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quinta-feira, 28 de abril de 2016

Como é menstruar no espaço para as mulheres astronautas?

[Traduzo a seguir artigo publicado no site BBC Mundo.]

No passado, a menstruação era vista como um impedimento para que as mulheres fossem ao espaço - (Foto: Nasa)

O corpo humano experimenta muitas mudanças no espaço. Os músculos se enfraquecem, o coração muda de forma e tamanho, perde-se densidade óssea ... entretanto, há algo que não muda em nada: a menstruação. 

Não importa que não exista gravidade, o ciclo menstrual da mulher funciona no espaço da mesma forma que na Terra. "O fluxo de sangue menstrual não se vê afetado pela falta de gravidade, não flui de volta para o corpo", escreveu recentemente a ginecologista espacial Varsha Jain no site acadêmico The Conversation do King's College de Londres.

A quê se  deve isso? 

"O hormônio folículo-estimulante, responsável por ativar o ciclo menstrual, não é afetado em uma viagem espacial", disse a Dra. Jain ao BBC Mundo. 

Segundo a pesquisadora e membro do departamento de Obstetricia e Ginecologia do Instituto Nacional para Pesquisa da Saúde do Reino Unido, foram feitos vários estudos analógicos na Terra simulando o ambiente espacial. Tampouco nesses casos o hormônio responsável pela menstruação se viu afetado. 

As mulheres que foram ao espaço não relataram problemas com a menstruação - (Foto: Getty)

Jain acrescentou que inclusive em trabalhos feitos com animais enviados ao espaço os resultados foram similares. 

Mas os cientistas não conseguiram determinar a razão exata pela qual esse hormônio permanece intacto, quando o resto do corpo necessita adaptar-se ao fato de estar flutuando. O que sabem é que o fato de não se produzirem mudanças é um indicativo de que o período não depende da gravidade. Talvez seja porque, tal e como sugere Jain, "o corpo sabe que precisa se desfazer dele". 

Mais poder

E para a especialista, essas são boas notícias. "Quanto menos o corpo mudar no espaço, melhor". No passado, o fato das mulheres menstruarem era visto como um impedimento para que fossem astronautas. 

Para os especialistas, quanto menos mudar o corpo no espaço, melhor - (Foto: Getty)

"Alguns argumentavam que a menstruação poderia afetar a habilidade da mulher", escreveu recentemente Adam Cole, jornalista científico da cadeia americana Rádio Público Nacional. 
Nos anos 40 se demonstrou que isso que isso não era certo. "Mas a ideia não morreu ali", acrescentou ele. 

Outras teorias quanto a menstruar no espaço falavam dos efeitos da microgravidade e como o sangue podia subir pelas trompas de Falópio e chegar ao abdômen, provocando dor e outros problemas de saúde. 

"Mas, na realidade ninguém fez experiências para comprovar se isso era um problema, assim pois não havia dados para apoiar ou refutar esses temores", explicou o jornalista. "Até onde sabemos, e pelo que nos contam as próprias astronautas, as mulheres que optaram por menstruar no espaço asseguram que não tiveram problemas", explicou a Dra. Jain.

Para essa especialista, uma vez comprovado que o período menstrual não é um impedimento para ir ao espaço, o fato de lidar com fluxos de sangue em um ambiente sem gravidade pode ser uma situação que muitas mulheres astronautas prefiram evitar. "Felizmente para elas, existem hoje formas de deter a menstruação".

A primeira mulher a ir ao espaço foi Valentina Tereshkova, em 1963 - (Foto: Getty)

Se bem que não haja um consenso sobre recomendar a supressão completa da menstruação, Jain assegura que a maioria dos especialistas sugere que não há efeitos disso no largo prazo para a saúde da mulher. 

"Isso é importante, porque se trata de dar mais poder à mulher", assinala a especialista. "Se as astronautas no espaço podem optar por não menstruar por longos períodos, outras mulheres com trabalhos específicos (na Terra) poderiam fazer o mesmo". 

Entretanto, o fato da menstruação não ser afetada é um tema a se ter em conta para missões mais longas ao espaço, como uma viagem a Marte.  

Independentemente de que a mulher escolha ou não menstruar, na nave deve haver espaço tanto para as milhares de pílulas que ajudem a controlar o período como para os produtos sanitários. 

Ver também (em espanhol):






sábado, 7 de março de 2015

Como economizar na compra de passagens aéreas

[A reportagem a seguir, de Marilia Almeida, foi publicada no site Exame.com em 05/3/2015. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]

A antecedência ideal para pagar menos na passagem aérea

Marilia Almeida - Exame.com, 05/3/2015

Comprar a passagem aérea com a maior antecedência possível com relação à data da viagem ao exterior não garante, necessariamente, o menor preço do bilhete.

É o que aponta um levantamento feito pelo Mundi, site que compara preços de passagens aéreas, a pedido de EXAME.com. A pesquisa inclui viagens de São Paulo a seis cidades: Buenos Aires, Lisboa, Miami, Nova York, Paris e Santiago.

Para garantir o menor preço, a antecedência ideal para a compra do bilhete varia, em média, de cerca de dois a seis meses, de acordo com o destino.

Para quem busca o melhor custo-benefício, a compra pode ter de ser realizada em pouco mais de um mês a até nove meses antes da data do passeio, em média. Veja na tabela os resultados da pesquisa:


TrechoAntecedência necessária para obter o menor preço considerando apenas voos em classe econômica*Antecedência necessária para obter o menor preço considerando voos em classe econômica e executiva**
São Paulo - Miami53 dias (preço médio de R$ 1.456)45 dias (preço médio de R$ 3.841)
São Paulo - Nova York56 dias (preço médio de R$ 1.715)54 dias (preço médio de R$ 4.423)
São Paulo - Buenos Aires104 dias (preço médio de R$ 390)272 dias (preço médio de R$ 722)
São Paulo - Santiago194 dias (preço médio de R$ 523)271 dias (preço médio de R$ 1.119)
São Paulo - Paris109 dias (preço médio de R$ 1.790)180 dias (preço médio de R$ 5.722)
São Paulo - Lisboa173 dias (preço médio de R$ 1.838)173 dias (preço médio de R$ 5.629)
Fonte: Mundi 
*Valores cobrados apenas nos voos mais baratos de cada companhia. **Taxas oferecidas em todos os tipos de voos, desde os mais econômicos e com mais escalas até os voos econômicos sem escalas e os voos em classe executiva. 
Vale ressaltar que as passagens mais baratas, apresentadas na primeira coluna, geralmente são vendidas em voos mais longos e com escalas, o que pode tornar a compra desvantajosa.
Já o valor médio dos bilhetes da segunda coluna inclui também passagens econômicas sem escalas e bilhetes para a classe executiva, que podem oferecer um custo-benefício melhor ao viajante.
A pesquisa reuniu dados de buscas feitas no site nos últimos dois anos, no período de 3 de março de 2013 a 3 de março de 2015. De acordo com a empresa, são realizadas cerca de 3 milhões de pesquisas por mês. 
O comparador de preços apenas levou em consideração a antecedência necessária para garantir os menores e melhores preços, independentemente do período do ano em que foram realizadas as buscas e das datas das viagens. Para chegar aos resultados, foram excluídas ofertas de última hora, realizadas até 15 dias antes das viagens pelas companhias aéreas. 
Viagens para os Estados Unidos exigem menos planejamento
As compras de passagens aéreas para as cidades americanas de Miami e Nova York são as que menos exigem planejamentoSegundo o levantamento, a antecedência da compra que garante preços menores, em média, é de 53 dias para Miami e 56 dias no caso de Nova York.
De acordo com Ana Araújo, CEO do Mundi, o dado pode ser explicado pela maior oferta de voos existente entre Brasil e Estados Unidos. “Um acordo realizado no final de 2010 entre os dois países vem aumentando o número de voos nesses trechos. Diante de uma maior concorrência, as companhias aéreas passaram a oferecer mais bilhetes promocionais na disputa por passageiros”.
Se o destino for alguma cidade da da Europa, o prazo ideal para a aquisição dos bilhetes pode ser equivalente ao dobro ou triplo do planejamento necessário para viagens aos Estados Unidos.
Passagens aéreas para Paris devem ser compradas 109 dias antes do passeio. Para Lisboa, a antecedência necessária para garantir o menor preço é de 173 dias.
Na América Latina, enquanto os menores preços para Buenos Aires podem ser encontrados, em média, 104 dias antes da data da viagem, caso o destino seja Santiago esse tempo aumenta para 179 dias (veja quais são os meses mais caros e baratos para viajar).

Compra com muita antecedência tem promoções mais limitadas
Caso a compra da passagem aérea seja feita com muita antecedência com relação à data da viagem, o viajante pode encontrar menos bilhetes em oferta.
Prazos mais longos tornam mais difícil para as companhias aéreas preverem qual será a demanda pelos voos, diz Ana, do Mundi. "Por isso, as empresas acabam fazendo promoções e adequando os preços cobrados apenas quando esse cenário fica mais claro". 
Como a oferta e a demanda por voos estão sempre sujeitas às oscilações e dependem do cenário econômico, a antecedência ideal para as compras deve ser utilizada apenas como uma orientação para os viajantes, e não deve ser o único motivo para definir o momento da aquisição.
De qualquer forma, ao seguir a velha regra de fazer a compra com antecedência, o viajante consegue diminuir os riscos de encontrar preços maiores caso haja um aumento imprevisto da demanda pelos voos ou uma alta inesperada do dólar (os preços dos bilhetes variam de acordo com a cotação da moeda americana).

Mudanças nas estratégias comerciais das companhias aéreas também podem reduzir o número de assentos, o que também pode fazer com que os bilhetes fiquem mais caros, caso a demanda por viagens no trecho mantenha o mesmo nível. 

13 Sites e apps para planejar os custos da sua viagem

Conheça os sites e  apps que ajudam a encontrar as melhores tarifas e manter o controle financeiro da sua viagem.

Hostelworld


Para os viajantes que gostam de economia, o Hostelworld.com dispensa apresentações. O site congrega mais de 35 mil opções de hospedagem em pousadas, albergues, bed and breakfast e hotéis de 180 países. Além de permitir que a reserva seja feita inteiramente no site, o Hostelworld é uma ótima fonte de pesquisa sobre as acomodações, já que possui fotos, descrições, resenhas feitas pelos hóspedes e ferramentas que permitem ordenar a busca de acordo com preços, disponibilidade nas datas buscadas e classificações dos usuários.



Booking.com



O Booking.com é o maior site de reservas online, com 45 mil endereços, que vão desde pequenas pousadas familiares e apartamentos executivos até suítes 5 estrelas em hotéis  luxuosos, em mais de 10 mil destinos. Cerca de 500 mil reservas são feitas no site diariamente. Entre as vantagens, além da ampla cobertura, estão: ausência de cobrança de taxas;a opinião dos hóspedes; e os filtros de busca por preço, tipo de hotel, número fe estrelas e avaliação dos hóspedes. O site também permite usar o GPS para localizar a hospedagem mais próxima.



TripAdvisor



No TripAdvisor, o usuário consegue comparar os preços oferecidos para uma mesma reserva por diferentes sites, como Decolar.com, Booking.com, Splendia, Expedia, etc. Uma grande vantagem do site em relação aos outros similares é a avaliação mais apurada dos usuários. Apesar dos outros sites também divulgarem a opinião dos hóspedes, o TripAdvisor se destaca por disponibilizar uma gama maior de fotos dos usuários que mostram as reais condições das hospedagens pesquisadas.


Oanda


O Oanda possui cotações atualizadas de mais de 190 moedas, baseadas em informações passadas pelos principais fornecedores de dados de mercado. O conversor permite também ao usuário incluir na cotação porcentagens para calcular quanto ficaria a conversão da moeda  pesquisada com a inclusão da taxa cobrada pelos bancos. 



Viajantes no Exterior



O aplicativo da Receita Federal traz diversas informações para que o viajante não tenha problemas na alfândega. Ele divide em diferentes abas tópicos como: o que é possível trazer do exterior sem pagar impostos; limites de quantidade; free shop; dinheiro em espécie, etc. Além de oferecer um atalho para a Declaração Eletrônica de Bens de Viajante (e-DBV).



Expensify



O Expensify é um aplicativo de planejamento financeiro que permite registrar todas as despesas, como em uma planilha. Por meio de um scanner, ao tirar fotos de recibos, o app lê os valores, datas e locais de cada compra automaticamente, transferindo as informações para o banco de dados sem que o usuário precise digitar qualquer coisa. E ao escanear os recibos de passagens aéreas e reservas de hotéis, o app cria automaticamente uma seção de viagem e organiza todas as informações relacionadas.  Além disso, ele também calcula despesas com combustível e possui conversor de moedas. 



Lonely Planet



Além de milhares de informações sobre lazer, o site da maior editora de guias de viagens traz também dados relevantes sobre custos. Ao digitar no campo de buscas do site destinos concorridos, como Paris, e em seguida clicar em need to know>practical information> money & costs , o site mostra os custos médios de acomodações econômicas, médias e luxuosas, e qual seria o custo de passar um dia em cada lugar, também para uma viagem mais ou menos econômica.  Para os destinos menos disputados, o custo diário pode não ser informado, mas podem ser encontrados outros dados interessantes como quanto pagar de gorjeta em restaurantes.  Vale a pena navegar também pela seção Value Travel, que traz boas dicas sobre como economizar em diferentes destinos. 

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Skyscanner




O Skyscanner é um site aglutinador. Ele rastreia as passagens mais baratas de sites de vendas como Kayak, Decolar.com e Expedia e de mais de 1.000 companhias aéreas, além de mostrar quais são os dias mais baratos para viajar. Como a reserva não é feita no seu ambiente, o usuário finaliza sua compra diretamente com a companhia ou agência que oferece a passagem e não paga nenhum tipo de comissão. Ele também oferece cotações de locação de veículos, hotéis e seguros.

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Decolar.com




Apesar de nem sempre apresentar as tarifas mais vantajosas, o Decolar.com é a maior agência de viagem da América Latina, por isso ele pode oferecer um leque maior de opções para quem planeja viagens nacionais, ou aos países vizinhos. O diferencial do site é a oferta de um financiamento próprio, que permite parcelar estadias em até 12 vezes, mesmo que essa opção não seja oferecida pelos próprios hotéis. Já no caso de reservas de passagens, carros e cruzeiros, as condições de pagamento são as mesmas oferecidas na reserva feita diretamente com a empresa.

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MyTravelCost



O MyTravelCost é administrado por um time de economistas com mais de 20 anos de experiência em coleta de dados e análises internacionais. Com base em agências de estatísticas oficiais e fontes próprias de diferentes países e cidades, o site oferece informações sobre diversos tipos de gastos, com roupas, entretenimento, acomodação, etc. E o melhor, os custos podem ser comparados entre dois países, o que permite ao usuário verificar, por exemplo, que no Brasil o custo das bebidas é 5% maior que na Argentina ou que os hotéis e restaurantes dos EUA são 47% mais caros que os do Brasil [será?!]. O site mostra também os preços de combustíveis atualizados em diferentes países. 

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Airbnb




O Airbnb funciona como um Mercado Livre das acomodações. Você pode anunciar sua casa -- ou um dos cômodos -- para alugar e pode fazer reservas em outras casas particulares em qualquer lugar do mundo. As opções vão desde quartos em cavernas e barcos até castelos e ilhas em mais de 33 mil cidades e 192 países. O site é ideal para quem quer economizar na hospedagem: em uma rápida busca é possível encontrar, por exemplo, diversas opções de quartos por menos de 50 reais a diária em Berlim, Londres ou Paris. Vale ressaltar que para evitar furadas é importante ver as fotos e avaliações de hóspedes, assim como as dicas de segurança do site.

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Travel Pocket






O Travel Pocket é um aplicativo criado especificamente para registrar despesas de viagens. Ao incluir alguma compra no app, o sistema identifica sua localização e grava automaticamente o endereço e outros detalhes sobre o local. Assim, é possível pesquisar onde foi que você gastou aqueles 500 dólares em uma única refeição, ou lembrar em que lugar ficava aquele barzinho, que foi um achado, mas de que você nunca lembraria o nome. 



CarRentals

Como o nome sugere, o CarRentals é um site de comparação de tarifas de aluguel de carros. Apesar de diversas empresas possuírem seus próprios sites e aplicativos, o CarRentals congrega em uma única página os preços das principais locadoras, por vezes oferecendo tarifas até mais baratas do que diretamente no site das empresas, alem de destacar em sua página inicial algumas das melhores ofertas do mercado. 



[A autora da reportagem omitiu inexplicavelmente o Google Flights, lançado finalmente no Brasil e em português. Com ele é possível identificar os voos mais baratos para os destinos que você escolher. Com o o novo site do Google você tem acesso a, entre outras coisas, notificações de alterações de preços e opções de pesquisa avançada.



Veja abaixo quatro novidades do Google Flights que podem ajudá-lo a escolher seu destino:


1. Sistemas de busca avançada
Você tem R$ 700, um final de semana de folga e quer um voo sem paradas. Só não sabe pra onde ir. Não é mais problema: o Google Flitghs tem filtros de preços, datas e linhas aéreas. É simples, você marca sua situação e o Google lhe dá as opções - até de hotéis e passeios turísticos.
2. Função “Melhores Voos”
Depois de passar pelo filtro de buscas você já deve ter decidido qual seu destino. Mas ainda não sabe como ir. A opção “melhores voos” oferece uma larga quantidade de informações de voos, aeroportos, tempo de duração e preços. Você pode se programar pra viagens mais baratas fora de temporada.
3. Notificação de alteração de preços
O dólar aumentou de novo? Agora caiu? Você será notificado caso alguma alteração de preço aconteça. Além disso, você pode configurar a ferramenta para reservar passagens mais baratas.
4. Você pode simular viagens improváveis
Ir de São Paulo a Londres é tranquilo. Mas você pode simular voos improváveis no Google Flights. Por exemplo, um voo de Guarulhos só de ida até Naryan-Mar, na Rússia pode durar até 38h e custar pelo menos R$ 12.000, na classe econômica e mais de R$ 40.000 na primeira classe. #Partiu?]


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

São legais os bombardeios aos extremistas do Estado Islâmico?

[O artigo traduzido abaixo, de autoria de Marc Weller, foi publicado no site BBC Mundo. Marc Weller é professor de Direito Internacional na Universidade de Cambridge e diretor do Centro Lautperpacht para o Direito Internacional. É editor do Oxford University Press Handbook sobre o Uso da Força no Direito Internacional, que será publicado em novembro. Não podemos ficar alheios ao que ocorre no Oriente Médio, ali pode estar o estopim de uma nova guerra de proporções gigantescas. O texto é oportuno, porque Dilma NPS (Nosso Pinóquio de Saia) acaba de se pronunciar em Nova Iorque colocando o Brasil contra os bombardeios pelos EUA e outros na Síria. Pessoalmente, acho essa discussão como a do sexo dos anjos -- os EUA et caterva estão se lixando para o direito internacional quando se trata de defender seus interesses. Quanto à psicose do "diálogo" de Dilma NPS, gostaria de ver sua disposição para isso se marginais (= terroristas urbanos) atacassem sistematicamente sua casa e seus bens por dias ou meses seguidos.]



A ação militar dos países aliados poderia justificar-se sob o argumento de uma ação humanitária em caso extremo - (Foto: EPA/Fonte: BBC Mundo).

A série de ataques dos Estados Unidos e dos estados árabes aliados contra posições controladas pelo grupo radical autodenominado Estado Islâmico (EI) na Síria e no Iraque levantou uma série de questionamentos sobre a legalidade de tais ações, à luz do direito internacional.

A avaliação legal difere quando se trata das operações contra o EI no Iraque e as realizadas na Síria.

O governo do Iraque convidou as forças internacionais a se unirem a ele na luta contra o EI. Em consequência disso, enquanto a campanha militar se mantiver em território iraquiano pode que não seja necessário guiar-se pelo direito internacional de autodefesa coletiva. No exercício de seus direitos constitucionais, o governo do Iraque pode empregar a força militar internamente para derrotar um movimento armado que se impôs violentamente sobre uma parte importante de seu território. 

Também é certo que um governo perde seu direito de solicitar ajuda militar internacional na zona em que haja perdido controle sobre partes significativas de sua população e de seu território devido a um levantamento popular contra sua autoridade. Um governo sem o respaldo de seu próprio povo não tem direito a manter-se no poder graças a uma intervenção militar externa. Por exemplo, a solicitação no início do ano de intervenção de tropas russas feita pelo presidente da Ucrânia, Víctor Yanukovych não contou com sustento legal porquanto se produziu depois que ele havia perdido o poder de representar o Estado após produzir-se a insurreição contra seu mandato.

Do mesmo modo, o Ocidente criticou Moscou pelo contínuo envio de suprimentos ao presidente da Síria, Bashar al Assad, durante o conflito atual com a oposição armada. 

O Irã recebeu também condenações do Ocidente, pelo envio de forças armadas que tiveram um papel central na alteração do equilíbrio militar a favor do governo de Damasco. 

Isso é muito diferente do que ocorre no Iraque. O EI é um movimento sectário que se impôs sobre uma parte de um Estado através de uma campanha militar. Se tem dito que ele mantém controle sobre populações por meio do terror, de deslocamentos forçados e de assassinatos. O EI é acusado de privar os habitantes das áreas que controla dos direitos humanos consagrados internacional e constitucionalmente. 

O governo do Iraque foi recentemente reconstituído, e um de seus objetivos declarados é o de assegurar representação a todos os setores da sociedade (sunitas, xiitas e curdos). Sua legitimidade não foi posta em dúvida pelo êxito militar do EI. O novo governo está obrigado a tentar preservar a promessa constitucional de garantir os direitos humanos e defender a população frente ao EI. Portanto, pode receber qualquer tipo de apoio internacional que solicitar. Conquanto o governo de Bagdá o aprove, essa assistência pode dirigir-se também às forças peshmerga curdas no norte do Iraque, que têm desempenhado um papel chave na campanha contra o EI até o momento.

Autodefesa?

A situação das operações internacionais contra o EI na Síria é mais complexa. O governo sírio não deu consentimento formal a esse tipo de operações e, se chegasse a fazê-lo, sua boa-fé pode ser questionada. Em câmbio, o presidente Assad -- apoiado pela Rússia -- assegurou que tais ações constituem uma flagrante violação ao direito internacional.

Enquanto muitos estados, incluindo o Reino Unido, consideram a opositora Coalizão Nacional como a "legítima representação do povo sírio", esses estados ainda não a reconheceram como sendo o governo sírio. A coalizão não teria autoridade para consentir a realização de operações militares estrangeiras em solo sírio. Um argumento de maior êxito pode ser relacionar qualquer ação na Síria com o objetivo principal de apoiar o governo de Bagdá na sua campanha para liberar seu próprio território. 

O antecedente da Nicarágua

Se tem dito que não é possível derrotar o EI no Iraque a menos que se ataque a infraestrutura que suporta sua ocupação do território iraquiano, que se encontra assentada em ambos os lados da fronteira. 

De acordo com o estabelecido pela Corte Internacional de Justiça no caso da Nicarágua de 1986, no qual os Estados Unidos foram considerados culpados de violar a lei internacional ao apoiarem os rebeldes armados dos Contras, o argumento da autodefesa só pode ser invocado pelo Iraque contra a Síria se o Estado Islâmico atuar como um agente direto de Damasco e sob seu controle operativo. Mas, esse não é o caso. Na realidade, o governo sírio perdeu todo o controle sobre as zonas de seu país que estão em mãos do EI. Ainda mais, até há não muito tempo, não havia feito tentativas para desalojá-lo, deixando essa tarefa por conta dos grupos armados da oposição.

Damasco é abertamente incapaz ou não está disposta a delegar sua obrigação de prevenir as operações do EI contra o Iraque a partir de seu próprio território. Mas, este fato não implica que o Iraque deva assumir o custo dessa inação na hora de conter o EI em seu solo. Sob a doutrina da autodefesa, a zona de operações da campanha para derrotar o EI no Iraque pode ser estendida para cobrir partes da Síria fora do controle do governo sírio. 

Uma segunda linha de argumentação pode vincular-se a um chamado à autodefesa feito pelas próprias nações intervenientes. Os EUA e o Reino Unido podem argumentar que o EI representa uma ameaça à sua própria segurança. Entretanto, de acordo com o Artigo 51 do Capítulo das Nações Unidas a autodefesa só se aplica a ataques atuais ou iminentes e não a agressões possíveis ou potenciais.

O 11 de setembro

Com base nos eventos de 11 de setembro de 2001 e da perda de vivas e da destruição que originaram, houve a aceitação de que a ação de um grupo beligerante -- não necessariamente um estado -- pode ser considerada como um "ataque armado", segundo a definição do  Artigo 51.

Os EUA invocaram a autodefesa com relação às suas próprias forças baseadas em Erbil, no Iraque, quando elas foram ameaçadas por um avanço do EI. 

Entretanto, não há esse tipo de força em desdobramento na Síria.



As perdas de vidas e materiais durante os atentados de 11 de setembro alteraram a noção de autodefesa - (Foto: Getty/Fonte: BBC Mundo).

Seria mais difícil assinalar o risco de um ato terrorista específico ou iminente contra os EUA ou o Reino Unido proveniente do EI na Síria.

Os assassinatos recentes de reféns ocidentais provocam indignação, e as ações de resgate voltadas para sua libertação são claramente legais. Não obstante, uma agressão a indivíduos capturados, apesar do horrenda que possa ser, não é considerada legalmente um ataque armado contra seu países de origem e não justifica invocar o direito de autodefesa. 

Pode-se discutir que o EI representa uma clara ameaça de terrorismo, dadas a virulência de sua ideologia antiocidental e sua capacidade de planejar operações a partir dos territórios que ocupa. Essa visão forçaria a adoção do conceito tradicional de autodefesa.

No entanto, na reunião de cúpula de 5 de setembro em Gales a Otan -- uma aliança para operações defensivas emoldurada no Artigo 51 -- declarou com referência ao EI que "se a segurança de algum dos aliados se vir ameaçada não duvidaremos em tomar todos os passos necessários para assegurar nossa autodefesa coletiva". 

Entretanto, o argumento da autodefesa pode ser fortalecido pela cooperação de nações chaves na região para operações contra a Síria. Jordânia, outro vizinho imediato, denunciou incidentes que envolvem o EI em sua fronteira, e reivindica seu direito a assegurar sua própria segurança.  Apesar disso, no sentido mais restrito, o direito à autodefesa se limita ao que faça falta para frear um ataque armado em curso ou iminente do EI contra seus vizinhos. Contudo, a Jordânia poderia ao menos assinalar a série de incursões e ataques [do EI] e teria que argumentar que essas ações só podem ser detidas se o EI for derrotado na Síria.  

Intervenção humanitária

Finalmente, é possível também fundamentar um chamado à ação devido às ações do EI na Síria. O governo sírio está obrigado a proteger sua população de crimes contra a humanidade cometidos em seu território. Inequivocamente, não está em condições de fazê-lo dado que perdeu o controle das áreas ocupadas pelo EI. 

É por isso que a ação internacional pode adaptar a doutrina de intervenção humanitária para libertar a população atemorizada pelo cerco do movimento extremista. A ação da força por motivos humanitários foi empregada em mais de 20 casos desde o fim da Guerra Fria.

Ações humanitárias unilaterais?

Cabe destacar que, na maioria dessas experiências, um mandato das Nações Unidas ofereceu uma justificativa jurídica para o que se fez. Vista a situação atual, na presente circunstância seria bastante provável um veto da Rússia. 

As ações humanitárias unilaterais seguem sendo debatidas entre nações e acadêmicos. Entretanto, a prioridade dos direitos das pessoas sobre doutrinas abstratas de soberania torna possível justificar-se uma ação em circunstâncias extremas de necessidade humana. Neste momento, apesar da série de severas violações de direitos humanos, não está totalmente claro se se chegou a esse ponto. 

A situação da população local

Relatórios sobre um preocupante aumento de refugiados chegando à Turquia e outros países vizinhos, provenientes de áreas controladas pelo EI, sugerem que possa apresentar-se um caso de extrema necessidade humanitária nas próximas semanas. Em todo caso, atingido esse ponto estaria em discussão a motivação dos estados interventores. 

Pareceria que o interesse atual dessas nações se fundamenta mais na segurança regional e em sua própria segurança, frente a ameaças do EI, do que em aliviar o sofrimento da população local. Tampouco está claro quem ocuparia o lugar do EI se este grupo for forçado a sair do território sírio: seria o governo, a oposição ou inclusive uma força internacional por um curto período?

Tal como foi o caso com o mandato da ONU para proteger a população líbia da carnificina desatada por Muamar Gadafi em 2011, o tema se veria mesclado com a crescente campanha "por uma mudança de regime" na Síria. 

Em resumo, sem formar uma aliança incômoda com o governo Assad, o argumento mais sólido para respaldar uma ação contra o EI na Síria é fazê-la complementar à atual campanha no Iraque. Isso poderia estender-se a outras nações afetadas, como a Jordânia. 

Perigo de extermínio



A doutrina não está clara em casos como o do EI - (Foto: AP/Fonte: BBC Mundo).

O teatro de operações pode estender-se a outras partes da Síria, tanto quanto seja estritamente necessário para concluir a campanha com êxito. A autodefesa por parte das nações que intervierem irá exigir uma definição mais ampla do que é uma ameaça iminente de operações terroristas originárias do EI na Síria, e de maiores ataques contra eles. 

Como alternativa, podem ser empreendidas ações em representação do povo sírio que se encontra em poder do EI, sempre e quando essas pessoas estejam em perigo iminente de extermínio ou de serem deslocados em massa pela força. Seria possível também uma ação se se produzir uma violação de seus direitos humanos mais fundamentais de maneira clara e contínua, conformando um crime maciço contra a humanidade.

No entanto, seria difícil que uma ação por motivos humanitários  ficasse limitada àquelas zonas sob o controle do EI. Seria necessária então uma alternativa de maior envergadura para garantir a solução do conflito na Síria.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Embraer venderá 60 jatos à China, um negócio de quase US$ 3 bilhões

[A notícia abaixo é da agência Reuters e foi publicada hoje.]

A Embraer venderá 60 jatos comerciais do modelo E-190 para duas companhias chinesas, em acordos que podem chegar a um valor total de 2,86 bilhões de dólares, segundo preços de tabela das aeronaves.

A notícia foi antecipada pela Reuters mais cedo, o que fez as ações da fabricante brasileira inverterem queda. Às 11h35, os papéis da Embraer subiam 1,78 por cento, enquanto o Ibovespa recuava 0,5 por cento.


Os acordos, envolvendo 40 aviões E190 para a companhia aérea Tianjin Airlines e mais 20 E190 para o Banco Industrial e Comercial da China, serão assinados no fim da manhã desta quinta-feira, após um encontro entre a presidente Dilma Rousseff e o presidente chinês, Xi Jinping. O E190 tem preço de lista de 47,7 milhões de dólares.


O anúncio representa o terceiro grande divulgado em apenas uma semana envolvendo a fabricante brasileira. Na terça-feira, a Embraer informou ter assinado uma carta de intenções com a companhia aérea brasileira Azul sobre encomenda de até 50 jatos E195 de segunda geração, num valor de até 3,1 bilhões de dólares, a preços de lista.


O anúncio representa o terceiro grande divulgado em apenas uma semana envolvendo a fabricante brasileira. Na terça-feira, a Embraer informou ter assinado uma carta de intenções com a companhia aérea brasileira Azul sobre encomenda de até 50 jatos E195 de segunda geração, num valor de até 3,1 bilhões de dólares, a preços de lista.


Além disso, os acordos com os grupos chineses deverão ser mais um impulso para a carteira de pedidos firmes da Embraer, que no fim do segundo trimestre somava 18,1 bilhões de dólares.


O total de aviões envolvidos no acordo com as empresas chinesas é maior do que o afirmado inicialmente pelo assessor de assuntos Internacionais da presidente Dilma, Marco Aurélio Garcia, que afirmou na segunda-feira que totalizariam 25 jatos.


A Embraer tem buscado expandir suas operações de fabricação na China, mercado chave para a terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo.


Mas planos para a fábrica de jatos regionais em Harbin, voltada a e-Jets, não foram aprovados pelas autoridades chinesas uma vez que o país está investindo num concorrente para o mesmo tamanho de aeronave.






O jato E190 (98 a 114 assentos) que será vendido à China -- (Foto: Divulgação)



sábado, 12 de julho de 2014

Embraer fecha acordo com a sueca Saab para produzir caça para a Aeronáutica


A Embraer assinou um memorando de entendimento com a indústria sueca Saab, vencedora do projeto FX-2 para vender o novo caça ao Brasil, prevendo uma parceria no gerenciamento conjunto do projeto e da produção dos caças Gripen para a Aeronáutica. Segundo as empresas, a Embraer "terá um papel de liderança no desenvolvimento geral do programa e grande parte do trabalho de produção e entrega de ambas as versões (um e dois lugares) do Gripen NG para a FAB".

A Embraer vai coordenar as atividades de "desenvolvimento e produção no Brasil, em nome da Saab e vai participar no desenvolvimento de sistemas, integração, testes de voo, montagem final e entregas", diz a construtora sueca. 

A Embraer também vai atuar do projeto para desenvolver completametne a versão de dois lugares do Gripen NG (biplace). Não foi divulgado se esta versão será marítima, terá outras funções ou será apenas para treinamento. Uma futura parceria para atuação conjunta na promoção e comercialização global das duas versões ainda está em discussão pelas empresas.

Também não foi divulgado pelas empresas qual será a porcentagem de responsabilidade da Embraer na N da montagem da aeronave e nem se haverá contrapartida financeira de ambas as partes.

Em dezembro de 2013, a presidente Dilma Rousseff anunciou a Saab como vencedora de uma concorrência que se arrastava desde 1998 e das quais participavam também o Rafale, da francesa Dassault, e o F-18, da norte-americana Boeing. A proposta da Saab era considerada mais barata que a dos concorrentes (US$ 4,5 bilhões por 36 aviões), além do custo de hora de voo, que é inferior ao dos concorrentes (cerca de US$ 4 mil). As aeronaves só devem chegar ao Brasil a partir de 2018. Ver postagem anterior.

“Embraer e Saab têm uma longa tradição no mercado de defesa e agora vão trabalhar em conjunto para fornecer soluções de alta qualidade e preços acessíveis para a Força Aérea Brasileira e outros clientes do Gripen”, diz Jackson Schneider, presidente da Embraer Defesa e Segurança.

“Estamos felizes em anunciar essa parceria. Não apenas por podermos compartilhar a experiência que temos no mercado de defesa e aeronáutica, mas porque ambas as organizações têm dedicação clara para a satisfação do cliente. Vamos garantir um excelente resultado para a Força Aérea Brasileira e vamos estabelecer uma base sólida para o sucesso em oportunidades futuras de negócios e clientes”, diz o presidente da Saab, Håkan Buskhe.

Na foto abaixo, do Estadão, o caça sueco Gripen NG que está em fase de teste: Embraer fará novo modelo de um e dois lugares.


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