hawker Beechcraft.]
A Embraer foi selecionada para o fornecimento de 20 Super Tucanos de
ataque para a Força Aérea dos Estados Unidos. É a segunda vez que a
empresa brasileira vence a escolha da aeronave do programa de apoio
aéreo leve – LAS, nas iniciais em inglês. O contrato de US$ 427 milhões estava suspenso desde o início de 2012 por
causa de uma ação judicial movida pela única outra concorrente, a
americana Hawker, que discordava da seleção da Embraer Defesa e
Segurança, em dezembro de 2011. A subsecretaria da aviação militar
americana decidiu então, primeiro suspender, e depois reabrir, a
concorrência. Os aviões serão repassados para as forças de autodefesa do
Afeganistão, compondo a nova aeronáutica de combate do país.
Segundo Luiz Carlos Aguiar, o presidente da Embraer Defesa, a escolha
tem outras vertentes, como a possibilidade de atingir um volume maior,
abrangendo 55 aeronaves, no valor de US$ 955,5 milhões. Todo o
empreendimento, destaca Luiz Aguiar, é conduzido com o parceiro
americano, a corporação Sierra Nevada, de Sparks, no estado de Nevada [ver aqui]. O anúncio foi feito nesta quarta-feira, por volta das 17 horas, no
briefing eletrônico do Departamento de Defesa, o Pentágono, em
Washington [ver aqui]. Em Brasília, a presidente Dilma Rousseff e o ministro da
Defesa, Celso Amorim, foram informados logo em seguida pelo
subsecretário de Defesa americano, Ashton Carter.
A encomenda cobre o lote dos 20 aviões e mais as estações terrestres de
treinamento, os componentes, as peças, e a instrução do pessoal técnico.
A venda habilita o Super Tucano e a própria EDS no muito restrito
mercado de Defesa dos Estados Unidos e alavanca as possibilidades de
outros negócios. Para Aguiar, o potencial desse produto no mercado
mundial – que era estimado em US$ 4,5 bilhões – agora crescerá bastante.
"Precisamos redimensionar o tamanho do salto".
Entregas. O A-29 Super Tucano ganhou nome novo nos EUA,
onde é tratado de Super-T. A Embraer vai produzir os aviões localmente,
na fábrica de Jacksonville, na Flórida. As primeiras entregas estão
previstas para meados de 2014. A montagem regular começa entre agosto e
setembro. De acordo com Eren Ozmen, o presidente da Sierra Nevada Corporation, o
contrato LAS manterá 1,4 mil empregos diretos e indiretos em território
dos EUA, envolvendo perto de 100 empresas do setor aeroespacial
distribuidas por 20 diferentes Estados.
O Super-T ganhou novidades tecnológicas importantes durante o ano que
durou o impasse na seleção do LAS. Desde julho, ele passou a incorporar
sistemas de armas de avançada tecnologia da Boeing Defesa, Espaço e
Segurança, o que eleva significativamente o perfil do produto. A empresa
foi selecionada pela Embraer para participar do plano destinado a
adicionar novas capacidades ao turboélice. A Boeing fornecerá determinados equipamentos de ponta, como o Joint
Direct Attack Munition (JDAMS), espécie de kit que transforma bombas
"burras" em versões "inteligentes", para ataques de precisão. [Ver postagem anterior sobre o acordo de cooperação entre Embraer e Boeing.]
Cotado a US$ 25 mil a unidade, o conjunto será acompanhado do JDAM
Laser, um acessório que permite expandir o raio de ação e reduzir a
margem de erro. O pacote inclui as Small Diameter Bombs (SDB), modelos
menores, mais leves, de última geração. Sem perda de poder de
destruição, mas com maior alcance: 50 a 110 quilômetros. Cada uma sai
por US$ 40 mil. Os recursos passarão a ser oferecidos em todas as ações de vendas internacionais do avião.
A empresa brasileira venceu a disputa do programa da aeronave de Suporte
Aéreo Leve (LAS, na sigla em inglês) em dezembro de 2011. Finalista
derrotada, a Hawker Beechcraft, iniciou um processo judicial contestando
o resultado. Em fevereiro, antes da decisão da Justiça, a administração da
aeronáutica militar dos EUA decidiu cancelar o contrato. Houve grande
repercussão negativa. Pouco depois, um novo procedimento foi iniciado, habilitando as duas corporações, e solicitando novas informações.
O T-6, produto da Hawker, ainda está em desenvolvimento e não se
enquadrou nos requisitos da LAS. O Super Tucano é usado por forças de
nove países e acumula pouco mais de 180 mil horas de voo, das quais
cerca de 28,5 mil cumprindo missões de combate. Toda a frota em
atividade soma 172 turboélices de ataque e treino. A aeronave emprega
130 diferentes configurações de armamento. Na configuração Grifo,
definida pela aeronáutica da Colômbia, o A-29 realizou perto de 30 ações
de bombardeio real contra alvos da guerrilha.
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
O poder de controle dos EUA está diminuindo, mas eles ainda se consideram donos do mundo
[Traduzo a seguir uma reportagem do jornal britânico The Guardian, relativa a uma entrevista com Noam Chomsky. Linguista, filósofo e ativista político, Chomsky é professor de Linguística no famoso Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT) -- considerado um dos mais importantes intelectuais da atualidade, ele é famoso também por suas posições de esquerda e de ferrenho crítico da política externa americana. A frase título desta postagem, com a qual concordo integralmente, é dele. Sou seu admirador de carteirinha. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]
Este texto é adaptado de "Revoltas" (Uprisings), um capítulo de "Power Systems: Conversations on Global Democratic Uprisings and the New Challenges to US Empire" ["Sistemas de Poder: Conversas sobre Revoltas Globais Democráticas e os Novos Desafios ao Império Americano", em tradução direta], o livro recente de Noham Chomsky com entrevistas com David Barsamian (com agradecimentos à editora, Metropolitan Books). As perguntas são de Barsamian e as respostas, de Chomsky.
Os EUA possuem ainda o mesmo grau de controle sobre as fontes de energia do Oriente Médio como já tiveram antes?
Os principais países produtores de energia estão sob firme controle das ditaduras apoiadas pelo Ocidente. Assim, na realidade, o progresso feito pela primavera árabe é limitado, mas não é insignificante. O sistema ditatorial controlado pelo ocidente está sofrendo uma erosão. Na realidade, está passando por esse desgaste já há algum tempo. Por exemplo, se retrocedermos 50 anos, as fontes de energia -- a principal preocupação dos estrategistas dos EUA -- foram em sua maioria nacionalizadas. Constantemente têm sido feitas tentativas para reverter isso, mas sem êxito.
Tome a invasão do Iraque, por exemplo. Para qualquer um, exceto para um ideólogo obstinado, foi completamente óbvio que invadimos o Iraque não por nosso amor à democracia mas sim porque o país é a segunda ou terceira maior fonte de petróleo do mundo, e está bem no meio de uma região que é grande produtora de energia. Mas, não se pode dizer isso porque é considerado uma teoria conspiratória.
Os EUA foram seriamente derrotados no Iraque pelo nacionalismo iraquiano, em sua maior parte por uma resistência não violenta. Os EUA poderiam matar os revoltosos, mas não poderiam lidar com meio milhão de pessoas fazendo demonstrações nas ruas. Pouco a pouco, o Iraque conseguiu desmantelar os controles montados pelas forças de ocupação. Por volta de novembro de 2007, foi se tornando perfeitamente claro que seria muito difícil atingir as metas dos EUA. E, naquele instante, interessantemente, esses objetivos estavam explicitamente expressos. Assim, em novembro de 2007, o governo de Bush II surgiu com uma declaração oficial sobre como como teria que ser qualquer arranjo futuro com o Iraque. Ela tinha dois requisitos principais: um, que os EUA têm que ter liberdade para executar operações de combate a partir de suas bases militares, as quais ainda retêm; - e dois, "encorajar o fluxo de investimentos estrangeiros para o Iraque, especialmente os investimentos americanos". Em janeiro de 2008, Bush deixou isso claro em uma de suas declarações assinadas. Um par de meses depois, face à resistência iraquiana, os EUA tiveram que desistir e seu controle sobre o Iraque está desaparecendo à frente de seus olhos.
O Iraque foi uma tentativa de reinstituir pela força algo como o antigo sistema americano de controle, mas isso fracassou. Acho que no geral as políticas dos EUA permanecem as mesmas, mas a capacidade de implementá-las está declinando.
Declinando por causa de fraqueza econômica?
Em parte porque o mundo está simplesmente se tornando mais diversificado, possui mais centros de poder diversificados. No final da Segunda Grande Guerra, os EUA estavam completamente no pico de seu poderio. Possuiam metade das riquezas do planeta, e cada um de seus concorrentes estava severamente prejudicado ou destruído. Desfrutavam de uma posição de inimaginável segurança, e desenvolveram planos para literalmente dirigir o mundo -- não irrealisticamente, naquele momento.
Isso foi denominado planejamento da "grande área"?
Sim. Logo após a segunda guerra mundial, George Kennan, chefe da equipe de planejamento estratégico do Departamento de Estado, e outros esboçaram os detalhes e, em seguida, eles foram implementados. O que está acontecendo hoje no Oriente Médio e no norte da África, até certo ponto, e na América do Sul remonta substancialmente aos fins dos anos 1940. A primeira grande resistência bem sucedida contra a hegemonia americana deu-se em 1949, quando se deu um evento que, interessantemente, foi chamado "a perda da China". Esta é uma expressão interessante, nunca contestada. Houve muita discussão sobre quem é o responsável pela perda da China, isto se tornou um enorme assunto interno [nos EUA]. Mas, ela é uma expressão muito interessante. Você só pode perder algo se o possuir. Teve-se então como líquido e certo: a China é nossa -- e, se ela se mover para tornar-se independente, perdemos a China. Posteriormente, surgiram preocupações com a "perda da América Latina", a "perda do Oriente Médio", a "perda de" certos países, todas elas baseadas na premissa de que somos os donos do mundo e qualquer coisa que enfraqueça nosso controle é uma perda para nós, e ficamos imaginando como recuperá-lo.
Hoje, se você ler, digamos, publicações sobre política externa ou, em uma forma cômica e ridícula, ouvir os debates dos republicanos, eles estão indagando: "Como evitar mais perdas?"
Por outro lado, a capacidade de preservar o controle reduziu-se fortemente. Por volta de 1970, o mundo já era o que se chamava tripolar economicamente falando, com um centro industrial na América do Norte baseado nos EUA, um centro europeu apoiado na Alemanha grosseiramente comparável em tamanho, e um centro no leste asiático apoiado no Japão, que era à época a região de crescimento mais dinâmico no mundo. Desde então, a ordem econômica global tornou-se muito mais diversificada. Assim, tornou-se mais difícil levar a cabo nossas políticas, mas os princípios básicos delas não mudaram muito.
Tomemos a doutrina Clinton. Ela dizia que os EUA tinham direito a recorrer a medida de força unilateral para assegurar "acesso ilimitado a mercados, suprimentos de energia e fontes estratégicas essenciais". Isso vai além do que qualquer coisa dita por George W. Bush. Mas, foi expresso de maneira calma e não foi arrogante nem rude, por isso não provocou muito alvoroço. A crença naquele direito permanece a mesma até agora, e é também parte da cultura intelectual americana.
Logo em seguida ao assassinato de Osama Bin Laden, em meio às vibrações e aplausos, houve alguns poucos comentários críticos questionando a legalidade do que fora feito. Séculos atrás, costumava existir algo chamado presunção de inocência. Se você capturar um suspeito, ele é um suspeito até ficar provado que é culpado. Ele deveria ser levado a julgamento, isto é o coração da lei americana. Você pode rastrear isso de volta até à Carta Magna. Houve então um par de vozes dizendo que talvez não devêssemos jogar fora todo o fundamento da legislação anglo-americana. Isso gerou um bocado de reações muito irritadas e furiosas, mas as mais interessantes, como sempre, foram as vindas do extremo esquerdista-liberal do espectro político. Matthew Yglesias, um comentarista da esquerda liberal muito conhecido e altamente respeitado, escreveu um artigo em que ridicularizava esses pontos de vista. Ele disse que eles eram "surpreendentemente inocentes" e estúpidos, e depois explicou porque achava isso. E disse: "Uma das principais funções da ordem institucional internacional é precisamente legitimar o uso de forças militares letais pelas potências ocidentais". É óbvio que não se referia à Noruega, ele focava os EUA. Assim pois, o princípio em que se baseia o sistema internacional é que os EUA têm o direito de usar a força conforme a sua vontade. Falar sobre os EUA estarem violando as leis internacionais, ou algo parecido, é surpreendentemente inocente e completamente estúpido. Por falar nisso, eu era o alvo dos comentários de Matthew e sou feliz por confessar minha culpa. Eu realmente acho que a Carta Magna e as leis internacionais são dignas de alguma atenção.
Mencionei isso simplesmente para ilustrar que, na cultura intelectual, os princípios nucleares da política americana não mudaram muito, mesmo no chamado extremo esquerdo-liberal do espectro político. Mas, a capacidade de implementá-los diminuiu drasticamente. É por isso que se tem toda essa conversa sobre o declínio americano. Dê uma olhada na edição de fim de ano da "Foreign Affairs", a principal publicação do establishment. Sua vistosa primeira página primeira pergunta, em negrito: "A América está acabada?" [ou, "A América já era?"]. É uma reclamação típica daqueles que acreditam que devem ser donos de tudo. Se você acredita que deve ser dono de tudo e alguma coisa escapa de você, é uma tragégia e o mundo é visto como entrando em colapso. Então, a América já era? Há muito tempo atrás "perdemos" a China, perdemos o sudeste da Ásia, perdemos a América do Sul. Talvez percamos o Oriente Médio e os países do norte da África. A América já era? Isto é um tipo de paranoia, mas é a paranoia dos super-ricos e dos super-poderosos. Se você não possuir tudo, é um desastre.
O New York Times (NYT) descreve "o dilema de definição da política da primavera árabe como sendo a busca de como harmonizar impulsos contraditórios dos EUA, incluindo apoio para mudança democrática, um desejo por estabilidade e cautela com islamitas que se tornaram politicamente poderosos". O NYT identifica três objetivos dos EUA. O que você acha deles?
Dois deles estão corretos. Os EUA são a favor da estabilidade, mas é preciso lembrar do que significa estabilidade. Estabilidade significa concordância com as ordens dos EUA. Assim, por exemplo, uma das acusações contra o Irã, a grande ameaça na política externa, é que está desestabilizando o Iraque e o Afeganistão. Como? Tentando expandir sua influência em direção a países vizinhos. Por outro lado, nós "estabilizamos" países quando os invadimos e os destruímos.
E, ocasionalmente, citei uma das minhas maneiras favoritas de ilustrar isso, que é da autoria de um famoso e muito bom analista liberal de política externa, James Chace, um ex-editor da Foreign Affairs. Escrevendo sobre a deposição do regime de Salvador Allende e a imposição da ditadura de Augusto Pinochet em 1973, ele disse que tivemos que "desestabilizar" o Chile no interesse da "estabilidade". Isso não é entendido como uma contradição -- e realmente não é. Tivemos que destruir o sistema parlamentar chileno para ganhar estabilidade, isto significando que fariam o que mandássemos que fizessem. Assim, pois, somos a favor da estabilidade nesse sentido técnico.
Preocupação com o Islã político é simplesmente igual à preocupação com qualquer desenvolvimento independente. Você tem que se preocupar com qualquer coisa que seja independente, porque ela pode destruir você aos poucos. Na realidade, isso é um pouco paradoxal porque tradicionalmente os EUA e o Reino Unido têm, geralmente, prestado forte apoio ao fundamentalisno islâmico radical, não ao Islã político, como uma força para bloquear o nacionalismo secular, que é a preocupação real de ambos. Assim, por exemplo, a Arábia Saudita é o estado mais extremadamente fundamentalista no mundo, um estado islâmico radical -- tem um zelo missionário, está levando o islamismo radical ao Paquistão e está financiando o terror, mas, é o baluarte da política dos EUA e do Reino Unido, que o têm apoiado de forma consistente do Egito de Gamal Abdel Nasser ao Iraque de Abd al-Karim Qasim, entre muitos outros. Mas, ambos não gostam do Islã político porque ele pode tornar-se independente. [A mais recente novidade nessa relação espúria é a descoberta de uma base secreta de Vants (Veículos aéreos não tripulados, os drones) dos EUA na Arábia Saudita.]
O primeiro dos três pontos, nosso anseio por democracia, está mais ou menos no mesmo nível de Joseph Stalin falando sobre o compromisso russo com autodeterminação, democracia e liberdade para o mundo. É o tipo de declaração da qual você ri quando a ouve da boca de comissários [no sentido soviético ou russo da palavra] ou clérigos iranianos, mas para a qual você acena polidamente com a cabeça, e talvez até com admiração, quando a ouve das contrapartes ocidentais.
Se você observar os registros históricos, o anseio por democracia é uma piada de mau gosto. Isto é reconhecido até por acadêmicos de ponta, embora não o façam dessa maneira. Uma das maiores autoridades acadêmicas na denominada promoção de democracia é Thomas Carothers, que é bastante conservador e tido em alta conta -- um neo-reaganista, não um liberal inflamado. Ele trabalhou no Departamento de Estado de Reagan e escreveu vários livros analisando o curso da promoção de democracia, que ele leva muito a sério. Ele diz ok, isso é um ideal americano profundamente arraigado, mas tem uma história engraçada. A história é que todo governo dos EUA é "esquizofrênico". Eles apoiam a democracia apenas quando ela está de acordo com certos interesses estratégicos e econômicos. Ele descreve isso como uma patologia estranha, como se os EUA necessitassem de tratamento psiquiátrico ou algo parecido. Obviamente, há outra interpretação, mas é uma que não pode ser lembrada se você for um intelectual bem-educado e bem comportado.
Vários meses após a derrubada do presidente Hosni Mubara no Egito, ele estava sendo julgado e enfrentando acusações de crimes e prisão. É inconcebível pensar-se que líderes dos EUA sejam alguma vez detidos para responder por seus crimes no Iraque ou alhures. Isso mudará em algum futuro próximo?
Esse é basicamente o princípio Yglesias: a base fundamental da ordem internacional é que os EUA tenham o direito de usar a violência à sua vontade. Se é assim, como é que se pode acusar alguém?
E ninguém mais tem esse direito [do uso indiscutível da força]?
Claro que não. Bem, talvez nossos clientes o tenham. Se Israel invadir o Líbano, matar 1.000 pessoas e destruir metade do país, OK, está tudo bem. É interessante. Barack Obama foi um senador antes de ser presidente. Não fez muito como senador, mas fez um par de coisas, incluindo uma da qual se sente particularmente orgulhoso. De fato, se você olhasse em seu website antes das primárias veria que Obama destacava o fato de, durante a invasão do Líbano por Israel em 2006, ter co-patrocinado uma resolução do Senado demandando que os EUA não fizessem nada para impedir as ações militares de Israel até que elas tivessem atingido seus objetivos, e censurando o Irã e a Síria porque estavam apoiando a resistência contra a destruição do sul do Líbano por Israel. Por sinal, pela quinta vez em 25 anos. Assim, eles herdaram o direito [do uso da força à sua vontade]. Outros clientes também.
Mas, na realidade, esse direito tem sede em Washington. Isso é o que significa ser dono do mundo. É como o ar que você respira, você não pode questioná-lo. O principal fundador da teoria contemporânea das RI (Relações Internacionai), Hans Morghentau, era na realidade uma pessoa bastante decente, um dos raros cientistas políticos e especialistas em assuntos externos a criticar a guerra do Vietnam sob o ponto de vista moral, não tático. Algo muito raro. Ele escreveu um livro chamado "O Objetivo da Política Americana" (The Purpose of American Politics). Você já sabe o que ele traz. Outros países não têm objetivos. O objetivo da América, por outro lado, é "transcedental" -- levar liberdade e justiça para o resto do mundo. Mas, ele [Morghentau] é um bom acadêmico, como Carothers. Então, vasculhou os arquivos. Ele disse que, quando você examina esses arquivos, é como se os EUA não vivessem à altura de seus objetivos transcendentais. Mas, diz ele então, criticar nossos objetivos transcendentais é "cair no erro do ateísmo, que nega a validade da religião com base nas mesmas razões" -- que é uma boa comparação. É uma crença religiosa profundamente arraigada -- tão profundamente, que será difícil desemaranhá-la. E se alguém questionar isso, gera-se uma quase-histeria e, frequentemente, acusações de antiamericanismo ou de "ódio à América" -- conceitos interessantes que não existem em sociedades democráticas, mas em regimes totalitários e aqui [nos EUA], onde são simplesmente considerados como indiscutíveis.
Este texto é adaptado de "Revoltas" (Uprisings), um capítulo de "Power Systems: Conversations on Global Democratic Uprisings and the New Challenges to US Empire" ["Sistemas de Poder: Conversas sobre Revoltas Globais Democráticas e os Novos Desafios ao Império Americano", em tradução direta], o livro recente de Noham Chomsky com entrevistas com David Barsamian (com agradecimentos à editora, Metropolitan Books). As perguntas são de Barsamian e as respostas, de Chomsky.
Os EUA possuem ainda o mesmo grau de controle sobre as fontes de energia do Oriente Médio como já tiveram antes?
Os principais países produtores de energia estão sob firme controle das ditaduras apoiadas pelo Ocidente. Assim, na realidade, o progresso feito pela primavera árabe é limitado, mas não é insignificante. O sistema ditatorial controlado pelo ocidente está sofrendo uma erosão. Na realidade, está passando por esse desgaste já há algum tempo. Por exemplo, se retrocedermos 50 anos, as fontes de energia -- a principal preocupação dos estrategistas dos EUA -- foram em sua maioria nacionalizadas. Constantemente têm sido feitas tentativas para reverter isso, mas sem êxito.
Tome a invasão do Iraque, por exemplo. Para qualquer um, exceto para um ideólogo obstinado, foi completamente óbvio que invadimos o Iraque não por nosso amor à democracia mas sim porque o país é a segunda ou terceira maior fonte de petróleo do mundo, e está bem no meio de uma região que é grande produtora de energia. Mas, não se pode dizer isso porque é considerado uma teoria conspiratória.
Os EUA foram seriamente derrotados no Iraque pelo nacionalismo iraquiano, em sua maior parte por uma resistência não violenta. Os EUA poderiam matar os revoltosos, mas não poderiam lidar com meio milhão de pessoas fazendo demonstrações nas ruas. Pouco a pouco, o Iraque conseguiu desmantelar os controles montados pelas forças de ocupação. Por volta de novembro de 2007, foi se tornando perfeitamente claro que seria muito difícil atingir as metas dos EUA. E, naquele instante, interessantemente, esses objetivos estavam explicitamente expressos. Assim, em novembro de 2007, o governo de Bush II surgiu com uma declaração oficial sobre como como teria que ser qualquer arranjo futuro com o Iraque. Ela tinha dois requisitos principais: um, que os EUA têm que ter liberdade para executar operações de combate a partir de suas bases militares, as quais ainda retêm; - e dois, "encorajar o fluxo de investimentos estrangeiros para o Iraque, especialmente os investimentos americanos". Em janeiro de 2008, Bush deixou isso claro em uma de suas declarações assinadas. Um par de meses depois, face à resistência iraquiana, os EUA tiveram que desistir e seu controle sobre o Iraque está desaparecendo à frente de seus olhos.
O Iraque foi uma tentativa de reinstituir pela força algo como o antigo sistema americano de controle, mas isso fracassou. Acho que no geral as políticas dos EUA permanecem as mesmas, mas a capacidade de implementá-las está declinando.
Declinando por causa de fraqueza econômica?
Em parte porque o mundo está simplesmente se tornando mais diversificado, possui mais centros de poder diversificados. No final da Segunda Grande Guerra, os EUA estavam completamente no pico de seu poderio. Possuiam metade das riquezas do planeta, e cada um de seus concorrentes estava severamente prejudicado ou destruído. Desfrutavam de uma posição de inimaginável segurança, e desenvolveram planos para literalmente dirigir o mundo -- não irrealisticamente, naquele momento.
Isso foi denominado planejamento da "grande área"?
Sim. Logo após a segunda guerra mundial, George Kennan, chefe da equipe de planejamento estratégico do Departamento de Estado, e outros esboçaram os detalhes e, em seguida, eles foram implementados. O que está acontecendo hoje no Oriente Médio e no norte da África, até certo ponto, e na América do Sul remonta substancialmente aos fins dos anos 1940. A primeira grande resistência bem sucedida contra a hegemonia americana deu-se em 1949, quando se deu um evento que, interessantemente, foi chamado "a perda da China". Esta é uma expressão interessante, nunca contestada. Houve muita discussão sobre quem é o responsável pela perda da China, isto se tornou um enorme assunto interno [nos EUA]. Mas, ela é uma expressão muito interessante. Você só pode perder algo se o possuir. Teve-se então como líquido e certo: a China é nossa -- e, se ela se mover para tornar-se independente, perdemos a China. Posteriormente, surgiram preocupações com a "perda da América Latina", a "perda do Oriente Médio", a "perda de" certos países, todas elas baseadas na premissa de que somos os donos do mundo e qualquer coisa que enfraqueça nosso controle é uma perda para nós, e ficamos imaginando como recuperá-lo.
Hoje, se você ler, digamos, publicações sobre política externa ou, em uma forma cômica e ridícula, ouvir os debates dos republicanos, eles estão indagando: "Como evitar mais perdas?"
Por outro lado, a capacidade de preservar o controle reduziu-se fortemente. Por volta de 1970, o mundo já era o que se chamava tripolar economicamente falando, com um centro industrial na América do Norte baseado nos EUA, um centro europeu apoiado na Alemanha grosseiramente comparável em tamanho, e um centro no leste asiático apoiado no Japão, que era à época a região de crescimento mais dinâmico no mundo. Desde então, a ordem econômica global tornou-se muito mais diversificada. Assim, tornou-se mais difícil levar a cabo nossas políticas, mas os princípios básicos delas não mudaram muito.
Tomemos a doutrina Clinton. Ela dizia que os EUA tinham direito a recorrer a medida de força unilateral para assegurar "acesso ilimitado a mercados, suprimentos de energia e fontes estratégicas essenciais". Isso vai além do que qualquer coisa dita por George W. Bush. Mas, foi expresso de maneira calma e não foi arrogante nem rude, por isso não provocou muito alvoroço. A crença naquele direito permanece a mesma até agora, e é também parte da cultura intelectual americana.
Logo em seguida ao assassinato de Osama Bin Laden, em meio às vibrações e aplausos, houve alguns poucos comentários críticos questionando a legalidade do que fora feito. Séculos atrás, costumava existir algo chamado presunção de inocência. Se você capturar um suspeito, ele é um suspeito até ficar provado que é culpado. Ele deveria ser levado a julgamento, isto é o coração da lei americana. Você pode rastrear isso de volta até à Carta Magna. Houve então um par de vozes dizendo que talvez não devêssemos jogar fora todo o fundamento da legislação anglo-americana. Isso gerou um bocado de reações muito irritadas e furiosas, mas as mais interessantes, como sempre, foram as vindas do extremo esquerdista-liberal do espectro político. Matthew Yglesias, um comentarista da esquerda liberal muito conhecido e altamente respeitado, escreveu um artigo em que ridicularizava esses pontos de vista. Ele disse que eles eram "surpreendentemente inocentes" e estúpidos, e depois explicou porque achava isso. E disse: "Uma das principais funções da ordem institucional internacional é precisamente legitimar o uso de forças militares letais pelas potências ocidentais". É óbvio que não se referia à Noruega, ele focava os EUA. Assim pois, o princípio em que se baseia o sistema internacional é que os EUA têm o direito de usar a força conforme a sua vontade. Falar sobre os EUA estarem violando as leis internacionais, ou algo parecido, é surpreendentemente inocente e completamente estúpido. Por falar nisso, eu era o alvo dos comentários de Matthew e sou feliz por confessar minha culpa. Eu realmente acho que a Carta Magna e as leis internacionais são dignas de alguma atenção.
Mencionei isso simplesmente para ilustrar que, na cultura intelectual, os princípios nucleares da política americana não mudaram muito, mesmo no chamado extremo esquerdo-liberal do espectro político. Mas, a capacidade de implementá-los diminuiu drasticamente. É por isso que se tem toda essa conversa sobre o declínio americano. Dê uma olhada na edição de fim de ano da "Foreign Affairs", a principal publicação do establishment. Sua vistosa primeira página primeira pergunta, em negrito: "A América está acabada?" [ou, "A América já era?"]. É uma reclamação típica daqueles que acreditam que devem ser donos de tudo. Se você acredita que deve ser dono de tudo e alguma coisa escapa de você, é uma tragégia e o mundo é visto como entrando em colapso. Então, a América já era? Há muito tempo atrás "perdemos" a China, perdemos o sudeste da Ásia, perdemos a América do Sul. Talvez percamos o Oriente Médio e os países do norte da África. A América já era? Isto é um tipo de paranoia, mas é a paranoia dos super-ricos e dos super-poderosos. Se você não possuir tudo, é um desastre.
O New York Times (NYT) descreve "o dilema de definição da política da primavera árabe como sendo a busca de como harmonizar impulsos contraditórios dos EUA, incluindo apoio para mudança democrática, um desejo por estabilidade e cautela com islamitas que se tornaram politicamente poderosos". O NYT identifica três objetivos dos EUA. O que você acha deles?
Dois deles estão corretos. Os EUA são a favor da estabilidade, mas é preciso lembrar do que significa estabilidade. Estabilidade significa concordância com as ordens dos EUA. Assim, por exemplo, uma das acusações contra o Irã, a grande ameaça na política externa, é que está desestabilizando o Iraque e o Afeganistão. Como? Tentando expandir sua influência em direção a países vizinhos. Por outro lado, nós "estabilizamos" países quando os invadimos e os destruímos.
E, ocasionalmente, citei uma das minhas maneiras favoritas de ilustrar isso, que é da autoria de um famoso e muito bom analista liberal de política externa, James Chace, um ex-editor da Foreign Affairs. Escrevendo sobre a deposição do regime de Salvador Allende e a imposição da ditadura de Augusto Pinochet em 1973, ele disse que tivemos que "desestabilizar" o Chile no interesse da "estabilidade". Isso não é entendido como uma contradição -- e realmente não é. Tivemos que destruir o sistema parlamentar chileno para ganhar estabilidade, isto significando que fariam o que mandássemos que fizessem. Assim, pois, somos a favor da estabilidade nesse sentido técnico.
Preocupação com o Islã político é simplesmente igual à preocupação com qualquer desenvolvimento independente. Você tem que se preocupar com qualquer coisa que seja independente, porque ela pode destruir você aos poucos. Na realidade, isso é um pouco paradoxal porque tradicionalmente os EUA e o Reino Unido têm, geralmente, prestado forte apoio ao fundamentalisno islâmico radical, não ao Islã político, como uma força para bloquear o nacionalismo secular, que é a preocupação real de ambos. Assim, por exemplo, a Arábia Saudita é o estado mais extremadamente fundamentalista no mundo, um estado islâmico radical -- tem um zelo missionário, está levando o islamismo radical ao Paquistão e está financiando o terror, mas, é o baluarte da política dos EUA e do Reino Unido, que o têm apoiado de forma consistente do Egito de Gamal Abdel Nasser ao Iraque de Abd al-Karim Qasim, entre muitos outros. Mas, ambos não gostam do Islã político porque ele pode tornar-se independente. [A mais recente novidade nessa relação espúria é a descoberta de uma base secreta de Vants (Veículos aéreos não tripulados, os drones) dos EUA na Arábia Saudita.]
O primeiro dos três pontos, nosso anseio por democracia, está mais ou menos no mesmo nível de Joseph Stalin falando sobre o compromisso russo com autodeterminação, democracia e liberdade para o mundo. É o tipo de declaração da qual você ri quando a ouve da boca de comissários [no sentido soviético ou russo da palavra] ou clérigos iranianos, mas para a qual você acena polidamente com a cabeça, e talvez até com admiração, quando a ouve das contrapartes ocidentais.
Se você observar os registros históricos, o anseio por democracia é uma piada de mau gosto. Isto é reconhecido até por acadêmicos de ponta, embora não o façam dessa maneira. Uma das maiores autoridades acadêmicas na denominada promoção de democracia é Thomas Carothers, que é bastante conservador e tido em alta conta -- um neo-reaganista, não um liberal inflamado. Ele trabalhou no Departamento de Estado de Reagan e escreveu vários livros analisando o curso da promoção de democracia, que ele leva muito a sério. Ele diz ok, isso é um ideal americano profundamente arraigado, mas tem uma história engraçada. A história é que todo governo dos EUA é "esquizofrênico". Eles apoiam a democracia apenas quando ela está de acordo com certos interesses estratégicos e econômicos. Ele descreve isso como uma patologia estranha, como se os EUA necessitassem de tratamento psiquiátrico ou algo parecido. Obviamente, há outra interpretação, mas é uma que não pode ser lembrada se você for um intelectual bem-educado e bem comportado.
Vários meses após a derrubada do presidente Hosni Mubara no Egito, ele estava sendo julgado e enfrentando acusações de crimes e prisão. É inconcebível pensar-se que líderes dos EUA sejam alguma vez detidos para responder por seus crimes no Iraque ou alhures. Isso mudará em algum futuro próximo?
Esse é basicamente o princípio Yglesias: a base fundamental da ordem internacional é que os EUA tenham o direito de usar a violência à sua vontade. Se é assim, como é que se pode acusar alguém?
E ninguém mais tem esse direito [do uso indiscutível da força]?
Claro que não. Bem, talvez nossos clientes o tenham. Se Israel invadir o Líbano, matar 1.000 pessoas e destruir metade do país, OK, está tudo bem. É interessante. Barack Obama foi um senador antes de ser presidente. Não fez muito como senador, mas fez um par de coisas, incluindo uma da qual se sente particularmente orgulhoso. De fato, se você olhasse em seu website antes das primárias veria que Obama destacava o fato de, durante a invasão do Líbano por Israel em 2006, ter co-patrocinado uma resolução do Senado demandando que os EUA não fizessem nada para impedir as ações militares de Israel até que elas tivessem atingido seus objetivos, e censurando o Irã e a Síria porque estavam apoiando a resistência contra a destruição do sul do Líbano por Israel. Por sinal, pela quinta vez em 25 anos. Assim, eles herdaram o direito [do uso da força à sua vontade]. Outros clientes também.
Mas, na realidade, esse direito tem sede em Washington. Isso é o que significa ser dono do mundo. É como o ar que você respira, você não pode questioná-lo. O principal fundador da teoria contemporânea das RI (Relações Internacionai), Hans Morghentau, era na realidade uma pessoa bastante decente, um dos raros cientistas políticos e especialistas em assuntos externos a criticar a guerra do Vietnam sob o ponto de vista moral, não tático. Algo muito raro. Ele escreveu um livro chamado "O Objetivo da Política Americana" (The Purpose of American Politics). Você já sabe o que ele traz. Outros países não têm objetivos. O objetivo da América, por outro lado, é "transcedental" -- levar liberdade e justiça para o resto do mundo. Mas, ele [Morghentau] é um bom acadêmico, como Carothers. Então, vasculhou os arquivos. Ele disse que, quando você examina esses arquivos, é como se os EUA não vivessem à altura de seus objetivos transcendentais. Mas, diz ele então, criticar nossos objetivos transcendentais é "cair no erro do ateísmo, que nega a validade da religião com base nas mesmas razões" -- que é uma boa comparação. É uma crença religiosa profundamente arraigada -- tão profundamente, que será difícil desemaranhá-la. E se alguém questionar isso, gera-se uma quase-histeria e, frequentemente, acusações de antiamericanismo ou de "ódio à América" -- conceitos interessantes que não existem em sociedades democráticas, mas em regimes totalitários e aqui [nos EUA], onde são simplesmente considerados como indiscutíveis.
segunda-feira, 12 de março de 2012
Militar americano assassina 16 civis no Afeganistão e talibãs prometem vingança
Estou definitivamente convencido de que não há nada mais perigoso no mundo do que um americano armado, não importa onde esteja: no próprio lar, na escola, numa igreja, num estacionamento, e até mesmo numa guerra (mas não necessariamente nem exatamente contra o inimigo armado). A notícia abaixo, da BBC Brasil e do jornal O Estado de S. Paulo, nos dá a repercussão do ato de insanidade de um sargento americano que, ontem, assassinou a sangue frio 16 civis no Afeganistão.
As tropas dos Estados Unidos no Afeganistão foram colocadas em alerta após o assassinato de 16 civis por um militar americano. Autoridades temem represálias depois que o militar atacou famílias afegãs em vilarejos próximos a uma base em Kandahar. Os corpos das vítimas, entre elas nove crianças e três mulheres, foram encontrados na madrugada de domingo.
O Taleban [na mídia encontram-se, além desta, as grafias "talebã" e "talibã"-- o dicionário Houaiss, 1ª edição (2011), não contém esse termo] do Afeganistão jurou nesta segunda-feira, 12, vingança contra os "selvagens americanos com mentalidades doentes", uma clara resposta ao ataque de um sargento do Exército dos Estados Unidos que no domingo matou 16 civis - entre eles nove crianças - na cidade de Panjwai, na Província de Kandahar. O Taleban irá "vingar-se dos invasores e dos assassinos selvagens por cada mártir", de acordo com um comunicado publicado no site do grupo insurgente. "Entre as vítimas, há um grande número de crianças inocentes, mulheres e idosos, martirizados pelos bárbaros americanos, que impiedosamente roubaram suas vidas preciosas e encharcaram suas mãos com sangue inocente", afirma, ainda o comunicado.
Em seu website, a Embaixada dos Estados Unidos em Cabul alertou cidadãos americanos no Afeganistão que "como resultado do trágico tiroteio na província de Kandahar, envolvendo um militar americano, há um risco de sentimentos anti-americanos e protestos nos próximos dias, especialmente nas províncias no leste e sul do país". O incidente acontece pouco tempo depois que militares dos Estados Unidos queimaram cópias do livro sagrado muçulmano, o Corão, em uma base no Afeganistão provocando reações violentas no país. [É simplesmente espantosa e bizarra a capacidade americana de gerar conflitos absolutamente ridículos e gratuitos!].
"Sem paciência"
O Parlamento do Afeganistão aprovou uma resolução sobre a morte dos civis, que pede que o soldado americano seja julgado publicamente em um tribunal afegão, e diz que o povo perdeu a paciência com as ações das tropas estrangeiras.
O presidente americano, Barack Obama, telefonou para dar os pêsames ao presidente afegão, Hamid Karzai, que classificou o incidente de "imperdoável". Em uma declaração divulgada pela Casa Branca, Obama disse: "Este incidente é trágico e chocante, e não representa o caráter excepcional de nosso Exército e o respeito que os Estados Unidos têm pelo povo do Afeganistão".
Analistas dizem que os assassinatos danificaram ainda mais a frágil relação entre Washington e Cabul. Segundo o correspondente da BBC Bilal Sarwary, o talebã está usando o ataque para se promover, o que coloca o presidente Karzai em uma posição difícil. Líderes tribais exigem, agora, o fim das operações militares noturnas e dizem que os pedidos de desculpas dos americanos "não querem dizer nada".
Investigação
O secretário de Defesa americano, Leon Panetta, anunciou que o incidente em Kandahar está sendo investigado. O militar, que seria um sargento, teria deixado sua base por volta de 3 horas da manhã de domingo e se dirigido aos vilarejos de Alkozai e Najeeban, a 500 metros da base, onde teria invadido três casas. Em uma delas, foram encontrados 11 corpos, alguns deles incendiados. Pelo menos três das nove crianças mortas foram atingidas por um único tiro na cabeça. Segundo o Exército americano, relatórios indicam que o militar voltou à base após os ataques e se entregou.
As razões para suas ações não ficaram claras, mas há especulações de que ele estaria bêbado ou de que teria sofrido um colapso nervoso. O acusado pelos assassinatos - que não foi identificado formalmente - está detido em Kandahar e o Exército está tratando pelo menos cinco pessoas feridas nos ataques. A agência de notícias Associated Press diz que se trata de um homem de 38 anos, do estado de Washington, e que ele é casado e tem dois filhos. Ele já teria servido no Iraque e estaria em sua primeira temporada no Afeganistão.
O incidente também voltou a colocar em questão a retirada das tropas dos Estados Unidos, já anunciada pelo presidente Barack Obama. A saída dos militares americanos já teve início, mas está prevista para terminar em 2014, embora ainda haja discussões sobre a capacidade das forças locais de manter o país estável e seguro.
As tropas dos Estados Unidos no Afeganistão foram colocadas em alerta após o assassinato de 16 civis por um militar americano. Autoridades temem represálias depois que o militar atacou famílias afegãs em vilarejos próximos a uma base em Kandahar. Os corpos das vítimas, entre elas nove crianças e três mulheres, foram encontrados na madrugada de domingo.
O Taleban [na mídia encontram-se, além desta, as grafias "talebã" e "talibã"-- o dicionário Houaiss, 1ª edição (2011), não contém esse termo] do Afeganistão jurou nesta segunda-feira, 12, vingança contra os "selvagens americanos com mentalidades doentes", uma clara resposta ao ataque de um sargento do Exército dos Estados Unidos que no domingo matou 16 civis - entre eles nove crianças - na cidade de Panjwai, na Província de Kandahar. O Taleban irá "vingar-se dos invasores e dos assassinos selvagens por cada mártir", de acordo com um comunicado publicado no site do grupo insurgente. "Entre as vítimas, há um grande número de crianças inocentes, mulheres e idosos, martirizados pelos bárbaros americanos, que impiedosamente roubaram suas vidas preciosas e encharcaram suas mãos com sangue inocente", afirma, ainda o comunicado.
Em seu website, a Embaixada dos Estados Unidos em Cabul alertou cidadãos americanos no Afeganistão que "como resultado do trágico tiroteio na província de Kandahar, envolvendo um militar americano, há um risco de sentimentos anti-americanos e protestos nos próximos dias, especialmente nas províncias no leste e sul do país". O incidente acontece pouco tempo depois que militares dos Estados Unidos queimaram cópias do livro sagrado muçulmano, o Corão, em uma base no Afeganistão provocando reações violentas no país. [É simplesmente espantosa e bizarra a capacidade americana de gerar conflitos absolutamente ridículos e gratuitos!].
"Sem paciência"
O Parlamento do Afeganistão aprovou uma resolução sobre a morte dos civis, que pede que o soldado americano seja julgado publicamente em um tribunal afegão, e diz que o povo perdeu a paciência com as ações das tropas estrangeiras.
O presidente americano, Barack Obama, telefonou para dar os pêsames ao presidente afegão, Hamid Karzai, que classificou o incidente de "imperdoável". Em uma declaração divulgada pela Casa Branca, Obama disse: "Este incidente é trágico e chocante, e não representa o caráter excepcional de nosso Exército e o respeito que os Estados Unidos têm pelo povo do Afeganistão".
Analistas dizem que os assassinatos danificaram ainda mais a frágil relação entre Washington e Cabul. Segundo o correspondente da BBC Bilal Sarwary, o talebã está usando o ataque para se promover, o que coloca o presidente Karzai em uma posição difícil. Líderes tribais exigem, agora, o fim das operações militares noturnas e dizem que os pedidos de desculpas dos americanos "não querem dizer nada".
Investigação
O secretário de Defesa americano, Leon Panetta, anunciou que o incidente em Kandahar está sendo investigado. O militar, que seria um sargento, teria deixado sua base por volta de 3 horas da manhã de domingo e se dirigido aos vilarejos de Alkozai e Najeeban, a 500 metros da base, onde teria invadido três casas. Em uma delas, foram encontrados 11 corpos, alguns deles incendiados. Pelo menos três das nove crianças mortas foram atingidas por um único tiro na cabeça. Segundo o Exército americano, relatórios indicam que o militar voltou à base após os ataques e se entregou.
As razões para suas ações não ficaram claras, mas há especulações de que ele estaria bêbado ou de que teria sofrido um colapso nervoso. O acusado pelos assassinatos - que não foi identificado formalmente - está detido em Kandahar e o Exército está tratando pelo menos cinco pessoas feridas nos ataques. A agência de notícias Associated Press diz que se trata de um homem de 38 anos, do estado de Washington, e que ele é casado e tem dois filhos. Ele já teria servido no Iraque e estaria em sua primeira temporada no Afeganistão.
O incidente também voltou a colocar em questão a retirada das tropas dos Estados Unidos, já anunciada pelo presidente Barack Obama. A saída dos militares americanos já teve início, mas está prevista para terminar em 2014, embora ainda haja discussões sobre a capacidade das forças locais de manter o país estável e seguro.
Habitante mostra o local onde uma família afegã foi morta por um soldado americano neste domingo - (Foto: Mamoon Durrani/AFP).
Homem chora sobre os corpos de civis mortos por um militar americano - (Foto: BBC Brasil).
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Pentágono identifica 2 fuzileiros que aparecem em vídeo urinando em cadáveres de talibãs
Mais um exemplo repugnante de comportamento de militares americanos nas guerras que travam pelo mundo afora -- desta vez é um vídeo, que circula na internet, mostrando quatro fuzileiros urinando em cadáveres ditos de talibãs mortos em combate no Afeganistão! Em março do ano passado, soldados americanos provocaram revolta deixando-se fotografar zombando de civis incocentes mortos por eles.
A reportagem abaixo, do site The Slate de hoje, informa que o Pentágono já teria identificado 2 dos 4 fuzileiros que estão urinando em cadáveres.
O Corpo de Fuzileiros Navais identificou pelo menos dois dos quatro soldados que aparecem num vídeo na internet urinando em cadáveres de afegães que seriam membros do grupo talibã, informa a Associated Press (AP).
Um militar da Marinha, não identificado, disse que os soldados do vídeo eram do 3° Batalhão, do 2° Regimento de Fuzileiros, que retornaram do Afeganistão para sua base nos EUA, na Carolina do Norte, no último outono. O único detalhe adicional que ele forneceu à AP foi que alguns dos quatro soldados não estão mais naquele batalhão.
Na quinta-feira cedo, o Secretário de Defesa Leon Panetta garantiu que os soldados seriam "responsabilizados no mais amplo sentido".
O vídeo mencionado apareceu ontem, quarta-feira, no YouTube e em vários outros websites. A agência noticiosa Reuters mostra e detalha o vídeo: Ele "mostra quatro homens em uniformes de combate camuflados dos Fuzileiros urinando em três cadáveres. Um deles brinca: "Tenha um bom dia, meu chapa'. Um outro faz uma piada obscena".
Autoridades do Pentágono dizem que estão checando a autenticidade da fita, cuja origem é desconhecida, mas até agora não têm motivos para acreditar que seja uma montagem, informa a BBC.
Muitos observadores temem que o vídeo possa ser o golpe mais recente contra a imagem dos militares americanos e, adicionalmente, dificultar os esforços no cenário afegão. Assim como Panetta, o presidente afegão Hamid Karzai condenou o vídeo rapidamente, qualificando de "completamente desumana" a atitude dos homens que nele aparecem.
De sua parte, entretanto, os talibãs aparentemente desdenharam o vídeo possivelmente explosivo, dizendo que ele faria pouco dano à recente rodada de conversações de paz que o grupo e os EUA começaram. "Sabemos que nosso país está ocupado", disse um porta-voz talibã. "Este não é um processo político, por conseguinte o vídeo não prejudicará nossas conversações e a troca de prisioneiros, porque elas estão no estágio preliminar".
O vídeo é tão explicito e descritivo quanto parece, por isso não foi incluído abertamente na reportagem, nem nesta postagem. Mas, quem quiser vê-lo é só clicar no link para a Reuters fornecido mais acima nesta postagem.
A reportagem abaixo, do site The Slate de hoje, informa que o Pentágono já teria identificado 2 dos 4 fuzileiros que estão urinando em cadáveres.
O Corpo de Fuzileiros Navais identificou pelo menos dois dos quatro soldados que aparecem num vídeo na internet urinando em cadáveres de afegães que seriam membros do grupo talibã, informa a Associated Press (AP).
Um militar da Marinha, não identificado, disse que os soldados do vídeo eram do 3° Batalhão, do 2° Regimento de Fuzileiros, que retornaram do Afeganistão para sua base nos EUA, na Carolina do Norte, no último outono. O único detalhe adicional que ele forneceu à AP foi que alguns dos quatro soldados não estão mais naquele batalhão.
Na quinta-feira cedo, o Secretário de Defesa Leon Panetta garantiu que os soldados seriam "responsabilizados no mais amplo sentido".
O vídeo mencionado apareceu ontem, quarta-feira, no YouTube e em vários outros websites. A agência noticiosa Reuters mostra e detalha o vídeo: Ele "mostra quatro homens em uniformes de combate camuflados dos Fuzileiros urinando em três cadáveres. Um deles brinca: "Tenha um bom dia, meu chapa'. Um outro faz uma piada obscena".
Autoridades do Pentágono dizem que estão checando a autenticidade da fita, cuja origem é desconhecida, mas até agora não têm motivos para acreditar que seja uma montagem, informa a BBC.
Muitos observadores temem que o vídeo possa ser o golpe mais recente contra a imagem dos militares americanos e, adicionalmente, dificultar os esforços no cenário afegão. Assim como Panetta, o presidente afegão Hamid Karzai condenou o vídeo rapidamente, qualificando de "completamente desumana" a atitude dos homens que nele aparecem.
De sua parte, entretanto, os talibãs aparentemente desdenharam o vídeo possivelmente explosivo, dizendo que ele faria pouco dano à recente rodada de conversações de paz que o grupo e os EUA começaram. "Sabemos que nosso país está ocupado", disse um porta-voz talibã. "Este não é um processo político, por conseguinte o vídeo não prejudicará nossas conversações e a troca de prisioneiros, porque elas estão no estágio preliminar".
O vídeo é tão explicito e descritivo quanto parece, por isso não foi incluído abertamente na reportagem, nem nesta postagem. Mas, quem quiser vê-lo é só clicar no link para a Reuters fornecido mais acima nesta postagem.
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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
EUA reconhecem erros no ataque que matou soldados paquistaneses na fronteira com o Afeganistão
Perto do fim de novembro passado, um ataque aéreo da OTAN a um posto militar na fronteira entre Afeganistão e Paquistão resultou na morte de 24 soldados paquistaneses e gerou uma crise gravíssima nas já tensas relações do Paquistão com os EUA (que, na realidade, são o cérebro e o principal executor militar das chamadas "forças de coalizão" na região). Como sempre, os americanos relutam em aceitar que erraram, juram de pés juntos que não tiveram nada com o ocorrido e, passado um mês ou mais depois, vêm a público admitir seu erro, como é o caso agora, conforme reportagem do The Washington Post (WP), parte da qual está traduzida abaixo.
Militares americanos reconheceram hoje que comandos no Afeganistão cometeram sérios erros durante um ataque na fronteira afegano-paquistanesa no mês passado, no qual 24 oficiais de polícia paquistaneses foram mortos. Um relatório sobre o incidente de 25 de novembro concluiu que "uma coordenação inadequada entre oficiais militares dos EUA e do Paquistão", e informação de mapas errônea fornecida pela OTAN às autoridades paquistanesas foram as responsáveis por aquele erro crasso [para a palavra inglesa "blunder" cabe também a tradução "asneira", que me parece ser a mais pertinente, no caso], que adicionou uma enorme tensão nas já atormentadas relações entre Washington e Islamabad. [Falar em "má coordenação" e "mapas errados", quando uma das partes envolvidas é a maior potência militar do planeta, que dispõe de um arsenal bélico de ponta, satélites e aviões espiões, e de um serviço de inteligência sofisticadíssimo, me soa como chamar o mundo de trouxa e não querer reconhecer que seus militares desse ataque são uns irresponsáveis.]
A falta de coordenação [o texto da reportagem do WP fala inicialmente em "coordenação inadequada", e agora se refere a "falta de coordenação", e essas duas expressões não são exatamente a mesmíssima coisa -- não fica claro se a ambiguidade é do jornal ou do relatório militar] e o mapeamentpo incorreto "resultaram em um mal-entendido quanto à real localização das unidades militares paquistanesas", disse o Pentágono em um comunicado na manhã de hoje. "Isto, associado a outras falhas de informação sobre as atividades e as localizações de unidades de ambos os lados, contribuiu para o trágico resultado". -- "Pela perda de vidas, e pela falta de coordenação adequada entre as forças dos EUA e do Paquistão que contribuiu para aquela perda, apresentamos nosso mais profundo pesar", disse também o Pentágono.
O comunicado [do Pentágono] parece não ter o nível do pedido de desculpas demandado por Islamabad. Aquele texto disse que "as forças americanas agiram em defesa própria e com a intensidade apropriada, após terem sido alvejadas", e afirmou que as forças americanas não visaram intencionalmente as forças de segurança paquistanesas ou deliberadamente iludiram os oficiais de ligação paquistaneses.
"Analisaremos as conclusões cuidadosamente e, então, formularemos nossa resposta", disse aos jornalistas nesta quinta-feira o porta-voz do ministério do Exterior paquistanês, Abdul Basit, antes que fossem divulgadas nos EUA as conclusões preliminares [do relatório].
Autoridades paquistanesas dizem que o ataque, que começou pouco antes da meia-noite, continuou ainda por longo tempo após oficiais de ligação paquistaneses terem alertados os americanos de que ataques aéreos estavam visando forças de segurança paquistanesas.
Militares americanos reconheceram hoje que comandos no Afeganistão cometeram sérios erros durante um ataque na fronteira afegano-paquistanesa no mês passado, no qual 24 oficiais de polícia paquistaneses foram mortos. Um relatório sobre o incidente de 25 de novembro concluiu que "uma coordenação inadequada entre oficiais militares dos EUA e do Paquistão", e informação de mapas errônea fornecida pela OTAN às autoridades paquistanesas foram as responsáveis por aquele erro crasso [para a palavra inglesa "blunder" cabe também a tradução "asneira", que me parece ser a mais pertinente, no caso], que adicionou uma enorme tensão nas já atormentadas relações entre Washington e Islamabad. [Falar em "má coordenação" e "mapas errados", quando uma das partes envolvidas é a maior potência militar do planeta, que dispõe de um arsenal bélico de ponta, satélites e aviões espiões, e de um serviço de inteligência sofisticadíssimo, me soa como chamar o mundo de trouxa e não querer reconhecer que seus militares desse ataque são uns irresponsáveis.]
A falta de coordenação [o texto da reportagem do WP fala inicialmente em "coordenação inadequada", e agora se refere a "falta de coordenação", e essas duas expressões não são exatamente a mesmíssima coisa -- não fica claro se a ambiguidade é do jornal ou do relatório militar] e o mapeamentpo incorreto "resultaram em um mal-entendido quanto à real localização das unidades militares paquistanesas", disse o Pentágono em um comunicado na manhã de hoje. "Isto, associado a outras falhas de informação sobre as atividades e as localizações de unidades de ambos os lados, contribuiu para o trágico resultado". -- "Pela perda de vidas, e pela falta de coordenação adequada entre as forças dos EUA e do Paquistão que contribuiu para aquela perda, apresentamos nosso mais profundo pesar", disse também o Pentágono.
O comunicado [do Pentágono] parece não ter o nível do pedido de desculpas demandado por Islamabad. Aquele texto disse que "as forças americanas agiram em defesa própria e com a intensidade apropriada, após terem sido alvejadas", e afirmou que as forças americanas não visaram intencionalmente as forças de segurança paquistanesas ou deliberadamente iludiram os oficiais de ligação paquistaneses.
"Analisaremos as conclusões cuidadosamente e, então, formularemos nossa resposta", disse aos jornalistas nesta quinta-feira o porta-voz do ministério do Exterior paquistanês, Abdul Basit, antes que fossem divulgadas nos EUA as conclusões preliminares [do relatório].
Autoridades paquistanesas dizem que o ataque, que começou pouco antes da meia-noite, continuou ainda por longo tempo após oficiais de ligação paquistaneses terem alertados os americanos de que ataques aéreos estavam visando forças de segurança paquistanesas.
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sábado, 26 de novembro de 2011
Um fertilizante está por trás de bombas que já feriram cerca de 3.200 soldados e fuzileiros dos EUA no Afeganistão
Para entender a gravidade do problema do Ten. Gen. Michael D. Barbero com a bomba de fertilizante de 40 dólares, é útil levar em conta alguns números mais expressivos.
Barbero chefia um comando militar americano, com um orçamento anual de cerca de US$ 2,8 bilhões, que foi criado para eliminar as baixas americanas provocadas por bombas rebeldes. Apenas nos últimos poucos meses, ele teve que gastar US$ 24 milhões por um novo radar manual que penetra o solo, US$ 33 milhões por mini-robôs de vigilância, e US$ 19 milhões por uma roupa interior resistente a bombas.
A arma preferida dos rebeldes no Afeganistão está no outro extremo do espectro de preços: um pote ou vaso de plástico cheio de adubo de nitrato de amônia. Até agora, neste ano, essas bombas baratas e difíceis de serem detetadas feriram cerca de 3.200 soldados e fuzileiros americanos, 22% a mais em relação a 2010 de acordo com o Pentágono.
"Estamos retirando mais e mais desse tipo de material do campo de batalha", disse Barbero sobre as bombas de fertilizante. "Mas, ele continua aparecendo, e cada vez mais".
Quase todo o nitrato de amônia usado nas bombas dos talebãs vem de duas fábricas grandes de fertilizantes do Paquistão, do outro lado da fronteira. Barbero concluiu que a melhor maneira de reduzir a matança feita pelos talebãs era fazer com que ficasse mais difícil para os rebeldes obter o fertilizante, que é proibido no Afeganistão porque pode ser usado para fazer explosivos.
Em agosto o ten.-general chamou Fawad Mukhtar, presidente do grupo Fatima, proprietário das duas fábricas, para uma reunião no Paquistão. Mukhtar responbdeu que Barbero não precisava viajar, porque ele estava planejando visitar os EUA para deixar seu filho na escola e prometeu passar pelo escritório de Barbero em Arlington. Os dois se encontraram durante cerca de meia-hora. Barbero disse ao empresário paquistanês que o fertilizante de suas fábricas era o responsável pela maioria das mortes americanas no Afeganistão. Mukhtar contestou, dizendo que menos de 1% de seu produto caía nas mãos dos rebeldes e era transformado em bombas. A grande maioria de seu produto era usada na agricultura -- pessoas dependiam de seu produto para viver e comer.
"Ele não é um radical", disse Barbero a respeito de Mukhtar. "Acho que ele quer ser parte da solução".
A breve visita de Mukhtar foi o começo da imersão de um mês de Barbero na indústria global de fertilizantes. Ele e sua equipe estudaram como o nitrato de amônia é produzido, como pode ser processado para converter-se em uma bomba, e como poderia ser modificado para tornar-se menos perigoso ou mais detetável pelas tropas americanas e afegãs nos pontos de travessia da fronteira.
Uma semana depois do encontro com Mukhtar, Barbero voou para Denver para dirigir-se a uma conferência global de administradores de fábricas de nitrato de amônia. Seu discurso incluiu um pedido por ajuda e avisos de que uma regulamentação onerosa seria aplicada, se os executivos não encontrassem meios de fazer o nitrato de amônia menos útil como uma arma. Os administradores reagiram friamente. "Eles me disseram como era difícil fazer com que ele não fosse detonável", disse Barbero. "Eu disse: entendi. Mas vocês têm que começar a trabalhar nisso".
Na semana passada, outra conferência foi realizada pelo comando de Barbero em Arlington, com a presença de cerca de 120 executivos, agrônomos, químicos e oficiais militares, incluindo um representante do grupo Fatima de Mukhtar de sua fábrica na província paquistanesa de Punjab. Quase imediatamente, os executivos da indústria levantaram dúvidas sobre haver alguma coisa que pudessem fazer para ajudar os militares. As quantidades [de nitrato de amônia] que os talebãs estavam usando para fazer suas bombas -- cerca de 240.000 quilos de nitrato de amônia por ano -- parecia minúsculo frente à produção anual da indústria global como um todo.
Nessa reunião foi explicado como os talebãs transformam o fertilizante em bombas -- o primeiro passo é remover o carbonato de cálcio, que a indústria começou a adicionar nos anos 1970s ao fertilizante de nitrato de amônia, para torná-lo menos explosivo. Foram formados grupos de trabalho para a apresentação de solução(ões) para o problema, e a mais promissora foi a de acrescentar grânulos de ureia fertilizante revestidos aos sacos de nitrato de amônia. A combinação de ureia e nitrato de amônia tem uma forte afinidade com a água, e tornaria muito difícil para os rebeldes secá-lo para fazer um explosivo.
Um oficial militar britânico na conferência sugeriu que apenas as fábricas paquistanesas do fertilizante teriam que alterar seu método de fabricação, porque eram a única fonte do problema no Afeganistão. "É quase um monopólio", disse ele. "E, se essas duas fábricas ajustarem seus processos [de fabricação], ficaria muito difícil para os rebeldes comprar o produto na região".
O representante do grupo Fatima na reunião se irritou com a insinuação de que as duas fábricas do Paquistão eram a fonte do problema. "Há muito comércio [disso] na Índia. Há Irã e Indonesia", disse ele. E não estou nem falando dos ex-Estados russos. Os extremistas acharão meios para encontrar nitrato de amônia com cálcio, eles são muito espertos".
Após o término da conferência, ficou decidido que o comando de Barbero pagará por alguns estudos rápidos nos próximos meses, para determinar qual o melhor aditivo a ser acrescentado aos sacos de nitrato de amônia para que gerem menos bombas. O objetivo é por em prática nas fábricas do grupo Fátima qualquer solução potencialmente útil antes do período de confrontos do verão de 2012.
Barbero chefia um comando militar americano, com um orçamento anual de cerca de US$ 2,8 bilhões, que foi criado para eliminar as baixas americanas provocadas por bombas rebeldes. Apenas nos últimos poucos meses, ele teve que gastar US$ 24 milhões por um novo radar manual que penetra o solo, US$ 33 milhões por mini-robôs de vigilância, e US$ 19 milhões por uma roupa interior resistente a bombas.
A arma preferida dos rebeldes no Afeganistão está no outro extremo do espectro de preços: um pote ou vaso de plástico cheio de adubo de nitrato de amônia. Até agora, neste ano, essas bombas baratas e difíceis de serem detetadas feriram cerca de 3.200 soldados e fuzileiros americanos, 22% a mais em relação a 2010 de acordo com o Pentágono.
"Estamos retirando mais e mais desse tipo de material do campo de batalha", disse Barbero sobre as bombas de fertilizante. "Mas, ele continua aparecendo, e cada vez mais".
Quase todo o nitrato de amônia usado nas bombas dos talebãs vem de duas fábricas grandes de fertilizantes do Paquistão, do outro lado da fronteira. Barbero concluiu que a melhor maneira de reduzir a matança feita pelos talebãs era fazer com que ficasse mais difícil para os rebeldes obter o fertilizante, que é proibido no Afeganistão porque pode ser usado para fazer explosivos.
Em agosto o ten.-general chamou Fawad Mukhtar, presidente do grupo Fatima, proprietário das duas fábricas, para uma reunião no Paquistão. Mukhtar responbdeu que Barbero não precisava viajar, porque ele estava planejando visitar os EUA para deixar seu filho na escola e prometeu passar pelo escritório de Barbero em Arlington. Os dois se encontraram durante cerca de meia-hora. Barbero disse ao empresário paquistanês que o fertilizante de suas fábricas era o responsável pela maioria das mortes americanas no Afeganistão. Mukhtar contestou, dizendo que menos de 1% de seu produto caía nas mãos dos rebeldes e era transformado em bombas. A grande maioria de seu produto era usada na agricultura -- pessoas dependiam de seu produto para viver e comer.
"Ele não é um radical", disse Barbero a respeito de Mukhtar. "Acho que ele quer ser parte da solução".
A breve visita de Mukhtar foi o começo da imersão de um mês de Barbero na indústria global de fertilizantes. Ele e sua equipe estudaram como o nitrato de amônia é produzido, como pode ser processado para converter-se em uma bomba, e como poderia ser modificado para tornar-se menos perigoso ou mais detetável pelas tropas americanas e afegãs nos pontos de travessia da fronteira.
Uma semana depois do encontro com Mukhtar, Barbero voou para Denver para dirigir-se a uma conferência global de administradores de fábricas de nitrato de amônia. Seu discurso incluiu um pedido por ajuda e avisos de que uma regulamentação onerosa seria aplicada, se os executivos não encontrassem meios de fazer o nitrato de amônia menos útil como uma arma. Os administradores reagiram friamente. "Eles me disseram como era difícil fazer com que ele não fosse detonável", disse Barbero. "Eu disse: entendi. Mas vocês têm que começar a trabalhar nisso".
Na semana passada, outra conferência foi realizada pelo comando de Barbero em Arlington, com a presença de cerca de 120 executivos, agrônomos, químicos e oficiais militares, incluindo um representante do grupo Fatima de Mukhtar de sua fábrica na província paquistanesa de Punjab. Quase imediatamente, os executivos da indústria levantaram dúvidas sobre haver alguma coisa que pudessem fazer para ajudar os militares. As quantidades [de nitrato de amônia] que os talebãs estavam usando para fazer suas bombas -- cerca de 240.000 quilos de nitrato de amônia por ano -- parecia minúsculo frente à produção anual da indústria global como um todo.
Nessa reunião foi explicado como os talebãs transformam o fertilizante em bombas -- o primeiro passo é remover o carbonato de cálcio, que a indústria começou a adicionar nos anos 1970s ao fertilizante de nitrato de amônia, para torná-lo menos explosivo. Foram formados grupos de trabalho para a apresentação de solução(ões) para o problema, e a mais promissora foi a de acrescentar grânulos de ureia fertilizante revestidos aos sacos de nitrato de amônia. A combinação de ureia e nitrato de amônia tem uma forte afinidade com a água, e tornaria muito difícil para os rebeldes secá-lo para fazer um explosivo.
Um oficial militar britânico na conferência sugeriu que apenas as fábricas paquistanesas do fertilizante teriam que alterar seu método de fabricação, porque eram a única fonte do problema no Afeganistão. "É quase um monopólio", disse ele. "E, se essas duas fábricas ajustarem seus processos [de fabricação], ficaria muito difícil para os rebeldes comprar o produto na região".
O representante do grupo Fatima na reunião se irritou com a insinuação de que as duas fábricas do Paquistão eram a fonte do problema. "Há muito comércio [disso] na Índia. Há Irã e Indonesia", disse ele. E não estou nem falando dos ex-Estados russos. Os extremistas acharão meios para encontrar nitrato de amônia com cálcio, eles são muito espertos".
Após o término da conferência, ficou decidido que o comando de Barbero pagará por alguns estudos rápidos nos próximos meses, para determinar qual o melhor aditivo a ser acrescentado aos sacos de nitrato de amônia para que gerem menos bombas. O objetivo é por em prática nas fábricas do grupo Fátima qualquer solução potencialmente útil antes do período de confrontos do verão de 2012.
Nitrato de amônia, frequentemente utilizado em dispositivos explosivos improvisados (IEDs, em inglês), é a arma preferida dos rebeldes contra as tropas americanas no Afeganistão - (Foto: The Washington Post).
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segunda-feira, 17 de outubro de 2011
A guerra invencível: porque os EUA nunca salvarão o Afeganistão
A revista Time Magazine que está nas bancas traz um longo e interessante artigo sobre as dificuldades praticamente intransponíveis que os EUA enfrentam no Afeganistão.
Em um centro de treinamento militar de Kabul, construído pelos EUA, o coronel Fazl Karim faz sua habitual palestra de estímulo a um grupo novo de recrutas, duas semanas antes que sejam formalmente incorporados ao Exército Nacional afegão. Ali próximo, equipes de construção constroem um novo acampamento -- 100 mil novos recrutas são esperados por esse centro nos próximos três anos; se tudo ocorrer como planejado, cerca de 320.000 homens estarão prontos para defender seu país no dia em que a grande parte dos soldados americanos estará deixando o país.
Mesmo os oficiais americanos que supervisionam todo o treinamento estão céticos. A infiltração talibã, o uso de droga, e as deserções são o lugar-comum entre os homens que aqui chegam. A qualidade da tropa é ruim -- os recrutadores não podem ser muito seletivos, pois têm grandes quotas para preencher. Para o capitão do exército americano Jason Reed, membro da missão de treinamento, é apenas uma questão de tempo -- mas de um longo tempo. Segundo ele, serão necessárias gerações até que o Afeganistão tenha um exército profissional.
Mas, o governo do Afeganistão e seus financiadores e apoiadores americanos não dispõem de tanto prazo para fazer o país funcionar. Espera-se que os afegãos assumam a responsabilidade por sua própria segurança em 31/12/2014, a daqui 38 meses. Mas, 10 anos depois que os EUA invadiram esse país e então se organizaram para uma longa ocupação, o Afeganistão não se encontra perto de nada em termos de ser capaz de se manter sozinho -- militarmente, economicamente, ou mesmo politicamente. Para muitos, trata-se de um infortúnio caro. Enquanto isso, os EUA continuam anunciando sua intenção de sair do país, não tanto se retirando mas recuando de um problema que aparentemente não mais têm a vontade ou a capacidade de resolver.
A perspectiva é assustadora: o Afeganistão tem hoje o potencial de ser ainda mais desestabilizador para a região e o mundo do que era sob o regime talibã. A falta de lei tornou-se a regra, de tal maneira que muitos afegãos tornaram-se saudosos das frias mas eficazes decisões ou máximas da teocracia do mullah [líder religioso] Mohammed Omar.
A paciência americana para um cenário alternativo está prestes a se esgotar. Ao longo de 10 anos, os EUA perderam no Afeganistão 1.786 militares e 763 empreiteiros privados; 14.342 militares foram feridos. Os americanos estabeleceram mais de 180 bases operacionais em todo o país, utilizaram mais de 9.000 veículos resistentes a minas, e gastaram um total de 444 bilhões de dólares na década passada para dar segurança e reconstruir o país -- e dar atendimento às sequelas da guerra em seus soldados que retornaram às suas casas nos EUA. O melhor dos EUA em termos de estrategistas, de cérebros militares, de construtores e engenheiros foi recrutado e posto para atuar em um dos maiores esforços de construção de um país desde o Plano Marshall. E tudo isso simplesmente não deu resultado.
Mesmo agora, 10 anos depois da invasão de 2001, a segurança registra um de seus piores índices. A embaixada americana em Kabul sofreu um prolongado cerco no mês passado. Figuras de destaque do governo e das forças de segurança foram assassinadas, incluindo um ex-presidente do país encarregado de avançadas negociações de paz com a liderança talibã. Mesmo com as estatísticas da OTAN apontando para uma redução de 2% nos ataques inimigos, a ONU sustém que 2011 está a caminho de ser o ano mais violento para os civis afegãos desde a invasão americana.
Autoridades americanas, primeiro na era de George W. Bush e agora no governo Obama, sustêm confiantemente que as condições econômicas e de segurança do país estão melhorando, pouco a pouco. Mas, a evidência disso é escassa e a data limite para a retirada americana fica cada dia mais próxima. Na realidade, em muitos aspectos, essa retirada já se iniciou.
Em um centro de treinamento militar de Kabul, construído pelos EUA, o coronel Fazl Karim faz sua habitual palestra de estímulo a um grupo novo de recrutas, duas semanas antes que sejam formalmente incorporados ao Exército Nacional afegão. Ali próximo, equipes de construção constroem um novo acampamento -- 100 mil novos recrutas são esperados por esse centro nos próximos três anos; se tudo ocorrer como planejado, cerca de 320.000 homens estarão prontos para defender seu país no dia em que a grande parte dos soldados americanos estará deixando o país.
Mesmo os oficiais americanos que supervisionam todo o treinamento estão céticos. A infiltração talibã, o uso de droga, e as deserções são o lugar-comum entre os homens que aqui chegam. A qualidade da tropa é ruim -- os recrutadores não podem ser muito seletivos, pois têm grandes quotas para preencher. Para o capitão do exército americano Jason Reed, membro da missão de treinamento, é apenas uma questão de tempo -- mas de um longo tempo. Segundo ele, serão necessárias gerações até que o Afeganistão tenha um exército profissional.
Mas, o governo do Afeganistão e seus financiadores e apoiadores americanos não dispõem de tanto prazo para fazer o país funcionar. Espera-se que os afegãos assumam a responsabilidade por sua própria segurança em 31/12/2014, a daqui 38 meses. Mas, 10 anos depois que os EUA invadiram esse país e então se organizaram para uma longa ocupação, o Afeganistão não se encontra perto de nada em termos de ser capaz de se manter sozinho -- militarmente, economicamente, ou mesmo politicamente. Para muitos, trata-se de um infortúnio caro. Enquanto isso, os EUA continuam anunciando sua intenção de sair do país, não tanto se retirando mas recuando de um problema que aparentemente não mais têm a vontade ou a capacidade de resolver.
A perspectiva é assustadora: o Afeganistão tem hoje o potencial de ser ainda mais desestabilizador para a região e o mundo do que era sob o regime talibã. A falta de lei tornou-se a regra, de tal maneira que muitos afegãos tornaram-se saudosos das frias mas eficazes decisões ou máximas da teocracia do mullah [líder religioso] Mohammed Omar.
A paciência americana para um cenário alternativo está prestes a se esgotar. Ao longo de 10 anos, os EUA perderam no Afeganistão 1.786 militares e 763 empreiteiros privados; 14.342 militares foram feridos. Os americanos estabeleceram mais de 180 bases operacionais em todo o país, utilizaram mais de 9.000 veículos resistentes a minas, e gastaram um total de 444 bilhões de dólares na década passada para dar segurança e reconstruir o país -- e dar atendimento às sequelas da guerra em seus soldados que retornaram às suas casas nos EUA. O melhor dos EUA em termos de estrategistas, de cérebros militares, de construtores e engenheiros foi recrutado e posto para atuar em um dos maiores esforços de construção de um país desde o Plano Marshall. E tudo isso simplesmente não deu resultado.
Mesmo agora, 10 anos depois da invasão de 2001, a segurança registra um de seus piores índices. A embaixada americana em Kabul sofreu um prolongado cerco no mês passado. Figuras de destaque do governo e das forças de segurança foram assassinadas, incluindo um ex-presidente do país encarregado de avançadas negociações de paz com a liderança talibã. Mesmo com as estatísticas da OTAN apontando para uma redução de 2% nos ataques inimigos, a ONU sustém que 2011 está a caminho de ser o ano mais violento para os civis afegãos desde a invasão americana.
Autoridades americanas, primeiro na era de George W. Bush e agora no governo Obama, sustêm confiantemente que as condições econômicas e de segurança do país estão melhorando, pouco a pouco. Mas, a evidência disso é escassa e a data limite para a retirada americana fica cada dia mais próxima. Na realidade, em muitos aspectos, essa retirada já se iniciou.
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terça-feira, 9 de agosto de 2011
Queda de helicóptero militar no Afeganistão revela o perigo que correm as forças especiais americanas
A missão que matou 32 soldados americanos no sábado de manhã no nordeste do Afeganistão, incluindo 22 Seals da Marinha americana, era apenas uma das dezenas de operações realizadas pelas forças especiais de operações dos EUA cada semana no Afeganistão. A única diferença foi o trágico desfecho.
Enquanto o grupo 6 dos Seals ganhou fama mundial com o ataque em maio que matou Osama Bin Laden, a operação de triste fim do sábado refletiu a realidade de uma unidade cujos alvos são geralmente insurgentes cujos nomes e rostos são quase completamente desconhecidos fora dos círculos militares e de inteligência. Nesse caso, a missão visava suspeitos de uma série de ataques a comboios estrangeiros ao longo de uma estrada ao sul de Kabul, segundo um oficial americano que preferiu ficar anônimo. Alguns relatórios no domingo insinuaram que o grupo 6 dos Seals, que teve perdas significativas quando um helicóptero Chinook foi abatido no sábado, aparentemente por uma arma disparada por um foguete terrorista, se juntou à operação depois que outra unidade pediu-lhe ajuda.
As forças especiais de operação americanas têm sido uma peça decisiva na estratégia de guerra no Afeganistão, atuando em áreas remotas e voláteis que são frequentemente inacessíveis às tropas terrestres. No vale de Tangi, da província de Wardak, onde se deu a queda do helicóptero, os soldados americanos haviam se retirado recentemente do único posto avançado da região. Espera-se que essas missões se tornem cada vez mais importantes, quando os EUA começarem a retirar seus contingentes do Afeganistão nos próximos meses e anos, deixando a OTAN sem efetivo para conduzir tradicionais operações de contrainsurgência como as feitas no meio do surto de tropas nos últimos 18 meses.
A missão de sábado era um ataque noturno, que é usualmente uma operação conjunta da OTAN com forças afegãs, geralmente apoiada em longos esforços de coleta de dados de inteligência. O Afeganistão está no processo de desenvolver seus comandos especiais, e esses ataques são vistos como uma peça chave para capacitar e qualificar essa força nascente.
Oficialmente, a OTAN não confirmou se o helicóptero foi abatido por fogo inimigo, dizendo apenas que foi determinada uma investigação do ocorrido.
Parece improvável que a ocorrência de sábado ameace a confiança americana ou afegã na superioridade aérea do Ocidente. Um funcionário senior do Departamento de Defesa dos EUA declarou recentemente à revista New Yorker que nos dois últimos anos as forças especiais de operação realizaram mais de 2.000 operações com alvos específicos. A grande maioria delas não resultou em perdas para as forças americanas e afegãs.
Enquanto o grupo 6 dos Seals ganhou fama mundial com o ataque em maio que matou Osama Bin Laden, a operação de triste fim do sábado refletiu a realidade de uma unidade cujos alvos são geralmente insurgentes cujos nomes e rostos são quase completamente desconhecidos fora dos círculos militares e de inteligência. Nesse caso, a missão visava suspeitos de uma série de ataques a comboios estrangeiros ao longo de uma estrada ao sul de Kabul, segundo um oficial americano que preferiu ficar anônimo. Alguns relatórios no domingo insinuaram que o grupo 6 dos Seals, que teve perdas significativas quando um helicóptero Chinook foi abatido no sábado, aparentemente por uma arma disparada por um foguete terrorista, se juntou à operação depois que outra unidade pediu-lhe ajuda.
As forças especiais de operação americanas têm sido uma peça decisiva na estratégia de guerra no Afeganistão, atuando em áreas remotas e voláteis que são frequentemente inacessíveis às tropas terrestres. No vale de Tangi, da província de Wardak, onde se deu a queda do helicóptero, os soldados americanos haviam se retirado recentemente do único posto avançado da região. Espera-se que essas missões se tornem cada vez mais importantes, quando os EUA começarem a retirar seus contingentes do Afeganistão nos próximos meses e anos, deixando a OTAN sem efetivo para conduzir tradicionais operações de contrainsurgência como as feitas no meio do surto de tropas nos últimos 18 meses.
A missão de sábado era um ataque noturno, que é usualmente uma operação conjunta da OTAN com forças afegãs, geralmente apoiada em longos esforços de coleta de dados de inteligência. O Afeganistão está no processo de desenvolver seus comandos especiais, e esses ataques são vistos como uma peça chave para capacitar e qualificar essa força nascente.
Oficialmente, a OTAN não confirmou se o helicóptero foi abatido por fogo inimigo, dizendo apenas que foi determinada uma investigação do ocorrido.
Parece improvável que a ocorrência de sábado ameace a confiança americana ou afegã na superioridade aérea do Ocidente. Um funcionário senior do Departamento de Defesa dos EUA declarou recentemente à revista New Yorker que nos dois últimos anos as forças especiais de operação realizaram mais de 2.000 operações com alvos específicos. A grande maioria delas não resultou em perdas para as forças americanas e afegãs.
Um helicóptero Chinook do tipo do que foi abatido no sábado no Afeganistão.
Outra foto do mesmo helicóptero.
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domingo, 26 de junho de 2011
Despesas "militares" anuais dos EUA com ar condicionado no Iraque e no Afeganistão: 20 bilhões de dólares!
Parece inacreditável: entre os gastos militares dos EUA no Iraque e no Afeganistão há uma continha anual de 20,2 bilhões de dólares com ar- condicionado! Isto é mais do que o orçamento da NASA e é mais do que a BP pagou pelos danos que causou durante o vazamento de óleo no Golfo. E é o que o G-8 prometeu para ajudar a promover novas democracias no Egito e na Tunísia.
"Quando se considera o custo de levar combustível para alguns dos lugares mais isolados do mundo -- (incluindo) escolta, comando e controle, apoio para evacuação médica -- quando você inclui toda essa infraestrutura, você chega a mais de 20 bilhões de dólares", disse Steve Anderson, um general-brigadeiro da reserva que serviu no Iraque como chefe de logística do Gen. David Patreaus.
Por que isso custa tanto? Para acionar um ar-condicionado em um posto avançado remoto, num lugar inteiramente rodeado por terra como o Afeganistão, cada galão (cerca de 4,5 l) de combustível tem que enviado de navio para Karachi, no Paquistão, depois levado por terra por 800 milhas (quase 1.300 km) em 18 dias até o Afeganistão, por estradas que algumas vezes são pouco mais do que "trilhas de cabrito melhoradas", diz Anderson, "e você tem ainda os riscos de deslocar esse combustível por cada milha do caminho". -- Anderson calcula que mais de 1.000 soldados morreram em comboios de combustível, que permanecem como alvos prioritários para ataques do inimigo. Tendas com ar condicionado num calor de quase 52°C consomem muito combustível. Anderson diz que fazendo essas estruturas mais eficientes os militares podem salvar vidas e dólares. Mesmo assim, esse valor de 20,2 bilhões de dólares levanta sérias questões sobre a guerra em curso no Afeganistão.
Os 30.000 soldados que Obama prometeu trazer de volta para casa no final do ano que vem foram mandados para o Afeganistão em 2009, a um custo de cerca de 30 bilhões de dólares, o que corresponde a cerca de 1 milhão de dólares por soldado. Mas, dizem os especialistas, a economia com a retirada dessas tropas não será de mesma monta. "O que a história nos diz é que não existe uma diminuição proporcional baseada no número de soldados, quando vocês os retira do cenário da guerra", diz Chris Hellman, um analista-senior de pesquisa no National Priorities Project (Projeto de Prioridades Nacionais). "No Afeganistão isso será particularmente verdadeiro, por se tratar de um ambiente muito difícil e rigoroso para se operar", acrescenta Chris.
"Quando se considera o custo de levar combustível para alguns dos lugares mais isolados do mundo -- (incluindo) escolta, comando e controle, apoio para evacuação médica -- quando você inclui toda essa infraestrutura, você chega a mais de 20 bilhões de dólares", disse Steve Anderson, um general-brigadeiro da reserva que serviu no Iraque como chefe de logística do Gen. David Patreaus.
Por que isso custa tanto? Para acionar um ar-condicionado em um posto avançado remoto, num lugar inteiramente rodeado por terra como o Afeganistão, cada galão (cerca de 4,5 l) de combustível tem que enviado de navio para Karachi, no Paquistão, depois levado por terra por 800 milhas (quase 1.300 km) em 18 dias até o Afeganistão, por estradas que algumas vezes são pouco mais do que "trilhas de cabrito melhoradas", diz Anderson, "e você tem ainda os riscos de deslocar esse combustível por cada milha do caminho". -- Anderson calcula que mais de 1.000 soldados morreram em comboios de combustível, que permanecem como alvos prioritários para ataques do inimigo. Tendas com ar condicionado num calor de quase 52°C consomem muito combustível. Anderson diz que fazendo essas estruturas mais eficientes os militares podem salvar vidas e dólares. Mesmo assim, esse valor de 20,2 bilhões de dólares levanta sérias questões sobre a guerra em curso no Afeganistão.
Os 30.000 soldados que Obama prometeu trazer de volta para casa no final do ano que vem foram mandados para o Afeganistão em 2009, a um custo de cerca de 30 bilhões de dólares, o que corresponde a cerca de 1 milhão de dólares por soldado. Mas, dizem os especialistas, a economia com a retirada dessas tropas não será de mesma monta. "O que a história nos diz é que não existe uma diminuição proporcional baseada no número de soldados, quando vocês os retira do cenário da guerra", diz Chris Hellman, um analista-senior de pesquisa no National Priorities Project (Projeto de Prioridades Nacionais). "No Afeganistão isso será particularmente verdadeiro, por se tratar de um ambiente muito difícil e rigoroso para se operar", acrescenta Chris.
Aparelhos de ar-condicionado mantêm as tendas frescas em uma base militar americana no Iraque. Elas foram tratadas com espuma de poliuretano, para aumentar a eficiência energética (Foto: cortesia de Steve Anderson).
Uma tenda militar americana após o tratamento com espuma de poliuretano. Um teste em 2006 com essa espuma mostrou uma redução de 92% na energia consumida, diz o Gen-Brigadeiro da Reserva Steve Anderson (Foto: cortesia de Steve Anderson).
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quarta-feira, 8 de junho de 2011
Cães de guerra, heróis de quatro patas
Você sabia que já existem 2.800 cães de guerra "combatendo" no Iraque e no Afeganistão, que eles saltam de paraquedas, usam visor noturno e têm cemitério de honra? Pois é, essa surpreendente informação consta de interessantíssima reportagem na revista Piauí n° 57 que está nas bancas.
A reportagem, assinada por Dorrit Harazim, dá inicialmente informações sobre o rigor do treinamento para os candidatos a membros dos temidos comandos Seal, a elite mais famosa da Marinha americana. Oitenta por cento dos candidatos a integrá-los não aguentam a chamada "semana dos infernos"-- ao longo de cinco dias e meio de corridas sem pausa, natação em águas gélidas e avanços rolando na lama, os recrutas têm direito a um total de apenas quatro horas de sono. Depois, há ainda anos e mais anos de treinamentos e de operações de campo. -- Os comandos Seal são numerados de um a cinco e de sete a dez. A equipe de número 6, considerada a elite da elite, é a mais secreta e a mais cobiçada.
A rotina dos recrutas de quatro patas que integram as unidades de elite também não é para qualquer raça. Os primeiros cães introduzidos nas fileiras americanas, como em 1942 durante a Segunda Guerra, eram doados por seus donos civis ou deles comprados. Hoje, cães de guerra são criados e treinados por profissionais das Forças Armadas, ou então por serviços mercenários do ramo. Segundo a revista especializada Airman Magazine, a maior parte do contingente atual recebe formação na Base da Força Aérea de Lackland, em San Antonio, no Texas. A meta é produzir pelo menos 100 filhotes a cada ano.
Para ascender ao panteão dos cães de elite, os filhotes começam a ser avaliados já no terceiro dia de vida, através de reflexos e respostas para exercícios de estímulo neurológico. Os exercícios biossensoriais se destinam, conforme o manual de treinamento, a “melhorar o desempenho cardiovascular e aumentar a resistência do animal a estresse e diminuir sua vulnerabilidade imunológica”. Decorridas as oito semanas de avaliação inicial, o filhote considerado promissor para a carreira militar é encaminhado para seis meses de treinos intensivos, em mãos profissionais, fora da Base de Lackland. E só após esse semestre o quatro-patas é considerado apto a participar de treinos junto a um comando como o Seal.
Junto aos 79 homens que tomaram de assalto os céus de Abbottabad e encurralaram Osama bin Laden na noite de 1º de maio passado, havia um desses cães belicosos. De costas para o vácuo, o rabo em riste, corpanzil e focinho firmemente atrelados ao seu parceiro bípede, cão e homem foram ejetados do helicóptero Black Hawk para a mesma missão. Pelo menos no momento do salto rumo ao nada, o cachorro leva vantagem. “Cães não percebem a diferença de altitude, incomodam-se muito mais com o ruído dos motores”, explicou, ao jornal londrino The Times, o ex-fuzileiro naval, e hoje criador de cães de guerra, Mike Dowling. “Uma vez em voo livre, sentem-se mais à vontade do que os recrutas. Aliás, um cão bem treinado está sempre feliz quando em companhia de seu treinador.”
Já a incorporação de um cão da raça belga malinois (o nome deriva da cidade belga de Malinas) à operação mata-mata em Abbottabad seguiu uma estratégia mais definida para a região. “Em muitos países do Oriente Médio há uma aversão cultural pronunciada em relação a cães, e na região eles raramente são usados como animais de estimação”, explicou ao New York Times o major William Roberts, comandante do Centro de Treinamento de Cães do Departamento de Defesa americano. “Neste sentido, o seu poder de intimidação pode ser grande.”
De fato, segundo o Hadith, o escrito islâmico mais importante depois do Corão, a vida de um cachorro em países muçulmanos não deve ser moleza. Cães seriam impuros; os de cor preta devem ser eliminados; se algum cachorro lamber um vasilhame de uso humano, este precisa ser lavado sete vezes e escovado com areia uma oitava vez, e por aí vai.Assim, o deterrente psicológico do desembarque do cão Cairo no Q.G. de Bin Laden deve ter sido considerável.
Já são 2 800 os cães de guerra servindo no Iraque e Afeganistão, e este número só tende a aumentar, dada a eficácia de quadrúpedes, duas vezes mais velozes do que bípedes e dotados de uma combinação ideal de atributos afinados: olfato, resistência, velocidade, coragem, inteligência e capacidade de adaptação a qualquer condição climática.
Foi noticiada a compra, no ano passado, por 86 mil dólares, de quatro coletes táticos à prova d’água para o pelotão de cães dos Seals. Dotados de câmeras infravermelhas e de visão noturna, eles existem em duas cores (camuflagem e deserto) e são capazes de emitir imagens a quem estiver a 9 quilômetros de distância. O investimento parece ser dos mais rentáveis – tanto em vidas quanto em dinheiro. Após gastar 19 bilhões de dólares ao longo de seis anos tentando desenvolver uma tecnologia de última geração para detectar bombas, o Pentágono admitiu em outubro do ano passado que a eficiência canina ainda era 30% superior à de aviões não tripulados e detectores aéreos.
Quando o presidente Barack Obama empreendeu seu giro asiático, no ano passado, uma unidade de elite de trinta cães farejadores fez parte da comitiva, hospedou-se em hotéis cinco estrelas e circulou a bordo de automóveis especialmente adaptados às suas necessidades. Dos assírios aos guerreiros da Idade Média, dos 6 mil cães usados pelos alemães já em 1915, para resgatar 4 mil soldados feridos, a utilização militar de cachorros dá saltos fenomenais. E para quem gosta de programas turísticos alternativos, o primeiro e mais antigo cemitério do mundo para cães de guerra fica a apenas trinta minutos de carro de Nova York, em Hartsdale.
A reportagem, assinada por Dorrit Harazim, dá inicialmente informações sobre o rigor do treinamento para os candidatos a membros dos temidos comandos Seal, a elite mais famosa da Marinha americana. Oitenta por cento dos candidatos a integrá-los não aguentam a chamada "semana dos infernos"-- ao longo de cinco dias e meio de corridas sem pausa, natação em águas gélidas e avanços rolando na lama, os recrutas têm direito a um total de apenas quatro horas de sono. Depois, há ainda anos e mais anos de treinamentos e de operações de campo. -- Os comandos Seal são numerados de um a cinco e de sete a dez. A equipe de número 6, considerada a elite da elite, é a mais secreta e a mais cobiçada.
A rotina dos recrutas de quatro patas que integram as unidades de elite também não é para qualquer raça. Os primeiros cães introduzidos nas fileiras americanas, como em 1942 durante a Segunda Guerra, eram doados por seus donos civis ou deles comprados. Hoje, cães de guerra são criados e treinados por profissionais das Forças Armadas, ou então por serviços mercenários do ramo. Segundo a revista especializada Airman Magazine, a maior parte do contingente atual recebe formação na Base da Força Aérea de Lackland, em San Antonio, no Texas. A meta é produzir pelo menos 100 filhotes a cada ano.
Para ascender ao panteão dos cães de elite, os filhotes começam a ser avaliados já no terceiro dia de vida, através de reflexos e respostas para exercícios de estímulo neurológico. Os exercícios biossensoriais se destinam, conforme o manual de treinamento, a “melhorar o desempenho cardiovascular e aumentar a resistência do animal a estresse e diminuir sua vulnerabilidade imunológica”. Decorridas as oito semanas de avaliação inicial, o filhote considerado promissor para a carreira militar é encaminhado para seis meses de treinos intensivos, em mãos profissionais, fora da Base de Lackland. E só após esse semestre o quatro-patas é considerado apto a participar de treinos junto a um comando como o Seal.
Junto aos 79 homens que tomaram de assalto os céus de Abbottabad e encurralaram Osama bin Laden na noite de 1º de maio passado, havia um desses cães belicosos. De costas para o vácuo, o rabo em riste, corpanzil e focinho firmemente atrelados ao seu parceiro bípede, cão e homem foram ejetados do helicóptero Black Hawk para a mesma missão. Pelo menos no momento do salto rumo ao nada, o cachorro leva vantagem. “Cães não percebem a diferença de altitude, incomodam-se muito mais com o ruído dos motores”, explicou, ao jornal londrino The Times, o ex-fuzileiro naval, e hoje criador de cães de guerra, Mike Dowling. “Uma vez em voo livre, sentem-se mais à vontade do que os recrutas. Aliás, um cão bem treinado está sempre feliz quando em companhia de seu treinador.”
Já a incorporação de um cão da raça belga malinois (o nome deriva da cidade belga de Malinas) à operação mata-mata em Abbottabad seguiu uma estratégia mais definida para a região. “Em muitos países do Oriente Médio há uma aversão cultural pronunciada em relação a cães, e na região eles raramente são usados como animais de estimação”, explicou ao New York Times o major William Roberts, comandante do Centro de Treinamento de Cães do Departamento de Defesa americano. “Neste sentido, o seu poder de intimidação pode ser grande.”
De fato, segundo o Hadith, o escrito islâmico mais importante depois do Corão, a vida de um cachorro em países muçulmanos não deve ser moleza. Cães seriam impuros; os de cor preta devem ser eliminados; se algum cachorro lamber um vasilhame de uso humano, este precisa ser lavado sete vezes e escovado com areia uma oitava vez, e por aí vai.Assim, o deterrente psicológico do desembarque do cão Cairo no Q.G. de Bin Laden deve ter sido considerável.
Já são 2 800 os cães de guerra servindo no Iraque e Afeganistão, e este número só tende a aumentar, dada a eficácia de quadrúpedes, duas vezes mais velozes do que bípedes e dotados de uma combinação ideal de atributos afinados: olfato, resistência, velocidade, coragem, inteligência e capacidade de adaptação a qualquer condição climática.
Foi noticiada a compra, no ano passado, por 86 mil dólares, de quatro coletes táticos à prova d’água para o pelotão de cães dos Seals. Dotados de câmeras infravermelhas e de visão noturna, eles existem em duas cores (camuflagem e deserto) e são capazes de emitir imagens a quem estiver a 9 quilômetros de distância. O investimento parece ser dos mais rentáveis – tanto em vidas quanto em dinheiro. Após gastar 19 bilhões de dólares ao longo de seis anos tentando desenvolver uma tecnologia de última geração para detectar bombas, o Pentágono admitiu em outubro do ano passado que a eficiência canina ainda era 30% superior à de aviões não tripulados e detectores aéreos.
Quando o presidente Barack Obama empreendeu seu giro asiático, no ano passado, uma unidade de elite de trinta cães farejadores fez parte da comitiva, hospedou-se em hotéis cinco estrelas e circulou a bordo de automóveis especialmente adaptados às suas necessidades. Dos assírios aos guerreiros da Idade Média, dos 6 mil cães usados pelos alemães já em 1915, para resgatar 4 mil soldados feridos, a utilização militar de cachorros dá saltos fenomenais. E para quem gosta de programas turísticos alternativos, o primeiro e mais antigo cemitério do mundo para cães de guerra fica a apenas trinta minutos de carro de Nova York, em Hartsdale.
Um "cão de guerra" em pleno salto de paraquedas com seu instrutor (Fonte: revista Piauí, n° 57).
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terça-feira, 3 de maio de 2011
Algumas considerações sobre a morte de Bin Laden
A tão desejada morte de Osama Bin Laden, além de sua importância intrínseca, não poderia ter ocorrido em um momento politicamente mais oportuno para Obama -- acho que ela poderá até ter forte influência positiva na campanha de sua reeleição. O irônico desse fato é que ele ocorreu não como resultado da caríssima guerra que os EUA sustentam no Afeganistão, com não raras incursões no Paquistão, mas sim como resultado de uma operação muitíssimo menos onerosa dos serviços de inteligência americanos.
A esse respeito, reproduzo a seguir informações liberadas ontem e hoje pelo The Washington Post (WP) e Folha de S. Paulo, (Folha) respectivamente. O WP assinala a mudança dos tempos, lembrando que a morte de Bin Laden foi anunciada no dia 1 de maio, uma data que já teve alta relevância para o comunismo, que foi a preocupação central das áreas de segurança americanas até o advento do terrorismo islâmico. Certamente os principais dados relativos à operação que matou aquele terrorista permanecerão secretos, mas um detalhe que pode desde já ser explorado é que essa operação teve muito mais características de uma atividade policial (com um pequeno número de especialistas) do que de uma operação militar, muito embora em países violentos como o Afeganistão e o Paquistão possa se alegar a quase impossibilidade de dissociar uma atividade militar de uma policial.
O WP cita a declaração de Jim Lacey, da Escola de Guerra do Corpo de Fuzileiros Navais (EUA), lembrando que, segundo o Gen. David Petraeus, existem talvez 100 terroristas da al-Qaeda no Afeganistão enquanto, por outro lado, há mais de 140.000 soldados da coalizão naquele país ou seja, cerca de 1.400 soldados para cada terrorista da al-Qaeda. Cada soldado custa à coalizão cerca de 1 milhão de dólares/ano, gerando um custo anual total de cerca de 140 bilhões de dólares para a tropa toda -- trocando em miúdos, cada terrorista da al-Qaeda está custando cerca de 1,4 bilhão de dólares por ano à coalizão!! "Em que universo vamos encontrar estrategistas que vejam sentido nesses números?", pergunta Lacey. Leia mais.
Se as relações entre EUA e Paquistão já não eram das melhores antes da morte de Bin Laden, elas agora pioraram sensivelmente. Numa clara violação da soberania do Estado paquistanês, Islamabad só foi informada da presença de helicópteros e forças de elite da Marinha americana após o término da operação, conforme informação dada ontem por John Brennan, assessor de segurança nacional de Obama, em entrevista coletiva. Brennan lançou acusações indiretas ao dizer que é "inconcebível" que Bin Laden tenha permanecido por tanto tempo no país sem ter tido um sistema amplo de ajuda.
Na noite desta segunda-feira, o embaixador do Paquistão nos EUA anunciou que seu país lançará uma "investigação completa" sobre as falhas dos serviços de inteligência para encontrar Bin Laden na casa distante menos de 100 km da capital e também próxima a uma academia militar. "Obviamente Bin Laden teve um sistema de apoio, a questão é se este suporte foi dado pelo governo e Estado do Paquistão ou pela sociedade do Paquistão?", destacou o embaixador Hussain Haqqani à emissora CNN. Leia mais.
A esse respeito, reproduzo a seguir informações liberadas ontem e hoje pelo The Washington Post (WP) e Folha de S. Paulo, (Folha) respectivamente. O WP assinala a mudança dos tempos, lembrando que a morte de Bin Laden foi anunciada no dia 1 de maio, uma data que já teve alta relevância para o comunismo, que foi a preocupação central das áreas de segurança americanas até o advento do terrorismo islâmico. Certamente os principais dados relativos à operação que matou aquele terrorista permanecerão secretos, mas um detalhe que pode desde já ser explorado é que essa operação teve muito mais características de uma atividade policial (com um pequeno número de especialistas) do que de uma operação militar, muito embora em países violentos como o Afeganistão e o Paquistão possa se alegar a quase impossibilidade de dissociar uma atividade militar de uma policial.
O WP cita a declaração de Jim Lacey, da Escola de Guerra do Corpo de Fuzileiros Navais (EUA), lembrando que, segundo o Gen. David Petraeus, existem talvez 100 terroristas da al-Qaeda no Afeganistão enquanto, por outro lado, há mais de 140.000 soldados da coalizão naquele país ou seja, cerca de 1.400 soldados para cada terrorista da al-Qaeda. Cada soldado custa à coalizão cerca de 1 milhão de dólares/ano, gerando um custo anual total de cerca de 140 bilhões de dólares para a tropa toda -- trocando em miúdos, cada terrorista da al-Qaeda está custando cerca de 1,4 bilhão de dólares por ano à coalizão!! "Em que universo vamos encontrar estrategistas que vejam sentido nesses números?", pergunta Lacey. Leia mais.
Se as relações entre EUA e Paquistão já não eram das melhores antes da morte de Bin Laden, elas agora pioraram sensivelmente. Numa clara violação da soberania do Estado paquistanês, Islamabad só foi informada da presença de helicópteros e forças de elite da Marinha americana após o término da operação, conforme informação dada ontem por John Brennan, assessor de segurança nacional de Obama, em entrevista coletiva. Brennan lançou acusações indiretas ao dizer que é "inconcebível" que Bin Laden tenha permanecido por tanto tempo no país sem ter tido um sistema amplo de ajuda.
Na noite desta segunda-feira, o embaixador do Paquistão nos EUA anunciou que seu país lançará uma "investigação completa" sobre as falhas dos serviços de inteligência para encontrar Bin Laden na casa distante menos de 100 km da capital e também próxima a uma academia militar. "Obviamente Bin Laden teve um sistema de apoio, a questão é se este suporte foi dado pelo governo e Estado do Paquistão ou pela sociedade do Paquistão?", destacou o embaixador Hussain Haqqani à emissora CNN. Leia mais.
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domingo, 3 de abril de 2011
Um pastor americano idiota queima um exemplar do Corão e ameaça incendiar o Oriente Médio
Um pastor americano idiota, cuja congregação não reune mais que 30 pessoas na cidade de Gainesville, na Flórida (124.500 habitantes no censo de 2008), cometeu a insanidade de provocar seguidores fanáticos do islamismo com a queima ostensiva e anunciada de um exemplar do Corão. Isto gerou violentos protestos no Afeganistão, com a morte já de 30 pessoas (duas decapitadas no escritório da ONU em Kandahar) e mais de uma centena de feridos, principalmente na cidade de Kandahar. Há riscos e receios de que os protestos contagiem outros países árabes, num momento em que vários deles estão conflagrados contra seus governos.
O responsável por essa imbecilidade é o pastor Terry Jones (59 anos), que já havia ameaçado fazer essa queima do livro religioso dos muçulmanos em setembro do ano passado, no calor de uma discussão sobre a controvertida (para os americanos extremistas) construção de um centro islâmico em Manhattan, próximo do local onde ficava o World Trade Center destruído nos ataques terroristas de 11/9/2001. Ele acabou dissuadido de fazê-lo por pedidos de líderes religiosos e até por um telefonema do secretário de Defesa americano, Robert Gates. Voltando atrás da decisão, ele teve o requinte da estupidez de queimar o Corão com transmissão ao vivo pela internet, com legendas em árabe para alcançar países islâmicos do Oriente Médio. Leia mais.
Pelo visto, a insanidade de Terry Jones não se esgotou ainda, pois ele pretende liderar um protesto frente à maior mesquita dos EUA em Dearborn, Michigan, no dia 22 deste mês. Leia aqui.
O responsável por essa imbecilidade é o pastor Terry Jones (59 anos), que já havia ameaçado fazer essa queima do livro religioso dos muçulmanos em setembro do ano passado, no calor de uma discussão sobre a controvertida (para os americanos extremistas) construção de um centro islâmico em Manhattan, próximo do local onde ficava o World Trade Center destruído nos ataques terroristas de 11/9/2001. Ele acabou dissuadido de fazê-lo por pedidos de líderes religiosos e até por um telefonema do secretário de Defesa americano, Robert Gates. Voltando atrás da decisão, ele teve o requinte da estupidez de queimar o Corão com transmissão ao vivo pela internet, com legendas em árabe para alcançar países islâmicos do Oriente Médio. Leia mais.
Pelo visto, a insanidade de Terry Jones não se esgotou ainda, pois ele pretende liderar um protesto frente à maior mesquita dos EUA em Dearborn, Michigan, no dia 22 deste mês. Leia aqui.
O pastor Terry Jones e seu filho Luke. (Foto: Phelan Ebenhack/Reuters)
Afegãos queimam um boneco de Obama durante um protesto neste domingo em Jalalabad. (Foto: Rahmat Gul/AP)
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sexta-feira, 25 de março de 2011
Um soldado americano condenado a 24 anos por mortes no Afeganistão
O militar Jeremy Morlock foi condenado, no dia 23/3, a 24 anos de prisão por uma corte marcial, pelas mortes de três civis afegãos mortos por prazer com a suposta cumplicidade de quatro outros soldados de seu batalhão, durante uma missão no Afeganistão. Morlock, o primeiro desses cinco soldados da brigada Sryker da Companhia Bravo a ser julgado, se declarou culpado e será testemunha-chave no julgamento dos demais, principalmente do suposto chefe da operação o sargento Calvin R. Gibbs.
Esse militar de 23 anos, originário do Alasca, escutou em silêncio a sentença contra ele e, depois da audiência, leu uma declaração em que pede desculpas aos familiares das vítimas e ao povo afegão, dizendo que "havia perdido sua bússola moral". Ele admitiu ter matado ou ajudado a matar três homens quando de uma missão na província de Kandahar, e haver colocado armas afegãs à volta dos corpos para fazê-los passar por inimigos. Indagado se os tiros poderiam ter sido executados sem a ajuda de outros, ele respondeu sem hesitar "Nossa missão era matar". Morlock é um dos três soldados fotografados posando junto ao cadáver de um civil afegão, cujas fotos foram reveladas pela revista alemã Der Spiegel e causaram enorme repercussão no exército americano -- ver postagem anterior.
Por uma negociação, revelada durante o processo, Morlock evitará a prisão perpétua e, segundo seu advogado, poderá ser colocado em liberdade condicional ao final de sete anos. Leia mais.
Esse militar de 23 anos, originário do Alasca, escutou em silêncio a sentença contra ele e, depois da audiência, leu uma declaração em que pede desculpas aos familiares das vítimas e ao povo afegão, dizendo que "havia perdido sua bússola moral". Ele admitiu ter matado ou ajudado a matar três homens quando de uma missão na província de Kandahar, e haver colocado armas afegãs à volta dos corpos para fazê-los passar por inimigos. Indagado se os tiros poderiam ter sido executados sem a ajuda de outros, ele respondeu sem hesitar "Nossa missão era matar". Morlock é um dos três soldados fotografados posando junto ao cadáver de um civil afegão, cujas fotos foram reveladas pela revista alemã Der Spiegel e causaram enorme repercussão no exército americano -- ver postagem anterior.
Por uma negociação, revelada durante o processo, Morlock evitará a prisão perpétua e, segundo seu advogado, poderá ser colocado em liberdade condicional ao final de sete anos. Leia mais.
Jeremy Morlock, o soldado condenado a 24 anos pela morte de civis no Afeganistão. (Foto AP)
quarta-feira, 23 de março de 2011
Exército americano pede desculpas pelas fotos terríveis do "time da morte" no Afeganistão
As fotos são repulsivas. Um grupo de soldados do exército americano no Afeganistão, infames e sem caráter, mataram civis inocentes e depois posaram com seus corpos. A revista alemã Der Spiegel (O Espelho) publicou algumas das fotos, e o exército americano respondeu prontamente com um pedido de desculpas. Mas, a OTAN ainda teme que a reação no Afeganistão possa ser violenta.
A Secretária Hillary Clinton já telefonou para a sua contraparte afegã, para discutir a situação. O Assessor para Segurança Nacional Tom Donilon fez também contatos com autoridades afegãs em Kabul. O caso ameaça estressar as já frágeis relações EUA-Afeganistão, em um momento em que os dois países estão negociando o estabelecimento de bases americanas permanentes no Afeganistão.
Em uma declaração o exército americano, que está preparando uma corte marcial para um total de 12 suspeitos ligados àquelas mortes, se desculpou pelo sofrimento que as fotos causaram. As ações mostradas nas fotos, diz a declaração, são "repugnantes para nós como seres humanos, e são contrárias às normas e valores dos Estados Unidos".
No quartel-general da OTAN teme-se que nos próximos dias surjam irados protestos no Afeganistão, ou mesmo potenciais ataques a unidades da Organização. "As fotos têm um enorme potencial aqui no Afeganistão", disse um general da OTAN à Spiegel Online, "a experiência diz que pode levar um par de dias, mas então a ira popular é liberada". Leia mais.
A Secretária Hillary Clinton já telefonou para a sua contraparte afegã, para discutir a situação. O Assessor para Segurança Nacional Tom Donilon fez também contatos com autoridades afegãs em Kabul. O caso ameaça estressar as já frágeis relações EUA-Afeganistão, em um momento em que os dois países estão negociando o estabelecimento de bases americanas permanentes no Afeganistão.
Em uma declaração o exército americano, que está preparando uma corte marcial para um total de 12 suspeitos ligados àquelas mortes, se desculpou pelo sofrimento que as fotos causaram. As ações mostradas nas fotos, diz a declaração, são "repugnantes para nós como seres humanos, e são contrárias às normas e valores dos Estados Unidos".
No quartel-general da OTAN teme-se que nos próximos dias surjam irados protestos no Afeganistão, ou mesmo potenciais ataques a unidades da Organização. "As fotos têm um enorme potencial aqui no Afeganistão", disse um general da OTAN à Spiegel Online, "a experiência diz que pode levar um par de dias, mas então a ira popular é liberada". Leia mais.
Esta imagem mostra o corpo de Gul Modin, filho de um fazendeiro, morto em 15/01/2010. Um membro do "time da morte" posa atrás dele. SPIEGEL publicou apenas três fotos de um conjunto de fotos e vídeos que viu.
Nesta foto, um outro soldado posa com o mesmo cadáver.
Estão em fase de preparativos os procedimentos para uma corte marcial contra 12 suspeitos, membros do "time da morte". Esta foto faz parte da coleção de um deles.
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sexta-feira, 18 de março de 2011
Pesquisa aponta que quase dois terços dos americanos consideram que a guerra do Afeganistão não vale a pena
Quase dois terços dos americanos dizem agora que a guerra do Afeganistão não vale a pena ser lutada, de acordo com uma recente pesquisa conjunta Washington Post-ABC News -- essa é até agora a mais alta proporção de opositores a esse conflito. Esse resultado significa um crescente desafio para Obama, que decidirá no início desse verão a rapidez com que retirará as tropas americanas daquele país. Depois de quase uma década de guerra, a oposição política a ela é forte, com apenas 19% dos democratas e 50% dos republicanos pesquisados respondendo que a guerra deve ser continuada. Leia mais.
Gráfico da pesquisa
Pergunta 1: Considerando os custos e benefícios para os EUA, você considera que a guerra do Afeganistão tem valido a pena ser lutada, ou não?
No gráfico, a linha do "sim" começou com cerca de 58% em 2007 e termina agora com 31% -- a linha do "não" começou com cerca de 41% em 2007 e termina agora com 64%.
Pergunta 2: Você acha que as tropas americanas devem, ou não devem, ser retiradas do Afeganistão nesse verão?
Na base do gráfico, os que responderam que "devem" somaram 73% contra 21% de "não devem". -- 39% acharam que elas serão retiradas e 53% acham que elas não serão retiradas.
terça-feira, 1 de março de 2011
Nunca faça guerra em terra na Ásia
Sob o título acima a revista de inteligência Stratfor publica hoje um longo e interessantíssimo artigo sobre os diversos problemas enfrentados pelos EUA em suas quatro guerras em território asiático, duas passadas (Coréia e Vietnam) e duas atuais (Afeganistão e Iraque).
Em palestra na academia militar de West Point na semana passada, o Secretário de Defesa americano Robert Gates disse que "qualquer futuro Secretário de Defesa que aconselhar o presidente a enviar novamente à Ásia ou ao Oriente Médio um grande exército terrestre americano deverá ter suas faculdades mentais examinadas". Ao dizer isso, Gates repetia o que disse o general Douglas MacArthur depois da Guerra da Coréia, instando os EUA a evitar guerras terrestres na Ásia. Considerando-se que os EUA envolveram-se em quatro guerras na Ásia depois da Segunda Grande Guerra -- Coréia, Vietna, Afeganistão e Iraque -- nenhuma delas com resultados satisfatórios ou ideais, parece útil e oportuno fazer três perguntas: - a) por que lutar uma guerra terrestre na Ásia é uma má ideia? - b) por que os EUA parecem compelidos a lutar essas guerras? -- c) qual é a alternativa que protege os interesses americanos na Ásia, sem guerras terrestres em larga escala?
Vale a pena ler o artigo e analisar suas respostas a essas três perguntas. Leia mais.
Em palestra na academia militar de West Point na semana passada, o Secretário de Defesa americano Robert Gates disse que "qualquer futuro Secretário de Defesa que aconselhar o presidente a enviar novamente à Ásia ou ao Oriente Médio um grande exército terrestre americano deverá ter suas faculdades mentais examinadas". Ao dizer isso, Gates repetia o que disse o general Douglas MacArthur depois da Guerra da Coréia, instando os EUA a evitar guerras terrestres na Ásia. Considerando-se que os EUA envolveram-se em quatro guerras na Ásia depois da Segunda Grande Guerra -- Coréia, Vietna, Afeganistão e Iraque -- nenhuma delas com resultados satisfatórios ou ideais, parece útil e oportuno fazer três perguntas: - a) por que lutar uma guerra terrestre na Ásia é uma má ideia? - b) por que os EUA parecem compelidos a lutar essas guerras? -- c) qual é a alternativa que protege os interesses americanos na Ásia, sem guerras terrestres em larga escala?
Vale a pena ler o artigo e analisar suas respostas a essas três perguntas. Leia mais.
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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Na era militar moderna sobrecarga de dados pode ser fatal
Quando investigadores militares americanos analisaram um ataque de helicópteros americanos que matou 23 civis afegãos em fevereiro passado, descobriram que o operador de um avião teleguiado Predador havia falhado em passar adiante informação crucial sobre a organização de um ajuntamento de moradores de um vilarejo. Mas os investigadores agora dizem que houve uma causa subjacente para aquele erro: sobrecarga de informação.
Em uma base aérea de Nevada, o operador do avião teleguiado e sua equipe lutavam para entender o que ocorria no vilarejo, enquanto ali se formava um ajuntamento. Tinham que monitorar as informações do vídeo do avião, enquanto ao mesmo tempo participavam de dezenas de mensagens instantâneas e comunicações por rádio com analistas de inteligência e militares no solo. Havia relatórios consistentes sobre a presença de crianças no grupo, mas a equipe não as enfocou adequadamente no meio do turbilhão de dados disponíveis. A equipe estava sob intensa pressão para proteger as forças americanas nas redondezas, e acabou concluindo erroneamente que o ajuntamento no vilarejo representava uma ameaça, gerando uma das piores perdas de vidas de civis na guerra do Afeganistão. Leia mais.
Em uma base aérea de Nevada, o operador do avião teleguiado e sua equipe lutavam para entender o que ocorria no vilarejo, enquanto ali se formava um ajuntamento. Tinham que monitorar as informações do vídeo do avião, enquanto ao mesmo tempo participavam de dezenas de mensagens instantâneas e comunicações por rádio com analistas de inteligência e militares no solo. Havia relatórios consistentes sobre a presença de crianças no grupo, mas a equipe não as enfocou adequadamente no meio do turbilhão de dados disponíveis. A equipe estava sob intensa pressão para proteger as forças americanas nas redondezas, e acabou concluindo erroneamente que o ajuntamento no vilarejo representava uma ameaça, gerando uma das piores perdas de vidas de civis na guerra do Afeganistão. Leia mais.
Na Base Aérea de Langley, na Virginia, equipes monitoram o que apelidaram de "TV da Morte" -- transmissões ao vivo do Afeganistão.
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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Afeganistão, um buraco sem fundo na política externa e no bolso dos americanos
Desde 2001 até hoje os EUA já despejaram a bagatela de US$ 52 bilhões no Afeganistão e o impacto disso no estado de miséria em que vivem os 30 milhões de afegãos é tão insignificante, que esse é considerado o mais extraordinário fracasso da coalizão liderada pelos americanos nesse país. No momento em que Obama está previsto apresentar, nesta semana, uma revisão da estratégia americana para o Afeganistão que muito provavelmente enfocará o progresso na área militar, há insistência por parte de funcionários americanos e de administradores, homens de negócios e colaboradores afegãos de que a corrupção é a maior ameaça ao futuro do país.
Daquele expressivo orçamento de ajuda, dois terços foram destinados à área de segurança e um terço para fins de desenvolvimento econômico, social e político. O impacto disto foi praticamente zero em 9 milhões de afegãos que vivem em absoluta pobreza, e em outros 5 milhões que tentam sobreviver com 43 dólares por mês. O restante da população mal consegue sobreviver, tendo que optar entre comprar madeira para aquecer-se ou comprar comida. Leia mais.
A foto mostra mulheres afegãs esmolando nas ruas de Kabul.
Daquele expressivo orçamento de ajuda, dois terços foram destinados à área de segurança e um terço para fins de desenvolvimento econômico, social e político. O impacto disto foi praticamente zero em 9 milhões de afegãos que vivem em absoluta pobreza, e em outros 5 milhões que tentam sobreviver com 43 dólares por mês. O restante da população mal consegue sobreviver, tendo que optar entre comprar madeira para aquecer-se ou comprar comida. Leia mais.
A foto mostra mulheres afegãs esmolando nas ruas de Kabul.
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sexta-feira, 6 de agosto de 2010
A burka e outras humilhações sofridas pelas mulheres muçulmanas
No momento em que o uso da burka acaba de ser proibido na França, vale dar uma olhada na aberração (para os nossos olhos) que é essa imposição de véus às mulheres muçulmanas, sem falar na maneira como são tratadas em geral na cultura islâmica -- dêem uma olhada.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Entrevista com o fundador da Wikileaks
Vale a pena ler a entrevista de Julian Assange, fundador da Wikileaks, responsável pela bombástica divulgação de 90.000 documentos secretos sobre a guerra no Afeganistão, publicada no site da Spiegel Online (da revista alemã Der Spiegel -- O Espelho).
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