domingo, 12 de fevereiro de 2012

Aranhas tecem teia gigante em cima de árvores na Amazônia

Em julho do ano passado fiz uma postagem, relatando o incrível fenômeno de árvores cobertas por teias de aranha no Paquistão.  Eis que agora, o mesmo fenômeno ocorre na Amazônia, segundo reportagem da Folha de S. Paulo!

Uma colônia de aranhas do gênero Anelosimus teceu teias gigantes em copas de árvores, cercas de madeira e no pasto de uma fazenda em Iranduba (região metropolitana de Manaus). Segundo a especialista em aracnídeos Lidianne Salvatierra, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), o fenômeno é raro em áreas distantes de florestas nativas.


Árvores cobertas por teias de aranhas na cidade de Iranduba, com 40 mil habitantes, às margens do rio Solimões - (Foto: Antônio Lima/Acrítica/Folhapress).

Salvatierra disse acreditar que as aranhas tenham migrado para as árvores da fazenda por um fenômeno de dispersão. A espécie de aracnídeo tem menos de um centímetro de comprimento. "Essas aranhas são originárias de floresta tropical. Como são bem leves, um vento ou um animal pode ter ajudado na dispersão". 

As teias gigantes atraíram a atenção da população de Iranduba, cidade de 40 mil habitantes às margens do rio Solimões. A imagem das árvores encobertas por teias lembra um cenário de ficção científica. O dono da fazenda não quis se identificar para a equipe do Inpa.

De acordo com a especialista, as aranhas tecem as teias há três meses. Amostras da espécie foram coletadas para pesquisa e registro no instituto.  Segundo a pesquisadora, as aranhas Anelosimus se agrupam em teias individuais até a formação de ninhos coletivos --por isso são chamadas de "aranhas sociais".

As teias servem de abrigo e de armadilha para insetos. Grossos, os fios das teias são resistentes ao calor e à chuva amazônica.  O movimento de borboletas que tentam se livrar das teias consegue desfazer pequenas partes da estrutura. "Mas milhares de aranhas capturam as borboletas antes que isso aconteça", conta Salvatierra.

 Outro exemplo de árvore coberta por teias de aranhas em Iranduba, na Amazônia - (Foto: Google).

Cientistas criam meias anti-chulé

Pesquisadores espanhóis criaram um tecido antibacteriano para fabricar meias que não provocam mau cheiro após seu uso e que não causam problemas na pele, como coceiras e fungos. Para produzir o tecido, os pesquisadores usaram fibras de celulose, geralmente utilizadas para fins médicos, com uma solução de zinco e outros componentes que funcionam como bactericida. [Invenção aparentemente banal, mas que vai aliviar muita gente ...]

A novidade foi desenvolvida pelo Centro de Inovação Tecnológica da Universidade Politécnica da Catalunha e a empresa Sutran y Mas. O objetivo é que as meias sejam comercializadas em breve.  Vejam o vídeo:


http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/videocasts/1047377-cientistas-criam-meias-anti-chule-assista-ao-video.shtml


Nova área da psicologia tenta entender comportamento científico

Quando questionada sobre por que é cientista, a geneticista Luiza Bossolani Martins, doutoranda da Unesp (Universidade Estadual Paulista), foi taxativa: "Desde pequena queria descobrir a cura de doenças. Não dá para explicar".

Agora, a psicologia quer entender aquilo que Martins não consegue explicar: o que leva algumas pessoas a terem comportamento científico?

A atitude questionadora de quem quer entender o que está ao seu redor, independentemente de a pessoa ser mesmo cientista, é alvo de uma disciplina recém-criada, a "psicologia da ciência".  Idealizada pelo psicólogo norte-americano Gregory Feist, da Universidade San Jose, na Califórnia, a área reúne pesquisas sobre os aspectos que envolvem o interesse pela ciência -- tudo isso sob o guarda-chuva da psicologia.

Esses trabalhos já têm até periódico próprio: o jornal do ISPST (sigla de Sociedade Internacional de Psicologia da Ciência da Tecnologia). "Entendendo os aspectos da personalidade, da cognição e do desenvolvimento do talento científico, teremos mais condições para incentivar jovens com essas qualidades para uma carreira em ciência", disse Feist à Folha.

De fato, conversas com cientistas deixam claro que o incentivo, especialmente na escola, contam muito na escolha pela carreira científica. "Sou cientista por uma razão muito simples: tive um professor de ciências na escola cujas aulas eram fascinantes", conta o fisioterapeuta Nivaldo Parizotto. Ele é professor da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e está nos EUA hoje para estudar a ação do laser no envelhecimento.

Outro relato comum entre os cientistas é uma vontade de "explicar o mundo". "Por que abriria mão de escrever um pouco mais sobre como as coisas funcionam?", questiona o físico Pierre Louis de Assis, que faz pós-doutorado na Universidade Joseph Fourrier, na França.

O que move os cientistas? - (Clique na imagem para ampliá-la) -- (Desenho: Editoria de Arte/Folha Press).

A psicologia da ciência pode ajudar a estimular talentos para ciência --o que é propício em um país como os EUA, que tem perdido cientistas. Mas, para Feist, não há evidências de que a nova disciplina possa ser usada para tornar qualquer pessoa mais interessada em ciência. Os estudos podem também esclarecer aspectos psicológicos dos pesquisadores. De acordo com Feist, cientistas tendem a sofrer mais transtornos psicológicos do que não cientistas -- mas menos que artistas ou músicos. 

O Brasil não tem nenhum grupo de pesquisa sobre o tema entre os mais de 27 mil grupos cadastrados no CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento). Mas, de acordo com a socióloga da ciência Léa Velho, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), a psicologia da ciência já tinha espaço nos estudos sociais da ciência desde 1970. A ideia de Feist é "emancipar" a área e focar nas pesquisas de comportamento.

Congresso dos EUA pede explicações ao Google

Dois líderes do Congresso dos Estados Unidos pediram, nessa quinta-feira, 9, mais explicações ao Google sobre as mudanças que a empresa implementará a partir de março em sua política de privacidade.

A presidente da subcomissão de Comércio da Câmara de Representantes, Mary Bono Mack, e o democrata de maior categoria nesse comitê, George Butterfield, enviaram uma carta ao principal executivo da companhia, Larry Page, com um extenso questionário sobre as mudanças e fixaram o próximo dia 21 como prazo para obter respostas.

Os congressistas se reuniram com representantes do Google na semana passada, mas, nessa quinta-feira, indicaram necessitar de mais detalhes sobre as mudanças na coleta e no uso de informações privadas dos usuários. Na carta de quatro páginas, Mack e Butterfield assinalam que existe uma “confusão” sobre o tempo que o Google requer para responder a solicitações dos usuários para, por exemplo, eliminar os e-mails dos sistemas do servidor.

Os legisladores também expressaram preocupação com a ideia de obtenção e arquivamento dos sites visitados pelos usuários mediante sua conta no Google, para assim facilitar a propagação de anúncios publicitários. “Embora por muitas razões alguns usuários prefiram receber anúncios com base em suas buscas na internet, muitos consideram que o histórico de busca pode ser informação sensível e deveria permanecer inacessível”, disseram na carta.

Os legisladores definiram como “sensível” qualquer informação relacionada com o histórico médico, origem étnica ou racial, crenças políticas e religiosas e orientação sexual dos usuários. Na lista de perguntas, os legisladores querem saber quais os mecanismos que o Google usará para que os usuários possam manter-se no anonimato e questionam se suas informações estarão protegidas do acesso de funcionários da empresa.

As mudanças em cerca de 60 tipos de serviços e produtos a partir de 1º de março permitirão que o Google tenha acesso a mais informações privadas dos usuários, reduza o controle destes sobre tais dados e ofereça mais informações sensíveis aos anunciantes.

Incoerente da Silva

Sou fã de carteirinha de Dora Kramer, a brilhante colunista do jornal O estado de S. Paulo, por sua acuidade, pela precisão cirúrgica de suas análises e seus comentários, e seu destemor. Reproduzo a seguir, na íntegra, sua coluna de hoje no Estadão, em que ela desnuda, entre outras informações, o contorcionismo hipócrita do PT para arranjar um outro nome que não "privatização" para o que o governo petista fez com os aeroportos de Brasília, Viracopos e Guarulhos.

Incoerente da Silva

Dora Kramer (O Estado de S. Paulo- 12/2/2012)

A tardia, mas benfazeja privatização dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília, que abre ainda o caminho para a entrega do Galeão (RJ) e Confins (MG) à administração do setor privado, atordoou o PT e pareceu revigorar por alguns momentos o PSDB. O ato deveria encerrar a questão, excluindo-a da agenda não digamos política, mas eleitoral porque o PT só volta ao tema quando interessa infernizar o adversário ruim de defesa. Mas, como avisou o presidente do partido, Rui Falcão, "a guerra continua".

A depender de quem ganhe a batalha da comunicação com a sociedade, continuará na agenda com vantagem para os petistas. Os tucanos riram muito, divertiram-se em provocações nas redes sociais, no Congresso, em artigos e entrevistas. Muitas (não todas) repletas de razões consistentes explicando diferenças e semelhanças entre o processo iniciado no governo Fernando Henrique, constatando a evidência: o que caracteriza a concessão é o controle e se o controle foi passado à iniciativa privada o nome do jogo é privatização.

Ofendidos, petistas reagiram com um discurso artificial segundo o qual lá houve roubalheira e entreguismo enquanto cá os procedimentos foram corretos, lucrativos e, sobretudo, "mezzo" estatal. Fato é que os aeroportos terão gestão privada e o PT está com vergonha disso. Tanto que considera necessário se defender das "acusações" e já preparou uma cartilha de munição à militância.

Para explicar que o que fizeram não foi bem isso que dizem ter sido feito. Mesmo eivada de sofismas, uma ideia que aos tucanos jamais ocorreu: traduzir um tema de difícil compreensão de forma inteligível e repetir seus argumentos com convicção sem se deixar intimidar.

Mas parece que em geral políticos tratam como algo vergonhoso o ato da transferência para o setor privado, mediante quantias de dinheiro fabulosas, serviços com os quais o Estado não pode arcar. Ocorre que ganham todos. Ganha o Estado e o público se as coisas são feitas direito como na incontestável - mais ainda muito contestada, desnecessário dizer por qual partido - privatização do setor de telecomunicações. Não será surpresa se na próxima campanha aparecerem comparações entre as privatizações de um e as "concessões" de outro governo mostrando como a do PT foi bem melhor.

Surpreendente é o partido reagir ao ser apontado como incoerente. A privatização dos aeroportos é só um pilar no monumento à incoerência que o PT vem construindo há quase dez anos, ao adotar como sua a agenda que combateu durante a vida toda. Excetuada a ampliação dos programas sociais, onde resolveu fazer do seu "jeito", saiu-se mal.

Desarticulou as agências reguladoras, não fez andar programas anunciados com pompa, convive com a paralisia em obras do PAC, "concedeu" rodovias pelo critério de menor tarifa prejudicando o andamento do processo e atrasou em pelo menos cinco anos a privatização dos aeroportos. Para não dizer que não falamos de política, consolidou o modelo do feudo na ocupação de ministérios e transformou em cardinalato o baixo clero do Congresso.

Modo de fazer. Abissal a diferença entre os governadores Jaques Wagner, da Bahia, e Sérgio Cabral, do Rio, na condução das greves de policiais. Entre outros, por um detalhe: Cabral mandou prender grevistas no primeiro dia e Wagner passou dois dias dando entrevistas para dizer que a greve não existia. Um preservou a autoridade sem conversar. Outro conversou demais e desgastou seu poder. [Dora parece esquecer-se de que, na malfadada greve de bombeiros e PMs no Estado do Rio em 2011, Sérgio Cabral foi tão frouxo ou mais que Jacques Wagner, deixando-se intimidar por um bando de arruaceiros.]

De coração. Capitão da PM da Bahia conta a seguinte história: o general Gonçalves Dias confraternizou com o grevista de quem ganhou um bolo de aniversário enquanto comandava o cerco aos amotinados porque os dois haviam servido juntos, anos atrás, em Sergipe. Explica, mas não justifica.

Comissão do Senado aprova fim de imposto para maiores de 65 anos

Os maiores de 65 anos poderão ficar livres da mordida do leão. A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou hoje (8) projeto de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), que isenta de imposto de renda os contribuintes idosos, até o limite máximo da Previdência Social, hoje de R$ 3.916,20.

O projeto do senador Paulo Paim (PT-RS) [paulopaim@senador.gov.br]  recebeu substitutivo do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e estende a todos os idosos um direito já conquistado pelos aposentados e pensionistas maiores de 65 anos. O relator alterou o texto original para garantir que o benefício não seja cumulativo. “Para os contribuintes que já têm isenção prevista na tabela do imposto de renda, a nova isenção incidirá apenas sobre a diferença entre a parcela já isenta e o teto de benefício do Regime Geral de Previdência”, explicou Lindbergh Farias.

A proposta, aprovada na primeira reunião do ano da CAS, agora segue para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) da Casa, onde será votada em decisão terminativa.

Paim é o autor do projeto que isenta do IR os idosos com mais de 65 anos - (Foto: Roosevelt Pinheiro/ABr).

Finalmente governo brasileiro reage à grosseira e inaceitável discriminação da Espanha à entrada de brasileiros no país

Até que enfim deixamos de lado nosso humilhante conformismo, e resolvemos tratar os espanhóis que aqui vierem com a mesmíssima discriminação e as mesmíssimas dificuldades que a Espanha há anos impõe aos brasileiros que arribam ao seu território -- desde 2008 o Brasil é o país com maior número de barrados nos aeroportos espanhóis. A partir de 02 de abril vindouro, os espanhóis terão que submeter-se às mesmas rígidas exigências impostas aos brasileiros pela Espanha, como nos dá conta a reportagem abaixo, publicada no dia 110 deste mês no jornal O Estado de S. Paulo.

O Brasil passará a adotar exigências mais duras para a entrada de turistas espanhóis no País, usado o chamado princípio da reciprocidade. A partir do dia 2 de abril, os visitantes daquele país que desembarcarem aqui terão de apresentar comprovantes para reservas de hotéis, passagens de ida e volta e provar que têm recursos para se manter no Brasil pelo período da estada. Serão necessários pelo menos R$ 170 por dia por pessoa, o equivalente a cerca de 80. A comprovação poderá ser feita por meio de cartão de crédito internacional, desde que o titular apresente fatura em que conste o limite permitido de gasto.

As exigências são as mesmas feitas pela Espanha para os brasileiros que viajam ao país. Incluem, ainda, a necessidade de um passaporte com pelo menos seis meses de validade. Aqueles que não planejam se hospedar em hotéis terão de apresentar uma carta-convite da pessoa que os receberá, com assinatura registrada em cartório e um comprovante de residência.

Negociações frustradas. A decisão foi tomada pelo Itamaraty depois de uma série de negociações frustradas para tentar diminuir as dificuldades enfrentadas pelos brasileiros que chegam à Espanha. Desde 2008, o Brasil é o país com maior número de cidadãos barrados nos aeroportos espanhóis. Já na época, quando cerca de 240 brasileiros eram barrados por mês e posteriormente deportados, foi criado um grupo binacional para discutir o tema, mas não houve evolução.

Ainda em 2011, o ministro das Relações Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota, admitiu que as discussões não estavam avançando e havia casos inaceitáveis. Apesar de ter caído o número de barrados, a média ainda era de 140 pessoas por mês. O endurecimento no tratamento dos brasileiros nas entradas na União Europeia, especialmente na Espanha, coincidiu com o início da crise econômica mundial. [É muito estranha esta afirmativa, porque já antes de 2008 eram frequentes as notícias de humilhações, grosserias e deportações ao Brasil impostas a centenas de brasileiros pela autoridades de imigração espanholas nos aeroprtos de seu país.]

Pesquisadores brasileiros que estavam a caminho de um congresso e apenas de passagem pela Espanha foram deportados. Há casos de músicos com apresentações marcadas, engenheiros com cursos pagos e até crianças que chegaram a ficar presas por 48 horas dentro dos aeroportos, além de diversas reclamações de maus-tratos.

Fluxo migratório. A preocupação dos espanhóis, de que brasileiros queiram se mudar clandestinamente para a Europa, pode deixar de ser realista. Um relatório publicado em janeiro deste ano pelo governo espanhol mostra que o fluxo migratório está mudando. Ainda em 2010, 17,6 mil brasileiros voltaram para o País, enquanto 12,9 mil foram para a Espanha. Já o número de europeus querendo se mudar para o Brasil está aumentando. Em 2011, o País recebeu 57% a mais de trabalhadores estrangeiros do que no ano anterior, um número considerável deles vindos da Europa, especialmente Portugal e Espanha.  [Ver postagem anterior sobre a entrada de estrangeiros no país.]