domingo, 24 de fevereiro de 2013

As praias mais bonitas do Brasil e do mundo, segundo o guia TripAdvisor

[O texto abaixo é da autoria de Luciana Carvalho e foi publicado no dia 22/2 no site Exame.com]

Para quem gosta de praia, há pedaços do paraíso distribuídos em diferentes lugares do Brasil e do mundo. O site de viagens TripAdvisor reuniu as opiniões dos usuários e elegeu esses destinos considerados como os mais belos já visitados pelos turistas. A praia mais bonita do planeta, segundo o ranking Traveler's Choice 2013 divulgado nesta semana, é a Isola Dei Conigli [Ilha dos Coelhos], na Itália.

Entre as 10 primeiras do mundo, o Brasil teve o privilégio de ser representado por duas praias: Baía do Sancho, em Fernando de Noronha, que ficou no 4º lugar, e Praia de Lopes Mendes, na Ilha Grande, Rio de Janeiro, que apareceu em 7º. As duas ficaram, respectivamente, na primeira e segunda posição na lista tupiniquim de praias paradisíacas. No ranking brasileiro, quatro estão no estado de Pernambuco e quatro estão no Rio de Janeiro. O país também se sobressaiu na lista mundial ao ser o único a ter duas representantes no Top 10. Confira abaixo as praias que tiveram destaque aqui e lá fora.

Posição Praia no Brasil Onde fica
Baía do Sancho Fernando de Noronha (PE)
Praia de Lopes Mendes Ilha Grande (RJ)
Baía dos Porcos Fernando de Noronha (PE)
Ilha de Santo Aleixo e Praia dos Carneiros Porto de Galinhas (PE)
Baía dos Golfinhos Pipa (RN)
Ipanema Rio de Janeiro (RJ)
Lagoa Azul Ilha Grande (RJ)
Arpoador Rio de Janeiro (RJ)
Muro Alto Porto de Galinhas (PE)
10º Praia do Gunga Maceió (AL)

Baía do Sancho, Fernando de Noronha (PE): 1º no Brasil e 4º lugar no mundo - (Foto: Felipe Goifman/Viagem e Turismo).

Praia de Lopes Mendes, Ilha Grande (RJ): 2º lugar no Brasil e 7º lugar no mundo - (Foto: Google).

Baía dos Porcos, Fernando de Noronha (PE): 3º lugar no Brasil - (Foto: Google).

Ilha de Santo Aleixo e Praia dos Carneiros, Porto de Galinhas (PE): 4º lugar no Brasil - (Foto: Divulgação).


Praia dos Golfinhos, Pipa (RN) - ambas as fotos acima - (Fotos: Google).

Ipanema, Rio de Janeiro: 6º lugar no Brasil - (Foto: Google).

Lagoa Azul, Ilha Grande (RJ): 7º lugar no Brasil - (Foto: Google).

Arpoador, Rio de Janeiro: 8º lugar no Brasil - (Foto: Google).

Praia de Muro Alto, Porto de Galinhas (PE): 9º lugar no Brasil - (Foto: Divulgação).

Praia do Gunga, Maceió (AL): 10º lugar no Brasil - (Foto: Carlos Goldgrub/Viagem e Turismo).


Posição Praia no Mundo Onde fica
Spiaggia dei Conigli Itália
Grace Bay Turks e Caicos
Whitehaven Beach Austrália
Baía do Sancho Fernando de Noronha, Brasil
Playa Flamenco Porto Rico
Playa de las Catedrales Espanha
Praia de Lopes Mendes Ilha Grande, Brasil
Horseshoe Bay Beach Bermuda
Eagle Beach Aruba
10º Rhossili Bay País de Gales
 
Praia dos Coelhos (Sicília, Itália) - (Foto: Google).

Praia de Grace Bay, do Spa Turks & Caicos (Islas Providenciales, Caribe) - (Foto: La Nación).

Whitehaven Beach (Queensland, Australia) - (Foto: La Nación).

Praia do Sancho, Fernando de Noronha - (Foto: La Nación).

Playa Flamenco (Culebra, Porto Rico) - (Foto: La Nación).

Playa de las Catedrales (Ribadeo, Espanha) - (Foto: La Nación).

Praia Lopes Mendes, Ilha Grande - (Foto: La Nación).

Horseshoe Bay Beach (Praia da Baía da Ferradura), Southampton Parish (Bermudas) - (Foto: La Nación).

Eagle Beach (Praia da Águia), Aruba - (Foto: La Nación).

Rhossilli Bay, Rhossilli, Swansea - País de Gales (Grã-Bretanha) - (Foto: La Nación).

Mozilla lança sistema operacional para smartphones contra Apple e Google

A Mozilla anunciou neste domingo (24) um sistema operacional para smartphones, chamado de Firefox OS. O objetivo é combater o domínio de Google e Apple nesse mercado -- as duas empresas juntas acumulam 90% das vendas. Para tarefa de tal envergadura, a Mozilla conseguiu reunir o apoio de vários pesos-pesados do setor, incluindo 18 operadoras telefônicas e alguns dos maiores produtores de aparelhos e peças para celulares.

O Brasil deverá ser um dos primeiros países a receber os novos aparelhos, que chegam ao mercado no meio do ano, segundo anúncio feito na véspera da abertura do Mobile World Congress -- a maior feira do mundo no setor, realizada a partir de amanhã em Barcelona. 

Conceitualmente, o sistema novo caminha no sentido bem diferente do trilhado pelo Android (do Google) e pelo iOS (da Apple), que funcionam num modelo de aplicativos baixados a partir de lojas exclusivas.

O Firefox está baseado em tecnologia HTML5, uma evolução dos protocolos utilizados na internet usual. Com isso, programas e conteúdos para os novos aparelhos podem ser desenvolvidos livremente, sem depender da aprovação de empresa nenhuma para ir ao ar, e estarão integrados aos buscadores usuais (como Google e Yahoo). "A internet não deve ser controlada por ninguém, nunca", disse Gary Kovacs, presidente da Mozilla, empresa controlada por uma fundação (sem fins lucrativos) e responsável pelo navegador de internet Firefox. "Esse é um modelo falido e precisa mudar".

Dilema das empresas francesas: que idioma aprender -- português, chinês, russo ou árabe -- para instalar-se no exterior?

[É sempre interessante conhecer a visão, não raro simplória, que os estrangeiros têm sobre outros países, inclusive e principalmente o Brasil. O texto que traduzi abaixo, publicado no Le Figaro em 04/2/13, é da autoria de Kelformation - Agnès Wojciechowicz. Embora voltado para os franceses, o texto se aplica em tese a qualquer país cujas empresas queiram estabelecer-se nos países "da moda". O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]

Com a crise, há inúmeras empresas francesas se estabelecendo no exterior. As instituições de formação já se deram conta disso e oferecem cursos de português, chinês, russo e árabe. A seguir, as questões sobre as línguas da moda e as razões para escolhê-las.






CHINÊS

Cerca de 850 empresas francesas estão hoje instaladas na China. O Império do Meio tornou-se um maná para as empresas francesas que ali investem há 20 anos. Aeronáutica, transportes, equipamentos industriais, construção, agronegócio, bancos, química, farmacêutica ... A fina flor da indústria francesa está ali bem estabelecida. Para trabalhar em uma dessas filiais é preciso saber a língua chinesa, porque os chineses dominam pouco o inglês segundo um estudo publicado pelo Education First, um organismo de instrução internacional.

Ainda que o chinês permaneça difícil com seus 50.000 sinogramas, é preciso eliminar certas ideias preconcebidas. "A gramática é muito simples, porque não há declinação nem conjugação", observa Mariarosaria Gianninoto, professora-assistente de estudos chineses na Universidade de Grenoble 3. "A parte oral é facilitada porque se usa o "pinyin", isto é, a escrita do chinês com alfabeto latino", completa Michaela Karp, responsável por línguas no Demos [uma "usina de ideias" (think tank) americana fundada em 2000]. Para adquirir desembaraço na conversação é necessário, no entanto, contar com 100 a 120 horas de curso e outro tanto de trabalho individual.

ÁRABE

Dubai, Abu Dhabi, Qatar, Bahrein, Emirados Árabes Unidos ... Além de seus recursos naturais, os países do Golfo Pérsico exercem uma forte atração sobre os grupos franceses que vêem ali a oportunidade de vender seu know-how. Construção, defesa e aeronáutica, infraestrutura, petroquímica, petróleo e gás, meio ambiente são os setores econômicos franceses mais atuantes nessa região do globo.

Ainda que os empresários da região dominem bem o inglês, o domínio do árabe pode facilitar a concusão de um contrato ou a obtenção de um pedido de quotação. É verdade que "para quem nunca teve noções da língua, que funciona diferentemente da nossa", reconhece Michaela Karp [é bom lembrar que o texto se refere ao francês]. Embora o alfabeto não tenha mais que 28 letras, as dificuldades começam com a leitura da direita para a esquerda, o número reduzido de vogais, a pronúncia de sons guturais ... "As letras mudam em função de sua posição em uma palavra", acrescenta ela. Para dominar o básico da língua, é preciso prever um mínimo de 150 a 200 horas de curso para um iniciante.

PORTUGUÊS

Mais e mais franceses se interessam pelo Brasil. Embora a beleza de suas praias seja um atrativo, é o desenvolvimento econômico do país que os torna sonhadores. "Nestes últimos anos, houve uma retomada do interesse pelo português, ligado ao Brasil", confirma Mariarosaria Gianninoto. Em 20 anos, o país tornou-se um gigante da economia mundial com um crescimento de 4,5%. Cerca de 450 empresas francesas atuam no Brasil, gerando 400.000 empregos nas áreas de aeronáutica, automobilística, agronegócios, distribuição atacadista, química, turismo, transporte. As línguas estrangeiras como o inglês e mesmo o francês são reservadas à elite e, por isso, são de pouco domínio pela população em geral. O português é portanto indispensável para os entendimentos com dirigentes de pequenas e médias empresas do Rio Grande do Sul, ou com produtores agrícolas do Mato Grosso, por exemplo.

O português é uma língua mais fácil para principiantes. "É uma língia neolatina como o francês, com raízes linguísticas e estruturas gramaticais comuns, tornando possível portanto fazer-se entender e ser entendido rapidamente", explica Mariarosaria Gianninoto.  A tal ponto, que o aluno "pode iniciar seu aprendizado sozinho, por conta própria", observa Michaela Karp. O domínio do básico do idioma exige cerca de 60 horas de curso.

RUSSO

Os franceses não esperaram pela crise para investir na Rússia. A instalação de grupos franceses no país remonta à Glasnot ["transparência" em russo -- política implantada no governo de Mikhail Gorbachev  (1985-1991), que terminou com a queda da União Soviética], e prosseguiu com o fim da era soviética e a abertura do país para o ocidente. Todos os grandes setores econômicos franceses estão ali instalados. Mas, o tempo em que o francês era a língua oficial da corte russa foi lindo e já passou. Doravante, seja no caso de uma expatriação ou de uma cooperação, um conhecimento básico de russo se faz necessário.

A primeira dificuldade para quem deseja aprender a língua russa é a necessidade de se aprender o alfabeto cirílico. Pertencendo ao grupo de línguas indo-europeias como o francês, o russo tem raízes ligadas ao latim -- visíveis sobretudo num sistema de declinações muito complexo. "Não se trata de uma língua muito confusa", assegura Michaela Karp. "E quem estudou latim não deverá ter muita didiculdade com ela". Para aprender os rudimentos da língua, é melhor prever entre 80 e 100 horas de curso e outro tanto de trabalho individual.

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[Um aprendizado de língua estrangeira correto e bem feito é um excelente meio para se conhecer e utilizar melhor a própria língua, porque a comparação entre os dois idiomas é automática e intuitiva. Por oportuno, traduzo aqui as primeiras linhas do primeiro capítulo do livro "A History of the English Language", Albert C. Baugh e Thomas Cable, 4ª edição, Routledge (London), 1997 -- uma obra interessantíssima e extremamente útil para quem estiver interessado na língua inglesa. 

Embora dirigido para o inglês, o texto se aplica a qualquer idioma: "Como observou o notável historiador do século 12 Henrique de Huntington, o interesse pelo passado é uma das características que distinguem os humanos dos animais. O meio pelo qual os falantes de uma língua comunicam suas ideias e seus sentimentos para outros, a ferramenta com a qual realizam seus negócios ou governam milhões de pessoas, o veículo com o qual se transmitiu a ciência, a filosofia, a poesia de uma cultura é sem dúvida digno de estudo.  Não se espera que todos sejam filólogos, ou dominem as tecnicidades da ciência linguística. Mas, é razoável esperar que uma pessoa educada de maneira liberal deva conhecer algo da estrutura de sua língua, sua posição no mundo em relação a outros idiomas, a riqueza de seu vocabulário juntamente com as fontes através das quais esse vocabulário foi e tem sido enriquecido, e as relações complexas entre as muitas diferentes variedades de expressão agrupadas sob o nome único de língua inglesa".] 


Governo negocia participação da Eletrobras em projeto na Nigéria. A que custo?

A presidente Dilma Rousseff afirmou neste sábado, em Abuja, Nigéria, que deixa a África após uma visita de dois dias com a certeza do interesse dos países do continente em aumentar as parcerias com o Brasil. O governo negocia com a Nigéria a participação da Eletrobras em um projeto para fortalecer o sistema elétrico do país africano. O governo brasileiro também articulou com os nigerianos a possibilidade de empresas brasileiras participarem de empreendimentos nos setores de processamento de alimentos, infraestrutura de transportes e na construção de refinarias de petróleo.

A presidente acrescentou que os países africanos querem principalmente cooperação na produção agrícola e na fabricação de medicamentos e contar com a presença das grandes construtoras brasileiras em projetos de infraestrutura. Na avaliação de Dilma, o importante na cooperação entre países em desenvolvimento é o fato de as conversas terem sido feitas na base da "mutualidade".

"Nós não nos achamos superiores a ninguém, até porque compartilhamos algumas condições muito semelhantes", disse Dilma em entrevista a jornalistas brasileiros antes de voltar para Brasília, acrescentando que na cooperação Sul-Sul os países não impõem condicionalidades aos outros. "Isso significa que o Brasil é visto de uma forma amigável. Não somos vistos como um país que chega e impõe, que é dono da razão e de nariz em pé".  Segundo Dilma, o Brasil também tem a oferecer sua experiência no combate à pobreza. "Nisso, o Brasil é imbatível. Isso eles querem, todos querem."

Dilma concedeu uma rápida entrevista depois de reunir-se com o presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan. Perguntada sobre questões econômicas e se algumas medidas do governo estariam demorando a surtir efeito, Dilma desconversou e disse que precisava dar prosseguimento a sua agenda. "Acalmem-se", disse aos jornalistas.

Em declaração à imprensa, o presidente nigeriano também defendeu um aprofundamento das relações entre os empresários dos dois países e disse ver oportunidades de negócio nos setores de agricultura, defesa, petróleo, energia, biocombustíveis, mineração, aviação e infraestrutura.

[Engana-se quem acha, pela notícia acima, que nossa eternamente afável Dona Dilma está dando gás à Eletrobras. Atuação através de acordos entre países significa valor comercial zero, na melhor das hipóteses com reembolso de despesas, é ação exlusivamente estatal, entre "amigos" -- é, praticamente, uma ação beneficente. O aprendizado comercial e empresarial da Eletrobras será praticamente nulo. Se continuar enveredando por esse caminho de eterno braço estatal no exterior, a empresa jamais adquirirá experiência e tino empresariais para competir no exterior com quem tiver essencialmente a visão de negócio. Continuará eternamente uma estatal, também lá fora, só que com custos ampliados.

Esse compromisso que nossa doce ex-guerrilheira joga no colo da Eletrobras chega num péssimo momento para a empresa, em que se admite até sua extinção por conta dos efeitos devastadores da MP 579 em sua estrutura econômico-financeira.  Essa jogada na Nigéria tem todo o perfil e conteúdo de mais um exemplo de administração por eructação que vemos há uma década sob o governo petista. Já vi esse filme inúmeras vezes nos meus dez anos de área internacional da Eletrobras, principalmente na África. O Brasil lá chega cheio de pompas e circunstâncias, com missões de alto nível (presidenciais e/ou ministeriais), faz um auê danado, assina papeladas de acordos e, depois, desaparece do cenário. O nível de continuidade de atuação estatal é zero, principalmente na área elétrica, por falta absoluta de visão lato sensu, de planejamento idem e de autocrítica idem -- o Estado brasileiro promete coisas que sabe que não irá cumprir, nem se esforça para cumprir. Com esse histórico e esse presente, passamos a imagem de um país que não dá continuidade a seus projetos de cooperação, que não dá a devida importância a seus parceiros potenciais, o país do fogo de palha. E assim, direta ou indiretamente, o governo acaba atrapalhando em vez de ajudar a atuação de nossas grandes empresas e consultores no exterior.]

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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Empresas de tecnologia fundadas por mulheres geram resultados melhores

Empresas de tecnologia de capital fechado conduzidas por mulheres são mais eficientes financeiramente, alcançam retorno sobre investimento 35% maior e, quando recebem aporte de capital, trazem ganhos 12% superiores em comparação às companhias que têm donos homens. Isso segundo uma nova pesquisa apresentada recentemente em uma conferência em São Francisco, organizada pela Women 2.0, uma empresa de mídia dedicada a mulheres fundadoras de negócios no setor de tecnologia. Isso indica que empreendedoras, que tradicionalmente ficam atrás de seus pares homens, estão se superando, pelo menos em alguns indicadores.

Conduzido por Vivek Wadhwa, que tem diplomas em Stanford e Duke, e Lesa Mitchell, vice-presidente da Kauffman Foundation, o estudo "Women in Technology: Evolving, Ready to Save the World” foi feito com respostas de uma pesquisa on-line com 500 mulheres no setor de tecnologia (dentro e fora dos Estados Unidos) e está agendado para ser publicado nos próximos meses.

A pesquisa mostra que a idade média das mulheres empreendedoras fundadoras de empresas de tecnologia caiu de 41 para 32 anos, comparando com dados de um estudo menor feito em 2009, e que a porcentagem das que têm nível superior aumentou, de 40% para 56%. As descobertas sobre as contribuições das mulheres para o sucesso reforçam pesquisas anteriores de fontes diversas, incluindo um relatório do Instituto de Pesquisa Credit Suisse e uma análise da Dow Jones VentureSource.

No evento, Wadhwa falou sobre as disparidades de gênero e raça no Vale do Silício, observando que as mulheres agora ficam com mais de 50% dos títulos de bacharelado e mestrado e cerca de metade dos de doutorado. Ainda assim, elas começam apenas 3% das empresas de tecnologia e quase não estão presentes nas equipes de gestores, fora posições em marketing e direito. Ele conseguiu muitos aplausos das cerca de mil mulheres (e alguns poucos homens), entre 21 e 45 anos de idade, presentes na plateia. Suas descobertas, incluindo os fatos que 33% das empreendedoras de tecnologia enfrentam "atitudes desdenhosas" de seus colegas e que 15% afirmam ter suas habilidades questionadas, surgiram em uma apresentação que ele condenou "moleques arrogantes" - homens, claro - obtendo investimento de fundos para "aplicativos bobos de mídias sociais" de investidores que esperam que eles sejam o próximo Mark Zuckerberg.

Em contraste, ele encorajou fundadoras mulheres a colocar seus pontos de vista em problemas internacionais maiores, como a melhoria do sistema de saúde, a entrega de água limpa e a reunião de dados da internet para melhorar a educação e tirar as pessoas da pobreza. A vencedora do concurso de "pitch" (apresentação direcionada aos investidores) que ocorreu no evento da Women 2.0, Lesley Marincola, administra a Angaza Design, uma empresa de Palo Alto, na Califórnia, que distribui sistemas de energia solar na África.

Os dados de Wadhwa, os quais ele diz ainda estar refinando e espera usar como parte de um livro de diversas fontes, seguem um estudo de janeiro de 2013 que analisou dados do censo dos Estados Unidos sobre mulheres donas de negócios com mais de US$ 10 milhões em faturamento. O estudo, organizado pela American Express OPEN, mostra que o crescimento em negócios abertos por mulheres com mais de US$ 10 milhões em faturamento é 47% maior do que de todas as empresas com o mesmo faturamento - entram aqui as fundadas por qualquer gênero.

O robusto crescimento dessas 12.700 companhias surpreendeu a autora do estudo, Julie Weeks. "Isso vem acontecendo sob nossos narizes, mas porque os dados específicos não haviam sido estudados antes, nós não sabíamos disso", ela diz.

O elefante Dona Dilma faz novos estragos na loja de louças chamada Brasil

Se não acharem rapidinho um bom domador, a loja de louças chamada Brasil ficará em cacos graças ao elefante Dona Dilma (o correto seria elefanta). Duas das peças mais valiosas do acervo, a Petrobras e a Eletrobras (e, com ela, o setor elétrico), já foram serissimamente danificadas. A única área da loja poupada pelo paquiderme é, estranhamente, o da indústria automobilística, sabe-se lá porquê. Há quem diga que um dos grandes culpados por esses surtos destruidores é o faxineiro da jaula do elefante, um tal de Guido Mantega, que só não é demitido porque o Dona Dilma, de pirraça, não quer fazer crer que aceitou o conselho da revista inglesa The Economist.

Outro detalhe que chama a atenção é que, frequente e aparentemente, o Dona Dilma dá a impressão de poupar outras áreas da loja além da automobilística, mas logo depois verifica-se que na realidade ninguém foi poupado. O que preocupa é que o paquiderme está desenvolvendo uma técnica e uma estratégia de destruição menos ostensivas e espalhafatosas do que a que tem usado contra a Petrobras e a Eletrobras, mas os efeitos são tão desastrosos quanto. Uma coisa já se descobriu: nessas novas investidas, o Dona Dilma está sempre envolto numa espécie de disfarce chamada "estímulo ao consumo". Há quem chame esse novo tipo de ataque de "voo de galinha" mas, convenhamos, com aquela tonelagem toda pega mal p'ro Dona Dilma.

Os defensores de elefantes dizem que o Dona Dilma tem boas intenções (imaginem se não tivesse ...) -- o problema é que o inferno está lotado de elefantes bem-intencionados. O alvo agora do Dona Dilma é o setor portuário da loja de louças, uma área sempre protegida por pelegos, servida por empregados cheios de regalia e altamente cara e ineficiente: exportar qualquer coisa por ali sai, por exemplo, pelo triplo do que se consegue na loja de louças chamada Cingapura [essa área da loja Brasil sempre foi mantida inatacada e inatacável pelo paquiderme que antecedeu o Dona Dilma, o famigerado NPA (Nosso Pinóquio Acrobata, Lula]. E quem diz isso não é nenhum detrator do Dona Dilma, é um setor do próprio circo "Palácio do Planalto" chamado "Ministério do Planejamento".  Esse setor portuário mequetrefe é um dos importantes contribuintes para o elevadíssimo custo operacional da loja de louças chamada Brasil, mesmo sem as investidas do Dona Dilma.

Quando souberam que o Dona Dilma se dirigia para seu reduto, os operários do setor portuário da loja Brasil botaram p'ra funcionar sua principal, mais ostensiva e quase única habilidade: fazer greve. Mesmo declarado ilegal pelo TST - Tribunal Superior do Trabalho, o movimento grevista paralisou 30 portos da loja Brasil e afetou exportações. Aí, o que fez o Dona Dilma? Contrariando radicalmente a lógica comportamental dos elefantes quando decididos a atacar, recuou e começou a fazer carinhos nos grevistas com sua tromba. Moral da história: os acionistas da loja vão se danar, mais uma vez. Com os pelegos grevistas irresponsáveis isso é o de menos, todos ganham muito bem e sabem que o CEO da loja Brasil não tem coragem de demití-los.

Mostrando-se desordenado como sempre, o Dona Dilma não se preparou para a hipótese de não conseguir dar o freio de arrumação que pretendia no tal setor portuário da loja Brasil. Resultado: o anabolizante que ia usar, chamado MP 595, teve sua aplicação e seus efeitos suspensos até quando não se sabe, e a loja de louças Brasil ficou impossibilitada não só de exportar seus produtos como também de importar coisas essenciais para a sua própria sustentação. Exemplo: a suspensão da aplicação da MP 595 gerou uma batalha jurídica que já ameaça o abastecimento de matérias-primas para a indústria nacional.

No início deste mês, o governo determinou o fechamento do terminal de produtos químicos da Granel Química, no porto de Santos, cujos tanques têm requisitos específicos para receber químicos para as indústrias de plástico, tinta e papel. O argumento é que o contrato está vencido e terá que haver licitação para escolher novo operador. Mas, por causa das mudanças na Lei de Portos e pela falta de um estudo para a licitação, a concorrência não tem prazo. O quadro abaixo mostra mais uma pixotada de um elefante que pode chegar a 12 toneladas de peso com a dieta pesada que tem (ineficiência, burocracia, burrocracia, tributação altíssima, etc), agravada por miopia e astigmatismo fortemente seletivos.

Mais uma desarrumação provocada pelo elefante Dona Dilma na loja de louças chamada Brasil - (Fonte: Folha de S. Paulo).




Infosys, a empresa indiana de sucesso no mundo implacavelmente competitivo da TI

[O texto abaixo é da autoria de Daniel Gross e foi publicado em 19/2 na sua coluna no site da Newsweek.]

Na política, terceirização é uma palavra tendenciosa. Mas, nos negócios, é uma atividade vital, uma enorme fonte de lucros. Ninguém sabe disso melhor que S.D. Shibulal, cofundador e atual CEO da Infosys Limited. Iniciada em 1981 com 7 empregados e modestos US$ 250, a Infosys tem hoje uma receita anual de US$ 7,23 bilhões, um valor de mercado de US$ 30 bi, e 155.000 empregados em 12 países [incluindo o Brasil, onde abriu sua filial Infosys Tecnologia do Brasil Ltda em 2009]. Ela percorreu um longo caminho, desde centrais de atendimento (call centers) e serviços de apoio (help desks), até tornar-se a consultora externa em TI e comércio virtual (e-commerce) das principais corporações do mundo. "As dimensões de valor são muito mais complexas hoje em dia", me diz Shibulal em uma sala sossegada no Fórum Econômico Mundial no mês passado em Davos, Suiça.

O início da terceirização surgiu quando empresas americanas contrataram, com salários muito menores, pessoas no exterior para executar serviços de apoio extremamente monótonos e nada criativos. Esse trabalho responde ainda por 60% do negócio da Infosys, mas a empresa prefere ser considerada como uma consultora de ponta, como a McKinsey, e não uma substituta barata para o departamento de TI. Um terço da receita da empresa vem de "consultoria e inovação de sistemas", diz Shibulal, um homem de um falar extremamente suave.  Outros 6% vêm de "produtos e plataforma" -- por exemplo, um novo posto de venda de celulares para a Nordstrom. Em 2012, a Infosys desembolsou US$ 350 milhões para comprar a Lodestone, uma empresa europeia de gerenciamento.

Nascido exatos oito anos após a independência da Índia [que se deu em 1947], Shibulal tem dirigido o sucesso da Infosys para tornar-se o 77° homem mais rico da Índia (patrimônio líquido: US$ 770 milhões). Os sucessos dos ricos globais da Índia dividem manchetes com notícias desagradáveis de corrupção política, problemas sociais e uma pobreza profundamente arraigada. "Todos os países emergentes são países de contradições. A Índia não é diferente", diz ele, e então despeja estatísticas que fariam Tom Friedman babar. "A Índia produz um milhão de engenheiros que dominam o inglês [barbaridade, tchê!], mas temos 14 milhões de crianças que não estão na escola [cerca de 1,2% da população do país, para uma população total de 1,2 bi -- o Brasil, até agosto de 2012 segundo relatório da Unicef, tinha 1.419.981 crianças de 4 a 5 anos que não estavam matriculadas no sistema de ensino, o que dá cerca de 0,7% numa população de 192 milhões].  Temos 70% de nossos serviços de saúde nas cidades, mas 70% da nossa população vivem em áreas rurais".

Shibulal mora em Boston e Bangalore, mas vive "num avião" e seus olhos cansados demonstram isso. É previsivelmente otimista sobre o futuro da Índia. "Quando cresci, tínhamos 30 milhões de pessoas na classe média -- hoje, esse número é de 350 milhões", diz ele. A Índia se provou adepta de "inovações frugais" que garantem, a preços muito menores, acesso a bens com os quais os consumidores dos países desenvolvidos estão acostumados sem dar-lhes o devido valor. Shibulal cita o Tata Nano, um microcarro vendido a US$ 3.000, e uma máquina que pode tirar eletrocardiogramas por um dólar. Empresas americanas, ele comenta, podem prosperar na  Índia simplesmente fabricando um refrigerador menor e mais barato. "Ainda assim, não há energia elétrica para ele", diz ele. "O problema é criar um regrigerador novo, capaz de manter-se frio mesmo que a energia falte durante duas horas". 

Quando lhe pergunto o que faz a Infosys para garantir que consiga operar com padrões globais dentro da Índia, os olhos de Shibulal se iluminam. "Você perguntou, então não consigo resistir". Pegou um tablet e mostrou um giro aéreo sobre um campus de 400 acres [cerca de 1,6 milhão de ] em Mysore, a cerca de 145 km a sudoeste de Bangalore. É do tamanho de uma universidade: 93.000 de salas de aula, um centro de desenvolvimento de software que pode abrigar 10.000 pessoas, e edifícios residenciais que alojam 14.000 empregados (nos telhados dos prédios lê-se do alto INFOSYS) [isso é de cair o queixo -- é iniciativa de uma única empresa! Pobre Brasil!]. "Você quer ver nossas instalações para coletar água de chuva?", ele pergunta, focalizando um enorme reservatório. "É um local de descarga zero. Cada gota d'água que captamos nós a bombeamos de volta para o meio ambiente". O campus tem uma praça de alimentação, um restaurante, um cinema, e um campo de cricket.

Aquilo podia ser uma instalação no Vale do Silício, ou na suburbana Cincinatti. Na realidade, o terceirizador indiano está hoje contratando pessoas nos EUA -- 400 delas no último trimestre. "Os EUA são quem mais gasta na nossa área, e trabalhamos com muitas grandes corporações localizadas lá. Sendo assim, fazemos recrutamento no mercado local", diz Shibulal. Entretanto, ele -- que tem mestrado pela Universidade de Boston e passou cinco anos na Sun Microsystems -- lamenta a escassez de engenheiros e operários de tecnologia nos EUA [imagine o perrengue que a Infosys brasileira deve passar quanto a esses tipos de mão de obra no país!]. "Na nossa indústria, nos EUA, o desemprego é de 3,5%", diz ele. "Ainda assim, enquanto estamos recrutando pessoas em grandes números nos EUA, temos tido dificuldade para encontrar mão de obra mesmo com o desemprego existente". 

S.D. Shibulal, CEO da infosys - (Foto: Adeel Halim/Bloomberg, via Getty).