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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Infosys, a empresa indiana de sucesso no mundo implacavelmente competitivo da TI

[O texto abaixo é da autoria de Daniel Gross e foi publicado em 19/2 na sua coluna no site da Newsweek.]

Na política, terceirização é uma palavra tendenciosa. Mas, nos negócios, é uma atividade vital, uma enorme fonte de lucros. Ninguém sabe disso melhor que S.D. Shibulal, cofundador e atual CEO da Infosys Limited. Iniciada em 1981 com 7 empregados e modestos US$ 250, a Infosys tem hoje uma receita anual de US$ 7,23 bilhões, um valor de mercado de US$ 30 bi, e 155.000 empregados em 12 países [incluindo o Brasil, onde abriu sua filial Infosys Tecnologia do Brasil Ltda em 2009]. Ela percorreu um longo caminho, desde centrais de atendimento (call centers) e serviços de apoio (help desks), até tornar-se a consultora externa em TI e comércio virtual (e-commerce) das principais corporações do mundo. "As dimensões de valor são muito mais complexas hoje em dia", me diz Shibulal em uma sala sossegada no Fórum Econômico Mundial no mês passado em Davos, Suiça.

O início da terceirização surgiu quando empresas americanas contrataram, com salários muito menores, pessoas no exterior para executar serviços de apoio extremamente monótonos e nada criativos. Esse trabalho responde ainda por 60% do negócio da Infosys, mas a empresa prefere ser considerada como uma consultora de ponta, como a McKinsey, e não uma substituta barata para o departamento de TI. Um terço da receita da empresa vem de "consultoria e inovação de sistemas", diz Shibulal, um homem de um falar extremamente suave.  Outros 6% vêm de "produtos e plataforma" -- por exemplo, um novo posto de venda de celulares para a Nordstrom. Em 2012, a Infosys desembolsou US$ 350 milhões para comprar a Lodestone, uma empresa europeia de gerenciamento.

Nascido exatos oito anos após a independência da Índia [que se deu em 1947], Shibulal tem dirigido o sucesso da Infosys para tornar-se o 77° homem mais rico da Índia (patrimônio líquido: US$ 770 milhões). Os sucessos dos ricos globais da Índia dividem manchetes com notícias desagradáveis de corrupção política, problemas sociais e uma pobreza profundamente arraigada. "Todos os países emergentes são países de contradições. A Índia não é diferente", diz ele, e então despeja estatísticas que fariam Tom Friedman babar. "A Índia produz um milhão de engenheiros que dominam o inglês [barbaridade, tchê!], mas temos 14 milhões de crianças que não estão na escola [cerca de 1,2% da população do país, para uma população total de 1,2 bi -- o Brasil, até agosto de 2012 segundo relatório da Unicef, tinha 1.419.981 crianças de 4 a 5 anos que não estavam matriculadas no sistema de ensino, o que dá cerca de 0,7% numa população de 192 milhões].  Temos 70% de nossos serviços de saúde nas cidades, mas 70% da nossa população vivem em áreas rurais".

Shibulal mora em Boston e Bangalore, mas vive "num avião" e seus olhos cansados demonstram isso. É previsivelmente otimista sobre o futuro da Índia. "Quando cresci, tínhamos 30 milhões de pessoas na classe média -- hoje, esse número é de 350 milhões", diz ele. A Índia se provou adepta de "inovações frugais" que garantem, a preços muito menores, acesso a bens com os quais os consumidores dos países desenvolvidos estão acostumados sem dar-lhes o devido valor. Shibulal cita o Tata Nano, um microcarro vendido a US$ 3.000, e uma máquina que pode tirar eletrocardiogramas por um dólar. Empresas americanas, ele comenta, podem prosperar na  Índia simplesmente fabricando um refrigerador menor e mais barato. "Ainda assim, não há energia elétrica para ele", diz ele. "O problema é criar um regrigerador novo, capaz de manter-se frio mesmo que a energia falte durante duas horas". 

Quando lhe pergunto o que faz a Infosys para garantir que consiga operar com padrões globais dentro da Índia, os olhos de Shibulal se iluminam. "Você perguntou, então não consigo resistir". Pegou um tablet e mostrou um giro aéreo sobre um campus de 400 acres [cerca de 1,6 milhão de ] em Mysore, a cerca de 145 km a sudoeste de Bangalore. É do tamanho de uma universidade: 93.000 de salas de aula, um centro de desenvolvimento de software que pode abrigar 10.000 pessoas, e edifícios residenciais que alojam 14.000 empregados (nos telhados dos prédios lê-se do alto INFOSYS) [isso é de cair o queixo -- é iniciativa de uma única empresa! Pobre Brasil!]. "Você quer ver nossas instalações para coletar água de chuva?", ele pergunta, focalizando um enorme reservatório. "É um local de descarga zero. Cada gota d'água que captamos nós a bombeamos de volta para o meio ambiente". O campus tem uma praça de alimentação, um restaurante, um cinema, e um campo de cricket.

Aquilo podia ser uma instalação no Vale do Silício, ou na suburbana Cincinatti. Na realidade, o terceirizador indiano está hoje contratando pessoas nos EUA -- 400 delas no último trimestre. "Os EUA são quem mais gasta na nossa área, e trabalhamos com muitas grandes corporações localizadas lá. Sendo assim, fazemos recrutamento no mercado local", diz Shibulal. Entretanto, ele -- que tem mestrado pela Universidade de Boston e passou cinco anos na Sun Microsystems -- lamenta a escassez de engenheiros e operários de tecnologia nos EUA [imagine o perrengue que a Infosys brasileira deve passar quanto a esses tipos de mão de obra no país!]. "Na nossa indústria, nos EUA, o desemprego é de 3,5%", diz ele. "Ainda assim, enquanto estamos recrutando pessoas em grandes números nos EUA, temos tido dificuldade para encontrar mão de obra mesmo com o desemprego existente". 

S.D. Shibulal, CEO da infosys - (Foto: Adeel Halim/Bloomberg, via Getty). 


sábado, 20 de outubro de 2012

GFT escolhe Brasil para desenvolver sistemas

Marika Lulay, executiva-chefe de operações da alemã GFT, reconhece que os primeiros passos da empresa no Brasil foram marcados pelo receio de que haveria uma enorme distância entre a cultura de negócios europeia e as particularidades do mercado local. O ano era 2005 e a companhia de serviços de tecnologia da informação para o setor financeiro havia fechado - com o Bradesco - o seu primeiro contrato no país. Bem calculado, o movimento seguia a estratégia de expansão internacional da GFT.

Decorridos sete anos desse primeiro contato com o mercado brasileiro, as impressões de Marika são completamente diferentes. "Hoje, costumamos dizer na GFT que combinamos a disciplina alemã com a paixão e a criatividade latina", disse a executiva. Mais do que uma boa mescla de culturas, essa visão começa a render iniciativas que estreitam os laços da GFT com o Brasil. A empresa acaba de investir em um centro local de desenvolvimento de software, voltado especificamente à criação de sistemas nas áreas de cartões e meios de pagamento. O valor do investimento não foi revelado. A unidade já está em operação em Sorocaba (SP), onde a companhia desenvolvia alguns projetos sob medida para clientes.

A nova estrutura irá desenvolver sistemas voltados ao mercado brasileiro. Em médio prazo, a ideia é exportar as tecnologias criadas para outras operações da GFT, disse Marika. O projeto reforça a abordagem da companhia em descentralizar suas atividades de pesquisa e desenvolvimento. Na área de cartões e meios de pagamento, a GFT conta com outros três centros de desenvolvimento, localizados na Alemanha, Espanha e Inglaterra. Dentro desse modelo, os laboratórios reúnem poucos profissionais, com alto nível de especialização. No Brasil, a equipe inicial conta com 20 especialistas.

A distribuição das atividades de pesquisa e desenvolvimento em vários países é uma tendência que tem ganhado força no setor de TI. Nesse contexto, o Brasil vem pouco a pouco conquistando relevância ao atrair projetos internacionais, por diferentes motivos.

Na GFT, a escolha do Brasil para a instalação do novo centro levou em conta dois fatores: o conhecimento do país em tecnologias para o mercado financeiro e a receptividade do mercado local. Esse último aspecto, segundo Marika, é essencial para a GFT, pois os projetos de desenvolvimento são realizados em um modelo de coinvestimento com os clientes. "Enquanto nossos clientes europeus estão mais presos às questões regulatórias, os bancos brasileiros têm mais 'apetite' por novas tecnologias e estão mais dispostos a pular para a nova geração", disse.

O centro brasileiro será focado em duas vertentes. A primeira delas será a criação de aplicações para que bancos e operadoras de cartões estendam seu relacionamento com clientes aos dispositivos móveis e a ambientes como as redes sociais. Em outra frente, os projetos serão direcionados ao desenvolvimento de uma base comum a todos os softwares usados nas operações das empresas do setor. A ideia é oferecer meios para que essas companhias consigam aumentar a eficiência no lançamento de produtos e ampliar o volume de processamento de transações.  "Temos uma expectativa de crescimento de 25% para essa área de cartões e meios de pagamento em 2013 no Brasil", disse Marco Santos, diretor-geral da GFT no país. Para o executivo, apesar do foco específico, os sistemas podem ser adaptados para atender a outras demandas do mercado brasileiro.

Além do aumento de projetos dos bancos brasileiros, Santos destacou que o volume de negócios da GFT no Brasil tem crescido sob o impulso do crescimento local das operações de bancos internacionais.  Ao lado dos Estados Unidos, o Brasil tem sido um dos principais motores de crescimento da GFT, afirmou Marika. A empresa fechou 2011 com uma receita global de € 272,3 milhões em 2011, alta de 10% sobre 2010. Diante das perspectivas no país e da maior receptividade para novas ofertas, a executiva acrescentou que o plano é dobrar o número atual de 170 profissionais da empresa no Brasil, no prazo de dois anos.

Marika Lulay, executiva-chefe de operações da GFT: clientes brasileiros têm mais 'apetite' por novas tecnologias - (Foto: Valor Econômico).