Mostrando postagens com marcador Humor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Humor. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 22 de setembro de 2015

O traço e a verve de Bruno Drummond

Quem lê regularmente ou assina o O Globo tem o prazer de, cada domingo, saborear na Revista O Globo o traço inconfundível e a fina verve de Bruno Drummond, um tremendo cronista do nosso quotidiano. Recomendo a todos fortemente o livro dele "Gente Fina", da coleção Sigmund da editora Desiderata (2007), referência para esta postagem.

Formado em Desenho Industrial e com mestrado em Antropologia da Arte pela UFRJ, ele fez ilustrações para o jornal inglês The Guardian quando morou em Londres, e já foi premiado pelo Salão Carioca de Humor do Rio de Janeiro e pelo Salão Universitário Latino-Americano de Humor de Piracicaba. Inspirado nas crônicas de costumes do Rio, feitas por mestres do cartum como J. Carlos, K. Lixto e Raul Pederneiras, estreou a coluna Gente Fina no jornal O Globo em 2004.



Salvo indicação em contrário, as imagens são do site ww.brunodrummond.com/gente.html -  e/ou do Google. Infelizmente, a resolução da reprodução das imagens deixa muito a desejar, peço desculpas aos leitores.



































quarta-feira, 19 de agosto de 2015

A genialidade de Millôr Fernandes (III)

Ver postagem anterior.

A fonte desta postagem continua sendo o livro "Millôr Definitivo - A Bíblia do Caos" (L&PM Pocket, 1ª edição 1994, reimpressão, 2013). O que estiver entre colchetese em itálico é de minha responsabilidade.


Millôr Fernandes - (Foto: Google)

Batota [fraude em jogo]

Além de transformarem o Brasil num cassino, viciaram a roleta.

Bêbado

O bêbado é o subconsciente do abstêmio.

Beber

‣ Há pessoas que só bebem em circunstâncias muito especiais. Mas consideram especiais todas as circunstâncias em que bebem.

‣ Deve-se beber moderadamente, isto é, um pouco todos os dias.Isso não sendo possível, beber muito, sempre que der. Mas  o  abuso, como a moderação, tem que ser aprendido. O amador que abusa tende a ficar desabusado. (Decálogo do bom bebedor, 1971).

‣ Beber é ruim. Mas é muito bom.

Belle-époque

Não tinham água encanada, sabonete, cinema, permissividade, CD; eram de uma formalidade e hipocrisia extraordinárias, acreditavam no capital como um direito divino. Bonita época!

Besteira

Sempre houve muita besteira no mundo. Mas, no momento em que a tecnologia da comunicação se juntou com o enrolo ideológico, as besteiras se tornaram mais amplas e mais sinistras.

Brasil

‣ Brasil, país do faturo.

‣ Brasil: país governado por um gigantesco tour-de-farsa

‣ Cabral descobriu o Brasil quando estava procurando o acaso.

‣ É evidente que Deus, o supremo arquiteto, projetou o Brasil como uma sala de estar. Mas os proprietários preferem usá-lo como depósito de lixo.

‣ O Brasil é, sempre foi, uma empresa unifamiliar.

‣ Este é o país onde há a maior possibilidade de se criar um mundo inteiramente novo. Caos não falta.

‣ Responda depressa: por que o Brasil tem que ser sempre assim? Qual a justificativa para tanta assimneza?

‣ A sociedade brasileira é uma das mais curiosas do mundo. Mal tem condição de te dar um emprego de salário mínimo. Mas, se um pobre transgride suas regras, bota-o numa prisão que custa seis salários mínimos.

‣ Brasil -- desse mato não sai coelho. Sai é Jacaré, Antônio Carlos Magalhães, cobra, José Sarney, hiena, Paulo Maluf ... (1987)

‣ Brasil, condenado à esperança.

‣ Brasil, país do futuro. Sempre.

‣ Este governo é, no máximo, medíocre material pruma comédia de costumes. (1984)

‣ O Brasil está cada vez mais cheio de pobremas.

Brasileiro cordial

O brasileiro é cheio de cordialidade e bom coração. Quando você encontrar por aí um cafajeste roubando e matando pode perguntar imediatamente "Who are you?", porque se trata certamente de um gringo.

Brasília

‣ Brasília: o maior crime político cometido contra o Brasil.

‣ Brasília é o desnecessário tornado irreversível.

‣ Brasília prova; os países também se suicidam.

‣ Brasília desestimula qualquer um a fazer o que sabe, mas estimula todo mundo a meter a mão no que bem entende.

‣ Brasília foi o marco da descapitalização (em ambos sentidos) do país.

‣ Nas noites de Brasília, cheias de mordomia, todos os gastos são pardos.

‣ O cavalo é um elefante projetado pelo Planalto. Na hora do acabamento tinham desaparecido vinte por cento. (E o pessoal ainda anunciou o fato como uma vitória. Vários projetos anteriores de cavalo resultaram em coelhos e tartarugas.)

Cara de pau

Cara de pau mesmo eu vi ontem. O coroa da Mercedes com ar refrigerado tentando conquistar a mulatinha bonita, em pé no ônibus.

Características

‣ Disse o assessor: "Meu governador é um verdadeiro rato de biblioteca". Disse o assessor de outro governador: "Pois o meu nem entra em biblioteca".

‣ Collor não só tem aquilo roxo, como é pau pra toda obra, sempre com o Cooper feito. (1991)

‣ Nada une mais os brasileiros do que a corrupção. Nada os divide mais do que a probidade.

Carapinha

Carapinha é uma cabeleira cheia de problemas raciais.

Caráter

‣ Caráter é aquilo que faz você melhor do que é. Ou impede você de ser pior, sei lá.

‣ Se o mundo fosse feito à base de caráter, ia faltar muito material.

‣ Tanta plástica no rosto, no seio, na bunda e ninguém aí pra inventar uma plástica no caráter.

Causa e efeito

O homem põe, e a mulher fica indisposta.

Causa-mortis 

Cinquenta por cento dos doentes morrem de médico.

Cautela

‣ Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém, desde que a galinha não seja alimentada a ração com aditivo químico.

‣ É porque quase todos agimos com muita cautela que uns poucos podem ser extremamente audaciosa.

Cavalo

‣ O cavalo é o mais belo animal na criação; sem querer desfazer da pessoa que o monta.

‣ Não resta a menor dúvida de que cavalo é um ser humano como outro qualquer, sem desfazer do presidente que o monta. (Sobre o general João Figueiredo, apaixonado equinólogo. 1983)

Cego

Em terra de cego quem tem um olho não diz a ninguém que o rei está nu.

Cidadania

‣ Cidadão, não deixe de votar. A corrupção precisa de você.

‣ Não pergunte o que o Brasil pode fazer por você. Pergunte o que ele pode fazer por mim. (1965)

‣ Para defendermos os direitos civis temos antes que ser civis direitos.

Cidadão

‣ Cidadão, neste país em que não há qualquer cidadania, passou a significar só cidade grande.

‣ Não pergunte o que seu país pode fazer por você -- pague a Comlurb, o IPTU, o IPVA e os 72 impostos gerais e vê se não chateia.

‣ Um pouco de esquerda, um pouco de direita, um pouco de individualismo, em suma, total hesitação, eis o cidadão ideal para ser robotizado.

Ciúme

‣ O ciúme é o álibi de quem não ama.

‣ Ovo de Páscoa: o motivo por que o galo matou o pavão.

Civil

Sou civil de nascença.

Civilização

‣ Devido a constantes provocações, mais cedo ou mais tarde as nações civilizadas são obrigadas a atacar os povos bárbaros.

‣ Quando é que os milicos vão admitir que civilização vem de civil?

‣ A civilização começou quando todos os seres humanos começaram a comer em horas certas e não mais apenas quando tinham fome.

‣ Chama-se de civilização o esforço conjunto da humanidade durante milhões de anos para se autodestruir estupidamente.

‣ Nesse ritmo de incompetência as civilizações tropicais vão acabar morrendo de frio.

Civismo

Criança, ama com fé e orgulho a terra em que nasceste: não verás jamais outro loteamento como este.






domingo, 16 de agosto de 2015

Uma aula sobre a Manihot Esculenta, vulgarmente conhecida como mandioca -- e, de quebra, uma aula também sobre Antropologia e frases memoráveis

Depois do inesquecível "diuturna e noturnamente", mais exemplos memoráveis da exótica erudição de nossa governante (ou governanta, segundo ela mesma).



Dá p'ra imaginar o emocionante que deve ter sido a conquista da mandioca pelo Brasil...

Que Deus nos proteja nos próximos 3,5 anos.

*******
PS - Com seu dilmês e seu raciocínio ímpares, nossa governanta tem enriquecido substancialmente nosso humor, tanto o negro como o branco. Nas viagens internacionais ela inferniza a vida dos tradutores, que têm que fazer malabarismos para tentar entender o que ela diz e traduzí-lo para o homo e a femina sapiens.  Exemplos de 2014:


Terra curva

Frase: "Eu, para ir, eu faço uma escala. Para voltar, eu faço duas, para voltar para o Brasil. Neste caso agora nós tínhamos uma discussão. Eu tinha que sair de Zurique, podia ir para Boston, ou pra Boston, até porque... vocês vão perguntar, mas é mais longe? Não é não, a Terra é curva, viu?.
Quando: Em Havana, no dia 30 de janeiro de 2014.

O que ela queria dizer: Que a escala feita em Portugal na volta de Zurique era justificável.
**

Árvores plantadas pela natureza

Frase: “A Zona Franca de Manaus, ela está numa região, ela é o centro dela porque é a capital da Amazônia (…). Portanto, ela tem um objetivo, ela evita o desmatamento, que é altamente lucrativo – derrubar árvores plantadas pela natureza é altamente lucrativo".
Quando: Na cúpula da União Europeia, em Bruxelas, em 24 de fevereiro.
O que ela queria dizer: Que a Zona Franca de Manaus oferece uma alternativa econômica ao desmatamento. Em tempo: Manaus é a capital do Estado do Amazonas.
**

Cachorros

Frase: "É interessante que muitas vezes no Brasil, você é, como diz o povo brasileiro, muitas vezes você é criticado por ter o cachorro e, outras vezes, por não ter o mesmo cachorro. Esta é uma crítica interessante que acontece no Brasil".
Quando: Em 11 de abril, durante a inauguração de um sistema de saneamento básico em Porto Alegre (RS).
O que ela queria dizer: Que os críticos muitas vezes vezes são injustos.
**

Ciência

Frase: “E nós criamos um programa que eu queria falar para vocês, que é o Ciência sem Fronteiras. Por que eu queria falar do Ciência sem Fronteiras para vocês? É que em todas as demais... porque nós vamos fazer agora o Ciência sem Fronteiras 2. O 1 é o 100 000, mas vai ter de continuar fazendo Ciência sem Fronteiras no Brasil”.
Quando: Em 7 de maio, no Rio de Janeiro, durante a 9ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas.
O que ela quis dizer: A segunda etapa do Ciência Sem Fronteiras é essencial, apesar de a primeira edição do programa ter atendido 100.000 estudantes.
**
"Eu quero destacar que, além de ser a maior floresta tropical do mundo, a Floresta Amazônica, mas, além disso, ali tem o maior volume de água doce do planeta, e também é uma região extremamente atrativa do ponto de vista mineral. Por isso, preservá-la implica, necessariamente, isso que o governo brasileiro gasta ali. O governo brasileiro gasta um recurso bastante significativo ali, seja porque olhamos a importância do que tiramos na Rio+20 de que era possível crescer, incluir, conservar e proteger." -- Discurso em Bruxelas, em fevereiro de 2014, na sede do Conselho da União Europeia (ver postagem anterior).
**

"Uma nação é grande porque sua população é grande".

"Primeiro eu queria dizer que tenho muito respeito pelo ET de Varginha. E eu sei que aqui, quem não viu conhece alguém que viu, ou tem alguém na família que viu, mas de qualquer jeito eu começo dizendo que o respeito pelo ET de Varginha está garantido". (Entrevista a uma rádio de Varginha em 07/8/2013).

"Paes é o prefeito mais feliz do mundo, que dirige a cidade mais importante do mundo e da Galáxia. Por que da Galáxia? Porque a Galáxia é o Rio de Janeiro. A Via Láctea é fichinha perto da galáxia que o nosso querido Eduardo Paes tem a honra de ser prefeito". (Discurso no aniversário do Rio, em 01/3/2015).


"Eu quero adentrar pela questão da inflação e dizer a vocês que a inflação foi uma conquista desses 10 últimos anos do governo do presidente Lula e do meu governo". (Discurso em 16/4/2013 em Belo Horizonte, na cerimônia de relançamento da produção nacional de insulina).

"O dia da criança é o dia da mãe, do pai, das professoras, mas também é o dia dos animais. Sempre que você olha uma criança, há sempre uma figura oculta que é um cachorro atrás, o que é algo muito importante”. (Discurso ao anunciar investimentos em mobilidade urbana em Porto Alegre em 12/10/2013).



terça-feira, 19 de maio de 2015

Recall




Cláudio Paiva - Revista O Globo, 17/5/2015

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Frase-síntese do segundo mandato de Dilma NPS




"DE TANTO CANCELAR APARIÇÕES PÚBLICAS,  DILMA VAI ACABAR VOLTANDO À CLANDESTINIDADE"

(coluna do Ancelmo Gois, O Globo, 09/5/2015, pág. 20) 

sábado, 14 de março de 2015

Depois da lista da Lava-Jato, uma pergunta completamente cabível e a resposta, idem




QUAL A DIFERENÇA ENTRE UMA CAIXA D' ÁGUA E O CONGRESSO NACIONAL?

A CAIXA D' ÁGUA TEM SÓ UM LADRÃO.

(Fonte: coluna do Ancelmo Gois, no Globo)

quinta-feira, 5 de março de 2015

Concurso: de quem é essa mão?

O blogue lança um concurso, para que seus seguidores adivinhem de quem é a mão mostrada abaixo. Os prêmios, distribuídos por ordem de chegada dos ganhadores, serão atraentes:

1° lugar: viagem à Coreia do Norte com o NPA (Nosso Pinóquio Acrobata, Lula), em um jato executivo da Camargo Corrêa, ou da OAS, ou da Odebrecht, patrocinadoras de viagens do ex-presidente ao exterior (obs.: não é coincidência não, essas empresas estão realmente envolvidas no petrolão e as viagens do NPA patrocinadas por elas ocorreram enquanto o petrolão ainda bombava);

2° lugar: um almoço encantador com Dilma NPS (Nosso Pinóquio de Saia), que passa por um momento de apaixonado flerte com o Congresso Nacional após mais uma derrota do governo na Câmara dos Deputados sob a batuta de Eduardo Cunha e depois de Renan Calheiros ter devolvido ao Planalto a MP 669/2015.



(Charge de Quinho)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Cofundador do Charlie Hebdo diz que editor assassinado 'arrastou' a equipe para a morte com cartuns provocativos

[Abordei em postagem anterior a tragédia do massacre dos 12 jornalistas do jornal satírico francês Charlie Hebdo. Traduzo hoje reportagem do jornal britânico The Independent, publicada em 15/01, na qual um cofundador daquele jornal diz que o editor do jornal, um dos 12 assassinados, "arrastou" a equipe para a morte ao publicar cartuns provocativos. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]



O fundador disse que aconselhou o editor a não publicar os cartuns do Profeta - (Foto: The Independent) 

Um fundador do periódico francês Charlie Hebdo acusou seu editor, que foi morto por atiradores mascarados na quarta-feira passada, de "arrastar a equipe" para a morte ao publicar cartuns provocativos sobre o profeta Maomé .

Henri Roussel, 80, que contribuiu para o primeiro número do periódico em 1970, quando este era conhecido como Hara-Kiri Hebdo, havia escrito para o editor Stéphane Charbonnier -- conhecido como "Charb"-- para falar dos desenhos que provocam discórdia: "Na realidade, o culpo por isso". 

Referindo-se à decisão do editor de publicar um desenho do profeta Maomé na primeira página em 2011, Roussel -- que atua na imprensa com o pseudônimo Delfeil de Ton -- escreveu na revista semanal francesa Le Nouvel Observateur desta semana: "O que o fez sentir necessidade de arrastar a equipe ao exagero?", informa o jornal britânico The Telegraph

[O vídeo a seguir, feito por amadores e comentado pela CNN, mostra os terroristas em ação após o ataque ao Charlie Hebdo enfrentando um carro da polícia.





O vídeo seguinte mostra que o policial morto sobre a calçada não foi atingido pelo último tiro dado por um dos terroristas.]




A primeira página consistia de um desenho do profeta Maomé, que dizia: "100 chibatadas se você não morrer rindo!" sob uma manchete que dizia "Charia Hebdo", uma referência à lei da charia [Charia é o nome que se dá ao Direito Islâmico. Em várias sociedades islâmicas, ao contrário da maioria das sociedades ocidentais, não há separação entre a religião e o direito, todas as leis sendo religiosas e baseadas nas escrituras sagradas ou nas opiniões de líderes religiosos. A charia é o corpo da lei religiosa islâmica. O termo significa "caminho" ou "rota para a fonte de água", e é a estrutura legal dentro do qual os aspectos públicos e privados da vida do adepto do islamismo são regulados, para aqueles que vivem sob um sistema legal baseado na fiqh (os princípios islâmicos da jurisprudência) e para os muçulmanos que vivam fora do seu domínio. A charia lida com diversos aspectos da vida cotidiana, bem como política, economia, bancos, negócios, contratos, família, sexualidade, higiene e questões sociais.]. Logo depois, a sede do jornal foi incendiada com um ataque a bomba cujos autores não foram identificados.

Charlie Hebdo está ampliando para 5 milhões de cópias sua "edição dos sobreviventes", quando sua tiragem normal é de 60.000 exemplares. A primeira tiragem esgotou-se em horas, enquanto pessoas formavam longas filas esperando para comprar seu exemplar. 

Delfeil acrescenta: "Acho que somos idiotas que correram um risco desnecessário. Eis a questão. Achamos que somos invulneráveis. Durante anos ou mesmo décadas, fizemos provocações e um dia as provocações viraram-se contra nós. Ele não deveria tê-lo feito, mas Charb o fez novamente um ano depois, em setembro de 2012". 

Uma edição feita um ano após o ataque a bomba mostrava o profeta Maomé em uma cadeira de rodas, dizendo: "Você não pode ridicularizar". Outro cartun dentro do jornal mostrava o profeta nu. [Fazer isso com qualquer entidade é injustificável e inaceitável, com a agravante, no caso, de uma religião como o  islamismo que não aceita que Maomé seja mostrado sob a forma de qualquer tipo de imagem. É, realmente, brincar com fogo usando por escudo apenas um lápis e o conceito -- a meu ver aqui profundamente distorcido -- de liberdade de expressão. Foi uma provocação estúpida.]

Os irmãos Cheri e Said Kouachi e um outro homem, Amedy Coulibaly, foram mortos a tiros após uma caçada de três dias, depois que mataram ao todo 17 pessoas em Paris. Foi dito que os três foram ouvidos gritando "vingamos o profeta Maomé!". Um vídeo supostamente da al-Qaeda no Iêmen afirma que ela planejou o ataque ao Charlie Hebdo.

[Eis o vídeo atribuído à al-Qaeda.]




Entretanto, as alegações feitas por Henri Roussel irritaram o advogado do Charlie Hebdo, Richard Malka, que tem trabalhado para a publicação nos últimos 25 anos. 

Ele disse a Mathieu Pigasse, um dos proprietários do Nouvel Observateur e do Le Monde: "Charb ainda sequer foi enterrado e o Obs não achou nada melhor do que publicar um texto polêmico e venenoso sobre ele". 

"Outro dia mesmo, o editor do Nouvel Obs, Mathieu Croissandeau, não tinha mais lágrimas para dizer que continuaria a luta [do Charlie Hebdo]. Eu não sabia que ele queria dizer que o faria dessa maneira. Me recuso a ser invadido por maus pensamentos, mas o meu desapontamento é imenso". 

Croissandeau disse: "Recebemos esse texto e, após um debate, decidimos publicá-lo em uma edição sobre a liberdade de expressão. Seria angustiante para mim censurar sua voz, mesmo sendo ela discordante. Principalmente sendo essa a opinião de um dos pioneiros do grupo".








quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Não somos todos Charlie

[Os atentados aos jornalistas do Charlie Hebdo e à mercearia judaica em Paris foram mais dois exemplos de barbárie inconcebível e inadmissível. Os resultados disso, em toda sua extensão, são ainda imprevisíveis mas apontam inequivocamente para mais radicalização de ambos os lados -- onde isso chegará, não se sabe. O caso do jornal satírico francês reacendeu o debate sobre a liberdade de expressão e seus eventuais limites. 

O Charlie Hebdo usou sempre o máximo de irreverência e desrespeito para atingir a tudo e a todos, fazendo vista grossa a quaisquer aspectos de segurança do próprio jornal e da sociedade francesa com suas sátiras e a quaisquer limites em relação à sensibilidade de terceiros. Ridicularizar Maomé e o islamismo me parece absolutamente desrespeitoso e condenável, além de não ser nada prudente conhecendo-se o nível de violência com que muçulmanos radicais reagem a esse tipo de provocação. Nesse aspecto, acho que o jornal descambou para a área da irresponsabilidade e os resultados, infelizmente, são os que se estão vendo. Reproduzo a seguir o excelente artigo da jornalista Dorrit Harazim no O Globo de 11/01/15.]

Não somos todos Charlie

Dorrit Harazim -- O Globo, 11/01/2015



Como observou o escritor americano Philip Gourevitch na revista “New Yorker", “mesmo nas sociedades ocidentais mais livres, poucos jornalistas são ‘Charlie’”
Hoje à tarde (15h em Paris), o presidente François Hollande, a chanceler alemã Angela Merkel e os chefes de governo da Espanha, do Reino Unido e da Itália estarão a postos na Place de la République. Deverão participar da programada marcha monumental, solene e republicana em homenagem aos fuzilados no atentado que dizimou a redação do semanário satírico “Charlie Hebdo".
A esperada massa humana se dividirá em três percursos até a Place de la Nation e, por certo, se verão centenas de milhares de manifestantes empunhando lápis, canetas e variações do singelo cartaz-ícone sob fundo negro que resume o sentimento global: Je suis Charlie, Nous sommes tous Charlie, Lyon est Charlie, L’Europe est Charlie.
A rapidez com que o bordão solidário se espalhou na internet pode ter dado a impressão de que a parte da sociedade mundial que se considera civilizada assumiu a causa dos cartunistas assassinados.
Não é bem assim. “Charlie Hebdo" não cabe numa hashtag. Nem numa marcha de solidariedade. Muitas das publicações que hoje honram os cartunistas mortos como mártires da liberdade de expressão teriam rejeitado como sendo de mau gosto, impróprios, talvez obscenos, os desenhos de George Wolinski, Stéphane Charbonnier (Charb), Jean Cabut (Cabu), Philippe Honoré e Bernard Verlhac (Tignous).
Eles eram tudo isso, e de propósito. Não raro de mau gosto, impróprios ou obscenos, usavam a liberdade de provocar e distribuir blasfêmias em dosagens iguais a todas as vítimas de seus desenhos. Sobretudo, exercitaram um humor contra a presunção de que algum indivíduo ou grupo é dono exclusivo da verdade.
Não somos todos Charlie. Apenas eles o foram. Como observou o escritor americano Philip Gourevitch na revista “New Yorker", “mesmo nas sociedades ocidentais mais livres, poucos jornalistas são ‘Charlie’”.
Ele explica o motivo: “Porque arriscamos tão pouco por aquilo que dizemos valorizar tanto. Porque a maioria de nós é relativamente inofensiva, enquanto os Charlie estavam sempre prontos a ofender o que os ofendia. E não somos Charlie, hoje, porque estamos vivos”.
Eles não eram jornalistas comuns que refinam a arte do metiê. Foram cartunistas satíricos e provocadores que trabalhavam com o exagero, o excesso. Um tweet postado no dia do massacre pelo “New York Times" dizia que o “Charlie Hebdo" “sempre testou os limites da sátira”. Mas onde está escrito que sátira tem ou deve ter limites?
Nem o “Times” nem o “Washington Post" nem a CNN nem a agência Associated Press reproduziram em suas páginas os cartuns que estiveram na raiz dos ataques. “Temos por norma evitar a publicação de material que é clara, deliberada e desnecessariamente ofensivo a grupos religiosos”, explicou o editor executivo do “Post” à “Columbia Journalism Review".
“Imagens”, escreveu o americano Arthur Goldhammer, do Centro de Estudos Europeus da Universidade de Harvard, “ao contrário da palavra escrita, atravessa fronteiras linguísticas como se elas não existissem. Seu efeito é imediato e, no caso do ‘Charlie’, visceral”.
A sátira é perigosa e poderosa por embaralhar as coisas num mundo cada vez mais reduzido a debates simplistas entre dois extremos. É um tipo de humor que assume riscos altos e atua como arma contra qualquer dogma. É uma forma de comunicação complexa, enquanto o fundamentalismo (qualquer um) é para quem pensa em termos rígidos. Seu poder não é subestimado por nenhum poderoso.
Do comediante egípcio Bassem Youssef, forçado pelos militares a sair do ar na época da Primavera Árabe no Cairo ao recente ataque cibernético da Coreia do Norte à Sony contra a exibição do filme satírico “A entrevista”, o humor mordaz, de fato, morde.
Para o historiador britânico Timothy Garton Ash, professor de Estudos Europeus em Oxford, a garantia de liberdade de expressão exige mais dos meios de comunicação do que se declarar Nous sommes tous Charlie. “A mídia da Europa deveria responder com a publicação coordenada, na próxima semana, de algumas charges do semanário satírico (e fornecer, junto) a explicação do motivo pelo qual as está publicando. De outro modo o veto dos assassinos prevalecerá”.
O colunista brasileiro Janio de Freitas publicou proposta semelhante no mesmo dia: jornais de todo o mundo deveriam publicar em suas primeiras páginas, num mesmo dia, a charge que levou o terrorismo islâmico a tramar vingança. Serviria de demonstração aos fanáticos que a violência praticada por eles “pode tornar universal o que pretendem reprimir”.
“Papai morreu mas Wolinski vive”, disse a filha do genial desenhista.
Fica a dúvida de como os cartunistas do “Charlie Hebdo" ilustrariam a execução de que foram vítimas. É de se suspeitar que o resultado fugiria às regras do bom gosto. É certo, porém, que os criadores da revista decapitada ficariam perplexos ao estarem sendo homenageados como bastiões de uma liberdade que sempre consideraram periclitante e necessitada de oxigênio.
A atual veneração global de que são alvo certamente fabricaria uma charge demolidora e impiedosa — contra eles mesmos.

Em tempo: Mustapha Ourrad, jornalista de ascendência argelina e revisor do “Charlie”, foi um dos 12 mortos no atentado ao semanário. Era muçulmano.

O policial Ahmed Merabed também. Estendido na calçada e já ferido pelos irmãos Cherif e Said, ligados à al-Qaeda, foi executado com mais um tiro de Kalashnikov por proteger o direito do “Charlie Hebdo" de satirizar Maomé.
A França em sobressalto, a Europa desnorteada, o mundo em desordem e a mídia começam 2015 com uma agenda decisiva: o combate ao terror sem mexer na liberdade de expressão.


A capa de quarta-feira, 07/01/2015, a última (Imagem: Charlie Hebdo) -- [No topo da capa: Jesus - Ele existiu? -- Houllebecq (Michel H., escritor francês) e sua conversão, por Bernard Maris -- A esquerda e o dinheiro -- Vergonha e hipocrisia -- Apelo às doações -- Ainda se necessita disso! -- Legendas da caricatura: As previsões do mago Houllebecq -- Em 2015 eu perco meus dentes, em 2022 faço o Ramadã -- No rodapé da capa: A verdadeira história do Pequeno Jesus -- Edição fora de série, à venda nas bancas]





terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Como o país está sem problema nenhum, Dilma NPS criou o Dia do Macarrão

LEI Nº 13.050, DE 8 DE DEZEMBRO DE 2014.


A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: 
Art. 1o  Fica instituído o Dia Nacional do Macarrão, a ser celebrado em todo território nacional, anualmente, no dia 25 de outubro. 
Art. 2o  Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. 
Brasília, 8 de dezembro de 2014; 193o da Independência e 126o da República.  

DILMA ROUSSEFF

Isso que aí está é um dos vários resultados imbecis da junção de um Congresso política e moralmente obsceno com uma presidente hipócrita e prepotente, que se delicia em fazer jogo duplo com o país. Certamente para eles (a madame e o Congresso), essa orgia de corrupção na Petrobras e alhures não passa de uma tremenda macarronada, de fácil engolição para a madame desde que bem temperada. Para isso, eles contam com a equipe financeiro-gastronômica do PT -- à frente o chef NPA (Nosso Pinóquio Acrobata, Lula), com João Vaccari Neto a tiracolo -- especializada em receitas de transformar dinheiro sujo em doações "legais" e metamorfosear outras receitas tronchas, afogadas em corrupção, em pratos de aparência e gosto supostamente palatáveis. No PT, finanças e cozinha são siamesas porque os petralhas manipulam as finanças como se estivessem fazendo um mexido -- o "virado" dos paulistas. A fama dessa equipe petralha sofreu severo abalo, com as diarréias provocadas pelo mensalão, e agora, pelo petrolão, mas a equipe continua firmemente prestigiada pelo governo, por Dilma NPS, pelo guru NPA e, obviamente, pelo partido do 13. 

O esforço agora da petralhada é para provar ao país que o João Vaccari Neto do petrolão é apenas um sósia e um homônimo do João Vaccari Neto que é Secretário de Finanças e Planejamento do PT -- embora o dinheiro manipulado por ambos para encher as burras do partido fosse exatamente o mesmo, inclusive no número de série das notas (verdes e/ou amareladas).

Mas, voltemos à gastronomia de Dilma NPS. Com o andar da carruagem, pode-se esperar que ela e o Congresso criarão um dia para a salada russa, outro para o virado petista, outro para a (en)rabada (este último válido para o ano todo). Mas o trunfo mesmo será um prato cuja receita vem sendo elaborado a dezenas de mãos, todas com luvas vermelhas com o número 13, que terá o significativo e emblemático nome de "orgia petroleira".  É um prato forte, que já nas provas iniciais vem provocando indigestão em muita gente e já ronda os intestinos do Palácio do Planalto.