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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

O estranho mundo das agências reguladoras brasileiras

Agências reguladoras são agentes importantes para o desenvolvimento do país, mas sua atuação deixa muito a desejar. Já abordei o tema dessas agências em postagens anteriores -- ver "Agências reguladoras brasileiras: visões internas e externa (III)".  

O Brasil possui hoje as seguintes agências reguladoras:



A maioria das siglas dessa sopa de letras é conhecida, bem ou mal, à excessão talvez da ANTAQ. Todas essas agências têm pelo menos dois aspectos em comum: - i) têm desempenho pífio, péssimo, ausente ou prejudicial ao país; - ii) nenhuma delas se preocupa em estabelecer diálogo permanente e transparente, principalmente para orientá-lo em seu procedimento e comportamento para maximizar seus benefícios. Alguém já viu, por exemplo, alguma campanha ostensiva e permanente da ANA e da ANEEL orientando o consumidor a poupar sempre o consumo de água e energia elétrica e/ou racionalizar sempre seu uso? No governo Dilma, além disso não existir, o consumidor foi criminosa e irresponsavelmente estimulado e insuflado a aderir ao consumismo. Deu no que deu.

Outro detalhe que caracteriza uma uniformidade na atuação das agências é sua atitude complacente com relação a descumprimento de normas e regras pelas empresas dos setores cujas atividades elas, as agências, regulam. Os prazos que as agências concedem às empresas para se enquadrarem em novos procedimentos, só para citar um exemplo, são inexplicavelmente longos e definidos por critérios que ninguém conhece (a não ser, talvez, as próprias agências e as próprias empresas afetadas ...) -- e, não raro, quando tais prazos não são cumpridos, sua prorrogação é concedida sem grandes esforços.

Não raramente, é difícil entender os limites de ação de cada agência e se não há superposição entre algumas delas, como é o caso da ANA e da ANVISA, ambas do Ministério da Saúde. A ANS tem por objetivo promover a defesa do interesse público na assistência suplementar à saúde, regula as operadoras setoriais, inclusive quanto às suas relações com prestadores e consumidores, e contribui para o desenvolvimento das ações de saúde no país. A ANVISA tem por objetivo proteger a saúde da população ao realizar o controle sanitário da produção e da comercialização de produtos e serviços que devem passar por vigilância sanitária, fiscalizando, inclusive, os ambientes, os processos, os insumos e as tecnologias relacionados a esses produtos e serviços. A Anvisa também controla portos, aeroportos e fronteiras e trata de assuntos internacionais a respeito da vigilância sanitária.

A área de saúde é delicada e de extrema importância para a população, mas a falta de comunicação e transparência deixa o contribuinte às cegas quanto ao grau de proteção que está (ou não) recebendo. A ANVISA é um caso clássico. Há, por exemplo, 5 medicamentos proibidos lá fora e comercializados no Brasil

Pílulas Diane 35 (fabricante: Bayer) - O caso mais recente de remédio proibido no exterior, mas ainda à venda no Brasil. Na França, o medicamento, que tinha seu uso liberado para tratamento dermatológico, mas era largamente usado como pílula anticoncepcional, foi proibido após mortes ligadas ao seu consumoNo Brasil, a proibição francesa gerou um alerta nas autoridades da Anvisa, e a pílula (que aqui também é indicada para acne, mas comumente usada como anticoncepcional) passou a ser monitorada, mas permanece disponível.


Sibutramina - proibido em: União Europeia, Estados Unidos, Austrália, Uruguai, Paraguai, entre outros. A sibutramina é indicada para pessoas obesas e pode ajudar a perder até 2kg em um mês. Há uma condição, porém: o paciente não pode sofrer de problemas cardíacos. Isso porque estudos mostram que o uso da substância aumenta os riscos de doenças cardiovasculares e alterações no sistema nervoso central. Por conta desses riscos, a sibutramina já foi proibida na União Europeia e Estados Unidos, entre outros países.

No Brasil, ela pode ser comprada com receita médica e assinatura de um termo de responsabilidade. Por aqui, a Anvisa já quis proibir o remédio, mas recuou após pressão de associações médicas e pacientes. Outros emagrecedores (a base de anfetaminas) já foram proibidos, e a sibutramina segue em observação.

Dipirona - (proibida nos Estados Unidos e na Suécia, entre outros países) - Já tomou Neosaldina ou Novalgina? Dois dos principais remédios para dor de cabeça e gripe são proibidos nos Estados Unidos porque contêm uma substância chamada dipirona sódica. Por lá, só é possível comprar remédios como Tylenol, que usam paracetamol como ingrediente ativo.

Para a FDA (Food and Drug Administration), dos EUA,  a dipirona causa choques anafiláticos com mais frequência que seu concorrente. O caso é polêmico, já que a dipirona foi criada na Alemanha (onde a venda é permitida) e o paracetamol é mais utilizado por empresas americanas.

Avastin - (proibido nos EUA) - O Avastin é um medicamento que reduz o crescimento de novos vasos sanguíneos. Ele é comumente usado como uma droga para tratar diferentes tipos de câncer. Nos Estados Unidos, a substância deixou de ser usada para o tratamento de câncer de mama, permanecendo aprovada para outros tumores, como colorretal. Segundo as autoridades americanas, não havia evidência de que o Avastin aumentasse ou melhorasse a qualidade de vida das pacientes. Por outro lado, os efeitos como pressão alta e hemorragias ainda eram comuns nas pacientes. 

No Brasil e em diversos outros países, a droga permanece indicada para o tratamento de câncer de mama.

Hormônio do crescimento - Proibido em EUA, França e Alemanha, entre outros países) - Esse caso é um pouco mais específico. O hormônio é usado para tratar crianças com deficiência no crescimento (alguns adultos também podem se beneficiar do tratamento). Por aqui, ele é usado em sua forma natural ou sintetizada, mas em países como Estados Unidos a versão natural é proibida por manter os possíveis danos colaterais (o hormônio pode prejudicar o sistema nervoso) sem necessariamente trazer os benefícios, já que ele pode não ser eficaz se houver algum problema na sua extração.

A análise da lista acima se revela preocupante e instigante. Por que a Anvisa permite a venda no Brasil de medicamentos proibidos em países conhecidos por sua extrema preocupação com a saúde de seus cidadãos, e dotados de respeitáveis recursos de pesquisa e tecnológicos muitas vezes não existentes em nosso país? A agência nos considera  seres humanos diferenciados e super-resistentes a males que afligem (ou podem afligir) seres inferiores como americanos, alemães, suecos, etc? Ou ela simplesmente é incapaz de resistir ao lobby dos fabricantes desses medicamentos, em conluio ou não com certos médicos ou organizações deles? O caso da sibutramina é emblemático e altamente preocupante. 

Há outros casos, raros, em que a Anvisa é atropelada pelo Congresso Nacional, como na questão da famosa "pílula do câncer", cuja distribuição os parlamentares demagógica, irresponsável e criminosamente autorizaram pela Lei 13.269/2016, sem quaisquer testes científicos prévios que respaldassem sua eficácia. O Congresso promulgou a lei e Dilma, também demagógica, irresponsável e criminosamente a sancionou. Essa esculhambação ética e científica foi finalmente derrubada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que em maio deste ano decidiu suspender a aplicação daquela lei por considerar inconstitucional a distribuição do remédio sem estudos que comprovem sua eficácia.

Outro desleixo irresponsável e irritante da Anvisa é com a propaganda de remédios na televisão, com a conivência corporativa e irresponsável do Conar (Conselho Nacionalde Autorregulamentação Publicitária). Já abordei esse tema em 2014 e 2015 -- ver, por exemplo,  "Continua a propaganda indiscriminada de remédios na TV e rádio, e ninguém faz nada!". As propagandas na televisão são feitas sempre sobre fundo azul, uma cor relaxante e que não transmite nenhuma sensação de alerta ou perigo -- a cor correta seria o vermelho. Além disso, a mensagem falada é feita de maneira ultrarrápida e geralmente ininteligível, qualquer que seja a natureza do remédio e a eventual restrição que o acompanha. O texto escrito sobre a restrição também é de duração curta, e sua leitura é prejudicada pelo locutor que fala a jato. 

A ANATEL é outra campeão de ineficiência. As operadoras de telefonia e internet há anos são campeãs no ranking de reclamações dos usuários e a agência simplesmente é incapaz de enquadrá-las e colocá-las na linha. Rolam multas, que são questionadas na Justiça (outra personagem nefasta nesse teatro), os problemas não são corrigidos, os consumidores continuam sofrendo com o baixo padrão dos serviços e la nave va.

A aviação civil brasileira sofre a interferência de dois órgãos, a ANAC e a Infraero. A primeira, regula e fiscaliza as atividades do setor, enquanto a Infraero tem por finalidade implantar, administrar, operar e explorar industrial e comercialmente a infraestrutura aeroportuária e de apoio à navegação aérea, prestar consultoria e assessoramento em suas áreas de atuação e na construção de aeroportos, bem como realizar quaisquer atividades, correlatas ou afins, que lhe forem conferidas pelo Ministério supervisor (no caso, a Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República). Estranhamente, após reunião com o presidente em exercício Michel Temer, em 27 de junho, ministros do Núcleo de Infraestrutura e demais líderes do governo no Congresso, o líder do governo na Câmara, André Moura, afirmou que o Ministério dos Transportes estuda novo modelo de participação da Infraero nos aeroportos. A Infraero obedece a dois senhores?! Ou o "líder" do governou trocou as bolas?

Apesar de se colocar como entre as três maiores operadoras aeroportuárias do mundo, a Infraero apresentou prejuízo de R$ 3 bilhões no ano passado, ante perdas de R$ 2 bilhões em 2014. Como é que pode?! De acordo com dados do balanço da empresa, a receita bruta da companhia foi de R$ 2,7 bilhões ante R$ 2,9 bilhões, queda de 9,2% (mas o prejuízo aumentou em 50%). Além disso, os 60 aeroportos operados pela Infraero, registraram 112,3 milhões de embarques e desembarques, o que representou estabilidade no comparativo com 2014. Eis mais uma estatal ineficiente.

Outra característica negativa das agências reguladoras, além de serem cabides de empregos e instrumentos de "compensação" para políticos que perderam eleições ou para afilhados de políticos que o governo precisa agradar, é seu baixíssimo -- para não dizer nulo -- grau de independência. Os governos fazem delas o que querem, e isso piorou tremendamente nos quase 14 anos de governos petistas, em que se fez nesses órgãos o máximo de aparelhamento possível e imaginável. O exemplo mais notório e patético de submissão extrema ao governo observa-se nas agências reguladoras do setor energético (ANP e ANEEL, especialmente esta última), nas quais Dilma mandou e desmandou desde que virou czarina da área energética já na montagem do programa de governo de Lula.

O péssimo desempenho das agências reguladoras em geral, pelas razões expostas e outras não tão visíveis, repercute na sua precária fiscalização e supervisão de inúmeras concessões privadas no país. Uma porcentagem ponderável dos erros e falhas de empresas em concessões de serviços públicos -- usados por mal-intencionados e cínicos para criticar as empresas privadas e defender uma maior estatização da economia -- decorre pura e simplesmente da omissão, do despreparo e da irresponsabilidade das agências reguladoras responsáveis pela fiscalização desses empreendimentos.

Além das agências reguladoras, temos outros órgãos que infernizam nossas vidas. Um deles é o DENATRAN - Departamento Nacional de Trânsito, subordinado ao Ministério das Cidades e responsável pela palhaçada do uso de extintor tipo ABC em veículos de passeio, que primeiro foi obrigatório (obrigando milhares de proprietários de veículos a comprá-lo) e depois foi definido como optativo

Para provar que não só órgãos públicos fazem besteiras e lambanças, temos o exemplo da ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas, uma entidade privada sem fins lucrativos que se notabilizou recentemente por ter criado o monstrengo de uma tomada elétrica exclusivamente brasileira, algo para nos envergonhar para sempre.





sexta-feira, 15 de abril de 2016

União Europeia obrigará Facebook, Google e Amazon a abrirem sua contabilidade de impostos

[Traduzo a seguir reportagem de Adam Withnall, do jornal britânico The Independent. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade. As mutretas de grandes multinacionais para pagar menos impostos na União Europeia (UE) já foram objeto de postagem anterior ("Gigantes tecnológicos, mas anões tributários"). ]

Facebook, Google, Amazon e outras multinacionais enfrentam intimação para abrirem sua contabilidade de impostos - (Foto: Romeo Gacad/AFP/Getty Images)

A Comissão Europeia está apresentando planos para fazer com que grandes multinacionais como Google, Amazon e Facebook revelem exatamente onde e quanto de impostos pagam no continente europeu.

A minuta de legislação que está sendo apresentada foi proposta antes do recente escândalo dos Panamá Papers, mas surge no meio de um clamor crescente para que as empresas maiores paguem sua parcela justa de tributação. 

É esperado que o projeto de legislação inclua regras exigindo que negócios com receita superior a £600 milhões [cerca de R$ 3 bilhões] por ano abram sua contabilidade de impostos para uma análise pública [governamental] detalhada, revelando seus lucros e contas em cada país em que operam dentro da União Europeia (UE).

A partir dos Panamá Papers, foi dito que uma nova cláusula foi acrescentada no projeto legislativo para exigir que as empresas informem quanto de dinheiro ganham nos chamados "paraísos fiscais". Uma informação final, mais genérica, revelaria os lucros no resto do mundo, tratados como um item único. 

De acordo com o jornal The Guardian, o presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, é tido como favorável a que a iniciativa seja levada adiante. 

Mas o projeto está sob fogo desde o início, tanto de ativistas que dizem que será ineficaz quanto de grupos de empresas, que alertam que algumas multinacionais podem deixar de vez de operar na Europa [o que me parece bastante improvável]. Há também algumas preocupações relativas ao fato de que não há entre os países membros da UE uma ideia comum do que seja um paraíso fiscal. 

5 empresas que evitam pagar impostos no Reino Unido





O projeto de lei será apresentado pelo Comissário britânico na UE, Lorde Hill, que disse à BBC: "Essa é uma proposta cuidadosamente pensada em profundidade, mas desafiadora, visando a mais transparência na questão dos impostos. Embora nossa proposta [relatório país por país] não seja obviamente uma resposta aos Panamá Papers, há uma conexão importante entre nosso contínuo trabalho relativo a transparência quanto a impostos e os paraísos fiscais que estamos construindo nesse projeto".  

Com bancos, empresas de mineração e de silvicultura já cobertos por regras semelhantes de apresentação de relatórios, a nova proposta prevê que essas regras de transparência serão levadas a cerca de 90% das receitas corporativas na UE.

Resta ver que poderes a UE teria para lidar de maneira ativa com o problema da minimização de pagamento de impostos, além do processo de listar e humilhar publicamente as empresas que assim procedem. 

[Vale a pena ver esse vídeo, em que o CEO do Google no Reino Unido (RU) é dura e implacavelmente interrogado por membros do Parlamento (MPs) sobre o pagamento de impostos por ele e por sua empresa no RU. Este trecho mostra a dureza do interrogatório e os impressionantemente cortantes humor e sarcasmo britânicos quando o CEO diz que não sabe quanto ganha. 





PS - Enquanto a UE aperta o cerco fiscalizatório sobre essas grandes multinacionais, em 2014 no Brasil o então ministro das Comunicações Paulo Bernardo (recém indiciado Polícia Federal por corrupção, juntamente com sua mulher a senadora Gleisi Hoffmann) declarava que "suspeitava" que o Google não paga impostos no país!...]

quarta-feira, 16 de março de 2016

A luta desigual entre passageiros e o tamanho dos assentos dos aviões

[Ocorre hoje em dia um fenômeno estranho e inexplicável (em termos): as pessoas tendem a aumentar de tamanho e peso, e as poltronas dos aviões comerciais continuam encolhendo e ficando cada vez desconfortáveis. É evidente que há um desrespeito das empresas aéreas e das agências que deveriam regulá-las em relação aos passageiros, com a ganância das transportadoras prevalecendo sobre o conforto e até a segurança dos passageiros -- assentos menores e com menor afastamento entre poltronas à frente e atrás certamente contribuem para por em risco a integridade física dos passageiros em caso de acidente. Traduzo a seguir artigo de Stephanie Rosenbloom sobre isso publicado no International New York Times. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]



As poltronas dos aviões podem tornar-se ainda menores? Aqueles entre nós que preferem não verificar isso ficaram animados quando um projeto de lei que limitaria o tamanho mínimo dos assentos em linhas aéreas comerciais foi apresentado no início de fevereiro pelo deputado Steve Cohen, democrata pelo Tennessee. "Mais recentemente, o tema atraiu atenção quando o senador Chuck Schumer, democrata de Nova Iorque, disse que também queria fixar padrões para o tamanho desses assentos.

"As pessoas tornaram-se maiores desde que os assentos foram encolhidos", disse Cohen durante um debate sobre sua proposta de emenda  ao Ato de Reautorização/Recertificação da Administração Federal de Aviação [FAA, na sigla inglesa].

Os assentos tinham 18 polegadas (cerca de 45,7 cm) de largura antes da desregulamentação aérea nos anos 1970 e, desde então, tem sido gradualmente reduzido até chegar a 16,5 polegadas (cerca de 41,9 cm), disse Cohen, enquanto o pitch dos assentos [o espaço entre um ponto em um assento e o mesmo ponto no assento à sua frente] costumava ser de 35 polegadas (cerca de 88,9 cm) e foi reduzido para cerca de 31 polegadas (cerca de 78,7 cm). No mesmo período, um homem médio [americano] tornou-se 30 libras (cerca de 13,6 kg) mais pesado do que era em 1960 (passando de 75,3 kg para 88,9 kg), enquanto a mulher média [americana] tornou-se cerca de 11,8 kg mais pesada (de 63,5 kg para 75,3 kg), disse Cohen, citando estatísticas dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla inglesa). Ter assentos menores e passageiros maiores significa que os aviões podem não ser capazes de fazer uma evacuação rápida de seus passageiros no caso de uma emergência, disse ele. "Isso afeta a segurança e a saúde dos passageiros".

[No Brasil, a Azul informa que tem 22 assentos com espaçamento de 86 cm entre poltronas, pelos quais os passageiros pagam a partir de R$ 25 a mais na passagem -- esse grupo de poltronas representa de 20% a 18% dos assentos nos aviões Embraer E195 (dependendo da configuração) e de 22% a 19% nos Embraer E190. Ou seja, cerca de 80% dos passageiros da Azul nessas aeronaves são submetidos ao desconforto de assentos com pitch menor. A TAM não informa o espaço extra oferecido aos passageiros que pagarem R$ 30 a mais na passagem para seu "Espaço+", nem diz quantos são esses assentos por aeronave. Não encontrei no site da Gol informações sobre isso. O mesmo aconteceu no site da Avianca, mas me lembro de no ano passado ter voado para São Paulo com ela e de ter gostado muito do espaço bem folgado em relação à poltrona à minha frente.]

A deputada Janice Hahn, democrata da Califórnia, co-autora do projeto de lei sobre tamanho mínimo de assentos em aviões comerciais, acrescentou que passageiros em aviões de espaços limitados estavam recebendo ofertas de produtos como o Protetor de Joelhos (a US$22), composto de controvertidos grampos ou presilhas projetados para serem fixados nas laterais da bandeja do assento e que impedem o passageiro à sua frente de reclinar sua poltrona (possivelmente gerando ou estimulando uma discussão com ele, embora você possa sempre oferecer-lhe um Cartão de Cortesia de Proteção de Joelho, no qual está registrado que você "entende que isso pode ser um inconveniente"). [Esses americanos são inacreditáveis!]

Durante o debate, o deputado Rick Nolan, democrata de Minnesota, um dos que votaram a favor da emenda, lembrou-se de ter visto um homem espremendo-se para sentar-se em sua poltrona e, inadvertidamente, ter puxado o cabelo da mulher que se sentava à sua frente. "E ela estava gritando com ele porque ele havia puxado seu cabelo, e ele gritava com ela porque ela estava gritando com ele -- ou seja, a coisa está saindo dos limites".

Infelizmente, o Comitê de Transporte e Infraestrutura da Câmara dos Deputados [EUA] votou contra o projeto de lei do deputado Steve Cohen em 11 de fevereiro passado (33 a 26), mas ainda há esperança. Cohen planeja reapresentá-lo como uma emenda se ou quando a reautorização/recertificação da FAA chegar à Câmara para apreciação. Posteriormente, o senador Schumer disse que apresentaria uma emenda ao projeto de recertificação da FAA que exigiria a fixação de padrões para as dimensões das poltronas de aviões comerciais. "O passageiro médio se sente como estivesse sendo tratado como uma sardinha", disse ele numa entrevista à imprensa. "Imprensado e imprensado, e imprensado".

Aconteça o que acontecer, o projeto de lei do deputado Cohen levanta questões importantes. Assentos menores são indiscutivelmente desconfortáveis e injustos para passageiros que sejam especialmente altos ou gordos. Mas, eles são também inseguros?

Há duas preocupações principais enfocadas pela seção Seat Egress [Saída de Assento, em tradução direta] no Ato de Viagem Aérea (Air Travel Act): a "síndrome da classe econômica" (a condição experimentada por viajantes que desenvolvem trombose venosa profunda, a formação de coágulo ou coágulos no sangue, após voos de longas distâncias) e a capacidade dos passageiros para abandonar um avião de forma segura quando, na melhor das circunstâncias, mal podem sentar-se em suas poltronas.

O risco de desenvolver uma trombose venosa profunda ou uma embolia pulmonar -- uma condição potencialmente letal quando um coágulo ou parte dele se desloca para os pulmões -- como uma consequência de voar distâncias longas parece ser real, embora seja pequeno. em média, um passageiro em 6.000 terá trombose venosa profunda ou uma embolia pulmonar após voos longos, de acordo com um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O Colégio Americano de Médicos do Tórax afirmou, em suas diretrizes mais recentes sobre o tema, que desenvolver trombose venosa profunda ou embolia pulmonar como resultado de voos longos é improvável para a maioria dos passageiros, mas certos fatores podem aumentar esse risco. Foram incluídos entre tais  fatores: já ter sofrido isso antes, ter câncer, ter passado por cirurgia ou trauma recentes, imobilidade, idade avançada, usar estrogênio, estar grávida, estar/ser obeso, e estar sentado em uma poltrona de janela (porque pode limitar a mobilidade).

Vale notar que trombose venosa profunda não se restringe a viagens aéreas. "Qualquer um viajando por mais de quatro horas, seja de avião, carro, ônibus ou trem, pode correr o risco de ter coágulo(s) no sangue", de acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla inglesa). Para ajudar a evitar coágulos, o CDC sugere que você movimente suas pernas frequentemente e exercite os músculos da barriga  da perna.

A outra preocupação importante levantada pelo deputado Cohen é a capacidade dos passageiros de abandonar uma aeronave no caso de uma emergência. "A FAA exige que as aeronaves sejam capazes de efetuar uma evacuação rápida em caso de emergência", disse ele em um comunicado depois que seu projeto de lei foi rejeitado, "entretanto a FAA não realizou ainda testes de evacuação de emergência em todos os assentos menores de hoje. Isto é inaceitável".

Em discussão, disse Cohen, está o fato de que a FAA não efetuou testes de evacuação de emergência em linhas aéreas com menos de 73,66 cm de distância entre as filas de assentos. E a Câmara dos Deputados não estabelece normas de segurança para a largura e o pitch dos assentos das aeronaves comerciais. O grupo de defesa dos direitos do consumidor FlyersRights.org disse no final de fevereiro que "já se passaram anos desde que as empresas aéreas foram demandadas a fazer esses testes, e então elas os fizeram utilizando empregados jovens e fisicamente "enxutos".

Qualquer aeronave que tiver subsequentemente reduzido a largura ou o pitch dos assentos, ou acrescentado assentos por fila de poltronas, deve ser requerida a a ser recertificada  para o padrão de 90 segundos de evacuação para essa nova configuração, utilizando voluntários recrutados na população em geral, conformes com padrões demográficos, sem treinamento prévio em evacuação de aeronave, e com esses testes supervisionados pela FAA".

Desde sua apresentação, o projeto de lei do deputado Cohen tem granjeado alguns apoios a mais entre os deputados democratas. O deputado republicano de Columbia, Adam Kinzinger, também assinou como co-autor do projeto de lei: "Espero ver esse projeto ser aprovado na Câmara com um apoio bipartidário", disse ele num comunicado. Assim esperam milhares de viajantes aéreos de ambos os lados do corredor.

[Sou um rato de notícias impressas e virtuais, e não me lembro de antes já ter visto divulgadas no Brasil notícias e dados semelhantes quanto à correlação segurança dos passageiros x dimensões de assentos em aeronaves comerciais. De parte da Câmara dos Deputados, então, muito menos. Pesquisando agora na internet, encontrei no site da Anac - Agência Nacional de Aviação Civil uma matéria sobre esse assunto, datada de 20/8/2009. 

O texto da Anac informa: "A proposta da Agência é criar cinco categorias, de A a E, considerando a distância entre as poltronas (o chamado pitch) de no mínimo 66 cm (26 polegadas) até as superiores a 76 cm (30 polegadas). As companhias aéreas que aderirem ao Selo ANAC irão afixar as etiquetas nas aeronaves, além de publicá-las na Internet nos sistemas de compra e reservas de passagens". Aqui, o espantoso: o pitch máximo previsto pela Anac é 4,5% menor que o pitch mínimo americano! Ou seja, passageiro brasileiro, ou no Brasil, é visto como sardinha pelo órgão regulador do nosso setor aéreo.

O texto da Anac afirma que, com relação à largura do encosto do assento, o padrão utilizado pelas companhias aéreas brasileiras era de 45 cm, enquanto 70% dos passageiros por ela pesquisados têm medidas maiores de largura entre os ombros. Não consegui descobrir que fim teve esse texto em termos de documento regulatório. Em 2007, houve um projeto de lei do deputado Alex Canziani que estabelecia que pelo menos 10% dos assentos de aeronaves registradas no Brasil deveriam ter dimensões especiais para acomodar passageiros obesos ou com estatura elevada, e fixava as dimensões mínimas dessas poltronas. Não descobri se isso virou lei. 

Para o Idec - Instituto de Defesa do Consumidor, é abusiva a cobrança a mais feita pelas empresas para assentos mais espaçosos.]

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Os 20 venenos escondidos em nossos alimentos

[Para um país como o Brasil, que é o maior usuário de pesticidas na agricultura do mundo, seria de se supor que o Ministério da Saúde expusesse rotineiramente ao público toda e qualquer pesquisa feita aqui ou alhures sobre os efeitos disso na população brasileira e sobre os cuidados que eventualmente são tomados por nossos órgãos "competentes" na área para nos proteger. Mas não é isso, infelizmente, o que se vê. As nossas sopas de letras, como ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), etc, são órgãos platônicos que nunca agem proativamente e sim reativamente, e assim mesmo com base em experiências e pesquisas externas (quando o fazem).

Por causa disso, traduzo a seguir reportagem importante publicada no site francês L'Internaute. com sobre os 20 venenos escondidos em nossos alimentos. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade. Com o cuidado normal  que se deve ter na leitura, assimilação e eventual precaução a partir desse tipo de informação, é preciso lembrar que ela vem de um país e de uma comunidade (a europeia) muitíssimo mais preocupados e responsáveis com a saúde e a proteção da saúde de seus cidadãos que o Brasil.]


Estes produtos podem representar um perigo para a saúde ou para o meio ambiente - (Foto: Fotolia- L'Internaute.com)

Substâncias cancerígenas, compostos tóxicos, produtos alergênicos, antibióticos, pesticidas, alimentos compostos de farinhas animais e até mesmo de refugos, cultura nociva para o meio ambiente. Além da simples má alimentação, prejudicial à saúde, e às vezes à sombra de escândalos ultramidiatizados, eis aqui a lista de alimentos e bebidas disponíveis cuja cultura ou consumo é desaconselhável e que, apesar de tudo, estão disponíveis no comércio.


Fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF-1) no leite cru

Se as autoridades recomendarem o consumo de laticínios 3 vezes ao dia, esse consumo poderá ter efeitos nefastos - (Foto: Hyrma - Fotolia.com)

O fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 [IGF-1 - Insulin-like Growth Factor -1, também conhecido como somatomedina C] é um hormônio [proteína] produzido pelo nosso fígado. Este fator de crescimento é naturalmente presente no leite de vaca. Ora, está demonstrado que uma taxa elevada de  IGF-1 no sangue está relacionada ao aparecimento de diferentes tipos de câncer (de mama, da próstata, do colo ...). Segundo um relatório da Anses (Agência Nacional de Segurança Sanitária) [francesa] o risco de desenvolver uma enfermidade ligada ao consumo de leite "é baixo, se existir". Mas, a presença de produtos laticínios -- três vezes ao dia, segundo as recomendações oficiais -- na nossa alimentação poderia modificar nossa taxa "natural" de IGF-1 e, portanto, potencialmente tornar a ocorrência de um câncer mais provável. 

Os estranhos conservadores usados nos chicletes


Inúmeros tipos de chicletes consumidos na França contêm o hidroxitolueno butilado (BHT ou E321) - (Foto: Popova Olga - Fotolia)

Graças a essas duas substâncias, os chicletes não se deterioram após algumas horas. O hidroxitolueno butilado (BHT ou E321) e o hidroxianisol butilado (BHA ou E320) são dois aditivos alimentares, criados em laboratório, frequentemente utilizados por exemplo nos chicletes. Sua função é ajudar a conservar os alimentos. O problema é que essas duas substâncias são potencialmente cancerígenas, segundo o Centro Internacional de Pesquisa sobre o Câncer. Ratos de laboratório desenvolveram tumores depois de expostos a elas. Por outro lado, ao contrário, outros pesquisadores afirmam que ao impedir a oxidação dos alimentos o BHT e o BHA seriam substâncias anticancerígenas. 

O Sindicato Francês dos Cereais prontos para consumo ou preparo nos assinalou que esses dois aditivos não estão mais presentes nos cereais de café da manhã na França, como anteriormente assinalado nesta reportagem. 

[Há casos de dificuldade de metabolização do BHT, e dúvidas a respeito de ser ou não cancerígeno. Foi banido seu uso alimentício no Japão em 1958, Romênia, Suécia e Austrália, nos EUA é proibido para alimentos infantis e o McDonald's deixou de usá-lo em 1986.] 

Pesticidas (e muitos outros produtos) no salmão


O salmão de criação é tratado com pesticidas - (Foto: HPLPhoto - Fotolia)

Outrora um produto de luxo, o salmão se democratizou. Mas, o peixe produzido em criadouros, que aumenta mais frequentemente nas costas da Noruega, está sob acusação. Pesticidas como o diflubenzuron são usados regularmente através de pulverização maciça nas bacias para combater o "parasita do mar" (pou de mer), que se alimenta com o sangue do peixe. Teriam sido encontrados traços deles em pratos contendo salmão. PCB [bifenilos policlorados], dioxinas, e outras farinhas de origem animal comporiam também o coquetel tóxico denunciado recentemente pelo canal France 2. A Noruega, para a qual a produção de salmão é a segunda fonte econômica mais importante depois do petróleo, reconheceu que o consumo desse peixe deve ser limitado, principalmente por mulheres grávidas e crianças.

O arsênico no arroz 

O arroz é contaminado por doses fracas de arsênico - (Foto: sommai - Fotolia.com)

Em maio de 2013, as autoridades dinamarquesas na área da alimentação pediram aos pais que moderassem o consumo de arroz de seus filhos. Por que? Porque o arroz (incluindo o arroz sob a forma de alimentos "suflês", bolos de arroz, bebidas de arroz) contém naturalmente arsênico. Este elemento químico estaria presente nos solos e nas águas dos países onde esse cereal é cultivado. Ainda que as repercussões exatas da presença desse metaloide no arroz permaneçam desconhecidas, o consumo de arsênico está ligado normalmente ao câncer de pele, dos pulmões e da bexiga.

Perturbadores endócrinos nos morangos


Os morangos são particularmente nocivos para o meio ambiente - (Foto: Pictures news - Fotolia.com)

Segundo a ONG "Gerações futuras", quase a totalidade dos morangos vendidos comercialmente contêm pesticidas (endosulfan, flonicamida, carbossulfan, ...). Entre eles estão perturbadores endócrinos, que teriam como efeito desregular nossos hormônios, nosso metabolismo e nossa capacidade de reprodução.  Além disso, cultivar morangos o ano todo (caso da Espanha) exige uma quantidade astronômica de água, a manutenção de estufas de plástico pouco econômicas em termos de consumo de energia e o emprego de mão-de-obra subremunerada.

A solanina presente nas batatas

Convém verificar a cor das batatas - (Foto: RRF - Fotolia.com)

Antes de mais nada, não comer uma batata que apresente uma cor estranha ... Ainda que esse tubérculo seja na maioria das vezes inofensivo, ele se torna tóxico se ingerido cru, mal conservado ou "bichado". Ele na realidade produz a solanina, uma molécula que produz um gosto amargo e provoca sérios problemas digestivos [a solanina é um glicoalcaloide, tóxico de sabor amargo;  é encontrado de modo natural em folhasfrutos e tubérculos de algumas plantas (por exemplo, a batata e o tomate) -- acredita-se que as plantas a sintetizam para se protegerem dos predadores. intoxicação por solanina se caracteriza por alterações gastrointestinais (diarréiavômito e dor abdominal) e neurológicas (alucinações, dor de cabeça, etc.). A dose tóxica é de 2-5 mg por quilograma de peso corporal. Os sintomas se manifestam de 8 a 12 horas após a ingestão]. Para verificar se há esse risco, convém observar a cor da batata. Se ela estiver esverdeada ou apresentar vermes, é melhor não consumí-la. 

As farinhas de origem animal nos peixes de criadouros

Os peixes de criadouros serão alimentados com farinhas de origem animal a partir de agora - (Foto: sablin - Fotolia.com)


As farinhas de origem animal estão de volta. 15 anos depois de sua proibição, esses produtos que estiveram no centro do escândalo da vaca louca retornam aos nossos pratos. Em 2013, a Comissão Europeia decidiu reintroduzir a alimentação de peixes de criadouros com farinhas compostas por resíduos não consumíveis de porcos e aves. A França, pela voz da antiga ministra da Ecologia Delphine Batho ou da Anses, se mostrou muito crítica em relação a essa decisão. Para limitar os riscos, os bovinos e os peixes (para evitar o canibalismo) estão excluídos das espécies que podem ser usadas na elaboração desses produtos. 

Frutose e xarope/melaço de milho nas sobremesas
O xarope/melaço de milho contém frutose em grande quantidade - (Foto: Nichael Gray - Fotolia)

Nos EUA, ela é um dos ingredientes mais usados em bolos sob a forma de xarope/melaço de milho. Mas é encontrada também entre nós, no xarope/melaço de bordo [árvore], no vinho doce ou nas frutas secas. Por muito tempo recomendada pelos médicos, a frutose é hoje suspeita em caso de consumo exagerado: obesidade ou doenças cardiovasculares poderiam ser provocadas pelos FHCs [hidrofluorcarbonetos] ou seja, pelos concentrados do xarope/melaço de milho. Um consumo elevado (mais de duas garrafas de soda ou de suco de maçã por dia) teria os mesmos efeitos. 

Os aspartames nas sodas

Isto não é novidade: o aspartame é regularmente colocado sob suspeita - (Foto: Alex Lukin - Fotolia)

Ele nos impede de engordar, mas a que preço? O aspartame, adoçante artificial descoberto por acaso nos anos 1960, é usado principalmente para substituir o açúcar nos produtos light (sodas, chicletes, ...). Seus efeitos sobre a saúde permanecem sob controvérsia. Ainda que a autoridade europeia de segurança alimentar não recomende nenhuma precaução particular, pesquisadores dinamarqueses estabeleceram um vínculo entre o aspartame e partos prematuros, enquanto outros estudos se referem a diabetes e câncer no cérebro. É difícil decidir por ora. Na expectativa é melhor limitar seu consumo, que não é necessariamente útil.

O bisfenol A nas garrafas e garrafões de água


Os garrafões de água contêm ainda frequentemente o bisfenol A - (Foto: jean claude braun - Fotolia.com)

Ele ainda não está totalmente proibido. O bisfenol A é um composto orgânico criado a partir do petróleo. É utilizado na fabricação de garrafas, de garrafões de água como os que se vê em bebedouros de escritórios e ... na fabricação de recibos de caixa [em lojas, etc]. Já há alguns anos sabe-se que ele é potencialmente nocivo para o cérebro de bebês e fetos. Esta constatação levou à sua proibição nas mamadeiras em 2010. Desde 2014, a autoridade europeia para segurança alimentar chamou a atenção sobre seus efeitos potenciais para o fígado, os rins e as glândulas mamárias. Felizmente, o bisfenol A está totalmente proibido na confecção de produtos alimentícios desde 01 de janeiro de 2015. 

Um alergênico nas balas


Os colorantes usados nas balas podem representar um perigo - (Foto: Viktor - Fotolia)

Poucos alimentos são azuis. Mas, aqueles que têm essa cor (como as balas ...) a devem frequentemente à indigotina (E132), um colorante químico. Em casos muito raros, ele pode deflagrar reações alérgicas como, por exemplo, a urticária. O risco seria contudo muito moderado para a maioria das pessoas que não têm antecedentes dessa natureza.

Os hormônios e resíduos no peixe panga (Ásia)

O peixe panga é pescado principalmente no rio Mekong, na Ásia - (Foto: stifos - Fotolia.com)

Inúmeras campanhas na internet fizeram do panga o peixe mais tóxico do planeta. Na realidade, ele é sobretudo o símbolo dos desvios da criação em cativeiro. O panga, um peixe-gato de um pouco mais de 1 m de comprimento vive naturalmente no Mekong, um rio grande e importante do sudeste asiático. Há alguns anos, é maciçamente explorado pelos pescadores locais. À semelhança  de vários peixes criados em cativeiro, é alimentado com farinhas/farelos de origem animal e, mesmo que assim não seja, por resíduos/dejetos de outros peixes. É tratado também com antibióticos, de uma maneira não muito transparente, enquanto que as fêmeas são tratadas com hormônios hCG, destinados a acelerar sua maturação [hCG - gonadotrofina coriônica humanaNo início da gravidez, as concentrações de hCG no soro e na urina da mulher aumentam rapidamente, sendo um bom marcador para testes de gravidez. Sete a dez dias após a concepção, a concentração de hCG alcança 25 mUI/mL e aumenta ao pico de 37 000-50 000 mUI/mL entre oito e onze semanas. É o único hormônio exclusivo da gravidez, fazendo com que o teste de gravidez pela análise de hCG tenha acerto de quase 100%. É o único exame que comprova exatamente a gravidezÉ um hormônio que pode ser doado a outras mulheres que estejam em tratamento para ter filhos, pois é essencial na fecundação. Alguns tipos de câncer, como coriocarcinoma, excretam hCG. No homem, altos níveis de hCG podem indicar câncer de testículo]. Desconhece-se o efeito desses  tratamentos para os consumidores a longo prazo.

Músculos e gordura nos nuggets


Os nuggets contêm pouca carne -(Foto: primopiano - Fotolia.com)

Não se duvidava que não fossem muito apetecedores, mas inegavelmente não  a esse ponto. Em 2013, cientistas americanos analisaram nuggets de frango comprados aleatoriamente em cadeias de fast food. A maioria continha 50% de músculo (a "verdadeira" carne), o resto era composto de gordura, vasos sanguíneos, nervos ...

O corante E150 nas bebidas "cola"


Os consumidores americanos conseguiram dobrar as grandes marcas de cola - (Foto: Denis Semenchenko - Fotolia.com)

A Coca-Cola foi obrigada a modificar sua receita ... Segundo uma associação de consumidores americanos, o corante caramelo E150d poderia ser cancerígeno. Variando da cor amarela à cor parda/castanho-escuro, essa substância solúvel é utilizada nas bebidas do tipo"cola". Ela apresenta taxas elevadas de 4-Metimilidazol, um composto químico que provoca convulsões em coelhos e é também potencialmente cancerígeno se consumido em altas doses (os estudos permanecem conflitantes quanto a isto). O Estado da Califórnia deu razão aos consumidores, reconhecendo o perigo potencial da substância. A Coca-Cola decidiu então, em 2013, reduzir as taxas de 4-Metimilidazol em sua linha de produção. Outros fabricantes de cola poderiam entretanto continuar a utilizar esse corante [pergunta: qual é a posição do nosso Ministério da Saúde e de suas sopas de letras quanto a isso?!].

O óleo de palma nas pastas cremosas

O óleo de palma é perigoso tanto para a saúde como para o meio ambiente - (Foto: mawardibahar - Fotolia)

Ele é encontrado na pasta cremosa [de passar no pão, por exemplo], assim como em certas manteigas, em chips [vegetais fritos, como a bata por exemplo], no chocolate e nas sopas em saquinhos. O óleo de palma tem sido um dos compostos alimentares mais criticados. Em primeiro lugar, por sua forte proporção de ácidos graxos saturados (cerca de 50%), que são a origem de problemas cardiovasculares (excesso de colesterol, artérias entupidas, ...) ou obesidade. Mas, seu consumo é igualmente desastroso para o meio ambiente: os palmeirais substituem as florestas naturais em vários países tropicais, prejudicando a biodiversidade e asculturas tradicionais [no Brasil, o óleo de palma mais utilizado é o óleo de dendê].

Corantes azoicos alergênicos

Certos aperitivos são ricos em corantes - (Foto: Sergey - Fotolia.com)

Eles são encontrados em coquetéis de cores vivas (ponche, aperitivos, vermute) ou nas balas ácidas. os corantes azoicos são suspeitos de ter efeitos alergênicos e até mesmo de estimular a hiperatividade em crianças. Em 2010, a autoridade europeia de segurança alimentar reduziu a dose diária aceitável, pressionando certos fabricantes a retornar ao uso de pigmentos naturais.

A gelatina de porco nas balas

As balas e guloseimas não têm a origem que se pensa - (Foto: stockphoto-graf - Fotolia.com)

E um espessador que atende pelo nome E441. É encontrado em balas, pizzas, flãs, musses de chocolate, ou iogurtes diet. A gelatina de porco é extraída do colágeno (pele, osso) de animais mortos em matadouros, retirados de cubas com ácido. Ainda que não seja a priori diretamente perigosa para seus consumidores, essa prática apresenta principalmente problemas religiosos: a presença de porco nesses produtos nem sempre é do conhecimento dos consumidores.

O sulfito de sódio no vinho


Os sulfitos estão presentes no vinho branco - (Foto: He2 - Fotolia)

Eles serão inofensivos para a maioria dos consumidores. Mas os sulfitos que são usados como conservantes no vinho (particularmente nos vinhos brancos mais frutados),nas frutas secas ou nas batatas  deflagram reações alérgicas em certas pessoas. Espirros, alergias, coceira se produzem na meia-hora seguinte à sua ingestão. Desde 2005, as garrafas de vinho são obrigadas a mencionar no rótulo a sua presença na bebida.

Camarões alimentados com refugos e por tratadores em regime de escravidão

Os camarões da Ásia são pescados em condições frequentemente muito difíceis - (Foto: Tim UR - Fotolia)

Estes frutos do mar são a delícia de uns e a desgraça de outros. O jornal britânico The Guardian revelou recentemente o tratamento reservado aos pescadores de crustáceos na Tailândia: os imigrantes cambojanos e vietnamitas ficam presos nos navios, são alimentados com uma tigela de arroz por dia e são regularmente espancados. Casos de suicídio ou de execuções sumárias foram descritos por dezenas de testemunhas, com os corpos às vezes jogados ao mar. Os camarões da marca CP Foods, sob acusação, seriam alimentados também com enormes quantidades de "peixes de refugo" e de camarões recém-nascidos ou não comestíveis. Eles figuravam nas gôndolas de peixes dos mercados Carrefour antes do escândalo. 

A perca (peixe) do Nilo e a destruição do lago Vitória

A superexploração do peixe é perigosa para o meio ambiente - (Foto: saiko3p - Fotolia.com)

Este peixe ficou  com má fama após a exibição do filme "O pesadelo de Darwin" em 2004. Introduzido nos anos 1950 nas águas do lago Vitória (nos confins do Quênia, da Tanzânia e de Uganda), esse predador feroz quase fez desaparecer as espécies locais. Sua carne branca, muito procurada, provocou sua superexploração, reduzindo à pobreza inúmeros pescadores das redondezas.