Mostrando postagens com marcador Paraguai. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Paraguai. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Com a política externa petista capenga, regida pela NPS e dois chanceleres, o Brasil está se isolando do comércio mundial

[O Mercosul é um fracasso sob qualquer ponto de vista, mas o Brasil da visão curta e da política externa mequetrefe se apega a ele como no abraço dos afogados. Todo mundo -- até membros desse mercado comum -- está fazendo acordos bilaterais de comércio com todo mundo, exceto o Brasil, que se apega à letra morta desse tratado que diz que quem deve assinar esse tipo de acordo é o bloco como um todo. Com isso, estamos ficando à margem do comércio internacional. Criado pelo Tratado de Assunção de 1991, tendo já 22 anos portanto, o Mercosul continua de fraldas. Vejam a lista dos países com os quais ele fez tratados de livre comércio: Trinidade e Tobago, Palestina, África do Sul, Egito, Marrocos, Paquistão, Índia, Israel e Cingapura ... Recentemente, comemorava-se a adesão do Suriname a esse bloco. Isso está mais p'ra patota que p'ra bloco. A reportagem abaixo, do jornal Valor Econômico de 27/9, nos deixa ainda mais desanimados. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]

Um racha no Mercosul tende a se aprofundar envolvendo um acordo liderado pelos Estados Unidos para liberalização mais acelerada no comércio internacional de serviços. Agora é o Uruguai que pretende aderir ao acordo, que já conta com a participação do Paraguai [ou seja, os países menores do bloco têm mais visão e senso de oportunidade que o Brasil; falar de "racha" no Mercosul é redundância -- o bloco tem mais trincas e gretas do que um solo que não vê água há um ano].

A movimentação da China para entrar na negociação começa a estimular outros países a fazer o mesmo e deve ampliar o isolamento do Brasil nesse segmento do comércio global, que representou US$ 4 trilhões no ano passado.  A expectativa era que a decisão chinesa impulsionasse a adesão de países do Sudeste Asiático. Mas o Valor apurou que quem entrou primeiro na fila para aderir ao Trade In Services Agreement (Tisa) foi o Uruguai. Essa negociação foi lançada pelos americanos em 2012 em resposta ao impasse nas negociações globais da Rodada Doha.

As discussões no Tisa visavam inicialmente atualizar as regras existentes do Acordo de Serviços. Mas EUA e Japão recentemente submeteram as primeiras ofertas de acesso ao mercado, implicando compromissos efetivos de mais liberalização por parte dos participantes. Até recentemente, Brasil e Índia contavam com a China na resistência a essa negociação, julgando que isso diminuiria as chances para um acordo na Rodada Doha e podia enfraquecer o sistema multilateral.

A balança de serviços do Brasil tem um déficit estrutural que aumentou desde 2007. Em 2012, o déficit chegou a US$ 41,1 bilhões, com as importações tendo alcançado US$ 80,9 bilhões. O setor de serviços inclui o financeiro, telecomunicações transportes, construção, turismo, distribuição, movimento de profissionais e outros, e os parceiros reconhecem que o Brasil é relativamente aberto.

A ideia no Tisa é que os participantes se comprometam desde o início com a melhor abertura que ofereceram até agora em qualquer outro acordo, e, a partir daí, consigam ampliar as ofertas de acesso ao mercado. Com os EUA, União Europeia e proximamente a China no Tisa, isso significa que novas regras do jogo no setor de serviço serão feitas sem o Brasil. Mais tarde, a tendência é que essas regras sejam estendidas a todos os países.

Segundo negociadores, o Uruguai procurou os EUA, União Europeia Austrália para participar da negociação. O tema vai ser discutido hoje, ou na semana que vem, pelos atuais participantes, que são UE (28 países), Austrália, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Hong Kong, Islândia, Israel, Japão, Liechtenstein, México, Nova Zelândia, Noruega, Paquistão, Panamá, Paraguai, Peru, Coreia do Sul, Suíça, Taiwan e Turquia. [Cadê o Brasil?!]

O setor de serviços é um dos mais dinâmicos da economia internacional. A China quer investir no exterior mais nesse segmento.

[O problema do Brasil no Mercosul e na América Latina tem nome e endereço -- chama-se Argentina. Como os hermanitos são grandes importadores de produtos brasileiros de alto valor agregado, a lógica reinante e predominante no Itamaraty é definitivamente não criar caso com esses vizinhos, para não dar "ruído" em nosso comércio com eles. Enquanto estive na área internacional da Eletrobras, toda vez que reclamava de descumprimentos de compromissos pelos argentinos e pedia que fossem enquadrados, recebia orientação expressa do Itamaraty para "maneirar" com os hermanitos -- é bom frisar que eles fazem o jogo para nos tirar o máximo possível sem contrapartida, nós é que somos otários por não fazermos o mesmo. É a velha política de "n" dobradiças na coluna vertebral  da nossa diplomacia. Além de sermos o único país do mundo a ter dois chanceleres em exercício -- quem se der o trabalho de examinar as lambanças da nossa política externa em Honduras, Bolívia e Venezuela, por exemplo, encontrará as 20 impressões digitais de Marco Aurélio Garcia. Só que elas aparecem em ordem inversa, primeiro vêm as dos membros inferiores.

Enquanto o Brasil banca o marido fiel rodeado de Ricardões pelas costas e dentro do quarto do casal -- e se delicia com essa posição masoquista de traído manso -- outros países da região vão se juntando para formar outros blocos e outros mercados comuns, como é o caso do MILA - Mercado Interado Latino-Americano, formado inicialmente por Chile, Colômbia e Peru e já com a adesão do México. O Mila já começa dando um banho de modernidade e estratégia no Mercosul: seus membros têm liberdade de negociar individualmente com quem quiserem.

Cheguei a participar de algumas negociações muito preliminares sobre a abertura do mercado internacional de serviços. São negociações muito complexas, em que o mercado brasileiro é extremamente cobiçado. Não vai ser com isolamento e apegado a um Mercosul já emborcado que nosso país vai conseguir defender seus interesses. Enquanto damos uma de ceguetas,  a turma -- incluindo vizinhos fronteiriços nossos e "parceiros" do Mercosul-- vai se mexendo e pode começar a comer o mingau pelas beiradas. Se bobearmos, ficaremos a ver o fundo do prato, limpinho, raspado com o miolo de pão do oportunismo correto, pragmático.]












quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Depois da rasteira no Paraguai, Brasil diz agora que vai se "esforçar" para reintegrar o vizinho ao Mercosul

[Depois de se prestar a um papel deplorável, mesquinho e a médio e longo prazos absolutamente contrário aos nossos interesses -- principalmente quanto a Itaipu -- de "congelar" o Paraguai no Mercosul e, assim, tirar do cenário o único voto contrário ao ingresso da Venezuela nesse bloco, o Brasil agora ensaia uma de Madalena arrependida e fala em "se esforçar para reintegrar o Paraguai ao Mercosul". Além de tardia, essa posição brasileira é profundamente hipócrita, além de distorcer os fatos -- o Paraguai não saiu do Mercosul, ele foi "saído" do bloco numa jogada de baixo nível de envergonhar qualquer diplomacia que se preze.]

O Paraguai é "vizinho de primeira importância" para o Brasil e o governo brasileiro fará esforços para reintegrar o país ao Mercosul, disse nesta quarta-feira o ministro de Relações Exteriores, Antônio Patriota, que participa neste momento de audiência na comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados.  "Não existe mais tolerância ou aceitação de aventuras antidemocráticas na região. a democracia é o pressuposto do aprofundamento da integração", disse o ministro, ao relatar o processo de suspensão do Paraguai, por consenso entre os demais sócios do Mercosul e os países associados da União das Nações da América do Sul (Unasul), devido ao impeachment do ex-presidente Fernando Lugo.

O Paraguai ainda tem "centralidade" da política externa brasileira, pela sociedade em Itaipu, pelos 250 mil a 300 mil brasileiros que vivem no país e pelos laços econômicos bilaterais, argumentou Patriota. [Como se explica então o papel decisivo do Brasil para a rasteira sem-vergonha dada no Paraguai?!]

O ministro defendeu a decisão de incorporar a Venezuela como membro pleno do bloco, não só pelos interesses econômicos e comerciais, mas também pelo papel do país como potência energética, e pelo "potencial extraordinário" do vizinho. A entrada da Venezuela mostra que a influência do Mercosul não se limita à região Sul país e poderá beneficiar as regiões Amazônica, Norte e Nordeste, argumentou.

[...] Ele informou, ainda, que a entrada da Venezuela no bloco, decidida em junho, terá como consequência, ainda, a ampliação dos recursos destinados ao Fundo de Compensação Estrutural (Focem), hoje de US$ 100 milhões anuais, usado para financiar obras de infraestrutura e de redução das assimetrias entre as economias no Mercosul.

[O Itamaraty está, arriscadamente, dando uma de "sopra e morde" com o Paraguai. Depois de nos ferrar em verde e amarelo, alterando injustificada e subservientemente o Tratado de Itaipu para acolher mais uma chantagem dos paraguaios, o Itamaraty fez essa baixaria com o Paraguai no Mercosul. Nossos ilustres diplomatas deixaram prontinho o caldo de cultura para esses nossos vizinhos nos chantagearem com Itaipu, que será sempre uma pedra no nosso sapato.  Para entender melhor o pepino que é Itaipu, recomendo fortemente a leitura do artigo abaixo de Elio Gaspari, publicado no Globo em 15 de agosto passado. O Itamaraty não deve ter ficado nada satisfeito com a revelação de detalhes dos bastidores de Itaipu que vinham sendo mantidos sigilosos pelo nosso Ministério das Relações Exteriores.]

Itaipu é uma encrenca fabricada

Elio Gaspari - O Globo (15/8/2012)

As colinas de Golan envenenam as relações de Israel com a Síria e a Jordânia, mas foi o Padre Eterno quem as colocou lá. A hidrelétrica de Itaipu virou um espinho nas relações do Brasil com o Paraguai, mas foi produzida pela megalomania da ditadura militar. A velha história de “maior do mundo”, “Brasil grande”, “Ame-o ou deixe-o”.


Se os generais tivessem dado atenção ao embaixador Guimarães Rosa, que chefiava a divisão de fronteiras do Itamaraty, não teriam reconhecido que o Paraguai tinha soberania sobre a outra margem do Rio Paraná. Em 1966, ele sustentava que se criara uma disputa fronteiriça na qual a ditadura-irmã do general Alfredo Stroessner apresentava argumentações “desastradas, falseadas e declaradas sem pejo”.  Na sua mesa do Itamaraty, com uma cumbuca cheia de lápis de cor, Guimarães Rosa era capaz de mostrar exatamente onde ficaria a tão sonhada hidrelétrica, objeto do desejo dos paraguaios.

Se tivessem ouvido o engenheiro Octávio Marcondes Ferraz (1896-1990), presidente da Eletrobrás e construtor de Paulo Afonso, não teriam compartilhado a hidrelétrica com o Paraguai, nem afogado as cataratas de Sete Quedas. Ele defendia a construção de uma série de pequenas barragens dentro do território brasileiro. Partiu-se para a maior hidrelétrica do mundo. Uma metade da energia ficaria com o Brasil e a outra, com o Paraguai. Como ele não tinha o que fazer com ela, venderia sua parte para o Brasil.

Marcondes Ferraz bateu em todas as portas, nada. Brincava-se de geopolítica, acreditando-se que o tratado assinado por Stroessner seria eterno. Em 2006 o governo paraguaio forçou uma revisão marota do acordo. No ano seguinte o companheiro Fernando Lugo fez campanha defendendo um novo ajuste e ameaçou levar o Brasil à Corte de Haia. Acertou-se com Lula, mas o problema continuou do mesmo tamanho.

Depois da estudantada de julho da doutora Dilma, suspendendo o Paraguai do Mercosul para abraçar o companheiro Hugo Chávez, o presidente Federico Branco reabriu a questão. Fez isso em termos vagos dizendo que não pretende “ceder” a energia de seu país. Como ele não cede coisa alguma, pouco haveria a discutir.  Em vez de tratar a questão na suavidade das negociações diplomáticas, os companheiros partiram para cima. Trataram-no como um demagogo. Era o que ele queria, a mobilização política de seu país.

Atualmente o Paraguai só consome 8% da energia produzida por Itaipu. Cada quilowatt da hidrelétrica é essencial para a economia brasileira.

Do outro lado do Equador, há duas grandes nações de olho nessa energia barata. A China, porque precisa, já andou namorando projetos no Paraguai. Os Estados Unidos, porque finalmente ganharam uma oportunidade para colocar um pé no país.

Há quase 50 anos, Guimarães Rosa procurou, sem sucesso, apontar os perigos de um debate irracional. Se dependesse dele, talvez a hidrelétrica estivesse em outro lugar. Prevaleceram falsos argumentos geopolíticos, sonhos de marquetagem e a encrenca está aí.

Se a doutora Dilma tirar o Paraguai da agenda pública do seu governo, poderá negociar numa posição mais confortável do que aquela em que se meteram os militares.








quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Missão dos EUA investiga terrorismo na Tríplice Fronteira (Argentina, Brasil e Paraguai)

Um grupo de cinco parlamentares americanos está em "missão" na Tríplice Fronteira para investigar a presença de supostas ameaças terroristas na região. O grupo, formado por cinco deputados federais republicanos e democratas, esteve ontem em Ciudad del Este, no Paraguai, e em Foz do Iguaçu (PR), do lado brasileiro da fronteira.  [Há anos os EUA insistem sobre a presença de terroristas na Tríplice Fronteira, e já reclamaram (em novembro de 2011) de que o Brasil oculta a prisão desses agentes no país, porque altos escalões do nosso governo, em especial no Itamaraty, são extremamente sensíveis a qualquer notícia pública sobre a presença de terroristas em nosso território. Em sua edição de 6 de abril de 2011 a revista Veja, em reportagem de capa de Leonardo Coutinho, com fotografias de Manoel Marques, denunciou que a Polícia Federal tem provas de que a Al Qaeda e outras quatro organizações terroristas usam o Brasil para divulgar propaganda, planejar atentados, financiar operações e aliciar militantes. O governo se fechou em copas, e nada disse ou desdisse.]

A capa da edição de 6 de abril da revista Veja, com denúncias documentadas da presença de terroristas no Brasil - (Foto: Veja).

Segundo o republicano Michael McCaul, deputado pelo Texas e presidente do Subcomitê de Supervisão e Investigações do Comitê de Segurança Doméstica da Câmara, a intenção do grupo é "entender melhor a ameaça de grupos terroristas" na região e trabalhar junto com os governos sul-americanos no combate a eles. Os parlamentares estariam "preocupados" com os possíveis laços do Irã e do grupo libanês Hizbollah na fronteira entre os três países. "O crime transnacional é uma ameaça crescente aos EUA. Isso é evidente desde a emergência das operações dos cartéis mexicanos dentro dos EUA, e hoje, com a presença crescente de grupos terroristas radicais no continente", disse McCaul à Folha, por email. 

O grupo, que passou no domingo pela Colômbia, ainda seguirá para a Argentina.

De acordo com a equipe do deputado democrata pelo Texas Henry Cuellar, a intenção da visita é "entender melhor os desafios de crimes transnacionais" na região. Os outros deputados são os republicanos Jeff Duncan, da Carolina do Sul, Tom Graves, da Georgia, e Robert Turner, de Nova York.  

A viagem vem na semana seguinte à divulgação, pelo Departamento de Estado, do "Relatório sobre Terrorismo nos Países em 2011", que aponta que os serviços de segurança brasileiros estiveram "preocupados" com a possibilidade de terroristas usarem o território do país para "apoiar ou facilitar atentados terroristas, domésticos ou no exterior". O Itamaraty não comenta o relatório americano. 

O governo brasileiro disse que não recebeu qualquer pedido de encontro com autoridades do país, nem tem mais informações sobre a atividade dos parlamentares aqui. 

Ontem, os americanos percorreram o centro de Ciudad del Este, onde conversaram com comerciantes, e cruzaram a Ponte da Amizade.  [É muito difícil -- p'ra não dizer impossível -- acreditar que esse grupo de congressistas americanos circule por nossas fronteiras e em nosso território para tratar de assunto de tanta relevância para os EUA, como o terrorismo, e que não se encontre com nenhuma autoridade de nosso governo. No capítulo "Brasil" do seu relatório citado acima, o Departamento de Estado americano comenta que "O Brasil não criminalizou o financiamento ao terrorismo de maneira consistente com a Recomendação Especial II da Força Tarefa de Ação Financeira (FATF, em inglês). Em 26 de outubro a Câmara dos Deputados aprovou uma lei atualizada estabelecendo penas mais severas para lavagem de dinheiro, mas nela não foi incluída uma disposição específica sobre financiamento terrorista". 

O relatório do Departamento de Estado cita ainda que, em função do Brasil sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, um ponto focal do seu programa de Assistência ao Antiterrorismo para o Brasil em 2012 será o gerenciamento da segurança de grandes eventos. Diante disso, ignorar oficialmente o objetivo desses parlamentares americanos revela que, mais uma vez, ou estamos querendo guardar um segredo de polichinelo ou dar uma de avestruz, enfiando a cabeça num buraco para evitar saber o que se passa à volta. Nenhuma dessa duas hipóteses deixa bem o governo e nossa diplomacia.]




Brasil faz megaoperação militar nas fronteiras com Argentina, Paraguai e Uruguai

O governo brasileiro enviou uma força com cerca de 9 mil militares - equipados com helicópteros de combate, navios-patrulha, aviões de caça e blindados - para as fronteiras do país com o Paraguai, a Argentina e o Uruguai.  O deslocamento de tropas para a "Operação Ágata 5", começou na segunda-feira e deve durar entre 20 e 30 dias.

"É uma operação de fronteira que tem por objetivo, sobretudo, a repressão à criminalidade", afirmou à BBC Brasil o ministro da Defesa, Celso Amorim.

A Marinha enviou aos rios da bacia do Prata ao menos 30 embarcações - entre elas três navios de guerra e um navio-hospital. A Força Aérea participa da operação com esquadrões de caças F5 e Super Tucano, além de aviões-radar e veículos aéreos não-tripulados.  O Exército mobilizou infantaria e blindados Urutu e Cascavel de três divisões. As três forças usam ainda helicópteros Black Hawk e Pantera, para transporte de tropas e missões de ataque.

A operação terá ainda o apoio de 30 agências governamentais - entre elas a Polícia Federal - que elevarão o efetivo total para cerca de 10 mil homens.

Segundo o general Carlos Bolivar Goellner, comandante militar do sul, a área crítica de patrulhamento será entre as cidades de Foz do Iguaçu, no Paraná, e Corumbá, no Mato Grosso do Sul - onde ocorre a maior incidência de tráfico de drogas e contrabando. "A ação visa reforçar a presença do Estado na fronteira com a bacia do Prata", disse Goellner. Segundo ele, as fronteiras serão fortemente guarnecidas e como consequência o tráfico de drogas e o contrabando devem ser "sufocados".  [Quem já teve o desprazer de cruzar a tal "Ponte da Amizade" a caminho de Ciudad del Leste (ex-Puerto Stroesner) -- um dos maiores (senão o maior) centros de mercadoria contrabandeada da América do Sul, com a inequívoca anuência do governo paraguaio -- pôde constatar o livre e descarado contrabando que circula pela ponte rumo ao Brasil, nas barbas da Polícia Federal brasileira, que pouco ou nada faz para coibir essa esculhambação por força da tal política de não "aborrecer" nossos vizinhos. Vamos ver se desta vez, com essa megaoperação, o Brasil demonstra brios e autoestima e acaba com essa pouca vergonha. Pode ser pura coincidência, mas me parece sintomático que isso se faça enquanto o Paraguai -- sem dúvida o paraíso dos contrabandistas na região -- está encurralado, "suspenso" do Mercosul. Caso contrário, duvido muito que isso se fizesse, face o histórico local.]

Paraguai

O governo brasileiro afirma que o ambiente entre os países da América do Sul é de cooperação na área de defesa. Apesar disso, a alta concentração de tropas nas fronteiras pode ser entendida pelos países vizinhos como um recado, segundo Samuel Alves Soares, professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e presidente da ABED (Associação Brasileira de Estudos de Defesa). "Os países (vizinhos) podem interpretar que é uma demonstração de força. (Essa operação) tem um simbolismo, um peso, que pode ser entendido de outra maneira".

Segundo Soares, esse entendimento é especialmente possível em relação ao Paraguai, que foi isolado politicamente no mês passado após uma ação diplomática costurada pelos presidentes Dilma Rousseff, Cristina Kirchner e Jose Mujica. Assunção foi suspensa do Mercosul após destituir o então presidente Fernando Lugo em um julgamento "relâmpago".  Segundo Soares, em alguns setores políticos paraguaios a operação Ágata 5 deverá ser entendida como uma ação típica do "imperialismo brasileiro". [Em situações como as corriqueiras na fronteira com o Paraguai, de flagrante e reiterado desrespeito consentido de nossas leis e nossos interesses, o Brasil tem mais é que agir mesmo forte e ostensivamente.]

Cinturão da paz

Essa possibilidade é descartada pelo ministro da Defesa. "Todos os Estados vizinhos foram previamente avisados, informados, e convidados a enviar observadores (para a operação)", afirmou Amorim durante o VI Encontro Nacional da Abed, em São Paulo, na segunda-feira. Segundo ele, em operações anteriores, a Venezuela e a Colômbia até cooperaram com os brasileiros, fazendo ação semelhante de seu lado da fronteira.

De acordo com Amorim, a diplomacia brasileira criou ao longo dos anos um processo de integração regional e cooperação militar na América do Sul - com órgãos como o Conselho de Defesa Sulamericana, da Unasul - que resultou em um "cinturão da paz" em torno do Brasil. Segundo ele, por causa disso, a maior ameaça militar contra o Brasil, em tese, é um cenário futuro no qual potências internacionais em conflito venham a se interessar por recursos brasileiros como água, energia e capacidade de produção de alimentos.  "O Brasil deve construir uma capacidade dissuasória crível que torne extremamente custosa a perspectiva de agressão ao nosso país", disse em palestra durante o evento.

Porém, Soares explica que tal estratégia assume que, mesmo com grandes investimentos no setor de Defesa, o Brasil não seria capaz de vencer um eventual conflito com uma potência militar internacional - sendo apenas capaz de fazer a empreitada menos atrativa ao adversário. [Repetiu o que disse Amorim ...]

Criminalidade

A operação Ágata é uma determinação direta da presidente Dilma Rousseff ao Ministério da Defesa [palmas para nossa ex-guerrilheira!].  Até agora, cinco edições da operação já foram realizadas, em diversas regiões de fronteira do Brasil, desde o ano passado.  A atual ocorre semanas após o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, do partido opositor PSDB, cobrar um maior policiamento nas fronteiras do país ao tentar explicar o aumento da criminalidade em seu Estado.

Nas quatro primeiras Ágatas foram apreendidas mais de 2,3 toneladas de drogas, 302 embarcações irregulares e 59 armas.  As Forças Armadas também dinamitaram quatro pistas de pouso clandestinas e fecharam oito garimpos e cinco madeireiras ilegais.  Também foram realizados 19 mil atendimentos médicos e 21 mil odontológicos para populações isoladas ou carentes.

Porém, as críticas dos habitantes das regiões atendidas é que quando a operação acaba, os criminosos voltam a agir normalmente.  A resposta do Ministério da Defesa é que devido à vasta extensão das fronteiras do país, as operações Ágata visam mais dissuadir as ações de criminosos do que combatê-las diretamente - além de levar a autoridade do Estado para áreas remotas do território.  A pasta afirma ainda que, após o fim das operações, a Polícia Federal faz ações específicas para flagrar criminosos que tentam "recuperar o prejuízo" após um mês de inatividade.

Segundo o general Goellner, quando não há operações de larga escala como a Ágata 5, é quase impossível fechar totalmente as fronteiras para a ação de criminosos. "Estamos sempre presentes na região, mas fechar a fronteira não é nossa missão principal, se olharmos só o lago de Itaipú, de Foz de Iguaçu a Guaíra, (encontrar os criminosos que cruzam entram no país em barcos pequenos) é como achar uma agulha em um palheiro, são quase 700 quilômetros de lago".

Segurança pública

Para o professor Soares, o governo brasileiro não deveria usar seus militares para fazer o papel de policiais, especialmente em ações domo as Ágatas. "É um equívoco. Não são forças para essa finalidade e perspectiva. Desse jeito, as Forças Armadas irão se transformar em uma espécie de Guarda Nacional", disse.  Para ele, usar os militares como policiais é um desperdício de recursos que poderiam ser usados na preparação e equipamento das Forças Armadas para um eventual conflito com uma nação estrangeira.  [Esse Soares me parece mais um desses acadêmicos abarrotados de teoria -- ainda que boa e bem intencionada -- mas com zero de espírito prático. Ou então, nunca leu nada sobre a realidade física de várias de nossas fronteiras em plena selva e tampouco conhece (como devia) as atribuições do Exército no que concerne a proteção e guarda de nossas fronteiras, assim como de apoio à nossa política externa.]

Amorim também afirmou que a segurança pública é competência dos Estados e que a função dos militares é a defesa contra "ameaças externas". Disse porém, que podem haver exceções para essa regra, "desde que limitadas no tempo e no espaço".

[Na Argentina, apenas o jornal Clarín noticiou essa megaoperação e o fez na primeira página. No Paraguai, nem o diário ABC Color, especialista em malhar o Brasil, deu notícia a respeito. No Uruguai, o jornal El Observador também anunciou a operação em sua primeira página de ontem (07/8).]

Exército mobilizou infantaria e blindados Urutu e Cascavel de três divisões - (Foto: BBC Brasil).

A operação Ágata decorre de determinação direta da presidente Dilma Rousseff ao Ministério da Defesa - (Foto: Ministério daDefesa).

 Até agora cinco edições da operação já foram realizadas, em diversas regiões de fronteira - (Foto: Ministério da Defesa).

terça-feira, 3 de julho de 2012

Mercosul, cada vez mais um saco de gatos

O Mercosul se confirma cada vez mais como uma bagunça, um saco de gatos, um tiroteio de um bando de cegos. O primeiro e principal contribuinte para esse fiasco é o Brasil, que não sabe liderar, tem medo de liderar, não tem política externa de Estado e sim de governo e de partido, é frouxo com seus vizinhos de uma maneira vergonhosa e, em assuntos externos, atua como um amador e aprendiz, substituindo a relação entre estadistas por um compadrio de baixo nível.

A operação casada para a entrada da Venezuela no Mercosul, usando-se o Paraguai como moeda de troca, é a mais recente demonstração inequívoca do estágio paleolítico daquilo que se afigura cada vez mais como um grupelho de amadores farristas do que uma associação entre países. A zorra é tamanha, que agora o Uruguai ameaça voltar atrás da decisão de admitir a Venezuela no bloco e acusa o Brasil (Dª Dilma) de tê-lo pressionado. O Brasil e a Argentina, que só se juntam em assuntos podres, responderam imediatamente que a proposta para entrada dos venezuelanos no Mercosul partiu do próprio Uruguai, via seu presidente José Mujica.

Até nesse detalhe de responder à acusação uruguaia o Brasil não se deu ao devido respeito -- pela Argentina se pronunciou, como de praxe e correto, sua chancelaria; pelo Brasil, falou nosso chanceler n° 2, Marco Aurélio Garcia, alcunhado de "assessor presidencial para assuntos internacionais", uma das inúmeras excrescências criadas por Lula, o Nosso Pinóquio Acrobata (NPA), encampadas pela nossa ex-guerrilheira. Nesse ínterim, nosso chanceler n° 1, ironicamente chamado Patriota, deve ter ficado ocupado com a lubrificação da dobradiça de sua coluna dorsal, hoje um prerrequisito indispensável para quem quiser ser ministro de Relações Exteriores do governo petista. Ritual à parte, Brasil e Argentina têm mais é que enfiar suas cabeças num buraco, como avestruzes que são em política externa, para se esconder do papelão que fizeram nesse imbróglio.

Quem deve estar se deliciando com essa ópera bufa, algo em que é especialista, é o bolivariano Hugo Chávez, chamego inconteste do NPA. A Venezuela só acrescenta quantidade ao Mercosul, em termos de qualidade só serve para reduzir ainda mais o baixíssimo nível do grupo.

Enquanto isso, no Uruguai a imprensa cai de borduna no governo por causa desse charivari da admissão da Venezuela, em que o chanceler uruguaio Luis Almagro aparentemente desacredita seu presidente Mujica e diz que foi contra o ingresso venezuelano no Mercosul.

Personalidade por personalidade, o melhor que o Brasil poderia fazer para manter seu "padrão" de política externa, era anistiar (coisa que sabemos fazer como poucos) Carlinhos Cachoeira e designá-lo como Alto-Representante Geral do Mercosul em substituição ao embaixador Samuel Pinheiro Guimarães (mais conhecido como Samuca no Itamaraty), que em boa hora deixou esse cargo e, com isso, melhorou bastante a assepsia dessa área do Mercosul. No mesmo ato de nomeação de Cachoeira seria atribuída ao tal Marco Aurélio Garcia a missão pioneira de plantar batatas e criar galinhas no alto do Pico da Bandeira.

sábado, 30 de junho de 2012

Quantos Itamaratys tem o Brasil?

Relembremos dois filmes que estão passando em nossas telas:

Filme 1 - Conflito armado na Síria -- Há cerca de ano e meio o governo do ditador sírio Bashar al-Assad vem massacrando seus opositores, a carnificina já contabiliza mais de 3.000 mortos, incluindo civis, mulheres e crianças. O Ocidente, através de seus principais países, defende sanções mais duras contra Assad que poderiam, no limite, levar a uma intervenção militar mais ou menos nos moldes do que se fez na Líbia. No Conselho de Segurança da ONU, China e Rússia são contra qualquer ação militar. Adivinhem quem mais é contra esse tipo de ação? Acertou quem disse Brasil. Para defender essa posição, o Itamaraty usa, p'ra não perder o costume, um arrazoado chocho, mesmo depois de a ONU ter caído no ridículo por insistir também nessa tecla e ser solenemente ignorada pelo regime sírio. Enquanto isso, continua o massacre promovido por Bashar al-Assad.

Filme 2 - Presidente do Paraguai é destituído pelo Congresso do país -- Numa arrancada de apenas uma sessão plenária, no melhor estilo Blitzkrieg, o congresso paraguaio aprovou o impeachment do presidente Fernando Lugo e empossou seu vice-presidente constitucional. O ritual pode ter sido sumário, mas cumpriu rigorosamente o que determina a Constituição paraguaia. Qual foi a reação do Brasil, via Itamaraty? Sanções diplomáticas imediatas contra o Paraguai, expulsando-o temporariamente do Mercosul e da Unasul, e ameaças de possíveis sanções econômicas de nossa parte.

Por que o mesmíssimo Itamaraty não adotou, com o Paraguai, a mesma insistente posição de diálogo que há mais de ano assumiu com relação à Síria? Por que um vizinho fronteiriço com o qual temos relações estreitas e conturbadas -- principalmente por causa de Itaipu -- merece a borduna em vez do papo, e a Síria não? Que diplomacia é essa?! Resolvemos dar uma de Golias raivoso contra um Davi vizinho, em vingança contra reiteradas chantagens que os paraguaios nos têm feito ao longo dos tempos?  Por que o Itamaraty não deu o mesmo tratamento à Síria -- falta de coragem? Ou, além disso, foi outra daquelas pirracinhas juvenis, no caso sírio, de assumir mais uma vez posição contrária aos EUA?

O Itamaraty tem sido reiteradamente frouxo com nossos vizinhos sul-americanos,  fronteiriços ou não, que vivem nos fazendo de palhaços e saco de pancada, inclusive o Paraguai, que transformou Itaipu numa inesgotável fonte de chantagens e receita extra, contra os nossos interesses. E aí, de repente, resolve dar uma de "durão" com os nossos "hermanos" paraguaios -- qual é a jogada da nossa diplomacia camaleônica? Por que o soft power com a Síria e o hard power contra o Paraguai?


Cercado de alguns péssimos espécimes de governos da região, como Hugo Chávez, Evo Morales e Cristina Kirchner, o Brasil dá uma de líder de araque e comete ao menos duas contradições: se nega a dar ao novo governo paraguaio o mesmo direito amplo de defesa que reclama ter sido negado a Fernando Lugo; -- aproveita a suspensão temporária do Paraguai para, açodada e injustificavelmente, apoiar e promover a admissão plena da Venezuela no Mercosul, impedida até então pela oposição do Paraguai a essa admissão.

Nos moldes em que se deu, a entrada da Venezuela no Mercosul como seu membro pleno é uma vergonha para essa "instituição" e desclassifica de vez o Brasil e sua diplomacia como lideranças que mereçam qualquer respeito -- e avacalha de vez com o Mercosul.  A barganha ficou tão indecorosa -- suspende-se o Paraguai por dez meses e, rapidinho, admite-se a Venezuela -- que ficou parecendo armação de adolescentes, mantendo como refém um dos donos da casa enquanto facilitam a entrada do Ricardão nos seus aposentos ...

Em 10 de fevereiro de 2012 o Itamaraty comemorou o centenário da morte de José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, patrono da nossa diplomacia. Quatro meses depois, ele enxovalha o nome de seu paradigma com essa operação casada no Mercosul, uma autêntica jogada de mafiosos.

PS - Respondendo, em parte, a pergunta-título da postagem, digo que é difícil saber quantos Itamaratys temos no país, pois  essa é uma equação de no mínimo duas variáveis: o humor da nossa ex-guerrilheira, Dª Dilma, e a flexibilidade da coluna dorsal do chanceler da vez. Mas, uma coisa é certa e simples: desde o governo de Lula, o Nosso Pinóquio Acrobata (NPA), o Brasil tem tido dois chanceleres, caso único no mundo: o de punhos de renda (hoje chamado Patriota, por uma fantástica ironia do destino) e um Sr. Marco Aurélio Garcia, que em países e governos mais sérios seria no máximo segurança de cabaré mas, no Brasil, por obra e graça do NPA e do PT, virou chanceler n° 2.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Triplice Fronteira gerou atrito com EUA, apontam telegramas

Nas semanas seguintes aos atentados de 11 de setembro de 2001, o Brasil reagiu, em uma reunião cercada de sigilo, à posição norte-americana de apontar a região da Tríplice Fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai) como um foco de grupos terroristas. É o que revelam os telegramas confidenciais inéditos produzidos pelo Itamaraty e liberados à consulta após um pedido da Folha de S. Paulo.

O recado ao governo de George W. Bush foi dado pelo então ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), vinculado à Presidência, general Alberto Mendes Cardoso. Ele se reuniu em Washington com funcionários da CIA, a agência central de inteligência dos EUA, e com o embaixador Francis Taylor, então coordenador de contraterrorismo do Departamento de Estado.  No encontro, Cardoso ressaltou "a necessidade de não 'satanizar' a região da Tríplice Fronteira, acusando-a, sem indícios, de ser uma área de terrorismo".

Dias depois, Cardoso disse ao Itamaraty que boicotaria seminário apoiado pelos EUA no Paraguai para discutir a "prevenção do terrorismo e do crime organizado".  Um telegrama confidencial enviado pelo Itamaraty à embaixada brasileira em Washington diz que Cardoso afirmou aos norte-americanos que "não se deveria perder tempo com encontros de viés acadêmico". O Itamaraty encampou a visão de Cardoso e desautorizou seu corpo diplomático a tomar "decisões" durante o seminário, liberando apenas "intercâmbio de ideias e de pontos de vista".

Outros telegramas recém-liberados reafirmam o incômodo do Brasil com as acusações sobre a fronteira. 

Os documentos mostram que, em 5 de outubro de 2001, o embaixador brasileiro em Washington, Rubens Barbosa, "manifestou preocupação" a Steven Monblatt, vice-coordenador para contraterrorismo do Departamento de Estado, sobre "repetidas declarações" do governo dos EUA sobre a fronteira. Dias antes, Monblatt havia dito à Folha ver "elos" do terrorismo na região. Na conversa com Barbosa, Monblatt disse que a América Latina era uma "região de apoio" para os terroristas. Barbosa deixou registrado: "[Monblatt] não apresentou qualquer elemento de informação para respaldar sua afirmação".

No mesmo mês, Barbosa contou em telegrama que tentou se encontrar com autoridades do FBI (equivalente à Polícia Federal brasileira) para explicitar a posição brasileira, mas o FBI recusou a audiência. O argumento apresentado foi que o FBI não recebia "embaixadores estrangeiros", o que era incorreto, segundo Barbosa. "Ao chegar [a Washington], no âmbito das visitas que fiz a diversos órgãos da Administração [dos EUA], fui muito bem recebido no FBI."
Dez anos depois, Barbosa disse à Folha que as acusações dos EUA sobre a Tríplice Fronteira continuam sem qualquer fundamento. "Eles nunca nos apresentaram provas do que diziam."

À parte essa área de atrito, as relações entre Brasil e EUA se estreitaram nos dias posteriores ao 11 de Setembro. Logo após o atentado, o Brasil evocou, em votação na OEA (Organização dos Estados Americanos), o tratado militar Tiar, que age como mecanismo de autodefesa coletiva dos países da região em caso de ataque externo. Nas conversas que Barbosa manteve naqueles dias, autoridades norte-americanas elogiaram a medida brasileira, qualificando o país como "um verdadeiro amigo".
General Alberto Mendes Cardoso (Foto: Google).

Embaixador Rubens Barbosa (Foto: Google).