[O artigo traduzido abaixo foi publicado hoje pelo jornal inglês The Independent. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]
Suplementos de vitamina D não fortalecem os ossos em adultos saudáveis e não devem ser usados para prevenir a osteoporose, segundo recomendação de um estudo importante.
Estima-se que metade de todos os adultos acima de 50 anos toma esses suplementos, que são frequentemente usados para prevenir a osteoporose, que torna os ossos fracos e frágeis. Entretanto, pesquisadores da Universidade de Auckland [Nova Zelândia] afirmaram em artigo publicado hoje no The Lancet [O Bisturi -- ver sumário aqui e comentário aqui] que uma análise de 4.000 adultos saudáveis revelou que a ingestão de suplementos de vitamina D não melhora a densidade mineral dos ossos nos quadris, na coluna, no antebraço ou no corpo como um todo.
"A maioria dos adultos saudáveis não têm necessidade de suplementos de vitamina D", diz o Prof. Ian Reid, líder do estudo. "Nossos dados sugerem que a prescrição de suplementos de vitamina D de baixa dosagem, apenas para pessoas que têm probabilidade de apresentar carência dessa vitamina, poderia liberar recursos substanciais que poderiam ser melhor utilizados em outras áreas dos cuidados à saúde".
Atualmente, suplementos diários são recomendados para grupos com risco de deficiência de vitamina D, incluindo mulheres grávidas ou em período de amamentação, crianças de seis meses a cinco anos de idade, e pessoas acima de 65 anos que normalmente não se expõem ao sol. A recomendação do governo não está baseada na prevenção da osteoporose.
A Dra. Alison Tedstone, diretora de dieta e obesidade da Saúde Pública da Inglaterra [órgão estatal], disse que "o Comitê Consultivo Científico sobre Nutrição (SACN, na sigla inglesa), um grupo independente de especialistas científicos que assessoram o governo, está no momento revisando as recomendações dietéticas para a vitamina D para todos os grupos populacionais no Reino Unido. A revisão do SACN avaliará a evidência de conexão entre a vitamina D e uma gama de resultados relativos à saúde, incluindo a osteoporose".
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
O resgate do prazer da boa leitura
[A reportagem abaixo é de José Tadeu Arantes e foi publicada no dia 07/10 no site da agência FAPESP.]
Retratos de um Brasil que não existe mais: esta poderia ser uma das muitas chaves de leitura da coleção “Reserva Literária”, produzida pela Com-Arte, editora laboratório ligada à Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), em parceria com a Editora da Universidade de São Paulo (Edusp). Reunindo obras menores de escritores maiores, como os deliciosos Contos Cariocas, de Artur Azevedo (1855-1908), ou obras maiores de escritores menores, como o encorpado romance Mau-olhado, de Veiga Miranda (1881-1936), e o mais experimental Marta, de Medeiros e Albuquerque (1867-1934), a coleção publica textos de domínio público que estão há muitas décadas afastados das estantes das livrarias.
Em uma narrativa que alterna páginas de fina observação psicológica com outras que são de descrições quase científicas dos recursos naturais ou dos ofícios humanos, Mau-olhado, publicado em 1919 por João Pedro da Veiga Miranda, e reeditado apenas uma vez, em 1925, retrata um Brasil novecentista, rural, escravista, bruto, supersticioso e violento, com seus personagens esmagados por convenções sociais que se abatem sobre suas vidas como se fossem fatalidades da natureza.
Veiga Miranda, nascido em Campanha, Minas Gerais, mas formado em engenharia civil em São Paulo, emprestou à atividade literária a sólida formação científica adquirida na Escola Politécnica. Dedicando-se também à política, veio a ser vereador e prefeito de Ribeirão Preto (SP), antes de ser convidado, pelo então presidente Epitácio Pessoa, a assumir o Ministério da Marinha, em 1921. Decepcionado com a política, dedicou-se ao ensino, ao jornalismo e à literatura. Titular da cadeira 35 da Academia Paulista de Letras, pleiteou, em 1934, o ingresso na Academia Brasileira de Letras. Mas a força política de seu oponente, o gaúcho João Neves da Fontoura, protegido por Getúlio Vargas, fez com que sua candidatura fosse preterida.
Contos Cariocas, publicado postumamente e uma única vez, em 1928, oferece ao leitor outro recorte: o Rio de Janeiro na transição do século XIX ao XX, do Império à República, das relações escravistas ao trabalho livre. Tudo é transitório nesses contos ligeiros, em que os personagens transitam entre os empregos ocasionais e a franca boemia, entre os bons costumes e as derrapadas morais, com ações que traduzem um misto de ingenuidade e astúcia quando se trata de cavar algum dinheiro ou conquistar um coração. As pensões, as confeitarias, os teatros, as casas de moda, os passeios públicos compõem o cenário urbano de um Rio de Janeiro em que Copacabana é ainda uma promessa e Ipanema, uma vila distante. O texto, leve, espirituoso, divertido, flui agilmente pela escrita de mestre de Artur Azevedo.
Irmão mais velho de Aluísio Azevedo, o ousado autor de O Cortiço, e amigo de Machado de Assis, com quem participou da fundação da Academia Brasileira de Letras, Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo foi um dos escritores mais populares de seu tempo, tendo produzido mais de uma centena de peças de teatro, contos e poesias, além de desenvolver intensa atividade jornalística. Em 1955, na comemoração do 100º aniversário de seu nascimento, Josué Montello, que então ocupava a cadeira 29 da Academia, de que Artur fora o fundador, afirmou que o seu homenageado “viveu sorrindo e não ganhou com a morte a gravidade fúnebre”.
Flerte com a psicanálise
Um Brasil que aspira ao cosmopolitismo e à modernidade, mas no qual uma coisa e outra assentam mal, como uma roupa dois números acima do tamanho, é o que se mostra nas páginas de Marta, o romance publicado em 1920 por José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros e Albuquerque, e reeditado duas vezes, em 1922 e 1932, antes da edição atual. Como o próprio país que lhe serve de pano de fundo, indeciso entre o passado e o futuro, o romance, com sua trama inverossímil, flerta com muitas tendências associadas à vanguarda intelectual da época, o simbolismo, o decadentismo e a psicanálise, anunciando uma estética modernista que não chega a se concretizar inteiramente.
Filho da elite pernambucana, da qual herdou o nome quilométrico, que ele, ironizando, comparava a um trem, Medeiros e Albuquerque fez contato direto com a cultura europeia ao acompanhar o pai em viagem e, depois, como aluno da Escola Acadêmica de Lisboa. De volta ao Brasil, seus múltiplos interesses o encaminharam em direções e sentidos tão diversos quanto a leitura de Schopenhauer e as aulas de História Natural ministradas por Emílio Goeldi, a proposta de uma reforma ortográfica eminentemente fonética, que não prosperou, e estudos sobre o hipnotismo, a partir dos trabalhos de Charcot. Dedicou-se ao ensino, ao jornalismo, à política e à literatura, tornando-se membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Mas, a despeito dessa atividade multifacetada, ele é hoje lembrado, quase que exclusivamente, devido à autoria da letra do Hino da República.
Memória militante
A publicação elegante (com miolo em papel pólen de elevada gramatura, capa dura, guardas e sobrecapa) e a edição primorosa (com ensaios introdutórios, perfis dos autores, bibliografias, frontispícios das edições originais e numerosas notas de rodapé) fazem da coleção “Reserva Literária” uma fonte de prazer para quem gosta de ler e manusear bons livros. “Por ser uma editora laboratório, a Com-Arte pode editar livros que as editoras comerciais raramente editariam”, explica Plinio Martins Filho, docente da ECA-USP, diretor presidente da Editora da Universidade de São Paulo (Edusp) e professor responsável pela Com-Arte.
“Nossas coleções resultam diretamente do curso de editoração da ECA. Existe nele uma disciplina, a ecdótica, que trata de todos os aspectos da edição de textos”, disse Martins Filho. “Então, o professor José de Paula Ramos Jr. seleciona o livro; ensina os alunos a fazer a edição, atualizando a ortografia, levantando a biografia do autor, produzindo notas para informar o significado de palavras menos usuais ou de referências a personagens e situações da época etc. E, na produção física do livro, contamos com a ajuda de algumas gráficas, que nos oferecem seu serviço a um preço quase simbólico, ficando a distribuição a cargo da Edusp".
A tiragem, no caso da coleção “Reserva Literária”, é de mil exemplares por edição. E a expectativa da editora é lançar ao menos dois títulos por ano. Para 2014, estão programados os romances Navios Iluminados, de Ranulpho Prata, e O Feiticeiro, de Xavier Marques.
Outra coleção da Com-Arte, com tiragem de 500 exemplares por edição, é a série “Memória Militante”, dirigida pelos professores Marisa Midori Deaecto, Lincoln Secco e Plínio Martins Filho, com depoimentos ou textos de participantes das lutas políticas travadas no Brasil contemporâneo. “Coincidentemente, os três primeiros livros dessa coleção foram escritos por pessoas que tiveram relação com a USP: Catullo Branco, já falecido, formado pela Escola Politécnica; Wilson do Nascimento Barbosa, professor titular aposentado da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas; e Paul Israel Singer, professor titular aposentado da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade”, diz Martins Filho.
Retratos de um Brasil que não existe mais: esta poderia ser uma das muitas chaves de leitura da coleção “Reserva Literária”, produzida pela Com-Arte, editora laboratório ligada à Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), em parceria com a Editora da Universidade de São Paulo (Edusp). Reunindo obras menores de escritores maiores, como os deliciosos Contos Cariocas, de Artur Azevedo (1855-1908), ou obras maiores de escritores menores, como o encorpado romance Mau-olhado, de Veiga Miranda (1881-1936), e o mais experimental Marta, de Medeiros e Albuquerque (1867-1934), a coleção publica textos de domínio público que estão há muitas décadas afastados das estantes das livrarias.
Em uma narrativa que alterna páginas de fina observação psicológica com outras que são de descrições quase científicas dos recursos naturais ou dos ofícios humanos, Mau-olhado, publicado em 1919 por João Pedro da Veiga Miranda, e reeditado apenas uma vez, em 1925, retrata um Brasil novecentista, rural, escravista, bruto, supersticioso e violento, com seus personagens esmagados por convenções sociais que se abatem sobre suas vidas como se fossem fatalidades da natureza.
Veiga Miranda, nascido em Campanha, Minas Gerais, mas formado em engenharia civil em São Paulo, emprestou à atividade literária a sólida formação científica adquirida na Escola Politécnica. Dedicando-se também à política, veio a ser vereador e prefeito de Ribeirão Preto (SP), antes de ser convidado, pelo então presidente Epitácio Pessoa, a assumir o Ministério da Marinha, em 1921. Decepcionado com a política, dedicou-se ao ensino, ao jornalismo e à literatura. Titular da cadeira 35 da Academia Paulista de Letras, pleiteou, em 1934, o ingresso na Academia Brasileira de Letras. Mas a força política de seu oponente, o gaúcho João Neves da Fontoura, protegido por Getúlio Vargas, fez com que sua candidatura fosse preterida.
Contos Cariocas, publicado postumamente e uma única vez, em 1928, oferece ao leitor outro recorte: o Rio de Janeiro na transição do século XIX ao XX, do Império à República, das relações escravistas ao trabalho livre. Tudo é transitório nesses contos ligeiros, em que os personagens transitam entre os empregos ocasionais e a franca boemia, entre os bons costumes e as derrapadas morais, com ações que traduzem um misto de ingenuidade e astúcia quando se trata de cavar algum dinheiro ou conquistar um coração. As pensões, as confeitarias, os teatros, as casas de moda, os passeios públicos compõem o cenário urbano de um Rio de Janeiro em que Copacabana é ainda uma promessa e Ipanema, uma vila distante. O texto, leve, espirituoso, divertido, flui agilmente pela escrita de mestre de Artur Azevedo.
Irmão mais velho de Aluísio Azevedo, o ousado autor de O Cortiço, e amigo de Machado de Assis, com quem participou da fundação da Academia Brasileira de Letras, Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo foi um dos escritores mais populares de seu tempo, tendo produzido mais de uma centena de peças de teatro, contos e poesias, além de desenvolver intensa atividade jornalística. Em 1955, na comemoração do 100º aniversário de seu nascimento, Josué Montello, que então ocupava a cadeira 29 da Academia, de que Artur fora o fundador, afirmou que o seu homenageado “viveu sorrindo e não ganhou com a morte a gravidade fúnebre”.
Flerte com a psicanálise
Um Brasil que aspira ao cosmopolitismo e à modernidade, mas no qual uma coisa e outra assentam mal, como uma roupa dois números acima do tamanho, é o que se mostra nas páginas de Marta, o romance publicado em 1920 por José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros e Albuquerque, e reeditado duas vezes, em 1922 e 1932, antes da edição atual. Como o próprio país que lhe serve de pano de fundo, indeciso entre o passado e o futuro, o romance, com sua trama inverossímil, flerta com muitas tendências associadas à vanguarda intelectual da época, o simbolismo, o decadentismo e a psicanálise, anunciando uma estética modernista que não chega a se concretizar inteiramente.
Filho da elite pernambucana, da qual herdou o nome quilométrico, que ele, ironizando, comparava a um trem, Medeiros e Albuquerque fez contato direto com a cultura europeia ao acompanhar o pai em viagem e, depois, como aluno da Escola Acadêmica de Lisboa. De volta ao Brasil, seus múltiplos interesses o encaminharam em direções e sentidos tão diversos quanto a leitura de Schopenhauer e as aulas de História Natural ministradas por Emílio Goeldi, a proposta de uma reforma ortográfica eminentemente fonética, que não prosperou, e estudos sobre o hipnotismo, a partir dos trabalhos de Charcot. Dedicou-se ao ensino, ao jornalismo, à política e à literatura, tornando-se membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Mas, a despeito dessa atividade multifacetada, ele é hoje lembrado, quase que exclusivamente, devido à autoria da letra do Hino da República.
Memória militante
A publicação elegante (com miolo em papel pólen de elevada gramatura, capa dura, guardas e sobrecapa) e a edição primorosa (com ensaios introdutórios, perfis dos autores, bibliografias, frontispícios das edições originais e numerosas notas de rodapé) fazem da coleção “Reserva Literária” uma fonte de prazer para quem gosta de ler e manusear bons livros. “Por ser uma editora laboratório, a Com-Arte pode editar livros que as editoras comerciais raramente editariam”, explica Plinio Martins Filho, docente da ECA-USP, diretor presidente da Editora da Universidade de São Paulo (Edusp) e professor responsável pela Com-Arte.
“Nossas coleções resultam diretamente do curso de editoração da ECA. Existe nele uma disciplina, a ecdótica, que trata de todos os aspectos da edição de textos”, disse Martins Filho. “Então, o professor José de Paula Ramos Jr. seleciona o livro; ensina os alunos a fazer a edição, atualizando a ortografia, levantando a biografia do autor, produzindo notas para informar o significado de palavras menos usuais ou de referências a personagens e situações da época etc. E, na produção física do livro, contamos com a ajuda de algumas gráficas, que nos oferecem seu serviço a um preço quase simbólico, ficando a distribuição a cargo da Edusp".
A tiragem, no caso da coleção “Reserva Literária”, é de mil exemplares por edição. E a expectativa da editora é lançar ao menos dois títulos por ano. Para 2014, estão programados os romances Navios Iluminados, de Ranulpho Prata, e O Feiticeiro, de Xavier Marques.
Outra coleção da Com-Arte, com tiragem de 500 exemplares por edição, é a série “Memória Militante”, dirigida pelos professores Marisa Midori Deaecto, Lincoln Secco e Plínio Martins Filho, com depoimentos ou textos de participantes das lutas políticas travadas no Brasil contemporâneo. “Coincidentemente, os três primeiros livros dessa coleção foram escritos por pessoas que tiveram relação com a USP: Catullo Branco, já falecido, formado pela Escola Politécnica; Wilson do Nascimento Barbosa, professor titular aposentado da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas; e Paul Israel Singer, professor titular aposentado da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade”, diz Martins Filho.
O próximo livro da série, já no prelo, é Um grito de coragem: memórias da luta armada, de Renato Martinelli.
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quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Descoberta científica abre caminho para a cura do mal de Alzheimer
[A reportagem abaixo foi publicada hoje no site da revista Exame. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]
Uma descoberta da equipe da Universidade de Leicester (Inglaterra) publicada nesta semana trouxe boas notícias: a ciência está cada vez mais próxima de encontrar a cura para o Mal de Alzheimer. Esta doença hoje atinge mais de 36 milhões de pessoas em todo o mundo. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2050, este número deve triplicar. Pois a equipe de neurocientistas liderada pela professora Giovanna Mallucci descobriu uma substância capaz de barrar a morte de neurônios. Testada em ratos de laboratório, tal substância conseguiu impedir a neurodegeneração nestes animais, que eram portadores da chamada “doença de príon”.
O estudo havia descoberto previamente que o acúmulo de proteínas no cérebro desses ratos doentes era responsável por ativar um mecanismo de defesa das células. Este processo, por sua vez, bloqueava a produção de novas proteínas. Segundo a equipe, o normal seria que a produção normalizasse em algum momento, mas nestes ratos isto não foi observado. Constataram então que este seria justamente o “gatilho” que levaria os neurônios à morte, pois algumas das proteínas essenciais para a sua sobrevivência deixavam de ser produzidas.
Uma descoberta da equipe da Universidade de Leicester (Inglaterra) publicada nesta semana trouxe boas notícias: a ciência está cada vez mais próxima de encontrar a cura para o Mal de Alzheimer. Esta doença hoje atinge mais de 36 milhões de pessoas em todo o mundo. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2050, este número deve triplicar. Pois a equipe de neurocientistas liderada pela professora Giovanna Mallucci descobriu uma substância capaz de barrar a morte de neurônios. Testada em ratos de laboratório, tal substância conseguiu impedir a neurodegeneração nestes animais, que eram portadores da chamada “doença de príon”.
O estudo havia descoberto previamente que o acúmulo de proteínas no cérebro desses ratos doentes era responsável por ativar um mecanismo de defesa das células. Este processo, por sua vez, bloqueava a produção de novas proteínas. Segundo a equipe, o normal seria que a produção normalizasse em algum momento, mas nestes ratos isto não foi observado. Constataram então que este seria justamente o “gatilho” que levaria os neurônios à morte, pois algumas das proteínas essenciais para a sua sobrevivência deixavam de ser produzidas.
Ao injetar a substância, os cientistas conseguiram bloquear este mecanismo paralisador da produção de proteínas em uma parte do cérebro destes ratinhos, normalizando, assim, todo o processo. Foi possível então impedir a morte das células e ainda restaurar os níveis de proteína e a comunicação entre os neurônios. Conclusão: prolongaram a vida desses animais.
Bom, ainda de acordo com a equipe, em entrevista ao jornal “The Guardian”, a pesquisa está em estágio inicial e pode ser que a produção medicamentos leve um tempo para se tornar realidade. Além disso, o processo causou sérios efeitos colaterais nos ratos, fato que levou os cientistas a preverem que testes em humanos ainda estão longe de acontecer. Independente disso, a comunidade científica considerou os resultados altamente significativos e celebrou o estudo. “Futuras gerações certamente verão esta pesquisa como um pilar histórico e decisivo”, considerou o The Guardian.
[O jornal inglês The Independent publicou também hoje uma reportagem sobre essa descoberta altamente promissora, e descreveu seu mecanismo em quatro etapas:
[O jornal inglês The Independent publicou também hoje uma reportagem sobre essa descoberta altamente promissora, e descreveu seu mecanismo em quatro etapas:
- Em doenças neurodegenerativas, uma produção de proteínas malformadas no cérebro sobre-excita um mecanismo natural de defesa que faz com que seja "desligada" a produção de novas proteínas.
- Com a interrupção da produção de proteínas-chaves para a sobrevivência das células as células do cérebro começam a morrer, levando aos sintomas de uma doença do cérebro. No caso do mal de Alzheimer, esses sintomas são principalmente a perda e a confusão da memória.
- Os pesquisadores deram aos camondongos, por via oral, um composto semelhante a um medicamento que entra no cérebro pela corrente sanguínea e bloqueia a chave de "desligamento" da produção de novas proteínas, fazendo com que se produzam proteínas novamente.
- As células do cérebro são protegidas pelas proteínas, interrompendo a doença em seu nascedouro e restabelecendo o comportamento normal nos camundongos.]
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| Mulher em exposição do cérebro humano: estudo descobriu substância capaz de impedir a morte de neurônios - (Foto: Matt Cardy/Getty Images). |
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A inesgotável baixaria da política nacional
A política que se pratica no Brasil nunca foi algo recomendável a menores de idade e a pessoas decentes, mas a coisa piorou hiperbolicamente na última década com a ascensão do PT ao poder. Fatos e provas se acumulam a mancheias, os petistas não têm como escondê-los.
Quando a gente pensa que se atingiu o fundo do poço da baixaria, da imoralidade e da indecência cívicas, os políticos nos surpreendem com a criatividade típica dos marginais. Afinal, este é o país em que se plantando, tudo dá, principalmente quando adubado com esterco humano. O espetáculo deprimente da vez foi o da criação de novos partidos, a dança de políticos mudando de poleiros, e as manobras explícitas e implícitas -- todas deploráveis em termos éticos -- do Planalto e do Congresso para se protegerem contra "ameaças" eleitorais.
Criaram-se dois novos partidos -- chegamos a 32 -- e 50 deputados se transferiram para eles, como coristas que mudam de cabaré em busca de novos e melhores cachês. Se estão fazendo upgrade, downgrade ou evengrade não importa, o importante é rechear as carteiras, se possível a curtíssimo prazo. O jornalista Merval Pereira denunciou na tevê que a mudança de palco estava sendo feita à base de R$ 2,00 por voto -- como ninguém o desmentiu, essa é a verdade mínima. Há um deputado mineiro, por exemplo, que teve 75.000 votos na última eleição e que já mudou de partido 5 vezes (o caso dele é rodar a bolsinha). Esse cara embolsou só agora R$ 150.000,00 -- no mínimo -- p'ra mudar novamente de partido. E esses partidos-cabarés novos e essa gentalha moralmente vazia serão financiados com dinheiro público, através do Fundo Partidário. É a velha e recorrente prostituição dos costumes políticos.
Um caso à parte foi o teatro do pedido de criação do partido Rede Sustentabilidade, da ex-ministra Marina Silva, que já começou inovando com um nome ridículo e idiota. O que Dona Dilma -- o Nosso Pinóquio de Saias, NPS -- e o Congresso fizeram para inviabilizar essa criação não está nem no gibi da máfia. Até onde o TSE - Tribunal Superior Eleitoral funcionou como vetor dessa barração não se sabe, mas o fato é que a tal sustentabilidade não se susteve e o pretenso partido de Dona Marina -- a ex-ministra de olhos muito mais fundos do que sua capacidade demonstrada de gerir qualquer coisa maior do que um pedido de registro eleitoral -- sucumbiu na praia, rodeada de banhistas togados.
A história correta do sepultamento do Rede Sustentabilidade para 2014 -- e quiçá para outros futuros, tendo em vista as novas regras criadas casuisticamente ontem pelo Congresso para dificultar a formação de novos partidos -- está ainda por ser contada. No seu malabarístico discurso de adesão ao PSB, numa cambalhota lato sensu que deixou atônitos governo e oposição, Dona Marina falou em 920.000 assinaturas conseguidas, das quais mais de 500 mil teriam sido "garfadas" -- segundo ela -- impedindo a obtenção do quorum mínimo de 492 mil assinaturas exigido pela legislação eleitoral vigente. O número oficial de assinaturas válidas informado pelo TSE foi de 442.500, com a invalidação de 95.000 assinaturas em cartório "sem justificação expressa", segundo um ministro do próprio TSE. Essa história cheira mal por todos os lados. Pela contabilidade da ex-ministra "sumiram" cerca de 500 mil assinaturas que validariam a criação de seu partido, que sequer constam do registro oficial do TSE -- alguém(ns) está(ão) mentindo nessa história.
É nesse ambiente e clima de pocilga que se desenrolará a eleição de 2014.
Quando a gente pensa que se atingiu o fundo do poço da baixaria, da imoralidade e da indecência cívicas, os políticos nos surpreendem com a criatividade típica dos marginais. Afinal, este é o país em que se plantando, tudo dá, principalmente quando adubado com esterco humano. O espetáculo deprimente da vez foi o da criação de novos partidos, a dança de políticos mudando de poleiros, e as manobras explícitas e implícitas -- todas deploráveis em termos éticos -- do Planalto e do Congresso para se protegerem contra "ameaças" eleitorais.
Criaram-se dois novos partidos -- chegamos a 32 -- e 50 deputados se transferiram para eles, como coristas que mudam de cabaré em busca de novos e melhores cachês. Se estão fazendo upgrade, downgrade ou evengrade não importa, o importante é rechear as carteiras, se possível a curtíssimo prazo. O jornalista Merval Pereira denunciou na tevê que a mudança de palco estava sendo feita à base de R$ 2,00 por voto -- como ninguém o desmentiu, essa é a verdade mínima. Há um deputado mineiro, por exemplo, que teve 75.000 votos na última eleição e que já mudou de partido 5 vezes (o caso dele é rodar a bolsinha). Esse cara embolsou só agora R$ 150.000,00 -- no mínimo -- p'ra mudar novamente de partido. E esses partidos-cabarés novos e essa gentalha moralmente vazia serão financiados com dinheiro público, através do Fundo Partidário. É a velha e recorrente prostituição dos costumes políticos.
Um caso à parte foi o teatro do pedido de criação do partido Rede Sustentabilidade, da ex-ministra Marina Silva, que já começou inovando com um nome ridículo e idiota. O que Dona Dilma -- o Nosso Pinóquio de Saias, NPS -- e o Congresso fizeram para inviabilizar essa criação não está nem no gibi da máfia. Até onde o TSE - Tribunal Superior Eleitoral funcionou como vetor dessa barração não se sabe, mas o fato é que a tal sustentabilidade não se susteve e o pretenso partido de Dona Marina -- a ex-ministra de olhos muito mais fundos do que sua capacidade demonstrada de gerir qualquer coisa maior do que um pedido de registro eleitoral -- sucumbiu na praia, rodeada de banhistas togados.
A história correta do sepultamento do Rede Sustentabilidade para 2014 -- e quiçá para outros futuros, tendo em vista as novas regras criadas casuisticamente ontem pelo Congresso para dificultar a formação de novos partidos -- está ainda por ser contada. No seu malabarístico discurso de adesão ao PSB, numa cambalhota lato sensu que deixou atônitos governo e oposição, Dona Marina falou em 920.000 assinaturas conseguidas, das quais mais de 500 mil teriam sido "garfadas" -- segundo ela -- impedindo a obtenção do quorum mínimo de 492 mil assinaturas exigido pela legislação eleitoral vigente. O número oficial de assinaturas válidas informado pelo TSE foi de 442.500, com a invalidação de 95.000 assinaturas em cartório "sem justificação expressa", segundo um ministro do próprio TSE. Essa história cheira mal por todos os lados. Pela contabilidade da ex-ministra "sumiram" cerca de 500 mil assinaturas que validariam a criação de seu partido, que sequer constam do registro oficial do TSE -- alguém(ns) está(ão) mentindo nessa história.
É nesse ambiente e clima de pocilga que se desenrolará a eleição de 2014.
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quarta-feira, 9 de outubro de 2013
A greve dos professores municipais do Rio e os black blocs
A greve dos professores municipais do Rio começou como todas as inúmeras greves que vêm infernizando a vida dos brasileiros ultimamente, país afora. Começou pacificamente, depois descambou rapidamente para a baderna e o vandalismo gratuito e anárquico por conta dos boçais dos black blocs.
Estamos entrando no quarto mês desse tipo de arruaça e de boçalidade, e governo nenhum -- federal, estadual e municipal -- conseguiu se organizar e se articular para reprimir e expulsar esses idiotas das ruas. Ninguém mais tem segurança de circular e manter seu comércio funcionando porque um bando de energúmenos transformou as ruas em seus chiqueiros, reforçado pelo absoluto e total despreparo das autoridades responsáveis pela segurança da cidadania. Enquanto o quebra-quebra campeia, os governantes estão muito mais preocupados e ocupados com seus conchavos políticos de baixo calão. O país está entregue às baratas, todas elas com mandato e repugnantes.
Voltando à greve dos professores municipais cariocas, tinha-se a impressão de que o movimento desses cidadãos estava sendo cooptado pelos boçais mascarados para mais uma de suas orgias de vandalismo. Ledo engano. Hoje à tarde na rádio CBN o porta-voz do sindicato desses professores declarou, clara e explicitamente, que eles aceitam e recebem de bom grado "toda e qualquer ajuda ao seu movimento, venha de onde vier", e que os professores "apoiam incondicionalmente todas as ações dos black blocs". Fica então provado e comprovado que as escolas municipais da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro estão entregues a indivíduos irresponsáveis, travestidos de educadores, mancomunados com baderneiros e vândalos idiotas, irresponsáveis como eles. O prefeito do Rio faria um ato louvável de saneamento educacional, ético e moral se demitisse essa gentalha toda por justa causa e levasse à justiça seu sindicato por cumplicidade com o vandalismo. Chega de palhaçada!
Estamos entrando no quarto mês desse tipo de arruaça e de boçalidade, e governo nenhum -- federal, estadual e municipal -- conseguiu se organizar e se articular para reprimir e expulsar esses idiotas das ruas. Ninguém mais tem segurança de circular e manter seu comércio funcionando porque um bando de energúmenos transformou as ruas em seus chiqueiros, reforçado pelo absoluto e total despreparo das autoridades responsáveis pela segurança da cidadania. Enquanto o quebra-quebra campeia, os governantes estão muito mais preocupados e ocupados com seus conchavos políticos de baixo calão. O país está entregue às baratas, todas elas com mandato e repugnantes.
Voltando à greve dos professores municipais cariocas, tinha-se a impressão de que o movimento desses cidadãos estava sendo cooptado pelos boçais mascarados para mais uma de suas orgias de vandalismo. Ledo engano. Hoje à tarde na rádio CBN o porta-voz do sindicato desses professores declarou, clara e explicitamente, que eles aceitam e recebem de bom grado "toda e qualquer ajuda ao seu movimento, venha de onde vier", e que os professores "apoiam incondicionalmente todas as ações dos black blocs". Fica então provado e comprovado que as escolas municipais da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro estão entregues a indivíduos irresponsáveis, travestidos de educadores, mancomunados com baderneiros e vândalos idiotas, irresponsáveis como eles. O prefeito do Rio faria um ato louvável de saneamento educacional, ético e moral se demitisse essa gentalha toda por justa causa e levasse à justiça seu sindicato por cumplicidade com o vandalismo. Chega de palhaçada!
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terça-feira, 1 de outubro de 2013
A imprensa e seu poder incrível e, muitas vezes, perigoso
Aqueles que, como eu, escrevem com alguma frequência para a seção de leitores de qualquer jornal já sentiu na carne mais de uma vez a intromissão não autorizada do jornal no seu texto, editando-o e alterando-o a seu bel prazer. Além de ser um abuso e uma invasão de privacidade, não raro essas intervenções são burras e transferem indevidamente para o signatário do texto uma baboseira que, na realidade, é da redação do jornal -- que no fundo e de fato está se lixando para o ocorrido.
A mensagem explícita ou implícita de que o jornal se reserva o direito de editar o texto da correspondência "por razões de espaço" é recorrente ou simplesmente uma mentira, porque muitas vezes as alterações não mudam em nada o tamanho do texto e só expressam o alter ego de alguém que simplesmente quer fazer o enxerto, pelo prazer de meter o bedelho e exercer sua "autoridade". Mesmo sabendo que, dependendo da besteira que fizer, pode ser processado.
Alguém pode achar que estou fazendo tempestade em copo d'água, mas é pelos pequenos detalhes que se descobrem os grandes problemas. A enorme desproporção entre as dimensões de uma impressão digital e o tamanho de seu portador não a invalida como prova irrefutável para a identificação deste. Além disso, é hipocrisia dos jornais e revistas defender -- justificadamente -- com unhas e dentes sua liberdade de expressão e, por outro lado, se sentir no direito de interferir na liberdade de expressão de seus leitores, alterando o que escrevem.
Outro fato facilmente observável é que os jornais são absolutamente hipócritas e despudoramente autoprotetores na correção de suas falhas e erros. A desproporção entre o erro e sua correção é cínica e irresponsável -- aquele pode vir com destaque em qualquer página do jornal, mas a correção correspondente é feita em letra miúda em rodapé de página secundária, geralmente na seção de expediente do jornal. A menos que haja mandado judicial obrigando a publicação da retificação com o mesmo destaque da deturpação.
Já vivi todas essas situações, na maioria das vezes com O Globo, por ser o jornal que assino, mas tive recentemente uma experiência meio hilária com a Folha de S. Paulo. Via de regra, para não dizer sempre, o processo de edição do jornal em minhas cartas piora, maltrata e distorce o texto, deixando-me ou pau da vida ou com cara de babaca por me atribuírem a paternidade de um monstrengo que não tem o meu DNA. Minha experiência mais recente foi com a seção de cartas do caderno Niterói do Globo deste último domingo. Escrevi que Niterói mais uma vez era usada como solução para os problemas dos cariocas -- que piorou com a migração para cá dos marginais e traficantes expulsos pelas UPPs --, desta vez com a mudança de rota dos "aviões que demandam os aeroportos de Santos Dumont e Galeão", expulsos pelos que reclamaram de seu barulho no outro lado da baía. Pois bem, o artista que controla a publicação das cartas simplesmente trocou a frase entre aspas acima para "aviões que decolam [o grifo é meu] dos aeroportos ...". Como esse cidadão ignora que "demandar" também significa "dirigir-se ou rumar para", atropelou meu texto e alterou radicalmente seu sentido, inutilizando-o, porque na realidade nosso problema do ruído (principalmente no bairro onde moro) é quando os aviões se dirigem para os aeroportos citados, e não quando deles decolam. Uma idiotice da redação do jornal espetada na minha testa, sem que eu tenha a mínima chance de provar que a burrice não é minha.
No dia 14 de junho de 2013 o Globo foi criminosamente irresponsável com as empresas do grupo de Eike, usando toda a primeira página de seu caderno de Economia para simplesmente afirmar que esse grupo era insolvente. Três dias depois, no dia 17, o Globo reconheceu que o que havia escrito era mentira, só que esse mea culpa não teve nem de perto o mesmo destaque da falsidade, saiu modestamente na segunda folha do mesmo caderno de Economia. Isso é molecagem e desrespeito ao leitor e aos investidores daquele grupo. Não importa que as empresas de Eike estejam hoje praticamente insolventes, naquela data o jornal foi irresponsável e cínico.
Em 21 de agosto de 2012, na página nobre do jornal, a dos editoriais, o Globo atropelou o vernáculo, publicando sem alterar o título em português errado -- "Educação que o país precisa" -- de um artigo da professora Marinalva Oliveira, presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições do Ensino Superior (Andes). Uma professora do ensino superior e um dos principais jornais do país explicitando sua ignorância quanto à regência do verbo "precisar". Mandei uma carta ao jornal, comentando o erro e lamentando que ele viesse de uma professora e que o jornal o tivesse endossado. Inútil dizer que minha carta não foi publicada -- imagine se o Globo iria expor pública e ostensivamente seu erro grosseiro de português através da carta de um reles leitor! A correção foi feita com letrinha miúda, no rodapé da segunda página da edição do dia seguinte. [Ver postagem "O português errado da professora e do Globo"]. Detalhe: mandei também um email para a tal professora Marinalva, manifestando-lhe minha preocupação com o nível do português que ela ensinava e/ou transmitia a seus alunos. A madame permaneceu no silêncio ensurdecedor de sua ignorância, certamente sentindo-se honrada e garantida com a "chancela" do Globo ...
Minha experiência meio hilária com a Folha de S. Paulo também é recentíssima, coisa de 2 meses no máximo. Uma reportagem do jornal dizia que determinada pista -- não me lembro se de rodovia ou aeroporto -- estava perigosa por causa da água "empossada" (devia ser proveniente de alguma fonte petista). Escrevi ao jornal apontando a barbaridade, e no mesmo dia me agradeceram dizendo que já haviam feito a correção.
A mensagem explícita ou implícita de que o jornal se reserva o direito de editar o texto da correspondência "por razões de espaço" é recorrente ou simplesmente uma mentira, porque muitas vezes as alterações não mudam em nada o tamanho do texto e só expressam o alter ego de alguém que simplesmente quer fazer o enxerto, pelo prazer de meter o bedelho e exercer sua "autoridade". Mesmo sabendo que, dependendo da besteira que fizer, pode ser processado.
Alguém pode achar que estou fazendo tempestade em copo d'água, mas é pelos pequenos detalhes que se descobrem os grandes problemas. A enorme desproporção entre as dimensões de uma impressão digital e o tamanho de seu portador não a invalida como prova irrefutável para a identificação deste. Além disso, é hipocrisia dos jornais e revistas defender -- justificadamente -- com unhas e dentes sua liberdade de expressão e, por outro lado, se sentir no direito de interferir na liberdade de expressão de seus leitores, alterando o que escrevem.
Outro fato facilmente observável é que os jornais são absolutamente hipócritas e despudoramente autoprotetores na correção de suas falhas e erros. A desproporção entre o erro e sua correção é cínica e irresponsável -- aquele pode vir com destaque em qualquer página do jornal, mas a correção correspondente é feita em letra miúda em rodapé de página secundária, geralmente na seção de expediente do jornal. A menos que haja mandado judicial obrigando a publicação da retificação com o mesmo destaque da deturpação.
Já vivi todas essas situações, na maioria das vezes com O Globo, por ser o jornal que assino, mas tive recentemente uma experiência meio hilária com a Folha de S. Paulo. Via de regra, para não dizer sempre, o processo de edição do jornal em minhas cartas piora, maltrata e distorce o texto, deixando-me ou pau da vida ou com cara de babaca por me atribuírem a paternidade de um monstrengo que não tem o meu DNA. Minha experiência mais recente foi com a seção de cartas do caderno Niterói do Globo deste último domingo. Escrevi que Niterói mais uma vez era usada como solução para os problemas dos cariocas -- que piorou com a migração para cá dos marginais e traficantes expulsos pelas UPPs --, desta vez com a mudança de rota dos "aviões que demandam os aeroportos de Santos Dumont e Galeão", expulsos pelos que reclamaram de seu barulho no outro lado da baía. Pois bem, o artista que controla a publicação das cartas simplesmente trocou a frase entre aspas acima para "aviões que decolam [o grifo é meu] dos aeroportos ...". Como esse cidadão ignora que "demandar" também significa "dirigir-se ou rumar para", atropelou meu texto e alterou radicalmente seu sentido, inutilizando-o, porque na realidade nosso problema do ruído (principalmente no bairro onde moro) é quando os aviões se dirigem para os aeroportos citados, e não quando deles decolam. Uma idiotice da redação do jornal espetada na minha testa, sem que eu tenha a mínima chance de provar que a burrice não é minha.
No dia 14 de junho de 2013 o Globo foi criminosamente irresponsável com as empresas do grupo de Eike, usando toda a primeira página de seu caderno de Economia para simplesmente afirmar que esse grupo era insolvente. Três dias depois, no dia 17, o Globo reconheceu que o que havia escrito era mentira, só que esse mea culpa não teve nem de perto o mesmo destaque da falsidade, saiu modestamente na segunda folha do mesmo caderno de Economia. Isso é molecagem e desrespeito ao leitor e aos investidores daquele grupo. Não importa que as empresas de Eike estejam hoje praticamente insolventes, naquela data o jornal foi irresponsável e cínico.
Em 21 de agosto de 2012, na página nobre do jornal, a dos editoriais, o Globo atropelou o vernáculo, publicando sem alterar o título em português errado -- "Educação que o país precisa" -- de um artigo da professora Marinalva Oliveira, presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições do Ensino Superior (Andes). Uma professora do ensino superior e um dos principais jornais do país explicitando sua ignorância quanto à regência do verbo "precisar". Mandei uma carta ao jornal, comentando o erro e lamentando que ele viesse de uma professora e que o jornal o tivesse endossado. Inútil dizer que minha carta não foi publicada -- imagine se o Globo iria expor pública e ostensivamente seu erro grosseiro de português através da carta de um reles leitor! A correção foi feita com letrinha miúda, no rodapé da segunda página da edição do dia seguinte. [Ver postagem "O português errado da professora e do Globo"]. Detalhe: mandei também um email para a tal professora Marinalva, manifestando-lhe minha preocupação com o nível do português que ela ensinava e/ou transmitia a seus alunos. A madame permaneceu no silêncio ensurdecedor de sua ignorância, certamente sentindo-se honrada e garantida com a "chancela" do Globo ...
Minha experiência meio hilária com a Folha de S. Paulo também é recentíssima, coisa de 2 meses no máximo. Uma reportagem do jornal dizia que determinada pista -- não me lembro se de rodovia ou aeroporto -- estava perigosa por causa da água "empossada" (devia ser proveniente de alguma fonte petista). Escrevi ao jornal apontando a barbaridade, e no mesmo dia me agradeceram dizendo que já haviam feito a correção.
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EUA aprovam o primeiro fármaco contra o câncer de mama na fase inicial
[A reportagem traduzida abaixo foi publicada no jornal espanhol El País de ontem, 30/9. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]
A Agência de Alimentos e Medicamentos americana (FDA, na sigla em inglês) aprovou ontem (30/9) com 13 votos a favor e uma abstenção o medicamento Perjeta como "parte fundamental para conseguir um tratamento mais completo para as pessoas que sofrem câncer de mama em sua fase inicial -- aqueles tumores maiores que 2 cm ou com gânglios linfáticos afetados", explica a agência em um comunicado ["FDA approves Perjeta for neoadjuvant breast cancer treatment -- First drug approved for use in preoperative breast cancer" -- "FDA aprova Perjeta para tratamento de câncer neoadjuvante -- Primeiro fármaco aprovado para uso pré-cirúrgico no tratamento de câncer de mama", em tradução livre. Em Imunologia, adjuvante é um imunopotenciador químico cuja função é dirigir o sistema imune para a produção de anticorpos (resposta humoral) ou para a estimulação de linfócitos T (reação mediada por células), com o objetivo de intensificar a reação imunológica.]
Perjeta é o primeiro fármaco aprovado para uso neoadjuvante -- pré-cirúrgico -- para esse tipo de tumor maligno. O comitê de especialistas considera "que seus benefícios são maiores que seus riscos". O medicamento já havia sido aprovado em 2012 para pacientes em estágio avançado ou com metástase de câncer de mama tipo HER2, nome de uma proteína produzida por um gene específico cuja alteração pode produzir a enfermidade. Aproximadamente, cerca de 25% dos tumores "salientam" o HER2 ou apresentam uma amplificação desse gene, o que normalmente acontece na fase inicial da evolução da enfermidade. Isso quer dizer que um(a) em cada quatro pacientes com câncer de mama é HER2 positivo.
O câncer de mama é a segunda causa de mortes por câncer entre as mulheres americanas. Estima-se que 232.340 serão diagnosticadas com essa doença e 39.620 morrerão por sua causa em 2013 [que precisão!...], segundo os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA [na realidade, essa estatística é do Instituto Nacional do Câncer dos EUA].
O Perjeta poderá ser usado na fase inicial da enfermidade. "Isto fará com que a intervenção cirúrgica seja menos invasiva -- até agora o passo prévio em muitos dos casos", e ajudará muito as pessoas que têm alto risco de sofrer recidiva, de metástase ou, inclusive, de morrer, explica o texto do comunicado da FDA. "Ele deverá ser usado em combinação com trastuzumab -- anticorpo monoclonal humanizado semelhante aos anticorpos que o organismo produz de forma natural -- e quimioterapia, previamente à cirurgia e, em alguns casos, será necessário prosseguir com a quimioterapia", continua o comunicado. Segundo os especialistas, em todos os casos os pacientes deverão continuar tomando o trastuzumab durante um ano.
"Nos últimos anos, estamos vivendo uma mudança substancial no paradigma do tratamento do câncer de mama, principalmente em seu estágio inicial", afirmou em um comunicado o Dr. Richard Pazdur, diretor de Hematologia e Oncologia da FDA. "Contar com medicamentos eficazes nessa etapa poderia prevenir e retardar possíveis recidivas", prosseguiu.
A aprovação do Perjeta como tratamento neoadjuvante está baseada em um estudo calcado em medições de polymerase chain reaction (PCR) ["reação em cadeia da polimérase" -- polimérase é uma enzima que catalisa a ligação de nucleotídeos e leva à formação de cadeia do ácido nucléico] -- técnica cujo objetivo é obter um grande número de cópias de um fragmento do DNA. Nesse estudo se analisaram 417 pacientes, tratadas de quatro maneiras distintas -- com tratuzumab mais docetaxel -- medicamento comum no tratamento desse tipo de tumor maligno --; com Perjeta mais trastuzumab e docetaxel; com Perjeta e trastuzumab; e com Perjeta e docetaxel.
"Cerca de 39% dos pacientes atingiram o objetivo com o tratamento com base no Perjeta mais trastuzumab e docetaxel, contra 21% daqueles tratados apenas com trastuzumab e docetaxel", explica o comunicado da FDA. Neste momento, 4.800 pessoas se encontram em tratamento, e a FDA espera ter os resultados em 2016.
Os efeitos colaterais mais comuns do Perjeta são perda de cabelo, diarreia, náuseas e baixa das defesas (no número de glóbulos brancos). Além disso, podem ocorrer problemas cardíacos e hipersensibilidade. O Perjeta é comercialializado por Genentech, uma empresa do grupo Roche, sediada no sul de São Francisco, na California (EUA).
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| Fármaco recém-aprovado pela Agência de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA, na sigla inglesa) contra o câncer de mama em fase inicial - (Foto: FDA/Fonte: El País). |
Perjeta é o primeiro fármaco aprovado para uso neoadjuvante -- pré-cirúrgico -- para esse tipo de tumor maligno. O comitê de especialistas considera "que seus benefícios são maiores que seus riscos". O medicamento já havia sido aprovado em 2012 para pacientes em estágio avançado ou com metástase de câncer de mama tipo HER2, nome de uma proteína produzida por um gene específico cuja alteração pode produzir a enfermidade. Aproximadamente, cerca de 25% dos tumores "salientam" o HER2 ou apresentam uma amplificação desse gene, o que normalmente acontece na fase inicial da evolução da enfermidade. Isso quer dizer que um(a) em cada quatro pacientes com câncer de mama é HER2 positivo.
O câncer de mama é a segunda causa de mortes por câncer entre as mulheres americanas. Estima-se que 232.340 serão diagnosticadas com essa doença e 39.620 morrerão por sua causa em 2013 [que precisão!...], segundo os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA [na realidade, essa estatística é do Instituto Nacional do Câncer dos EUA].
O Perjeta poderá ser usado na fase inicial da enfermidade. "Isto fará com que a intervenção cirúrgica seja menos invasiva -- até agora o passo prévio em muitos dos casos", e ajudará muito as pessoas que têm alto risco de sofrer recidiva, de metástase ou, inclusive, de morrer, explica o texto do comunicado da FDA. "Ele deverá ser usado em combinação com trastuzumab -- anticorpo monoclonal humanizado semelhante aos anticorpos que o organismo produz de forma natural -- e quimioterapia, previamente à cirurgia e, em alguns casos, será necessário prosseguir com a quimioterapia", continua o comunicado. Segundo os especialistas, em todos os casos os pacientes deverão continuar tomando o trastuzumab durante um ano.
"Nos últimos anos, estamos vivendo uma mudança substancial no paradigma do tratamento do câncer de mama, principalmente em seu estágio inicial", afirmou em um comunicado o Dr. Richard Pazdur, diretor de Hematologia e Oncologia da FDA. "Contar com medicamentos eficazes nessa etapa poderia prevenir e retardar possíveis recidivas", prosseguiu.
A aprovação do Perjeta como tratamento neoadjuvante está baseada em um estudo calcado em medições de polymerase chain reaction (PCR) ["reação em cadeia da polimérase" -- polimérase é uma enzima que catalisa a ligação de nucleotídeos e leva à formação de cadeia do ácido nucléico] -- técnica cujo objetivo é obter um grande número de cópias de um fragmento do DNA. Nesse estudo se analisaram 417 pacientes, tratadas de quatro maneiras distintas -- com tratuzumab mais docetaxel -- medicamento comum no tratamento desse tipo de tumor maligno --; com Perjeta mais trastuzumab e docetaxel; com Perjeta e trastuzumab; e com Perjeta e docetaxel.
"Cerca de 39% dos pacientes atingiram o objetivo com o tratamento com base no Perjeta mais trastuzumab e docetaxel, contra 21% daqueles tratados apenas com trastuzumab e docetaxel", explica o comunicado da FDA. Neste momento, 4.800 pessoas se encontram em tratamento, e a FDA espera ter os resultados em 2016.
Os efeitos colaterais mais comuns do Perjeta são perda de cabelo, diarreia, náuseas e baixa das defesas (no número de glóbulos brancos). Além disso, podem ocorrer problemas cardíacos e hipersensibilidade. O Perjeta é comercialializado por Genentech, uma empresa do grupo Roche, sediada no sul de São Francisco, na California (EUA).
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