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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Pintores estrangeiros (26): A arte pouco conhecida de Adelino Ângelo

[O blogue já apresentou as seguintes postagens sobre pintores estrangeiros, em ordem alfabética:

  1. Alta Renascença italiana
  2. Banho, o berço da intimidade (III) - ver também (II) e (I)
  3. Bosch
  4. Caravaggio
  5. Cézanne (e outros) - Exposição imperdível em Paris
  6. Corot
  7. Degas
  8. De Kooning
  9. Egon Schiele
  10. Gênios da pintura barroca
  11. Imagens da prostituição
  12. Impressionistas no CCBB do Rio
  13. Klimt
  14. Leonardo da Vinci
  15. Matisse
  16. Michelangelo
  17. Obras do  Louvre no MASP
  18. Picasso -- gravuras no Museu Britânico
  19. Picasso (e outros) - Exposição imperdível em Paris
  20. Picasso - nova obra encontrada
  21. Rafael Sanzio
  22. Rembrandt
  23. Renoir
  24. Toulouse Lautrec
  25. Van Gogh


Para esta postagem, usei como referências o livro "As emoções de Adelino Ângelo", da APM - Associação Paulista de Medicina, 2014, a Wikipédia e o Google. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade. Infelizmente, o site oficial do pintor é de péssima qualidade em termos de informação e conteúdo -- os quadros são mostrados por fotos, sem nenhuma informação: tipo de pintura, data, dimensões e de que acervo faz parte. Impressionante e lamentável!]


Adelino Ângelo (1931)  - O artista português Adelino Ângelo ao lado de um de seus autorretratos, por ocasião de exposição sua na Pinacoteca da APM em junho de 2008 - (Foto: APM)


Adelino Ângelo nasceu em 8 de Novembro de 1931, em Vieira do Minho, Portugal. Viveu com os seus avós, em Guimarães, pelo motivo do seu pai ser Juiz e Conservador do Registo, que não lhe permitia ter residência permanente. Estudou em Guimarães e, de seguida, frequentou a Escola Superior de Belas Artes em Lisboa. Aos 17 anos, já era considerado grande desenhador e com a execução de trabalhos de desenho conseguiu pagar os seus estudos e estadia em Lisboa. De 1961 a 1971, foi Professor na Escola Comercial e Industrial Francisco de Holanda, em Guimarães. Foi o único Professor em Portugal que enriqueceu o património de uma escola, com painéis dos Reis e personagens do Estado, para imbuir no espírito dos alunos o cultivo da cultura.

Toda a sua obra é vincada pela fusão de emoção, realização, originalidade e sentido de criação, tornando-se, desta forma, num ambiente amargo mas ao mesmo tempo terno para os olhos de quem a contempla. A sua pintura é a consciência sentida a seu modo, daí que se constitui como o protagonista de uma obra dramática por ser o criador. A sua obra é considerada didáctica, pedagógica e científica pois é a prova de como a realização através do desenho é a trave mestra da pintura porque, se assim não fosse, nunca poderia ser o pintor "Universal". Mediante esta pequena descrição sobre as obras, o que lhe é imposto é conduzir a sociedade à sua purificação onde existem enormes desigualdades. Se continua a pintar a dor do ser humano, a loucura e os nómadas, então a sua pintura encaixa em pleno no modernismo, não fossem estas as características mais vincadas da sociedade onde se insere. Segundo os seus críticos, está comprovado tratar-se de um pintor psicanalista universalista.

Sobre o mestre Adelino Ângelo, já teve quem dissesse ser a reencarnação de El Greco [Doménikos Theotokópoulos, mais conhecido como El Greco (O Grego), nasceu em Creta (que na época pertencia à República de Veneza e era um centro artístico pós-bizantino) em 7 de outubro de 1541 e morreu em Toledo em 7 de abril de 1614. Era um pintor, escultor e arquiteto grego que desenvolveu a maior parte da sua carreira na Espanha -- assinava suas obras com o nome original, ressaltando sua origem] na vida dos miseráveis; outros, da luz de Sorolla y Bastida, e há ainda aqueles que identificaram em seus quadros o psicólogo da loucura universal [Joaquín Sorolla y Bastida (27 de fevereiro de 1863, Valência - 10 de Agosto de 1923, Cercedilla), na fase inicial da sua carreira, foi dos mais tradicionais. Ele cumpriu toda a trajetória considerada necessária na época para o pintor que se valorizasse como acadêmico. Entretanto, a partir de 1900, seu estilo se revelou de forma espetacular, manifestando-se em pinceladas rápidas e carregadas de tinta, que em poucos traços plasmavam a rica e vibrante gama de cores das praias e transeuntes que ocupavam suas telas].  

A grande paixão do mestre é pintar figuras da miséria, andrajosos, esmoleres e loucos. Seus rostos escavados pelas agruras cotidianas e seus corpos definhados pelas necessidade de todo gênero, ao serem transportados às telas, ganham importância ao pasmar os observadores.



Mãe cigana (1971), óleo sobre tela, 51 x 41 cm. Pinacoteca da Associação Paulista de Medicina - (Foto: Pinacoteca)


Mãe cigana (19?), óleo sobe tela - (Foto: Google)



Óleo sobre tela. Nome? Data? Mais um show de desinformação de Adelino Ângelo. Pela temática e pela figura central da pintura, parece tratar-se da mesma mãe cigana dos quadros imediatamente acima deste - (Foto: Google)




Gesto de liberdade (1976), óleo sobre tela, 49 x 64 cm. Pinacoteca da Associação Paulista de Medicina - (Foto: minha)



Fominha (1979), óleo sobre tela - (Foto: Google)



A vassoura também dá música (1979), óleo sobre tela - (Foto: Google)



Louco (1980), óleo sobre tela, 35 x 32 cm. Pinacoteca da Associação Paulista de Medicina - (Foto: Google)



Riso de louco (1982), óleo sobre tela, 64 x 50 cm. Pinacoteca da Associação Paulista de Medicina - (Foto: Google)



Desesperado (1982), óleo sobre tela - (Foto: Google)




Choro sem lágrimas (data desconhecida), óleo sobre tela - (Foto: Google)




Perturbado (data desconhecida), óleo sobre tela - (Foto: Google)




Sem título (data desconhecida), óleo sobre tela. Coleção do autor - (Foto: Google)



Mendigo (data desconhecida), óleo sobre tela - (Foto: Google)



Este é o  Teu Filho (data desconhecida), óleo sobre tela - (Foto: Google)




Avenida (data desconhecida), óleo sobre tela - (Foto: Google)



Mulher (data desconhecida), óleo sobre tela - (Foto: Google)



Depois do trabalho (1996), óleo sobre tela, 91 x 61 cm. Pinacoteca da Associação Paulista de Medicina - (Foto: Google)



Único tesouro (1999), óleo sobre tela, 46 x 40 cm. Pinacoteca da Associação Paulista de Medicina - (Foto: Google)




Autorretrato (data desconhecida), óleo sobre tela - (Foto: Google)



Pai, por que me abandonaste? (2004), óleo sobre tela, 190 x 114 cm. Pinacoteca da Associação Paulista de Medicina - (Foto: Google)



Autorretrato em Paris (2005), óleo sobre tela, 95 x 74 cm. Pinacoteca da Associação Paulista de Medicina - (Foto: Google)




Sem título (data desconhecida), óleo sobre tela. Coleção do autor - (Foto: Google)



Veneziano em Madrid (2007), óleo sobre tela, 63 x 48 cm. Pinacoteca da Associação Paulista de Medicina - (Foto: minha)




Homenagem ao meu amigo Mick Jagger(2007), óleo sobre tela, 50 x 37 cm. Pinacoteca da Associação Paulista de Medicina - (Foto: minha)



O homem do boné (2008), óleo sobre tela, 95 x 65 cm. Pinacoteca da Associação Paulista de Medicina - (Foto: minha)





Doutor Guido Palomba (2008), óleo sobre tela, 60,5 x 50,5 cm. Pinacoteca da Associação Paulista de Medicina - (Foto: minha)



Figura em Buenos Aires (2009), óleo sobre tela. Pinacoteca da Associação Paulista de Medicina - (Foto: Google)



A caminho de Apúlia (2009), óleo sobre tela - (Foto: Google)



Paisagem Apúlia (2009), óleo sobre tela, 50 x 69 cm. Pinacoteca da Associação Paulista de Medicina - (Foto: Google)



A minha mulher no Brasil (2009), óleo sobre tela, 107 x 104 cm. Pinacoteca da Associação Paulista de Medicina - (Foto: minha)













quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Portugal volta aos mercados e recupera sua soberania financeira

[Eis uma boa notícia, sinalizando a possibilidade de tempos melhores para Portugal, um dos países na lista dos mais atingidos pela crise da zona do euro. Os textos abaixo são reproduções parciais de reportagens dos jornais El País (Espanha) e Diário de Notícias (Portugal).]

Quase dois anos depois de pedir resgate em abril de 2011, Portugal retornou aos mercados de dívida de longo prazo sem o amparo da troika [Banco Cental Europeu (BCE), Fundo Monetário Internacional (FMI) e Comissão Europeia (CE)] numa tentativa de recuperar parte de sua soberania financeira e de sua autoestima econômica. E com êxito.

As emissões de Obrigações do Tesouro de 5 anos seriam, inicialmente, em um valor de 2 bilhões de euros. Mas, devido à demanda -- quase 12 bilhões de euros, em sua esmagadora maioria de investidores estrangeiros --, o governo português decidiu aumentar o montante oferecido e chegar aos 2,5 bilhões de euros. A taxa de juros das obrigações, tal como previsto, ficou inferior a 5% (em exatamente 4,8%), o que o governo português considera um sucesso.

A data foi definida como histórica por políticos portugueses, pela mídia especializada e por economistas. Desde quase dois anos, Portugal se financia graças à remessa dos macroempréstimos de 78 bilhões de euros da troika e a bônus pequenos de curto prazo. Inicialmente, o governo pretendia recorrer aos mercados de dívida de longo prazo em setembro, mas três fatores básicos fizeram avançar o processo e a antecipação, pelo governo, de sua decisão: - i) a conjuntura favorável dos mercados internacionais, com os juros do mercado secundário de dívida de vários países em baixa há várias semanas; - ii) o pedido feito ontem ao eurogrupo pelo ministro das Finanças, Vitor Gaspar, de mais tempo a fim de retardar o vencimento do macroempréstimo da troika, o que relaxará o torniquete que estrangula a economia portuguesa; - iii) a emissão bem sucedida feita ontem pela Espanha com títulos de 10 anos.

Para alguns especialistas, a antecipação do encontro com os mercado é um êxito inegável de Portugal em seu intento de reconquistar confiança internacional e distanciar-se definitivamente do destino grego e de seu caminho caótico.

Correta e sabiamente cauteloso, o editorial de hoje do Diário de Notícias ("Euforia e contenção") diz textualmente: "O dia de ontem é o primeiro passo de Portugal para recuperar a sua independência financeira em relação à troika. O regresso superpositivo aos mercados é uma vitória de Vítor Gaspar e Passos Coelho e é muito importante para o País: se os bancos e as empresas voltarem a financiar-se a taxas de juros comportáveis nos mercados, soltarão mais dinheiro para a economia e poderão incentivar de novo o emprego. Seria o início da recuperação. 

Mas deixando um pouco de lado a justificada alegria quanto à emisão muito bem sucedida de dívida pública, o difícil caminho da redução do défice do Estado obriga a que todos mantenham os pés bem assentes na terra. Em termos de contabilidade pública - a conta corrente das administrações públicas - o défice em 2012 terá ficado uns 700 milhões abaixo do valor máximo acordado com a troika: 8300 milhões de euros, em vez de 9028 milhões. Este valor corresponde a 5% do PIB, em vez dos 5,4% acordados (nesta forma de fazer as contas!). Mas o que vale é a medição do défice em contabilidade nacional, isto é, a partir dos compromissos de receita e despesa contraídos. E, para este resultado, resta saber se as operações irrepetíveis, como a concessão da ANA, são ou não validadas pelo Eurostat.

O que conta, quanto ao esforço adicional exigido em 2013, é que o défice vai ter de descer de um valor à volta dos 6% do PIB para os 4,5% - uma redução de 2500 milhões que, como é sabido, sairá do bolso dos contribuintes: trabalhadores e reformados. Não é novidade, mas convém recordá-lo para realçar o facto de o programa de ajustamento ter várias vertentes que vão evoluindo a ritmo diferenciado. Enquanto a dívida das empresas e famílias tem vindo a reduzir-se, mediante forte aperto de rendimentos e de atividade produtiva, a descida dos défices públicos ainda não permitiu começar a baixar o peso da dívida pública, nem se espera que o consiga antes de 2015.

Assim, até que a economia dê sinais de voltar ao otimismo e ao dinamismo criativo, os tempos continuarão ainda a ser de contas muito apertadas... para todos."  

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Portugal conclui as grandes privatizações exigidas pelo resgate financeiro da UE

Portugal concluiu hoje as grandes privatizações exigidas por seu resgate financeiro pela União Europeia (UE), com a venda da empresa nacional de aeroportos ao grupo francês Vinci por mais de 3 bilhões de euros. Esta operação, somada à venda das participações do governo no setor de energia por quase 3,3 bilhões de euros no início do ano, permitirá ao país cumprir com folga as metas de receitas por privatizações e de redução do deficit fiscal exigidas pela UE e pelo FMI (Fundo Monetário Internacional).

Ainda que o governo conservador de Pedro Passos Coelho tenha todavia que se desfazer da empresa aérea TAP, de alguns estaleiros, dos correios, de várias ferrovias, de serviços de água e esgoto, e da RTP (Rádio e Televisão de Poprtugal) a receita esperada para esses ativos não deverá ultrapassar algumas centenas de milhões de euros.

A venda da ANA - Aeroportos de Portugal celebrada hoje pelo Conselho de Ministros entrega à francesa Vinci, por 3,080 bilhões de euros, a gestão dos aeroportos de Lisboa, Porto, Algarve e Açores e de outros terminais menores durante cinquenta anos. Um porta-voz governamental informou que a proposta francesa não apenas foi a mais elevada, como também foi a que oferecia melhores condições para o desenvolvimento e a promoção internacional dos aeroportos lusos. Foram descartados os lances, de menor valor, de EAMA, liderada pela Corporación América da Argentina, e das operadoras dos aeroportos de Frankfurt e Zurique, esta última associada à empresa brasileira CCR [concessionária no Brasil de rodovias, da Ponte Rio-Niterói, e do transporte aquaviário entre Rio e Niterói]. [Talvez nossa supersimpática Dona Dilma devesse ter uma conversinha com o primeiro-ministro português, para aprender a privatizar aeroportos.]

A francesa Vinci, presente em uma centena de países, opera uma dezena de aeroportos, em sua maioria franceses, e em Portugal é acionista majoritária (com 37%) da Lusoponte, concessionária das duas grandes pontes de Lisboa -- a Vasco da Gama e a 25 de abril.

A venda da empresa de aeroportos propiciou ao Estado português a maior receita das privatizações exigidas pelo resgate de 78 bilhões de euros que a UE e o FMI lhe proporcionaram no ano passado.

O principal partido da oposição em Portugal, o PS - Partido Socialista, criticou imediatamente o processo de privatização dos aeroportos do país, classificando-o de "obscuro" pela falta de um concurso de caráter público, com requisitos claros sobre taxas aeroportuárias ou investimentos pelo comprador.

O produto da venda da ANA será um alívio para as necessidades de financiamento de Portugal, cuja dívida equivale já (dados de setembro último) a 120% do PIB. Apesar do resgate financeiro, a economia portuguesa continua mergulhada em uma crise grave, com um desemprego de 16% (que duplicou em apenas três anos) e uma queda de 3% no PIB em 2012.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Quanto vale o nosso idioma?

[O texto abaixo é da autoria de Wilgen Arone e foi publicado na Revista da Cultura, edição 64, deste mês de novembro.]

Estamos acostumados a medir o valor econômico dos objetos a que um idioma dá nome, e não do idioma em si. Se a língua portuguesa estivesse numa prateleira de supermercado, estaria em um empório de luxo ou esquecida a um canto, em promoção num mercadinho?

Um estudo sobre o valor do idioma, solicitado pelo Instituto Camões ao Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), em Portugal, revela que 17% do PIB do país equivalem a atividades ligadas direta ou indiretamente à língua portuguesa. Apesar de o estudo não visar o Brasil, a pesquisa indica que o fenômeno se repete em coeficientes aplicáveis aos países lusófonos. 

O índice da potencialidade do idioma foi apresentado por atividades econômicas, levando em conta a importância relativa da comunicação e da compreensão em campos diferentes. O PIB de um ramo específico foi multiplicado para entender o valor agregado da língua portuguesa na economia, a partir do peso relativo das atividades com maior conteúdo de língua envolvido. Privilegiando, dessa maneira, relações econômicas que exigem uma dada língua e descartando atividades que podem ser executadas por trabalhadores de outra nacionalidade ou competência linguística.


As indústrias culturais têm um conteúdo linguístico muito forte. Portanto, ensino, cultura e telecomunicações seriam celeiros automáticos de atividades em que o idioma é primordial. “Nas telecomunicações, precisamos da língua em 100% para podermos nos comunicar. Além dessas atividades, há outros ramos, como a administração pública e o setor de serviços”, explica José Paulo Esperança, professor de finanças do Instituto Universitário de Lisboa e coordenador do estudo O Valor Econômico da Língua Portuguesa [o texto da conferência do Prof. José Paulo Esperança sobre o assunto está disponível no site do Observatório da Língua Portuguesa].

Já o setor secundário, como a indústria, por exemplo, atrai maior conteúdo de língua para a economia como um todo. Por último, vêm as atividades do setor primário, em que o peso de um idioma é menor ou só relativo. No Brasil, é o que ocorreria, por exemplo, com a extração de petróleo e de minérios, ou os agronegócios. Apanhar morangos ou fazer algo similar, são atividades que podem ser executadas por um imigrante estrangeiro, que não tem conhecimento do idioma.

O crescimento sustentado da última década fez o gigante da língua portuguesa saltar aos olhos globais. O Brasil virou protagonista das relações comerciais mantidas entre países lusófonos, mercado que movimenta um PIB que passou de US$ 1,9 trilhão em 2009 para US$ 2,3 trilhões em 2010, diz o Banco Mundial. Já o PIB dos imigrantes de língua portuguesa em outros países gira em torno de US$ 107 bilhões (2009).

Línguas diferentes são barreiras para a comunicação e o comércio, equivalentes a tarifas que podem ir de 15% a 22%. Esperança acredita que a divergência linguística provoca complicações na hora de negociar. “Um livro, por exemplo, escrito em outro idioma, precisa ser traduzido para ser lido em português. Neste caso, há um custo significativo, que encarece o produto".  

Estudo da Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex), de 2011, mostra que os negócios realizados em língua portuguesa cresceram 11,7% nos três anos anteriores. O fluxo do comércio entre o Brasil e os outros sete membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) pulou de US$ 6,5 bilhões em 2008 para US$ 7,26 bilhões em 2011. Países de língua portuguesa, principalmente Angola e Moçambique, são economias grandes e em franco desenvolvimento, que oferecem inúmeras oportunidades de negócios para empresas brasileiras. “Há um grande interesse dos empresários brasileiros por estes países, o que certamente tem, em alguma medida, relação com a questão linguística”, exemplifica Rogério Bellini, diretor de negócios da Apex.  

Embaixador da Língua

O português, quinto idioma mais falado no mundo, está representado em todos os continentes. Na Europa, ele é a língua oficial de Portugal; na África, de Angola, Guiné-Bissau, Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe; na Ásia, do Macau, ao lado do chinês; na Oceania, do Timor Leste; e, na América, do Brasil, país que, de acordo com o Banco Mundial, representa 77% dos mais de 249 milhões de falantes do idioma. Mas o que tem feito a língua adquirir maior importância é o destaque político, econômico e cultural que a CPLP, em especial o Brasil, vem recebendo no cenário internacional. 

Mas aprender um idioma não é suficiente. Quem o faz tem que assimilar a cultura do país onde ele é falado. “A cultura brasileira tem características próprias que, se bem entendidas e absorvidas, dão vantagens competitivas a quem a absorve”, diz Susanna Florissi, diretora internacional da HUB editora. Empresas que estão investindo no país procuram capacitar seu pessoal para que ele possa se comunicar e formar laços comerciais com seus clientes. “Só quando se fala o mesmo idioma é que se pode construir um relacionamento com parceiros de negócios. Se você trabalha com um tradutor, isso não acontece”, explica Sabine Klinkebiel, representante da América Latina da August Herzog Máquinas.  

Os benefícios para os falantes da língua não se limitam ao mundo dos negócios, mas chegam também à cultura de onde ela é falada. Exemplos são as novelas brasileiras, que se espalharam pelo mundo inteiro, assim como as músicas. O idioma passa ainda a ganhar notoriedade no planeta por meio de personalidades que o falam. Os mais conhecidos no momento, segundo a pesquisa do ISCTE, são o ex-presidente do Brasil, Lula da Silva, os jogadores de futebol Ronaldinho Gaúcho, Cristiano Ronaldo e Figo. Entre os literários, destacam-se Fernando Pessoa, José Saramago, Paulo Coelho, Amália Rodrigues e Luís de Camões.  

Aprendizado do Idioma

Segundo a revista inglesa Monopole, a língua portuguesa está se firmando estratégica e economicamente de forma significativa. Exemplos são a demanda crescente de curso de português para estrangeiros, fluxo de jovens que participam de intercâmbio e o ensino da língua para filhos de imigrantes. Para se ter uma ideia, segundo Florissi, a procura de cursos de português para estrangeiros teve um aumento de, no mínimo, 40% de 2011 a 2012 e o número de pessoas que presta o Celpe-Bras (exame oficial de proficiência em língua portuguesa vertente brasileira) não para de crescer.

Uma das virtudes da internet para a língua portuguesa foi o feito de unir os falantes dos países lusófonos. Com essa integração, o idioma ganhou força e valor no mundo virtual. De sétima língua mais falada na web em 2007, o português é hoje a quinta, ficando atrás apenas de inglês, chinês, espanhol e japonês, que, com exceção do Japão, possuem muito mais falantes do que os países da CPLP. O dado é da pesquisa Internet World Users by Language, de 2011. 

Há um ano, cidadãos portugueses residentes na Suíça enviaram uma petição ao governo português para assegurar o ensino da língua e o acesso à cultura portuguesa para seus filhos. Na Alemanha, as aulas começaram a ser introduzidas no final dos anos 1990. Embora o português não seja um idioma regular como o francês e o inglês, ele é oferecido, em alguns estados, para crianças cuja língua-mãe é o português. O aprendizado é destinado aos pequenos do ensino básico e até a décima série do ensino secundário. “Se essas crianças atuarem na área de importação e exportação, elas terão mais vantagens sobre outras crianças que tiveram e não aproveitaram a mesma oportunidade. É claro que, se uma criança domina um terceiro idioma, além do alemão, ela terá vantagens sobre outras que não dominam”, diz Wolf-Jürgen Karle, do Ministério da Educação, Ciência, Especialização e Cultura da Renânia-Palatinado. 

Seja qual for o idioma, ninguém nega que o multilinguismo aumenta, mais tarde, não só as chances da vida profissional, mas também ajuda a fortalecer culturas. 


(Ilustração: Orlando Pedroso)
 

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Dona da Avianca é escolhida para comprar a TAP

O governo português disse nesta quinta-feira (18) que escolheu a brasileira Synergy Aerospace, conglomerado industrial e de aviação, como a única concorrente para adquirir a estatal TAP (Tap Air Portugal), segundo o jornal inglês "The Wall Street Journal". [O jornal português Público informou ontem que  "para o Governo , a Synergy (holding do multimilionário que detém a Avianca, a peruana Taca e a Avianca Brasil) satisfaz os critérios definidos pelo executivo (por exemplo, assumir negócio da TAP de manutenção de aviões no Brasil, a VEM, e a experiência técnica e de gestão no sector da aviação)].

A Synergy é sócia-majoritária da AviancaTaca Holding SA, segundo maior grupo de aviação da América Latina em tráfego, e é controlada pelo empresário Germán Efromovich. O líder do setor é o grupo Latam Airlines, fusão da brasileira TAM Linhas Aéreas com a chilena LAN.

A portuguesa TAP é a maior transportadora de passageiros entre a Europa e o Brasil e vale cerca de 1,2 bilhão de euros, se avaliada pelo ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 2011 multiplicado por oito -- calculado usado recentemente em acordos do setor segundo o governo e funcionários de companhias aéreas.

Procuradas pelo "WSJ", a Synergy não foi encontrada para comentar o assunto e a AviancaTaca se recusou a comentá-lo. 

Resgate português

A venda foi anunciada pelo secretário dos Transportes de Portugal, Sérgio Monteiro, e deve ser concluída até o fim deste ano, segundo o "WSJ". Monteiro disse que o governo português terá prioridade para comprar a TAP de volta caso a empresa decida vendê-la. Portugal também exigiu que um hub da companhia aérea permaneça em Lisboa.

A privatização da TAP faz parte do plano de resgate de 78 bilhões de euros do governo luso e inicialmente atraiu o interesse de empresas como a British Airways, a espanhola Iberia e a alemã Lufthansa.

AviancaTaca e o Grupo Synergy

O grupo AviancaTaca surgiu da compra da colombiana Avianca, à beira da falência em 2004, e do grupo el salvadorenho Taca em 2009.

O grupo Synergy é uma holding sul-americana fundada em 2003 por Efromovich, empresário brasileiro-colombiano que migrou para a Bolívia após a 2ª Guerra Mundial.  Não está claro como o grupo pretende estruturar o negócio, pois regras da UE (União Europeia) proíbem acionistas não europeus de controlar mais de 49% de uma empresa do continente.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Medidas de austeridade revoltam os portugueses

[O título desta postagem se refere apenas aos portugueses, mas se aplica inteiramente e sem tirar nem por aos gregos e espanhóis, entre outros mais atingidos pela crise do euro. Aliás, também sem grande esforço isso se aplica perfeitamente ao Brasil no caso da saúde pública, com ou sem crise. O artigo que traduzo a seguir foi publicado ontem no jornal francês Le Monde.]

Por muito tempo eles foram os discípulos modelos da zona do euro. Aqueles que aceitavam, quase sem reclamar, as receitas dos financiadores do país: o Banco Central Europeu (BCE), a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI).  Enquanto os gregos iam às ruas e os espanhóis se indignavam, eles, os portugueses, se resignavam ante uma austeridade que objetiva reduzir o deficit público de 9,8% do PIB em 2010 a 4,7% em 2012.

Esse tempo se acabou? Ontem, 11 de julho, os médicos portugueses iniciaram uma greve de dois dias, prometendo a maior mobilização dos últimos vinte anos. Os médicos não se conformam, e contam com o apoio de pacientes exasperados com a visível degradação do sistema de saúde. As listas de espera se alongam com a falta de pessoal, e a parcela de responsabilidade dos segurados no seguro-saúde está se encarecendo para os usuários de serviços públicos. Quanto aos médicos, não se conformam em ver seus salários reduzidos com a supressão de seu 14° salário.

Aos médicos somam-se os enfermeiros, que exigem o cancelamento de uma decisão do governo de fazer terceirização com empresas privadas, pagando menos de 4 euros a hora, diz a agência AFP.

Hospitais superendividados

O objetivo é fazer economia nos hospitais superendividados, e há urgência nisto. No dia 9 de julho, o laboratório alemão Merkel KGaA, cansado de ver suas faturas não serem pagas, ameaçou desistir de seus projetos de pesquisa médica em Portugal. "Uma confiança recíproca é um aspecto importante, mas a falta de disposição do Estado português de pagar o que deve diminui essa confiança", explicou Fritz Sacher, representante da Merck em Portugal, ao jornal Financial Times Deutschland  [a reportagem em alemão tem o título "Merck perde a paciência com Portugal"].

Mas, desta vez os portugueses não parecem dispostos a deixar as coisas passarem em branco. A indignação cresce e se reflete no índice de popularidade do governo, em baixa nos últimos meses. É que, desde o início do ano, "as pessoas começam realmente a perceber e sentir a austeridade, que até agora permanecia muito teórica", diz Diogo Teixeira, do fundo de investimentos Optimize.

Os funcionários e os aposentados tiveram que renunciar a seus 13° e 14° salários, que serviam normalmente para pagar as férias e os impostos. Esse dispositivo poderá, no entanto, voltar à baila em 2013 porque a Corte suprema portuguesa julgou inconstitucional essa medida de austeridade por não ser isonômica, não atingindo senão uma parte da população, e por ser imposta sem limitação de tempo [belo imbróglio futuro ...].

Zelo do governo

Por bravata ou em benefício da ortodoxia orçamentária, o governo de Pedro Passos Coelho (PSD, centro-esquerda) respondeu à Corte que tornará a medida constitucional ..., exigindo sacrifícios equivalentes aos portugueses do setor privado. O Estado não quer se privar dos cerca de 2 bilhões de euros gerados por esse dispositivo.

Com uma recessão estimada em 3% este ano, "já é difícil cumprir com as metas do deficit", constata Gilles Möec, do Deutsche Bank. Em 2011, continua ele, a transferência ao Estado dos fundos de reserva de aposentadoria dos bancos [ao que me parece, algo remotamente parecido ao nosso FGTS]  havia reduzido artificialmente o deficit para cerca de 3% do PIB -- essa benesse não se repetirá mais.  Mas, espera ele, pode ser que o governo ao se mostrar zeloso tenha direito, como o da Espanha, a uma dilatação de prazo para sanear suas finanças.


domingo, 26 de fevereiro de 2012

Os tentáculos do "capo" José Dirceu em Portugal

Se, um dia, qualquer das máfias italianas (a siciliana Cosa Nostra, a napolitana Camorra ou a calabresa 'Ndrangheta) sair pelo mundo afora à caça de um executivo de ponta, certamente ninguém desbancará José Dirceu, a versão tupiniquim mais requintada de um capo mafioso. Há quem diga, ou considere, que ele é uma síntese do que de pior e melhor havia em Rasputin, Richelieu e Maquiavel, um inequívoco reconhecimento de sua extrema habilidade em tramar e permanecer imune a qualquer punição ou contratempo (desempenho melhor que o de Rasputin e Maquiavel ...).

O jornal português Público publicou no domingo passado (19/2/12) uma reportagem de duas páginas -- que reproduzo parcialmente a seguir --, com o título José Dirceu e Portugal, em que  descreve o que chama de "negócios transatlânticos do antigo chefe da Casa Civil de Lula". Tenho o exemplar do jornal à mão mas, estranhamente, não se consegue acessar a reportagem pelo site do jornal -- mas seu texto praticamente integral está disponível em um site brasileiro. Na reportagem, o jornal menciona que José Dirceu está ligado a um grupo de sociedades, de advocacia e de consultoria, que são usadas por grupos portugueses e internacionais que querem investir no Brasil.

Segundo o jornal, José Dirceu é colaborador do Ongoing [forte grupo empresarial português de múltiplas atividades, fundado no final do século 19, que foi investigado pelo Ministério Público no Brasil em outubro de 2010] e parceiro do escritório português Lima, Serra, Fernandes & Associados, e esteve, por exemplo, no epicentro das negociações que deram à Telefónica o controle da operadora brasileira Vivo, entre 2009 e 2010, e que teve como contrapartida a entrada da Oi na Portugal Telecom. Diz o Público que "o advogado e antigo presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) apresenta-se como consultor de multinacionais, promovendo grandes negócios, alguns dos quais precisam de aprovações políticas para se concretizarem". A partir de São Paulo, José Dirceu opera através de duas sociedades: a JD Consultores e o escritório de advocacia Oliveira e Silva & Associados -- para entender essas denominações, basta lembrar que o nome completo dele é José Dirceu Oliveira e Silva.

Em Brasília, a ponte é feita através da consultora JD&S, encabeçada por Júlio César, casado com uma assessora do Palácio do Planalto e braço direito de José Dirceu. E é este consultor que, por vezes, surge para concretizar grandes operações associadas ao líder petista. Seu nome consta de negócios envolvendo grupos portugueses, como é o caso do Ongoing, e espanhóis, como a Isolux, que é representada por Júlio César. Nenhuma dessas três sociedades de José dirceu (JD Consultores, Oliveira e Silva, e JC&S) tem site um site oficial, segundo o jornal português [realmente, não encontrei sites que correspondam ao mínimo de perfil dessas empresas].

Diz o Público que José Dirceu tem muitos amigos em Portugal. Um deles é João Abrantes Serra, um dos sócios do escritório Lima, Serra, Fernandes & Associados, liderado por Fernando Lima, atual presidente da Galilei, ex-Sociedade Lusa de Negócios [grupo empresarial português] e dona do BPN - Banco Português de Negócios. Embora Abrantes Serra tenha confirmado ao jornal uma ligação de vários anos com o escritório brasileiro Oliveira e Silva, de José Dirceu, tal vínculo não consta no site institucional do escritório de advocacia português. Fernando Lima explicou, porém, que o escritório tem local próprio em S. Paulo, onde está "quase sempre" um dos sócios, João Vaz Fernandes. Os registros na Ordem dos Advogados do Brasil indicam que o domicílio profissional de Vaz Fernandes é na Rua Botucatu, o mesmo endereço da firma de José Dirceu. Por outro lado, o escritório LMF & Associados está ainda associado ao JD&S através de André Serra, filho de João Abrantes Serra, o que foi confirmado por Fernando Lima.

Fernando Lima negou-se a confirmar, alegando "sigilo profissional", se o Ongoing é cliente do LSF & Associados. No Brasil o Ongoing recorre, entre outros, aos serviços jurídicos de Lilian Ribeiro, que tem escritório com José Dirceu.  Terá sido, ainda, por via de João Serra que o ex-embaixador em Madri e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, Martins da Cruz, aparece associado à promoção de alguns negócios do outro lado do Atlântico, envolvendo especificamente grupos espanhóis.

Além das relações pessoais citadas acima, diz o jornal português que José Dirceu também é amigo pessoal de Nuno Vasconcellos e Rafael Mora, respectivamente presidente e  vice-presidente do Ongoing, e de Miguel Relvas, ministro de Assuntos Parlamentares (que confirmou manter com José Dirceu uma relação de amizade desde 2004, mas disse que "não o vê há cerca de um ano"). Recentemente, segundo ainda o Público, a imprensa brasileira noticiou que José Dirceu preparava o terreno para a Bandeirantes entrar na RTP [Rádio e Televisão de Portugal], e evidenciou a amizade do brasileiro com o ministro Miguel Relvas, responsável institucional por aquele canal público, como sendo "facilitadora do negócio".

Eis aí um pequeno e expressivo recorte do currículo de José Dirceu, o mentor maior do Mensalão e de inúmeras outras proezas de mesmo quilate ético e moral no cenário político e empresarial brasileiro.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

S&P corta nota de crédiro de 9 países, incluindo França e Áustria

O texto abaixo é da autoria de Hugo Passarelli e foi publicado hoje no blogue E&N Tempo Real do jornal O Estado de S. Paulo.  [Ver postagem anterior sobre o caso da França.]

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s confirmou nesta sexta-feira, 13, que rebaixou as notas de crédito de nove países europeus. Foram eles: Áustria, Chipre, Eslováquia, Eslovênia, França, Itália, Espanha, Malta e Portugal. Ao mesmo tempo, a agência manteve a nota máxima (AAA) da mais importante economia da região, a Alemanha. A S&P também não alterou a sua avaliação sobre os ratings de Bélgica, Estônia, Finlândia, Irlanda, Luxemburgo e Holanda.

No caso da nota francesa, que passou de AAA para AA+, a informação já havia sido confirmada mais cedo pelo ministro de Finanças do país, François Baroin.

A Áustria também perdeu o triplo A e agora tem rating AA+; Itália desceu dois graus na escala da S&P e teve seu rating cortado de A para BBB+; Espanha teve seu rating reduzido de A para AA-; Portugal passou de BBB- para BB. A perspectiva de todos os países foi alterada para negativa (veja os demais países na tabela).
 

PAÍS RATING ANTERIOR RATING ATUAL PERSPECTIVA
Alemanha AAA AAA estável
Áustria AAA AA+ negativa
Bélgica AA AA negativa
Chipre BBB BB+ negativa
Eslováquia A+ A estável
Eslovênia AA- A+ negativa
Espanha AA- A negativa
Estônia AA- AA- negativa
Finlândia AAA AAA negativa
França AAA AA+ negativa
Grécia CC CC negativa
Holanda AAA AAA negativa
Irlanda BBB+ BBB+ negativa
Itália A BBB+ negativa
Luxemburgo AAA AAA negativa
Malta A A- negativa
Portugal BBB- BB negativa
Fonte: Standard & Poor’s


Em dezembro, a Standard & Poor”s colocou em revisão para potencial rebaixamento os ratings de 15 países da zona do euro, afirmando que a tensão sistêmica no bloco monetário aumentaram e passaram a ameaçar o crédito da região como um todo.

Iniciativas das autoridades europeis podem ser insuficientes

No comunicado que explica a decisão de hoje, a S&P afirma que “as iniciativas das autoridades europeias nas últimas semanas talvez sejam insuficientes para abordar as tensões sistêmicas na zona do euro”, acrescentando que o acordo político fechado na reunião de cúpula da União Europeia ocorrida em 9 de dezembro “não oferece recursos adicionais ou flexibilidade operacional para melhorar as operações de resgate ou estendê-las a países da zona do euro que sofrem pressão do mercado".

A agência diz também que as tensões no bloco monetário incluem “o aperto nas condições de crédito, a elevação dos prêmios de risco para um número crescente de emissões da zona do euro, uma tentativa de desalavancagem simultânea dos governos e das famílias, o enfraquecimento nas perspectivas de crescimento econômico e a disputa aberta e prolongada das autoridades europeias sobre a abordagem mais apropriada para enfrentar esses desafios”.

Segundo a S&P, é provável que alguns países europeus continuem enfrentando um custo de financiamento elevado e que haja uma redução na oferta de crédito e no crescimento econômico. “Por outro lado, acreditamos que as autoridades monetárias da zona do euro têm sido instrumentais no que diz respeito a evitar um colapso na confiança do mercado. Vimos que o Banco Central Europeu reduziu com sucesso as exigências para colaterais permitindo que cada vez mais ativos sejam usados como garantias em operações de financiamento e, mais importante, adotou operações de recompra sem precedentes para as instituições financeiras, aliviando as pressões de financiamento de curto prazo para os bancos".