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sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Está farto das redes sociais? Você não é o único

[Algo aparentemente impensável mostra indícios de estar começando a acontecer: as pessoas estão ficando cansadas das redes sociais. Traduzo a seguir reportagem de Jackeline Beltrán, publicada no jornal espanhol El Mundo. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]

(Arte: Riki Blanco)

Pela primeira vez desde seu aparecimento, cai seu uso. Já ficamos entediados com  fotos de pés e discussões com desconhecidos?

As redes sociais perderam seu encanto, e isto não é um exagero. Seu consumo caiu pela primeira vez, depois de dez anos de um crescimento enorme.

Para começar, um dado: em 2015, os espanhóis gastaram nove minutos menos por semana nas principais redes sociais, em comparação com 2014. Em um mercado que se alimenta, em grande parte, do tempo que lhe dedicamos, essa diminuição marca um ponto de inflexão em uma forma até agora hipnótica de consumo. Algo ocorre com nossa vida social virtual e nos Estados Unidos já lhe deram um nome: social media fatigue (fadiga social).Em espanhol:  as redes começam a nos cansar. Pelo menos, tal e como as conhecemos.

O Facebook continua reinando, mas não escapa da queda. Cada semana, os espanhóis lhe dedicam uma média de 4 horas e 23 minutos. Isto já é 8 minutos menos do que em 2014, segundo um estudo anual de redes sociais do IAB Spain, a  associação que representa o setor de publicidade em redes sociais.

Ainda que pareça pouco, se multiplicarmos isso pelos 15 milhões de usuários que há no país, a plataforma de Mark Zuckerberg está perdendo dois milhões de horas a cada semana. E na Internet, tempo é sinônimo de receita. A queda do Twitter é bastante mais notória: cai 37 minutos e fica com 2 horas e 32 minutos por semana. 

A que se deve essa queda? "A intensidade  com que se usavam as redes em seus inícios foi controlada", conclui o relatório do VII Observatório de Redes Sociais elaborado por The Cocktail Analysis y Arena em dezembro de 2015. Isto é, já superamos a emoção da primeira vez. 

"Os usuários já não dão às redes um papel central em suas vidas, ainda que um em cada quatro as reconheça como imprescindíveis", explica Felipe Romero, CEO de The Cocktail Analysis. Algo semelhante ocorre em nível global. O uso do Facebook, que já supera o 1,6 bilhão de usuários, caiu 8% em nove países (Alemanha, Austrália, Brasil, Espanha, Estados Unidos, Índia, Reino Unido e África do Sul), segundo uma análise que o medidor de tráfego SimilarWeb fez em dispositivos Android. 

Há duas razões que explicam essa tendência: "Primeiro, o social puro está esfriando", assinala Romero. Isto significa dizer que converter o muro em nosso diário pessoal, bisbilhotar perfis alheios, compartilhar fotos da última festa ou ampliar o número de amigos virtuais já não agrada  como antes. 

As redes sociais estão evoluindo. Os jovens preferem os serviços de mensagens instantâneas instantâneas do que as ferramentas tradicionais. 


O relatório do Observatório mostra um perfil de um tipo de usuário que é cada vez mais comum: o que se sente saturado de navegar entre  grandes quantidades de fotos, retuítes, memes, discussões próprias e alheias ... e começa a usar essas plataformas como ferramentas mais  funcionais do que sociais. Há outros que simplesmente as abandonam. Segundo a pesquisa, 10% dos espanhóis se obrigam a não entrar em seus perfis para deixar o hábito.

Por isso é mais comum a busca por espaços de desconexão, como as zonas livres de wifi -- que nos empurram para aquele costume quase esquecido de nos falarmos entre nós. Há iniciativas, como a 99 dias sem Facebook, uma experiência de uma agência de comunicação holandesa que convida os usuários a se absterem da rede social para ver se seu estado de espírito melhora, e cruzadas antirredes de figuras influentes que se rebelaram contra a ditadura do Like (curtir). 

"Não medi bem meu tempo, me conectava muito e isso acabou condicionando meu trabalho, tanto que o uso do Twitter chegou a pesar sobre a atenção que  dedicava ao correio eletrônico", conta o diretor artístico do Museu Thyssen-Bornemisza, Guillermo Solana, que encerrou sua conta em setembro passado, depois de três anos de uso. 

Esse não foi o único motivo, foi também o ambiente de "ruído e hostilidade" que começou a perceber: "Às vezes, usar o Twitter é como organizar uma luta num bar, há um tom de discussão constante e isso me cansou". 

Dissemos antes que havia dois motivos que explicam o cansaço provocado pelas redes sociais. Aqui vai o  segundo: elas estão evoluindo, e nós com elas. Das mais populares, a maior (Facebook) tem 12 anos e a menor (Snapchat), cinco. A  primeira é o muro público por excelência, o que guarda cada detalhe da nossa vida. A segunda, ao contrário, é tão reservada que alguns ainda não a entenderam por completo. 

"A evolução das redes sociais tem sido muito rápida, e como sociedade mal estamos aprendendo a usá-las. É um comportamento lógico que alguém necessite se desconectar por um tempo, se abusou de algo", analisa Enrique Dans, professor da IE Business School. Que destaca algo mais: a fadiga social também atinge os jovens, e em grande escala. 

"Os jovens vêem que o Facebook se estendeu tanto, que neles já estão não apenasseuspais mas também seus avós. Não encerram suas contas, mas continuam usando-as apenas para cumprimentos por aniversários ou para ver alguma foto", explica Dans. Em seu lugar, há uma preferência pelos serviços de mensagens instantâneas e mais privativos, como WhatsApp, Telegram e Snapchat, aplicativos criados especificamente para as telas dos celulares.

Os dados confirmam essa tendência: o WhatsApp é o preferido dos internautas espanhóis, acima das redes sociais consideradas puras. Depois de crescer em bom ritmo, estas pisaram no freio -- na Espanha, entre 2008 e 2012 sua penetração passou de 45% para 92%, e daí em 2015 baixou para 89%.

Em 2014, "ver o que fazem meus contatos" era a atividade favorita dos usuários espanhóis, e enviar mensagens ocupava o segundo lugar. Hoje é o contrário: sobe a troca de mensagens, seguida de ver vídeos e ouvir música, e cai o interesse em bisbilhotar os outros. Por isso, se esses usuários para fazer isso tivessem que usar exclusivamente o computador, "se perderiam, se frustariam, porque ficaram condicionados pelo vídeo e pelo celular", argumenta Romero.

Zuckerberg já percebeu isso. O Facebook comprou o WhatsApp e o Instagram (o Snapchat resistiu e recusou a oferta de US$ 3 bilhões que ele lhe fez) e há pouco se atualizou para para dar prioridade às publicações de amigos e familiares sobre outros conteúdos. E o fez com esta mensagem: "Em 2006, quando lançamos nosso News Feed, era difícil imaginar o desafio que enfrentamos agora: demasiada informação para que uma pessoa apenas possa consumí-la". 

Sim, o excesso afeta também o gigante. Porque até a vida social (virtual) em grandes quantidades pode cair-nos mal.

[A reportagem acima, do El Mundo, tem praticamente o mesmo título de um artigo de 08 de junho deste ano ("Do you suffer from Social media fatigue? You are not alone") publicado no site Foursys.  

Esse tema da "fadiga social" mencionado acima já foi abordado pelo Globo em agosto de 2011 ("Usuários de Facebook, Twitter e Orkut estão ficando cansados das redes sociais, diz Gartner" -- a Gartner é uma empresa de consultoria fundada em 1979 por Gideon Gartner, que desenvolve tecnologias relacionadas à introspecção necessária para seus clientes tomarem suas decisões). 

Uma pesquisa realizada pela Gartner com usuários de redes sociais como Twitter, Facebook e Orkut afirmava que, na época, "havia sinais de maturidade no mercado" e havia grupos de internautas que estavam mostrando uma espécie de "fadiga das mídias sociais". Um levantamento sobre uso, frequência de acessos e opiniões dos usuários, com objetivo de analisar tendências, feito com 6.295 pessoas com idade entre 13 e 74 anos, em 11 mercados desenvolvidos e em desenvolvimento entre dezembro de 2010 e janeiro de 2011, mostrou que parte significativa dos entrevistados dizia estar usando menos as redes sociais. 

A pesquisa ouviu 581 pessoas no Brasil, um dos países onde mais usuários foram entrevistados. E de acordo com análise da BBC, o Orkut, rede social da Google, ainda era o líder em usuários, seguido pelo You Tube -- que apresenta também funções sociais -- e pelo Facebook.

Em 6 de junho deste ano, o site CNBC publicou o artigo "As pessoas estão gastando muito menos tempo com aplicativos de mídias sociais: Relatório" ("People are spending much less time on social media apps: Report"). O relatório refere-se também ao estudo feito com usuários de Android, comparando o tempo gasto por eles com Facebook, Instagram, Twitter e Snapchat de de janeiro a março de 2016 relativamente ao mesmo período de 2015. São do relatório os seguintes gráficos (Q1 = primeiro trimestre), que mostram o tempo médio (em minutos, eixo das ordenadas) gasto com os aplicativos Instagram, Twitter, Snapchat e Facebook:






Me parece que, apesar da queda em sua utilização, as redes sociais continuarão ainda por longo tempo exercendo muita atração sobre muita gente e permanecerão sendo uma enorme fonte de receitas para os aplicativos que as dominam. Como esse setor da Tecnologia da Informação é extremamente dinâmico, de uma hora para outra podem surgir novidades e/ou aperfeiçoamentos que podem fazer essas redes ganharem novo impulso.]

sábado, 27 de agosto de 2016

Balão de gás leva internet até áreas remotas na Amazônia

Ver postagem anterior.

Balão de gás leva internet até áreas remotas na Amazônia


Com informações do MCTIC -  

Internet com energia solar

Por meio de um balão de gás hélio, pesquisadores do Instituto Mamirauá terminaram a fase de testes de um equipamento que promete levar, de forma mais rápida e barata, internet para expedições científicas e populações ribeirinhas na Amazônia. A experiência faz parte do projeto Aeróstato Remoto de Telecomunicação e Sensoriamento (Artes).

De acordo com Francisco Freitas Júnior, um dos pesquisadores do instituto, o projeto pode ser mantido com fontes de energia solar fotovoltaica, em vez, por exemplo, de uma torre de energia.
Freitas explica que uma torre de energia "ocupa um espaço muito grande, precisa de uma interferência na paisagem, de abrir uma clareira na floresta, um grande esforço de equipe para instalação e alto custo de manutenção".

Internet por balão

O sistema é composto por um balão de gás hélio, que possui uma base acoplada com equipamentos, incluindo uma antena de recepção de sinal. O balão pode ser instalado em qualquer localidade próxima a uma torre de transmissão de sinal de internet.
O equipamento recebe o sinal e o redistribui para uma área de cerca de 400 metros de diâmetro. Durante os testes conduzidos na cidade de Tefé (AM), o Artes alcançou 150 metros de altura, o que garantiu a redistribuição de sinal para a área.
Com a validação, o instituto avalia que o próximo passo é construir uma versão piloto do modelo para a aplicação. O projeto, segundo o Mamirauá, pode ser implantado em ações como projetos temporários itinerantes e para inclusão digital em comunidades ribeirinhas.
Além disso, poderia ser utilizado no monitoramento, com a instalação de sensores no chão da floresta ou o envio de informações das armadilhas fotográficas utilizadas em pesquisas científicas.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

União Europeia obrigará Facebook, Google e Amazon a abrirem sua contabilidade de impostos

[Traduzo a seguir reportagem de Adam Withnall, do jornal britânico The Independent. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade. As mutretas de grandes multinacionais para pagar menos impostos na União Europeia (UE) já foram objeto de postagem anterior ("Gigantes tecnológicos, mas anões tributários"). ]

Facebook, Google, Amazon e outras multinacionais enfrentam intimação para abrirem sua contabilidade de impostos - (Foto: Romeo Gacad/AFP/Getty Images)

A Comissão Europeia está apresentando planos para fazer com que grandes multinacionais como Google, Amazon e Facebook revelem exatamente onde e quanto de impostos pagam no continente europeu.

A minuta de legislação que está sendo apresentada foi proposta antes do recente escândalo dos Panamá Papers, mas surge no meio de um clamor crescente para que as empresas maiores paguem sua parcela justa de tributação. 

É esperado que o projeto de legislação inclua regras exigindo que negócios com receita superior a £600 milhões [cerca de R$ 3 bilhões] por ano abram sua contabilidade de impostos para uma análise pública [governamental] detalhada, revelando seus lucros e contas em cada país em que operam dentro da União Europeia (UE).

A partir dos Panamá Papers, foi dito que uma nova cláusula foi acrescentada no projeto legislativo para exigir que as empresas informem quanto de dinheiro ganham nos chamados "paraísos fiscais". Uma informação final, mais genérica, revelaria os lucros no resto do mundo, tratados como um item único. 

De acordo com o jornal The Guardian, o presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, é tido como favorável a que a iniciativa seja levada adiante. 

Mas o projeto está sob fogo desde o início, tanto de ativistas que dizem que será ineficaz quanto de grupos de empresas, que alertam que algumas multinacionais podem deixar de vez de operar na Europa [o que me parece bastante improvável]. Há também algumas preocupações relativas ao fato de que não há entre os países membros da UE uma ideia comum do que seja um paraíso fiscal. 

5 empresas que evitam pagar impostos no Reino Unido





O projeto de lei será apresentado pelo Comissário britânico na UE, Lorde Hill, que disse à BBC: "Essa é uma proposta cuidadosamente pensada em profundidade, mas desafiadora, visando a mais transparência na questão dos impostos. Embora nossa proposta [relatório país por país] não seja obviamente uma resposta aos Panamá Papers, há uma conexão importante entre nosso contínuo trabalho relativo a transparência quanto a impostos e os paraísos fiscais que estamos construindo nesse projeto".  

Com bancos, empresas de mineração e de silvicultura já cobertos por regras semelhantes de apresentação de relatórios, a nova proposta prevê que essas regras de transparência serão levadas a cerca de 90% das receitas corporativas na UE.

Resta ver que poderes a UE teria para lidar de maneira ativa com o problema da minimização de pagamento de impostos, além do processo de listar e humilhar publicamente as empresas que assim procedem. 

[Vale a pena ver esse vídeo, em que o CEO do Google no Reino Unido (RU) é dura e implacavelmente interrogado por membros do Parlamento (MPs) sobre o pagamento de impostos por ele e por sua empresa no RU. Este trecho mostra a dureza do interrogatório e os impressionantemente cortantes humor e sarcasmo britânicos quando o CEO diz que não sabe quanto ganha. 





PS - Enquanto a UE aperta o cerco fiscalizatório sobre essas grandes multinacionais, em 2014 no Brasil o então ministro das Comunicações Paulo Bernardo (recém indiciado Polícia Federal por corrupção, juntamente com sua mulher a senadora Gleisi Hoffmann) declarava que "suspeitava" que o Google não paga impostos no país!...]

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

A tal da terceira idade

Recentemente, Ruy Castro e Cora Rónai escreveram crônicas sobre a chamada terceira idade, com diferentes abordagens. Ruy Castro voltou ao tema mais ou menos duas semanas depois (denunciando inclusive deturpações de seu texto original que circularam bastante na internet). Os textos, como sói acontecer com esses dois renomados e requintados escritores, são muito bem escritos, mas pesa neles um certo pessimismo e um certo mau humor com essa fase da vida. Acho que ambos estavam num mau dia, com o humor em baixa, o que acontece aos melhores dos mortais às vezes mais do que se espera e deseja.

A tal da terceira idade é uma experiência fascinante, não há a menor dúvida. O "fascinante" evidentemente só se aplica se houver predisposição positiva para enfrentá-la, caso contrário ela certamente será um calvário e um atalho para um fim triste. Voltarei a isto mais adiante.

Como toda experiência, a terceira idade nos traz surpresas positivas e negativas. Entre estas últimas a mais contundente é sem dúvida o enorme descompasso entre a mente e o corpo: este envelhece e se deteriora muito mais rápido que aquela (volto a frisar que isto só se aplica a quem entra mentalmente "inteiro" na terceira idade). Essa enorme defasagem nos impõe desafios extras, às vezes sutis outras vezes evidentes (mais isto que aquilo), que nos obrigam a cuidados adicionais obrigatórios, dentro e fora de casa. A começar pelo lado físico. Dentro de casa, por exemplo, qualquer altura acima da ponta dos pés é um forte convite a um tombo de resultados imprevisíveis, e uma escada tem que ser subida e descida degrau a degrau. Atravessar a rua, só com tempo de folga no sinal verde. Forçar a barra é uma burrice inconsequente e muito arriscada. Afobação não combina com nada, muito menos com a terceira idade.

Esse mesmo distanciamento mente x corpo nos reserva surpresas que nos espantam: por exemplo, a primeira vez que alguém lhe cede o lugar numa condução é um impacto. Você logo pensa: caramba, estou tão velho assim?!

A terceira idade nos provoca reações paradoxais. Nos tornamos mais compreensivos e tolerantes com certas coisas, mas absolutamente irritadiços e intolerantes com outras, em especial com aquelas que traduzem desrespeito, falta de educação, falta de civilidade e ausência de espírito comunitário -- estas grosserias nos levam (ou me levam) à beira da apoplexia. Onde isso acontece? Em qualquer lugar que tenha pelo menos dois brasileiros juntos. Lugares mais comuns: metrô, cinema, shoppings ... Isso ocorre -- ou pelo menos ocorreu -- em certo grau também com Ruy Castro e Cora Rónai, como se observa nos textos acima citados.

Mas, a terceira idade é também muito enriquecedora. A bênção dos netos é uma emoção permanente, renovada e indescritível. Conviver com essas criaturas maravilhosas ultrapassa qualquer expectativa. A saudável "competição" com os pais deles nas funções de educá-los e "deseducá-los" por si só vale o ingresso.

A terceira idade nos apresenta também, de maneira clara e inequívoca, a perfeita noção da finitude da vida. E este é um conceito muito desafiador e potencialmente muito perigoso. Uma mente despreparada e passiva pode levar a uma decisão profundamente desastrosa de, por exemplo, interromper aprendizados, realizações e conquistas sob a ótica absurdamente distorcida de que "não faz sentido acumular mais acervos, se o fim não está lá tão distante". Nada mais estapafúrdio! A vida é tão valiosa, rica e sublime que deixar de desfrutá-la sempre e permanentemente na plenitude da capacidade física e mental de cada é um erro ao mesmo tempo injustificável e imperdoável -- e que sai incrivelmente caro.

A terceira idade nos traz também uma descoberta no mínimo intrigante: o enorme poder de um suspiro, de um lamento ou de um gemido ... O que isso ajuda a vencer uma chatice é impressionante ...

Não vou entrar na seara dos problemas físicos e psicológicos acarretados pela terceira idade, eles foram suficientemente abordados por Ruy Castro e Cora Rónai. Apenas acho que, por serem inevitáveis e inexoráveis vários deles, a melhor filosofia é fazer de cada limão a melhor limonada possível. Simples assim.

O grande problema de que tenho conhecimento por leitura e por ouvir dizer  quanto à terceira idade são o desconforto e a extrema dificuldade de adaptação a ela experimentados por quem se aposenta. Vou abordar o problema no caso masculino, com o qual mais convivo e também por minha própria experiência. As mulheres, por sua própria natureza, costumam se sair melhor que nós também nessa fase da vida.

Tenho conhecidos e amigos qua caíram num vácuo e até em depressão após a aposentadoria, simplesmente por perderem a noção do que fazer da vida. Sei de casos até de suicídio por isso. Não há uma panaceia para o problema, cada pessoa é um caso, mas há algumas regras básicas de aplicação universal.

Viver intensamente a vida familiar. O "intensamente" não implica necessariamente fazer tudo junto, mas compartilhar tudo ao máximo (os bons e os maus momentos), dialogar frequentemente, viajar em grupo sempre que possível, reunir-se sempre que possível, estreitar ao máximo os laços internos. A força de uma família unida é insuperável e insubstituível. Uma base familiar unida, companheira e sólida é um gigantesco passo para uma velhice serena e feliz.

Manter a mente sempre em atividade e aberta a novas experiências. Um dos grandes medos de quem ingressa na terceira idade é a chegada do "alemão" (Alzheimer), um hóspede indesejável que não sai mais da casa que o hospeda. Esse é um mal horrível, infelizmente ainda sem cura. Sabe-se que certas células já se predispõem a "agasalhá-lo" já na meia-idade, ou até antes. Mas sabe-se também que manter a mente permanentemente ocupada e desafiada tem um tremendo poder de adiar ou até mesmo de eliminar a vinda do alemão.

Uma primeira e urgente preocupação/iniciativa de quem está para se aposentar, ou recém iniciou sua aposentadoria, é não só manter seus hobbies e distrações/ocupações preferidos, mas procurar permanentemente diversificá-los e expandí-los. Quem não os tem, necessita criá-los impreterivelmente, não importa seu valor absoluto ou relativo. Música, leitura, cinema, teatro, museus, gastronomia  (que pode ser boa sem assaltar o bolso), caminhadas, debates são sensacionais para isso. Atividades outras como por exemplo carpintaria, jardinagem, colecionar qualquer coisa, aprender e praticar idiomas, fazer cursos diversos e enriquecedores, explorar ao máximo a internet (sem dela ficar escravo) para expandir horizontes de informação e cultura, escrever, fazer passatempos que desafiam sua mente [palavras cruzadas (em mais de um idioma, se for de sua capacidade), jogos diversos (há por exemplo dois jogos interessantes que distraem e ensinam ao mesmo tempo: o freerice [que tem as opções Humanidades (Pinturas Famosas/Literatura/Fome no Mundo/Frases Famosas); -- Matemática (Tábuas de Multiplicação/ Matemática Básica (pré-Álgebra); -- Aprendizado de Idioma (Alemão/Espanhol/Francês/Italiano/Latim); -- Ciências (Anatomia Humana); -- Inglês (Vocabulário/Gramática); -- Química (Símbolos Químicos -- lista completa)/Símbolos Químicos (básicos); -- Geografia (Marcos Mundiais/Identificação de Países em Mapas/Capitais Mundiais/Bandeiras do Mundo)/Preparação para Exame] e o Letroca (um jogo para, a partir de letras embaralhadas, encontrar as diversas opções de palavras possíveis, com tempo marcado -- pode ser jogado em português, espanhol e inglês)].

Além de alguns dos hobbies acima, acrescentei um que que me ocupa intensamente e me dá uma enorme satisfação, que foi criar e manter este blogue, o BomLero -- escrito unicamente em português, ele está neste exato momento em que escrevo com 384.176 acessos, com seguidores em países tão diversos como Vietnã, Coreia do Sul, EUA, Irlanda, Israel, Alemanha, Espanha, Índia, Eslováquia, Polônia, Rússia, Ucrânia, Portugal, México, Itália e outros (o Google Blogger atualiza e informa isso o tempo todo). Decidi fazê-lo sem enfoque único e específico, mas aberto como um jornal, porque acredito que isso me permite ser mais útil aos meus seguidores ao mesmo tempo em que me apresenta um desafio maior e constante, que é o de buscar notícias diferenciadas e interessantes em fontes diversas que consigo dominar.

Combater o sedentarismoCerca de 70% da população mundial sofrem os riscos do sedentarismo, responsável por mais de 50% das mortes por infarto. A falta de exercício pode ser um fator de risco tão grave para o coração quanto a hipertensão, diabetes, tabagismo, colesterol alto ou obesidade - e, se associado a esses, pior ainda. Para se ter uma ideia, de acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde, 70% da população mundial são de sedentários. E a falta de atividade física, somada a uma alimentação não-balanceada, é responsável por 54% do número de mortes por infarto. Já um estilo de vida ativo pode ajudar a reduzir o risco de morte em até 40%.

"A atividade física ajuda a baixar os níveis de colesterol e melhorar o controle do diabetes, além de auxiliar no equilíbrio da pressão arterial e melhorar a capacidade respiratória", explica o cardiologista Marcos Bubna. "São atividades simples, como caminhada, corrida, natação ou andar de bicicleta, que podem salvar muitas vidas", completa.

O ideal, segundo os parâmetros da Sociedade Brasileira de Cardiologia, é praticar uma atividade aeróbica pelo menos quatro dias por semana, com um mínimo de 40 minutos de duração, que podem ser divididos em dois ou três períodos diários. "Antes de iniciar seu programa de atividade física é muito importante um bom check-up do coração, um eletrocardiograma, o teste de esforço e a consulta com um cardiologista. Esse cuidado pode dar muito mais segurança ao exercício e para prevenção cardíaca", reforça Bubna.

Ficar muito tempo sentado é considerado hoje tão maléfico quanto o tabagismo. Um estudo australiano publicado em outubro de 2012 no British Journal of Sports Medicine comparou ficar sentado e o tabagismo. De acordo com o estudo, cada hora de televisão que as pessoas assistem, presumivelmente sentadas corta cerca de 22 minutos de sua vida útil, enquanto estima-se que os fumantes encurtam suas vidas por cerca de 11 minutos por cigarro.


Veja algumas dicas simples para deixar o sedentarismo de lado, respeitando sempre as eventuais limitações de  cada pessoa 

- Adotar quatro dias na semana para fazer uma caminhada -- além dos benefícios para o coração, a prática ajuda no bem-estar;
- Levantar-se para falar com alguém que esteja próximo, ao invés de chamá-lo pelo telefone;
- Aproveitar toda e qualquer oportunidade para se locomover andando;
- Para subir ou descer um andar, prefira a escada a menos de algum impedimento de força maior.

Caminhar é o mais simples e acessível dos remédios, e seguramente um dos mais prazerosos. Lhe permite várias opções mentais junto com o exercício físico: não pensar em nada e só curtir o entorno (a melhor alternativa), ou pensar em planos e coisas leves. Levar problemas para a caminhada é besteira, sai o tiro pela culatra. Se você tiver um desses relógios que registram o batimento cardíaco verá que isso não falha: se você caminhar pensando em problemas que o atormentam, o coração inevitavelmente se acelera.

Não veja a terceira idade como um castigo. Enfim, a terceira idade tem aspectos e prazeres que igualam ou facilmente superam as mazelas físicas e outros problemas que quase sempre ou inevitavelmente traz, é só saber encontrá-los e desfrutá-los. Otimismo e alto astral são indispensáveis para um suave navegar nesse oceano especial da vida, e em qualquer outro, claro. E isso está longe de ser demagogia ou algo para inglês ver. Basta, por exemplo, ouvir a música e meditar a letra de "Tocando em Frente", de Almir Sater e Renato Teixeira, que tem versos simplesmente geniais e definitivos como "Cada um de nós compõe a sua história/Cada ser em si carrega o dom de ser capaz, de ser feliz".


domingo, 21 de fevereiro de 2016

A operadora telefônica francesa Orange anunciou para 2021 o fim de sua rede de telefonia fixa

[A operadora de telefonia francesa Orange estabeleceu para 2021 o fim de sua rede de telefonia fixa, como informa o jornal francês Le Figaro, cuja reportagem traduzo a seguir. Quanto tempo durará ainda a telefonia fixa no Brasil? O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]


Orange, ex-France Télécom, prepara a interrupção de sua rede telefônica fixa tradicional. Os aparelhos telefônicos ligados a simples tomadas telefônicas nas paredes não soarão mais - (Foto: Fotolia)

Um pouco mais de 12 milhões de linhas serão afetadas. Os bons e velhos telefones estão com seus dias contados.

Após a extinção da televisão analógica, substituída pela TV digital (TNT - Televisão Numérica Terrestre, na França), eis o fim da telefonia fixa tradicional. Orange, ex-France Télécom, prepara a interrupção de sua rede telefônica fixa convencional. Os aparelhos telefônicos ligados a simples tomadas telefônicas nas paredes não soarão mais.

É certo que o processo levará tempo, mas no início  da próxima década a velha rede de telefonia fixa tradicional será extinta pouco a pouco. No jargão das telecomunicações, ela é designada como Sistema de Telefonia Fixa Comutada (STFC). Segundo o órgão regulador de telecomunicações francês, a Arcep, a França conta com 12 milhões de linhas STFC, ou seja um pouco mais de um terço das linhas totais existentes.

Para se beneficiar de uma linha física, será preciso então estar equipado com uma caixa chamada DSL (Digital Subscriber Line -- Linha de Assinante Digital) que se conectará entre o telefone e a tomada na parede. Trata-se de uma pequena sutileza do processo: a rede STFC será de fato interrompida, mas não os serviços ADSL [Asymmetric Digital Subscriber Line -- um tipo de tecnologia de DSL, uma tecnologia de comunicação de dados que permite transmissão de dados sobre linhas telefônicas de cobre mais rápida do que a provida por um modem de banda de voz] que funcionam também sobre condutores de cobre e que permitem telefonar, se conectar à internet ou ver televisão. A metade dos lares franceses já possui esse dispositivo. Os demais têm ainda alguns anos para se preparar. "Não é possível manter-se um mil-folhas tecnológico", sublinha Benoît Loutrel, diretor-geral da Arcep.

Orange ataca esse tema com bastante antecedência, porque deve avisar os usuários do STFC com pelo menos 5 anos de antecipação antes de interromper o serviço e antes que sua manutenção se torne problemática. Esquematicamente, para que uma rede como essa funcione é preciso ter de um lado um telefone e do outro um comutador. "Os comutadores são equipamentos antigos, datados dos anos 1970. Os fabricantes de equipamentos de telecomunicações não os produzem mais", explica Benoît Loutrel. Isso faz com que há anos sua manutenção se realize com a canibalização de equipamentos que não serão mais utilizados.

Carência de técnicos

Outro problema: os técnicos que dominam essa área já ultrapassada irão em breve se aposentar. "Formar jovens de 20 anos em uma tecnologia sem futuro não faz nenhum sentido", acrescenta um especialista do setor. É melhor pois interromper a STFC do que esperar por uma grande pane.

A retirada de cena dessa tecnologia terá também um efeito virtuoso sobre o meio ambiente, porque os comutadores consomem muito mais energia que os equipamentos que os substituirão.

O calendário já está em andamento. No quarto trimestre de 2018, alguém que queira instalar uma nova linha STFC já não poderá fazê-lo. Em troca, lhe serão propostos serviços via ADSL ou fibra ótica. A partir de 2021, uma nova etapa será franqueada. O serviço STFC será progressivamente cancelado, com um calendário diferente por região do país. Aos assinantes serão oferecidas uma ou duas soluções alternativas, em função das evoluções tecnológicas.

Duas profissões serão particularmente afetadas: os comerciantes e os ascensoristas. Os serviços de chamada de emergência dos elevadores são ainda muito frequentemente transmitidos via STFC. Neste caso, os copropietários envolvidos têm todo interesse em agir o quanto antes [da data limite], para evitar os picos de demanda e as altas de preços. Certos terminais de pagamento funcionam ainda via STFC, será preciso mudá-los. Não há porquê entrar em pânico, restam ainda pelo menos cinco anos, mas é melhor não deixar para o último momento. Outros serviços, como certas linhas de emergência, de tele-vigilância ou de tele-alarme dependem também do STFC e deverão ser modernizados. Um pequeno detalhe importante: um telefone conectado a uma linha STFC funciona mesmo em caso de pane elétrica. Os novos equipamentos, todos eles, precisam de um suprimento elétrico, o que poderá criar problemas para os serviços de emergência.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Eletrônicos podem ficar até 10% mais caros em dezembro

[Mais um item da herança "bendita" do (des)governo da (govern)anta Dilma NPS (Nosso Pinóquio de Saia).  Continuamos na lesma lerda. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]


Eletrônicos podem ficar até 10% mais caros em dezembro

Indústria do setor prevê dificuldades para a inclusão digital da população mais pobre.
Fonte: Bom Dia Brasil
Celulares, computadores e todos os eletrônicos vão ficar mais caros. O aumento pode chegar a 10% e logo em dezembro. Quem estava pensando em trocar de celular ou pedir um tablet para o Papai Noel talvez tenha que repensar o presente. Em dezembro, os preços dos eletrônicos devem subir porque o governo decidiu voltar a cobrar PIS e Cofins sobre a venda de produtos de informática. Quem vende computadores, smartphones, notebooks, modens e roteadores vai ter que pagar entre 3,65% e 9,25%. Só com essa medida, o governo espera arrecadar R$ 6,7 bilhões no ano que vem.

A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica diz que os lojistas devem repassar o aumento para os preços finais e que, em alguns casos, os produtos vão ficar até 10% mais caros.

“Já não é barato e a gente acaba tendo que pagar essa conta, essa é a verdade, eles acabam onerando ainda mais para o trabalhador”, queixa-se o autônomo José Sérgio Batista.
O coordenador de compras Edílson Cardoso comprou dois notebooks para empresa onde trabalha. E acha que se os preços subirem, muita gente pode optar por modelos piratas:
“Infelizmente, pode ser que pessoas migrem para a pirataria em virtude dos aumentos para procurar preços mais acessíveis”, diz ele.


Um tablet como o mostrado na reportagem do Bom Dia Brasil custa R$ 1,6 mil. Sabe quanto a gente paga em impostos e contribuições, hoje, sem PIS e Confins? R$ 640. Quase 40% do preço final. E pensar que ainda vai subir, assusta.

A carga tributária de celulares (33%) e computadores de mesa (entre 24% e 33,6%) também é alta. O levantamento é do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributação.
“Se você for comparar as alíquotas, por exemplo, se você pegar os Estados Unidos, tem 6%, 7%, 8%, e chega aqui no país encontra carga tributária de 30%, 40%, você fica muito chateado”, diz o servidor público Eduardo Pessoa.


A reportagem comparou os preços de dois modelos de smartphones vendidos no Brasil e nos Estados Unidos. Aqui, o de última geração é R$ 1 mil mais caro e o modelo mais simples custa R$ 210 a mais.

A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica criticou a decisão do governo de suspender o Programa de Inclusão Digital, que barateou os preços nos últimos dez anos:
"A colocação do imposto sobre o produto vai fazer com que nós tenhamos mais dificuldades e prejudiquemos ainda mais o acesso da população de baixa renda à inclusão digital, o que faz com que o Brasil fique mais atrasado em relação ao resto do mundo”, afirma o presidente da Abinee, Humberto Barbato.


Com todo o aperto que atinge os consumidores, a indústria e o comércio, a Receita Federal acha que o impacto do aumento dos impostos até pode ser reduzido por causa da alta competitividade do setor. O problema é que, na cadeia da produção, até nas lojas a margem para reduzir os lucros e dar descontos está diminuindo. 

[Na área dos eletrônicos está mais um balaio de mentiras de Dilma NPS , a nossa fantástica (govern)anta. Depois que voltou de sua viagem à China em abril de 2011, acompanhada de seu então ministro da Ciência e Tecnologia Aloizio Mercadante (o BomBril do governo da madame, tem mil e uma utilidades -- já foi também ministro da Educação e atualmente é ministro-chefe da Casa Civil; em todos os cargos foi um zero à esquerda, mas tem um visgo danado com a ex-guerrilheira), nossa Dama de Ferrugem anunciou com estardalhaço que a empresa taiwanesa Foxconn fabricaria iPads no Brasil

A Foxconn faria investimentos de US$ 12 bilhões no país, iniciaria a fabricação em novembro de 2011, teria como sócios Eike Batista (na época a madame estava deslumbrada com esse pilantra) e o BNDES, e o iPad "brasileiro" seria muito mais barato que o importado, por conta de um pacote de incentivos do governo incluído na MP n° 517, de 30/12/2010. Como inúmeras promessas irresponsáveis da nossa (govern)anta, nada disso aconteceu.] 

domingo, 23 de agosto de 2015

Como saber se seu wi-fi está sendo roubado (e o que fazer)

[A reportagem abaixo foi publicada no site BBC Brasil.]


Muitos usuários deixam a rede wifi de casa aberta para o resto da família utilizar, o que facilita o furto - (Foto: Thinkstock)

Nove da noite e, como em todos os outros dias, você quer ver um novo capítulo da série favorita através de algum serviço de streaming no computador.

Mas a conexão com a internet sem fio parece ficar lenta neste exato momento. "Não é normal", você pensa. E a situação piora. "Não carrega. Por que não carrega?", você fala alto. Até que, sem conseguir ver nada, você desiste.

Se esta situação ocorre com frequência, é preciso pensar na hipótese de alguém estar usando sua rede wifi sem que você saiba. Abaixo, dicas para descobrir se sua internet está sendo furtada e como evitar isto.

1 - Suspeita

A primeira pista de um possível furto de wifi é simples: se a internet ficar mais lenta em algumas horas do dia ou se ficar lenta de forma recorrente. 

A segunda pista virá do roteador. Você precisa apagar completamente todos os dispositivos sem fio de sua casa. Se uma das luzes do roteador, a destinada ao wifi (às vezes indicada como WLAN) continuar piscando, é possível que esteja ocorrendo o furto.

2 - Descubra o ladrão

Rede mais lenta do que o normal é motivo de suspeita - (Foto: Thinkstock)

Se a suspeita já existe, é preciso antes descartar outras possibilidades, como estar usando uma rede sem fio com pouca velocidade, computadores demais ligados à ela ou até mesmo obstáculos físicos ao seu wifi.
Para descartar essas possibilidades, especialistas recomendam instalar no computador, smartphone ou tablet um programa ou aplicativo que mostre os dispositivos conectados à sua rede. Existem várias opções gratuitas, como o Fing, para Android e iOS; Network, Discovery ou Net Scan, apenas para Android; e IP Network Scanner ou iNet, para o iOS.
Também há opções para computadores de escritório: Angry IP Scanner ou Wireshark para várias plataformas e Wireless Network Watcher e Microsoft Network Monitor para os dispositivos da companhia de Bill Gates.
Todos eles mostram quantos dispositivos estão conectados à rede sem fio, cada um identificado com um endereço IP. Se o aplicativo ou programa escolhido indicar que há mais dispositivos conectados à sua rede do que os que você tem, há um ladrão de wifi por perto.
3 - Veja se alguém se conectou enquanto você não estava

Antes de acusar alguém, verifique se não há computadores ou smartphones demais conectados à sua rede - (Foto: Thinkstock)

Os programas e aplicativos citados acima detectam possíveis intrusos em sua rede wifi, mas apenas se eles estiverem usando sua rede ao mesmo tempo que você.
Mas há formas de saber se alguém se conectou ao seu wifi enquanto você não estava em casa. Para isto, você precisa de uma informação do roteador: o endereço IP, uma série de números separados por pontos, de três em três.
É possível encontrar este número no manual do roteador ou então no próprio computador. Se você tem um Mac, basta clicar no ícone de wifi e ir até o "abrir centro de redes e recursos compartilhados" no menu, depois ir até "conexão de área local" ou "conexão de rede sem fio". Vá até "detalhes", onde outra janela vai se abrir. O endereço IP identificado como "porta de link predeteminado IPv4" é o endereço IP do seu roteador.
Se o seu computador é Windows, vá até a "busca" e digite "ipconfig/all", depois "conexão LAN sem fio" e, por último, "endereço físico". Assim, poderá obter o endereço do roteador.
Você precisa colocar esse número em seu navegador, desta forma poderá acessar a rede do roteador.
Após escrever a senha, você vai descobrir um registro das conexões feitas até este momento na sua rede wifi.
4 - Proteja sua rede
Talvez você tenha deixado sua rede sem fio aberta para que todos os membros da família possam se conectar. Ou talvez foi um descuido, ou algum vizinho usou algum aplicativo para descobrir suas senhas de wifi.

Mude a senha de acesso ao wifi e escolha uma mais complicada - (Foto: Thinkstock)
Seja como for, ter um intruso em seu wifi pode causar mais problemas do que você pensa. Eles podem ter acesso a informações armazenadas em computadores conectados à sua rede e, em casos mais extremos, podem cometer um crime em seu nome, como baixar pornografia infantil, por exemplo.
Para evitar tudo isso, a primeira coisa a fazer é mudar a senha do wifi. Sempre substitua por alguma mais complexa. James Lyne, da companhia especialista em segurança em internet Sophos, recomendou à BBC evitar o uso de apenas uma palavra na senha. O melhor é combinar letras e números. "É mais seguro 'AmoMuitoBBCBrasil123' do que 'BBCBrasil'", afirmou.
Para o especialista, outro truque para uma senha segura é pensar na letra da sua música favorita e escolher um trecho. "Assim sua senha será muito maior e realmente difícil de decifrar", acrescentou.
Uma vez que você mudou a senha, também poderá configurar o roteador para que permita apenas a conexão de dispositivos com endereços MAC concretos. Com isso, será mais difícil acessar sua rede wifi e você talvez nunca mais precise se preocupar se vai conseguir ou não assistir à sua série favorita.
Veja também:







sábado, 22 de agosto de 2015

O que acontece com os nossos dados na internet?

[O texto abaixo, publicado no site da versão brasileira do jornal espanhol El País, nos dá mais uma visão da nossa progressiva, inevitável e irremediável perda de privacidade na internet. Sua autora é Gemma Galdon Clavell, doutora em políticas públicas e diretora de pesquisas da Eticas Research and Consulting.]


Ilustração e informação: Olga Subirós (CC BY-NC-ND-2.0)

Todos nós ouvimos dizer alguma vez que quando um produto é aparentemente gratuito é provável que na verdade estejamos pagando por ele com dados. Isso acontece com as redes sociais, os cartões de fidelidade de lojas e supermercados ou com infinitos aplicativos que oferecem serviços mais ou menos relevantes em troca, somente, dos nossos dados pessoais.

Mas além de intuir que nós somos o produto, na realidade não sabemos o que é feito exatamente com nossa informação, ou no que consiste e como funciona esse pagamento com dados. Na verdade, não é uma questão simples e cada aplicativo tem seus próprios procedimentos e lógicas. No caso da navegação na internet, por exemplo, as empresas e prestadores de serviços nos oferecem de forma gratuita seus motores de busca, páginas web e serviços associados para ler o jornal, consultar a previsão do tempo ou estar em contato com outras pessoas através de redes sociais e fóruns. No entanto, cada vez que entramos em uma web é baixada automaticamente uma série de microprogramas conhecidos como cookies que conseguem informações sobre nossa atividade online e enviam ao proprietário da página visitada informações sobre nosso IP, MAC ou IMEI (o número de registro do nosso dispositivo), o tempo e a forma que usamos num determinado site ou outros sites que estejam abertos ao mesmo tempo, identifica se somos visitantes regulares e que uso fazemos da página web, em que sequência, como acessamos outros sites e assim por diante. Além disso, é comum que diferentes empresas paguem ao site que visitamos para poder instalar seus próprios cookies, como também é habitual que a empresa use os dados não somente para seus estudos internos, mas que também os venda a terceiros.

Na verdade, cada vez que visitamos uma página com o computador, o celular ou o tablet, recebemos dezenas de pedidos de instalação de cookies. Somos, portanto, o produto, porque em troca da informação que obtemos fornecemos detalhes sobre nossa atividade online e, frequentemente, dados pessoais como nome e localização, hábitos, cartão de crédito, etc., sobre os quais não temos nenhuma maneira de controlar para onde eles vão. Diante disso, o único recurso de autoproteção é não aceitar cookies e renunciar ao serviço, ou exclui-los sistematicamente do nosso computador, algo tão enfadonho como escassamente útil.

Facebook, rede social utilizada por mais de um bilhão de pessoas por mês, dispõe dos dados que o usuário deposita voluntariamente nele, mas também faz inferências com base em nossas interações com pessoas e informações, compartilha-as com terceiros e desenvolve um perfil único que permite determinar o que aparece no nosso mural, tanto por parte de nossos amigos como de anunciantes. Todo “curtir” ou registro feito por meio do Facebook gera informações que são analisadas e classificadas por algoritmos tanto para nos conhecer em nível individual quanto como consumidores, para desenvolver perfis sociais para agências de publicidade. O registro continua mesmo que tenhamos fechado a página: a não ser que saiamos manualmente, os cookies do Facebook continuam espionando tudo o que fazemos online.

Se, além disso, instalamos o Facebook nos nossos celulares junto com o seu aplicativo de mensagens, o sistema pode ativar remotamente nossa câmera ou microfone, acessar nossas fotos, mensagens e assim por diante de modo a continuar aperfeiçoando o nosso perfil.

O exemplo de navegação na internet é o mais comum, mas já não é o único protagonista. A mesma implantação de conexões não aparentes e de compra e venda de dados também ocorre quando usamos um cartão de fidelidade de clientes, que relaciona o nosso padrão de consumo com um nome, endereço, muitas vezes alguns dados bancários e as respostas ao questionário que normalmente preenchemos ao solicitar esse tipo de cartão.
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A não ser que saiamos manualmente da página, o Facebook continuará espionando o que fazemos
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Outra área em que a coleta de dados está se tornando cada vez mais importante é o espaço público. Nosso descuidado passeio pelas ruas é cada vez menos anônimo e os sensores que leem os identificadores únicos e a geolocalização dos nossos dispositivos, as câmeras de imagem térmica e de videovigilância, redes sem fios, lâmpadas inteligentes ou sensores de leitura automática de placas de automóveis nos incorporam de forma rotineira a bases de dados públicos e privados que em algum lugar servem a alguém para obter um lucro que não conhecemos nem controlamos.
O espaço doméstico é talvez aquele onde esse monitoramento dos nossos movimentos e rotinas para elaborar padrões vendáveis aumenta de forma mais preocupante: todos os eletrodomésticos inteligentes, do medidor de energia elétrica ao aparelho de televisão, passando pela geladeira, constroem uma rede de extração de dados que quer aperfeiçoar a imagem de quem somos, do que queremos e do que podemos querer. O desafio é ser capaz de se antecipar às nossas necessidades para nos tentar a comprar produtos ou serviços que ainda não sabemos que desejamos. Pagamos duas vezes: quando adquirimos o eletrodoméstico ou pagamos a conta de luz, em dinheiro, e a cada vez que proporcionamos informações com dados pessoais.
Algumas empresas começaram a explorar a possibilidade de se tornarem data brokers dos cidadãos, uma espécie de corretores de dados que gerenciariam nossa informação, devolvendo-nos parte dos lucros gerados por ela. Que ninguém espere ficar rico: no momento, as empresas que tentam abrir caminho nesse mundo obscuro não pagam mais do que alguns euros por mês em troca de informações tão sensíveis como dados médicos ou bancários. Por enquanto, o verdadeiro dinheiro não está na relação entre os cidadãos e os serviços que coletam dados. A economia dos dados ainda é pouco mais do que uma promessa, da qual até agora se beneficiam muito poucos atores (Facebook, Tuenti, Google, Foursquare, YouTube, etc.), e mais pela febre de investimento do que pelos resultados. Na aurora dessa promessa de negócio proliferam corretores de dados dedicados ao cruzamento de diferentes bases para aumentar o preço de venda dos perfis gerados a partir do cruzamento de informações de atividade online e offline: relatórios médicos, por exemplo, podem adicionar muito valor a um histórico de busca na internet.


Algumas empresas já exploram a possibilidade de se tornar ‘brokers’ de dados dos cidadãos
Para algumas pessoas, esse cenário não provoca nenhuma inquietude. Pagar com informação própria também abre a porta para a promessa de serviços personalizados e atenção individualizada. No entanto, os corretores de dados não se limitam a cruzar detalhes do que compramos, com quem interagimos e do que gostamos. Esse comércio inclui também, e cada vez mais, relatórios médicos, dados fiscais e de renda ou bancários. O tipo de informação que pode determinar se nos concederão um crédito, se nos oferecerão um plano de saúde mais ou menos caro ou se conseguiremos um emprego. De repente, o preço pago com informações pessoais surge como algo totalmente desproporcionado e incontrolável.
Ao aceitar nos transformar em produto, convém não esquecer que também aceitamos que acabem nos afastando do jogo, escondidos ou ignorados porque o nosso perfil não fornece a solvência, a saúde ou a obediência esperada.


Uma vida vigiada

Tecnologia e dispositivos que produzem ou armazenam dados de nossas atividades diárias:
1/6/14. Videovigilância: as imagens podem ser interceptadas.
2. Medidores de eletricidade e termostatos: fornecem informação sobre hábitos.
3/4. Televisores inteligentes e consoles de videogames: possuem câmeras e microfones.
5. Controles biométricos de entrada e saída.
7. Monitoramento remoto no trabalho: capturas de tela para medir a produtividade do trabalhador.
8. Bases de dados pessoais: podem conter dados fiscais e de saúde dos clientes.
9. Sensores de contagem de pessoas: monitoram o fluxo de compradores e os tempos de compra.
10. Cartões de fidelidade: em troca de descontos, criam perfis do comprador.
11. Ibeacons: enviam ofertas para celulares próximos.
12. Wi-fi gratuito: pode ser oferecido em troca do acesso ao perfil do Facebook.
13. Bilhetes de transportes públicos: cartões recarregáveis que produzem dados de deslocamentos.
14. Redes de bicicletas públicas: registro dos trajetos.
15. Carros: existem sistemas para ler as placas.
16. Telefonia móvel: permite geolocalizar.
17. Câmeras térmicas e sensores sonoros: medem o fluxo de pedestres e níveis de ruído.
18. Mobiliário urbano que detecta a presença de pedestres.
19. Sistemas de estacionamento: o pagamento com cartão de vagas azuis e verdes gera dados do usuário.