domingo, 3 de abril de 2011

Avanços da ciência, aqui e lá fora (53)

  • Microrrobôs estão quase prontos para atuar no corpo humano -- O filme Viagem Fantástica, um clássico da ficção científica, tem servido de inspiração a cientistas na busca do projeto de robôs microscópicos que, no futuro, possam entrar no corpo humano e fazer cirurgias e tratamentos em nível molecular. Esse futuro ainda está distante, mas a equipe do Dr. Brad Nelson, do Instituto Federal de Tecnologia da Suiça, busca incessantemente esse objetivo  e recentemente apresentou a última versão de seus microrrobôs, que já têm tamanho suficiente para fazer cirurgias em moscas. Leia mais.
 Para simplificar o projeto os microrrobôs não têm sistema próprio de locomoção, sendo guiados por campos magnéticos externos. Na foto o microrrobô aparece ao lado de uma mosca, para comparação de dimensões. (Imagem: ETHZ)

A poluição em 25 grandes cidades da Europa

A redução da poluição permitiria aumentar significativamente a expectativa  de vida e ganhos financeiros se houvesse maior redução de partículas finas no ar nas cidades europeias, cientistas constatam após a publicação do estudo Aphekom "Qual é a cidade mais poluída da Europa?". O estudo mostra também que viver perto de rodovias movimentadas aumenta a carga de doenças atribuíveis à poluição atmosférica, e reforça os benefícios de se regulamentar a poluição próximo a tais rodovias além do que já foi estipulado pela legislação específica vigente hoje na Europa. Bucareste foi considerada a mais poluída das cidades analisadas e Estocolmo foi a que apresentou o ar mais saudável. Leia mais.

O projeto Aphekom destina-se a aprimorar o conhecimento e a comunicação para a tomada de decisões sobre poluição atmosférica e saúde na Europa. Esse estudo sobre as 25 cidades mais poluídas da Europa durou dois anos e meio (de julho de 2008 a março de 2011) e ocupou mais de 60 cientistas e especialistas dessas cidades. Ele foi cofinanciado pelo Programa da Comunidade Europeia para Ação Comunitária no Campo da Saúde Pública e por várias instituições nacionais e locais que têm alocado recursos para a consecução dos objetivos desse projeto.

Estados Unidos devolvem artefatos retirados de Machu Pichu

A Universidade de Yale (EUA) acaba de fazer o primeiro embarque de artefatos retirados há cerca de 100 anos das famosas ruínas da cidade inca de Machu Pichu e levados àquela instituição acadêmica pelo explorador americano Hiram Bingham III, um aluno de Yale que redescobriu aquela cidade em 1911 -- esse gesto encerra uma disputa mal humorada em torno dessas peças e outras retiradas de Machu Pichu.

O presidente peruano Alan Garcia -- que liderou uma vigorosa campanha para reaver a coleção de 46 mil peças de cerâmica, joalheria e ossos -- recebeu um lote dessas relíquias no palácio presidencial em Lima. Os artefatos chegaram ao palácio do governo em caminhões de carga decorados com enormes imagens das ruínas incas, escoltados pela polícia depois de terem chegado por via aérea de Nova Iorque. "Este é o verdadeiro tesouro de nosso passado, feito pelas mãos de nossos ancestrais", disse Garcia. As peças serão abrigadas em um museu anexo a uma universidade em Cusco, cidade em cuja região se localiza Machu Pichu -- essa decisão cumpre exigência imposta pela Universidade de Yale para devolução das relíquias. Leia mais.

 Uma vista das fantásticas ruínas de Machu Pichu.

É intressante obervar que a pressão peruana segue um movimento mundial de países que tiveram tesouros arqueológicos retirados de seus territórios e levados para outros países -- o exemplo mais patente disso é o do Egito, que tem exercido fortes pressões sobre a Inglaterra e a França, por exemplo, para reaver relíquias suas que lá se encontram.

Avanços da ciência, aqui e lá fora (52)

  • Conheça o interior da primeira espaçonave privada -- O repórter Richard Scott, da BBC, foi o primeiro jornalista a nave espacial da Virgin, em construção no deserto de Mojave, Califórnia (EUA). O objetivo é levar milhares de pessoas ao espaço nos primeiros anos (nos últimos 50 anos entre 400 a 500 pessoas foram ao espaço). A passagem custará cerca de 330 mil reais e 400 pessoas já a compraram. Leia mais.
  • Rumo aos ciborgues: componente eletrônico é feito com sangue humano -- Parece pura ficção científica, mas já está deixando de sê-lo. Um grupo de cientistas indianos deu um verdadeiro salto no campo  da biomecatrônica, ao descobrir como fabricar um memristor usando células do sangue humano -- um memristor é uma espécie de elo perdido da eletrônica, um quarto elemento que possui características que não podem ser reproduzidas com os três componentes tradicionais: resistores, capacitores e indutores. Leia mais.
Como seu funcionamento lembra muito o comportamento de organismos vivos muito simples, os cientistas comparam os "memristores" a "sinapses artificiais" [em Fisiologia, sinapse é o local de contato entre os neurônios, onde ocorre a transmissão de impulsos nervosos de uma célula para outra], que podrão ser usadas para criar computadores capazes de aprender. (Imagem: John Blanchard/Berkeley)

    sábado, 2 de abril de 2011

    Microsoft apresenta queixa contra o Google na Europa

    Agora é a Microsoft que se queixa do Google ... É uma briga de gigantes. A Microsoft solicitou a reguladores europeus que investiguem o Google com base em argumentos antitruste, acusando o gigante de busca de "entrincheirar seu domínio" na web. Ela e outros inimigos do Goole afirmam que o poderoso sistema de busca do Google e seu direcionamento a outros mercados -- desde a publicidade aos celulares e ao setor de viagens -- têm impedido a competição em toda a indústria. Por sua vez, o Google diz estar "sob sítio", vítima de um complexo industrial anti-Google liderado pela Microsoft. -- Pela primeira vez a Microsoft alega violações antitruste contra um competidor.

    Em uma postagem de blog ontem, o executivo da Microsoft Brad Smith disse que a ação da sua companhia contra o Google na Comunidade Europeia acusa o Google de "ter se engajado em um amplo padrão de procedimento de impedir o acesso a conteúdos e dados de que seus competidores necessitam para prover resultados de pesquisas para consumidores e para atrair anunciantes". Acrescenta ele que "prontamente entendemos que o Google deve continuar  a ter liberdade para inovar, mas deve ser impedido de perseguir práticas que impeçam os outros de inovar e de oferecer alternativas competitivas".

    Essa ação na Europa ocorre no mesmo momento em que o Google está sob crescente investigação nos EUA do Departamento de Justiça, da Comissão Federal de Comércio e entre procuradores-gerais de Estados. Leia mais.

    sexta-feira, 1 de abril de 2011

    Líbia: continua confusa a situação por lá e, p'ra variar, os interventores militarers não se entendem entre si

    A situação real dos conflitos na Líbia permanece confusa, não se sabe exatamente o que está acontecendo e, p'ra variar, os interventores militares não se entendem entre si. A nítida impressão que se tem é que ali se trava uma guerra atípica, com as grandes potências militares intervenientes como EUA, França e Inglaterra, claramente desacostumadas e desconfortáveis com esse tipo de guerra "pela metade", em que só atuam por via aérea, sem tropas terrestres.

    As duas principais autoridades do setor de defesa dos EUA, o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, almirante Mike Mullen, e o secretário de Defesa, Robert Gates, afirmaram ontem que a ofensiva aérea da chamada coalizão internacional na Líbia já destruiu 25% do poderio militar de Muamar Kadhafi. Mas, segundo Mullen, em termos de armamentos e forças terrestres o efetivo de Kadhafi ainda é dez vezes maior que o dos rebeldes, e "Kadhafi vai matar quantas pessoas forem necessárias para por fim à rebelião", acrescenta ele. As declarações de Mullen e Gates foram feitas durante reunião de comissão do Congresso americano que analisa o envolvimento do país nas ações na Líbia.

    Por sua vez, Robert Gates afirmou que os aliados internacionais que hoje atuam contra Kadhafi têm a responsabilidade de treinar os rebeldes -- "A oposição precisa de treinamento, um tipo de comando e organização", disse ele, acrescentando não é uma tarefa que só os EUA podem cumprir, até onde sei outros podem também se responsabilizar por ela". Questionado se haverá militares americanos em solo líbio, Gates respondeu "Não enquanto eu ocupar este cargo".  -- Pouco antes da reunião de que participaram Mullen e Gates, o secretário-geral da OTAN (organização que, oficialmente, coordena a intervenção militar na Líbia), Anders Fogh Rasmussen, disse que se opõe ao fornecimento de armas aos rebeldes líbios, alertando que a aliança internacional que estava intervindo na Líbia o fazia para proteger o povo, não para armá-lo. Acho esta uma afirmação de fachada e com forte carga de hipocrisia. Leia mais. Ver também postagem anterior sobre a intervenção na Líbia.
    Robert Gates (esquerda) e Mike Mullen falam sobre a Líbia em comissão do Congresso americano. (Getty)

    Faltam 600 milhões de euros para a construção de um novo invólucro protetor para a usina de Chernobyl

    Há 25 anos atrás explodia a usina nuclear de Chernobyl, localizada na Ucrânia, na ainda existente União Soviética, provocando o maior desastre no setor nuclear do planeta, agora secundado pela explosão da usina nuclear de Fukushima Daiichi no Japão. Ontem, em uma visita de profissionais da imprensa à usina, autoridades ucranianas fizeram soar o alarme de que faltam hoje cerca de 600 milhões de euros (de um total de cerca de 1,5 bilhão) para financiar a construção de um novo invólucro protetor para aquela usina acidentada.

    "O programa de trabalho completo está hoje avaliado em 1,54 bilhão de euros, dos quais 900 milhões destinam-se apenas ao invólucro", afirmou Volodymyr Kolocha, diretor da zona de exclusão da usina, explicando que as despesas adicionais se referem a serviços de preparação, descontaminação da área, e  de instalação de sistemas de segurança nuclear. "Daquele montante, cerca de 940 milhõesde euros já foram anunciados e coletados nos fundos destinados a Chernobyl, faltando então cerca de 600 milhões de euros", acrescentou Kolocha.

    O invólucro protetor atual da usina, construído em regime de urgência logo após a catástrofe de 1986, provoca "um pouco de rejeitos, mas sua quantidade é insignificante", informa Kolocha. Esse invólucro "pode ser útil ainda por 15 anos" depois dos trabalhos de consolidação que estão sendo realizados, acrescenta ele, qualificando de "estável" a situação ecológica na região e afirmando que ela "não provoca receios". Leia mais. Veja também postagem anterior sobre Chernobyl.
    Vista da central nuclear de Chernobyl em 17/9/2007. (AFP/Genia Savilov)