sábado, 23 de novembro de 2013

Biblioteca Nacional no Rio, símbolo e exemplo do absoluto descaso do governo com a cultura

A foto acima não é de um cortiço ou de uma república de estudantes, mas da Biblioteca Nacional (Rio) durante vazamento do ar condicionado em maio de 2012. - (Foto: Marco Aurelio Canonico/Folhapress).

Um dos vários pontos de infiltração no prédio da Biblioteca Nacional, no Rio.- (Foto: Fábio Seixo/Agência O Globo)

Aviso na sala de leitura da Biblioteca Nacional (Rio) em março de 2013 informando da proibição de entrada de fonte de energia para notebooks por problemas na rede elétrica do prédio. - (Foto: Guito Moreto/Agência O Globo).

As fotos acima, feitas com mais de um ano de intervalo, mostram o descaso inequívoco e irresponsável com que é tratada há mais de uma década, pelos governos do PT, a maior biblioteca da América do Sul e a 7ª maior biblioteca do mundo: a Biblioteca Nacional, localizada no Rio de Janeiro.

O Globo de hoje denuncia que as recomendações de segurança da Defesa Civil para a Biblioteca Nacional feitas há um ano não foram atendidas -- a denúncia é acompanhada de fotos que comprovam o estado lamentável a que chegou esse importantíssimo centro de cultura, patrimônio nacional e internacional. O que deveria ser um orgulho nacional foi transformado em motivo de vergonha para o país, pela desídia e incúria dos governos petistas.

Não é difícil rastrear o porquê dessa negligência irresponsável com esse acervo cultural. O primeiro governo petista, o do NPA (Nosso Pinóquio Acrobata, Lula), foi exercido de 1° de janeiro de 2003 a 1° de 2011 por um apedeuta que se vangloriava de não ter completado seus estudos e que encarava questões culturais como coisas supérfluas e da burguesia. 

O segundo governo petista, iniciado em 1° de janeiro de 2011, tem à sua frente Dilma NPS (Nosso Pinóquio de Saias), que também nunca demonstrou dar muita bola para essa importante faceta da formação da cidadania de um país. Um bom indício para verificar se um governo ou governante dá alguma importância à cultura é checar o que ele faz na educação -- educação e cultura não são necessariamente gêmeas siamesas, mas andam muito juntos. E um dos primeiros atos de governo de Dilma NPS foi cortar R$ 3,1 bilhões da Educação. Outra demonstração clara de que nossa doce ex-guerrilheira não entende do assunto, não sabe o que fazer dele e com ele, nem se interessa por isso, foram suas últimas nomeações para o Ministério da Cultura: Ana de Hollanda (01/01/2011 a 13/9/2012) -- cuja única qualificação para o cargo foi inegavelmente o fato de ser irmã de Chico Buarque, mas que demonstrou não valer nada -- e Marta Suplicy (de 13/9/2012 até hoje). 

Marta Suplicy, (ir)responsável também pela Biblioteca Nacional  e inúmeras outras coisas importantíssimas, já havia demonstrado sua incompetência quando ministra do Turismo. Também conhecida como Marta Botox, a ministra é a autora daquela frase antológica sobre o caos aéreo no Brasil a partir de outubro de 2006, recomendando a cada passageiro afetado pela bagunça: "Relaxa e goza, porque depois você vai esquecer todos os transtornos", aconselhou a ministra do Turismo, Marta Suplicy, em 13/06/2007. Como essa douta madame é psicanalista de profissão, isso certamente foi um ato falho ou, como melhor dito em inglês, um "escorregão freudiano" ("Freudian slip"). Há quem diga que essa frase comoveu tanto Dilma NPS, que foi definitiva para Marta tirar o ministério de Ana.

Antes que me esqueça: não é só na área federal que o petismo faz estragos também na área cultural. Na Bahia, governada desde 2007 por Jacques Wagner, do PT, o Arquivo Público estadual contabilizava em dezembro de 2012 nada menos que 3 (três) anos de funcionamento sem luz elétrica!

Podemos estar certos de que dias piores ainda virão nos atormentar, também na área cultural.

Leia também:

Funcionários da Biblioteca Nacional pedem interdição do prédio

A crise da Biblioteca Nacional


Fazendo o striptease de Lula NPA, Dilma NPS e do PT num texto só

[Em mais um ótimo texto, cirúrgico e contundente, Guilherme Fiuza deixa em pelo Lula NPA (Nosso Pinóquio Acrobata), Dilma NPS (Nosso Pinóquio de Saias) e o PT (o partido do mensalão, das mutretas e das roubalheiras). Desnudada, essa gentinha é mais horrível do que vestida, mas essa é a beleza (...) da democracia. Os fanzocas e viciados nessa curriola certamente terão derrame de bílis com o texto e vão querer acampar na porta do prédio do seu autor.]

Estamos juntos

Guilherme Fiuza - O Globo (23/11/2013)

Quando saiu seu mandado de prisão, José Dirceu recebeu um telefonema de Lula: “Estamos juntos”, lhe disse o ex-presidente. É uma afirmação enigmática. “Estamos juntos” onde? Considerando-se que Lula não está preso também, só resta uma conclusão possível: Lula e Dirceu estão juntos na sociedade que governa o Brasil há dez anos.

O sócio José Dirceu está condenado e preso por corrupção ativa. Ele não cometeu esse crime quando estava de férias ou numa desventura particular qualquer. O sócio Dirceu cometeu o crime de corrupção ativa quando era ministro do sócio Lula. O ex-presidente está solidário com um homem que usou o seu governo para desviar dinheiro público para o seu partido. E manifesta essa solidariedade exatamente no momento em que seu sócio criminoso é preso.

Lula não sabia de nada. Agora sabe, mas não se importa. E estende a mão aos homens do seu partido que o traíram para roubar o país. Das duas, uma: ou Lula foi traído e repudia o crime dos mensaleiros, ou se solidariza com eles. Como a opção escolhida pelo ex-presidente foi a segunda, não restam mais dúvidas: Lula não foi traído por ninguém, está e sempre esteve no mesmo barco dos companheiros que assaltaram os cofres da nação.

Nesse mesmo barco, quando o escândalo estourou e Dirceu foi atirado ao mar, Lula colocou Dilma em seu lugar. E em 2010 passou o leme para ela. Logo no primeiro ano de governo da grande gestora, a imprensa burguesa e golpista descobriu uma floresta de fraudes em seu ministério. Dilma teve que demitir de cara nada menos que seis ministros — mas de público, para quem quisesse ver e ouvir, se solidarizou com cada um dos demitidos por fraude: estamos juntos. Da mesma forma que Lula está junto com Dirceu. Eles estão todos juntos.

Assim como no valerioduto, a tecnologia dos contratos piratas para sangrar os cofres públicos está na origem de quase todos os escândalos do governo Dilma. Nos ministérios dos Esportes, das Cidades, do Turismo, dos Transportes e da Agricultura foi a mesma coisa. E todos os demitidos foram apoiados publicamente pela presidente — a senha para a manutenção dos donatários. O inesquecível Carlos Lupi, por exemplo, acusado de desvio de dinheiro do contribuinte através de ONGs, perdeu o cargo de ministro do Trabalho, mas foi mantido por Dilma como gerente da boca.

Não deu outra: dois anos depois, novo escândalo no Ministério do Trabalho, com suspeita de desvio de R$ 50 milhões, envolvendo as mesmas ONGs. O Brasil é uma mãe. E o filho do Brasil sabe disso.

Qual é a diferença desse tipo de assalto para o mensalão? Nenhuma. Em vez de um só valerioduto, com o dinheiro concentrado no caixa do PT para todas as compras de apoio político, o esquema foi pulverizado. O governo popular entrega a boca para o cliente e abençoa seu esquema. Se a imprensa golpista descobrir, faz-se o teatrinho da faxina e muda-se o zelador.

Dinheiro para distribuir não falta. O Brasil tem batido sucessivos recordes de arrecadação, ao mesmo tempo em que acaba de bater o recorde de déficit primário (R$ 9 bilhões em setembro), com as menores taxas de investimento do continente. Ou seja: a dinheirama está indo toda para a formidável máquina petista instalada no seio do Estado brasileiro.

Claro que, com essa gestão criteriosa, a inflação já saiu da meta há muito tempo, os serviços vão de mal a pior e a população já sentiu. Mas não tem o menor problema, porque os revoltados saem às ruas para pedir ônibus de graça, cidadania e bater em jornalista burguês. Enquanto isso, Dilma dispara no Ibope e hoje seria eleita tranquilamente em primeiro turno. Não há dúvida, o esquema deu certo.

Tanto deu certo que, depois de aguentar um Marcos Valério, o Brasil teve estômago para uma Rosemary Noronha. Segundo a Polícia Federal, a protegida de Lula e Dilma na representação da Presidência da República em São Paulo deitou e rolou na máquina petista, regendo um balcão de cargos e negociatas nas agências reguladoras. O cidadão que sofre na favela Antonio Carlos Jobim, no Galeão, à procura de um banheiro, de um elevador, de uma vaga no estacionamento em ruínas ou de uma escada rolante, não se lembra de Rosemary. Nem que ela privatizou a Agência Nacional de Aviação Civil, fiscalizadora dos aeroportos. Rosemary Noronha está livre e passa bem.

O Brasil aprovou os arquitetos do mensalão, e já indicou que vai renovar a concessão deles em 2014. Lula tem razão: não há o que temer. Estamos juntos, companheiros. E, quando o mensaleiro Delúbio se declara um preso político, só há uma coisa a dizer aos brasileiros submetidos a esse escárnio: bem feito.








sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Para onde nos leva Dilma NPS: pessimismo sobre Brasil bate recorde, diz pesquisa da Bloomberg

[A notícia abaixo foi publicada no jornal Valor Econômico de ontem. Mais um sério reflexo negativo da desastrosa política econômica de Dilma NPS (Nosso Pinóquio de Saias).]

Os investidores nunca foram tão pessimistas em relação às políticas da presidente Dilma Rousseff: apenas 10% dos entrevistados pela Pesquisa Global Bloomberg dizem que o país será capaz de evitar um corte na nota de crédito no próximo ano.

Dos consultados, 51% se dizem pessimistas em relação às políticas de Dilma, em comparação com 22% quando ela tomou posse em janeiro de 2011, segundo pesquisa feita com 750 analistas, investidores e operadores que são assinantes da Bloomberg. O segundo maior mercado emergente do mundo oferecerá uma das piores oportunidades ao longo do próximo ano em relação a EUA, Reino Unido, União Europeia, Japão, Índia, Rússia e China, dizem os consultados.

O governo está se esforçando para reativar a economia porque uma inflação acima da meta e a ampliação do déficit orçamentário vão minando a confiança de investidores e consumidores. Dilma finalizará seu primeiro mandato no ano que vem com a menor expansão do PIB em quatro anos desde 1990, segundo o mais recente boletim Focus do Banco Central. Em junho, a Standard & Poor’s colocou a nota de crédito do Brasil em perspectiva negativa, citando o fraco crescimento.

“A confiança nas políticas de Dilma Rousseff diminui por uma série de razões. A principal delas é, talvez, a dramática desaceleração do crescimento do PIB real ao mesmo tempo em que a inflação permanece elevada”, escreveu o pesquisado James Craske, analista global de ações da Victory Capital Management em Nova York, em um e-mail em resposta a questionamentos. “Estamos underweight (abaixo da média do portfólio) sobre o Brasil no momento e provavelmente permaneceremos assim por algum tempo".

Contas fiscais

Em 8 de novembro, na semana seguinte àquela em que o Brasil registrou seu pior déficit orçamentário desde 2009, a diretora de gestão da S&P, Regina Nunes, disse que um corte de rating do país poderia ocorrer ainda antes se suas contas fiscais piorassem. A S&P e a Moody’s Investors Service dão à dívida soberana do Brasil o segundo menor grau de investimento, BBB e Baa2 respectivamente.

O crescimento econômico desacelerou de 7,5% em 2010 para 2,7% em 2011 e para 0,9% no ano passado. O PIB aumentará 2,5% neste ano e a taxa deve desacelerar para 2,1% em 2014, conforme a estimativa média dos cerca de cem economistas consultados pelo Banco Central no boletim Focus de 14 de novembro.

Deterioração

A maior economia da América Latina está se deteriorando na opinião de 43% dos entrevistados, segundo a pesquisa feita pela Bloomberg em 19 de novembro, frente a apenas 10% que veem a economia melhorando e 27% que enxergam estabilidade.
O país provavelmente ou certamente será rebaixado nos próximos 12 meses, na opinião de 39% dos clientes da Bloomberg que participaram da pesquisa.
Os responsáveis pela política econômica elevaram a taxa Selic em 2,25 pontos porcentuais desde abril até 9,5%, o maior incremento entre as 49 principais economias do mundo acompanhadas pela Bloomberg. Embora a inflação tenha caído durante quatro meses consecutivos, ela continua acima do ponto médio da meta (4,5%) há três anos.
Apenas 22% dos pesquisados disseram que o Banco Central conseguirá levar a inflação para o centro da meta, ou abaixo disso, nos próximos 12 ou 18 meses. A meta será alcançada nos próximos dois ou três anos, de acordo com 37% dos pesquisados.
O levantamento, realizado pela Selzer Co., empresa de pesquisa de opinião pública com sede em Des Moines, Iowa, tem uma margem de erro de mais ou menos 3,6 pontos porcentuais.


[Ver aqui o texto e os gráficos em inglês da pesquisa da Bloomberg.]


























A foto-charge do mês (ou do ano?)



O homem que costumava andar sobre as águas


Foto: AP/Shutterstock - Fonte: The Economist (clique na imagem para ampliá-la).

"Precisamos de mais guerras", diz presidente de firma contratada para recrutar soldados para o Reino Unido

[O súditos da Rainha Elizabeth volta e meia nos deliciam com histórias e escândalos com detalhes um tanto ou quanto inusitados, às vezes com aquela sutileza do humor britânico. A história que traduzo a seguir, publicada no jornal The Independent de hoje, é mais uma dessas histórias atípicas, só que desta vez sem qualquer toque de humor. É interessante observar, também, como os ingleses adotam o conceito de privatização em setores que nos parecem bastante ou completamente inusitados para isso. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]

O presidente de uma empresa de terceirização acusada de ser responsável por um colapso no recrutamento para o exército [do Reino Unido - RU] tentou culpar a falta de guerras pela falha de sua companhia em conseguir novos soldados recrutas. 

O número de pessoas que comparecem nas entrevistas e testes de seleção para ingressar no exército sofreu uma queda de 35%, desde que a Capita foi contratada em março pelo Ministério da Defesa para a contratação de novos recrutas. Mas, quando solicitado a explicar a falha de sua empresa em manter os níveis de efetivo de pessoal o principal executivo da Capital insinuou que isso se devia parcialmente ao fato de que os novos recrutas teriam pouco a fazer. "Temos a desvantagem de hoje não haver guerras", disse Paul Pindar ao Comitê de Contas Públicas [do Parlamento].

"Soldados gostam de alistar-se no exército quando realmente têm algo a fazer", disse Pindar. Quando os parlamentares se mostraram surpresos ante essa afirmativa, ele acrescentou: "Os Srs. podem me fazer cara de desagrado, mas isso é algo que é factualmente verdadeiro". Ele disse que o recrutamento havia sido afetado também pela situação econômica do RU e pelas falhas de um novo sistema de TI, que foi dito à Capita que estaria pronto e rodando quando a empresa assumisse o contrato. 

Margaret Hodge, presidente do Comitê, classificou de "horríveis" os comentários de Pindar sobre as guerras. Seu suplente conservador, Richard Bacon, disse que não confiava na explicação de Pindar, assinalando que milhões de soldados haviam sido recrutados no passado sem que existissem quaisquer sistemas de TI.  Acrescentou em seguida: "Acho que há uma diferença em relação ao recrutamento que se fazia no passado, quando os jovens -- homens e mulheres -- se dirigiam aos postos de recrutamento e falavam com alguém uniformizado, que podia ser considerado como um modelo do que seriam. Hoje, preenchem um online um questionário sem qualquer característica especial. Vá você entender isso". Bacon disse ainda que acreditava que Pindar estava tentando ser "diplomático", não passando demasiada culpa para o Ministério de Defesa pelos problemas que sua empresa havia herdado com os sistemas de TI.

O Ministério da Defesa declinou de comentar a afirmação de Pindar, mas fontes dele assinalaram que ainda há 5.000 membros das forças armadas em serviço ativo no Afeganistão.

Pindar vinha defendendo sua empresa contra alegações dos parlamentares de que o recrutamento havia caído desde que a Capita se tornara responsável por anunciar, fazer propaganda e lidar com os formulários de inscrição. Parlamentares leram para ele estatísticas que mostravam que o recrutamento para o Exército Territorial havia decaído de 1.432 em 2012 para 367 no mesmo período deste ano [o Exército Territorial ("Territorial Army"), conhecido formalmente como Reserva do Exército, é formado por reservistas voluntários para serviço ativo e corresponde a cerca de 25% do efetivo total do exército britânico]. As cifras para o alistamento de soldados recrutas [ou soldados de linha] havia diminuído de 5.042 para 3.259.

Ex-comandantes do exército têm alertado que o deficit em homens faria as operações mais perigosas. Bacon disse que um de seus eleitores vinha tentando alistar-se desde maio, mas "perdeu-se no sistema". 

Pindar admitiu que problemas haviam ocorrido, mas disse que sua empresa estava confiante em que no prazo mais longo as metas de recrutamento seriam alcançadas. "Nossa expectativa é de que não falharemos no longo prazo. O que fizemos em resposta a essa situação foi, em vez de culpar terceiros pelo ocorrido, decidir que agora nos responsabilizaremos pela infraestrutura de TI mesmo que essa responsabilidade não seja nossa.  Estamos na expectativa de que os números no recrutamento aumentarão muito bruscamente. Não estamos cruzando os braços e culpando outras pessoas".

A audiência ocorreu quando falharam as tentativas de rebeldes do Partido Trabalhista de dotar o Parlamento de poderes para esmiuçar planos para substituir soldados de linha por reservistas.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Kissinger quer que Israel saiba que foi salvo pelos EUA na guerra de 1973

[A reportagem traduzida compactamente abaixo foi publicada em 02/11 na íntegra no jornal israelense Haaretz ("O País", em hebraico), considerado de tendência esquerdista. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]


Henry Kissinger: "Eu conhecia Rabin e Golda. Ele tinham uma tarefa terrível e é fácil, anos depois, criticá-los fortemente dizendo que poderiam ter agido melhor". - Foto: Amit Goren & Adam Vardy, "The Avoidable War" ("A Guerra Evitável"), Amit Goren Productions/Fonte: Haaretz).


Henry A. Kissinger, agora com 90 anos e fazendo de tudo menos aposentar-se, sentou-se nos escritórios da Kissinger Associates em Manhattan numa manhã do verão de 2012 enfrentando câmaras e se assegurando de que sua versão da história saísse exatamente correta. Relutantemente, ele estava se submetendo a uma rara entrevista para um documentário israelense de televisão chamado "A Guerra Evitável", sobre o 40° aniversário da Guerra do Yom Kippur [A Guerra do Dia do Perdão, assim chamado porque se iniciou naquele que é um dos mais importantes dias do calendário judaico]. Se a guerra podia ter sido evitada ou não é passível de discussão, mas o grande mestre da diplomacia global e talvez seu melhor praticante na segunda metade do século 20 tentou evitar a entrevista. Seus amigos disseram que ele não queria nem rever velhas feridas oriundas de seu relacionamento com a comunidade judaico-americana, nem rediscutir velhas alegações e contraalegações relativas ao crédito a ser dado à ponte aérea americana que ajudou Israel a retomar sua postura militar após reveses iniciais na guerra. Deixemos o passado para trás -- de fato, ele está agora até em termos amistosos com a pessoa cujos subordinados tentaram retardar a ponte aérea: o então Secretário de Defesa, James Schlesinger.



Mesmo quando finalmente cedeu, e reservou uma sala para a filmagem da entrevista, Kissinger alertou seu entrevistador -- essencialmente lendo para ele sua versão melhorada de seus direitos de Miranda [também chamados de "advertência de Miranda", referem-se à obrigatoriedade de um cidadão americano ser alertado sobre seus direitos antes de sofrer qualquer interrogatório ou coação legal] -- de que qualquer coisa que ele, Kissinger, dissesse poderia ser depois usado contra o entrevistador caso este ousasse alterar o sentido de qualquer observação/comentário do entrevistado, encurtando ou editando suas citações.   

"Em 9 de 10 casos", disse Kissinger, "tive experiências muito ruins com entrevistas".  Ao abordar isso, ele estabeleceu uma condição muito parecida com a que os pais usam para dizer a seus filhos à mesa de refeição -- e que foi dita em refeitórios do exército -- em épocas mais frugais: escolha o que quiser, mas coma tudo o que escolher. Filme tudo o que quiser, disse ele, mas você tem que comprometer-se por escrito a usar minhas respostas na íntegra, caso contrário nada poderá ser usado.

Assumindo o controle da conversa, como se ainda estivesse negociando com os chineses, os vietnamitas ou com aqueles cabeçudos árabes e israelenses, ele comenta ironicamente, referindo-se a "A Guerra Evitável": "É importante fazer algo objetivo mas, o que quer que você faça, deixe espaço para que seu governo aja de boa fé, no interesse dos israelenses, em várias circunstâncias". [Quem ler o livro "About Face; A History of America's Curious Relationship With China, From Nixon to Clinton" ("Meia-volta: Uma História da Curiosa Relação da América com a China, de Nixon a Clinton", de James H. Mann (Ed. Alfred A. Knopf, 1999), considerado um clássico no assunto, verá que Kissinger et caterva levaram um banho dos chineses nas negociações entre eles, desmentindo essa fama de bam-bam-bam invencível de Kissinger em política externa. O "meia-volta" do título refere-se ao fato de que tanto Nixon quanto Clinton tiveram que rever em 180° suas posições oficiais como candidatos em relação à China, por erros de avaliação de ambos em relação aos chineses]. Kissinger admite que décadas atrás, especialmente durante os choques sobre o que a administração Geral Ford chamava de sua "reavaliação" da relação dos EUA com Israel, "pode-se perfeitamente dizer que fomos duros com Israel", mas sem perder a autoconfiança e a franqueza ele lembra àqueles que preferem esquecer, que "houve esse pequeno detalhe de que salvamos vocês em 1973, certo?".

(...) 

"Preocupação crescente"

Devido a problemas de espaço, o que segue é apenas uma lista parcial dos pontos abordados em "A Guerra Evitável" por um dos dois estrategistas de categoria mundial envolvidos na crise de 1973 (o outro sendo o presidente do Egito Anwar Sadat) -- mas, com as respostas virtualmente intactas por receio da cólera de Kissinger.

Foi naquele tumultuado ano de 1973, entre o início da retirada dos EUA do Vietnã e a ladeira escorregadia de Watergate, que a administração Nixon decidiu lançar uma iniciativa de paz entre Egito e Israel, mas somente depois que ocorresse a eleição para o Knesset ["assembleia" em hebraico -- o Parlamento de Israel] prevista para 30 de outubro em Israel.

"Para aqueles de nós que conduziam a política, tínhamos um problema vietnamita, um desafio chinês, uma guerra fria com a Rússia e, por cima disso tudo, uma guerra árabe-israelense no momento em que o presidente se via no início de um processo de impeachment", diz Kissinger.

"A crise de Watergate impôs restrições à capacidade de manobra do presidente. Mas, estávamos provavelmente afetados também pela percepção de que era melhor esperar com a iniciativa de paz até após a eleição em Israel (originalmente prevista para outubro de 1973, mas adiada para 31 de dezembro por causa da guerra). Tomamos medidas preliminares direcionadas para a iniciativa de paz em duas reuniões com o principal responsável pela segurança nacional do Egito (Hafez Ismail). É crucial lembrar que não tínhamos relações diplomáticas completas ou contato com alguns países árabes".

A guerra poderia ter sido evitada se Israel houvesse concordado em retirar-se para todas as fronteiras de 1976, como demandado por Sadat? 

"Não tínhamos como saber se essa era uma proposta sincera e honesta. Não tínhamos indicação de que era compartilhada pela Síria, e estávamos seguros de que Israel não levaria isso em consideração nas circunstâncias então existentes, com um efetivo militar soviético ao longo do Canal de Suez e uma invasão da Jordânia pela Síria. Assim, isso era apenas uma proposta genérica que pretendíamos transformar numa contraproposta de buscar uma abordagem por etapas, no curso da qual a definição de retirada estava ainda aberta para discussão". 

Nixon esperava também pela posse de Kissinger como seu secretário de estado, em sucessão a William Rogers que, juntamente com funcionários de carreira do Departamento de Estado, não tinha a confiança de Golda Meir?

"Sempre que Nixon queria agir nesse campo ele transferia para mim essa atribuição, qualquer que fosse a posição burocrática formal existente. A preferência por lidar diretamente com a Casa Branca, deixando de lado o Departamento de Estado, não é raro da parte de Israel. Isso é algo que ocorreu com diversas administrações, e não teve nada a ver com as decisões que Nixon tomou".

As ameaças de Sadat não foram devidamente levadas a sério?

"Sadat havia feito muitas ameaças durante um extenso período de tempo. A nossa opinião era de que ele não tinha capacidade militar para levar isso a cabo. Essa era também a opinião do serviço de inteligência de Israel, repetidamente passada para nós.  E nós tínhamos um plano firme para iniciar as negociações de paz, que conduzimos através do principal assessor de segurança nacional do Egito, e os israelenses tinham pleno conhecimento disso. Então, se o timing da iniciativa de paz poderia ter sido antecipado -- essa é uma das grandes perguntas que os jornalistas podem fazer 40 anos mais tarde".

Vários dias depois que Kissinger acrescentou o portfólio do Departamento de Estado às suas funções no Conselho de Segurança Nacional, e justo quando a Assembleia Geral da ONU -- da qual teria que participar -- estava por lidar com o Oriente Médio, ele se alarmou com atividades inusitadas próximas às fronteiras. 

"Na semana em que começamos a investigar a situação tática (no final de setembro e início de outubro), recebi um relatório de inteligência que falava da concentração de forças egípcias e sírias ao longo das linhas divisórias. Era natural indagar da CIA e do Mossad quais eram suas avaliações sobre a situação. Na opinião de ambos tratava-se de manobras normais, e portanto não representavam um risco adicional de guerra. Solicitei que novas avaliações fossem feitas ou que se fizesse isso a cada dois dias, para assegurar que não fôssemos pegos de surpresa".

"Na sexta-feira, 5 de outubro, fomos informados de uma preocupação crescente -- mas não de qualquer novo perigo específico -- mas de uma preocupação crescente de que aquelas mobilizações que havíamos notado poderiam ser algo mais sério. E fomos solicitados a transmitir para o lado árabe que Israel não tinha intenção de lançar um ataque preventivo, e que portanto qualquer manobra militar de que estivessem cogitando não deveria ser efetuada com base no receio de um ataque israelense -- e assim fizemos. Fui informado às 6:30 da manhã de sábado, horário de Israel. Fui acordado pelo secretário-assistente de Estado Joe Sisco, que disse que uma guerra era iminente. Estávamos em Nova Iorque para a Assembleia Geral [da ONU], e ele me acordou e me disse que se eu começasse a agir imediatamente provavelmente conseguiria ainda evitar a deflagração do conflito".

As ligações urgentes de Kissinger para os soviéticos e os egípcios não deram resultado. Kissinger concorda com a opinião de Golda Meir de que uma tentativa israelense de prevenção nesse estágio avançado da situação não compensaria.

"A decisão israelense, tomada em seu próprio arbítrio e não por solicitação nossa, de não recorrer a uma medida preventiva teria sido sábia e sensata, com o ataque árabe a apenas poucas horas de distância? A primeira questão então é saber quão eficaz teria sido um ataque preventivo naquele momento, no Dia do Perdão, sem uma força aérea israelense israelense mobilizada e contra o sistema soviético de defesa com mísseis ao longo do canal, sistema este que depois na guerra mostrou-se razoavelmente eficiente até que o canal fosse atravessado. Então, posso ver como tendo sido uma decisão sensata de Golda, ponderando o risco que tinha de que Israel fosse visto como o agressor contra a real opção que tinha e contra a capacidade real ofensiva de Israel, no Dia do Perdão, de lançar um ataque significativo no espaço de tempo muito limitado que lhe restava".

O dilema de Dimona

Um dos piores momentos de Israel ocorreu em 9 de outubro, quando Golda solicitou desesperadamente a Kissinger via Simcha Dinitz [político e estadista israelense, que foi embaixador de Israel em Washington de 1973 a 1979] para providenciar  uma reunião breve e secreta dela com Nixon: "Minha forte recomendação foi de que não se permitisse ocorrer a situação de um primeiro-ministro israelense deixando o país no meio de uma batalha e vindo à América com um pedido de ajuda, já que isso seria interpretado pelo outro lado como um sinal de enorme fraqueza".

O pedido de Meir trouxe à América a urgência de satisfazer a demanda de Israel por reposição das pesadas perdas de armamento no campo de batalha. Quanto à alegada capacidade nuclear de Israel, Kissinger se recusa a falar sobre o acordo de setembro de 1969 com o qual Golda -- na sua presença -- teria confrontado Nixon fortemente, referindo-se a uma promessa americana de ignorar o que quer que estivesse sendo feito em Dimona, em troca de um pedido para que Israel não desse qualquer visibilidade a esses produtos. Kissinger se refere a relatórios dando conta de que alguns israelenses consideraram que houve uma quebra desse entendimento nessa hora de perigo [Dimona é uma cidade no deserto de Negev, considerada o centro do poder nuclear israelense porque em suas vizinhanças está localizado o Centro de Pesquisas Nucleares do Negev].

"Teriam os israelenses ficado tão desesperados no 9 de outubro, que ameaçaram usar ou tornar visíveis armas extremas? Se o fizeram, isso nunca veio a mim e nunca recebi, nem Nixon recebeu, e suponho que ninguém em nosso governo recebeu, qualquer indicação de que isso estava sendo contemplado ou mostrado, e seríamos fortemente contrários a isso [é muito difícil acreditar num Kissinger fazendo o papel de quem nada sabia ou soube nesse momento, ainda mais sendo ele de origem judaica]. Mas, essa questão nunca surgiu e nunca foi discutida conosco. Tal demonstração de poder não teria sido contrária a entendimentos que Israel tinha com os EUA? Isso certamente teria sido contrário ao que Israel entendia como sendo nossa visão sobre o assunto.  Mas, o assunto nunca surgiu e nunca foi discutido, direta ou indiretamente".

No dia 12 de outubro, contra a recomendação de Kissinger, Israel basicamente admitiu a derrota, reverteu sua oposição de uma semana contra um cessar-fogo e solicitou que ele fosse implementado. Kissinger queria um acordo pós-guerra, mas não um alcançado ao preço de uma óbvia posição de fraqueza israelense.  O Egito estava entrincheirado numa faixa ao longo da margem leste do Canal de Suez, no Sinai. Israel estava ainda por lançar uma contraofensiva lá. Teria sido um inequívoco gol do Egito, se Sadat não tivesse deixado a bola escapar.

Kissinger: "Moderação numa vitória evidente é a coisa mais difícil para um estadista. E ele se tornou confiante demais".

Depois que as forças de defesa israelenses pressionaram para o oeste, atravessando o canal, Kissinger foi rapidamente convocado a Moscou para negociar o contexto político de um cessar-fogo. Para protelar e dar a Israel mais tempo para avançar no Egito, ele queria fazer-se passar por um simples emissário pendente de uma aprovação presidencial mas, periodicamente, Nixon "minava" o secretário de Estado dando-lhe demasiado poder [se essa foi realmente a atitude de Kissinger, especialmente em relação a Moscou, foi uma posição ridícula por querer esconder o óbvio e fazer pouco da inteligência dos russos].

"A maior dificuldade durante toda crise de Watergate era como preservar a credibilidade americana, quando sua autoridade executiva estava sob um ataque incansável. Mas, fomos ajudados pelo fato de que os líderes soviéticos não podiam imaginar o declínio de autoridade dentro de nosso sistema, o que na realidade estava acontecendo. Agora, enquanto eu estava a caminho de Moscou, Nixon enviou uma mensagem ao líder soviético Brezhnev dando-me plena autoridade para resolver todos os assuntos. Talvez Nixon não fizesse isso em circunstâncias normais mas, muito compreensivelmente, ele estava sob uma pressão enorme para demonstrar que estava ativo na condução da diplomacia do país. E tem-se que dar um enorme crédito a Nixon pela força que mostrou em todas as fases daquela crise. Como os registros mostram, essa foi uma das poucas ocasiões em que resisti a receber um poder de decisão adicional e liguei para Washington para reclamar disso". 

Em resumo, temos o Dr. Kissinger sentimental e o Sr. Tomador de Decisões, afiado como uma lâmina de barbear.

"Agora, que lições se pode tirar daquela crise? Bem, deve-se compreender que qualquer coisa que alguém tenha que finalmente fazer deve fazê-la quando tem ainda uma margem para decisão, e deve-se ter uma clara e longa gama de objetivos.  Mas novamente, quero repetir, é um problema quando você tem um país com uma margem de sobrevivência muito estreita. Há algumas experiências/tentativas que você não pode testar. Eu conhecia essa gente toda, conhecia Rabin e Golda. Eles tinham uma tarefa terrível, e é fácil anos depois dizer que poderiam ter feito melhor do que fizeram. É fácil para as pessoas falarem; se você voltar às fronteiras de 1967, elas então têm um país que tem oito milhas de largura [cerca de 13 km] e lhes damos uma paz não especificada, quando uma das partes [Assad] sequer fala com os americanos e a outra [Sadat], por tudo que sabíamos, era um personagem saído da Aída".










Com esse andar da carruagem, vamos acabar pedindo aos mensaleiros que nos perdoem

Nada do buchincho que se tem armado em torno das prisões dos primeiros mensaleiros condenados a ver o sol nascer quadrado chega a ser realmente novidade, mas é exatamente isso que desanima e faz-nos ver que ainda temos um longuíssimo caminho a percorrer até termos ou sermos uma democracia menos "exótica". PT, NPA et caterva estão armando seu circo costumeiro, palhaços que são. O preocupante é que o país ameaça cair nessa esparrela. Estão tentando, já com certo êxito, chantagear o país.

Pilantramente, estão colocando uma lupa de enorme poder de ampliação em tudo que se refere a essas prisões. Do jeito que as coisas andam, José Genoíno vai acabar canonizado.  

Para começo de conversa, é indispensável não esquecer que não há nenhum Zé Mané ou deficiente mental nessa curriola de mensaleiros. Tampouco nenhum inocente. Até ontem, essa gente toda deitava e rolava em berço esplêndido de malfeitos, sorridente, lépida e fagueira. Antes da sentença e de sua execução muito pouco ou nada se ouviu, muito menos com essa zoada toda, de cardiopatias graves e de outras mazelas físicas.  Não é preciso ser médico, nem analista, para saber do fenômeno da somatização quando se passa por algo inesperado -- e jamais passou pela cabeça dessa patota de pilantras que pudessem ser presos e condenados. Vale a velha recomendação: quem não tem saúde e preparo físico não deve se meter em atividade de risco. Entrou na chuva, é p'ra se molhar.

Nenhuma das falhas apontadas quanto às prisões é irremediável. Nosso judiciário tem mecanismos de autocorreção, e bons cardiologistas felizmente abundam no país -- inclusive em hospitais públicos. Mas, faria bem à vergonha do país acabar-se com essa hipocrisia e essa palhaçada de fazer parecer que tais falhas são novidades e só ocorreram porque os anjinhos do mensalão foram marcados como bodes expiatórios. Putz!!

A coluna de ontem de Merval Pereira no Globo ("Dura realidade") faz uma análise perfeita dessa pantomima armada em torno das primeiras prisões de mensaleiros condenados. Pontos-chave do texto:

  • Nada mais peculiar às elites privilegiadas do que esse escândalo que parentes e apoiadores petistas de Genoíno, Dirceu e Delúbio fazem diante da dura realidade de suas prisões. 
  • Fingir-se de preso político é uma maneira de escamotear a verdade.
  • É patético ver a ação de petistas que um dia em 2005 subiram à tribuna da Câmara chorando de vergonha e, hoje, voltam à mesma tribuna para tentar negar a ocorrência de crime no episódio do mensalão.
De acordo com o livro "Impacto da assistência jurídica a presos provisórios", de Julita Lemgruber e Marcia Fernandes (2011), em dezembro de 2010 o Brasil tinha 496.251 pessoas presas, das quais 44% eram presos provisórios, vale dizer, ainda não condenados e aguardando julgamento. Grande parte desses presos provisórios do país encontra-se em xadrezes de delegacias policiais ou em cadeias públicas, nas quais são regra a superlotação, a insalubridade 

e a falta de condições mínimas de higiene, onde esses presos provisórios ficam mofando por semanas ou meses para, no final, serem absolvidos ou condenados a penas que não os levariam à prisão. Na coluna de Ancelmo Gois de hoje no Globo, a mesma Julita Lemgruber que é coautora do livro citado acima relata que em 2012 havia 42% de presos provisórios no Rio. Entre esses presos provisórios no país e no Rio certamente há cardiopatas, gente com doenças crônicas, o diabo. Alguém por caso viu algum deputado petista, isoladamente ou em curriola, fazer algum movimento ou auê ostensivo em defesa dos direitos dessa gente?! E advogado famoso, alguém viu algum dando entrevista em defesa dessa gente?!