quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Jornal inglês revela com exclusividade que gigante do fumo abre guerra contra ciência

 O artigo reproduzido parcialmente abaixo é mais um testemunho da ganância e do atrevimento dos fabricantes de cigarros, em sua infatigável batalha para atrais os jovens e adolescentes para o terrível vício do fumo.

A maior indústria de cigarros do mundo está tentando ter acesso a informação confidencial sobre o hábito de fumar dos adolescentes ingleses. Philip Morris International (PMI), a fabricante dos cigarros Marlboro, está tentando forçar uma universidade inglesa a lhe revelar todos os detalhes de uma pesquisa envolvendo entrevistas confidenciais com milhares de crianças e adolescentes entre 11 e 16 anos sobre sua postura com relação a fumar e ao acondicionamento dos cigarros. 

As exigências da companhia fumageira, feitas com apoio na lei de Liberdade de Informação do Reino Unido, coincidiram com uma campanha de ódio na Internet contra pesquisadores universitários envolvidos em estudos sobre o ato ou hábito de fumar. Uma pesquisadora entre esses acadêmicos recebeu telefonemas anônimos agressivos à noite. Ela crê que tais ligações são provocadas por uma campanha organizada pela indústria fumageira para desacreditar seu trabalho, embora não haja evidência de que as companhias de cigarros sejam responsáveis por isso. Philip Morris diz que tem um "interesse legítimo" na informação, mas pesquisadores da Universidade Stirling dizem que ceder dados altamente sensíveis seria uma quebra grosseira de confiança que poderia prejudicar estudos futuros.

Os pesquisadores acham também que aquelas exigências estão afetando negativamente a cooperação com outros acadêmicos dessa área, tendo o efeito de assustá-los e atemorizá-los -- estes últimos temem que compartilhar com a Stirling seus próprios dados não publicados acarretará sua cessão à indústria fumageira.

A Philip Morris International (PMI) fez anonimamente sua primeira solicitação usando a lei de Liberdade de Informação (LI), por meio de uma firma de advogados de Londres em setembro de 2009. No entanto, o Comissário de Informação rejeitou o pedido com o argumento que a companhia de advogados, a Clifford Chance, tinha que identificar seu cliente. A PMI entrou então com dois pedidos adicionais de LI, buscando obter todos os dados brutos (não processados) nos quais o Instituto para Marketing Social da Universidade Stirling  baseou seus vários estudos sobre compreensão, atitudes e comportamento de crianças e adolescentes em relação à questão de fumar.  "Eles querem tudo o que fizemos sobre isso", disse o professor Gerard Hastings, diretor do Instituto. "Trata-se de comentários confidenciais sobre como os jovens se sentem sobre o marketing do cigarro. Esse é o tipo de trabalho que colocaria a companhia fumageira em apuros se ela o fizesse diretamente". O professor Hastings acrescentou: "Além disso, e mais importante, esses jovens receberam a garantia de que apenas pesquisadores de boa fé, genuínos, teriam acesso aos seus dados. Não há como encaixar a Philip Morris nesta definição".

A informação é anônima e não tem como ser rastreada até os entrevistados. A PMI disse ao jornal The Independent que não está buscando informação confidencial sobre pessoas identificadas. "Como estipulado pela LI, informações confidenciais e privadas relativas a indivíduos, pessoas físicas, não são passíveis de divulgação", disse Anne Edwards, diretora de comunicações externas da Philip Morris. "Fizemos a solicitação para entender mais sobre um projeto de pesquisa conduzido pela Universidade de Stirling sobre o acondicionamento comum de cigarros".

A Universidade de Stirling faz parte do Centro de Estudos de Controle de Tabaco do Reino Unido, uma rede de nove universidades, e é considerada um dos institutos primordiais de pesquisa para análise do comportamento de fumar. Seu Instituto de Marketing Social recebe financiamento do Departamento de Saúde assim como de proeminentes instituições de caridade, e seus resultados de pesquisas têm sido usados como evidência no apoio a leis anti-fumo.

A instituição Cancer Research UK (Pesquisa de Câncer do Reino Unido) financiou a pesquisa da Stirling sobre o comportamento de fumar, para responder a questões básicas sobre as razões pelas quais 85% dos fumantes adultos começaram a fumar quando eram crianças. Os pesquisadores da Stirling montaram uma extensa base de dados de entrevistas com 5.500 adolescentes, para analisar suas atitudes com relação ao marketing, acondicionamento e mostruário de cigarros. "É uma base de dados grande, porque estivemos no campo várias vezes conversando com grupos de 1.000 a 2.000 jovens de cada vez -- indo na faixa de idade mínima de 11 anos à máxima de 16", disse o professor Hastings. "Esses garotos estão geralmente dizendo coisas que não querem que seus pais saibam. É uma questão muito sensível".

O professor Hasting disse que as solicitações da PMI têm demandado grandes porções de tempo e de recursos, desviando a atenção de seu departamento de seu papel básico que é analisar o comportamento de fumar. "Gastamos um bocado de tempo nisso. Uma unidade de pesquisa como a nossa não pode se dar ao luxo disso", disse ele. "Mas, para mim o crucial nisso é o pacto de confiança que temos com os jovens. Que grau de dificuldade ou facilidade teremos para conseguir a cooperação deles no futuro?".

10 milhões de adultos fumam cigarros no Reino Unido (Foto: AP).

Crescimento evangélico estimula mercado que une consumo e religião

É um grupo cada vez mais numeroso e com sede de prosperar e consumir. O crescimento dos evangélicos no Brasil, em especial no ramo pentecostal, provocou mais do que mudanças religiosas: fortaleceu um mercado econômico, que chama a atenção tanto de igrejas como da iniciativa privada.

De seu lado, as igrejas criaram estratégias de negócios. Algumas desenvolveram estruturas empresariais e planos de carreira; outras lançaram até cartões de crédito. E diversas montaram grupos e reuniões em que estimulam os fiéis a abrir negócios próprios e sanar suas finanças, com base na Teologia da Prosperidade - movimento que prega o bem-estar material do homem. "Passava uma vida de miséria, comendo carcaça de frango", conta uma frequentadora da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), acrescentando que, depois que começou a assistir às "reuniões da prosperidade" semanais da igreja, "as portas começaram a se abrir". O depoimento é exibido pela própria IURD no YouTube.

Em outro vídeo, um fiel diz que seus negócios não deram certo até ele entrar para o culto. Depois de "sair das trevas", ele comprou "quatro, cinco casas", onde cabem "sete ou oito carros". "A igreja é um local de ritos, mas hoje também um espaço de trocas e bens simbólicos", diz Leonildo Silveira Campos, do departamento de Ciências Sociais e Religião da Universidade Metodista. "É voltada a pessoas cada vez menos preocupadas com questões transcendentais, e sim com o aqui e o agora. Para o novo pentecostal, o dinheiro não é para ser acumulado como previa a ética protestante, mas para comprar o carro e o apartamento novo. Para se inserir no mercado de consumo."

Igrejas e empresas respondem a isso com produtos, que incluem cartões de crédito - emitidos pelas igrejas Internacional da Graça de Deus e Assembleia de Deus - e lançamentos constantes. A rua Conde de Sarzedas, no Centro de São Paulo, se especializou em atender consumidores cristãos. Ali, é possível comprar de bíblias segmentadas a CDs, jogos de tabuleiro com temas bíblicos e pacotes de turismo para Egito e Israel. "É um lugar onde as pessoas sabem o que querem consumir. É um público fiel", diz à BBC Brasil a cantora e apresentadora Mara Maravilha, que, há 15 anos convertida à fé evangélica, tem uma loja onde vende seus CDs e DVDs gospel na Conde de Sarzedas.

A percepção de que o setor caminhava rumo à profissionalização levou Eduardo Berzin Filho a promover a feira ExpoCristã, realizada há dez anos em São Paulo. Ele diz que a edição de 2010 atraiu 160 mil visitantes e expositores como editoras, gravadoras gospel, empresas de mobiliário para igrejas e até consultorias de gestão de templos.

O mais claro exemplo pentecostal de estratégia de negócios vem da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), que diz ter presença em mais de cem países – mais do que qualquer multinacional brasileira. A IURD montou uma estrutura empresarial que faz de seus pastores "profissionais da religião, com metas de atração e conversão de fiéis, de arrecadação (de dízimo) e de ampliação de recursos", afirma Ricardo Mariano, professor da PUC-RS e autor de um livro sobre a Universal. Para os pastores, diz Mariano, "existe quase um plano de carreira, que permite que eles passem para congregações maiores, vão para outros países e participem de programas de TV" se baterem as metas.

A IURD e outras seguem "os principais preceitos do marketing: preço, publicidade, praça (localização de templos) e produto", opina Mario René, professor de Ciências do Consumo na ESPM e doutor em teologia prática. Os especialistas ressaltam que há traços de profissionalização e mercantilização também em outras religiões – só que eles estão mais evidentes nas pentecostais e neopentecostais por conta de sua exposição midiática e do próprio crescimento dos evangélicos no Brasil.

Segundo o estudo Novo Mapa das Religiões, da FGV, os evangélicos representavam 20,2% da população brasileira em 2009, contra 9% em 1991. Boa parte se concentra na emergente classe C. Os pentecostais são por volta de 12% da população, mas, segundo estudo prévio da FGV, respondem por 44% das doações feitas às igrejas.

Agora, além de solicitar "ofertas" para continuar a "obra de Deus", a Igreja Universal pede contribuições para financiar o Templo de Salomão - versão brasileira de um histórico templo em Israel. Em um culto recente da igreja em São Paulo, o pastor exibia aos fiéis um vídeo sobre o templo, que está sendo erguido na Zona Leste da cidade e custará R$ 350 milhões.
"Os (doadores) terão seus nomes colocados nas 640 colunas do templo", diz o pastor, pouco antes de serem entregues envelopes para doações. "O bispo disse que um homem doou R$ 200 mil. Se você não pode 200 mil, pode mil, pode 500. Doe de acordo com a sua fé."
Mara Maravilha tem loja na Conde de Sarzedas, rua especializada em atender público cristão (Foto: BBC Brasil). 

Daniel Berteli é comprador de produtos evangélicos, mas se incomoda com "profissionalização" de igrejas (Foto: BBC Brasil).


Para Nobel da Economia, crescimento acelerado traz riscos para o Brasil

Vencedor do Nobel da Economia, o americano Robert Engle considera o Brasil “uma das nações milagrosas da última década”, mas vê risco de que o crescimento acelerado do país não seja acompanhado por suas instituições. “Há um risco de que as coisas estejam acontecendo muito rápido, e que a infraestrutura e as instituições não consigam acompanhar (esse ritmo)”, afirmou Engle, professor de finanças na New York University Stern School of Business e vencedor do Prêmio Nobel em 2003, durante uma visita ao Rio. “Acho que esse é um desafio contínuo, e que investidores, empresários, reguladores, instituições financeiras devem se manter um pouco conservadores porque o risco existe e ninguém quer ser pego se as coisas caírem.”

Para Engle, o Brasil é um dos “grandes exemplos” de progresso, no cenário global, em lugares onde “não se esperava” ver crescimento e riqueza uma década atrás. Em palestra na Escola de Pós-Graduação em Economia, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Engle apresentou o sistema que vem desenvolvendo para calcular o risco potencial representado por diferentes instituições financeiras à economia dos países.

Nos Estados Unidos, Engle tem usado o sistema para analisar tanto o panorama atual como aquele apresentado antes da crise financeira que estourou em outubro de 2008. E afirma que a situação de hoje não inspira mais confiança: “De acordo com os nossos números, os riscos hoje são maiores do que eram antes da crise financeira bater. A alavancagem não se reduziu ao nível que estava naquela época”, afirma.

Segundo Engle, os bancos americanos continuam se endividando além do patrimônio que têm, e a situação se agrava com problemas no cenário político. “A política econômica está sendo muito dificultada pelo processo político. Muitas partes do partido republicano, sobretudo, acham que, quanto pior estiver a economia, melhor será seu desempenho nas próximas eleições. Essa é uma receita para a falta de acordos.”

Durante a palestra, ele usou duas fotomontagens para ilustrar possíveis resultados da situação atual. Na primeira, a estátua do touro de Wall Street estava caída, abatida sobre a calçada. Na segunda, Barack Obama e Sarah Palin eram parceiros de uma salsa animada, suas cabeças sorridentes coladas aos corpos de dançarinos de belos corpos. “Será que conseguiremos solucionar esse problema, e ver Barack Obama dançando com Sarah Palin?”

Candidata a vice-presidente em 2008, Palin é hoje uma das figuras à frente da Tea Party, movimento político conservador que faz oposição veemente a Obama, como se viu por exemplo nas negociações no Congresso pelo aumento do teto da dívida pública americana, concluídas às pressas no início de agosto.

Em contrapartida, Engle afirmou que o Brasil está em vantagem por praticar uma regulação robusta, “se não até protegida”, das instituições financeiras. No atual cenário de fluxo de divisas para países emergentes, instituições financeiras de países como o Brasil tendem a expandir o crédito e emprestar mais do que têm, algo que a regulação deve conter, afirma. Para Engle, o país deve estar preparado para o caso de haver uma valorização ainda melhor do real. “Quanto mais a economia cresce, maior a almofada que você deve ter para o caso de queda.”
Para Engle, Brasil "é um grande milagre da última década" (Foto: SSC Liaison/Creative Commons).

Obama muda data de discurso no Congresso dos EUA depois de irritar republicanos

A política americana cada vez mais se aproxima do Rio Grande, fronteira clássica virtual de um cacoete histórico que sempre configurou o sul desse rio como região dominada pelos atrasados da América Latina. As picuínhas entre Obama e republicanos, e entre estes e democratas, além de mostrar o enfraquecimento político de Obama têm evidenciado que a qualidade do debate político americano vem baixando assustadoramente, como demonstra a reportagem abaixo publicada hoje no site do Globo.

O último objeto de disputa entre republicanos e democratas nos EUA foi a atenção dos americanos na noite de 7 de setembro. O presidente Barack Obama irritou os adversários ao escolher a data para divulgar suas novas propostas para a geração de emprego. No mesmo dia, os pré-candidatos republicanos à Presidência vão se reunir em um debate na mesma hora.

Em uma decisão considerada inédita, o presidente da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner, rejeitou o pedido de Obama para discursar ao Congresso naquele horário. O presidente democrata transferiu então o seu aguardado pronunciamento para o dia 8. O episódio deflagrou uma nova rodada de conflitos entre Obama e seus adversários no Congresso. A Casa Branca disse que escolha da data prevista para o debate republicano havia sido uma coincidência. Mas, depois de queixas de seu partido, o presidente da Câmara enviou carta a Obama pedindo a alteração. "A Câmara não voltará a se reunir até a quarta-feira 7 de setembro, com votos programados às seis e meia dessa tarde", escreveu o líder da maioria republicana na Câmara, alegando motivos de agenda e de segurança.

"Tendo em conta o espaço de tempo necessário - normalmente, são mais de três horas - requerido para que a equipe de segurança da Câmara se prepare para a visita do presidente, recomendo que agende seu discurso para a noite seguinte para assegurarmos que não haverá impedimentos logísticos ou parlamentares", acrescentou Boehner.

Em carta a líderes parlamentares na quarta, Obama disse que viajando pelos EUA ouviu a mensagem de que "Washington precisa deixar de lado a política e começar a tomar decisões baseadas no que é melhor para o país, e não no que é melhor para cada um dos nossos partidos, a fim de que a economia cresça e empregos sejam criados. É nossa responsabilidade encontrar soluções bipartidárias para ajudar nossa economia a crescer, e, se estamos dispostos a colocar o país à frente dos partidos, estou confiante de que poderemos fazer justamente isso", afirmou Obama na carta. 

O presidente disse que suas propostas incluirão medidas que o Congresso poderá aprovar imediatamente para fortalecer as pequenas empresas e "colocar mais dinheiro nos contracheques da classe média e dos americanos trabalhadores", ao mesmo tempo em que reduziriam o déficit. As medidas devem incluir programas para financiar obras de infraestrutura, para ajudar mutuários em dificuldades, e benefícios tributários para estimular contratações de empregados. O índice de desemprego nos EUA gira em torno de 9%.












Por que os estudantes americanos não conseguem ser competitivos?

Com o mesmo título desta postagem, a revista Newsweek que está nas bancas tece considerações e preocupações sobre uma significativa perda de competitividade dos estudantes americanos frente a seus iguais de outros países na área de matemática, vários deles significativamente longe do poderio econômico dos EUA. Esse artigo da Newsweek deveria ser lido atentamente pelo nosso ministério da Educação e pela presidente Dilma, como mais um alerta muito preocupante sobre a péssima qualidade do nosso ensino também em matemática.

Nos testes de proficiência em matemática mais recentes realizados pela OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico com 65 países, os EUA ficaram em 32° lugar, empatado com a Irlanda e entre Portugal (33°) e Itália (31°) -- os EUA foram classificados com 32% de proficiência, contra os 75% da cidade de Shanghai (cabeça da lista), os 63% de Cingapura, os 56% da Coréia do Sul, os 49% do Canadá, os 48% de Macau, os 41% da Estônia, e por aí vai. O Brasil classificou-se no 57° lugar, bem abaixo de países como Letônia (78°), Lituânia (77°), Grécia (76°), Croácia (72°), Sérvia (70°), Uruguai (68°), Trinidade & Tobago (67°), Chile (65°), e ainda pior que Argentina (60°), Azerbaijão (59°) e Montenegro (58°). Nosso nível de proficiência não passou de míseros 5%!! Atrás de nós ficaram apenas Albânia, Jordânia, Peru, Colômbia, Panamá, Tunísia, Indonésia, e Quirguistão, nessa ordem.

Vale ressaltar que os 32% dos EUA são a média do país -- 25 estados americanos estão acima da média nacional (o melhor foi Massachussetts, com 51%), 3 estados estão exatamente na média, e os restantes estados estão abaixo dela, o último lugar cabendo sintomaticamente ao Mississipi com 14%. A Newsweek chama atenção para o fato de que mesmo Massachussetts (lar do famosérrimo MIT - Massachussetts Institute of Technology), com sua lista de renomadas escolas privadas e públicas, classificou seus estudantes bem abaixo da Coréia do Sul (58%) e Finlândia (56%), sem falar na destacada Shanghai (75%).

Apenas 7% dos estudantes americanos se destacam no nível avançado de matemática, colocando os EUA atrás de 25 outros países nesse item.  Todas essas cifras explicam e justificam a preocupação de Obama ao fazer seu discurso sobre para o Congresso o Estado da União, quando disse que "precisamos  super-inovar, super-educar, e superar o resto do mundo".

A situação do ensino no Brasil continua trágica e assustadora, e não há absolutamente nenhum aceno do governo de melhora desse quadro. Como apontei em postagem anterior, a presidente Dilma não demonstrou até agora a mínima sensibilidade para a importância estratégica da educação, tratando-a de maneira idêntica como qualquer outra área de seu governo -- nada a ver com a Dilma dos palanques pré-eleição ...



Uma cidade alemã instala um "parquímetro" para prostitutas

 Quando a gente pensa que já viu de tudo, surge essa iniciativa criativa dos alemães ...

Uma porta-voz da prefeitura de Bonn, a antiga capital da Alemanha, informou ontem que a cidade colocou em operação um serviço de parquímetro para prostitutas -- a prostituição é legalmente praticada na Alemanha. O aparelho, que se parece com aqueles usados para pagar o estacionamento de carros, foi inaugurado nesse fim de semana passado em uma zona industrial perto do centro da cidade, onde as prostitutas costumam apanhar seus fregueses.

Elas têm de pagar 6 euros por noite de trabalho, independentemente do número de clientes. O tíquete é válido das 20h00 às 6h00 da manhã. Em caso de fraude, elas recebem uma advertência e depois são passíveis de serem multadas. "Esperamos coletar 200.000 euros por ano com esse parquímetro", comentou Isabelle Klotz à AFP (Agência France Press).

Na segunda-feira, quando da verificação do resultado, 264 euros já haviam sido depositados no aparelho.

A prefeitura estima em cerca de 200 o número de mulheres trabalhando ocasionalmente nas ruas da ex-capital da Alemanha ocidental, com cerca de 20 "regulares".  Foram enviados prospectos em diversos idiomas a essas mulheres, para informá-las da nova regra. "Outras cidades já taxam as prostitutas, mas somos os primeiros a ter um parquímetro", sublinhou a porta-voz. "As mulheres que trabalham em casas fechadas pagam também essa taxa". Mas, era difícil até agora fazer com que as mulheres das ruas pagassem. Graças a esse novo método, podemos taxá-las de maneira equitativa", acrescentou ela.

Juanita Rosina Henning, da associação Dona Carmen, que defende os direitos das prostitutas, se mostrou muito crítica. "Apelamos para que a cidade retire imediatamente o aparelho", declarou ela -- "esse aparelho é muito problemático (...) não melhora em nada a vida das mulheres". Segundo ela, trata-se de um "tratamento especial" imposto às prostitutas, nenhum outro tipo de profissão tendo sido visado por esse tipo de medida. Ela denunciou a iniciativa, que "nada tem a ver com a igualdade fiscal. "Na Alemanha, as prostitutas já têm que fazer suas declarações de renda", lembrou ela.
O parquímetro para prostitutas em Bonn, na Alemanha (Foto: Olivier Berg/DPA/AFP). 

O parquímetro destinado às prostitutas de Bonn (Foto: Olivier Berg/DPA/AFP).

Sistema de compensação para vítimas de pesquisas é visto como necessidade urgente nos EUA

Os EUA devem criar um sistema para compensar pessoas que foram vítimas de alguma maneira de pesquisas de que tenham participado, recomendou ontem um comitê de assessores federais.

Vários outros países exigem que patrocinadores de estudos e pesquisas façam seguro contra danos relacionados a pesquisas, ou tenham outras maneiras para compensar/indenizar voluntários que tenham sido afetados dessa maneira -- isso deixa os EUA na posição de uma espécie de "marginal" nesse contexto, concluiu a Comissão Presidencial para Assuntos Bioéticos.

"O comitê concluiu com ênfase que era uma injustiça e um erro que os Estados Unidos fossem um país à parte, ao não especificarem nenhum sistema para compensação/indenização de pessoas submetidas a pesquisas, a não ser o conselho "Arranje um advogado e abra um processo", disse Amy Gutmann, da Universidade da Pensilvânia, que chefia o comitê e nele atuou.

A recomendação veio no segundo dia de uma audiência pública de dois dias para divulgação dos resultados de uma investigação dos resultados de experiências médicas que pesquisadores do governo americano realizaram na Guatemala nos anos 1940. Os estudos recentemente revelados envolveram 5.500 homens, mulheres e crianças que, involuntariamente, foram selecionados para testes envolvendo as doenças venéreas sífilis, gonorreia e cancro.

Na segunda-feira, a comissão revelou que os pesquisadores haviam obtido consentimento prévio antes de fazer testes anteriores similarers em presidiários em Terre Haute (Indiana), e esconderam o que estavam fazendo na Guatemala. Isto, concluiu a comissão, mostrou claramente que os médicos sabiam que sua conduta era aética. Nos estudos patrocinados pelo governo, realizados na Guatemala de 1946 a 1948, os médicos tentaram infectar prisioneiros, soldados e doentes mentais fornecendo-lhe prostitutas portadoras daquelas doenças ou que tinham sido contaminadas por eles médicos. Os pesquisadores também arranharam ou rasparam partes sensíveis dos corpos dessas pessoas, para expor as feridas a bactérias causadoras de doenças, derramaram pus infeccioso em seus olhos, e aplicaram injeções em suas colunas.  [Inacreditável!!]

Na terça-feira, a comissão de 13 membros discutiu o relatório de 48 páginas que traça as conclusões de um subcomitê internacional de 14 membros, que examinou se as regras vigentes protegem adequadamente, em âmbito internacional, pessoas envolvidas em estudos médicos contra danos físicos ou aéticos. Os especialistas em pesquisas bioéticas e biomédicas de Índia, Uganda, China, Rússia, Brasil, Argentina, Bélgica, Guatemala, Egito e Estados Unidos sereuniram em Londres, Washington e Filadélfia, e fizeram cinco amplas recomendações.

"Os EUA devem implementar para compensar pessoas de danos relacionados a pesquisas a que estiveram submetidas", disse Christine Grady, dos Institutos Nacionais de Saúde (EUA), que colaborou na apresentação dos resultados e conclusões do subcomitê. "Muitos países ao redor do mundo e algumas instituições de pesquisa dos EUA na realidade avançaram, e desenvolveram sistemas de compensação".

Um "modelo promissor" para um sistema de compensação poderia ser o Programa Nacional de Compensação por Dano de Vacina dos EUA, uma alternativa do tipo "sem culpa" para os tradicionais processos legais para compensar pessoas lesadas por vacinas, disse o comitê.

Índia e Brasil têm comitês de bioética que "garantem que patrocinadores de pesquisas paguem a participantes lesados em pesquisas", relatou o comitê.

O presidente Obama ordenou a investigação quando as experiências foram publicadas em outubro, juntamente com um inusitado pedido de desculpas por seus secretários de Estado, de Saúde e de Serviços Humanos.

Susan M. Reverby, professora em história de ideias e professorade estudos de mulheres e de gênero no Wellesley College, em Massachussetts, descobriu a experiência com sífilis na Guatemala quando examinava o estudo de Tuskegee, no Alabama (Foto Wellesley College).