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domingo, 2 de dezembro de 2012

Brasil fica em penúltimo lugar em ranking global de educação (III)

[De meu dileto e caro amigo Amauri Menezes recebi o excelente comentário sobre o assunto que reproduzo a seguir. Ver as postagens anteriores, a primeira no dia 27 e a segunda no dia 29 do passado mês de novembro.]

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Broder,

Essa coisa toda sobre a educação me interessa de perto. Acredito piamente que todos os nossos males começam nessa falta de educação que o NPA (o apedeutaço) consagrou.

Quanto à última postagem sobre o assunto, ouso comentar:
1 A primeira tabela tem 20 países, enquanto a segunda tem 40, o que limita as minhas observações.
2 A análise através de média ± desvios-padrão está correta, mas seria mais perceptível (data venia) se a distribuição fosse simétrica. Como não é o caso, as áreas correspondentes aos ± desvios são muito diversas entre si.
3 Vejo melhor a realidade dos resultados quando grafo (ploto) os resultados, como abaixo, separando por quadrantes [clique na imagem para ampliá-la].



Nomenclatura:

crescimento
PIB
nota
PISA
país
sigla
3.0
545.57
Hong Kong
HK
0.5
543.49
Finland
FI
3.1
541.16
Singapore
SG
0.1
529.43
South Korea
KR
0.1
526.58
Japan
JP
0.3
524.06
Canada
CA
2.4
523.20
New Zealand
NZ
0.8
518.84
Australia
AU
0.6
518.82
Netherlands
NL
1.3
510.16
Germany
DE
4.2
501.12
Poland
PL
-0.5
500.10
United Kingdom
UK
-0.1
496.88
France
FR
-0.4
496.41
United States
US
0.7
495.60
Sweden
SE
3.0
468.50
Russia
RU
2.6
439.30
Chile
CL
0.3
419.89
Mexico
MX
3.1
400.99
Brazil
BR
5.7
395.72
Argentina
AR

Segundo a figura, os países podem ser visualmente grupados nos quadrantes:

1 baixo crescimento do PIB ou redução, mas com bom desempenho educacional.
2 crescimento do PIB de médio a alto, e com bom desempenho
3 baixo crescimento e baixo desempenho
4 e, o pior caso, elevado crescimento, mas desempenho ruim na educação.
Esse é o pior caso, na minha leitura, pois indica que a educação não tem prioridade alguma.

Vê-se ainda que a Argentina, tendo a pior nota e o crescimento máximo, está absolutamente se lixando para educação, seguida do Brasil.

Bem... trata-se aqui de uma elucubração mental!

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Brasil fica em penúltimo lugar em ranking global de educação (II)

Dado o interesse despertado pela postagem anterior, me parece oportuno e útil acrescentar alguns dados e informações do relatório em inglês que gerou a reportagem da Folha de S. Paulo.

O estudo realizado compõe o Banco de Dados da Curva de Aprendizado, criado pela Unidade de Inteligência da (The) Economist (EIU, em inglês) como parte do Programa Curva de Aprendizado (mais abrangente), é um esforço para fazer avançar os estudos sobre a correlação entre crescimento econômico e certos produtos da educação envolvendo o espectro da população, como é o caso das capacidades cognitivas (cognitive skills).Trata-se de uma expressiva coleta de dados para um fim específico, que inclui mais de 60 indicadores comparativos obtidos de mais de 50 países. A figura abaixo ilustra resumidamente a metodologia do estudo.

Estrutura dos Componentes Quantitativos - Entradas: Qualitativas (autonomia escolar, escolha da escola) - Quantitativas [gastos, idade inicial, relações alunos-professores, tempo na escola (em anos)] -- Saídas/Resultados: Capacidades cognitivas [PIRLS (*), TIMSS (**), PISA] -- Resultados educacionais (índices de graduação, alfabetização, emprego). Entre todas as etapas é feita  a Análise das conexões e correlações. O arcabouço tem como referência o ambiente socioeconomico (PIB per capita, distribuição de renda, inovação, produtividade de mão de obra, índices de criminalidade, produto de pesquisas). [(*) PIRLS = sigla inglesa para Estudo Internacional sobre o Progresso em Alfabetização para Leitura, em tradução livre. -- (**) TIMSS = sigla inglesa para Tendências no Estudo Internacional de Matemática e Ciência (em tradução livre).]

Note: The overall PISA score is an aggregate of the test scores in reading, mathematics and science literacy. It is calculated by the EIU, utilising OECD data.
Sources: Economist Intelligence Unit and OECD.

A tabela acima (clique na imagem para ampliá-la) correlaciona as notas dos países no PISA e o crescimento médio do PIB per capita, em percentual, entre 2007 e 2011. A nota global apresentada para o PISA é um agregado das notas de testes de leitura, matemática e ciência. PISA é a sigla inglesa para Programa para Avaliação Estudantil Internacional, um estudo internacional lançado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) para, a cada três anos, aquilatar sistemas de educação em escala mundial por meio da avaliação do desempenho de estudantes de 15 anos em matérias chaves: leitura, matemática e ciência. Até o momento, 70 países participaram desse estudo. 

A tabela acima permite algumas observações de interesse: - i) a correlação entre o PIB per capita e as notas do PISA está longe de ser linear. Observa-se, no caso do Brasil por exemplo, que o crescimento médio do PIB per capita de Hong Kong e do Brasil foi praticamente o mesmo, no entanto o PISA de Hong Kong foi 36% melhor que o nosso e os dois países ocupam os extremos da tabela (ver quadro seguinte): Hong Kong no primeiro lugar e nós no último. Isso significa, entre outras coisas, que a educação naquele país asiático é muito mais valorizada que no Brasil -- o descaso com a educação não é novidade para nós, principalmente na última década. - ii) apesar de apresentar um crescimento médio de PIB per capita 84% maior que o do Brasil, a Argentina teve (ver tabela acima) um PISA pior que o nosso -- outra comprovação da não linearidade entre PISA e PIB per capita (e vice-versa) -- mas, na classificação final, ficou quatro posições acima do Brasil (ver quadro abaixo) por estar mais próxima da média do grupo.


A tabela acima (clique na imagem para ampliá-la) apresenta a classificação final dos países, dividos estes em 5 grupos:

Grupo 1 - Pelo menos um desvio padrão ACIMA da média [o "z-score" ou "nota z", é a obtida da distribuição normal ou distribuição gaussiana utilizada no estudo]
Grupo 2 - Entre meio e um desvio padrão ACIMA da média
Grupo 3 - Dentro de meio desvio padrão ACIMA ou ABAIXO da média
Grupo 4 - Dentro de meio a um desvio padrão ABAIXO da média
Grupo 5 - Pelo menos um desvio padrão ABAIXO da média 

A tabela acima evidencia quantitativamente o péssimo desempenho do Brasil na educação. É preciso lembrar sempre que, em um de seus primeiros atos de governo, nossa sempre sorridente e bem-humorada ex-guerrilheira cortou R$ 3,1 bilhões do Ministério da Educação, mostrando seu baixo apreço por essa atividade de transcendental importância para o país.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O fosso entre ricos e pobres alcança seu nível mais alto em 30 anos

A desigualdade cresceu nos países da OCDE, que reúne as grandes economias e as potências emergentes, até alcançar o nível mais alto em 30 anos. A renda média dos 10% mais ricos da população é nove vezes maior que a receita média dos 10% mais pobres, informa a OCDE em seu relatório que acaba de ser publicado.

A brecha entre ricos e pobres cresceu inclusive em países tradicionalmente igualitários, como Alemanha, Dinamarca e Suécia, de 5 vezes para uma em 1980 para 6 vezes para uma na atualidade. Essa desigualdade é maior, de 10 para 1, na Itália, no Japão, na Coréia e no Reino Unido, enquanto que em Israel, Turquia e Estados Unidos chega a 14 para 1. Ganha o prêmio o agora tão admirado Brasil, com uma diferença de 50 para 1, ainda que a diferença tenha sido diminuída na última década. Os dados do relatório [da OCDE] vão até 2008, não refletindo portanto o  impacto da crise econômica mundial.

A Espanha, com uma desigualdade de 11 para 1, está melhor que EUA, Portugal, e Reino Unido, mas pior que Alemanha e França. A desigualdade diminuiu desde meados dos anos 80, se se olham os dados até 2008, ainda que, se se analisam os dados até 2010, as cifras da Eurostat [a agência de estatísticas da Comissão Europeia] mostram como a desigualdade disparou entre os espanhois.

"O contrato social está começando a se desfazer em muitos países. Esse estudo faz desaparecer a suposição de que os benefícios do crescimento econômico goterão automaticamente para os desfavorecidos e que a maior desigualdade estimula a mobilidade social.  Sem uma estratégia para o crescimento inclusivo [de inclusão], a desigualdade continuará crescendo", alertou nesta manhã Angel Gurría, o secretário-geral da OCDE, ao apresentar o relatório em Paris.

A crescente desigualdade entre os salários foi o que disparou a brecha social, devido, por um lado, a que o benefício foi melhorando para os mais qualificados e piorando para os empregados de menor qualificação, e,por outro lado, pela proliferação de trabalhos de tempo parcial ou de jornadas flexíveis, segundo a OCDE. Além disso, os impostos que servem para reduzir essas desigualdades tornaram-se menos eficientes na redistribuição de renda desde meados dos anos 90.

Outro fator foi o corte nos impostos dos que ganham mais, diz a OCDE.

"Não há nada inevitável entre essas altas e crescentes desigualdades", disse Gurría. "O relatório", sustém ele, "indica que a melhoria na formação dos empregados é de longe o melhor instrumento para conter a crescente brecha entre pobres e ricos".  Mas, a OCDE também pede aos governos "que revisem seu sistema fiscal, para assegurar que os mais ricos contribuam em justa medida para o pagamento de impostos".