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sábado, 1 de outubro de 2016

Micróbios descobertos na Groenlândia, os mais antigos traços de vida sobre a Terra

[Traduzo a seguir reportagem de Jean-Paul Fritz, publicada no site francês L'Obs. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]

Essas camadas irregulares seriam um sinal de vida - (Foto: Allen Nutman/Nature)

Dois montículos de minerais de alguns centímetros, preservados no solo da Groenlândia e revelados pelo derretimento do gelo: essa foi a descoberta feita por uma equipe de pesquisadores que reivindica o título de prova mais antiga de traços de vida em nosso planeta. A equipe, reunida pelo professor Allen Nutman, da Universidade de Wollogong (Austrália), publicou em 1 de setembro corrente na revista Nature os resultados de suas pesquisas. 

Bactérias que criaram agitação

Rochas datadas de 3,7 bilhões de anos preservaram umas espécies de miniondas, deixadas na camada de sedimentos que repousavam antigamente no fundo do mar, são o único traço que teria sido deixado pela atividade de grupos de bactérias. A análise da composição química e da forma desses "montículos", que os especialistas chamam de estromatólitos [estromatólito pode ser definido como uma rocha fóssil formada por atividades de microrganismos em ambientes aquáticos que, quando acumulados no fundo de mares rasos, formam uma espécie de recife], permite compará-los a estruturas similares formadas hoje por certas bactérias marinhas. 

Pois seguramente, não há "esqueletos" nem "conchas" de micróbios, nem traços de "folhas de bactérias": os organismos vivos multicelulares capazes de deixar traços  identificáveis no solo chegaram muito mais tarde. Para encontrar provas de existências de vida apenas algumas centenas de milhões de anos após a formação da Terra, é portanto necessário analisar estruturas como os estromatólitos.

Resta saber se a descoberta feita pela equipe do professor Nutman é de fato uma prova irrefutável da presença de micróbios. Alguns de seus colegas põem isso em dúvida, como é o caso da paleontóloga Kathleen Gray que considera que "infelizmente não há prova convincente para uma reivindicação dessa importância". Da mesma forma, Tanja Bosak, geobiologista do Instituto Massachusetts de Tecnologia (MIT, na sigla inglesa), antes de se pronunciar gostaria de saber se os estromatólitos estudados têm pequenas quantidades de matérias orgânicas. 

A vida teria mais de quatro bilhões de anos

Segundo o professor Nutman, esses fósseis têm 200 milhões de anos a mais que os estromatólitos mais antigos conhecidos, descobertos no oeste da Austrália, o que faria reviver as provas de existência de vida em um período muito antigo da história da Terra. "A importância dos estromatólitos é que não apenas nos fornecem uma prova evidente de vida antiga visível a olho nu, mas são também ecossistemas complexos", explica o cientista.

"Isso mostra também que num período tão longínquo quanto há 3,7 bilhões de anos, a vida microbiana já era variada. Essa diversidade mostra que a vida emergiu nas  primeiras centenas de milhões de anos de vida da Terra, o que é coerente com os cálculos dos biólogos que mostram a grande ancianidade do código genético da vida". 

LUCA [Last Universal Common Ancestor], o último ancestral comum universal dos seres hoje viventes na Terra, remontaria a 3,8 bilhões de anos, mas a vida pôde emergir antes disso. Um estudo publicado em outubro passado, ainda em discussão, destaca a descoberta de microorganismos em zircões [zircão: mineral de coloração variada, principal fonte de zircônio, usado como refratário e, quando incolor, como gema] de 4,1 bilhões de anos, o que complica ainda mais o calendário ...

O início cataclísmico da Terra

Para compreender melhor o problema de se  datar as origens da vida, é preciso remontar ao nascimento da Terra. Isto se efetuou quando do início do sistema solar (4,6 bilhões de anos), pela agregação, pouco a pouco, de grandes asteroides até formar-se uma grande bola esférica de rochas e gás (sua atmosfera primitiva). Mas inúmeros cataclismas marcaram sua história: ela teria sido atingida por um planeta do tamanho de Marte, o que teria formado a dupla Terra-Lua. [Se antes Terra e Lua eram um corpo só, por que e como depois da separação apenas a Terra ficou habitável?]

Posteriormente, eis que por volta de 4 bilhões de anos, veio o  que foi denominado o "grande bombardeio tardio" [também chamado de "intenso bombardeio tardio"]. Vê-se a prova disso levantando os olhos para a Lua: inúmeras de suas crateras se formaram nesse período, quando os asteroides caiam abundantemente sobre ela.

Com relação à origem da vida, há pois um limite inferior frequentemente colocado: ela teria surgido após o intenso bombardeio tardio, e os asteroides (e cometas) teriam trazido certos elementos necessários à sua aparição. As condições cataclísmicas causadas pelas quedas frequentes de grandes asteroides teriam impedido qualquer  tipo de vida antes disso. Vê-se que a descoberta feita pela equipe do professor Nutman se situa bem em tal calendário.

A importância para a vida ... em Marte e alhures

O interesse do estudo publicado na revista Nature não reside forçosamente na pedra com que ela contribuiu para a história da vida sobre a Terra. Os astrobiologisas, especialistas em estudo da vida possível em outros planetas, olham-no com muita atenção. Porque, se a vida pôde surgir muito rapidamente após a formação da Terra, isso significa que ela igualmente tenha podido aparecer muito rapidamente em outros planetas hoje inóspitos.

Esse é bem o caso de Marte. "Essa descoberta representa uma nova referência para as provas preservadas mais antigas da vida na Terra", explica o professor Martin Van Kranendonk, diretor do centro australiano de astrobiologia e coautor do estudo. "Ela mostra uma rápida emergência da vida sobre a Terra, e dá suporte à pesquisa da vida das rochas de ancianidade semelhante em Marte".  Porque o planeta vermelho teria tido um oceano e uma atmosfera mais espessa há cerca de 4 bilhões de anos. Condições semelhantes às da Terra de então -- se a vida pôde aparecer tão depressa em nosso planeta, por que não em Marte? Àluz de teorias recentes, poder-se-ia colocar a mesma pergunta com relação a Vênus, que poderia também ter tido um oceano em passado longínquo.

Com respeito a Marte, a esquisa de estromatólitos poderia até mesmo ser facilitada: não há tectonismo de placas em Marte, e portanto as camadas sedimentares devem estar mais bem preservadas que na Terra.
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As belezas da Groenlândia ameaçada pelo derretimento do gelo


"A Groenlândia está em processo de derretimento", alerta o The New York Times (NYT) em um excelente artigo interativo em inglês, publicado em 27 de outubro passado - (Foto: AP Photo/Extreme Ice Survey, James Balog)

Como explica o NYT, os aumentos de temperaturas acarretam a formação de lagos sobre a superfície do gelo. A água circula em seguida nos rios, depois em cavidades profundas chamadas "moinhos", que a drenam para o oceano. "A calota glacial é porosa, como um queijo", afirma um pesquisador citado pelo jornal americano - (Foto: AP Photo/John McConnico)

 Este glaciar, visto no sudoeste da Groenlândia, perdeu três quilômetros de gelo em relação a 1935, afirma a equipe dinamarquesa que fez esta foto aérea para compará-la com uma imagem da época - (Foto: SIPANY/SIPA)

Imagem do mesmo local da foto anterior, tirada em 1935 - (Foto: de arquivo)

 Fissuras ou gretas importantes na baía de Melville, no sudoeste da Groenlândia. Elas resultam da aceleração do movimento dos glaciares, que deslizam rumo ao oceano em consequência do aquecimento - (Foto: NASA/Op. IceBri/REX Shu/SIPA)

Foto feita por Marketa Kalvachova, uma fotógrafa tcheca que corre o mundo em busca de glaciares. Assim como mostra o site Le Temps, os icebergs se tornam ao mesmo tempo mais numerosos e menores ao longo dos anos, devido ao escoamento mais rápido dos glaciares - (Foto: Marketa Kalvachova/Cater News Agency/SIPA)

Uma outra foto feita por Marketa Kalvachova, mais perto do gelo - (Foto: Marketa Kalvachova/Cater News Agency/SIPA)


Como mostrado em nossa apresentação de slides sobre o derretimento dos glaciares, a Groenlândia perde a metade de sua superfície glacial no verão. Entretanto, em 2012, essa diminuição chegou a 97%, uma amplitude raríssima - (Foto: AP Photo/Extreme Ice Survey, James Balog)


Um iceberg em processo de derretimento na costa de Ammasalik, uma ilha no sudoeste da Groenlândia. Se todo o gelo da Groenlândia derretesse, o nível do mar subiria 6 metros, informa o NYT - (Foto: John McConnico/AP/SIPA)


Esta foto, feita em 2011, mostra um cientista durante a instalação de um GPS que permitiria estudar os movimentos do glaciar Jakovshav, perto de Ilulissat [terceira maior povoação da Groenlândia, com 4.546 habitantes] - (Foto: AP Photo/Brennan Linsley)


Uma vista da cidadezinha de Ilulissat, declarada patrimônio mundial pela Unesco por seu fiorde com imponentes icebergs - (Foto: Ellen Creager/Detroit Free Press/MCT/Sipa USA)


A base científica Summit Station está situada no coração da Groenlândia, longe de tudo, a mais de 3.000m de altitude. Em seu artigo, o NYT informa que o governo americano gasta cerca de 1 bilhão de dólares por ano paa financiar a pesquisa científica no Ártico e na Antárdida - (Foto: AP Photo/Brennan Linsley)


Entretanto, o orçamento americano dedicado à pesquisa está na mira de alguns céticos climáticos pertencentes ao Partido Republicano, segundo os quais as mudanças climáticas não estão ligadas à atividade humana, relata o NYT. Na foto, pesquisadores no interior da Summit Station - (Foto: AP Photo/Brennan Linsley)


O mundo branco: um avião se prepara para o reabastecimento, próximo à Summit Station - (Foto: AP)



Um pescador inuíte [povo esquimó que habita o Alasca e a Groenlândia] em Iluissat, em julho de 2011 - (Foto: AP Photo/Brennan Linsley)


Ainda que isolada, a Groenlândia recebe visitantes de tempos em tempo, como esse navio do Greenpeace, o Arctic Sunrise, visto aqui sobre blocos de gelo no nordeste da Groenlândia - (Foto: Christian Aslund/ CATERS NEWS / SIPA)


O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também se deslocou para aGroenlândia em março de 2014, sob a perspectiva da reunião de cúpula sobre o clima que se realizaria em Nova Iorque alguns meses mais tarde. Estava acompanhado pela primeira-ministra groenlandesa Aleqa Hammond (segunda à esquerda) e pela primeira-ministra dinamarquesa Hell Thorning-Schmidt. A Groenlândia pertence ao Reino da Dinamarca como país integrante, junto com a própria Dinamarca e as Ilhas Féroé - (Foto: AP Photo/POLFOTO, Leiff Josefsen)








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quarta-feira, 5 de março de 2014

Porque a Suécia tem tão poucas mortes no trânsito

[Em 2010, o Brasil teve 40.610 mortos no trânsito. Em 2012, esse número subiu para 43.000 -- um acréscimo de 5,9% -- o que nos colocou no quarto lugar no ranking mundial nessa estatística trágica. Em 2012, a cada hora morreram quase 5 brasileiros no trânsito. Na Suécia, no ano passado, morreram 264 pessoas em acidentes de trânsito -- para uma população 20,8 vezes maior que a sueca (198 milhões contra 9,5 milhões) tivemos 162,9 vezes mais acidentes fatais de trânsito que eles. É mais do que evidente que há algo de muito errado conosco, também nesse quesito. A reportagem traduzida abaixo foi publicada na revista inglesa The Economist em 26 de fevereiro passado. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]


Foto: Rex Features - Fonte: The Economist

No ano passado, 264 pessoas morreram em acidentes de trânsito na Suécia, um valor baixo recorde. Embora o número de carros em circulação e a quilometragem rodada tenham ambos mais que duplicado desde 1970, o número de mortes no trânsito caiu em mais de 80% no mesmo período. Com apenas três de cada 100.000 suecos morrendo no trânsito por ano, comparados com 5,5 por 100.000 na União Europeia, 11,4 nos EUA e 40 na República Dominicana, que tem o trânsito mais mortífero do mundo, as pistas [ruas e rodovias] suecas tornaram-se as mais seguras do planeta [contra 22 por 100.000 no Brasil]. Outros lugares, como a cidade de Nova Iorque, estão tentando copiar seu êxito. Como a Suécia conseguiu isso?

Depois de alcançarem um pico em acidentes fatais nos anos 1970, os países ricos melhoraram muito na redução dos acidentes de trânsito. Os países pobres, ao contrário, têm visto um aumento na taxa de mortalidade nesse setor, em decorrência do aumento na venda de carros. Em 1997, o parlamento sueco converteu em lei um plano de "Visão Zero", prometendo acabar de uma vez com os acidentes fatais e as lesões no trânsito. "Nós simplesmente não aceitamos mortes e lesões em nossas pistas de trânsito", diz Hans Berg, da agência nacional de transportes. Os suecos acreditam -- e agora confirmam isso -- em que podem ter mobilidade e segurança ao mesmo tempo.

Planejamento desempenhou o papel mais importante na redução de acidentes. As pistas de rolamento na Suécia são construídas com a segurança tendo prioridade sobre velocidade ou conveniência. Limites de velocidade baixos em áreas urbanas, zonas de pedestres, e barreiras que separam carros de bicicletas e de trânsito em sentido contrário também contribuíram para isso. Calcula-se que a construção de 1.500 km de pistas "2+1" -- em que cada faixa de trânsito usa desvios para utilizar uma faixa central para ultrapassagem -- tenha salvado cerca de 145 vidas na primeira década do Visão Zero. E 12.600 cruzamentos mais seguros -- incluindo passarelas para pedestres, e zebras ladeadas por luzes pisca-pisca e protegidas por lombadas redutoras de velocidade -- são considerados como tendo reduzido à metade o número de mortes de pedestres nos últimos 5 anos. Policiamento rígido também ajudou: hoje, menos de 0,25% dos motoristas testados estão acima do limite de álcool permitido. Mortes de crianças abaixo de 7 anos no trânsito também despencaram: em 2012 houve apenas uma, comparada com 58 em 1970. [Há 50 anos atrás, quando estagiei na Suécia, conheci um brasileiro que se viu forçado a deixar o país para não ser processado e condenado por ter sido apanhado dirigindo bêbado. Na mesma época, nas proximidades de locais de festas no final das noitadas era comum ver pessoas na beira das calçadas balançando as chaves dos seus carros -- eles preferiam passar o volante para um estranho, do que ser apanhados dirigindo bêbados. Evidentemente, tudo isso só funciona numa sociedade com altíssimo grau de educação, onde a Lei é realmente igual para todos e é aplicada implacavelmente, e a segurança é máxima -- tudo ao contrário do que acontece por aqui.]

Os suecos conseguirão atingir sua meta de "zero acidentes"? Os defensores da segurança no trânsito são confiantes em que isso é possível. Com as mortes reduzidas pela metade desde 2000, eles estão bem nesse caminho. O próximo passo será será reduzir ainda mais o erro humano, por exemplo através de carros que alertam contra o dirigir bêbado por meio de bafômetros embutidos no veículo. Seria também útil para isso a implementação mais rápida de novos sistemas de segurança, como por exemplo alertas contra aumento de velocidade ou cintos desafivelados. E por fim, os carros podem se livrar completamente dos motoristas. Isto pode não estar tão distante como parece: a Volvo, um fabricante de carros, testará um programa piloto de carros sem motoristas em Gothenburgo em 2017 em parceria com o Ministério dos Transportes. Sem motoristas erráticos, os carros podem finalmente transformar-se no meio de transporte mais seguro.

Veja também:



quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Acabou a novela: Brasil opta pelo caça sueco Gripen para a FAB

[Finalmente, acabou a novela da compra de caças para a FAB: o escolhido foi o avião sueco Gripen. A escolha do avião de caça de múltiplo emprego da nossa Força Aérea, o programa FX-2, está muito atrasada -- a primeira versão foi apresentada há 17 anos, em 1996. A decisão sofreu diversos adiamentos, o último em 2011 já no governo atual. A notícia abaixo foi publicada no jornal Estadão de hoje.]




O caça sueco Saab Gripen NG, o novo avião de combate da FAB - (Fotos: AFP).


O caça de fabricação sueca Gripen, da Saab, é o escolhido para firmar parceria com a Força Aérea Brasileira para o programa FX-2, em substituição aos Mirage, que se 'aposentam' no próximo dia 31. O anúncio oficial sobre a concorrência que já foi adiada por cerca de 18 anos será feito nesta quarta-feira, 18, às 17 horas, pelo ministro da Defesa, Celso Amorim.  Além dos suecos, estavam na disputa caças da França, o Rafale, e dos Estados Unidos, o F-18.
Na Força Aérea, o Gripen sempre foi considerado favorito porque, apesar de ter muitos componentes norte-americanos, é um projeto a ser desenvolvido em parceria conjunta com o Brasil. Com isso, o Brasil irá adquirir 36 aeronaves de combate da Saab, que irá transferir a tecnologia dos caças para a Força Aérea Brasileira (FAB).
O objetivo é criar condições para que ao menos parte dos equipamentos sejam produzidos nacionalmente, segundo o ministro. "Nós iniciamos agora uma fase de negociação do contrato. A escolha foi objeto de estudos e ponderações muito cuidadosas e levou em conta performance, transferência efetiva de tecnologia e custos não só de aquisição, como de manutenção. A escolha se baseou nesses três fatores", afirmou.
Apesar do ministro ter destacado que o contrato ainda será negociado, um documento da Aeronáutica lido em apresentação no ministério afirma que os investimentos no programa FX-2 são da ordem de US$ 4,5 bilhões, com um cronograma de desembolso que se estenderá até 2023. Amorim não falou em prazo para entrega das aeronaves, mas disse que a expectativa é de que a negociação leve entre 10 e 12 meses. "Então não terá impacto no orçamento do próximo ano", completou.
Segundo o comandante da Aeronáutica, tenente brigadeiro Juniti Saito, a transferência de tecnologia será feita por meio de um processo de desenvolvimento conjunto entre a Saab e a Embraer. "Mas temos várias outras indústrias que se ofereceram para contribuir ao desenvolvimento do caça. Ao fim do desenvolvimento, teremos acesso a toda a tecnologia do avião", completou.
Na semana passada, segundo informações obtidas pelo Estado, a presidente Dilma Rousseff teria mandado recado para o presidente francês François Hollande, que não desejava tratar deste assunto durante a visita porque estaria insatisfeita com problemas na parceria para compra de equipamentos da Marinha.

Da mesma forma, a presidente Dilma está muito insatisfeita com os Estados Unidos por causa da espionagem sobre ela e empresas do seu governo. Este fato praticamente enterrou a parceria com os norte-americanos.
Desta forma, sobrou o avião sueco. "O que precisamos é de um caça, o mais rápido possível porque a partir de dezembro o nosso deixa de operar. Estamos muito felizes com a notícia", comemorou um brigadeiro, após ouvir a notícia dada pela presidente Dilma.
Até que cheguem as primeiras unidades do Gripen NG, o Brasil ficará protegido pelos aviões F-5 que foram remodelados pela FAB. O contrato será de US$ 4,5 bilhões inclui cooperação industrial, negociação para materialização de contratos e bens. A expectativa é que a Embraer coopere com o projeto.

Os finalistas na escolha da FAB - (Ilustração: Infográfico/Estadão).

Vídeo institucional do Gripen NG no Brasil - (Fonte: YouTube/Estadão).




sexta-feira, 22 de março de 2013

Um pouco de cultura abobrinha: de onde veio o nome Bluetooth?

[Nesses tempos difíceis, em que o papa é argentino, o Vasco entrou de vez no Guiness de vice-campeonatos, Renan Calheiros é presidente do Senado, Dona Dilma et caterva ocupam 52 quartos e 17 carros em Roma p'ra ver o papa, o ministro Aloisio Mercadante vai de paraquedista nessa delegação, corremos o risco de ficar duas décadas sob um regime petista, aluno do Enem escreve "eu trousse" e ganha nota máxima em redação, e autoridades matam mais 31 pessoas em Petrópolis por desídia e irresponabilidade e ninguém é preso, o melhor (leia-se menos ruim) é apelar para derivativos que ajudem a desanuviar temporariamente a mente e dar uma relaxadinha. Para isso, nada melhor que uma cultura tipo estrume de vaca, que cobre uma área enorme mas tem pouca profundidade. Entrei nessa.]

Você já elucubrou por que o prático Bluetooth tem esse nome esquisito? Não surpreendentemente, ele nada tem a ver com dentes ou estar melancólico. Em vez disso, ele se liga à herança viking da empresa sueca de telecomunicações Ericsson.

Bluetooth cria um meio seguro de intercambiar dados sem fio entre vários dispositivos diferentes. Refletindo sobre esse serviço, seus criadores predominantemente escandinavos lembraram-se da lenda do rei viking dinamarquês Harald BlåtlandDe acordo com essa lenda, Blåtland tinha uma habilidade incomum para reunir pessoas em negociações sem violência. Seu jeito de lidar com as palavras e a comunicação chegou ao ponto de unir a Dinamarca e a Noruega em um único território. A tradução inglesa para Blåtland -- você adivinhou -- é "blue-tooth" (dente azul).

Jim Kardach, um dos fundadores da Bluetooth SIG, conta a história em um blogue em Tech History: "Harald unificou a Dinamarca e converteu-a ao catolicismo! Me ocorreu que esse seria um bom nome para o programa. Nessa época, criei também uma lâmina em PowerPoint com uma versão da pedra rúnica em que Harald aparece com um celular numa mão e um notebook na outra, e com uma tradução das runas "Harald unificou a Dinamarca e a Noruega. Harald acha que PCs móveis e telefones celulares devem comunicar-se diretamente, sem problemas". [A pedra rúnica mencionada certamente é aquela em que Harald aparece sendo batizado por Poppo (Papa), o monge, um alto-relevo datado de cerca de 1.200:


O nome colou, e o símbolo do Bluetooth dos tempos modernos mostra as iniciais de  Blåtland escritas em caracteres rúnicos, como explica Did You Wonder

 O símbolo do Bluetooth, representando as iniciais de Harald Blåtland em caracteres rúnicos.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Prêmio Nobel da Paz 2012: União Europeia -- gozação ou humor negro?

O Prêmio Nobel da Paz 2012 foi concedido à União Europeia (UE) "por mais de seis décadas de contribuição ao avanço da paz e da reconciliação, da democracia e dos direitos humanos na Europa", segundo o Comitê Nobel Norueguês.



Bandeira da União Europeia

A UE compõe-se hoje de 27 países membros (Alemanha - Áustria - Bélgica - Bulgária - Chipre - Dinamarca - Eslováquia - Eslovênia - Espanha - Estônia - Finlândia - França - Grécia - Holanda - Hungria - Irlanda - Itália - Letônia - Lituânia - Luxemburgo - Malta - Polônia - Portugal - Reino Unido - República Tcheca - Romênia - Suécia), 1 país em fase de acesso (Croácia), 6 países candidatos a membros (Islândia - Macedônia - Montenegro - Sérvia - Turquia) e 3 candidatos em potencial [Albânia - Bósnia e Herzegovina - Kosovo (sob custódia do Conselho de Segurança da ONU).  

Será que a UE merece realmente o Nobel da Paz?

A UE foi criada em 1993 pelo Tratado de Maastricht. A partir de então, até a presente data, a região abrangida pela UE tem sido palco de inúmeros conflitos.  Apesar da violência de alguns desses eventos, eles têm sido contidos estritamente à área abrangida pelas partes envolvidas -- em sua esmagadoria maioria, têm origens étnicas, religiosas e políticas, e vários são decorrentes do desmembramento de repúblicas anteriores.

Fora do território da UE, vários de seus países membros têm se engajado em missões militares expressivas -- sempre a reboque dos EUA -- quer diretamente, quer via OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Na sangrenta, e a rigor ainda inconclusa, guerra do Iraque, a UE esteve fortemente envolvida -- mesmo que eventualmente de modo limitado do ponto de vista militar quantitativo, seu envolvimento moral foi relevante e inequívoco -- através de tropas do Reino Unido, Espanha, Itália, Polônia, Dinamarca, Portugal, República Tcheca, Holanda, Hungria, etc.

Na intervenção militar na Líbia em 2011 foi relevante a presença de países da UE em terra, no ar e no mar com a participação de Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Bélgica, Dinamarca e outros. Na sangrenta e interminável guerra do Afeganistão, que num artifício de mídia é vendida ao mundo pelos americanos como sendo liderada pela OTAN, a UE está direta e fortemente envolvida, com a presença de praticamente todos os seus países. Apesar de todo esse intervencionismo militar, a UE mantêm-se criminosamente neutra -- a não ser com blá-blá-blás de protestos eunucos -- na sangrenta guerra civil da Síria, em nada diferente daquela ocorrida na Líbia. Chamar esse comportamento ativo e passivo da UE em conflitos militares (como os citados acima) em terras alheias de "contribuição para o progresso da paz", me parece um exagero de retórica que beira a gozação e o acinte.

A crise financeira que castiga a UE desde 2008 tem gerados protestos públicos cada vez mais frequentes e violentos, frutos todos eles de medidas de austeridade já consideradas como excessivas até pelo FMI -- que, junto com a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu compõe a famosa "troika" que castiga implacavelmente as economias mais frágeis da UE --, criando um clima cada vez mais parecido com uma versão europeia da primavera árabe. A gigantesca e assustadora crise social gerada pelo excesso de rigor em relação às economias afetadas -- o desemprego na Grécia supera os 25%!! -- não resulta de nenhuma contribuição da UE para a "reconciliação, a democracia e os direitos humanos", como alega o Comitê Nobel.

Em termos de direitos humanos a UE também não está com essa bola toda, como faz crer o palavrório da comissão que lhe conferiu o Nobel da Paz. O Relatório Anual 2012 da Anistia Internacional ("Amnesty International Annual Report 2012" (Press release). Amnesty International) não deve fazer parte da biblioteca dessa comissão.  Ele revela, por exemplo, que "muitos países europeus, incluindo França e Reino Unido, se recusaram a realojar quaisquer refugiados desalojados pelo conflito armado na Líbia, apesar de terem participado desse conflito sob a égide da OTAN" (pág. 33) -- isso merece um Nobel da Paz?!  A Anistia Internacional (AI) acusa explícita e inequivocamente a Finlândia, a França, a Alemanha, a Holanda, a Suécia e o Reino Unido (além da Suiça, que não é da UE) de utilizarem procedimentos de concessão de asilo que frustram aqueles que precisam desse recurso humanitário e político. O relatório da AI acusa ainda esses países (pág. 33) de devolver cidadãos à Turquia e à Ucrânia sem sequer permitir-lhes o acesso a esse recurso. Isso é currículo para Nobel da Paz?!  A França de Sarkozy ficou conhecida também por suas leis discriminatórias contra árabes e muçulmanos.

O relatório da AI diz ainda que a Comissão Europeia não implementou a legislação existente contra discriminação, como a "Race Directive" ("Diretriz quanto a Raças", em tradução livre) ou a Carta dos Direitos Fundamentais (da ONU), apesar das continuadas violações por seus membros. A UE merece o Nobel da Paz por isso?! A AI informa também (pág. 36) que governos europeus continuam a obstruir quaisquer esforços organizados para determinar suas responsabilidade por sua alegada cumplicidade com atividades da CIA, incluindo o programa secreto desta para detenções de suspeitos.  A Anistia acusa as políticas e práticas de antiterrorismo da região de minar e prejudicar a proteção dos direitos humanos, e cita nominalmente por isso a Alemanha, a Bélgica, a Itália e o Reino Unido (pág. 37). O Comitê Nobel seguramente não leu o relatório 2012 da Anistia Internacional, ou preferiu simplesmente ignorá-lo.

Enfim, levando em conta que em 2009 o Nobel da Paz foi concedido ao presidente Obama  -- que comanda a nação mais belicista do planeta --, a premiação da UE nesse mesmo quesito nos permite desconfiar fortemente de que os responsáveis por esse Nobel resolveram de vez aderir ao humor negro, e botar mais lenha na fogueira dos que protestam contra discriminações e ofensas cometidas por países da UE e por ela endossados, por ação ou omissão. Depois vai ter gente fingindo não entender por que as reações se multiplicam e aumentam em violência.

Para encerrar, um detalhe pitoresco muito bem apontado pelo jornalista Matthew Yglesias no site Slate de hoje:  o fato mais surpreendente da decisão do Comitê Nobel Norueguês de conceder o Nobel da paz à União Europeia é que a Noruega é parte da Europa por praticamente qualquer definição geográfica ou política, e ainda assim ela não faz parte da União Europeia ... Entenderam a malícia norueguesa?


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Pirata assume cadeira no Europarlamento

Há 2 anos, a ativista e militante da internet livre Amelia Andersdotter e seu colega do Partido Pirata sueco Christian Engström foram eleitos para o parlamento da União Europeia. Como havia apenas uma cadeira para o país, Amelia não obteve o assento. No fim de 2009, no entanto, graças ao Tratado de Lisboa, que aumentava o número de cadeiras de cada país da União, Amelia seria finalmente convocada ao círculo legislativo. Cada país teve que rapidamente se reorganizar para definir quem seriam os novos eleitos. A Bélgica, com seus cinco parlamentos, e a França demoraram muito nesse processo. Por “muito” entenda dois anos.

Agora, o suplício deve acabar para a pirata defensora do fim do copyright, hoje com 23 anos. Em um comunicado, por e-mail, Andersdotter deu a notícia da sua futura estreia no Europarlamento, possivelmente ainda neste ano:

Meus caros,
Parece que eu e meus 17 colegas do Tratado de Lisboa MEP [membros do europarlamento] vamos finalmente estreiar durante a sessão de Estrasburgo, em dezembro de 2011. Levaram dois anos e meio para que as instituições europeias e os Estados membros assinassem um documento permitindo a continuação da democratização da União; em número igual de anos, eu terei a possibilidade de trabalhar ativamente visando a democratização do grupo.
Não houve qualquer chamado oficial me convocando ao parlamento ainda – aparentemente tais notificações serão enviadas somente após o governo belga ter a sua confirmação aprovada pelo depositário dos documentos do Tratado em Roma. Isso significa que se a notificação do governo belga e posterior aprovação por Roma demorar mais de 12 dias a contar de hoje, minha posse, ao contrário, ocorrerá somente durante a plenária de janeiro.
Certamente minhas perspectivas quanto a democracia, burocracia e suas muitas interações amadureceram muito nestes dois anos, mas para o restante da minha legislatura vou fazer o meu melhor para fazer avançar esta União :)
Amelia

+  Veja aqui a entrevista que o ‘Link’ fez com Amelia em junho.

Amelia esperou por dois anos a liberação do posto no Legislativo - (Foto: Divulgação).

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Casa com esqueleto medieval no porão vai à venda por R$ 1 milhão

Um agente imobiliário na Suécia está pondo à venda uma casa com os restos mortais de um cidadão que viveu na era medieval, que ainda estão no local. A propriedade, construída em 1750, em Visby, na ilha de Gotland no Mar Báltico, conta com um túmulo e um esqueleto no porão. O preço inicial para a casa de três quartos, na qual o esqueleto pode ser visto através de um vidro, é de US$ 640 mil (R$ 1 milhão). A propriedade foi construída sobre os alicerces de uma igreja russa, abandonada durante a era medieval.

O agente imobiliário Leif Bertweig afirma que os potenciais compradores não têm o que temer, uma vez que a o esqueleto ''encontra-se em terreno sagrado e descansa em paz''. Bertweig afirma que os restos mortais provavelmente eram de um homem que morreu há 800 anos.

A fazenda onda a casa está localizada é parcialmente compartilhada com outras propriedades nas imediações, que também têm acesso ao porão. O local onde o esqueleto se encontra pode ser alcançao por meio de uma escada em espiral situada no pátio. O consolo para quem não for capaz de arcar com o lance inicial oferecido pela casa é que um museu local oferece excursões esporádicas que possibilitam aos visitantes conferir o esqueleto no porão.

 Esqueleto medieval em casa posta à venda na Suécia (Foto: BBC Brasil).