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sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Está farto das redes sociais? Você não é o único

[Algo aparentemente impensável mostra indícios de estar começando a acontecer: as pessoas estão ficando cansadas das redes sociais. Traduzo a seguir reportagem de Jackeline Beltrán, publicada no jornal espanhol El Mundo. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]

(Arte: Riki Blanco)

Pela primeira vez desde seu aparecimento, cai seu uso. Já ficamos entediados com  fotos de pés e discussões com desconhecidos?

As redes sociais perderam seu encanto, e isto não é um exagero. Seu consumo caiu pela primeira vez, depois de dez anos de um crescimento enorme.

Para começar, um dado: em 2015, os espanhóis gastaram nove minutos menos por semana nas principais redes sociais, em comparação com 2014. Em um mercado que se alimenta, em grande parte, do tempo que lhe dedicamos, essa diminuição marca um ponto de inflexão em uma forma até agora hipnótica de consumo. Algo ocorre com nossa vida social virtual e nos Estados Unidos já lhe deram um nome: social media fatigue (fadiga social).Em espanhol:  as redes começam a nos cansar. Pelo menos, tal e como as conhecemos.

O Facebook continua reinando, mas não escapa da queda. Cada semana, os espanhóis lhe dedicam uma média de 4 horas e 23 minutos. Isto já é 8 minutos menos do que em 2014, segundo um estudo anual de redes sociais do IAB Spain, a  associação que representa o setor de publicidade em redes sociais.

Ainda que pareça pouco, se multiplicarmos isso pelos 15 milhões de usuários que há no país, a plataforma de Mark Zuckerberg está perdendo dois milhões de horas a cada semana. E na Internet, tempo é sinônimo de receita. A queda do Twitter é bastante mais notória: cai 37 minutos e fica com 2 horas e 32 minutos por semana. 

A que se deve essa queda? "A intensidade  com que se usavam as redes em seus inícios foi controlada", conclui o relatório do VII Observatório de Redes Sociais elaborado por The Cocktail Analysis y Arena em dezembro de 2015. Isto é, já superamos a emoção da primeira vez. 

"Os usuários já não dão às redes um papel central em suas vidas, ainda que um em cada quatro as reconheça como imprescindíveis", explica Felipe Romero, CEO de The Cocktail Analysis. Algo semelhante ocorre em nível global. O uso do Facebook, que já supera o 1,6 bilhão de usuários, caiu 8% em nove países (Alemanha, Austrália, Brasil, Espanha, Estados Unidos, Índia, Reino Unido e África do Sul), segundo uma análise que o medidor de tráfego SimilarWeb fez em dispositivos Android. 

Há duas razões que explicam essa tendência: "Primeiro, o social puro está esfriando", assinala Romero. Isto significa dizer que converter o muro em nosso diário pessoal, bisbilhotar perfis alheios, compartilhar fotos da última festa ou ampliar o número de amigos virtuais já não agrada  como antes. 

As redes sociais estão evoluindo. Os jovens preferem os serviços de mensagens instantâneas instantâneas do que as ferramentas tradicionais. 


O relatório do Observatório mostra um perfil de um tipo de usuário que é cada vez mais comum: o que se sente saturado de navegar entre  grandes quantidades de fotos, retuítes, memes, discussões próprias e alheias ... e começa a usar essas plataformas como ferramentas mais  funcionais do que sociais. Há outros que simplesmente as abandonam. Segundo a pesquisa, 10% dos espanhóis se obrigam a não entrar em seus perfis para deixar o hábito.

Por isso é mais comum a busca por espaços de desconexão, como as zonas livres de wifi -- que nos empurram para aquele costume quase esquecido de nos falarmos entre nós. Há iniciativas, como a 99 dias sem Facebook, uma experiência de uma agência de comunicação holandesa que convida os usuários a se absterem da rede social para ver se seu estado de espírito melhora, e cruzadas antirredes de figuras influentes que se rebelaram contra a ditadura do Like (curtir). 

"Não medi bem meu tempo, me conectava muito e isso acabou condicionando meu trabalho, tanto que o uso do Twitter chegou a pesar sobre a atenção que  dedicava ao correio eletrônico", conta o diretor artístico do Museu Thyssen-Bornemisza, Guillermo Solana, que encerrou sua conta em setembro passado, depois de três anos de uso. 

Esse não foi o único motivo, foi também o ambiente de "ruído e hostilidade" que começou a perceber: "Às vezes, usar o Twitter é como organizar uma luta num bar, há um tom de discussão constante e isso me cansou". 

Dissemos antes que havia dois motivos que explicam o cansaço provocado pelas redes sociais. Aqui vai o  segundo: elas estão evoluindo, e nós com elas. Das mais populares, a maior (Facebook) tem 12 anos e a menor (Snapchat), cinco. A  primeira é o muro público por excelência, o que guarda cada detalhe da nossa vida. A segunda, ao contrário, é tão reservada que alguns ainda não a entenderam por completo. 

"A evolução das redes sociais tem sido muito rápida, e como sociedade mal estamos aprendendo a usá-las. É um comportamento lógico que alguém necessite se desconectar por um tempo, se abusou de algo", analisa Enrique Dans, professor da IE Business School. Que destaca algo mais: a fadiga social também atinge os jovens, e em grande escala. 

"Os jovens vêem que o Facebook se estendeu tanto, que neles já estão não apenasseuspais mas também seus avós. Não encerram suas contas, mas continuam usando-as apenas para cumprimentos por aniversários ou para ver alguma foto", explica Dans. Em seu lugar, há uma preferência pelos serviços de mensagens instantâneas e mais privativos, como WhatsApp, Telegram e Snapchat, aplicativos criados especificamente para as telas dos celulares.

Os dados confirmam essa tendência: o WhatsApp é o preferido dos internautas espanhóis, acima das redes sociais consideradas puras. Depois de crescer em bom ritmo, estas pisaram no freio -- na Espanha, entre 2008 e 2012 sua penetração passou de 45% para 92%, e daí em 2015 baixou para 89%.

Em 2014, "ver o que fazem meus contatos" era a atividade favorita dos usuários espanhóis, e enviar mensagens ocupava o segundo lugar. Hoje é o contrário: sobe a troca de mensagens, seguida de ver vídeos e ouvir música, e cai o interesse em bisbilhotar os outros. Por isso, se esses usuários para fazer isso tivessem que usar exclusivamente o computador, "se perderiam, se frustariam, porque ficaram condicionados pelo vídeo e pelo celular", argumenta Romero.

Zuckerberg já percebeu isso. O Facebook comprou o WhatsApp e o Instagram (o Snapchat resistiu e recusou a oferta de US$ 3 bilhões que ele lhe fez) e há pouco se atualizou para para dar prioridade às publicações de amigos e familiares sobre outros conteúdos. E o fez com esta mensagem: "Em 2006, quando lançamos nosso News Feed, era difícil imaginar o desafio que enfrentamos agora: demasiada informação para que uma pessoa apenas possa consumí-la". 

Sim, o excesso afeta também o gigante. Porque até a vida social (virtual) em grandes quantidades pode cair-nos mal.

[A reportagem acima, do El Mundo, tem praticamente o mesmo título de um artigo de 08 de junho deste ano ("Do you suffer from Social media fatigue? You are not alone") publicado no site Foursys.  

Esse tema da "fadiga social" mencionado acima já foi abordado pelo Globo em agosto de 2011 ("Usuários de Facebook, Twitter e Orkut estão ficando cansados das redes sociais, diz Gartner" -- a Gartner é uma empresa de consultoria fundada em 1979 por Gideon Gartner, que desenvolve tecnologias relacionadas à introspecção necessária para seus clientes tomarem suas decisões). 

Uma pesquisa realizada pela Gartner com usuários de redes sociais como Twitter, Facebook e Orkut afirmava que, na época, "havia sinais de maturidade no mercado" e havia grupos de internautas que estavam mostrando uma espécie de "fadiga das mídias sociais". Um levantamento sobre uso, frequência de acessos e opiniões dos usuários, com objetivo de analisar tendências, feito com 6.295 pessoas com idade entre 13 e 74 anos, em 11 mercados desenvolvidos e em desenvolvimento entre dezembro de 2010 e janeiro de 2011, mostrou que parte significativa dos entrevistados dizia estar usando menos as redes sociais. 

A pesquisa ouviu 581 pessoas no Brasil, um dos países onde mais usuários foram entrevistados. E de acordo com análise da BBC, o Orkut, rede social da Google, ainda era o líder em usuários, seguido pelo You Tube -- que apresenta também funções sociais -- e pelo Facebook.

Em 6 de junho deste ano, o site CNBC publicou o artigo "As pessoas estão gastando muito menos tempo com aplicativos de mídias sociais: Relatório" ("People are spending much less time on social media apps: Report"). O relatório refere-se também ao estudo feito com usuários de Android, comparando o tempo gasto por eles com Facebook, Instagram, Twitter e Snapchat de de janeiro a março de 2016 relativamente ao mesmo período de 2015. São do relatório os seguintes gráficos (Q1 = primeiro trimestre), que mostram o tempo médio (em minutos, eixo das ordenadas) gasto com os aplicativos Instagram, Twitter, Snapchat e Facebook:






Me parece que, apesar da queda em sua utilização, as redes sociais continuarão ainda por longo tempo exercendo muita atração sobre muita gente e permanecerão sendo uma enorme fonte de receitas para os aplicativos que as dominam. Como esse setor da Tecnologia da Informação é extremamente dinâmico, de uma hora para outra podem surgir novidades e/ou aperfeiçoamentos que podem fazer essas redes ganharem novo impulso.]

sábado, 27 de agosto de 2016

Balão de gás leva internet até áreas remotas na Amazônia

Ver postagem anterior.

Balão de gás leva internet até áreas remotas na Amazônia


Com informações do MCTIC -  

Internet com energia solar

Por meio de um balão de gás hélio, pesquisadores do Instituto Mamirauá terminaram a fase de testes de um equipamento que promete levar, de forma mais rápida e barata, internet para expedições científicas e populações ribeirinhas na Amazônia. A experiência faz parte do projeto Aeróstato Remoto de Telecomunicação e Sensoriamento (Artes).

De acordo com Francisco Freitas Júnior, um dos pesquisadores do instituto, o projeto pode ser mantido com fontes de energia solar fotovoltaica, em vez, por exemplo, de uma torre de energia.
Freitas explica que uma torre de energia "ocupa um espaço muito grande, precisa de uma interferência na paisagem, de abrir uma clareira na floresta, um grande esforço de equipe para instalação e alto custo de manutenção".

Internet por balão

O sistema é composto por um balão de gás hélio, que possui uma base acoplada com equipamentos, incluindo uma antena de recepção de sinal. O balão pode ser instalado em qualquer localidade próxima a uma torre de transmissão de sinal de internet.
O equipamento recebe o sinal e o redistribui para uma área de cerca de 400 metros de diâmetro. Durante os testes conduzidos na cidade de Tefé (AM), o Artes alcançou 150 metros de altura, o que garantiu a redistribuição de sinal para a área.
Com a validação, o instituto avalia que o próximo passo é construir uma versão piloto do modelo para a aplicação. O projeto, segundo o Mamirauá, pode ser implantado em ações como projetos temporários itinerantes e para inclusão digital em comunidades ribeirinhas.
Além disso, poderia ser utilizado no monitoramento, com a instalação de sensores no chão da floresta ou o envio de informações das armadilhas fotográficas utilizadas em pesquisas científicas.

domingo, 26 de junho de 2016

Os estranhos e inexplicáveis critérios nos gastos e cortes do governo

Na semana passada, no dia 23/6, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação confirmou que a operação do supercomputador está comprometida e que o LNCC sofreu um contingenciamento de cerca de 20% de seus recursos, afetando as operações nos próximos meses.  O supercomputador Santos Dumont, inaugurado neste ano no Rio de Janeiro e que seria utilizado para uma série de pesquisas que inclui o vírus da zika, teve de ser desligado em meio a cortes de recursos do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), afirmaram pesquisadores nesta quarta-feira (22/6).

O motivo para o corte na operação da máquina é a falta de recursos provocada pelo contingenciamento de verbas do LNCC. Como é capaz de rodar a uma velocidade de até 1 milhão de vezes mais rápida que a de um notebook convencional, o aparelho consome mais energia. Estima-se que o custo mensal de energia da máquina seja de aproximadamente R$ 500 mil.

Segundo o LNCC, a máquina, comprada da francesa Atos/Bull, tinha um orçamento de R$ 60 milhões este ano, incluindo o custo de aquisição e instalação. O equipamento tem capacidade de 1,1 petaflop e é o primeiro de sua escala no país. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação confirmou que a operação do supercomputador está comprometida e que o LNCC sofreu um contingenciamento de cerca de 20% de seus recursos, afetando as operações nos próximos meses. O ministério afirmou, porém, que a máquina está operando a 30% de sua capacidade e que não foi totalmente desligada.

A notícia acima comprova mais uma vez que o governo federal administra seu orçamento como alguém que não entende, nem quer entender de prioridades para o país. Os burocratas do Planalto acham que supercomputador é brinquedo de luxo de alguns privilegiados, e por isso tratam seus gastos com a mesma atenção de quem mantém a cantina do Ministério da Fazenda -- com a séria chance de que a cantina leve a melhor nesse jogo.

O governo interino de Temer, preocupantemente, tem repetido uma série de erros e fisiologismos que levaram o governo de Dilma para o brejo. O fisiologismo corre solto, e Temer tem escandalosamente cedido a pressões espúrias para se manter o máximo no poder. Tem tomado decisões absolutamente incongruentes e inconsistentes com sua promessa -- agora revelada fajuta -- de austeridade financeira. Vejamos alguns exemplos:

☛ Depois de fazer jogo de cena sobre limitação de gastos, Temer surpreendeu e decepcionou o país concedendo integralmente o aumento do funcionalismo público proposto por Dilma no início do ano. No dia 30 de janeiro, a presidente enviou ao Congresso seis projetos de Lei que irão beneficiar os servidores públicos federais em todo o Brasil. Ao todo, o governo estimava que mais de 1 milhão serão beneficiados com a medida. Isto representa quase a totalidade dos servidores da União, com percentual em torno de 90%.  

As carreiras de Estado, como são chamadas as carreiras do funcionalismo público cujos ocupantes exercem atividades típicas do poder estatal – tais como segurança, fiscalização e arrecadação – fecharam acordo com o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão para um reajuste superior ao concedido aos demais servidores. Enquanto os servidores civis do Executivo federal receberão aumento de 10,8% dividido em dois anos, eles ganharão 27,9% em quatro anos. 


A Câmara aprovou na noite de 1° de junho o aumento do salário dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). O rendimento, que delimita o teto do funcionalismo, passou de R$ 33.763 para R$ 39.293. O efeito cascata gerado em todo o Judiciário deverá, segundo o Ministério da Fazenda, ter um impacto de R$ 6,9 bilhões até 2019. Essa foi apenas a primeira proposta do mega-pacote de reajuste do funcionalismo que o governo interino de Michel Temer aprovou nessa noite, e incluiu além do Judiciário, o Executivo, o Legislativo e o Ministério Público, com impacto que passa de R$ 58 bilhões até 2019. Com esses montantes, o governo garantiria o funcionamento do supercomputador por mais de um ano, com resultados muito melhores para o país do que os gerados por esse mais de 1 milhão de burocratas.

☛ Os gastos secretos da Presidência, uma caixa preta que Dilma jamais permitiu que fosse aberta, é um sumidouro de dinheiro. 

De janeiro a maio deste ano, o governo federal gastou R$ 17,8 milhões só com cartões corporativos (dados atualizados até as faturas com vencimento em maio). Deste montante, R$ 5,4 milhões (30%) foram pagos pela presidência. Essa despesa pagaria a conta de luz de 35,6 meses do supercomputador, com base no gasto mensal de hoje. O governo faz afarra com esses cartões, mas corta 20% da verba do supercomputador a título de "corte de gastos". 

O projeto de lei do senador Ronaldo Caiado (DEM/GO), que dá total transparência a gastos pessoais e da administração da Presidência da República (PR), já chegou à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado para ser votado em caráter terminativo. Um substitutivo do senador Antonio Anastasia (PSDB/MG), apresentado ao projeto inicial, foi aprovado na Comissão de Transparência e Governança Pública (CTG) e, se aprovado na CCJ, segue direto para a Câmara dos Deputados.

☛ Comprovando a filosofia petista nesses quase 14 anos de governo, segundo a qual é dando que se recebe, os cargos de confiança representam hoje 35% da folha do funcionalismo federalRelatório do Tribunal de Contas da União (TCU) mostrou que a administração pública federal, incluindo Executivo, Legislativo e Judiciário, gasta hoje R$ 3,47 bilhões por mês com funcionários em cargos de confiança e comissionados. O valor representa 35% de toda a folha de pagamento do funcionalismo público na esfera federal, que é de R$ 9,6 bilhões mensais. É fácil imaginar o enorme números de apadrinhados aspones nesse gigantesco contingente de ocupantes de cargos de confiança.

Dilma duplicou os gastos com publicidade antes de deixar o governoEla não poupou gastos com publicidade antes de deixar o governo federal. As despesas com propaganda passaram de R$ 229,4 milhões nos cinco primeiros meses de 2015 para R$ 460 milhões neste ano, isto é, os valores praticamente duplicaram. A Presidência da República foi a principal responsável pelo aumento.

O levantamento foi realizado pelo Contas Abertas com base nos valores empenhados (já reservados em orçamento para pagamento posterior). Cabe ressaltar que os dados de 2016 não compreendem o mês fechado de maio, ou seja, a diferença pode ser ainda maior. Os valores são correntes.

Enquanto se autopromovia, Dilma cortava verbas de projetos muito mais importantes do espalhar mentiras sobre ela mesma e seu governo. O corte no orçamento do supercomputador é uma prova inequívoca disso.

Temer precisa urgentemente informar ao país o que está fazendo, ou pretende fazer a curtíssimo prazo, para corrigir e/ou eliminar essas sangrias esdrúxulas de gastos. O supercomputador do LNCC tem trabalhos importantíssimos para o país, incluindo pesquisas sobre o vírus da zika, e não pode ser preterido enquanto gastos demagógicos e palanqueiros são mantidos para alimentar o fisiologismo do governo.

☛ Cedendo à pressão pilantra dos governadores, que gastaram muito mais do que podiam e fizeram vista grossa da Lei de Responsabilidade Fiscal, fez um acordo malcheiroso com os estados, dando-lhes 2,5 anos para pagarem suas dívidas com o governo federal. E, como exigiram os governadores, iniciaram-se as negociações com os estados para esticar também os prazos de pagamento de suas dívidas com o BNDES. Temer fez e continua fazendo barganhas com o nosso dinheiro para manter-se no poder. Enquanto isso, a ciência e a tecnologia que se ferrem.

domingo, 10 de abril de 2016

Os vazamentos de informações através da história

[No momento em que vazamentos de documentos e informações ocorrem no mundo inteiro, aqui e lá fora, abalando estruturas e governos, traduzo a seguir artigo interessante a esse respeito publicado no site BBC Mundo. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]


A história está cheia de documentos secretos que foram vazados publicamente, desde que um mensageiro se atreveu a abrir um lacre real - (Foto: Thinkstock)

Você pode dizer o que quiser sobre a recente onda de vazamentos, mas não que tais vazamentos dêem lugar a que se esmaguem os testículos de alguém. Tampouco, até onde sabemos, ninguém foi trancado em um templo até morrer de fome.

Edward Snowden e Julian Assange não são universalmente populares, mas até seus críticos mais severos não insinuaram que suas ações provocaram uma revolta militar ou fizeram com que políticos fossem removidos de seus ambientes de debates para serem estrangulados pelas multidões.  

Entretanto, todos esses horrores aconteceram sim durante a longa e amiúde violenta história dos vazamentos.

Esparta

Tomemos por exemplo essa fome intensa forçada em um templo. Isto ocorreu em Esparta por volta do ano 470 antes de Cristo (a.C.), como consequência direta de uma informação que foi vazada.

O general espartano Pausanias enviou uma mensagem para o rei persa através de um de seus escravos. Pressentindo que havia algo de suspeito, o escravo Argilios abriu a carta e verificou que Pausanias se oferecia para os persas se invadissem a Grécia. Além disso, o general sugeria que matassem o mensageiro para garantir o segredo da oferta.

O general Pausanias, de Esparta - (Imagem: Alamy)

Compreensivelmente, sentindo-se ofendido e insultado pelo caráter de sua missão, Argilios decidiu vazar a carta às autoridades espartanas. 

A Pérsia era o "inimigo mortal" da Grécia, razão pela qual as ações de Pausanias não foram vistas como algo menor do que uma traição. Por isso, como castigo, ele terminou enclausurado em um templo sem nenhum tipo de alimento. Os registros indicam que sua própria mãe se uniu aos cidadãos irritados com a atitude de seu filho para garantir que não escapasse da punição. 

Roma

Na Grécia antiga a política era um assunto relativamente aberto, mas a civilização romana ao contrário esteve repleta de complôs e intrigas em seus últimos anos. E de uma boa quantidade de vazamentos também, segundo o historiador Tom Holland. "Havia uma forma muito intensa de luta política, na mesma escala de hoje em dia", assinala ele. "Vêem-se vazamentos sendo utilizados por aspirantes a políticos favoritos, como intuito de destruir seus rivais". 

O cônsul e orador Cícero encontrou uma coleção de cartas que alertavam sobre uma conspiração contra a República - (Imagem: Getty)

Talvez o vazamento mais famoso da época romana foi a pilha de documentos que apareceu frente à porta de Cícero, cônsul do Senado romano e um destacado filósofo e orador de seu tempo. 

No ano 63 a.C., Cícero estava convencido de que um senador chamado Catilina estava planejando um golpe de Estado mas não pôde comprová-lo. O que encontro à sua porta era uma coleção de cartas dos aliados de Catilina, com todos os detalhes da trama. Nunca se descobriu quem vazou essa evidência crucial, mas de posse dessas cartas Cícero conseguiu convencer seus colegas de Senado de que a República romana estava sob ameaça.

Talvez como recompensa por seu trabalho de detetive, Cícero pôde supervisionar pessoalmente a execução imediata por estrangulamento de todos os conspiradores. 

Os otomanos 

O Império Romano durou séculos, seu lado oriental sobreviveu como Bizâncio até 1453, quando caiu vítima dos otomanos, cuja civilização era conhecida por sua tolerância. Um império multinacional e multiétnico, com um alto grau do que poderia ser chamado hoje de mobilidade social. Até um escravo ou um eunuco poderia subir na hierarquia.

No entanto, havia uma área em que os otomanos  foram famosos por sua severidade, e referia-se ao valor que davam aos segredos. Muitos sultões empregavam surdo-mudos próximos de si para evitar que se propagasse qualquer informação sobre eles e suas ações.

Osman II teve os testículos esmagados antes de morrer - (Foto: Alamy)

O sultão Osman II (1604-1622) tinha mais razões que os demais para temer vazamentos. Havia decidido acabar com a unidade militar de elite conhecida como os janízaros, porque temia que se tornasse demasiado poderosa. De alguma maneira, entretanto, essa informação vazou. Depois, seu próprio vizir foi indicado como sendo a fonte do vazamento [vizir (وزیر em persa) era um ministro e conselheiro de um sultão ou rei da antiga Pérsia e, posteriormente, de um país islâmico. O termo significa "ajudante"].

Quando os janízaros se inteiraram da intenção do sultão, invadiram o palácio de Topkapi, em Istambul, e Osman II teve que suportar que lhe esmagassem os testículos antes de morrer. 

Tempos modernos

Enquanto o Império Otomano declinava, o advento do período moderno no século XIX dava um novo alento à arte dos vazamentos. Agora existia a possibilidade de que a informação vazada pudesse chegar a públicos mais amplos, em vez de limitar-se às pessoas diretamente afetadas. 

John Nugent, do New York Herald, é reconhecido por um dos primeiros grandes furos oriundos de um vazamento. 

A Batalha de Buena Vista, também conhecida como a Batalha de Angostura, foi um dos grandes enfrentamentos na guerra entre México e EUA - (Foto: Getty)

Em 1848, Nugent recebeu detalhes secretos de um tratado para por fim à guerra entre os EUA e o México. Sua decisão de publicar os detalhes do acordo o levaram a receber ameaças de prisão de senadores indignados, que o mantiveram cativo durante um mês. Isso deve ter valido a pena, pois Nugent foi depois promovido a diretor-geral do jornal.

Esse caso definiu um precedente que persiste até hoje, de acordo com Pablo Lashmar, professor de jornalismo na Universidade de Sussex (Brighton, Reino Unido) e antigo jornalista investigativo. 

Os jornalistas que conseguem vazamentos tendem a ser recompensados, diz Lashmar, seja com uma promoção, com um aumento salarial ou com prestígio profissional ampliado, inclusive se enfrentam ameaças de prisão ou de algo pior ao longo do caminho. "Passávamos longas horas nos bares cultivando as fontes. Podia ser um oficial de polícia, um funcionário público ou alguém do departamento de contabilidade de uma  empresa. Nos passavam um envelope e isso era genial", lembra o veterano jornalista. 

Tecnologia

O advento da tecnologia de vigilância fez com que esse tipo de vazamento seja cada vez menos frequente, segundo Lashmar.

A tecnologia tornou possível vazamentos de enormes quantidades de documentos - (Foto: Thinkstock)

Qualquer pessoa com um celular pode ter seus movimentos rastreados, ou pode ser captado por câmaras de segurança. Lashmar assinala que os funcionários públicos se tornaram muito mais receosos de se encontrar com jornalistas, para não serem punidos por sua indiscrição. 

O que substituiu o envelope marrom de antigamente foi o vazamento em massa. O tipo de tesouro repleto de dados como nos Panamá Papers, com milhões de documentos transmitidos de uma só vez [sobre os Panamá Papers, ver aqui e aqui]. É óbvio que foi a nova tecnologia que tornou isso possível. 

Os primeiros grandes vazamentos com os documentos do Pentágono, que revelaram segredos sobre as operações dos EUA no Vietnã, tiveram que ser fotocopiados à mão, página por página. Agora, os registros inteiros de um departamento de uma empresa ou de um governo podem ser carregados em um cartão de memória, com apenas um clique num computador. 

Documentos altamente sensíveis passaram pelas mãos de  pessoas de status relativamente baixo, como o soldado raso Bradley Manning - (Foto: AP)

A jornalista e ativista Heather Brooke utilizou vários vazamentos em sua época e considera que esse novo tipo de "fugas" digitais vieram para ficar. "É muito difícil proteger a informação digital e é muito fácil atacá-la", acredita ela. 

Brooke argumenta que aqueles que armazenam informações digitais têm que culpar a si mesmos, se esses dados chegarem a domínio público. "Estamos em um momento em que todo mundo quer guardar todos os blocos de dados que puder, e guardá-los para sempre. Estão criando um pote de mel para os piratas informáticos, para os empregados descontentes e para qualquer pessoa que queira fazer vazamentos", diz ela. 

Percorremos um longo caminho desde desde os dias em que um mensageiro escravo podia causar estragos em Esparta, só com o abrir de uma carta. No entanto, a mesma assimetria persiste e, talvez, esteja acentuada. Informação é poder, e nesta primeira parte do século 21 a informação é também onipresente. 

Desde o soldado raso do exército americano, Bradley Manning, até o especialista em inteligência contratado Edward Snowden, temos visto pessoas de  status relativamente baixo ter informação em suas mãos e logo revelá-la, deixando seus superiores profundamente comprometidos. Agora, ao que parece, a informação é mais poderosa que a espada.








domingo, 21 de fevereiro de 2016

A operadora telefônica francesa Orange anunciou para 2021 o fim de sua rede de telefonia fixa

[A operadora de telefonia francesa Orange estabeleceu para 2021 o fim de sua rede de telefonia fixa, como informa o jornal francês Le Figaro, cuja reportagem traduzo a seguir. Quanto tempo durará ainda a telefonia fixa no Brasil? O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]


Orange, ex-France Télécom, prepara a interrupção de sua rede telefônica fixa tradicional. Os aparelhos telefônicos ligados a simples tomadas telefônicas nas paredes não soarão mais - (Foto: Fotolia)

Um pouco mais de 12 milhões de linhas serão afetadas. Os bons e velhos telefones estão com seus dias contados.

Após a extinção da televisão analógica, substituída pela TV digital (TNT - Televisão Numérica Terrestre, na França), eis o fim da telefonia fixa tradicional. Orange, ex-France Télécom, prepara a interrupção de sua rede telefônica fixa convencional. Os aparelhos telefônicos ligados a simples tomadas telefônicas nas paredes não soarão mais.

É certo que o processo levará tempo, mas no início  da próxima década a velha rede de telefonia fixa tradicional será extinta pouco a pouco. No jargão das telecomunicações, ela é designada como Sistema de Telefonia Fixa Comutada (STFC). Segundo o órgão regulador de telecomunicações francês, a Arcep, a França conta com 12 milhões de linhas STFC, ou seja um pouco mais de um terço das linhas totais existentes.

Para se beneficiar de uma linha física, será preciso então estar equipado com uma caixa chamada DSL (Digital Subscriber Line -- Linha de Assinante Digital) que se conectará entre o telefone e a tomada na parede. Trata-se de uma pequena sutileza do processo: a rede STFC será de fato interrompida, mas não os serviços ADSL [Asymmetric Digital Subscriber Line -- um tipo de tecnologia de DSL, uma tecnologia de comunicação de dados que permite transmissão de dados sobre linhas telefônicas de cobre mais rápida do que a provida por um modem de banda de voz] que funcionam também sobre condutores de cobre e que permitem telefonar, se conectar à internet ou ver televisão. A metade dos lares franceses já possui esse dispositivo. Os demais têm ainda alguns anos para se preparar. "Não é possível manter-se um mil-folhas tecnológico", sublinha Benoît Loutrel, diretor-geral da Arcep.

Orange ataca esse tema com bastante antecedência, porque deve avisar os usuários do STFC com pelo menos 5 anos de antecipação antes de interromper o serviço e antes que sua manutenção se torne problemática. Esquematicamente, para que uma rede como essa funcione é preciso ter de um lado um telefone e do outro um comutador. "Os comutadores são equipamentos antigos, datados dos anos 1970. Os fabricantes de equipamentos de telecomunicações não os produzem mais", explica Benoît Loutrel. Isso faz com que há anos sua manutenção se realize com a canibalização de equipamentos que não serão mais utilizados.

Carência de técnicos

Outro problema: os técnicos que dominam essa área já ultrapassada irão em breve se aposentar. "Formar jovens de 20 anos em uma tecnologia sem futuro não faz nenhum sentido", acrescenta um especialista do setor. É melhor pois interromper a STFC do que esperar por uma grande pane.

A retirada de cena dessa tecnologia terá também um efeito virtuoso sobre o meio ambiente, porque os comutadores consomem muito mais energia que os equipamentos que os substituirão.

O calendário já está em andamento. No quarto trimestre de 2018, alguém que queira instalar uma nova linha STFC já não poderá fazê-lo. Em troca, lhe serão propostos serviços via ADSL ou fibra ótica. A partir de 2021, uma nova etapa será franqueada. O serviço STFC será progressivamente cancelado, com um calendário diferente por região do país. Aos assinantes serão oferecidas uma ou duas soluções alternativas, em função das evoluções tecnológicas.

Duas profissões serão particularmente afetadas: os comerciantes e os ascensoristas. Os serviços de chamada de emergência dos elevadores são ainda muito frequentemente transmitidos via STFC. Neste caso, os copropietários envolvidos têm todo interesse em agir o quanto antes [da data limite], para evitar os picos de demanda e as altas de preços. Certos terminais de pagamento funcionam ainda via STFC, será preciso mudá-los. Não há porquê entrar em pânico, restam ainda pelo menos cinco anos, mas é melhor não deixar para o último momento. Outros serviços, como certas linhas de emergência, de tele-vigilância ou de tele-alarme dependem também do STFC e deverão ser modernizados. Um pequeno detalhe importante: um telefone conectado a uma linha STFC funciona mesmo em caso de pane elétrica. Os novos equipamentos, todos eles, precisam de um suprimento elétrico, o que poderá criar problemas para os serviços de emergência.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Eletrônicos podem ficar até 10% mais caros em dezembro

[Mais um item da herança "bendita" do (des)governo da (govern)anta Dilma NPS (Nosso Pinóquio de Saia).  Continuamos na lesma lerda. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]


Eletrônicos podem ficar até 10% mais caros em dezembro

Indústria do setor prevê dificuldades para a inclusão digital da população mais pobre.
Fonte: Bom Dia Brasil
Celulares, computadores e todos os eletrônicos vão ficar mais caros. O aumento pode chegar a 10% e logo em dezembro. Quem estava pensando em trocar de celular ou pedir um tablet para o Papai Noel talvez tenha que repensar o presente. Em dezembro, os preços dos eletrônicos devem subir porque o governo decidiu voltar a cobrar PIS e Cofins sobre a venda de produtos de informática. Quem vende computadores, smartphones, notebooks, modens e roteadores vai ter que pagar entre 3,65% e 9,25%. Só com essa medida, o governo espera arrecadar R$ 6,7 bilhões no ano que vem.

A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica diz que os lojistas devem repassar o aumento para os preços finais e que, em alguns casos, os produtos vão ficar até 10% mais caros.

“Já não é barato e a gente acaba tendo que pagar essa conta, essa é a verdade, eles acabam onerando ainda mais para o trabalhador”, queixa-se o autônomo José Sérgio Batista.
O coordenador de compras Edílson Cardoso comprou dois notebooks para empresa onde trabalha. E acha que se os preços subirem, muita gente pode optar por modelos piratas:
“Infelizmente, pode ser que pessoas migrem para a pirataria em virtude dos aumentos para procurar preços mais acessíveis”, diz ele.


Um tablet como o mostrado na reportagem do Bom Dia Brasil custa R$ 1,6 mil. Sabe quanto a gente paga em impostos e contribuições, hoje, sem PIS e Confins? R$ 640. Quase 40% do preço final. E pensar que ainda vai subir, assusta.

A carga tributária de celulares (33%) e computadores de mesa (entre 24% e 33,6%) também é alta. O levantamento é do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributação.
“Se você for comparar as alíquotas, por exemplo, se você pegar os Estados Unidos, tem 6%, 7%, 8%, e chega aqui no país encontra carga tributária de 30%, 40%, você fica muito chateado”, diz o servidor público Eduardo Pessoa.


A reportagem comparou os preços de dois modelos de smartphones vendidos no Brasil e nos Estados Unidos. Aqui, o de última geração é R$ 1 mil mais caro e o modelo mais simples custa R$ 210 a mais.

A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica criticou a decisão do governo de suspender o Programa de Inclusão Digital, que barateou os preços nos últimos dez anos:
"A colocação do imposto sobre o produto vai fazer com que nós tenhamos mais dificuldades e prejudiquemos ainda mais o acesso da população de baixa renda à inclusão digital, o que faz com que o Brasil fique mais atrasado em relação ao resto do mundo”, afirma o presidente da Abinee, Humberto Barbato.


Com todo o aperto que atinge os consumidores, a indústria e o comércio, a Receita Federal acha que o impacto do aumento dos impostos até pode ser reduzido por causa da alta competitividade do setor. O problema é que, na cadeia da produção, até nas lojas a margem para reduzir os lucros e dar descontos está diminuindo. 

[Na área dos eletrônicos está mais um balaio de mentiras de Dilma NPS , a nossa fantástica (govern)anta. Depois que voltou de sua viagem à China em abril de 2011, acompanhada de seu então ministro da Ciência e Tecnologia Aloizio Mercadante (o BomBril do governo da madame, tem mil e uma utilidades -- já foi também ministro da Educação e atualmente é ministro-chefe da Casa Civil; em todos os cargos foi um zero à esquerda, mas tem um visgo danado com a ex-guerrilheira), nossa Dama de Ferrugem anunciou com estardalhaço que a empresa taiwanesa Foxconn fabricaria iPads no Brasil

A Foxconn faria investimentos de US$ 12 bilhões no país, iniciaria a fabricação em novembro de 2011, teria como sócios Eike Batista (na época a madame estava deslumbrada com esse pilantra) e o BNDES, e o iPad "brasileiro" seria muito mais barato que o importado, por conta de um pacote de incentivos do governo incluído na MP n° 517, de 30/12/2010. Como inúmeras promessas irresponsáveis da nossa (govern)anta, nada disso aconteceu.] 

domingo, 23 de agosto de 2015

Como saber se seu wi-fi está sendo roubado (e o que fazer)

[A reportagem abaixo foi publicada no site BBC Brasil.]


Muitos usuários deixam a rede wifi de casa aberta para o resto da família utilizar, o que facilita o furto - (Foto: Thinkstock)

Nove da noite e, como em todos os outros dias, você quer ver um novo capítulo da série favorita através de algum serviço de streaming no computador.

Mas a conexão com a internet sem fio parece ficar lenta neste exato momento. "Não é normal", você pensa. E a situação piora. "Não carrega. Por que não carrega?", você fala alto. Até que, sem conseguir ver nada, você desiste.

Se esta situação ocorre com frequência, é preciso pensar na hipótese de alguém estar usando sua rede wifi sem que você saiba. Abaixo, dicas para descobrir se sua internet está sendo furtada e como evitar isto.

1 - Suspeita

A primeira pista de um possível furto de wifi é simples: se a internet ficar mais lenta em algumas horas do dia ou se ficar lenta de forma recorrente. 

A segunda pista virá do roteador. Você precisa apagar completamente todos os dispositivos sem fio de sua casa. Se uma das luzes do roteador, a destinada ao wifi (às vezes indicada como WLAN) continuar piscando, é possível que esteja ocorrendo o furto.

2 - Descubra o ladrão

Rede mais lenta do que o normal é motivo de suspeita - (Foto: Thinkstock)

Se a suspeita já existe, é preciso antes descartar outras possibilidades, como estar usando uma rede sem fio com pouca velocidade, computadores demais ligados à ela ou até mesmo obstáculos físicos ao seu wifi.
Para descartar essas possibilidades, especialistas recomendam instalar no computador, smartphone ou tablet um programa ou aplicativo que mostre os dispositivos conectados à sua rede. Existem várias opções gratuitas, como o Fing, para Android e iOS; Network, Discovery ou Net Scan, apenas para Android; e IP Network Scanner ou iNet, para o iOS.
Também há opções para computadores de escritório: Angry IP Scanner ou Wireshark para várias plataformas e Wireless Network Watcher e Microsoft Network Monitor para os dispositivos da companhia de Bill Gates.
Todos eles mostram quantos dispositivos estão conectados à rede sem fio, cada um identificado com um endereço IP. Se o aplicativo ou programa escolhido indicar que há mais dispositivos conectados à sua rede do que os que você tem, há um ladrão de wifi por perto.
3 - Veja se alguém se conectou enquanto você não estava

Antes de acusar alguém, verifique se não há computadores ou smartphones demais conectados à sua rede - (Foto: Thinkstock)

Os programas e aplicativos citados acima detectam possíveis intrusos em sua rede wifi, mas apenas se eles estiverem usando sua rede ao mesmo tempo que você.
Mas há formas de saber se alguém se conectou ao seu wifi enquanto você não estava em casa. Para isto, você precisa de uma informação do roteador: o endereço IP, uma série de números separados por pontos, de três em três.
É possível encontrar este número no manual do roteador ou então no próprio computador. Se você tem um Mac, basta clicar no ícone de wifi e ir até o "abrir centro de redes e recursos compartilhados" no menu, depois ir até "conexão de área local" ou "conexão de rede sem fio". Vá até "detalhes", onde outra janela vai se abrir. O endereço IP identificado como "porta de link predeteminado IPv4" é o endereço IP do seu roteador.
Se o seu computador é Windows, vá até a "busca" e digite "ipconfig/all", depois "conexão LAN sem fio" e, por último, "endereço físico". Assim, poderá obter o endereço do roteador.
Você precisa colocar esse número em seu navegador, desta forma poderá acessar a rede do roteador.
Após escrever a senha, você vai descobrir um registro das conexões feitas até este momento na sua rede wifi.
4 - Proteja sua rede
Talvez você tenha deixado sua rede sem fio aberta para que todos os membros da família possam se conectar. Ou talvez foi um descuido, ou algum vizinho usou algum aplicativo para descobrir suas senhas de wifi.

Mude a senha de acesso ao wifi e escolha uma mais complicada - (Foto: Thinkstock)
Seja como for, ter um intruso em seu wifi pode causar mais problemas do que você pensa. Eles podem ter acesso a informações armazenadas em computadores conectados à sua rede e, em casos mais extremos, podem cometer um crime em seu nome, como baixar pornografia infantil, por exemplo.
Para evitar tudo isso, a primeira coisa a fazer é mudar a senha do wifi. Sempre substitua por alguma mais complexa. James Lyne, da companhia especialista em segurança em internet Sophos, recomendou à BBC evitar o uso de apenas uma palavra na senha. O melhor é combinar letras e números. "É mais seguro 'AmoMuitoBBCBrasil123' do que 'BBCBrasil'", afirmou.
Para o especialista, outro truque para uma senha segura é pensar na letra da sua música favorita e escolher um trecho. "Assim sua senha será muito maior e realmente difícil de decifrar", acrescentou.
Uma vez que você mudou a senha, também poderá configurar o roteador para que permita apenas a conexão de dispositivos com endereços MAC concretos. Com isso, será mais difícil acessar sua rede wifi e você talvez nunca mais precise se preocupar se vai conseguir ou não assistir à sua série favorita.
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