domingo, 22 de maio de 2016

Bolsa Família, a caixa preta petista



O Bolsa Família, carro-chefe dos governos petistas, continua cercado de mistério, desinformações e informações confusas. Segundo o próprio governo, em setembro de 2015 o programa atendia a 13,8 milhões de famílias. Se fossem todas famílias sem filhos, já seriam quase 28 milhões de pessoas. Como as famílias de baixa renda são geralmente mais férteis, 4 pessoas por família seria um mínimo aceitável, embora sabidamente fora da realidade (para menos) e aquela cifra então dobraria, subindo para quase 56 milhões de pessoas beneficiadas, cerca de 28% da população brasileira, o que assusta e já dá para desconfiar.

No mesmo site do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA) citado acima, tem-se a informação de que em 2015 o número de beneficiados do Bolsa havia se mantido estável até setembro daquele ano:

2015
Famílias
Janeiro
13.980.524
Fevereiro
14.014.252
Março
13.978.783
Abril
13.755.692
Maio
13.732.792
Junho
13.716.766
Julho
13.827.369
Agosto
13.797.102
Setembro
13.880.362

Isso já soa estranho, e gera a interpretação inteiramente válida de que nesses 9 meses o governo foi completamente ineficiente na redução da pobreza no país, pelos critérios do Bolsa Família. Essa é uma das interpretações possíveis -- uma outra também válida é de que esses dados não são confiáveis, e que o governo os estivesse manipulando no sentido de dizer "vejam, a pobreza pelo menos não aumentou no país". 

O problema interessante é que em julho de 2015 o Ipea -Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, um órgão também do governo federal (é uma fundação pública federal vinculada ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão; suas atividades de pesquisa fornecem suporte técnico e institucional às ações governamentais para a formulação e reformulação de políticas públicas e programas de desenvolvimento brasileiros) publicou na 23ª edição do Boletim de Políticas Sociais: acompanhamento a análise (lançado em 16/7/2015) que a pobreza extrema no país havia voltado a subir (o destaque é meu). Isto já contradiz a informação do MDSA. De duas, uma: ou os novos pobres extremos não foram atendidos pelo Bolsa Família, caracterizando uma falha do governo e do programa, ou a inclusão desses novos pobres extremos foi sonegada na informação do MDSA para não escancarar o aumento da pobreza extrema no país. 

Segundo o relatório Panorama Social de América Latina de 2014 da Cepal - Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, Quadro 1, em 2005 os índices de pobreza e de pobreza extrema no Brasil eram de 36,4% e 10,7% respectivamente; em 2012, esses índices caíram para 18,6% e 5,4% respectivamente, com reduções portanto realmente significativas. Em 2013, esses valores foram de 18,0% e 5,9%, respectivamente -- uma pequena redução no índice de pobreza e um aumento no índice de pobreza extrema.

Em 26 de janeiro de 2015, o jornal O Estado de S. Paulo (Estadão) comentou: "A piora do quadro da extrema pobreza no Brasil se opõe às manifestações públicas da presidente Dilma Rousseff ao longo da campanha do ano passado. Além de negar uma deterioração dos indicadores devido aos sucessivos anos de crescimento econômico fraco e de inflaçãorondando os 6% ao ano, o governo também atravessou o ano de 2014 com embates políticos internos. A direção do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) barrou, por três meses, a divulgação de um relatório técnico da sua área de estudos e políticas sociais, que divulgaria análises semelhantes à da Cepal sobre o quadro de pobreza no Brasil.

Procurado, o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) afirmou, por meio de sua assessoria, desconhecer os critérios de análise e formação dos indicadores de pobreza e de extrema pobreza da Cepal. O ministério informou que o governo brasileiro trabalha com o conceito do Banco Mundial e da Organização das Nações Unidas (ONU), que considera extrema pobreza alguém que vive com menos de US$ 1,25 por dia. A taxa de extrema pobreza aumentou de 2,9% para 3,1% entre 2012 e 2013, segundo o MDS".

O montante carreado pelo governo federal ao Bolsa Família é impressionante: em 2014 foram R$ 26,6 bilhões e em 2015 foram quase R$ 26,9 bilhões -- desde 2003, o governo federal já transferiu R$ 186,5 bilhões ao programa. Isto é muito dinheiro em qualquer parte do mundo, e por si só exigiria um controle rígido e permanente do seu uso e do comportamento dos cadastrados, mas não há notícia convincente de que isso se faça. Os governos petistas sempre se gabaram da dinheirama que jogaram no Bolsa Família, quando na realidade deveriam lamentar que isso não só continua ocorrendo como já sofreu aumentos de cadastrados.

Uma das críticas recorrentes ao Bolsa Família é que o programa nítida e inevitavelmente gera uma acomodação dos beneficiados, que preferem ficar só mamando na teta do governo ou, pior, só aceitam novo emprego se for sem carteira assinada para não perder a mamata. Relatos sobre isso são inúmeros -- eu mesmo, há uns 8 anos (lembro-me bem porque foi pouco antes de uma cirurgia séria que sofri), estava num táxi de uma cooperativa de Niterói e reclamei do atendimento de sua telefonista. O motorista, que era então o presidente da cooperativa, me disse que haviam feito uma campanha para contratar uma telefonista bilingue e a candidata escolhida disse que só aceitaria se fosse sem carteira, para não perder seu Bolsa Família. Não conheço nenhuma manifestação fundamentada do governo federal sobre essas denúncias, nem de que seja feito um acompanhamento rigoroso para detectar e eliminar essas ocorrências.

Enquanto tudo isso acontece, o Bolsa Família tem sido beneficiado com reajustes generosos de 10% em 2014 (ver postagem anterior), 2015 e 2016 -- em 1° de maio deste ano, Dilmanta informou que esse seria o reajuste deste período. O governo interino de Temer decidiu passar um pente fino nesse programa, o que poderá levar ao desligamento de até 10% dos beneficiários. O governo atual acredita que, com o aprimoramento na fiscalização do programa através do cruzamento de informações do seu banco de dados, poderá verificar se as quase 14 milhões de famílias beneficiárias do programa preenchem realmente seus critérios. Com isso, ele projeta desligar os 10% citados mas admite que o número de irregulares poderá ser o dobro ou até o triplo disso, mas o desligamento inicial se limitaria aos 10%.








quinta-feira, 19 de maio de 2016

Avestruzes viram praga no cenário político brasileiro

O avestruz (Struthio camelus) é uma ave muito peculiar: é a maior da espécie e não voa. Atribui-se a ela o estranho hábito de enfiar a cabeça num buraco ao primeiro sinal de perigo. Por este costume, o avestruz virou símbolo de pessoas que por conveniência própria fingem ignorar o que de ruim ocorre à sua volta por ação ou omissão sua.

Nosso cenário político sempre foi repleto de avestruzes, mas essa incidência de Struthio camelus aumentou muito nos últimos 13 anos, atingindo "altas" figuras da nossa  política, desde Lula BL (Boca de Latrina) a Dilmanta "Sapiens" NPS (Nosso Pinóquio de Saia).

☛ Lula BL foi (e ainda é) o rei dos nossos avestruzes, alegando desconhecer o mensalão, o petrolão e todo o rosário de atos de corrupção e safadezas ocorridos nos seus governos, debaixo de sua barba e de seu nariz, com pessoas de seu convívio frequente e inteira confiança. Voltou a enfiar a cabeça num buraco ("não vejo, não ouço, não falo") quando estouraram histórias estranhas de um tríplex no Guarujá e um sítio em Atibaia (SP). Repete o gesto com histórias cabeludas de envolvimentos malcheirosos seus e de seus filhos com empreiteiras atoladas até o pescoço na operação Lava-Jato. Um dos buracos preferidos como esconderijo da cabeça do avestruz Lula BL chama-se Instituto Lula.

☛ Dilmanta, nossa múmia em recesso, tornou-se uma avestruz de ponta desde 1 de janeiro de 2003, primeiro dia de governo de Lula BL. Se destacou por ser uma avestruz (além de anta) agressiva, burra e extremamente autoritária com bichos e seres humanos, avestruzes ou não. Não batia papo nem com avestruzes, machos ou fêmeas, e muito menos com seres humanos, com os quais é completamente hostil. Ela encheu de buracos o Palácio do Planalto o Palácio da Alvorada e o país inteiro, onde enfiava a cabeça todas as vezes (que chegaram aos milhares) em que uma nova lambança sua gerava uma catástrofe para o país. De tanto enfiar a cabeça em buracos, ela desenvolveu uma técnica respiratória especial que está sendo disputada por cientistas do mundo inteiro, a começar pela Nasa (que pretende levar avestruzes humanos a Marte, com um convite para isso à própria Dilmanta). Vejamos algumas de suas emburacadas de cabeça:

◼︎ durante seus 7 anos e presidente do Conselho de Administração da Petrobras não percebeu nada do petrolão e da compra fajuta da refinaria de Pasadena e de um monte de outras safadezas -- quando isso tudo explodiu, ela inventou uma tonelada de desculpas esfarrapadas e enfiou a cabeça num dos inúmeros buracos de amnésia seletiva do Planalto;

◼︎ inventou a MP 579, berrou aos quatro ventos a maior redução tarifária de energia elétrica, estimulou o consumo e introduziu uma série de medidas insanas no setor elétrico, destruindo-o de maneira quase irreversível -- quando as tarifas subiram astronomicamente e o setor quebrou, ela culpou São Pedro pela falta de chuvas, a crise externa, o PSDB e a oposição, Deus e o Papa, sua arrumadeira (com quem fez uma guerra de cabides) e voltou a enfiar a cabeça no buraco chamado "a culpa não foi minha". No setor energético, Dilmanta destruiu a Eletrobras e durante seu primeiro governo continuou a fluir o petrolão. Ela, Lula BL e o PT conseguiram arrasar as duas jóias da coroa estatal, a Petrobras e a Eletrobras (que acaba de ter suas ações suspensas na Bolsa de Nova Iorque e pode ter que pagar R$ 15 bilhões por isso -- a responsável por esse descalabro é Dilmanta, endeusada pela esquerda).

◼︎ Criou um modelo econômico de privilégios a países, pessoas e setores, paparicou Eike Batista e a indústria automobilística, fez empréstimo gigantesco a Cuba via BNDES com cláusulas secretas, perdoou milhões de dólares de dívidas de ditaduras africanas conosco, foi frouxa com a Venezuela inclusive na sua dívida bilionária com empreiteiras brasileiras e otras cositas más -- quando tudo explodiu e o país afundou, lá foi a múmia enfiar a cabeça num buraco culpando a crise externa, a oposição, o El Niño, o excesso de eclipses e outras besteiras do gênero; por conta das lambanças da madame, a taxa de desemprego está em 10,2% dos trabalhadores, o que significa 10,4 milhões de brasileiros sem emprego -- há quem preveja que o desemprego chegue a 14% até o fim do ano.

◼︎ Inventou o slogan "Brasil, Pátria Educadora" e ferrou a educação no país com má gestão e corte de verbas; a saúde pública virou uma calamidade, com escândalos ininterruptos e um desatendimento criminoso, com o país enfrentando várias epidemias sérias ao mesmo tempo; o saneamento básico virou literalmente uma cloaca, com um número absurdo de brasileiros sem esgoto tratado e água potável, propiciando o surgimento de uma série de doenças que castigam a população e deixam o país com péssima imagem lá fora; a segurança pública é uma droga, com o Brasil quebrando recordes anuais sucessivos de homicídios -- o cidadão sai de casa a pé, de carro, de ônibus ou metrô e não sabe se volta vivo; a infraestrutura está aos frangalhos, onerando ainda mais o já pesado Custo Brasil; o desamparo financeiro e institucional à ciência e tecnologia aumentou a fuga de técnicos nossos para o exterior, como no caso recente da neurocientista Suzana Herculano-Houzel que cansada da falta de recursos foi trabalhar nos Estados Unidos -- a tudo isso a madame avestruz responde enfiando a cabeça no buraco da arrogância e da absoluta falta de autocrítica;

◼︎ nossa múmia ambulante (em recesso) despreza completamente o Itamaraty e detesta lidar com política externa, e nas poucas vezes que o fez foi para fazer besteiras como prestar solidariedade cega à Venezuela, a Cuba e aos governos bolivarianos em geral, ou fazer discursos idiotas e ininteligíveis mundo afora; nossa (govern)anta não dá a mínima para a imagem externa do país, deixando embaixadas sem recursos para pagar contas e se manter, e nomeando estrupícios para representar o país no exterior em órgãos internacionais de peso, como ocorreu no caso de Ideli Salvatti para a OEA em Washington e seu maridinho segundo-tenente músico do Exército para a Junta Interamericana de Defesa também na capital americana (ver postagem anterior);

◼︎ além de sua incompetência e burrice astronômicas, Dilmanta por sua arrogância, autoritarismo e estúpida autossuficiência isolou-se dos políticos e se incompatibilizou com a maioria deles, perdendo completamente uma base parlamentar suficiente para dar-lhe suporte no Congresso -- por conta de suas pedaladas fiscais (pedalar é seu esporte favorito), foi afastada provisoriamente do governo e enfiou a cabeça no buraco chamado "golpe", culpando Deus e o mundo (nunca ela mesma) por seu impeachment. No contexto de seu infinito cinismo e de sua inexorável hipocrisia, ela acha -- não importa o que faça -- que não pode ser impedida porque foi eleita por 54 milhões de eleitores e porque não roubou e não tem contas na  Suíça. Pilantramente, argumenta que não pode ser impedida também porque seu processo foi deflagrado por vingança do moleque Eduardo Cunha  -- se a acusação contra ela fosse inconsistente e se ela tivesse consolidado uma boa base parlamentar, estaria hoje ainda no Planalto fazendo suas besteiras de sempre.

☛ Mas, o contingente mais impressionante de avestruzes é composto de petistas e esquerdistas, em sua esmagadora maioria apoiadores de Dilmanta porque são adoradores de Lula BL e, sendo nossa (govern)anta uma invenção dele, o impedimento da múmia é um tremendo golpe contra a fama de infalível político de  Lula BL -- o péssimo desempenho da madame já fez um estrago fenomenal na reputação do Pixuleco. O país está um caos, a economia foi pro brejo, neguinho está sem emprego e sem poder pagar as contas dos gastos estimulados por Dilmanta, a saúde pública vem castigando cruelmente os mais necessitados, mas esses avestruzes empedernidos enfiaram todos suas cabeças no buraco do tal "golpe" e choram e esperneiam, clamando aos céus por uma "justiça" que lhes seja conveniente. Nem Freud consegue explicar isso.

☛ O PT, Partido dos Trabalhadores, é o maior produtor de avestruzes políticos do país. De sua criação saíram matrizes como Lula BL, José Dirceu, José Genoíno, Delúrbio Soares, João Paulo Cunha, Gilberto Carvalho, Dilmanta, João Vaccari Neto, Cândido Vaccarezza e inúmeros outros. O próprio PT é um enorme avestruz, e tem para si vários buracos para esconder a cabeça, todos com nomes sugestivos: "vítima", "nada a dizer", "desconhecemos", "golpe", "complô", "repúdio violento", "crise externa", "sabotagem", etc. O partido entrou no poder desfraldando a bandeira de rei da ética e se revelou gerador, patrocinador, estimulador e beneficiário dos maiores escândalos de corrupção já vistos neste país: mensalão, petrolão, eletrolão e fundos de pensão de estatais. Estatizante por excelência, ajudou a destruir as duas principais estatais do país (Petrobras e Eletrobras) e transformou os bancos estatais em instrumentos de uso financeiro em seu benefício.

O documento de autocrítica que o PT publicou em 17 de maio de 2016 é o mea culpa mais original, escapista e mentiroso que se pode conceber. O partido reconhece seus inúmeros erros, mas em nenhum deles errou sozinho, existe sempre uma força externa, doméstica ou internacional, ou de ambos os lados, levando-o ao erro. Isto revela de imediato um partido frouxo, sem personalidade e conteúdo, incapaz de se impor. O texto da Resolução petista ("Resolução sobre Conjuntura") faz elucubrações ridículas, mas ao mesmo tempo reveladoras, como a de chamar a operação Lava-Jato de "instrumento crucial na escalada golpista"-- além de deixar claro que o partido é contra o combate à corrupção que gerou, amamentou e criou, o PT faz uma distorção absolutamente cretina dessa operação judicial que é um marco em nossa história.

Aliás, no capítulo da corrupção, o PT faz outra autocrítica cínica e hipócrita dizendo que "foi contaminado pelo financiamento empresarial de campanhas", querendo com isso passar de corruptor a corrompido. Os petistas usam o mesmíssimo argumento das empreiteiras apanhadas pela Lava-Jato, que alegam que foram corrompidas e chantageadas pelo esquema de propinas montado principalmente pelo PT -- a confiar nessas argumentações, chegaríamos à situação singular de que no petrolão e no eletrolão só há corrompidos, nenhum corruptor ...

Na sua linha de se vitimizar o tempo todo, o PT na sua resolução deixa transparecer nitidamente que falhou em não aparelhar e operar devidamente setores-chave do país, citando explicitamente o Itamaraty, instituição tradicional que foi ridicularizada pelos governos petistas ao ser transformada em capacho e saco de pancadas do governo e de diplomacias vizinhas, além de ter sido usado como vaca de presépio de apoio aos governos bolivarianos regionais.

Haja saco para aturar tanto avestruz!


segunda-feira, 16 de maio de 2016

Negros e mulheres no ministério de Dilma

Os viúvos, viúvas, órfãos e órfãs de Dilmanta estão fazendo um auê danado porque o ministério de Michel Temer não nenhum negro e nenhuma mulher. Vejamos então o ministério de Dilma.

Ministério do primeiro mandato de Dilmanta


Na foto oficial acima vemos 5 mulheres (uma negra) e um negro (não sei se o ex-ministro do Esporte George Hilton se classifica como negro ou mulato). A mulher negra é Nilma Lino Gomes, titular do Ministério das Mulheres e Igualdade Racial. As demais mulheres são Kátia Abreu (Agricultura), Tereza Campello (Desenvolvimento Social), Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e Eleonora Menicucci (Política para as Mulheres).

Na foto há ainda uma mulher que não consta da lista de ministras: é Ideli Salvatti. Ela foi ministra da Pesca e Aquicultura por seis meses (janeiro a junho de 2011), sem saber nenhuma coisa nem outra. Depois, virou ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais do Brasil de 2011 a 2014 e ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos do Brasil de 2014 a 2015 (esse "do Brasil" no nome do cargo é sensacional -- de onde mais seria?!). Ideli é um caso especial no cenário das mulheres do governo -- suas principais qualidades são ser petista e principalmente amiga da chefe e ser a ela extremamente subserviente. Se Dilmanta mandá-la xingar a própria mãe, ela o fará sem pestanejar. Por essas "qualidades", Ideli foi aquinhoada por Dilmanta com o cargo de secretária de Acesso a Direitos e Equidade da OEA - Organização dos Estados Americanos em Washington, ganhando em dólares e com imunidade diplomática. Detalhezinho adicional: seu maridinho, o segundo-tenente músico do Exército Jeferson da Silva Figueiredo (certamente foi tocar na bandinha da OEA) foi indicado pelo governo para o cargo de ajudante da Subsecretaria de Serviços Administrativos na Junta Interamericana de Defesa, também na capital americana. As nomeações geraram desconforto na própria OEA, no Itamaraty e entre militares. Salário de Jeferson: US$ 7.400,00/mês -- ele teve uma ajuda de custo de US$ 10.000,00 para mudar-se para os EUA.  A ida de Ideli e de seu soldadinho músico para orgãos internacionais de peso (e no exterior) mostra bem a visão escrota que Dilmanta tem da imagem internacional do Brasil. Tenho seríssimas dúvidas se a presença de Ideli em qualquer cargo é motivo de orgulho para o universo feminino.

Nessa lista de ministras percebe-se claramente uma pilantragem demagógica da nossa (govern)anta: para fazer média com o povão e a esquerda indigente, ela cria um Ministério de Mulheres e Igualdade Racial e um Ministério de Política para Mulheres. Para ampliar a malandragem demagógica, a múmia no segundo mandato fundiu o ministério de Direitos Humanos com o de Mulheres e Igualdade Racial, sob o comando de Nilma Lino Gomes. Que mágica besta é essa de ter um ministério de política para mulheres que não cuida nem de direitos humanos, nem de mulheres, nem de igualdade racial?! 

Essa invenção petista e dilmista de criar secretarias com "status" de ministério é outra pilantragem da múmia, para mimar e blindar apadrinhados com o nosso dinheiro.

Se levarmos em conta que em 2015 os negros representavam 53,6% da população brasileira (IBGE), no ministério de Dilmanta os negros eram apenas 5,1% . Ok, é melhor pingar do que secar, mas é bom não exagerar na euforia da inclusão negra no alto escalão federal -- esse percentual de 5,1% é uma merreca, uma esmola (que Temer sequer manteve).

As mulheres são 51,4% da nossa população. No ministério do governo Dilmanta, com Ideli elas eram 15,38% e sem Ideli 12,8% (governo Temer: 0%). Bem melhor que a dos negros, sem dúvida, mas muito longe da realidade da presença feminina no país -- no atual governo canadense, metade (15) dos ministérios é ocupada por mulheres. As mulheres são 50,4% da população canadense, praticamente a mesma proporção que no Brasil.

Ministério do segundo governo Dilmanta


A ausência de negros e mulheres no ministério de Temer é lamentável  e deveria ter sido evitada, mas está longe de ser a calamidade ou o absurdo que querem pintar. Nossos problemas são tão sérios e tão prementes, que certamente não é a ausência de negros e mulheres que se constitui no principal questionamento a ser feito quanto ao ministério de Temer. Embora a lei diga que ninguém é réu até receber uma sentença transitada em julgado, me incomoda muito mais a presença de ministros investigados pela justiça federal do que essa lacuna de mulheres e negros.

Outra coisa que é preciso destacar é que a maioria do(a)s esquerdistas, do(a)s feministas e do(a)s afrodefensore(a)s se preocupa muito mais (ou praticamente só) com a aparência do que com o conteúdo. Desde que exista a figura física de um(a) representante seu(sua), beleza, o conteúdo é secundário. A esmagadora maioria (para não dizer a totalidade) das mulheres de Dilma é composta de pessoas fraquíssimas de conteúdo e de desempenho e absolutamente subservientes, incapazes de ter luz própria a não ser baixando servilmente a cabeça à chefe. Além de incompetentes, poucas são ilibadas -- tome-se como exemplo Erenice Guerra (cupincha do peito de Dilmanta) e Gleisi Hoffmann, ambas atoladas com denúncias na Lava-Jato. Ideli Salvatti em 2011 foi grampeada fazendo maracutaias de negociação de cargos no Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura).

Aliás, é muito esdrúxula a posição desse(a)s feministas de ministério. Fazem uma questão danada da presença de mulheres em altos cargos, mas ninguém deles e delas disse um "a" contra a agressão explícita e gravada de Lula BL (Boca de Latrina) contra as mulheres, e mais especificamente contra as mulheres petistas. Lula BL disse que Clara Ant, diretora do Instituto Lula, julgou-se premiada por Deus quando vários homens invadiram seu apartamento, e disse também que era preciso "apelar para o grelo duro das mulheres petistas". A esquerda toda, como sempre, achou isso lindo e inatacável por ser de Lula BL. Bem menos hipocrisia ficaria bem melhor nesse teatro.

sábado, 14 de maio de 2016

Espécies invasoras: mosquitos tropicais se instalam no norte da Europa

[Traduzo a seguir reportagem de Irene Berres e Anna Behrend publicada no site Spiegel Online International. O mundo está cada vez mais global, também nas doenças. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]

Uma fêmea do mosquito tigre asiático - (Foto: DPA/ James Gathany/ CDC)

Espécies invasoras de mosquitos dos trópicos há tempo se estabeleceram na Europa. Agora, estão se deslocando para o norte. Os cientistas estão preocupados especialmente com o mosquito tigre asiático, por sua capacidade de transportar patógenos [agentes biológicos capazes de causar doenças]

Quando o homem vindo da Índia viajou para o norte da Itália para visitar parentes em 2007, ele não suspeitava que sua viagem poderia provocar a morte de alguém. Ele carregava consigo o vírus da chikungunya, um patógeno que não existia na Itália. Após sua chegada, ele foi picado por um mosquito tigre asiático, que igualmente não é nativo da Itália. O mosquito espalhou o vírus ainda mais. 

Em pouco tempo, 200 pessoas no norte da Itália contraíram a febre chikungunya e uma pessoa morreu. Médicos foram capazes mais tarde de determinar que todo esse surto podia ser rastreado até aquele único visitante -- em combinação com o mosquito tigre asiático, que antes já havia se estabelecido nesse país mediterrâneo.

Também na Alemanha, onde o clima é mais fresco, cientistas encontraram igualmente espécimes desse inseto tropical, cujo nome científico é Aedes albopictus. O fato de que esses achados têm se tornado mais frequentes é um sinal de alerta para um desenvolvimento que está provocando grande preocupação entre os pesquisadores: números crescentes de espécies de mosquitos estão se deslocando da Ásia para a Europa. E muitos deles são transmissores eficientes de vírus perigosos. Para disseminar uma doença numa região na qual ela jamais foi vista, frequentemente basta que tais mosquitos piquem alguém que seja portador desse vírus, como aconteceu na Itália. 

Viajando em pneus e bambu

Ao contrário da opinião popular, a razão principal para a disseminação dos mosquitos não é a mudança climática, é a globalização. Para viajar amplamente, os insetos dependem dos seres humanos. Com seu curto espaço de vida, que geralmente dura poucas semanas, eles dispõem de pouco tempo para viajar grandes distâncias. De fato, eles frequentemente morrem a apenas poucos quilômetros de onde nasceram. Seus ovos, ao contrário, podem atravessar continentes e oceanos inteiros.

"Entre os maiores problemas está o comércio internacional de pneus usados", diz Helge Kampen, um especialista em mosquitos no Instituto Friedrich Loeffler, localizado na ilha Riems no Mar Báltico, no norte da Alemanha. "A Ásia é um exportador de pneus importante". Antes de serem colocados em navios, os pneus são frequentemente estocados ao ar livre. Quando chove e a água se deposita neles e os pneus apresentam condições perfeitas para os ovos das fêmeas do Aedes albopictus.

"Os insetos tendem a aderir seus ovos justo sobre a superfície da água parada", diz Kampen. Ali, podem sobreviver por meses e até anos, até que o nível da água suba e os submirja. Esse tempo é mais do que suficiente para embarcar e enviar os pneus -- junto com os ovos -- para a África, América ou Europa, onde novamente são geralmente estocados ao ar livre. Tão logo chova, as larvas despertam bem longe de seu local de origem.

Um meio adicional e muito mais fácil para os mosquitos viajarem é através de plantas domésticas, despachadas com água. Aqui também, as fêmeas depositam seus ovos logo sobre a superfície da água sem imaginar que seus filhotes embarcarão em uma longa jornada. "Quando chegam, geralmente verificamos que já se tornaram larvas", diz Kampen. Pesquisadores verificaram que plantas de mini-bambus, os denominados "bambus da sorte", são particularmente adequados para transportar esses ovos. Milhões deles são exportados em pequenas pipetas ou pratos cheios de água.

Disseminação de espécies invasoras de mosquitos na Europa

[Infelizmente a resolução das imagens não é boa, favor consultar o original da reportagem.]



Mosquito tigre asiático (Aedes albopictus)

Aedes japonicus

Mosquito da febre amarela (Aedes aegypti)

Áreas mais distantes: Canary Islands = Ilhas Canárias -- ◼︎ Estabelecidos -1) Evidência de reprodução e sobrevivência ao inverno; - ◼︎ Introduzidos - 2) Espécies introduzidas mas sem fixação/estabelecimento confirmado; - ◼︎ Ausentes - 3) Não foi relatada introdução ou estabelecimento; - ◼︎ Sem dados; - ◼︎ Desconhecido -- Fonte: Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças, Janeiro de 2016 - Mapas: Spiegel Online

Hoje, quatro espécies de mosquitos nativas de outros continentes vivem agora na Europa. Uma é a do mosquito da febre amarela (Aedes aegypti), que transmite o vírus da zika, que atualmente se espalha no Brasil. Esta espécie atualmente se desloca para o oeste, partindo da costa leste do Mar Negro. "Esse, entretanto, é um mosquito que realmente gosta de climas tépidos", diz Kampen. "Os alemães não terão problemas com ele nas próximas décadas".

Uma outra espécie de mosquito, o Aedes japonicus, já se fixou na Alemanha, mas não é considerado ser um transmissor de patógenos particularmente eficiente. 

O Aedes japonicus já se fixou na Alemanha - (Foto: DPA / James Gathany / Centers for Disease Control)


Nesse aspecto, os pesquisadores consideram que o mosquito tigre asiático se constitui no maior perigo para o norte da Europa, que tomou um longo caminho para o continente europeu. Em 1985, pesquisadores encontraram o mosquito, com ovos e larvas, nos Estados Unidos. Lá, o inseto de clima mais cálido parece ter se adaptado a um clima mais frio.

Sem muita demora, seus ovos eram capazes até de suportar temperaturas congelantes -- e sua jornada continuou rumo à Europa. No início dos anos 1990, as espécies invasoras apareceram primeiro no norte da Itália e desde então foram encontrados em 29 países e se tornaram firmemente estabelecidos em 19 deles. "Quando um mosquito sobreviveu a um ou dois invernos, você pode assumir que ele está se fixando", diz Kampen. "Em uma população grande como essa, há sempre um número minúsculo que pode suportar condições extremas e então se multiplicar.

Na Alemanha, mosquitos tigres asiáticos ainda são uma raridade mas estão se tornando cada vez mais comuns. Frequentemente, eles se beneficiam de viajantes de férias vindo da Itália, Espanha ou sul da França, onde as espécies estão firmemente estabelecidas. "O mosquito tigre asiático é extremamente tenaz e agressivo", diz Kampen. Se seguirem seus anfitriões humanos em um carro, podem facilmente sobreviver à viagem rumo ao norte por centenas de quilômetros. Se coletarem sangue no trajeto e depois acharem um caminho para a liberdade, estarão prontos para depositar seus ovos. 


Espécies invasoras de mosquitos na Alemanha -- Locais onde foram encontradas populações do mosquito tigre asiático (Aedes albopictus) -- Locais onde foram encontradas populações de Aedes japonicus - Fontes: ZALF/FLI/KABS - Mapa: Der Spiegel

"Há indicações claras de que o mosquito já conseguiu hibernar na Alemanha", diz Kampen. Em 2014, pesquisadores encontraram os insetos em um cemitério logo a leste de Freiburg, no canto sudoeste da Alemanha. Em 2015, os mosquitos lá estavam novamente, mesmo embora não exista um posto de parada nas redondezas. "Mas, havia então um inverno leve. Não está claro se reapareceriam novamente num inverno rigoroso", diz Kampen. 

O pesquisador está preocupado com tais observações. Junto com outros cientistas, criou uma comissão de especialistas para estudar o problema dos mosquitos como transmissores de patógenos. Em seu primeiro artigo para definir uma posição, publicado em abril, os cientistas fazem um pedido para uma ação com relação ao mosquito tigre asiático. 

"Mesmo que a Alemanha não tenha experimentado um amplo estabelecimento do mosquito tigre asiático, as populações existentes desses insetor, locais ou regionais, como as Freiburg ou Heidelberg, podem ser suficientes no verão para o surto de epidemias em pequena escala", registra o artigo. "Assim, a presença do mosquito tigre asiático precisa desde já ser vista como uma ameaça à saúde pública".

Até agora, os mosquitos encontrados não carregam nenhum patógeno. Mas, são capazes de transmitir mais de 20 vírus, incluindo o vírus da dengue que, de acordo com o Instituto Robert Koch, foi trazido para a Alemanha por mais de 700 viajantes em 2015. Quando se trata do vírus chikungunya, médicos alemães relataram mais de 100 casos de introdução. "Nossa opinião é que se deve evitar completamente o estabelecimento desse mosquito no país", diz Kampen.  

Kampen considera que educação é o melhor meio de se atingir esse objetivo. O artigo conceitual propõe o envio de pessoal treinado porta a porta às áreas próximas dos locais onde uma população de mosquito tigre asiático tiver sido encontrada. Eles devem ser encarregados de encontrar e destruir locais possíveis para a produção desses mosquitos e, adicionalmente, educar os residentes locais sobre o fato de que os mosquitos precisam apenas de  um centímetro de água num vaso de planta para se  multiplicar. Além disso, as larvas deles podem ser facilmente destruídas com o uso de um veneno bactericida. 

Tais medidas, no entanto, custam dinheiro. "Enquanto só os mosquitos estiverem presentes, e não os patógenos, a legislação não exigem que os estados alemães tomem qualquer atitude", diz Kampen. Entretanto, o especialista  lentamente tem a sensação de que as pessoas estão tomando consciência do problema -- particularmente no estado alemão mais afetado, o de Baden-Württemberg. 


sexta-feira, 13 de maio de 2016

Maranhão, um estado infeliz: berço do clã Sarney e de Waldir Maranhão

O Estado do Maranhão, de gloriosa história, infelizmente tem estado há décadas no topo de uma série de notícias extremamente negativas econômica, social e politicamente. Esse ciclo de infelicidades se reativou há uma semana com a desastrada e tragicômica atuação de um filho seu, o deputado federal Waldir Maranhão, hoje presidente interino da Câmara dos Deputados. Esse cidadão fez uma lambança homérica anulando monocraticamente a votação recente nessa casa do Congresso, que aprovou e enviou à apreciação do Senado o processo de impeachment de Dilmanta Sapiens Rousseff NPS (Nosso Pinóquio de Saia).

Inexperiente, medíocre, classificado como de baixo clero pelos colegas parlamentares, Waldir Maranhão se deixou levar como marionete de duas raposas -- o AGU José Eduardo Cardozo e Flavio Dino, governador de seu estado -- e fez essa besteira, essa palhaçada hiperbólica que o expôs definitivamente ao ridículo e fez do Brasil mais um motivo de chacota no cenário internacional. O marionete se ferrou, e as raposas mal foram
mencionadas.

O boneco Waldir Maranhão e seu ventríloquo José Eduardo Cardoso

Como desgraça pouca é bobagem, descobriu-se agora que o filho do deputado, Thiago Augusto Maranhão, que é médico residente em São Paulo, era funcionário-fantasma do Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Maranhão com salário bruto de R$ 7.500,00 (R$ 6.529,85 após descontos). A pedalada parlamentar do pai custou a sinecura do filho, que foi exonerado do cargo no TCE-MA e poderá ter que devolver o que ali ganhou ilicitamente.

Mas, voltemos ao glorioso Estado do Maranhão. Ter gerado esse Waldir Maranhão não é a única desgraça dessa unidade da federação. Desde que José Sarney, nascido José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, ocupou o cargo de governador (1966-1971), o Estado do Maranhão tornou-se por décadas feudo absoluto do clã Sarney, quer através da filha de Sarney, Roseana, que governou o estado quatro vezes, quer através de políticos absolutamente sujeitos ao patriarca do clã. O atual governador, Flavio Dino, é seu opositor e sua eleição foi uma reação dos eleitores ao clã Sarney. Agora, é torcer que isso não seja o início de um novo ciclo de um novo clã no estado.

Os resultados desse domínio absoluto do clã Sarney são simplesmente pavorosos para o Estado do Maranhão:

☛ O estado tem um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) igual a 0,683, comparável ao do Brasil em 1980 e superior apenas ao de Alagoas na lista dos estados brasileiros por IDH. O estado possui a segunda pior expectativa de vida do Brasil, também superior apenas à de Alagoas.

☛ De acordo com um estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas em 2007, o Maranhão é o estado com o maior déficit habitacional relativo do país. O Maranhão apresenta um índice de 38,1 por cento (que equivale ao número de imóveis existentes, dividido pelo de moradias necessárias para suprir a demanda da população). Em termos absolutos, o déficit no estado chega a 570 606 unidades, o quinto maior do país. O déficit maranhense representa 7,14 por cento do déficit absoluto total brasileiro, estimado em 7 984 057. A média maranhense é quase três vezes maior do que a nacional, de 14,6 por cento. Para a Fundação Getulio Vargas, as causas do déficit no estado estariam relacionadas à má distribuição de renda, à inadimplência do estado e Municípios e à política aplicada no setor. O então secretário-adjunto da Secretaria de Estado das Cidades, Desenvolvimento Regional Sustentável e Infraestrutura, Heraldo Marinelli, contestou parte dessas causas. Para ele, o déficit "não tem correlação com a falta de políticas ao setor e com a inadimplência de estado e municípios" e também influenciaria o "processo histórico de concentração de renda" no estado.

☛ De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 2009, o Maranhão possui o maior número de crianças entre oito e nove anos de idade analfabetas no país. Quase quarenta por cento das crianças do estado nessa faixa etária não sabem ler e escrever, enquanto que a média nacional é de 11,5 por cento. Os dados do instituto, porém, não oferecem um diagnóstico completo da situação, pois se baseiam somente na informação de pais sobre se seus filhos sabem ler e escrever um bilhete simples. Em 2006, os alunos do Maranhão obtiveram a quarta pior nota na prova do Exame Nacional do Ensino Médio de língua portuguesa. Em 2007, obtiveram a sétima pior, que foi mantida na avaliação de 2008. Na redação, os alunos se saíram um pouco melhor, apresentando a sexta pior nota em 2006 e subindo seis posições em 2007.
Em 2013 o Maranhão obteve a segunda pior nota entre os estados brasileiros no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA, na sigla em inglês) em suas provas de matemática, leitura e ciências, ficando à frente apenas do estado de Alagoas.

 O Maranhão apresenta o segundo maior índice de mortalidade infantil do Brasil, inferior apenas ao de Alagoas. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, de cada mil nascidos no Maranhão por ano, 39 não sobreviverão ao primeiro ano de vida. Vários fatores contribuem para o alto índice de mortalidade infantil no estado: dentre eles, o fato de que apenas metade da população tem acesso à rede de esgoto e o de que quase quarenta por cento da população não tem acesso a água tratada.

☛ A população de grande parte do estado ainda sofre com problemas de saneamento básico, desnutrição infantil e renda per capita. O Maranhão apresenta altos índices de desnutrição entre as crianças de zero a cinco anos desde 1999, de acordo com levantamento do Fundo da Nações Unidas para a Infância. Levantamento de 2013 mostra que 51,6% das crianças maranhenses apresentam anemia por deficiência de feto. Em São Luiz o número é ainda maior, 68%. O Maranhão é um dos estados com alto risco em relação à situação nutricional de crianças. A desnutrição infantil é uma condição em que as crianças não comem proteínas e calorias suficientes. 

Pelo exposto acima, é revoltante ver o descaso e a indiferença de um clã político em relação ao seu estado natal, a ponto de levá-lo a índices sociais e econômicos simplesmente deploráveis. Observe-se que o Maranhão, em praticamente todos os índices mencionados, só não é pior que o estado de Alagoas, terra dos clãs de Collor e Renan Calheiros -- mas isto é matéria para outra postagem.





quinta-feira, 12 de maio de 2016

Repercussão internacional da abertura do processo de impeachment de Dilmanta Sapiens Rousseff

Vejam a repercussão internacional da votação de ontem no Senado.

Dilma Rousseff, do Brasil, enfrentará processo de impeachment -- BBC News

O Senado do Brasil aprova o "impeachment" contra a presidente Dilma Rousseff: e agora, o que acontece? -- BBC Mundo

Senado do Brasil vota pelo impeachment de Rousseff -- Financial Times

O Senado abre o processo de 'impeachment' contra Rousseff e a afasta do poder -- El País (Espanha)

Dilma Rousseff dissolve seu governo após ser afastada pelo Senado -- El Mundo (Espanha)

Impeachment no Brasil: o Senado suspendeu Dilma Rousseff e Michel Temer assume hoje como presidente -- La Nación (Argentina)

Rousseff chegou acompanha por Lula e fará seu último comunicado -- A presidente suspensa do Brasil chegou acompanhada do ex-mandatário -- El País (Uruguai)

"É golpe", diz Rousseff após ser suspensa pelo Senado -- El Espectador (Colômbia)

Nova era no Brasil, Rousseff fora da presidência por 180 dias -- El Financiero (México)

Dilma Rousseff: presidente brasileira suspensa com a votação do Senado pelo processo de impeachment -- The Independent (Reino Unido)

O voto do Senado brasileiro reduziu Dilma Rousseff a uma presidente exilada em seu próprio país -- The Telegraph (Reino Unido)

Dilma Rousseff suspensa do cargo com a votação do Senado pelo impeachment da presidente do Brasil -- The Guardian (Reino Unido)

Presidente Dilma Rousseff, do Brasil, suspensa em pressão pelo impeachment -- The Washington Post (EUA)

Senado brasileiro suspende a presidente Dilma Rousseff -- The New York Times (EUA)

A queda da presidente brasileira Dilma Rousseff estava há anos sendo construída -- The Wall Street Journal (EUA)

Brasil: Dilma Rousseff afastada do poder -- Le Monde (França)

Brasil: Dilma Rousseff afastada do poder -- Le Figaro (França)

Brasil: Rousseff afastada da presidência em proveito de Temer -- L'Internaute (França)

De suspeitas à destituição, o filme agitado da queda de Dilma Rousseff -- L'Express (França)

Brasil: o Senado vota pela destituição de Rousseff -- Libération (França)

Brasil: Dilma Rousseff é oficialmente afastada do poder após votação do Senado -- L'Obs (França)

A suspensão de Rousseff - Declaração de bancarrota do Brasil - Para os Jogos Olímpicos o Brasil queria apresentar-se como um país moderno. O processo de impeachment contra DilmaRousseff é um retorno a velhos tempos -- Die Zeit (Alemanha)

Brasil - Senado suspende presidente Rousseff -- Die Welt (Alemanha)

Brasil - Uma virada marcante para a direita -- A presidente brasileira Dilma Rousseff é suspensa, seu legado é um desastre. O presidente interino Michel Temer precisa impor um enorme peso a um corpo de frágil legitimidade. -- Frankfurter Allgemeine (Alemanha)

Rousseff do Brasil suspensa com o apoio do Senado ao processo de impeachment  -- China Daily (República Popular da China)

Senado brasileiro decide enfaticamente votar pelo impeachment de Rousseff -- The Indian Awaaz (ïndia)

quarta-feira, 11 de maio de 2016

O fantástico Museu do Cais Branly, em Paris (I): Oceania


O Musée du Quai Branly (Museu do Cais Branly) é mais um fantástico museu da incrível Paris. Para esta postagem utilizei o catálogo do museu, a Wikipédia e o Google.

Segundo Jacques Chirac, presidente da França quando o museu foi criado (inaugurado em 20 de junho de 2006):

"A criação do Museu do Cais Branly, instituição original, inteiramente dedicada às artes e às civilizações da África, da Ásia, da Oceania e das Américas, nasceu de uma vontade política: fazer justiça às culturas extraeuropeias. Trata-se de reconhecer o lugar que ocupam suas expressões artísticas na nossa herança cultural. De reconhecer também nossa dívida com relação às sociedades que as produziram, assim como em referência aos seus países de origem com os quais a França mantém, com numerosos deles, laços particulares. 

Trata-se, ao romper com uma longa história de desdém, de dar o justo lugar a artes e civilizações por muito longo tempo ignoradas ou desconhecidas, de devolver toda sua dignidade a povos frequentemente humilhados, oprimidos, às vezes aniquilados pela arrogância, pela ignorância, pela tolice e pela cegueira.

Instituição cultural e científica de um tipo novo, ao mesmo tempo museu, centro cultural, lugar de pesquisas e de ensino, o Museu do Cais Branly proclama a recusa a qualquer hierarquia das artes, assim como a qualquer hierarquia de povos. Ele celebra a universalidade do gênio humano através da deslumbrante diversidade de suas expressões culturais".  (...)

O diretor do museu, Stéphane Martin, informa que cerca de 3.500 obras, das 300.000 que compõem o acervo do Branly, desenham para o visitante os contornos da identidade do museu. Organizado segundo quatro áreas geográficas -- África, Ásia, Oceania e Américas -- ligadas por "zonas de contato" tais como as Pequenas Antilhas ou a Insulíndia, esse percurso permanente se articula igualmente em função de grandes temas comuns. Cada continente é apresentado ao início por um "espaço de chamada", que reagrupa algumas obras particularmente emblemáticas e espetaculares. Esse vasto território propõe portanto uma lógica de visita ao público, que mantém no entanto uma total liberdade de escolha.

As grandes obras-primas selecionadas para a exposição permanente o foram por sua beleza, sua raridade e sua força de expressão, por seu interesse etnológico e técnico, ou pelo que nos dizem do espírito e da genialidade dos povos. Graças a diferentes níveis de comentários, cartazes, painéis ou programas multimídia. o visitante é convidado a situar na história e na geografia as obras que lhe são apresentadas e a se informar sobre seu contexto e seu uso nas sociedades que as produziram.

 O Museu do Cais Branly, visto do 3˚ andar da Torre Eiffel - (Foto: Wikipédia)



Fotos externas do Museu do Cais Branly - (Fotos: Google)



Logo na entrada ao interior do museu,  há uma corrente de palavras em movimento chamada "O Rio", que desce pela rampa sinuosa que leva da entrada do museu às suas principais galerias - (Foto: Wikipédia/Vídeo: meu) 


"O Rio" (um projeto do artista visual escocês Charles Sandison, radicado na Finlândia) contém 15.597 palavras de todos os povos e locais geográficos das coleções do museu, que vêm assim ao encontro do fluxo de visitantes do museu. Ao subir a rampa, instintivamente, o visitante tenta andar sobre essas palavras, palavras brancas, negras ou vermelhas. Algumas palavras são fixas, outras varrem o solo e, avançando, se espalham. Alguns visitantes dizem que esse "rio" os faz sonhar e mergulhar no imaginário de todos esses países e sítios.

As galerias principais e o mezanino do museu, ligados por uma rampa sinuosa - (Foto: Wikipédia)


Peça do Museu do Cais Branly - (Foto: minha)

Oceania

A Oceania e a Insulíndia se compõem de conjuntos de arquipélagos, que se estendem depois do sul da Malásia até os confins do Pacífico Sul. Essa área histórica e cultural é interligada pela história de seu povoamento. Ela agrupa a Insulíndia -- Malásia oriental, Indonésia e Filipinas -- a Melanésia, a Polinésia, a Micronésia e a Austrália. Esse corte geográfico foi herdado dos trabalhos do navegador francês J-S. Dumont d'Urville, publicados em 1834. Ele serve de trama para a visita das coleções da Oceania, à exceção da Micronésia, pouco representada. Ao longo desse percurso geográfico são declinadas temáticas culturais e sociais tais como a conquista do prestígio, os intercâmbios, a iniciação, os funerais, a relação com os ancestrais e as divindades, as metamorfoses do corpo, ou ainda a modernidade.





Partes do pavilhão da Oceania - (Fotos: minhas)

Algumas máscaras da Oceania - (Foto: Google)

Máscara para coleta de dinheiro/Papua Nova-Guiné - (Foto: minha)

Tambores com fendas verticais/Ilha de Ambrym, Vanuatu, Melanésia - (Foto: Google)

Detalhe do conjunto acima - (Foto: Google)

Totens da Oceania - (Foto: minha)

Parte do pavilhão da Oceania - (Foto: Google)



Detalhe de escultura com aparência humana (ver foto acima desta), pertencente à sociedade secreta iniet dos Tolai, povo indígena da Península Gazelle e das Ilhas de Duque de York da Nova Bretanha do Leste, Ilhas Nova Guiné, Papua Nova-Guiné - (Fotos: Google)

Escultura do pavilhão da Oceania - (Foto: Google)

Máscara de fachada/Chambri, Papua Nova-Guiné, meio Sepik, meados do século XX - (Foto: Google)

Peças da Papua Nova-Guiné - (Foto: Google)

Máscara/Austrália, Queensland, estreito de Torres, século XIX - casco de tartaruga, fibras vegetais, penas de casuar (pássaro australiano) - (Foto: Google)

Um crânio de parente decorado/Papua Nova-Guiné, fim do século XIX - (Foto: Google)

Máscara/Papua Nova-Guiné, Ilhas Salomão, ilha Bougainville, início do século XX - casca de árvore batida, madeira, bambu e pigmentos - (Foto: Google)

Máscara de inhame (?) (detalhe)/Abelam, Papua Nova-Guiné - (Foto: Google)

Figura feminina esculpida na base de um tronco, do  qual duas raízes serviram para fazer as pernas separadas. Repousava sobre uma travessa localizada no interior da casa dos homens, logo atrás da fachada, não sendo visível do exterior. Representa uma ancestral feminina associada ao som das flautas - (Foto: Google)

Crânio de ancestral usado em cerimônias de iniciação/Asmat, Indonésia, séc. XX - (Foto: Google)

Manequim funerário rambaramp/Pequenas Nambas, Vanuatu, sul da ilha de Malekula - osso, madeira, pasta vegetal, pigmentos, teia de aranha, dentes de porco,plumas, fibras vegetais, 178 x 44 cm - (Foto: Google)

Máscara coberta, de passagem de grau/patente - Vanuatu, ilha de Malekula - (Foto: Google)

Máscara/Papua Nova-Guiné, ilhas Salomão, ilha de Nissan, início do século XX - madeira, rotim (uma palmeira), cortiça batida, pecíolo de palmeira, resina, pigmentos, 55,5 x 40,2 cm


Máscara-elmo/Kapriman, Papua Nova-Guiné, meio Sepik,início do séc. XX - vime, bambu, pigmentos - (Foto: Google) - O rio Sepik é um rio do nordeste da Nova Guiné com cerca de 1.120 km. Praticamente todo o seu percurso está na Papua-Nova Guiné.

Canguru fêmea/Austrália, terra de Arnhem ocidental, ilha Croker, meados do século XX - pintura sobre casca de eucalipto, 73 x 70 cm - Artista: Billy Yirawala - (Foto: Google)

Namarwon, deus do trovão/Austrália, terra de Arnhem ocidental, ilha Croker, meados do séc. XX, pintura em casca de árvore  - 77 x 50 cm - Artista: Jimmy Midjaw-Midjaw - (Foto: Google)

Uma tapa (casca de árvore, tecido vegetal batido, cortiça batida e decorada pelas mulheres, muito presente na Oceania) com motivos geométricos/Samoa, Polinésia - (Foto: Google)

Sonho de dois homens/Paddy Jupurrurla Nelson, Yuendumu, Oceania  etnia Warlpiri - pintura acrílica sobre tela, 1991 - (Foto: Google) 


Buraco com água no grande deserto de areia/Austrália Ocidental, Balgo, pintura acrílica sobre tela, 1996, 81 x 121 cm - Artista: Helicopter Joe Tjungurrayi



Helicopter Joe Tjungurrayi (1947-) - Austrália Ocidental - (Foto: Google)


Cerimônia funerária/Austrália, terra de Arnhem central, Millingbi, meados do séc. XX, 73,5 x 48 cm - Artista: David Malangi - (Foto: Google)


David Malangi (Austrália, 1927-1998) - (Foto: Google)



Tapa/Austrália, terra de Arnhem, comunidade Yirrkala - trabalho com casca de eucalipto, 1996 - (Foto: Google)


Jóia Mamuli em ouro/Indonésia, ilha Sumba, sécs. 19 - 20 - (Foto: Google)


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(tema da próxima postagem: Ásia)