domingo, 26 de fevereiro de 2012

Dilma agora tem pressa para a compra do novo caça da FAB

Assim que assumiu o governo, Dilma Rousseff decidiu adiar sine die a decisão sobre a compra de novos aviões para a FAB - Força Aérea Brasileira, um dos inúmeros imbróglios da indigesta herança de governo que recebeu de seu criador, patrono e tutor, Lula (o Nosso Pinóquio Acrobata, NPA). No governo do NPA o caça francês Rafale chegou a ser considerado como escolha líquida e certa, numa estranha e não revelada mancomunação de bastidores entre o NPA e Sarkozy. A escolha prévia do Rafale causou estranhezas, porque até então esse caça era utilizado apenas pelos franceses -- recentemente, o Rafale foi salvo pelo gongo ao vencer uma megaconcorrência na Índia.

Em sua edição de hoje, o jornal O Estado de S. Paulo informa (texto a seguir) que, agora, Dilma tem pressa em concluir o processo de compra do novo caça da FAB.

A escolha do novo caça de múltiplo emprego da Força Aérea Brasileira (FAB), o programa F-X2, entrou na etapa final. O processo está muito atrasado. A primeira versão foi apresentada há 16 anos, em 1996. Depois disso, houve vários adiamentos, o último em 2011. A presidente Dilma Rousseff está disposta a anunciar a decisão no menor prazo possível, talvez ainda no primeiro semestre deste ano, como disse o ministro da Defesa, Celso Amorim.

Há boas razões para isso. A janela de oportunidade permanecerá aberta apenas por mais seis meses. Depois de setembro, será difícil para qualquer dos três finalistas iniciar a entrega dentro do novo prazo, entre 2015 e 2016. A contar do momento do anúncio do vencedor, até a assinatura do contrato principal e dos compromissos acessórios, a negociação vai exigir um ano de ajustes. Nesse período o governo não fará nenhum pagamento. Mais que isso, o negócio, estimado entre US$ 4 bilhões e US$ 6,5 bilhões, está no ponto mais favorável, segundo especialistas em financiamento de equipamentos militares ouvidos pelo Estado. A operação de crédito é um dos pontos sensíveis da escolha. Há vários meses circulam no mercado de Defesa informações de que os concorrentes francês (Dassault, com o caça Rafale) e sueco (Saab, com o Gripen) teriam alongado os prazos de carência e amortização.

A americana Boeing (com o Super Hornet F-18) enfrenta problemas: o Eximbank não pode financiar a venda de produtos militares, levando a operação para os bancos privados e juros altos.

A seleção do Rafale para a encomenda de 126 unidades para a aviação da Índia é um fator considerado na escolha brasileira - todavia, não é decisivo. A transação ainda depende dos acertos financeiros e de transferência de tecnologia. É o viés que interessa na F-X2, cujo fundamento é o acesso irrestrito ao conhecimento. Há também uma discreta preferência pelos modelos bimotores, o F-18 e o Rafale, principalmente entre os "caçadores". Os engenheiros destacam a possibilidade de desenvolver um projeto completo, oferecida apenas pela Saab.

Fora de forma. O plano da Aeronáutica para a frota de combate fixa a desativação dos 12 Mirage 2000C/B do 1.º Grupo de Defesa Aérea - comprados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em acordo direto com o governo da França, em 2005 -, a partir de 2014 ou pouco além. O limite pode ser estendido, mas o custo de manutenção dos supersônicos vai crescer. Os F-X2 não chegarão a tempo de substituir a frota de superioridade aérea.

Por algum tempo o trabalho terá de ser feito pelo F-5M, o resultado da revitalização pela Embraer Defesa no velho F-5E americano, hoje o principal caça da FAB. Entretanto, ressalta um brigadeiro do setor tecnológico da Força, esses jatos estão sob risco de entrar em fadiga de célula - o nome do esgotamento físico das máquinas. O empreendimento completo da Defesa estabelece como meta, até 2027, o contrato de 124 caças. Em configurações próprias, sobre a mesma plataforma, vão substituir toda a frota de ataque da FAB.

[Há quem ache que, em consequência da vitória na concorrência na Índia, a negociação para uma eventual compra do Rafale pelo Brasil se torne mais complicada do que aparentava ser. Entre os motivos alegados estaria o ressurgimento da resistência de certos setores franceses ao nível de transferência de tecnologia exigido pelo Brasil, aliado ao fato de que as negociações da Dassault, fabricante do Rafale, com a Índia estão apenas se iniciando  e serão complexas.]

 O caça francês Rafale, da Dassault - (Foto: Google).

O caça sueco Gripen, da SAAB - (Foto: Google).

O Super-Hornet F-18, da Boeing - (Foto: Google).

Os tentáculos do "capo" José Dirceu em Portugal

Se, um dia, qualquer das máfias italianas (a siciliana Cosa Nostra, a napolitana Camorra ou a calabresa 'Ndrangheta) sair pelo mundo afora à caça de um executivo de ponta, certamente ninguém desbancará José Dirceu, a versão tupiniquim mais requintada de um capo mafioso. Há quem diga, ou considere, que ele é uma síntese do que de pior e melhor havia em Rasputin, Richelieu e Maquiavel, um inequívoco reconhecimento de sua extrema habilidade em tramar e permanecer imune a qualquer punição ou contratempo (desempenho melhor que o de Rasputin e Maquiavel ...).

O jornal português Público publicou no domingo passado (19/2/12) uma reportagem de duas páginas -- que reproduzo parcialmente a seguir --, com o título José Dirceu e Portugal, em que  descreve o que chama de "negócios transatlânticos do antigo chefe da Casa Civil de Lula". Tenho o exemplar do jornal à mão mas, estranhamente, não se consegue acessar a reportagem pelo site do jornal -- mas seu texto praticamente integral está disponível em um site brasileiro. Na reportagem, o jornal menciona que José Dirceu está ligado a um grupo de sociedades, de advocacia e de consultoria, que são usadas por grupos portugueses e internacionais que querem investir no Brasil.

Segundo o jornal, José Dirceu é colaborador do Ongoing [forte grupo empresarial português de múltiplas atividades, fundado no final do século 19, que foi investigado pelo Ministério Público no Brasil em outubro de 2010] e parceiro do escritório português Lima, Serra, Fernandes & Associados, e esteve, por exemplo, no epicentro das negociações que deram à Telefónica o controle da operadora brasileira Vivo, entre 2009 e 2010, e que teve como contrapartida a entrada da Oi na Portugal Telecom. Diz o Público que "o advogado e antigo presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) apresenta-se como consultor de multinacionais, promovendo grandes negócios, alguns dos quais precisam de aprovações políticas para se concretizarem". A partir de São Paulo, José Dirceu opera através de duas sociedades: a JD Consultores e o escritório de advocacia Oliveira e Silva & Associados -- para entender essas denominações, basta lembrar que o nome completo dele é José Dirceu Oliveira e Silva.

Em Brasília, a ponte é feita através da consultora JD&S, encabeçada por Júlio César, casado com uma assessora do Palácio do Planalto e braço direito de José Dirceu. E é este consultor que, por vezes, surge para concretizar grandes operações associadas ao líder petista. Seu nome consta de negócios envolvendo grupos portugueses, como é o caso do Ongoing, e espanhóis, como a Isolux, que é representada por Júlio César. Nenhuma dessas três sociedades de José dirceu (JD Consultores, Oliveira e Silva, e JC&S) tem site um site oficial, segundo o jornal português [realmente, não encontrei sites que correspondam ao mínimo de perfil dessas empresas].

Diz o Público que José Dirceu tem muitos amigos em Portugal. Um deles é João Abrantes Serra, um dos sócios do escritório Lima, Serra, Fernandes & Associados, liderado por Fernando Lima, atual presidente da Galilei, ex-Sociedade Lusa de Negócios [grupo empresarial português] e dona do BPN - Banco Português de Negócios. Embora Abrantes Serra tenha confirmado ao jornal uma ligação de vários anos com o escritório brasileiro Oliveira e Silva, de José Dirceu, tal vínculo não consta no site institucional do escritório de advocacia português. Fernando Lima explicou, porém, que o escritório tem local próprio em S. Paulo, onde está "quase sempre" um dos sócios, João Vaz Fernandes. Os registros na Ordem dos Advogados do Brasil indicam que o domicílio profissional de Vaz Fernandes é na Rua Botucatu, o mesmo endereço da firma de José Dirceu. Por outro lado, o escritório LMF & Associados está ainda associado ao JD&S através de André Serra, filho de João Abrantes Serra, o que foi confirmado por Fernando Lima.

Fernando Lima negou-se a confirmar, alegando "sigilo profissional", se o Ongoing é cliente do LSF & Associados. No Brasil o Ongoing recorre, entre outros, aos serviços jurídicos de Lilian Ribeiro, que tem escritório com José Dirceu.  Terá sido, ainda, por via de João Serra que o ex-embaixador em Madri e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, Martins da Cruz, aparece associado à promoção de alguns negócios do outro lado do Atlântico, envolvendo especificamente grupos espanhóis.

Além das relações pessoais citadas acima, diz o jornal português que José Dirceu também é amigo pessoal de Nuno Vasconcellos e Rafael Mora, respectivamente presidente e  vice-presidente do Ongoing, e de Miguel Relvas, ministro de Assuntos Parlamentares (que confirmou manter com José Dirceu uma relação de amizade desde 2004, mas disse que "não o vê há cerca de um ano"). Recentemente, segundo ainda o Público, a imprensa brasileira noticiou que José Dirceu preparava o terreno para a Bandeirantes entrar na RTP [Rádio e Televisão de Portugal], e evidenciou a amizade do brasileiro com o ministro Miguel Relvas, responsável institucional por aquele canal público, como sendo "facilitadora do negócio".

Eis aí um pequeno e expressivo recorte do currículo de José Dirceu, o mentor maior do Mensalão e de inúmeras outras proezas de mesmo quilate ético e moral no cenário político e empresarial brasileiro.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Espécie desconhecida de mariposa ameaça produção de vinho na Itália

Uma espécie desconhecida de mariposa preocupa produtores da região vinícola do norte da Itália, segundo pesquisadores.

Cientistas italianos descobriram a mariposa em 2006, mas não conseguiram identificá-la. O que eles sabem é que as lagartas que dão origem às mariposas atacam as folhas das videiras, devorando as partes mais comestíveis, destruindo as plantações. Ao examinar uma parte do código genético da mariposa, os pesquisadores confirmaram que ela é de uma espécie desconhecida.

A equipe de cientistas italianos teve a ajuda do especialista em insetos do Centro para Biodiversidade de Leiden, na Holanda, Erik van Nieukerken. "Inicialmente, consultamos a literatura (científica) para descobrir o que já se sabia a respeito", disse o especialista à BBC, acrescentando que eles descobriram que pouco era conhecido sobre este grupo de mariposas. Nieukerken e a equipe de cientistas examinaram então o código genético da mariposa. "Percebi que esta mariposa, apesar de ser muito comum na América do Norte, não tinha um nome", disse o cientista.

A nova espécie foi batizada de Antispila oinophylla e, anteriormente, foi confundida com outra espécie da América do Norte, a Antispila ampelopsifoliella.  A descoberta foi divulgada na revista especializada ZooKeys.

Apenas com os estudos do DNA da mariposa os cientistas descobriram que a nova espécie gosta de videiras. No leste da América do Norte, local de origem desta mariposa, elas se alimentam de vários tipos de frutas silvestres. Ao observar o comportamento da mariposa, os cientistas afirmam que, na Itália, ela parece ter preferência por folhas das uvas Charddonnay, Cabernet Sauvignon e Muscat.

Até o momento, a nova espécie de mariposa foi encontrada nos vinhedos das regiões de Trento e Veneto, no norte da Itália. Desde seu primeiro registro, a população destes insetos está aumentando e se espalhando. Os cientistas afirmam que o impacto econômico da praga ainda não foi determinado e, até o momento, não se sabe como estas mariposas chegaram à Itália.

Nieukerken afirma que é muito fácil ocorrer o transporte acidental de casulos contendo larvas da mariposa em meio a vegetais. "Elas são muito pequenas e exatamente da mesma cor das folhas. Então, se você está levando plantas, provavelmente você não vai notá-las", disse o cientista à BBC.

O cientista contou ainda que outra espécie de mariposa, deste mesmo grupo, foi descoberta em plantações de nozes e que os especialistas precisam descobrir mais informações sobre estes insetos. "Este grupo é pouco estudado. Se você souber exatamente o que é e de onde é, você vai saber a história evolucionária... e poderá entender melhor como controlar", disse Nieukerken à BBC.

 Mariposa tem preferência por alguns tipos de folhas, incluindo as de certas uvas - (Foto: NBC Naturalis).

Incêndio em base brasileira na Antárdida deixa dois mortos

Os corpos dos dois militares brasileiros mortos no incêndio da Estação Comandante Ferraz, base militar e científica brasileira na Antártida, foram encontrados e reconhecidos neste sábado, 25, segundo o Ministério da Defesa. Eles foram identificados como o suboficial Carlos Alberto Vieira Figueiredo e o primeiro-sargento Roberto Lopes dos Santos. A idade deles não foi divulgada.

O fogo começou na madrugada deste sábado e destruiu a estação. Havia 60 pessoas na base - metade delas pesquisadores de universidades nacionais, que escaparam ilesos. O sargento Luciano Gomes Medeiros sofreu ferimentos, mas não corre risco de morte. À tarde, a base foi abandonada pelos militares que ainda tentavam conter as chamas.

O fogo começou na praça das máquinas, onde funcionavam os geradores de energia da estação, e se alastrou com rapidez. A Comandante Ferraz tem um formato contínuo. A praça das máquinas não é separada fisicamente dos alojamentos, laboratórios e demais ambientes. "A estação acabou." A frase foi usada por um oficial da Marinha lotado na Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (Secirm), envolvida nas atividades brasileiras na Antártica, em telefonema à bióloga Yocie Yoneshigue Valentin, coordenadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia-Antártico de Pesquisas Ambientais (INCT-APA), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), responsável por algumas das mais importantes pesquisas brasileiras no continente.

A especialista, que voltou da Antártida este ano, ainda conseguiu contato com alguns colegas que escaparam do incêndio com a roupa que vestiam. "Eles deixaram tudo para trás, documentos, pesquisas, bagagem. É uma perda irreparável. Contaram que uns foram sendo acordados pelos outros, porque o alarme de segurança da estação não soou. Estamos consternados. Parece que não sobrou nada", lamentou.

Cientistas que estavam na estação contam que os dois militares que morreram não conseguiram sair da praça de máquinas quando as chamas se espalharam. Os corpos continuavam à tarde dentro da estrutura onde funcionam os geradores da base, totalmente destruída. O fogo começou às 2h. Uma explosão acordou a todos. As causas são desconhecidas. Os 30 pesquisadores, um alpinista que presta apoio às ações de campo, um representante do Ministério do Meio Ambiente e 12 funcionários civis do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (especializados em reparos e manutenção) foram transferidos ao amanhecer, em helicópteros, para a base antártica Eduardo Frei, do Chile.

De acordo com a Marinha, um avião cedido pela Força Aérea da Argentina resgatou o grupo brasileiro na base chilena, levando-o para a cidade de Punta Arenas, na Patagônia do Chile. De lá os brasileiros deverão voltar em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), que decolou neste sábado à tarde do Rio. Em contatos por e-mail com parentes no Brasil, os pesquisadores relataram de modo bastante sucinto o que aconteceu e avisaram que somente em Punta Arenas, por causa dos transtornos e dificuldades decorrentes do incêndio, poderão retomar os contatos.

"Aconteceu um incêndio na estação. Fomos resgatados agora sem ferimentos. (...) Estamos na base chilena. (...) Assim que puder telefono", avisou cedo o biofísico João Paulo Machado Torres, da UFRJ, à mulher Susana Fonseca.  Uma equipe de 15 militares da Marinha, comandadas pelo capitão-de-fragata Fernando Tadeu Coimbra, permanecera na base, sediada na Baía do Almirantado, ilha Rei George, no arquipélago Shetlands do Sul, a 130 km do continente antártico, para apagar o fogo. À tarde, a Marinha informou que até eles tiveram que abandonar a base, oficialmente devido às "condições meteorológicas adversas". "Assim que as condições meteorológicas permitirem, a Marinha do Brasil, com apoio do navio 'Lautaro`, da Armada do Chile, enviará uma equipe do grupo-base, liderada pelo chefe da Estação Antártica Comandante Ferraz (capitão-de-fragata Fernando Tadeu Coimbra) para avaliar os danos causados à estrutura da Estação", informa comunicado da Marinha.

Dois navios da Marinha argentina e dois botes da estação antártica polonesa apoiaram as ações da equipe brasileira, além de três helicópteros da base do Chile. O militar ferido foi levado para a estação da Polônia, onde recebeu os primeiros socorros, sendo a seguir transferido para a estação chilena. A Marinha informou que o navio brasileiro "Almirante Maximiano" partiu de Punta Arenas em apoio às ações que terão que de ser desenvolvidas para avaliar os danos à Estação Comandante Ferraz.

Os trabalhos dos pesquisadores da UFRJ, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Vale dos Rio dos Sinos (Unisinos) e Universidade Federal do Rio Grande (Furg), entre outras instituições presentes à base brasileira, tiveram que ser abandonados às pressas por causa do fogo. Não há ainda informações sobre se poderão ser recuperados mais adiante. A Estação Antártica Comandante Ferraz existe desde 1984. Ela é ocupada pelo Brasil 365 dias por ano. Sua destinação é a ciência, de acordo com os tratados assinados pelo Brasil com as nações que compartilham o território antártico.

Estação Antártica Comandante Ferraz, do Brasil, em chamas - (Foto: Armada de Chile/Reuters).

O jeito petista de administrar a Petrobras

Acho que ninguém tem dúvidas do enorme valor e da extrema importância da Petrobras para o Brasil e sua economia, mas essa avaliação não pode nem deve ser feita à luz de manifestações histéricas e estéreis de "intocabilidade" da empresa, sob qualquer que seja o ângulo de enfoque dessa apreciação. O "X" da questão é que a esquerda inflamada, e principalmente os petistas, usam esse biombo da "intocabilidade" da Petrobras para esconder da opinião pública a desastrada e nociva administração que os governos petistas têm imposto à empresa, especialmente na manipulação criminosa e demagógica dos preços dos combustíveis. Quando se trata de usar demagogicamente a empresa para um controle fajuto de preços, para enganar o povão e avacalhar com a economia da empresa, a Petrobras não tem absolutamente nada de "intocável" para o PT.

O que os governos petistas vêm fazendo com os preços dos combustíveis há 9 anos (8 anos de Lula, o Nosso Pinóquio Acrobata, e 1 ano de Dilma), via Petrobras,  é utilizá-los de forma predatória e ultrapassada como um instrumento de controle artificial da inflação, a mesma burrice demagógica que vem afundando a Argentina há décadas. Contra fatos não há argumentos: numa política suicida a longo prazo, o governo impõe o represamento dos preços dos derivados de petróleo (especialmente para gasolina, óleo diesel e querosene de aviação) visivelmente para não irritar o consumidor e, assim, facilitar o uso político da Petrobras. O colunista Celso Ming, do jornal O Estado de S. Paulo, comenta no dia 14 deste mês de fevereiro que essa política demagógica provoca pelo menos três graves distorções.

A primeira distorção é o aumento artificial do consumo, graças ao pagamento de parte da conta do consumidor pela Petrobras. Como menciona o último Relatório da empresa, ao longo de 2011 o consumo (vendas) de gasolina no Brasil cresceu 20%, o do óleo diesel, 9%, e o de querosene de aviação, 12% -- enquanto isso, o PIB cresceu apenas 2,7% no mesmo período.

O próprio ex-presidente da empresa, José Sergio Gabrielli, aponta uma segunda distorção: o desvio desses produtos subsidiados para o exterior -- e não se trata aqui de cidades de fronteira, onde o consumidor estrangeiro prefere se abastecer nos postos brasileiros. "Se a Petrobras continuar com essa política e o preço internacional continuar nesse patamar" -- disse Gabrielli -- "vai haver um processo irracional e ilógico de alguns distribuidores comprando derivados da Petrobras e exportando".

Uma terceira distorção é a necessidade de importar derivados a preços cada vez mais altos para atender ao consumo doméstico e, ao mesmo tempo, revender esses mesmos derivados no mercado interno a preços mais baixos. Resultado óbvio dessa "estratégia" petista: queda de 52,3% no lucro líquido da Petrobras no último trimestre de 2011 em relação ao mesmo período de 2010. Com isso, a empresa se descapitaliza e passa a ter dificuldades crescentes seu pesado programa de investimentos, onerado pela próxima entrada em cena do pré-sal.

Como toda medida burra e demagógica, essa política acaba causando outros danos -- no caso, afetando diretamente o consumo e a produção de etanol combustível. Com o controle do preço da gasolina, o governo automaticamente inviabiliza o uso econômico do etanol toda vez que o preço deste é superior a 70% do preço da gasolina. Aí, os carros com motores bicombustível viram elefantes brancos, e o planejamento de produção do setor de açúcar e álcool vais p'ras cucuias. Quem paga essa conta? A Petrobras e o infeliz do consumidor tupiniquim.

Se mantida essa política camicase, a Petrobras poderá ter dificuldade de atrair investidores e gerar recursos já no curto prazo.  A questão, agora, é saber se a nova presidente da empresa, Maria das Graças Foster, pupila e cria dileta de Dilma Rousseff, tem o apoio irrestrito desta para fazer a indispensável alteração desse quadro em 2012, um ano eleitoral -- se tiver o respaldo e fizer a tarefa, será uma agradabilíssima surpresa.

Aproveito o espaço e o assunto para comentar algo mais no tocante ao relacionamento de Dilma Rousseff com a Petrobras e, por tabela, com a Eletrobrás. Durante minha atuação à frente da área internacional da Eletrobrás, testemunhei inúmeras vezes, em reuniões e viagens, a enorme admiração de Dilma (então ministra de Minas e Energia) pela Petrobras, o que me leva a alimentar a esperança de que ela dê um freio de arrumação na gestão da empresa -- a indicação de Maria das Graças Foster parece nitidamente apontar nessa direção.  Muitas vezes, ao elogiar a Petrobras, Dilma emendava com restrições à atuação da Eletrobrás, o que é uma enorme injustiça recorrentemente feita por críticos desavisados, ignorantes e mal intencionados do setor energético brasileiro. Não incluo Dilma nesse rol, mas não lhe perdôo a injustiça da comparação porque ela conhece profundamente as duas empresas e não cometeria de graça essa burrice -- ela não é de comparar alhos com bugalhos.

Não se pode comparar as duas empresas, a começar pelo core business de cada uma -- combustível se estoca, energia elétrica não. Quem tiver boa memória, ou consultar os arquivos da mídia, verá que no governo Fernando Henrique os petroleiros fizeram uma greve de 33 dias, o governo não cedeu, e o país não parou. No entanto, apagões de diferentes proporções (sem jamais chegar à duração de nem mesmo um dia) no setor elétrico em 2001 (ainda no governo FHC), em 2005 e 2007 (estes últimos no governo Lula, o Nosso Pinóquio Acrobata) provocaram danos e crises que até hoje aterrorizam o setor elétrico do país. O nível de regulação das áreas de atuação das duas empresas é completamente distinto, provocado não apenas, mas também, pelo índice aceitável de interrupção do suprimento de cada uma delas aos diversos setores da economia do país.

Outro fator a levar em conta é que a Eletrobrás e suas subsidiárias são muitíssimo mais utilizadas como cabides de empregos de afilhados políticos -- em sua esmagadora maioria petistas -- do que a Petrobras e suas empresas, embora o nível de ocupação desta pelos petistas esteja muito longe de ser desprezível. O número de paraquedistas incompetentes e apadrinhados por metro quadrado no Sistema Eletrobrás bate com folga o número de paraquedistas usados na invasão da Normandia ...




terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Ausência temporária

Estarei ausente no período de 15 a 24 deste mês, ocorrendo portanto uma interrupção nas postagens nesse período. Até à volta, com meus agradecimentos a quem me tem prestigiado acessando meu blogue -- que já conta com mais de 50.000 acessos!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Alto estrategista militar americano quer comandos militares americanos atuando no mundo sem ter que ouvir antes o Pentágono

O artigo que reproduzo abaixo, traduzido de reportagem publicada ontem pelo New York Times, me foi enviado pelo dileto amigo Ednardo, a quem agradeço.

No momento em que os EUA recorrem cada vez mais a forças de Operações Especiais para enfrentar ameaças que se desenvolvem espalhadas mundo afora, o militar que ocupa o topo da hierarquia no comando dessas Operações, um membro dos temidos Seals da Marinha americana que supervisionou o ataque que matou Osama Bin Laden, está à busca de um novo tipo de autoridade que lhe permita deslocar seus comandos mais rapidamente e fora dos canais normais do Pentágono para esse tipo de operação.

O oficial militar, almirante William H. McRaven, que chefia o Comando de Forças Especiais, está pressionando por um papel mais amplo para suas forças de elite, que têm operado tradicionalmente nos cantos escuros da política externa americana. Seu plano lhe daria mais autonomia para posicionar suas forças e seu equipamento bélico onde os serviços de inteligência e os acontecimentos globais indicarem que elas sejam mais necessárias. O plano permitiria também que as forças de Operações Especiais expandissem sua presença em regiões onde não operaram significativamente na década passada, especialmente na Ásia, na África e na América Latina. [Digna de atenção e reflexão a inclusão da América Latina nessa "cesta básica" do Comando de Forças Especiais americano. É bom lembrar que, ainda que como "balão de ensaio", surgiu recentemente nos meios acadêmicos americanos a ideia da criação de uma "Bacia do Atlântico" que "eliminaria" a separação entre os oceanos Atlântico Sul e Norte, o que "justificaria" a presença militar americana por estas bandas como uma "extensão" natural da área de atuação da OTAN.]

Enquanto Obama e seus líderes no Pentágono têm, cada vez mais, feito das forças de Operações Especiais sua arma militar preferida, planos semelhantes a esse fracassaram no passado devido à oposição de comandantes regionais e do Departamento de Estado. Os comandantes militares regionais têm tido o receio de perda de autoridade, e alguns embaixadores em zonas de crise têm expressado suas preocupações quanto ao fato de que os comandos possam efetuar missões que sejam vistas como uma ofensa à soberania de um país anfitrião (host country), como o estremecimento nas relações com o Paquistão em seguida ao ataque a Bin Laden.

Autoridades da administração federal, militares e autoridades do Congresso dizem que o Comando de Operações Especiais se engajou em uma campanha de lobby para ver aprovada sua iniciativa. Autoridades do Pentágono e do governo observam que, enquanto é certo que esse Comando terá um aumento de orçamento e de pessoal quando o novo plano de gastos do Departamento de Defesa for anunciado amanhã, nenhuma decisão foi tomada quanto à ampliação da autoridade do almirante McRaven. Ontem, a Casa Branca e o Departamento de Estado declinaram de comentar a proposta deste militar.

As propostas são apresentadas como um novo modelo de estratégia de combate, numa época de redução dos orçamentos do Pentágono, diminuição do número de militares, e de um declínio do interesse popular em grandes guerras de ocupação, de acordo com autoridades do Pentágono, oficiais militares e empreiteiros civis abordados para comentar o plano [de McRaven]. Todos eles falaram sob condição de anonimato, porque as decisões ainda não foram tomadas.

Pelos novos conceitos, um número significativo de forças de Operações Especiais -- projetadas em 12.000 --  permaneceriam estacionadas à volta do mundo. Enquanto equipes de comandos estariam de prontidão para atacar alvos terrorista e resgatar reféns, igualmente significativo seria o ampliado número desses efetivos voltado para missões de treinamento e ligação, e para coletar informações que melhor subsidiem o Comando a melhor avaliar os riscos à segurança nacional. Autoridades e oficiais enfatizaram que, em quase todos os casos, as forças de Operações Especiais seriam ainda assim convocadas pelo comandante regional de quatro estrelas apenas para missões específicas.

"Não se trata realmente de se ter o Socom [sigla inglesa para Comando de Operações Especiais] comandando a guerra global ao terrorismo", disse McRaven em uma breve entrevista na semana passada, referindo-se ao Comando de Operações Especiais. "Não acho que estamos prontos para fazer isso. Trata-se de definir como posso dar um apoio melhor" aos comandantes regionais de combate.

Na década passada, mais de 80% das forças de Operações Especiais dos EUA foram comissionadas no Oriente Médio. Com as forças militares convencionais voltando para casa depois de se retirarem totalmente do Iraque, o almirante McRaven quer ter autoridade para espalhar suas equipes de comandos em regiões em que se tornaram rarefeitas para suprir forças para operações de guerra após o 11 de setembro.

Mais ainda, o almirante McRaven quer ter autoridade para deslocar rapidamente suas unidades para locais de tensão, sem passar pelo procedimento padrão do Pentágono que regula o deslocamento de tropas no exterior. Historicamente, o deslocamento de tropas dos EUA no estrangeiro começa com o pedido de um comandante de combate global, que passa pelo Estado Maior Conjunto e, depois, é submetido ao secretário de Defesa para aprovação, num processo deliberadamente cauteloso.

O deslocamento de ameaças à segurança nacional pode ser um argumento a favor dos planos do almirante McRaven. Com as forças de Operações Especiais concentradas no Oriente Médio e no Sudoeste da Ásia ao longo da década passada, comandantes em outras regiões têm buscado ter mais a presença dessas unidades em suas áreas.

Autoridades do Departamento de Estado dizem que ainda não foram abordados sobre essas propostas. No passado, embaixadores em zonas de tensão se opuseram a deslocamentos ampliados de unidades de Operações Especiais, e exigiram garantias de que os chefes de missões diplomáticas estariam inteiramente envolvidos nos planos e missões dessas unidades.

Comandantes sêniors de Operações Especiais prometeram que seus esforços seriam coordenados com o representante diplomático sênior em cada país. Esses oficiais descreveram também como as novas autoridades enfatizariam o trabalho com as forças de segurança locais, sempre que possível. Haveria exceção quando um governo local fosse incapaz de cooperar -- ou não quisesse fazê-lo -- com uma missão americana autorizada, ou se não houver governo responsável com que trabalhar.

Os planos do almirante McRaven gerararam preocupações mesmo dentro da comunidade de Operações Especiais. Dois consultores do Pentágono disseram que conversaram com oficiais sêniors de Operações Especiais que  se mostram preocupados com a possibilidade de que suas unidades fiquem demasiado sobrecarregadas. Eles se preocupam também com a possibilidade de que as forças de Operações Especiais -- que são ainda menos de 2% de todo o contingente militar americano -- se tornem de tal maneira uma espécie de "pau p'ra toda obra", que passem a ser solicitadas a executar missões acima de sua capacidade.

[...] O Comando de Operações Especiais (COE) conta agora com um pouco menos de 66.000 pessoas -- contando tanto o pessoal militar, quantos os civis do Departamento de Estado --, o dobro em relação a 2001. Seu orçamento alcançou o valor de US$ 10,5 bilhões, partindo de US$ 4,5 bilhões em 2001 (após o devido ajuste inflacionário).

Ao longo da década passada, efetivos do Comando de Operações Especiais foram deslocados para operações, exercícios, e treinamento de combate, e outras missões de ligação em mais de 70 países. Desde a invasão do Iraque em 2003, o Comando de Operações Especiais manteve deslocamentos de tropas no exterior de mais de 12.000 soldados por dia, com 80% desse pessoal comissionado no Oriente Médio.

Mesmo enquanto o Pentágono reduz sua força convencional, com um novo foco na região Ásia-Pacífico e cortes na Europa, o COE diz que precisa manter em caráter permanente no exterior aquela força de 12.000 homens espalhada ao redor do mundo -- com as tropas que saíram do Iraque sendo distribuídas em regiões que não tinham tido muito desse tipo de presença ao longo da década passada.

 Segundo os planos em evolução do almirante McRaven -- que ele denomina de Aliança Global FOE [FOE = Forças de Operações Especiais] --, as forças de Operações Especiais se moveriam ao redor do mundo sob sua direção, para reforçar as forças disponíveis para o principal oficial de Operações Especiais responsável por cada teatro de operações. O aumento de contingente de tropas de Operações Especiais nesses outros lugares permitiria aos EUA estar pronto para responder mais rapidamente a uma gama mais ampla de ameaças.

As diretrizes atuais permitem ao Comando de Operações Especiais executar missões por conta própria para tipos de operações muito específicos, embora isso raramente isso tenha sido feito, e oficiais envolvidos no atual debate digam que isso continuará sendo um evento raro. "Ele [McRaven] está tentando fornecer uma agilidade global", disse um ex-oficial militar que foi abordado sobre aqueles planos. "Se sua rede não for elástica, não será tão ágil como o inimigo", acrescentou.

Almirante William H. McRaven (56 anos), o militar por trás do ataque que matou Osama Bin Laden - (Foto: Wikipedia).