quinta-feira, 23 de junho de 2011

Gadhafi continua resistente e combativo, e surgem divisões internas na OTAN

O contestado líder líbio Muamar Gadhafi está engajado em uma luta até à morte, mesmo "pressionado contra as cordas", denunciando que os ataques da OTAN mataram civis em seu país e provocando divisões no seio dessa aliança militar.

O conflito parece afundar-se em areia movediça, mais de quatro meses depois do início da revolta que se transformou em conflito armado -- Gadhafi se recusa a deixar o poder apesar de seu isolamento, das sanções que sofre e da intervenção militar em seu país, enquanto os combates entre suas tropas e os rebeldes continuam no mesmo compasso. Gadhafi reagiu pela televisão a um ataque aéreo da OTAN que, segundo ele, visou a residência de Khouildi Hmidi, um político influente e seu velho companheiro de campanha, matando 15 pessoas, entre as quais crianças, em Sorman, a 70 km a oeste de Trípoli. Depois de uma série de erros nos últimos dias, a OTAN, que assumiu o comando das operações militares internacionais em 31 de março, admitiu ter feito um ataque nessa área mas afirmou no entanto que foi um "ataque de precisão" visando um "centro de comando e controle de alta importância", e não um alvo civil.

País que abriga o QG das operações da OTAN e as bases aéreas de onde decolam os bombardeiros aliados, a Itália criou um mal-estar ao denunciar os ataques contra os civis e o atoleiro em que se meteu o conflito que já fez milhares de mortos depois de 15 de fevereiro. Seu ministro das Relações Exteriores, Franco Frattini, considerou que "a suspensão das ações armadas é fundamental para permitir uma ajuda imediata" à Líbia. Mas esta proposta foi imediatamente rejeitada pela França, para quem uma pausa, mesmo que humanitária, permitiria que Gadhafi "se reorganizasse". E o secretário-geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, disse claramente que as operações iriam continuar para evitar que "inúmeros civis a mais percam a vida". Essa bateção de cabeças numa instituição como a OTAN e em um conflito com a seriedade, as consequências e as repercussões como esse da Líbia é simplesmente inacreditável! Mais uma vez, repete-se a velha história: quando se tem muito cacique e pouco índio o resultado invariavelmente é uma lambança.

Novo iPhone da Apple previsto para ser lançado no final do verão americano

A Apple anunciou que lançará no final do atual verão americano sua nova versão do iPhone, que virá com processador e câmara aprimorados. Como acontece com tudo que sai da cachola de Steven Jobs (o MacBook, o iPad, a nova sede da Apple), praticamente cada pessoa do mundo "tech" já está com a boca cheia d'água com esse lançamento. Ainda não se sabe exatamente quando isso ocorrerá. O site Bloomberg, citando fontes não identificadas, diz que o lançamento se dará em algum momento em setembro, mas o blogue técnico Boy Genious Reports e outros estão apostando que isso ocorrerá em agosto.

De acordo com as fontes secretas do Bloomberg, o iPhone 5 terá o mesmo super-rápido processador do iPad 2 e uma câmara de 8 megapixel (contra 5 megapixel do modelo atual). Por outro lado, o International Business Times diz que o iPhone 5 terá caixa mais esguia, home button maior, tela de margem a margem, e vidro arredondado, caracterizando o novo modelo como "visivelmente diferente" dos modelos anteriores.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Em lista de 9 países, Brasil investe menos na preservação por hectare de floresta

Um estudo coordenado pelo Centro para o Monitoramento da Conservação Mundial do Programa da ONU para o Meio Ambiente revela que, numa lista de nove países, o Brasil é o que menos investe na preservação de cada hectare de suas florestas.  Enquanto o Brasil desembolsa, em média, R$ 4,43 por cada hectare de suas unidades de conservação, na Argentina o índice é cinco vezes maior (R$ 21,37), no México, nove vezes (R$ 39,71) e, na África do Sul, 15 vezes (R$ 67,09).

A disparidade é ainda maior se os gastos brasileiros são comparados com os de países desenvolvidos: nos Estados Unidos, país da lista que mais investe na conservação ambiental, são R$156,12 por hectare (35 vezes a mais que o Brasil) e, na Nova Zelândia, R$ 110,39. A lista, integrada também por Costa Rica, Canadá e Austrália, agrega países que, a exemplo do Brasil, têm grande parte de seus territórios ocupados por parques naturais ou índices sociais semelhantes aos brasileiros.

O estudo "Contribuição das unidades de conservação para a economia nacional", divulgado neste mês e feito em parceria entre o IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Ministério do Meio Ambiente, calculou quanto o Brasil fatura com a preservação de suas florestas e quanto poderá ganhar caso amplie os investimentos no setor, o que permitiria maior aproveitamento de seus recursos naturais e incremento no número de turistas. Um dos autores do estudo, o pesquisador da UFRJ Carlos Eduardo Young, diz à BBC Brasil que a intenção foi mostrar que a preservação ambiental e o desenvolvimento econômico são compatíveis.

O estudo calcula que, caso o governo garanta a conservação nessas áreas e invista mais nelas, o aproveitamento econômico desses territórios, que cobrem cerca de 15% do país, pode gerar ao menos R$ 5,77 bilhões por ano. O valor viria de produtos florestais (como castanha-do-pará ou madeira em áreas de extração controlada, por exemplo), turismo, estoque de carbono conservado, água e receitas tributárias, baseada no modelo de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) Ecológico adotado por alguns Estados. Para isso, no entanto, Young diz que o país teria de ampliar os investimentos no setor, atualmente em torno de R$ 300 milhões por ano nas reservas federais, para cerca de R$ 550 milhões anuais para o sistema federal, R$ 350 milhões para os sistemas estaduais (a serem empregados sobretudo em maior fiscalização), além de cerca de R$ 1,8 bilhão para gastos em infraestrutura para o turismo.
Mais investimentos na floresta trariam mais retorno à sociedade, diz especialista (Foto: AFP).



Crise na Espanha empurra imigrantes latino-americanos para o Brasil

O Brasil terá que aprender rapidamente a conviver simultaneamente com os louros e os problemas que seu progresso econômico e sua projeção internacional já vêm acarretando, e ainda provocarão muito mais.

Entre 2003 e 2007, a Espanha recebeu dezenas de milhares de imigrantes, mas a crise econômica que persiste no país está alterando o fluxo migratório. Sem emprego no presente e sem perspectivas para o futuro, os estrangeiros buscam saídas em outros lugares, e o Brasil virou meta para os latino-americanos de baixa formação. De acordo com quatro relatórios que investigam as respostas dos imigrantes diante da crise, o Brasil aparece entre os três destinos preferidos de sul-americanos hispânicos (junto com Estados Unidos e Argentina) como opção para conseguir emprego.

Uma pesquisa da agência de empregos Randstad revelou que 65% dos imigrantes ilegais na Espanha estão pensando ou decididos a trocar a Europa por outro mercado se não encontrarem trabalho até 2012. Os estudos antecipam um fluxo que já pode ter começado. Em 2010, pela primeira vez nos últimos 35 anos, a Espanha registrou uma taxa de saída de população ativa maior do que a de entrada. No ano passado, 48 mil imigrantes chegaram e 43 mil estrangeiros retornaram aos seus países de origem, mas 90 mil espanhóis também foram morar no exterior. O ritmo de redução é tão vertiginoso que em cinco anos o fluxo de chegada pode ser praticamente nulo. Pelas previsões da Fundação de Estudos de Economia Aplicada, se a crise se mantiver como agora, em 2014 chegariam apenas 3 mil imigrantes.

Josep Oliver, professor de economia da Universidade Autônoma de Barcelona e um dos autores do Anuário de Imigração da Espanha, do Ministério do Interior, disse à BBC Brasil que “80% dos imigrantes não têm outras saídas além do aeroporto rumo a mercados com melhores opções, como o Brasil, que oferece oportunidades sólidas”.

A pesquisa Mobilidade Laboral, da Randstad, indica que a Espanha perdeu interesse para o trabalhador estrangeiro de baixa formação. Os estrangeiros entrevistados na pesquisa responderam que querem sair da Espanha, mas temem crises políticas e econômicas na América Latina e só vêem bonança financeira no Brasil, onde criticam a falta de segurança pública. Mais ainda assim estão convencidos de que se não encontrarem emprego até 2012, o caminho é o aeroporto. Estados Unidos, Brasil ou Argentina, na ordem dos mais votados.

O Brasil também aparece como opção para espanhóis de alta formação.Um estudo elaborado pela consultora Adecco e pela Universidade de Navarra indica que os espanhóis com alto grau de formação e que também foram atingidos pela crise colocam o Brasil como um dos seis destinos preferidos para emigrar por emprego. O mercado brasileiro é visto como opção para 55% dos entrevistados, junto com Alemanha, França, Grã-Bretanha, Estados Unidos e Argentina. O perfil médio dos interessados em cruzar o Atlântico é de homens, entre 25 e 35 anos, com formações em engenharia, arquitetura, informática, medicina, biologia e investigação científica.

 Mas, apesar das oportunidades, o Brasil perde para outros destinos em vários quesitos. Os entrevistados da pesquisa ressaltam insegurança, falta de serviços públicos de qualidade, instabilidade econômica e jurídica para quem quer criar um negócio próprio e a distância de seus lugares de origem como barreiras a levar em consideração.

Wimbledon quer acabar com os gemidos dos jogadores

Quem já assistiu a qualquer torneio de tênis já percebeu que alguns jogadores, homens e mulheres, são razoavelmente barulhentos ao jogar -- assistir a vários jogos com esses gemidos e grunhidos não deve ser lá muito agradável. Pelo visto, isso pode estar com os dias contados. O chefe de Wimbledon, Ian Ritchie, quer acabar com esses gemidos -- em entrevista ao Daily Telegraph, ele disse que essas manifestações dos jogadores são desagradáveis para os espectadores e os incomodam, e tiram a atenção dos jogadores. "Somos apenas um torneio em um circuito global, mas deixamos clara nossa opinião e gostaríamos de ver menos disso", disse ele.

O jornal inglês informa que Victoria Azarenka, de Belarus, "uma jogadora frequentemente criticada por seus gemidos", atingiu níveis quase recordes este ano quando máquinas registradoras de ruído gravaram seus gemidos em 95 decibeis. De acordo com o jornal, os grunhidos de Azarenka "excederam 1,5 segundos cada vez que ela atingiu a bola".

Jogadores são autorizados a reclamar do árbitro, se sentirem que os gemidos dos adversários desviam sua atenção. O Daily Telegraph não atribui esse problema a jogadoras, mas não menciona jogadores conhecidos como gemedores -- embora, aparentemente, isso realmente parece ser mais comum entre as mulheres, há jogadores que também são chatos com seus gemidos. O gemido mais alto já registrado é de Maria Sharapova, que alcançou 105 decibeis em 2009 -- isso é tão alto quanto a buzina de um carro a um metro de distância.

Para Ian Ritchie, esse problema dos gemidos é "um problema de educação entre os jogadores mais jovens", acrescentando que "se me perguntarem qual o assunto mais abordado nas cartas que recebo eu diria que essa questão dos gemidos está alta na lista".
A "gemeção" da tenista Azarenka (vídeo de btbadger3331).

Polícia inglesa prende suspeito de ser hacker da CIA

A polícia inglesa prendeu um suspeito de ser um hacker ligado a uma série de quebras de segurança online, incluindo ataques aos sites da Agência de Crimes Graves Organizados, do Reino Unido (Soca, em inglês), e da CIA. O jovem de 19 anos foi preso segunda-feira à noite em Wickford, cerca de 50 km a leste de Londres, como parte de uma operação conjunta com o FBI, informou a Scotland Yard.

"A prisão resulta de uma investigação sobre invasões de redes e ataques de negativa de serviço distribuído (DDoS, em inglês) contra agências internacionais de negócios e de inteligência, pelo que se acredita ser um mesmo grupo de hackers", disse a polícia. A prisão ocorreu depois que um ataque DDoS obrigou a Soca a desligar seu site na segunda-feira. Tais ataques prejudicam websites seriamente, sobrecarregando-os com tráfego, e são comparados pelos hackers a manifestações pacíficas de ocupação de edifícios, repartições, etc.

A responsabilidade pela quebra de segurança foi reivindicada pelo LulzSec, um grupo de hackers que diz que os DDoS são sua "munição menos poderosa e mais abundante". O grupo foi formado depois de uma cisão do grupo Anonymous, que no ano passado atacou organizações que cooperaram com uma operação americana de punição do WikiLeaks. Outros ataques reivindicados pelo LulzSec foram os feitos ao site público da CIA e aos servidores da Sony. Todos os três ataques foram investigados, o que levou à prisão feita, informa a Scotland Yard.

Especialistas em segurança que assessoram o FBI identificaram o suspeito como Ryan Cleary, cujos detalhes foram publicados no mês passado em um site de responsabilidade do Anonymous. Uma postagem no blogue do grupo acusou Cleary de organizar um "golpe de estado" contra o Anonymous, em protesto contra sua "estrutura de comando sem liderança". LulzSec zombou da ideia de que Cleary fosse o "cérebro" da organização.

LulzSec disse nesta semana que as duas organizações juntaram forças para uma nova campanha, denominada Antisec, que roubaria e vazaria informações de governos, bancos, e "outros estabelecimentos de alto nível".

O Sol acorda e a Terra sofre as consequências

O sol está acordando, e no dia 7 de junho acordou Michel Hesse -- às 5:49 da manhão o cientista solar recebeu um alerta no seu smartphone. Uma nave espacial da NASA tinha visto uma rajada de raios-X "esticando-se" de uma mancha solar -- a "rajada" era uma explosão solar, e "uma excepcionalmente grande", disse Hesse.

O sol tem estado quieto por anos, no nadir (ponto mais baixo) de seu ciclo de atividades. Mas, desde fevereiro a nossa estrela vem cuspindo erupções e plasma como um dragão enraivecido -- e o trabalho de Hesse é vigiar essas erupções. E, se houver uma grande na nossa direção, Hesse tem que saber disso e rápido, para que ele possa alertar a indústria de energia elétrica para que ela possa preparar-se para uma tempestade geomagnética capaz de tirar de operação partes importantes da rede elétrica americana.

Um vídeo da erupção captado pelo Observatório de Dinâmica Solar da NASA mostrou uma enorme coluna emergindo do sol -- mas, mas essa demonstração de "cólera" solar não é como a de 1859. No dia 1° de setembro deste ano, ocorreu a maior explosão solar de que se tem registro, testemunhada pelo astrônomo inglês Richard Carrington. Enquanto traçava características da superfície solar, que Carrington havia projetado sobre papel através do telescópio, ele viu um lampejo súbito emergindo de um ponto negro. Embora tais manchas solares tivessem despertado curiosidade por séculos -- Galileu também traçou-as no começo dos anos 1600 -- Carrington não tinha ideia do que esse lampejo podia significar.

Poucas horas depois, os operadores de telégrafos souberam a resposta. Seus longos trechos de fios trançados funcionaram como antenas para essa enorme onda de energia solar. À medida que ela se acelerava, transmissores se aqueceram e alguns pegaram fogo.

Um "evento Carrington" como esse voltará a acontecer um dia, mas nossa civilização super-enredada em fios sofrerá perdas muito maiores do que algumas casinhas de telégrafos como em 1859. Satélites de comunicações serão colocados fora de operação. Transações financeiras cronometradas e transmitidas por esses satélites não serão concluídas, causando milhões ou bilhões em perdas. Os sistemas de GPS ficarão instáveis. Astronautas na estação espacial se agruparão em um módulo blindado, como já fizeram três vezes na década passada devido ao "tempo (no sentido de clima) no espaço", o termo científico para toda atividade solar estranha. Voos entra a América do Norte e a Ásia, sobre o Polo Norte, terão que ser redirecionados, como ocorreu em abril durante uma tempestade solar fraca a um custo para as linhas aéreas de 100 mil dólares um voo. E oleodutos, particularmente no Alasca e no Canadá, sofrerão corrosão pois, assim como as linhas de transmissão elétricas, conduzem a eletricidade decorrente da tempestade solar.
  O sol está se aproximando do pico de seu ciclo de atividades, cuspindo explosões e plasma (Foto: The Washington Post).
Duas fotos sucessivas de uma explosão solar em evolução. O disco solar foi bloqueado nessas fotos, para uma melhor visualização da explosão (Foto: Wikipedia).
Como o "tempo (no sentido de clima)no espaço" afeta a Terra (Fonte: NASA - Gráfico por Bonnie Berkowitz e Alberto Cuadra -- The Washington Post).
Vulneráveis ao "tempo no espaço": Satélites e dispositivos GPS - Oleodutos - Comunicações de aeronaves - Estação espacial internacional - Redes elétricas - Suprimento de água - (Clicar na figura para ampliá-la).