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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Luis Suárez, o vampiro canibal uruguaio do futebol mundial (II)

(Ver postagem anterior). Começam a surgir novos detalhes e aspectos da psicose vampiro-canibalesca de Luis Suárez. Reportagem e foto publicadas hoje pelo jornal inglês The Independent, mostram que já no ano passado no jogo Itália x Uruguai na Copa das Confederações, no Brasil, Luis Suárez tentou tirar um pedaço de carne do ombro direito do mesmíssimo jogador italiano Giorgio Chiellini que ele mordeu agora na Copa de 2014, só que desta vez no ombro esquerdo.

Tudo faz crer que o jogador uruguaio tem uma especial predileção por carne de ombro de jogador italiano, principalmente se ele for de Pisa e se chamar Giorgio Chiellini.


Luis Suarez tenta morder o ombro direito de Giorgio Chiellini, da seleção italiana, na disputa pelo terceiro lugar na Copa das Confederações no Brasil em 2013 - (Foto: The Independent).


Luis Suárez, o vampiro canibal uruguaio do futebol mundial


Foto-montagem: Tecmundo

Luis Suárez, o cracaço uruguaio, demonstrou mais uma vez no jogo decisivo contra a Itália na Copa do Mundo seus irrefreáveis instintos vampirescos e canibalescos. Esse cidadão já deveria estar isolado numa clínica psiquiátrica e banido dos campos de futebol há muito tempo. A Fifa e as federações de futebol onde ele joga deveriam ser responsabilizadas criminalmente por permitirem que Suárez continue mostrando, sem punição exemplar e definitiva, sua selvageria e seu problema psicológico a milhões de espectadores em todo o mundo.

Esse cidadão já mostrou repetidas vezes que tem um sério distúrbio de comportamento, e que precisa passar por um tratamento rigoroso longe dos gramados. Vejamos seu currículo de pitbull e vampiro:



Mordidas de Luis Suárez -- (Foto: Arte/Agência RBS - Fonte: ZH Copa 2014)


Todas as mordidas de Luis Suárez em 2014 - (YouTube)

  • Ajax x PSV -- Campeonato holandês, 2010 -- Na final entre os dois times, houve uma confusão entre os jogadores dos dois times e Luis Suárez mordeu o pescoço do volante do PSV, Otman Bakkal (aqui prevaleceu seu lado vampiro) -- primeira foto acima, da esquerda para a direita. O jornal inglês The Independent informa que ele recebeu por isso uma suspensão de 7 jogos.
  • Liverpool x Chelsea -- Campeonato inglês, 2013 -- O jogador uruguaio foi suspenso por 10 jogos após morder o jogador Branislav Ivanovic (terceira foto acima, da esquerda para a direita). 
  • Itália x Uruguai -- Copa do Mundo, 2014 -- Suárez mordeu o ombro do jogador italiano Giorgio Chiellini (foto do meio, acima). 

A mordida de Luis Suárez em Giorgio Chiellini (YouTube)

A Fifa informou que abriu processo disciplinar contra o atacante uruguaio Luis Suárez, que mordeu o zagueiro italiano Giorgio Chiellini durante o jogo com a Itália na terça-feira.

"A Fifa pode confirmar que procedimentos disciplinares foram abertos contra o jogador Luis Suárez, do Uruguai", disse a federação mundial de futebol em um comunicado na noite de terça-feira. A Fifa disse que Suárez e a associação uruguaia de futebol têm prazo até as 17 horas (horário de Brasília) desta quarta-feira para "apresentar sua posição e qualquer evidência documental que considerem relevante".

Vamos ver se pelo menos na área disciplinar a Fifa mostrará um mínimo de coerência e decência, e punirá Luis Suárez de maneira rigorosa e exemplar. Não tem cabimento a Fifa desfilar sua bandeira de "fair play" nos estádios e permitir que um idiota reincidente morda um adversário em jogo de Copa do Mundo.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Documento da Fifa sobre a organização e a realização da Copa deixa mal o governo e o país. Cadê a resposta de Dilma NPS?

[Sob o título "FAQ: Setting the record straight" ("Perguntas frequentemente feitas: Botando os pingos nos 'is'", em tradução livre), a Fifa dá sua versão sobre detalhes da organização e realização da Copa que têm sido objeto de protestos e gerado enorme confusão no país. Divulgado na semana atrasada (15/6), o que nele a Fifa afirma deixa muito mal o governo Dilma NPS (Nosso Pinóquio de Saias) e o país. Um das afirmativas mais graves da Fifa é que, ao contrário do que o governo diz, ela não pediu isenção geral de impostos. Passada mais de uma semana, o governo da madame permanece em silêncio ensurdecedor, usando a velha prática petista de fingir-se de morto ou ficar com olhar de paisagem, na expectativa de que o malfeito caia no esquecimento. Estranhamente, a mídia também desprezou as informações da Fifa, cujo documento traduzo a seguir. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]

Perguntas frequentemente feitas: Botando os pingos nos 'is' -- Fifa

Até agora, a Copa do Mundo no Brasil custou US$ 15 bilhões. Os contribuintes têm pago a conta, a Fifa não gastou nada.

A Fifa cobriu todos os custos operacionais da Copa do Mundo no considerável valor de US$ 2 bilhões. Não utilizamos nenhum dinheiro público para isso, usando em vez disso apenas a receita gerada pela venda dos direitos de TV e de comercialização relativos à Copa do Mundo. Em termos de investimentos do país anfitrião, as cifras citadas incluem investimentos em infraestrutura que não são diretamente relacionados ao custo da Copa do Mundo, e alguns deles nem mesmo foram feitos para o evento. O país irá usufruir por muitos anos dos resultados dos investimentos feitos em redes viárias, aeroportos ou sistemas de telecomunicações, e assim sendo tais investimentos não são custos relacionados unicamente à Copa do Mundo.

O dinheiro investido em estádios faz falta agora nos orçamentos para educação e saúde.

A presidente Rousseff, falando duas semanas antes da Copa do Mundo, disse que os orçamentos governamentais para educação e saúde não serão afetados pelo financiamento do BNDES para os estádios (apenas 0,16% do PIB do país).

A Fifa determinou que o Brasil construísse 12 estádios.

A Fifa não exige que um país construa 12 estádios, nem como devam ser projetados. Há algumas diretrizes básicas a serem seguidas, de modo que os estádios satisfaçam as exigências e expectativas das equipes, dos agentes de segurança e da mídia mas, antes de tudo, cada país anfitrião tem que decidir se deseja utilizar oito, dez ou 12 estádios. O Brasil optou por 12. Cabe também a cada país anfitrião projetar seus estádios de tal maneira que possam ser usados de maneira sustentável no longo prazo. Só depois disso se verifica se não necessárias quaisquer modificações para o uso das instalações para a Copa do Mundo, com ambas as partes trabalhando em conjunto para encontrar a melhor solução possível. [Pelo que diz a Fifa, a invenção de fazer 12 estádios suntuosos -- e nos locais escolhidos --  é porralouquice do governo Dilma NPS e não dela. Que atentem bem para isso os eleitores que votarão em outubro vindouro.]

Os ingressos são tão caros que a maioria dos brasileiros não pode pagá-los.

Em comparação com outros eventos de porte (Jogos Olímpicos, Fórmula 1, torneios de tênis, concertos populares, etc), há muitos ingressos baratos disponíveis para a Copa do Mundo. Para a fase de classificação (group-stage matches), por exemplo, ingressos por até apenas US$ 15 foram postos à venda para os brasileiros. A Fifa doou também 100.000 ingressos para os operários que trabalharam na construção dos estádios, assim como para os socialmente desfavorecidos. Dos 11 milhões dos pedidos de ingressos, cerca de 70% foram feitos por brasileiros, e 58% dos 2,7 milhões de ingressos vendidos até o momento foram comprados também por brasileiros. [As infos sobre os ingressos a 15 dólares e a doação de 100.000 ingressos são surpreendentes e deveriam ser confirmados pela CBF ou quem mais seja do lado brasileiro. Ver postagem anterior com preços de ingressos no site oficial da Fifa.]

A Fifa exige isenção total de impostos para seus patrocinadores, o que significa que o país anfitrião não lucra nada com o evento.

A Fifa não faz exigências para que haja um isenção geral de impostos para patrocinadores e fornecedores, ou para quaisquer atividades comerciais no país anfitrião. Em vez disso, a Fifa demanda apenas facilidades nos procedimentos aduaneiros para alguns equipamentos que precisam ser importados para a organização da Copa do Mundo, e que não se encontram à venda no país anfitrião (por exemplo, importação de computadores a serem usados pela Fifa ou pelo Comitê Organizador Local), importação (e subsequente exportação) de placas eletrônicas de propaganda, importação de bolas pasra uso na Copa do Mundo [o Brasil não é capaz de fabricá-las?!], e que serão usadas durante o evento e depois reexportadas ou doadas para uma instituição social ligada a esporte no país anfitrião. Todas essas isenções são comparáveis àquelas demandadas por organizadores de outros eventos esportivos ou culturais. [Esta declaração da Fifa é seríssima, porque desmente frontalmente o governo Dilma NPS, que afirmou que concedeu isenção fiscal plena para a Fifa na Copa das Confederações em 2013 e para esta Copa do Mundo porque issa era uma "condição" pasra a realização desses eventos. Isso significou para o país a perda de mais de R$ 1 bilhão, só em impostos federais. É preciso exigir que o governo explique isso direitinho. Ver mais detalhes no site UOL.Copa. O TCU diz ainda que falta transparência nessa isenção fiscal à Fifa.]

Dos US$ 2 bilhões que a Fifa gasta com a Copa do Mundo, cerca de US$ 1 bilhão é gasto com serviços no Brasil -- em outras palavras, dinheiro que é injetado diretamente na economia brasileira. Embora a Fifa seja extremamente cautelosa com prognósticos econômicos, a Fundação de Pesquisa Econômica Brasileira avalia que a Copa gere uma receita adicional para a economia do país de US$ 27 bilhões. [Não consegui identificar esta instituição; existe um site oficial do governo -- "Foundation Institute of Economic Research" -- para a Copa, mas nele não encontrei esse estudo citado pela Fifa. A agência de risco Moody's informou em março deste ano que a Copa teria efeito pouco duradouro sobre a economia brasileira. O Ipea, em seu site, diz que "para o crescimento do PIB, a Copa do Mundo deve ser jogo de zero a zero". Para o TCU essa receita seria de R$ 10 bilhões.]

A Fifa só pensa em ter lucro, não se preocupa com nada mais

A Fifa é uma associação de associações, com um objetivo não comercial e sem fins lucrativos, que utiliza recursos significativos na busca de seus objetivos estatutários, que incluem desenvolver o futebol ao redor do mundo, organizar suas próprias competições internacionais e elaborar cuidadosamente regulamentos para o esporte, garantindo ao mesmo tempo sua aplicação.  Então, a pergunta é: o que a Fifa faz com os lucros da Copa do Mundo?

Em resumo, todas as 209 associações que compõem a Fifa se beneficiam na mesma proporção. Na realidade, a Fifa gasta US$ 550.000 no desenvolvimento do futebol ao redor do mundo -- todo santo dia. Além disso, gastamos cerca de US$ 2 milhões na organização de competições internacionais -- todo santo dia. [Seria interessante ter acesso aos arquivos da Interpol sobre a Fifa e seus dirigentes, atuais e do passado ...].

A Fifa deixa o país anfitrião sozinho para enfrentar seus problemas sociais, econômicos e ecológicos

A Fifa está plenamente consciente -- e aceita isso integralmente -- de sua responsabilidade social como parte da Copa. Em 2006, a Copa do Mundo na Alemanha foi a primeira a ter um abrangente programa ambiental. Depois, em 2010, a Fifa lançou "Vencer na África com a África "("Win in Africa with Africa"), uma iniciativa para o desenvolvimento de uma infraestrutura futebolística sustentável cobrindo o continente africano, a um custo de US$ 70 milhões.  Além disso, US$ 12 milhões foram investidos em vários programas sociais e foi criado o Fundo de Legado da Copa do Mundo de 2010 (2010 World Cup Legacy Trust) após o evento, com uma provisão adicional de US$ 100 milhões para promover o desenvolvimento social a longo prazo na África do Sul após a Copa e dar suporte a iniciativas que usem o futebol para impulsionar o desenvolvimento social. É justo dizer que a África do Sul ainda se beneficia de ter sediado a Copa do Mundo em 2010.

No que se refere à Copa do Mundo de 2014 no Brasil, a Fifa divulgou uma estratégia completa de sustentabilidade há quase dois anos atrás, com foco em estádios ecologicamente favoráveis, gestão de refugos, apoio comunitário, redução e compensação de emissões de CO₂, mudança climática e transferência de conhecimento. [Por que esse trabalho não foi tornado público? Essa estratégia envolve apenas a Fifa, ou há exigência de contrapartida do nosso governo?] - A estratégia da Fifa é fundamentada em normas internacionais, como a ISO 26000 e a GRI - Global Reporting Initiative [ver aqui], assim como na política de desenvolvimento do governo brasileiro. Uma vez mais, a Fifa está apoiando uma ampla gama de projetos sociais [quais?], lançou uma iniciativa sobre saúde de âmbito nacional [qual?] e está organizando uma "Copa do Mundo Social", da qual participarão 32 organizações sociais em sua própria Copa do Mundo [que diabo é isto?!].

Serão implementadas medidas adicionais nas áreas de saúde, infraestrutura e futebol feminino como parte do Fundo de Legado da Copa do Mundo de 2014. [Quais são essas medidas?]

A Fifa considera que sua responsabilidade social é um fator crucial para sucesso sustentável de seus eventos, mas a Copa do Mundo somente pode ser usada como uma ferramenta ou como um catalisador para mudanças se todos nela envolvidos pressionarem numa mesma direção, como parte de uma estratégia global.

A Fifa é responsável por despejos forçados no Brasil

A Fifa nunca pediu tais despejos. A Fifa recebeu uma declaração por escrito do Governo Federal e das Cidades Anfitriãs explicitando que em nenhuma das12 construções ou reformas de estádios alguém teria que ser despejado ou removido. [E aí, o governo realmente cumpriu isso?]

A Fifa expulsa vendedores ambulantes/camelôs para garantir a exclusividade de seus patrocinadores

Ao contrário, a Fifa trabalha duro para garantir que os camelôs façam parte da Copa do Mundo. No entanto, nas vizinhanças imediatas dos estádios, por razões de segurança, há uma área à qual apenas portadores de ingressos ou de credenciais podem ter acesso. Por conseguinte, com base na experiência adquirida na Copa do Mundo da África do Sul, a Fifa deixou assentado com as autoridades brasileiras e com as cidades anfitriãs (que, em última análise, são responsáveis pelas atividades comerciais em suas áreas), desde os primeiros entendimentos sobre o evento, que estabelecessem e implementassem programas especiais para aqueles comerciantes.

Na maioria das cidades anfitriãs, camelôs que já trabalhavam no entorno de estádios foram cadastrados e poderão, portanto, trabalhar perto dos estádios e das Fifa Fun Fests™ durante a Copa do Mundo. Os camelôs receberam também um treinamento especial, um uniforme e uma credencial que lhes permite vender produtos autorizados. Um exemplo: São Paulo, a cidade anfitriã do jogo de abertura, tem no momento um total de 600 camelôs cadastrados nas vizinhanças da Fifa Fan Fest™e da Arena São Paulo. Esse é um procedimento padrão que é necessário em grandes eventos, principalmente no interesse da segurança. Um processo semelhante de credenciamento foi posto em prática nos Jogos Olímpicos de Londres e de Vancouver, por exemplo. Isso ajuda também a evitar que produtos falsificados sejam vendidos, infringindo leis brasileiras e internacionais.



sábado, 21 de junho de 2014

Golpe baixo e safado da Fifa contra o Brasil

As relações Fifa - Brasil  em relação à Copa deste ano nunca foram amenas, nem saudáveis, à exceção talvez do dia em que o Brasil foi sorteado para sediar o evento, lá nos idos de 2007. À medida que o certame se aproximava e o país se mostrava cada vez mais relapso e incompetente para cumprir com o que lhe competia contratualmente fazer, a Fifa foi subindo o tom e passou a nos tratar como moleques -- culpa exclusivamente nossa e não dela. Como qualquer observador atento, dentro e fora do país, a Fifa sabe perfeitamente que o Brasil é masoquista, adora sofrer e levar porrada -- aí estão Bolívia e Argentina para comprovar isso. E caiu de cascudos, palmatória e puxões de orelha sobre nós -- só faltou nos botar de joelhos sobre grãos de milho. Não enriquece o currículo de ninguém levar esporro de uma entidade pilantra, atolada em denúncias de corrupção, com dirigentes e ex-dirigentes acusados de mutretas, pilantragens e negociatas. 

Em certo momento, o secretário-geral da Fifa, Jerôme Valcke, disse que o Brasil precisava levar um pontapé no traseiro para fazer o que devia em tempo hábil, e fazê-lo certo. Houve um teatrinho do governo fingindo-se de ofendido e magoado, o ministro da Porrinha (único esporte de que entende alguma coisa) Aldo Rebelo declarou Valcke persona non grata, o francês pediu "desculpas" e todos terminaram de mãozinhas dadas. 

Eis que, às vésperas de um jogo vital para o Brasil contra Camarões -- se perdermos estamos eliminados e mesmo empatando corremos risco -- a Fifa, através de seu diretor de segurança Ralf Mutschke, vem a público para dizer que se trata de um jogo "vulnerável e de risco, sujeito a manipulações porque implica classificação, diferença de gols, envolvendo uma seleção já eliminada", explicou esse executivo. Beleza, a Fifa corrupta posa de boa menina e alerta Camarões para que não faça negociatas que favoreçam o dono da casa ou outrem, depois de passadas nove ou dez rodadas do Mundial.  

Camarões mostrou-se uma seleção mercenária, que chantageou sua federação até a última hora e chegou com um dia de atraso ao Brasil para conseguir vantagens financeiras. Jogou contra dois adversários de sua chave, perdeu os dois jogos, e a Fifa não levantou qualquer suspeição contra seu comportamento em campo. Por que só agora, na véspera do jogo contra o Brasil?

Com essa "pressão" supostamente bem intencionada da Fifa, Camarões recebeu o "doping" de que necessitava para endurecer e infernizar o jogo contra o Brasil. Na sua coluna de hoje (21/6) no Globo, Ancelmo Gois informa que a CBF vai acionar a Fifa e que "O ambiente, ontem à noite, na comissão técnica da seleção era de completa indignação. Tudo por causa desta notícia, no site da Fifa, de que o jogo do Brasil contra Camarões corria “sério risco de manipulação”.  Por que esta suspeita só sobre o nosso jogo? E os outros não podem ser manipulados? — rebatia Parreira". Com essa atitude canalha, a Fifa lança suspeitas também sobre a CBF e o país.  

Joseph Blatter e Jerôme Valcke certamente terão orgasmos múltiplos se o Brasil for desclassificado ainda na fase de classificação, e passar o resto da competição amargando seu desastre e pagando caríssimo para ser um mero espectador. Seria para a Fifa o castigo perfeito para anfitriões que lhe deram um enorme trabalho na preparação, organização e implementação do evento. 

Não aparece ninguém para dar uma chacoalhada nessa Fifa, pô?!

sábado, 29 de março de 2014

Copa do Mundo de 2014, a arapuca em que fomos jogados pelo NPA

[O Brasil foi confirmado como sede da Copa do Mundo de 2014 em 30 de outubro de 2007, exatos 6 anos e 6 meses antes do início da competição. A partir de então, não temos feito outra coisa a não ser dar vexame, descumprir compromissos, gastar rios de dinheiro e deixar os 31 países participantes de cabelo em pé com os indícios inequívocos dos múltiplos problemas de infraestrutura, de segurança e de organização que enfrentarão durante o evento. A imprensa mundial já vem dando eco a essas preocupações há tempo. Essa Copa tem todos os ingredientes indispensáveis para expor o Brasil a um ridículo planetário e hiperbólico, graças a figuras como o NPA (Nosso Pinóquio Acrobata, Lula) -- que pariu esse evento no Brasil -- e Dilma NPS (Nosso Pinóquio de Saias), que deu à organização da Copa todo o peso de sua incompetência.

A organização com que está sendo montada a Copa é uma vitrine repleta e escancarada de problemas, de exemplos reiterados de corrupção e de irresponsabilidades. A palhaçada mais recente no penduricalho de problemas e pendência nossos com a Fifa são as tais "estruturas temporárias" de alguns estádios, como nos relata a BBC Brasil em reportagem de 27/3, reproduzida a seguir. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]



Estruturas temporárias no Itaquerão geram impasse entre Corinthians e Fifa - (Foto: AFP / Fonte: BBC Brasil).

Faltando dois meses e meio para o início da Copa do Mundo, uma nova preocupação nas obras para o Mundial surgiu para "atormentar" a Fifa em duas das 12 cidades-sede do torneio.

As chamadas estruturas temporárias são exigências para as arenas e o entorno delas e envolvem desde geradores de energia elétrica e estrutura de telecomunicações até os centros de mídia e de voluntários, passando por áreas dedicadas à interação entre patrocinadores oficiais do evento e o público. As instalações, que serão usadas somente no Mundial, viraram um "pepino" de última hora para as cidades-sede, adicionando uma conta que pode variar de R$30 milhões a R$60 milhões no orçamento de quem se predispôs a receber jogos da Copa – tanto as cidades quanto os clubes donos de estádios.

O problema ganhou dimensões ainda maiores em São Paulo, a sede da abertura, e é a grande preocupação da Fifa agora. "Temos que arrumar uma solução para as estruturas temporárias. Não podemos ter jogo de abertura em outro lugar. Tem que ser São Paulo", disse o secretário geral da Fifa, Jérôme Valcke nesta quinta-feira. Mas por que esse "problema inesperado" de última hora? A explicação principal está no contrato firmado entre a Fifa e os donos dos estádios da Copa, ainda em 2009.

"A autoridade do estádio se compromete a alugar, construir (se necessário) e providenciar para a Fifa e o COL (…) o espaço requisitado para o uso exclusivo no período da Copa e a removê-los (se necessário) depois do uso pela Fifa e pelo COL, sob o custo da autoridade do estádio", é o que diz o documento ("Stadium Agreement") assinado pelas 12 "autoridades de estádio" da Copa. É justamente no contrato firmado cinco anos atrás que o "pepino" começa. Com o poder de barganha de quem é dona do maior evento esportivo do mundo, a Fifa consegue aprovar contratos que, do ponto de vista jurídico, podem ser considerados "excepcionais".

As próprias estruturas temporárias, por exemplo, foram incluídas no acordo firmado em 2009, mas não foram plenamente especificadas, item a item. Sem saber qual seria o gasto exato com que estavam se comprometendo, os clubes e as cidades-sede aceitaram as exigências e agora se viram "amarrados" com os custos extras de instalações que serviriam apenas para a Copa e não ficariam como legado após o torneio.

Em 9 das 12 capitais brasileiras que sediarão a Copa, não houve muito o que discutir, já que os estádios são públicos e, portanto, tanto a cidade-sede quanto o "dono" da arena têm a mesma fonte de recursos. Mas em Curitiba (Arena da Baixada), Porto Alegre (Beira-Rio) e São Paulo (Itaquerão), os proprietários dos estádios são os clubes – Atlético-PR, Internacional e Corinthians, respectivamente – e nenhum deles quis arcar sozinho com as despesas.

Contrato excepcional


A consequência de não cumprir com a obrigação do contrato às vésperas do torneio poderia ser até mesmo a não realização da Copa naquela cidade ou estádio. Por isso, cidades-sede e clubes se viram pressionados para chegar a um acordo. "A Fifa pode dizer: 'Eu sou o dono da bola, então não vai ter jogo no Beira-Rio'. O poder de barganha dela é muito maior, porque Porto Alegre perde muito mais se ficar sem a Copa (do que a Fifa se ficar sem Porto Alegre)", afirmou à BBC o advogado André Zonaro Giacchetta, sócio do escritório Pinheiro Neto e especialista em propriedade intelectual, entretenimento e lazer.


Além das estruturas temporárias, a Fifa poderia fazer também outras exigências aos donos de estádios ou cidades-sede a qualquer momento desde a assinatura do contrato. É o que garante uma das cláusulas do documento, que diz que a entidade pode modificar "quaisquer diretrizes e outras orientações or



Outra cláusula determina a renúncia por parte das cidades-sede de qualquer pedido de indenização em caso de cancelamento do evento por parte da Fifa. "Tudo o que você pensar em relação a esse evento é excepcional. A Fifa é dona de um evento que os países se oferecem e se digladiam para sediar", disse Giacchetta. "Ela tem um contrato padrão, essas coisas foram negociadas em outros países mais desenvolvidos também. E é simples: ou as cláusulas são aceitas ou ela não realiza o evento".
Impasses
Os grandes impasses com relação às estruturas temporárias aconteceram em Porto Alegre e São Paulo - já que, em Curitiba, o Atlético-PR fez um acordo prévio com a prefeitura para que ela bancasse as obras. Na capital gaúcha, o problema começou quando o Internacional, clube que administra o Beira-Rio, entregou a arena pronta e se posicionou dizendo que não teria recursos para pagar as obras complementares pedidas pela Fifa.
Pelo contrato, o próprio Inter seria o responsável pelos gastos, mas o clube argumentou. "Os contratos foram acertados para o proprietário do estádio como ente público. Nós, do Inter, consideramos que demos uma contribuição já para o ente público com o contrato privado para a reforma do estádio", explicou a vice-presidente do Internacional, Diana Oliveira, à BBC Brasil.
Com o impasse, a solução veio com o investimento do governo estadual. Na última terça-feira, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul aprovou um projeto de lei que isenta do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) as empresas que decidirem bancar as tais estruturas a serem construídas nas dependências do Beira-Rio. Assim, uma empresa que tenha interesse em "ajudar" o Inter a bancar as estruturas poderá investir o dinheiro equivalente ao que pagaria de ICMS e estará isenta do imposto com o governo. O valor total que o clube colorado precisa arrecadar com esse incentivo é de R$ 25 milhões. Questionada se haveria empresas interessadas no investimento, a vice-presidente do Inter garantiu que sim.
"Muitas empresas têm mostrado interesse. A natureza da rivalidade entre Inter e Grêmio aqui no Sul faz com que tenham grandes empresas ligadas ao Inter querendo colaborar". Para completar os R$30 milhões necessários, a prefeitura de Porto Alegre irá colaborar comprando equipamentos, como geradores e ar condicionados, que podem ser reutilizados depois da Copa.
Sem solução
Já na Arena Corinthians, palco da abertura do Mundial, o impasse continua, com a diferença de que a cidade de São Paulo já se isentou de qualquer investimento extra para financiar as obras temporárias. A prefeitura da capital até se propôs a oferecer parte das estruturas cedendo espaços públicos em Itaquera para abrigar algumas delas, mas não se compromete com qualquer outro gasto. "Nós temos alguns contratos muito claros e definidores de quem responde pelo quê. Cada um vai cumprir seu contrato", disse a vice-prefeita Nádia Campeão.
Em nota à BBC, o governo estadual também afirmou que não arcará com os custos das estruturas. "O Governo do Estado de São Paulo não investirá recursos públicos em estruturas próprias do estádio que abrirá a Copa do Mundo, sejam elas estruturas provisórias ou definitivas. O compromisso assumido pelo Governo do Estado foi o de investir na infraestrutura da região, fora do estádio, em ações que constituam um legado para São Paulo".
A discussão agora está entre o Corinthians, dono do estádio, e a Fifa. O secretário geral da entidade, Jérôme Valcke está no Rio de Janeiro nesta semana e se mostrou otimista por uma solução. "Estou bem confiante, temos uma companhia muito forte trabalhando lá, a Odebrecht, e temos muita confiança que a empresa vai achar uma solução. É empreiteira capaz de salvar o estádio", disse.
[A expectativa da Fifa de ter na sexta-feira 28/3 uma solução para o problema das estruturas temporárias do Itaquerão não se cumpriu e foi adiada para a próxima semana, aumentando a apreensão da entidade.]




segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Carlos Alberto Parreira solta o verbo: organização do Brasil para a Copa do Mundo foi descaso total

[A única dúvida agora quanto à Copa do Mundo é saber o tamanho exato do vexame por que vamos passar em termos de organização do evento. O sinal mais recente e explícito disso é a esculhambação do atraso em que se encontra a Arena da Baixada, do Atlético Paranaense, em Curitiba, o que pode significar a desclassificação da capital paranaense como cidade-sede da Copa. Uma vergonha para o Brasil e um tremendo pepino para a Fifa que, caso ocorra essa desclassificação, terá que remanejar para outros estádios e cidades os jogos previstos para Curitiba. Isso sem falar nos problemas das seleções que para lá iriam e que terão que refazer sua programação, as reservas de hotéis e ingressos, etc, etc. Um caso de polícia, que o governo de Dilma NPS (Nosso Pinóquio de Saias) finge inexistir. Embora o estádio em questão seja particular, a fiscalização de suas obras está sob a responsabilidade do governo através do ministro dos Esportes, Aldo Rebelo.

A desordem chegou a tal ponto, que até o normalmente discreto e comedido Carlos Alberto Parreira, atual coordenador técnico da seleção para a Copa deste ano, resolveu desabafar em entrevista à rádio CBN conforme noticiou ontem a Folha de S. Paulo.]

O coordenador técnico da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira, criticou neste domingo a organização das autoridades públicas brasileiras para a Copa do Mundo, principalmente no que diz respeito às obras de infraestrutura urbana nas cidades-sede.

Em entrevista para a rádio CBN, Parreira fez duras críticas ao fato de a concessão dos principais aeroportos brasileiros (Cumbica, Galeão, Viracopos, Brasília e Confins) para a iniciativa privada ter acontecido pouco tempo antes da realização do Mundial. "A gente queria tudo para a Copa, mas para a Copa foi um descaso total. Vejo que os aeroportos vão ser licitados a partir de março, três meses antes. É uma brincadeira, fomos indicados há sete anos e só agora vão licitar os aeroportos?"


Parreira também lamentou o fato de que muitas obras projetadas para a competição sairão do papel anos depois de o país ter sediado o Mundial. "A gente perdeu uma oportunidade de dar conforto e mostrar um Brasil diferente", afirmou.

Sobre os protestos que podem acontecer durante a Copa, o coordenador técnico da seleção brasileira admitiu uma espécie de blindagem ao grupo de jogadores. "De certo modo eles estão blindados, sabem que não podem misturar. Se começar a se preocupar, dividir o foco, vai ser difícil. Vamos pensar em ganhar a Copa, e fora do campo é problema das autoridades. Mas ninguém ali é alienado", disse.

Protesto

Neste sábado, protestos contra a realização da Copa do Mundo se espalharam pelas principais cidades do Brasil. Em São Paulo, um rapaz de 22 anos foi baleado no bairro de Higienópolis, na região central.

Ouça a entrevista de Parreira à CBN em  http://cbn.globoradio.globo.com/programas/cbn-esportes/2014/01/26/BRASIL-TEM-QUE-SER-CAMPEAO.htm



segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Péssima repercussão fora do Brasil da estúpida violência entre as torcidas do Vasco e do Atlético Paranaense

Se alguém ainda duvidava que o nível de violência em nossos estádios fugiu completamente ao controle das autoridades, a barbárie e a estupidez da batalha campal entre torcedores do Vasco e do Atlético Paranaense no domingo certamente dissiparam de vez essa dúvida.  Além de se mostrar apático, indiferente, insensível e incompetente para lidar com esse problema recorrente e cada vez mais grave, o governo federal demonstrou igualmente que também não entende nada de política externa e de imagem internacional do país, ao agir como se ninguém estivesse nos observando a apenas seis meses da Copa do Mundo.

Jornais do mundo inteiro estamparam em suas primeiras páginas as imagens degradantes e deprimentes da violência de ontem, e levantaram sérios e fundamentados questionamentos à capacidade do país em garantir a segurança dos torcedores durante os jogos internacionais da Copa do Mundo do ano que vem. A omissão e a falta de pulso da nossa ex-guerrilheira nos estádios do país -- logo ela que adora dar uma de xerife durona, tratando com grosseria quem atravessa seu caminho -- reforçaram as incertezas que cercam esse evento no Brasil. Reproduzo a seguir algumas dessas manchetes.

Dilma Rousseff: "não se pode mais tolerar a violência nos estádios". - Le Monde (França), 09/12 -- "É um fato triste, coisas que não se quer ver no futebol nem nos estádios. Não faremos comentários sobre esse incidente específico", declarou à AFP [Agência France Press] um porta-voz da Fifa em Brasília. "Mas, mantemos toda a confiança nos preparativos e no plano integrado de segurança entre as autoridades públicas e a segurança privada. A Copa das Confederações mostrou que isso funciona".

"Temporada de futebol no Brasil termina em violência, com briga de torcedores" - BBC News Latin America & Caribbean, 09/12.  -- Apesar do alto nível de tensão entre os torcedores, não havia polícia dentro do estádio. "É um evento privado, e a segurança tem que ser garantida por uma empresa privada pelo Atlético Paranaense. Fomos responsáveis pelo policiamento das áreas externas", disse um porta-voz da Polícia Militar.


Um torcedor ferido foi transportado por um helicóptero que pousou no campo. - (Foto: AP/Fonte: BBC News).

Briga de torcidas mancha a imagem do Brasil às vésperas da Copa - El País (Espanha), 09/12. - Pancadaria durante partida do Campeonato Brasileiro leva Fifa a dizer que "durante o Mundial será diferente". Dilma pede a criação de uma "delegacia do torcedor".


Um torcedor ferido em briga entre torcidas de futebol. - (Foto: AFP/Heuler Andrey/Fonte: El País).

Dilma Rousseff: "Brasil não pode conviver com a violência nos estádios". -- Clarín (Argentina), 09/12. - A presidente condenou o enfrentamento entre os torcedores de Atlético Paranaense e Vasco da Gama.

Dilma Rousseff: A presidente está totalmente preparada para a Copa do Mundo de 2014? -- The Independent (Reino Unido), 06/12.  - Ela lutou contra a ditadura, sobreviveu a torturas e tornou-se a primeira mulher na presidência do Brasil. Mas, pode ser a Copa do Mundo de 2014 que defina seu legado.




Um torcedor jaz impotente no chão, enquanto torcedores adversários se preparam para chutá-lo. - (Foto: The Telegraph).






O jogo foi interrompido por 75 min, e dos confrontos resultaram três feridos graves. Houve jogadores que choraram no gramado, ao ver tanta violência. - (Foto: Diário de Notícias). 




O dano à nossa imagem está feito e completo. Vejamos agora o que é que nossa ilustre xerife no Planalto vai fazer para recompor e proteger a casa, depois dela arrombada.


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Após denúncias, Ricardo Teixeira renuncia "voluntariamente" à residência em Andorra

[Pela notícia publicada hoje no blogue de Jamil Chade no Estadão (ver abaixo), reproduzindo notícia do Diario d'Andorra também de hoje, o cerco sobre Ricardo Teixeira ameaça fechar-se.]

De onde Ricardo Teixeira acompanhará amanhã o sorteio da Copa do Mundo? Certamente não será de Andorra. O cartola renunciou de forma “voluntária” sua residência no paraíso fiscal nos Pirineus, justamente em um país que não tem acordo de extradição com o Brasil. Mas sua decisão foi tomada depois que as autoridades do Principado lhe indicaram que não iriam renovar sua autorização de residência diante de novas denúncias reveladas pela imprensa, inclusive por conta da série de reportagens do jornal O Estado de São Paulo.

O jornalista Toni Solanelles, do Diari di Andorra, revelou que as autoridades optaram por não conceder nova residência por conta do mal-estar causado após as informações que implicavam Teixeira em um escândalo de desvio de dinheiro da CBF, com a ajuda do presidente do Barcelona, Sandro Rosell, seu aliado de longa data.

Há um ano, Andorra considerou que Teixeira atendia a todos os requisitos para ter uma residência no Principado. Não tinha antecedentes criminais, estava disposto a investir 400 mil euros e havia depositado 50 mil euros em uma conta.

Para justificar a mudança de opinião, Andorra alegou que o cartola brasileiro não estava cumprindo um outro critério: passar pelo menos três meses do ano no Principado. Portanto, o visto dado a ele em 2012, justamente quando Teixeira abandonou a CBF e o Brasil, não seria renovado.
O Estado revelou em agosto que parte do dinheiro de amistosos da seleção era desviada para uma empresa de propriedade de Rosell. A companhia tinha sede em Nova Jersey, nos EUA. Mas as contas estavam em Andorra. Rosell rejeitou a versão que falava em propinas e insistiu que os recursos – mais de 8 milhões de euros – eram “honorários” por trabalhos prestados por ele. O serviço que o cartola catalão ofereceu, porém, jamais foi explicado.
Em Andorra, a empresa que fez a gestão em nome de Teixeira para obter a residência era justamente de um dos sócios de Rosell.
O principado também aparece nos documentos oficiais da Justiça da Suíça que, em 2010, considerou que Teixeira e João Havelange haviam fraudado a Fifa. Teixeira, segundo a investigação dos suíços, recebia o dinheiro em Andorra.
Teixeira agora procura um comprador para sua casa no Principado. Algum candidato?
Ricardo Teixeira, que durante 23 anos dirigiu a CBF - (Foto: Diario d'Andorra).





quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Brasil chega à Copa de 2014 como campeão de gastos em estádios (mais que África do Sul e Alemanha juntas)

[A reportagem reproduzida parcialmente abaixo é de Frederico Rojas e foi publicada no jornal espanhol El País no dia 25/11. Não é possível que ninguém seja responsabilizado e punido por essa orgia de gastos com a Copa de 2014!]

Seis anos atrás, quando o Brasil foi escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014, o país apostava na realização do evento para mostrar ao exterior que também teria uma atuação impecável fora de campo. No entanto, incidentes como a queda do guindaste que provocou duas mortes na Arena Corinthians, em São Paulo, nesta quarta-feira, podem ter o efeito contrário, ao dar margem a dúvidas sobre a real capacidade brasileira de sonhar com grandes eventos.

Outros dois acidentes fatais, envolvendo obras dos estádios, já haviam sido registrados. Em junho do ano passado, um trabalhador despencou de uma altura de 30 metros, em Brasília, durante a construção do Mané Garrincha. Em março deste ano, outro caiu de uma altura de cerca de cinco metros, na Arena Amazônia, em Manaus.


Não bastassem as tragédias humanas, o país também apresenta um desempenho questionável no que diz respeito aos gastos para garantir a infraestrutura para a Copa. A metade deles já foi entregue e o restante está perto de cumprir o cronograma estabelecido pela Fifa. Mas, na análise sobre os gastos para construí-los ou reformá-los, o Brasil já bateu a soma do que a África do Sul e a Alemanha desembolsaram para os dois últimos Mundiais.
O valor gasto para reforma ou construção dos 12 estádios chega a 8 bilhões de reais (3,4 bilhões de dólares), segundo levantamento do Sindicato Nacional de Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco), que conta com correspondentes nas 12 cidades-sedes e realiza acompanhamento mensal de projetos ligados à competição. No Mundial da Alemanha, em 2006, foram gastos 3,6 bilhões de reais (1,57 bilhão de dólares) para o mesmo número de estádios. Na África do Sul, em 2010, o valor aproximado foi de pelo menos 3,27 bilhões de reais (1,39 bilhão de dólares), mas para 10 estádios, segundo o levantamento.
(...)
Na Matriz de Responsabilidades de 2010, a previsão brasileira era de que os gastos com estádios somassem cerca de 5,4 bilhões de reais (2,35 bilhões de dólares). O documento reunia estimativas de custos e prazos de cada cidade-sede para a conclusão das obras. Três anos antes, quando o país foi escolhido para sediar o Mundial, o valor estimado à Fifa era de pouco mais de 2,5 bilhões de reais (1,09 bilhão de dólares).
(...)
No Rio, o Maracanã, palco da final do único Mundial que o país sediou até agora, em 1950, foi o estádio escolhido para receber algumas partidas da Copa de 2014. No entanto, ao contrário do que aconteceu no século passado, quando o número oficial de espectadores foi de 199.584 na decisão do torneio, o estádio terá capacidade para aproximadamente 79.000 pessoas. Ainda assim, será a arena com maior capacidade no Mundial e vai sediar a final, em 13 de julho.
O que chama a atenção, no entanto, é o valor da reforma em um estádio que já tinha sido remodelado para o Mundial de Clubes da Fifa, em 2000, e os Jogos Pan-Americanos de 2007. O Maracanã foi a segunda arena mais cara, com investimento de quase 1,2 bilhão de reais (510 milhões de dólares), ainda de acordo com o levantamento do Sinaenco. O Mané Garrincha, de Brasília, lidera o ranking de gastos, com 1,43 bilhão de reais (614 milhões de dólares).
(...)
Entre as arenas não concluídas está o que sediará a abertura da Copa em 12 de junho, em São Paulo. A cidade mais populosa do país será representada pela Arena Corinthians, também conhecida como Itaquerão, em homenagem ao bairro paulistano de Itaquera, onde está localizado. A construtora Odebrecht, responsável pela obra, informou no último dia 13 que 94% das obras haviam sido concluídas. A arena terá capacidade para cerca de 65.000 pessoas. Com o acidente de ontem, o prazo de entrega, previsto inicialmente para dezembro deste ano, deverá ser revisto. “Além da retirada do entulho, e recuperação do trecho danificado pela queda da estrutura, será preciso verificar se houve danos estruturais nas arquibancadas que já estavam prontas”, afirmou o presidente do Sindicato Nacional de Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco), José Roberto Bernascon.
Em junho, a população brasileira expressou sua indignação com os gastos exorbitantes com o Mundial durante as manifestações, que levaram mais de 1 milhão de pessoas às ruas. Centenas de reivindicações ironizavam o esforço do governo em construir rapidamente os estádios seguindo as exigências da Fifa, em cartazes, onde se lia “Não queremos estádios - Queremos escolas e hospitais” e “Queremos escolas e hospitais no padrão Fifa”. A ideia de que o dinheiro público estava sendo desperdiçado alimentou a ira popular a tal ponto, que a presidenta Dilma Rousseff se viu obrigada a negar, em rede nacional, o uso do Orçamento da União nas obras de estádios.
Na verdade, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ofereceu linhas de financiamento através do programa ProCopa Arenas.
Também é motivo de preocupação a manutenção do público e a ocupação dos estádios após a Copa. A Arena das Dunas em Natal, por exemplo, terá sua capacidade diminuída em 10.000 espectadores depois da Copa. Serão removidos os assentos temporários instalados atrás dos gols. Além do Rio Grande do Norte, o Distrito Federal e os Estados de Mato Grosso e Amazonas apresentam médias muito baixas de público em seus campeonatos regionais e não possuem clubes na primeira divisão do Campeonato Brasileiro pelo menos desde 2007, quando o América de Natal foi rebaixado à série B.
No caso do Distrito Federal, uma das soluções encontradas, já neste ano, para a ocupação do Estádio Nacional, foi a realização de jogos de equipes de outros Estados durante o campeonato nacional. 

domingo, 1 de setembro de 2013

Depois da bronca da Fifa, Brasil já gastou quase R$ 1 bi a mais em estádios da Copa

[Nada como um país rico e cheio de personalidade e moral. Foi só a Fifa dizer há um ano e meio atrás que merecíamos um chute no traseiro que o país (leia-se governo) se enquadrou e desde então já desembolsou quase R$ 1 bi a mais nessa tal de Copa do Mundo de 2014. Dona Dilma, a doce, fez aquele teatrinho besta petista de declarar o secretário-geral da Fifa Jerôme Valcke "persona non grata", depois baixou as orelhas e passou o bastão de comando para aquela Federação, através do mesmo Sr. Valcke. Em matéria de Copa de 2014 quem manda no Brasil é a Fifa, PT saudações. Reproduzo abaixo a reportagem da Folha de S. Paulo de hoje. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]

"Nós deveríamos ter recebido este documento [Lei Geral da Copa] assinado em 2007, estamos em 2012. Você tem que dar um empurrão, tem que receber um chute no traseiro e entregar a Copa do Mundo", afirmou o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, em março de 2012. O "chute no traseiro" gerou um enorme mal-estar nas relações entre o governo do país e a entidade que comanda o futebol mundial.

O resultado? 

Sob maior ou menor influência da crise envolvendo o Brasil e a Fifa, houve um aumento de gastos públicos nos estádios do Mundial. Desde a polêmica frase de Valcke, proferida há um ano e meio, a injeção de dinheiro público nos estádios atingiu R$ 857,3 milhões. O governo federal também liberou outros R$ 74,7 milhões a entidades privadas para obtenção de empréstimos em condições especiais. [É impressionante: dinheiro público, que sai do nosso bolso, escorre como água pelos dedos da nossa ex-guerrilheira e sempre para as prioridades dela, não para as nossas. O povão que foi para as ruas reclamar dos gastos com a Copa deve estar, mais uma vez, com cara de idiota.]

Levantamento da Folha nas 12 sedes do torneio também aponta que, pela primeira vez, o custo das arenas bateu os R$ 8 bilhões.  O valor é suficiente para erguer 160 mil apartamentos do Minha Casa, Minha Vida. Em 2007, quando o Brasil foi anunciado como sede da Copa, a estimativa era de US$ 1,1 bilhão (R$ 2,6 bilhões, segundo a cotação atual).


"A primeira causa para os estouros de orçamento e atrasos foi a falta de um projeto completamente definido", afirma José Carlos Bernasconi, presidente do Sinaenco (Sindicato da Arquitetura e da Engenharia). "Os preços fugiram do controle".  [Há 10 anos estamos vendo esse filme.] 

Na ocasião, governo e comitê organizador prometiam praças esportivas 100% privadas. Hoje, somente 32% dos investimentos são particulares, e essa parcela inclui empréstimos em entes públicos tomados por clubes e concessionárias de PPPs. 

Em Natal, a Arena das Dunas é bancada totalmente por empréstimo do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). -- [É melhor mudar logo o nome dessa instituição para Banco Nacional do ESbanjamento, embora haja gente que deveria ser Banco Nacional de Desembolso para o Eike Safar-se.] -- Quando o estádio ficar pronto, o governo do Rio Grande do Norte terá de fazer pagamentos mensais, por 17 anos, que vão depender do "desempenho" do local.  Caso dê prejuízo, o Estado acabará desembolsando um montante superior aos R$ 400 milhões da obra. 

Em junho, em meio à onda de protestos que tomaram as ruas -- muitos contra os gastos da Copa --, a presidente Dilma Rousseff utilizou pronunciamento em rádio e TV para dizer que "o dinheiro do governo federal gasto com arenas é fruto de financiamento", e que seria "devidamente devolvido".  Mas 53% desses financiamentos foram destinados a Estados e municípios. Assim, continuarão sendo pagos com recursos públicos. "Há obras em andamento, temos problemas e dificuldades e vamos ter que correr e tomar providências. E isso pode significar mais gastos públicos", diz Bernasconi. 

Em Pernambuco, o governo Eduardo Campos (PSB) diz não ter o orçamento total da obra, inaugurada há mais de quatro meses, porque foi preciso acelerar os trabalhos para a Copa das Confederações. Diz que ainda calcula o valor. [Esse cidadão não consegue em 4 meses, como governador, calcular o custo de um estádio e ainda quer ser presidente do Brasil?! Tenha a santa paciência!]

Em janeiro de 2010, os governadores e prefeitos de todas as sedes assinaram a chamada Matriz de Responsabilidades do Mundial. De lá para cá, o incremento dos gastos públicos alcançou 66%. E, a nove meses para a bola rolar, metade das arenas ainda não foram [sic] concluídas. Todas têm de ser entregues até o final de dezembro. 

Outro lado

As principais autoridades à frente da Copa-2014 se esquivam sobre o crescimento dos gastos públicos e totais das arenas do torneio.  "O Ministério do Esporte e o governo federal não têm responsabilidade direta por nenhum dos estádios que estão sendo construídos ou reformados", disse a pasta. O ministério informou que monitora o cronograma de execução das praças "trabalhando em parceria com as cidades-sede para que a organização do evento como um todo seja exitosa". 

O comunicado reforça que os empréstimos do BNDES não são investimento direto, já que serão pagos com os juros estabelecidos em contrato, e se limitam a R$ 400 milhões por arena. A pasta diz que o valor é o mesmo fixado no início das construções.  Na avaliação do ministério, os estádios "têm custos alinhados com a média mundial" e têm melhorado a média de público no Brasileiro. "Confiamos no trabalho dos órgãos de controle, que acompanham de perto a execução orçamentária de todas as obras", afirmou a nota. 

O COL (Comitê Organizador Local da Copa) segue a mesma linha. "Entregando tudo em dezembro poderemos fazer uma Copa muito melhor do que a Copa das Confederações, que foi um sucesso", disse Ricardo Trade, diretor-executivo do COL.  Sobre a indefinição do custo da Arena Pernambuco, o governo local diz que a aceleração das obras, para entrar a tempo da Copa das Confederações, impediu "reequilibrar as finanças" e que faz estudo para levantar gastos.

 


sexta-feira, 19 de julho de 2013

Jornal alemão nos agradece pelos protestos contra a Fifa

[Traduzo a seguir o artigo de Christian Spiller publicado em 21/6 deste ano no prestigioso jornal alemão Die Zeit (O Tempo -- no sentido de momento) da cidade de Hamburgo. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]

Obrigado, Brasil!

Christian Spiller - Die Zeit (Alemanha), 21/6/2013

O que os sul-africanos em 2010 e os alemães em 2006 não ousaram, os brasileiros o fazem agora. Um povo se ergue contra a Fifa. Isso terá consequências, comenta C. Spiller.

Com isso não contavam os senhores da liga mundial de futebol, a Fifa. Um milhão de pessoas protestou na quinta-feira [20/6] à tarde em 100 cidades contra estádios caros e o gigantismo da Fifa. Exatamente no Brasil, o país mais louco por futebol do mundo, onde se encontram pessoas nas ruas fazendo malabarismos com uma bola para ganhar dinheiro.

É claro que o protesto não era dirigido apenas contra a Fifa. Incomoda às pessoas a incapacidade do governo de conseguir nivelar o desenvolvimento social com o econômico. Inequivocamente associada a isso está também a submissão do governo brasileiro à Fifa e ao COI (Comitê Olímpico Internacional), os controladores da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, respectivamente.

As pessoas estão irritadas com o fato de seu país aceitar a política do pegar-ou-largar que a Fifa e o COI apresentaram a seus organizadores. Nos contratos-torniquetes das bilionárias organizações constam isenção completa de impostos, exclusividade para seus bilionários patrocinadores e exigências atrevidas por estádios, hotéis e aeroportos ainda maiores.

Os brasileiros não suportam mais isso. Ninguém precisa passar fome por causa do circo do futebol. Ninguém deve servir de cenário para fotos ensolaradas de Copa do Mundo e Olimpíadas, mas não ter como pagar transporte, pão e educação. Já que satisfizeram os padrões da Fifa, então por favor dêem mais recursos para hospitais e escolas primárias.  Isso exigem os brasileiros nas ruas. E eles são o primeiro povo fanático por esporte do mundo que manifesta isso em voz alta.

Com isso, os manifestantes do Rio, São Paulo e Belo Horizonte prestam um favor ao mundo inteiro. Seus protestos não mostram apenas a maturidade democrática de um país que há 30 anos atrás ainda era governado por generais. Eles deram um sinal de basta aos gigantes do esporte: só até aqui, nada além daqui. Finalmente uma democracia se levanta contra a profundamente antidemocrática Fifa. O que a África do Sul em 2010 e a própria Alemanha em 2006 não ousaram fazer, decide fazê-lo um país emergente que busca por um lugar no mundo.

Já há alguns meses atrás primeiro o prefeito de Viena e depois o do cantão suiço de Graubünden declinaram de sediar em suas cidades, em futuro próximo, os Jogos Olímpicos. "Muito grande e muito caro, não precisamos disso". Um estudo dinamarquês de 2011 mostra que grandes eventos esportivos migraram de democracias da Europa e da América do Norte para países autoritários, onde ninguém reclama (China, Rússia, Qatar). O Brasil foi quase como uma exceção democrática. Os resultados vêem-se agora.

Entretanto, quem já leu estudos dinamarqueses? Os manifestantes no Brasil trouxeram finalmente para as ruas essa intolerância, essa insuportabilidade. A Fifa e o COI meditarão longa e profundamente sobre as imagens [das ruas]. Irão se despir do conforto e da indolência dos países totalitários, perderão por curto ou longo tempo a legitimidade democrática. Terão que recuar, mas não só isso. Terão que se integrar com os anfitriões, deixá-los participar e compartilhar, financeiramente também. Os eventos terão que se tornar mais modestos, mais transparentes, mais individualizados.

As ligas ou associações esportivas grandes terão que se repensar. Será obrigatório para todos, inclusive para os esportistas e as competições, manter-se apenas dentro dos limites por ocasião desses grandes eventos. Por isso, obrigado Brasil!

[É sempre interessante conhecer uma visão externa do que ocorre por aqui. No caso presente, especialmente, chega a ser surpreendente verificar que também a Alemanha tem a Fifa atravessada na garganta mas que não conseguiu ou não quiz externar e verbalizar isso devidamente. Concordo apenas em parte com a opinião do jornalista alemão. É impressionante e estimulante ver-se o que está acontecendo pacificamente nas ruas -- embora o lado baderneiro esteja cada vez mais violento e preocupante -- mas acho que erramos no timing uma vez mais, chegamos atrasados outra vez. Deixamos as coisas virarem fatos consumados. Deveríamos ter alertado as autoridades contra exageros de gastos na Copa do Mundo e das Olimpíadas -- em detrimento de questões mais urgentes e importantes na nossa conjuntura -- quando irresponsavelmente o NPA e sua trupe de baba-ovos comemoraram a confirmação do Brasil como sede desses eventos. A história do "antes tarde do que nunca" é muito bonitinha, mas costuma resolver pouco ou quase nada.

Só para reforçar o sentimento anti-Fifa, uma entidade autoritária e abusada montada em um histórico de corrupção bilionária, cito uma reportagem do Jornal do Brasil de 29/6 e reproduzo uma foto nela estampada:

Secretário-Geral da FIFA mostrou face autoritária da entidade: ""Menos democracia às vezes é melhor para se organizar uma Copa do Mundo". - (Foto: Douglas Schineidr/Jornal do Brasil).]

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Corrupção nas ligas deixa Fifa assustada

O crime organizado estaria trocando o tráfico de drogas por "investimentos" no futebol e pelo menos 50 campeonatos nacionais poderiam estar sendo alvo da ação desses grupos. O alerta foi lançado ontem pela Fifa, às vésperas de um encontro hoje em Roma sobre a manipulação de resultados e a compra de jogadores, técnicos e árbitros pelo crime. A entidade quer reforçar a luta contra a prática diante da aproximação da Copa de 2014. [É bom saber dessa preocupação da Fifa com a moralidade no futebol mas, para nossa alegria ser completa, seria fundamental ela divulgar abertamente e em detalhes o que foi feito com as inúmeras denúncias de corrupção dentro dela própria, algumas delas envolvendo João Havelange e Ricardo Teixeira, entre outros, e até seu presidente Joseph Blatter.]

Segundo o chefe de segurança da Fifa, Ralf Mutschke, nenhuma federação está protegida diante dos lucros que o futebol vem gerando aos grupos criminosos. Mutschke revelou ter se reunido com integrante de uma quadrilha, já condenado por pagar por resultados de partidas, e se surpreendeu com o tamanho das operações pelo mundo. "Conheci um agente condenado aqui em Zurique e ele me disse que os criminosos estão migrando do tráfico de drogas para a manipulação de resultados por causa do baixo risco e do alto lucro", afirmou Mutschke.

Segundo ele, aliados de criminosos hoje já estão infiltrados em federações em todo o mundo, ajudando a comprar resultados. "Eu diria que cerca de 50 diferentes ligas nacionais de fora da Europa estão sendo analisadas por organizações criminosas para o mercado de apostas", indicou o ex-funcionário da polícia federal da Alemanha e ex-funcionário da Interpol. Há um ano, a Fifa confirmou ao Estado que a situação no Brasil era considerada preocupante, especialmente nas divisões inferiores de campeonatos regionais. A entidade, naquele momento, indicou que enviaria um agente para investigar a situação no Brasil e na América do Sul. O resultado jamais foi divulgado [isso teria ocorrido durante o reinado de Ricardo Teixeira na CBF?...].

De acordo com a Fifa, já existem casos pelo mundo de árbitros sendo promovidos justamente por estarem colaborando com os grupos criminosos, enquanto clubes passaram a ser controlados por mafiosos.  Nos últimos anos, a Fifa vem alertando que a manipulação de resultados se transformou em uma das maiores ameaças ao futebol. Já entidades como a OCDE indicaram que o crime já usa o fato de o futebol ter pouco controle financeiro para ampliar seus lucros. 

Prova da audácia dos criminosos é o envolvimento da Finlândia, um país considerado como o menos corrupto do mundo e exemplo de democracia. Ainda assim, um agente em Cingapura conseguiu manipular os resultados no campeonato nacional.

Provas reais do envolvimento do crime organizado já foram dadas também em 2006, quando a Juventus chegou a ser rebaixada por conta de estar envolvida na compra de resultados. Em 2011, uma vez mais o calcio foi tomado por um escândalo que acabou obrigando a suspensão do técnico Antonio Conte, da Juve, e até na prisão do jogador Stefano Mauri, da Lazio.  Outro exemplo foi a investigação lançada na Alemanha e que conseguiu destruir uma vasta rede de apostadores e criminosos na Europa.

Ainda assim, Mutschke admite que a Fifa nem sonha com a ideia de estar vencendo a batalha. Em 2012, a entidade lançou cerca de 20 investigações e o agente de segurança admitiu que o número pode explodir, diante do fato de que cem ligas nacionais estariam vulneráveis. Para ele, não há como a Fifa lidar com o fenômeno sozinha e precisará da ajuda das polícias nacionais, com garantias de que os culpados serão punidos. A entidade já pediu que a Interpol coloque o assunto no centro de suas estratégias. Segundo ele, só a Fifa teria de monitorar 1,5 mil jogos internacionais por ano.

Na investigação na Alemanha, um árbitro bósnio foi identificado como tendo recebido dinheiro para manipular o resultado do jogo válido pelas Eliminatórias da Copa de 2010, entre Liechtenstein e Finlândia.

A Juventus já esteve envolvida em caso de manipulação de resultados no passado - (foto: Giorgio Perottino/Reuters).

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Atraso ameaça planos para os transportes durante a Copa

[Cada vez se aproxima mais da realidade a possibilidade de termos nós caóticos nos transportes nas sedes da Copa de 2014, sem falar em outros vexames na organização e na realização dos jogos. É o que informa reportagem de hoje do jornal Valor Econômico, reproduzida abaixo. Estamos vivendo a crônica da bagunça anunciada.]

A Copa do Mundo de 2014 terá estádios novos - dois já estão prontos e outros cinco devem ser entregues até junho - e alguns aeroportos modernizados, mas a movimentação dos torcedores pelas cidades ficará complicada. A 18 meses da Copa, levantamentos de diferentes órgãos mostram que os principais projetos de mobilidade urbana prometidos como legado ainda não saíram do papel.

Conforme previa a matriz de responsabilidade de 13 de janeiro de 2010, documento assinado como compromisso dos governos municipais, estaduais e federal, após anúncio das 12 cidades-sede, as obras de mobilidade urbana tinham previsão para começar ainda em 2010 e a maior parte terminaria até dezembro deste ano, com algumas sendo concluídas no primeiro semestre de 2013.  Mesmo com regime diferenciado de contratação, que garante maior celeridade aos processos de licitação, o prazo de dois anos para término das obras não se mostrou suficiente. A maior parte delas está atrasada, algumas foram descartadas para a Copa e outra parte começou a ser executada fora do prazo inicial e só será concluída depois de julho de 2014.

Obras, gastos e Copa - Previsões de custos nas cidades-sede aumentaram - em R$ milhões (clique na imagem para ampliá-la) - (Ilustração: Valor Econômico).

Em relação aos estádios, alguns atrasos também estão confirmados. No fim de 2011, o Ministério do Esporte previa que, até dezembro deste ano, nove estádios seriam entregues. No entanto, apenas dois estão prontos: Castelão, em Fortaleza, e Mineirão, em Belo Horizonte. Atrasos de um ano para outro também foram verificados em obras de aeroportos e portos, segundo levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU).

Para os estádios de Manaus, Recife, Brasília, Rio e Salvador, a previsão é que as obras estejam concluídas até o fim do primeiro semestre de 2013. Os casos mais complicados estão em Natal, que até outubro só tinha avançado 39% nas obras, Porto Alegre e Curitiba. Nas últimas duas cidades, os trabalhos de reforma têm pouco mais de 50% do cronograma cumprido. A Arena da Floresta, em Cuiabá, é uma das que apresentam maior defasagem entre o previsto e o concretizado. No site do Ministério do Esporte, a previsão de entrega continua fixada para dezembro de 2012, mas o texto sobre o andamento da obra aponta para apenas 50,3% dos trabalhos concluídos.

A estimativa de gastos nos 12 estádios aumentou cerca de R$ 900 milhões de um ano para o outro, e agora está em R$ 7,5 bilhões. Em um ano, a arena Mané Garrincha, em Brasília, teve o custo estimado elevado em 21%. Hoje, a obra está orçada em R$ 812 milhões. Cuiabá, por outro lado, teve o preço reduzido de R$ 596 milhões para R$ 518 milhões. O Itaquerão, em São Paulo, com 60% das obras prontas continua com estimativa de entrega para o fim de 2013.

A maior dificuldade para cumprir os prazos inicialmente previstos nos projetos de mobilidade, de acordo com as secretarias municipais e estaduais envolvidas nas obras que foram ouvidas pelo Valor, foi a falta de projeto executivo. Com elaboração dos projetos, a matriz começou a ser revisada em 2011, aumentando o prazo para término dos projetos e substituindo algumas obras por outras. Ao todo, a matriz de responsabilidades lista 50 obras de mobilidade nas 12 cidades-sede, com orçamento estimado em R$ 11,48 bilhões. Manaus, São Paulo e Brasília, no entanto, já assumiram que não conseguirão terminar as grandes obras de mobilidade previstas.

Em Manaus, o monotrilho que ligaria a região norte ao centro da cidade foi retirado da matriz da Copa. A obra estava orçada em R$ 1,3 bilhão e deveria ter começado em março de 2010, com conclusão em dezembro de 2013, mas não saiu do papel. A capital do Amazonas teve outra obra retirada dos compromissos fixados para o mundial, a do BRT [Bus Rapid Transit, em inglês], que custaria R$ 290 milhões e também não começou, de acordo com o TCU. As duas obras serão executadas agora com verba do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) e devem ficar prontas até o fim de 2015.

Em Brasília, o veículo leve sobre trilhos (VLT), que iria ligar o aeroporto e o terminal da Asa Sul, também foi excluída da matriz de responsabilidades. O projeto teria custo de R$ 270 milhões foi alvo de questionamento judicial. As obras estavam previstas para terminar em março de 2012 e depois janeiro de 2014, mas nunca começaram.  Na capital federal, as intervenções para a Copa, que chegariam a R$ 1,8 bilhão, agora ficarão em torno de R$ 1,6 bilhão. Além disso, ampliação da rodovia DF-047, com investimento de R$ 103 milhões, prevista para começar em agosto de 2012, ainda não foi iniciada.

Em São Paulo, a construção do monotrilho, que vai ligar o Aeroporto de Congonhas ao bairro do Morumbi, com custo estimado de R$ 2,8 bilhões, estava prevista para começar em julho de 2010 e terminar em março de 2013, mas os atrasos fizeram com que a obra fosse retirada da matriz da Copa. Agora será executada apenas pelo governo de São Paulo e está prevista para o fim de 2014.

Em Cuiabá, o projeto de VLT terá que ganhar fôlego nos próximos meses para conseguir ficar pronto até julho de 2014. Depois de ser suspensa pela Justiça, a previsão de término da obra é 31 de março de 2014. O VLT vai ligar o aeroporto de Várzea Grande ao bairro do CPA, na zona sul da cidade. A outra linha vai do bairro do Coxipó, na zona oeste, ao centro. A obra vai custar R$ 1,4 bilhão e ainda precisa vencer um complicado processo de desapropriação de comerciantes em área do centro da cidade.  Em agosto, o projeto foi questionado pela Justiça, que identificou "uma série de irregularidades" -desde a escolha do modal de transporte urbano até o estudo de viabilidade adequado. A ligação inicialmente seria feita por BRT e custaria R$ 323,8 milhões. Segundo a primeira matriz de responsabilidade, o projeto deveria ter sido entregue em dezembro de 2011.

Em Salvador, o BRT previsto para garantir o acesso do estádio ao aeroporto, foi substituído por metrô e retirado da matriz da Copa. O BRT custaria R$ 567,7 milhões e seria entregue em agosto deste ano. Já o projeto de metrô deve sair por R$ 3,5 bilhões e estará apenas parcialmente pronto em 2014. De acordo com a Secretaria Estadual para Assuntos da Copa, a extensão da linha 1 será entregue até o mundial, mas o acesso do aeroporto à região norte de Salvador, que seria garantido pela linha 2, não ficará pronto a tempo.

Não há nenhuma nova obra de transporte público de massa prevista em Natal. A cidade, que se comprometeu com a abertura de duas novas avenidas, adiou o prazo de entrega de dezembro deste ano para março de 2014.

Em Recife, parte do complexo viário norte-sul, previsto para a Copa, só fica pronto em 2015. No Sul, as obras de três corredores de ônibus e do BRT de Curitiba só começam o ano que vem e devem terminar em maio de 2014. Em Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza e Rio, os projetos para Copa sofrerão atraso de um ano em relação ao prazo inicial, mas os governos garantem que as principais obras de mobilidade ficam prontas até julho de 2014.