O deputado Henrique Eduardo Alves recebe do presidente do TST a comenda da Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho 2013.
A foto acima é inequivocamente um achincalhe, é a resposta de baixíssimo nível que um setor importante do nosso Judiciário dá às manifestações nas ruas, praças e janelas contra a corrupção e pela moralização na política. É a exaltação da mediocridade e do mau exemplo por um Tribunal Superior do nosso Judiciário. E, para ficar bem claro, não é o "presidente" da Câmara dos Deputados que está sendo agraciado, é o cidadão Fulano de Tal.
Por definição, "A Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho, instituída em 11 de novembro
de 1970, destina-se a agraciar personalidades civis e militares,
nacionais ou estrangeiras, que tenham se distinguido no exercício de
suas profissões e se constituído em exemplo para a coletividade, bem
como as pessoas que, de qualquer modo, hajam contribuído para o
engrandecimento do país, internamente ou no exterior". Há alguma possibilidade de que alguém com um mínimo de bom senso e de boa fé, residente no país, que possa e saiba ver, ouvir e ler, que consiga vislumbrar em Henrique Eduardo Alves algum resquício nanomicroscópico de "distinção" no exercício de sua profissão -- sim, porque a Câmara tem 513 profissionais do mandato regiamente pagos e protegidos, alguns com dezenas de anos no emprego -- e algum indício minimamente visível de que ele seja "um exemplo para a coletividade" e que "tenha contribuído para o engrandecimento do país"?!! Pelo visto, o presidente do TST é mais cego do que a própria Justiça que pelo menos nominalmente deve defender.
O agraciado com aquela faixa e esses encômios hiperbólicos é o mesmíssimo cidadão prevaricador que há apenas um mês abusou do cargo para, em avião da FAB, levar noiva e papagaio para ver a final da Copa das Confederações no Rio. O condecorado pelo TST é o mesmíssimo indivíduo que, novamente abusando do cargo, bancou com dinheiro da Câmara (R$ 28.400,00) um jantar para toda a bancada do PMDB (80 deputados) e mais o vice-presidente Michel Temer e dois ministros de Estado, todos do PMDB -- não por simples coincidência, o partido do engalanado. Por fim, mas nem de longe por último (em se tratando da figura em tela), o indivíduo da foto homenageado pelo presidente do TST é suspeito de destinar emendas
parlamentares ao Orçamento da União que beneficiaram uma empresa de um
ex-assessor. Também já foi condenado em primeira instância por
improbidade administrativa no Rio Grande do Norte [ver postagem anterior].
Depois do que está aí em cima, quem é que pode confiar no discernimento, na ponderação e no equilíbrio das decisões do TST?
