terça-feira, 21 de junho de 2011

Estudo diz que Brasil tem carga tributária "leve" para ricos

Um levantamento feito por uma associação internacional de consultorias, a UHY, indicou que o Brasil tem uma carga tributária considerada leve para as classes mais altas. Acho que sempre houve uma desconfiança generalizada no país de que isso era um fato, mas parece que agora tem-se a confirmação disso com o preto no branco. A UHY é uma das redes líderes mundiais em assessoramento, consultoria e contabilidade de negócios, com cerca de 240 escritórios em 78 países -- no Brasil ela tem quatro escritórios plenos (Brasília, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo) e um chamado "escritório de ligação" em Porto Alegre.

Segundo a rede UHY, com sede em Londres, um profissional no Brasil que recebe até US$ 25 mil por ano – cerca de R$ 3.300 por mês – leva, após o pagamento de imposto de renda e previdência, 84% do seu salário para casa. Já os profissionais que recebem US$ 200 mil por ano – cerca de R$ 26.600 por mês – recebem no final cerca de 74% de seu pagamento. Entre 20 países pesquisados pela UHY, essa diferença de cerca de 10 pontos percentuais é uma das menores.

Na Holanda, onde um profissional na faixa mais baixa recebe um valor líquido semelhante ao do Brasil após os impostos e encargos (84,3%), os mais ricos levam para casa menos de 55% do salário. A lógica também se aplica a todos os países do G7, o grupo de países mais industrializados do mundo (EUA, Canadá, Japão, Grã-Bretanha, Alemanha, França e Itália). Nos EUA, enquanto os mais ricos levam para casa 70% do salário, os profissionais na faixa dos US$ 25 mil anuais deixam apenas um décimo da renda para o governo e a previdência.

O representante da UHY no Brasil, o superintendente da UHY Moreira Auditores, Paulo Moreira, disse que a pesquisa revela o caráter “esdrúxulo” da carga tributária brasileira. Com grande parte dos impostos sendo coletada de forma indireta, a carga tributária brasileira total supera a tributação à pessoa física, e é estimada em 41%. Como esses tributos circulam embutidos nas mercadorias e serviços consumidos pelos contribuintes, aplicam-se de forma igual a ricos e pobres, explica. Para Moreira, entretanto, essa suposta “justiça” tributária é ilusória, porque as classes mais altas têm formas de evitar o pagamento de impostos sobre consumo fazendo compras no exterior ou recorrendo a outros artigos de consumo. “Se o sujeito ganha R$ 3 mil, a renda dele tem de ser praticamente consumida em bens de consumo geral: sabonete, comida, arroz, roupas, gasolina, as coisas que são de grande consumo e que são taxadas com mais rigor”, explica o especialista.

“Quem tem uma renda alta, após um primeiro momento dos bens de consumo geral, passa a ter consumos mais sofisticados, produtos menos taxados, obras de artes, enfim, artigos de difícil controle na tributação”, acrescenta Moreira. O porta-voz da UHY diz que outro fator que contribui para fazer do Brasil um país pouco “equânime” no quesito tributário é o teto aplicado à contribuição previdenciária. O imposto de 11% sobre o salário é aplicado somente até o valor de R$ 3.038,99, o que quer dizer que trabalhadores que ganham acima disso têm uma fatia maior do seu salário livre de descontos que os que ganham dentro da faixa.

Entretanto, como lembra o UHY, o imposto sobre a renda pessoal é um dos instrumentos utilizados pelos países, sobretudo emergentes, para atrair mão-de-obra qualificada.
 
As fontes dos dados estão indicadas no rodapé da própria figura (clique nela para aumentá-la).
 Contando impostos diretos e indiretos, brasileiros pagam 41% de carga tributária (Fonte: BBC Brasil).

Salários líquidos / Países selecionados

Salário bruto: US$ 200 mil/ ano
Itália $108.189
Holanda $109.417
Irlanda $111.905
Alemanha $111.953
França $117.519
China $117.897
Grã-Bretanha $121.819
Canadá $129.340
Malaysia $137.128
EUA $139.709
Índia $141.163
Japão $144.083
México $146.377
Brasil $148.088
Estônia $152.515
Egito $160.847
Rússia $174.000
Dubai $200.000
Fonte: Membros da UHY / Bai Yanfeng, Univ. Central de Finanças e Economia da China

Oceanos estão à beira da catástrofe

Um importante relatório publicado hoje é de opinião que os oceanos da Terra estão frente a uma perda de espécies sem precedentes, comparável às extinções em massa da pré-história. Os mares estão se degenerando muito mais rapidamente do que qualquer um tenha previsto, diz esse documento, por causa do impacto cumulativo de uma série de estresses individuais que variam do aquecimento climático à acidificação da água do mar, da ampla poluição química a um volumoso e flagrante excesso na pesca.

Resultante de um painel de cientistas marinhos de ponta, reunidos em Oxford no começo do ano pelo Programa Internacional sobre o Estado do Oceano (IPSO, em inglês) e pela União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN, em inglês), o relatório diz que a junção dos fatores acima mencionados está agora ameaçando o ambiente marinho com uma catástrofe "sem precedentes na história da humanidade".

O duro alerta feito pelo painel é que a extinção potencial de espécies, do peixe grande numa ponta da escala aos minúsculos corais na outra ponta, é diretamente comparável às cinco grandes extinções em massa do histórico geológico, durante cada um das quais muito da vida do planeta morreu. Essas extinções vão desde o "evento" Ordoviciano-Siluriano de 450 milhões de anos atrás, à extinção Cretáceo-Terciária de 65 milhões de anos atrás que se acredita tenha sido responsável pela eliminação completa dos dinossauros. A pior dessas destruições em massa, ocorrida no final do período Permiano há 250 milhões de anos atrás, é considerada responsável pela eliminação de 70% das espécies terrestres e 96% de todas as espécies marinhas.

O painel de 27 cientistas, que levou em conta as mais recentes pesquisas de todas as ciências marítimas, concluiu, além da associação às maiores tragédias de extinção em massa da história da Terra, que: - a) a velocidade e a taxa de degeneração dos oceanos são muito mais rápidas do que qualquer previsão existente; - b) muitos dos impactos negativos identificados são maiores do que as piores das previsões; - c) os passos iniciais para uma extinção globalmente significativa podem já ter começado.
Milhões de enchovas mortas flutuando em uma marina em Redondo Beach, Califórnia, em março (Foto: AFP/Getty).

Anunciada perda de usuários pelo Facebook pode não ser verdadeira

Uma série de dados sobre o uso do Facebook divulgados desde a semana passada vem provocando um intenso debate sobre a possível perda de usuários pela rede social em mercados mais desenvolvidos, como os EUA e a Grã-Bretanha. Especialistas consultados pela BBC Brasil, no entanto, divergem sobre a realidade do site e muitos veem as eventuais oscilações no uso da rede como um sintoma da forte penetração do Facebook nos mercados mais desenvolvidos, onde já atinge quase 50% de toda a população.

Os dados divulgados na semana passada pela consultoria Inside Facebook Gold (IFG), que se dedica a monitorar o uso da rede social, indicavam uma possível perda de 5,8 milhões de usuários nos Estados Unidos e de 100 mil na Grã-Bretanha em maio, apesar de um crescimento global de 11,8 milhões, graças ao crescimento em países emergentes como Brasil, Índia, México e Indonésia. Segundo o IFG, o Facebook tem um total de 687 milhões de usuários no mundo todo, com 149 milhões somente nos Estados Unidos, país com uma população de 313 milhões. No Brasil, os usuários de Facebook teriam chegado a 19 milhões, pouco menos de 10% dos 200 milhões de habitantes.

Vários analistas e órgãos de mídia do mundo todo se apressaram em analisar a razão da possível perda de usuários, com explicações que iam desde saturação, preocupações com privacidade e competição de outros sites. Mas dados divulgados nos dias seguintes por outras consultorias especializadas em medição de tráfego na internet – entre elas comScore, Nielsen, Compete e Quantcast – indicavam crescimento de usuários do Facebook nos Estados Unidos em maio, contradizendo os números da IFG.

Para o analista Adrian Drury, da consultoria internacional de mídia Ovum, não existe nenhuma metodologia confiável para avaliar com exatidão os números do Facebook. Segundo ele, apenas os próprios administradores do site têm esses dados exatos, que não são divulgados. “Fiquei espantado com a rapidez com que a imprensa não técnica correu para prever a decadência e o fim do Facebook com base em apenas um dado de um mês de uma única fonte”, observa.

Drury também comenta, como outros analistas, que com a proporção de usuários do Facebook chegando a 50% de toda a população nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, novos ganhos se tornam mais difíceis e aumenta a chance de haver oscilação nos números.

O indiano Bhupendra Khamal, diretor-executivo da consultoria InRev Systems, tem uma visão diferente e crê que o Facebook pode de fato estar iniciando uma trajetória de queda. “Coisas legais que crescem rápido também podem cair rápido. Provavelmente o crescimento do Facebook já começou a estancar nos mercados mais maduros”, afirma. Segundo ele, isso pode ser consequência de “mudanças de mercado, preocupações com segurança, mudanças frequentes no site e a ausência de controle de spams”.

As relações promíscuas do governador do Estado do Rio de Janeiro com empresários privados

O Sr. Sérgio Cabral, governador do Estado do Rio de Janeiro, viajou na semana passada para a Bahia em um verdadeiro convescote aéreo, com a mulher, o filho, a namorada deste, e amigos, a bordo de um jato do empresário carioca Eike Batista e em companhia do empresário Fernando Cavendish, dono da Delta Construções. Destino: a festa de aniversários de Cavendish.

Detalhes nada sutis dessa história aparentemente simplória e inocente, de um político que ama o lazer sofisticado em família: os dois empresários envolvidos nessa comemoração "despretenciosa" têm interesses e negócios vultosos com o Estado governado pelo Sr. Sérgio Cabral. A Delta Construções tem contratos que somam a bagatela de R$ 1 bilhão com o Estado do Rio, e o Sr. Eike Batista não apenas possui também negócios de grande porte com o Estado, como também doou R$ 750 mil para a campanha de Sérgio Cabral ... Ou seja, promiscuidade maior impossível entre um governador e empresários privados.

Ainda não foi revelado quem pagaria a hospedagem de Cabral & família num luxuosíssimo e exclusivo resort baiano, mas não é demais imaginar que dificilmente ele desembolsaria um tostão do próprio bolso nesse ambiente da mais pura e fraterna confraternização. E, assim, la nave va, a ética vai p'ra estratosfera, o governador volta e meia dá uma de moralista (às vezes com a língua meio trôpega por ingestão líquida meio exagerada), daqui a pouco o PMDB deve se pronunciar em defesa do Sr.Cabral, e fica tudo parecendo como se nada de errado tivesse acontecido. Acho simplesmente nauseante e inadmissível essa promiscuidade nas nossas barbas! E o pior é que entra eleição, sai eleição, e a esculhambação não muda um milímetro, por culpa, claro, do eleitorado bitolado.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A usina de descontaminação de águas radioativas na central nuclear japonesa de Fukushima Daiichi foi paralizada apenas 5 horas depois de entrar em operação

Apenas 5 horas depois de ter sido colocada em operação, foi paralizada a central de descontaminação de águas radioativas construída na usina nuclear de Fukushima Daiichi por causa do nível muito elevado de radiações, informou no dia 18 deste o operador dessa usina. Como se sabe, a usina de Fukushima foi seriamente danificada depois do terremoto e do tsunami que atingiram o nordeste do Japão no dia 11 de março deste ano.

Peças do sistema que absorvem o césio radioativo tiveram que ser trocadas muito antes do previsto devido ao nível muito elevado de radiação, informou a Tokyo Electric Power (Tepco), responsável pela usina -- a empresa não definiu quando as instalações de descontaminação serão religadas. "Ainda estudamos a causa" desse nível muito elevado de radiação, disse Junichi Matsumoto, responsável por operações nucleares na Tepco. Segundo a empresa, as hipóteses são de que lama radioativa entrou no sistema de retratamento ou as águas tratadas são mais radioativas do que a Tepco imaginava inicialmente.

Cerca de 100.000 toneladas de água altamente reativa se acumularam nos prédios dos reatores e das turbinas de Fukushima depois das catástrofes de 11 de março. Os efluentes resultantes impedem os operadores de entrar nas instalações para reativar os circuitos de resfriamento do combustível nuclear.  A usina de descontaminação deveria ser capaz de tratar 50 toneladas de efluentes por hora, ou seja 1.200 toneladas por dia, reduzindo a contaminação de 1.000 a 10.000 vezes.  A operação de descontaminação de Fukushima Daiichi está baseada em procedimentos do grupo nuclear francês Areva e da empresa americana Kurion.

Wal-Mart ganha na Suprema Corte americana ação que lhe poderia causar prejuízo de bilhões de dólares

A Suprema Corte dos EUA bloqueou hoje um maciço processo de discriminação sexual contra a empresa Wal-Mart em nome das mulheres que nela trabalham -- essa gigantesca empresa de varejo americana é mais conhecida como Walmart.

A Suprema Corte decidiu por unanimidade que o processo contra a Wal-Mart Stores Inc. não pode ter prosseguimento como uma ação de uma classe, revertendo assim a decisão da 19ª Corte de Apelação em S. Francisco. Essa ação poderia  envolver  até 1,6 milhão de mulheres, colocando a Walmart face a perdas potenciais de bilhões de dólares. Agora, o grupo de mulheres que entrou com essa ação só pode prosseguir com ela por conta própria, individualmente, com muito menos dinheiro em jogo e menos pressão sobre a Walmart.

A posição da Wal-Mart foi acompanhada por interesses afins na área de negócios, enquanto grupos de direitos civis e grupos femininos se postaram a favor das litigantes. Ambos os lados consideram a decisão como sendo de enormes consequências. A comunidade de negócios disse que uma decisão a favor das mulheres provocaria um "dilúvio" de ações de classe baseadas em evidências vagas. Os simpatizantes e apoiadores das mulheres temem que a decisão a favor da Wal-Mart pode eliminar uma arma valorosa na luta contra todos os tipos de discriminação.

Vulcões vão continuar ameaçando a aviação, diz especialista americana

A vulcanologista Marianne Guffanti, do US Geological Service (USGS, agência de pesquisa geológica ligada ao governo americano), disse à BBC Brasil que as cinzas vulcânicas que tantos problemas têm causado ao tráfego aéreo em diversas regiões do planeta continuarão sendo um risco permanente à aviação.

Segundo Guffanti, que há 15 anos atua na área de riscos à aviação, o fenômeno não é novo. O que mudou nos últimos anos, diz a cientista, não foi a intensidade das erupções, e sim do tráfego aéreo. “Esse fenômeno é conhecido há mais de 30 anos”, afirma Guffanti. “Mas agora o espaço aéreo está tão cheio que os riscos são muito altos.”

Em um dos episódios mais recentes, a erupção do vulcão chileno Puyehue vem provocando há vários dias cancelamentos de voos em diversos países da América do Sul, na Austrália e na Nova Zelândia. Nesta semana, países do Leste da África tiveram de cancelar voos devido à erupção do vulcão Nabro, na Eritreia. De acordo com a vulcanologista, novos problemas podem ocorrer a qualquer momento e em praticamente qualquer região onde haja atividade vulcânica. “É um risco contínuo”, diz Guffanti. “É muito difícil prever.”

A especialista do USGS diz que, nos últimos 30 anos, houve pelo menos 26 incidentes graves com aviões provocados por nuvens de cinzas vulcânicas. Em nove deles, as turbinas das aeronaves chegaram a parar de funcionar durante o voo. Guffanti afirma que um dos primeiros registros de encontros entre aviões e nuvens de cinzas vulcânicas de que se tem notícia ocorreu em 1980, durante a erupção do Monte Santa Helena, no Estado americano de Washington. Na época, diz a cientista, houve uma série de episódios em que aeronaves militares se depararam com as nuvens de cinzas expelidas pelo vulcão.

Foi somente no ano passado, porém, durante a erupção do vulcão Eyjafjallajökull, na Islândia, que o problema ganhou projeção mundial. As nuvens de cinzas expelidas pelo vulcão mergulharam a Europa em um caos aéreo, com cancelamento de milhares de voos, fechamento de aeroportos em diversos países e um prejuízo calculado em bilhões de dólares. “Antes daquele episódio na Islândia, as pessoas não sabiam que, enquanto elas viajam, digamos, de Chicago ao Japão, há uma equipe de especialistas nos bastidores monitorando as cinzas de vulcões”, diz Guffanti.
Cinzas do vulcão chileno Puyehue vêm prejudicando voos na América do Sul, Austrália e Nova Zelândia (Foto: AP).