segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

NPA, um homem que adora ser apunhalado pelas costas

O NPA (Nosso Pinóquio Acrobata, Lula) vem conseguindo o que se julgava impossível: consolidar mais um defeito à sua lista interminável de problemas -- esse cidadão é um masoquista confesso, irremediável e irredutível. Além de viciado em inverdades, de adorar cercar-se de auxiliares corruptos dentro e fora do governo (inúmeros, além de corruptos também incompetentes), de ser ignorante seletivo de tudo de ruim que ocorre à sua volta (além de ignaro e incompetente em muitíssimo do que faz), esse fenômeno do ilusionismo vem se confessando profundamente masoquista tal sua atração por pessoas que o apunhalam pelas costas. Quem, como ele, tem visão lateral zero, não pode dirigir um carro e obviamente muito menos um país, mas eleitor petista é um ser à parte. -- Aliás, quem nunca viveu no Brasil e lê o que diz o NPA quando acuado, deve achar que ele é o caso raro de um presidente cego e surdo a governar um país.

Com o início da divulgação das pilantragens de sua ex-secretária muito particular por praticamente duas décadas, Rosemary Nóvoa de Noronha, a cidadã que em uma década saiu de uma agência bancária para o Palácio de Versalhes, como disseram muito bem Fernando Gallo e Julia Duailibi no Estadão, o NPA disse pela milionésima vez que "se sentia apunhalado pelas costas". A edição da Veja que está nas bancas fez um interessante resumo sobre as as declarações do NPA sobre as "punhaladas" que tem levado -- pode-se discordar do jornalismo praticado pela revista, mas seu arquivo é excelente.

Rosegate -- "Eu me senti apunhalado pelas costas. Tenho muito orgulho do escritório da Presidência, onde eram feitos feitos com empresários para projetos de interesse do país". -- O Globo, na semana passada.


 Charge de Amarildo.

Aloprados 1 -- Porque um bando de aloprados decidiu comprar um dossiê, porque tem uma denúncia, eu quero saber do conjunto da obra. Se tem um candidato que não precisava de sarna para se coçar, era eu". -- Em entrevista a rádios sobre a compra de dossiê contra o então candidato José Serra, arquitetada pela campanha petista, em 25 de setembro de 2006.

Aloprados 2 -- "Eu quero saber não apenas de onde veio o dinheiro. Eu quero saber quem foi que montou a engenharia política para essa barbárie que foi feita. Eu quero saber quem é o engenheiro que arquitetou uma loucura dessas". -- Na mesma entrevista acima.

Aloprados 3 -- "Como ser humano, sofro e me decepciono quando fico sabendo que pessoas que conheço se envolveram em irregularidades". -- Em fala na propaganda eleitoral de 21/9/2006.

Mensalão 1 -- "Fui traído porque alguns companheiros tiveram um comportamento que não se coadunava com a história do PT. O dinheiro fácil nunca fez bem a ninguém". -- Em entrevista ao programa Roda Viva em 08/11/ 2005.

Mensalão 2 -- "Eu me sinto traído por práticas inaceitáveis das quais nunca tive conhecimento". -- Em pronunciamento após o depoimento de Duda Mendonça no dia 12 de agosto de 2005.

Mensalão 3 -- "Quero dizer a vocês, com toda a franqueza, que me sinto traído. Eu não tenho vergonha nenhuma de dizer ao povo brasileiro que nós temos de pedir desculpas". -- Em pronunciamento em cadeia nacional, um dia depois que Duda Mendonça confessou que recebera dinheiro de caixa dois do PT no exterior (ver vídeo abaixo).

A imprensa começa a falar abertamente que no chamado Rosegate as relações entre o NPA e Rosemary eram mais do que íntimas -- ver a coluna do Ricardo Noblat de hoje ("O cúmplice de Rose") no Globo e o artigo de Suzana Singer  na Folha de S. Paulo de ontem --, o que introduz um enorme complicador nesse imbróglio, mas burila o perfil do NPA.

Em meio a esse bafafá todo, o NPA manteve os compromissos de sua agenda e veio ao Rio na noite da terça-feira, 27/11, para participar da festa de lançamento do Calendário Pirelli 2013 e receber um prêmio da empresa. Na minha juventude os calendários da Pirelli, encontrados especialmente em borracharias e disputadíssimos, eram famosos por suas mulheres nuas esculturais. Essa associação entre o NPA e um calendário desse no meio das fofocas do Rosegate obviamente é pura coincidência, mas que é irônica lá isso é.












domingo, 2 de dezembro de 2012

Mudança no registro de contratos pode aumentar em 400% gastos de proprietários de veículos financiados

Logo após o julgamento do “mensalão”, poderá entrar em pauta no Supremo Tribunal Federal (STF) um processo polêmico que, segundo especialistas, vai representar, se aprovado, um aumento significativo — em torno de 400% — nos gastos de quem financia um veículo. O relator do processo é o ministro Marco Aurélio Mello.

O Partido da República (PR) ajuizou a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) nº 4333 questionando artigos do Novo Código Civil e da Constituição Federal. Esses artigos estabeleceram que “para o aperfeiçoamento dos contratos de alienação fiduciária de veículo automotor, basta a anotação pela repartição de trânsito competente, no certificado de registro que lhe incumbe emitir". Ou seja, há dez anos, segundo a legislação, a alienação fiduciária — modalidade de financiamento em que o comprador fica impedido de negociar o bem antes da quitação da dívida, mas pode usufruir dele — pode ser registrada apenas pelo Detran no momento do emplacamento do veículo.

Custo mais alto e maior tempo de espera
 
Os autores da ação, entretanto, argumentam que as normas atuais “afrontam o artigo 236 da Constituição Federal, que dispõe que os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público".  No entanto, especialistas em direito civil e tributário afirmam que, caso entre em vigor a nova regra, o consumidor terá de arcar com um custo de cartório de aproximadamente R$ 500, enquanto o registro no Detran o valor fica em torno de R$ 100 — um aumento de 400%. Além disso, a operação realizada no cartório demoraria cerca de 15 dias enquanto pelo Detran a documentação seria entregue em 48 horas.

Ameaça de retrocesso

Na avaliação de Júlio Avellar, superintendente da Central de Proteção ao Seguro da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais (CNseg), a proposta representa um retrocesso ao obrigar que os consumidores registrem toda a documentação em cartório. No Rio, a entidade atua junto com o Detran na liberação dos registros de veículos.

"Essa proposta confronta o moderno com o medieval. Até compreendo que em contrato de imóveis seja necessário o registro em cartório, porque podem ser feitas alterações. No caso dos veículos, porém, o financiamento é algo trivial, o contrato não sofre mudanças. O pior é que os consumidores, em sua maioria, não sabem do que está acontecendo, o assunto está passando despercebido. A aprovação dessa ação será um tiro no pé do governo e da sociedade. Afinal, o financiamento é importante para manter o mercado automotivo aquecido",  afirma Avellar.

O advogado José Alfredo Lion considera que a eventual aprovação da Adin nº 4333 pelo STF trará um “péssimo resultado” para o consumidor. "Essa ação só beneficia os cartórios. O consumidor terá ônus sem receber nada em troca. Mais uma vez, estará pagando o custo de algo que só interessa a terceiros. E ele tem o direito assegurado de não querer fazer esse registro em cartório", diz Lion, que é especialista em direito civil e tributário. 

A Advocacia Geral da União (AGU) já se manifestou nos autos do processo pela constitucionalidade dos artigos questionados pelo autor da Adin. E entende que o registro da forma como é feita atualmente, “tem por escopo, conferir ampla publicidade e eficácia contra todos, evitando prejuízos a terceiros de boa-fé e ainda desonera o contrato, diminuindo, em consequência, o custo do devedor fiduciante".

[Mais um flagrante exemplar de como gente inútil pode nos custar caro. Com tanta coisa precisando ser urgentemente consertada neste país, surge um partido com o nome anacrônico de "Partido da República" para propor uma estultice como essa -- deve haver muito dono de cartório nesse partideco. Aliás, essa infeliz praga cartorial que nos assola é uma das heranças malditas de nossa colonização lusitana.]




Em outro país e em outro governo Mantega talvez tivesse dificuldade para sobreviver

O ministro Guido Mantega é dessas figuras que, se não existisse, teria que ser inventada, para satisfazer diversos segmentos do arco de nossa sociedade: a ala dos que gostam de humor negro, a dos que curtem humor pura e simplesmente (são os do topo da nossa pirâmide social, os gozadores, cujo bem-estar independe das trapalhadas do ministro), a dos que gostam de circo, a dos que colecionam maus exemplos que não podem nem devem ser seguidos, e por aí vai.

Se alguém se lembrar de que o Ministério da Fazenda já foi ocupado por Eugenio Gudin, Mário Henrique Simonsen, Pedro Malan e outros do mesmo porte, fica imaginando que Deus realmente se cansou de ser brasileiro e resolveu ir à forra, deixando o país sob o domínio do PT e seus fantásticos ministros. Sob o comando inicial do NPA (o Nosso Pinóquio Acrobata, Lula) e, agora, da nossa sempre sorridente e bem-humorada ex-guerrilheira, o PT estabeleceu a dicotomia incompetência-corrupção no governo. E houve mais de um caso de ministro e/ou dirigente, escolhido pelo NPA e mantido pela sorridente Dona Dilma, que conseguiu ser as duas coisas ao mesmo tempo. Passada a temporada dos ministros corruptos, estamos agora assistindo ao espetáculo deprimente de vários ocupantes de altos cargos de confiança, todos sem exceção com o carimbo indelével do NPA, metidos até o pescoço em mutretas e pilantragens. O da incrível Rose e seu séquito é o mais recente deles. Essa turma toda e suas molecagens compõem o que a nossa simpática ex-guerrilheira chama de "herança bendita" que recebeu do NPA ...

Voltemos ao ministro Mantega. Há que se reconhecer, antes de tudo, sua extraordinária capacidade de agir como boneco de ventríloquo, tanto no governo do NPA quanto agora no governo de nossa ex-guerrilheira eternamente de bem com a vida. Como economista, Mantega leva à estratosfera sua imbatível incapacidade de analisar, entender e prever fatos. Em 1994, ao analisar o Plano Real, do alto de sua nanométrica sabedoria esculhambou-o e  classificou-o como um "jogo de aparências"  

Passados 18 anos, Mantega continua inigualável em sua pétrea miopia intelectual aguda nas coisas do seu ministério e da nossa economia. O banco Credit Suisse reduziu, em junho, sua previsão para o crescimento da economia brasileira de 2% para 1,5% em 2012. Na época, o Boletim Focus do Banco Central ainda estimava expansão de 2,3% do PIB este ano, e a revisão provocou rebuliço. Principalmente por causa da reação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que não se fez de rogado e classificou como “piada” a estimativa de 1,5%. "Acho que é uma piada. Vamos crescer muito mais", disse o ministro no dia seguinte à divulgação do relatório do banco suíço, que já citava a desaceleração do investimento.

Diante dos números divulgados nesta sexta-feira pelo IBGE, o crescimento de 1,5% pode ser considerado uma meta distante. Para a economia brasileira crescer 1,5% este ano seria preciso que o PIB avançasse 3,9% no quarto trimestre, frente a igual período de 2011, o que, segundo o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, “é impossível”. No final dessa história constatou-se, mais uma vez, que piada mesmo é ele, Mantega.

Ao abordar os recorrentes erros de Mantega em suas previsões sobre nossa economia, o jornal Financial Times (FT) disse que o ministro não é p'ra ser levado muito a sério e que para que o Brasil atinja os 8% de aumento de investimento  que ele previu em 2013 seria necessário quase um milagre -- sugerir que isso seja sequer possível não contribui em nada para a já frágil credibilidade de Mantega, conclui o jornal britânico.  

Para reforçar sua visão negativa de nossa economia e a baixa credibilidade de nosso ministro da Fazenda, o FT publicou nessa mesma reportagem dois gráficos contundentes, reproduzidos abaixo (clique em cada imagem para ampliá-la):

Taxa de investimento e Taxa de Poupança Bruta no Brasil, ambas em queda - (Fonte: IBGE).

Taxa de crescimento de formação de capital fixo bruto [capital investido em ativos que produzem bens ou serviços] do Brasil - (Fonte: Nomura e IBGE).

Como o segundo gráfico mostra, a taxa de aumento em investimento do país vem caindo permanentemente e foi negativa em três trimestres (o quarto trimestre, o mais recente, não está incluído no gráfico). Esses períodos de taxa negativa de investimento ocorreram já no governo da sorridente Dona Dilma, o que evidencia pela milionésima vez como ela é péssima gestora.

Estamos ferrados e mal pagos: um ministro da Fazenda que é uma piada, reconhecido como tal internacionalmente, e uma presidente sempre bem humorada que chama de "bendita" essa herança de corrupção que recebeu do NPA e que não consegue investir nem o mínimo de que o país precisa.




 

Brasil fica em penúltimo lugar em ranking global de educação (III)

[De meu dileto e caro amigo Amauri Menezes recebi o excelente comentário sobre o assunto que reproduzo a seguir. Ver as postagens anteriores, a primeira no dia 27 e a segunda no dia 29 do passado mês de novembro.]

-->
Broder,

Essa coisa toda sobre a educação me interessa de perto. Acredito piamente que todos os nossos males começam nessa falta de educação que o NPA (o apedeutaço) consagrou.

Quanto à última postagem sobre o assunto, ouso comentar:
1 A primeira tabela tem 20 países, enquanto a segunda tem 40, o que limita as minhas observações.
2 A análise através de média ± desvios-padrão está correta, mas seria mais perceptível (data venia) se a distribuição fosse simétrica. Como não é o caso, as áreas correspondentes aos ± desvios são muito diversas entre si.
3 Vejo melhor a realidade dos resultados quando grafo (ploto) os resultados, como abaixo, separando por quadrantes [clique na imagem para ampliá-la].



Nomenclatura:

crescimento
PIB
nota
PISA
país
sigla
3.0
545.57
Hong Kong
HK
0.5
543.49
Finland
FI
3.1
541.16
Singapore
SG
0.1
529.43
South Korea
KR
0.1
526.58
Japan
JP
0.3
524.06
Canada
CA
2.4
523.20
New Zealand
NZ
0.8
518.84
Australia
AU
0.6
518.82
Netherlands
NL
1.3
510.16
Germany
DE
4.2
501.12
Poland
PL
-0.5
500.10
United Kingdom
UK
-0.1
496.88
France
FR
-0.4
496.41
United States
US
0.7
495.60
Sweden
SE
3.0
468.50
Russia
RU
2.6
439.30
Chile
CL
0.3
419.89
Mexico
MX
3.1
400.99
Brazil
BR
5.7
395.72
Argentina
AR

Segundo a figura, os países podem ser visualmente grupados nos quadrantes:

1 baixo crescimento do PIB ou redução, mas com bom desempenho educacional.
2 crescimento do PIB de médio a alto, e com bom desempenho
3 baixo crescimento e baixo desempenho
4 e, o pior caso, elevado crescimento, mas desempenho ruim na educação.
Esse é o pior caso, na minha leitura, pois indica que a educação não tem prioridade alguma.

Vê-se ainda que a Argentina, tendo a pior nota e o crescimento máximo, está absolutamente se lixando para educação, seguida do Brasil.

Bem... trata-se aqui de uma elucubração mental!

sábado, 1 de dezembro de 2012

Brasil, China, Índia e Rússia serão os mercados varejistas dominantes no futuro, diz a The Economist (I)

[A Unidade de Inteligência da (The) Economist acaba de publicar um interessante relatório prospectivo sobre a evolução do mercado varejista no mundo, denominado "Varejo 2022" (Retail 2022), que aponta Brasil, China, Índia e Rússia como os mercados dominantes nesse setor na próxima década. É impressionante a revolução causada pelos avanços na Tecnologia da Informação. O relatório está disponível em formato pdf para quem é assinante do site. Reproduzo esse relatório em três partes, com a primeira delas a seguir.] 

Visão geral
  • Mercados do futuro -- China, Índia, Brasil e Rússia se tornarão os mercados varejistas dominantes.
  • África, a última fronteira -- à medida que as oportunidades diminuam nos Brics, os varejistas verão a África como uma geradora de crescimento.
  • Mercado virtual -- e-commerce, m-commerce e s-commerce provocarão uma transformação no panorama global do varejo.
  • As lojas de varejo físicas contra-atacarão do modo como varejistas tradicionais respondem a mudanças, fazendo a integração das ofertas online com as ofertas das lojas físicas.
  • As lojas de conveniência prevalecerão, com a evolução dos hábitos de compra para uma abordagem via canais múltiplos, em vez do comércio do tipo "uma parada para compras" ("one-stop shopping").

Dez anos são um tempo longo em termos de varejo, especialmente tendo em conta as mudanças tecnológicas e o crescimento de mercados emergentes, que continuam a forçar uma evolução nos hábitos de consumo. Uma década atrás, telefones celulares eram algo que você usava para fazer chamadas. Em 2002, a Amazon havia apenas começado em termos de lucratividade. Não havia Facebook. Não havia nem mesmo um Myspace, embora pioneiros como os Friends Reunited (Amigos Reunidos) e Frendster estivessem lançando as bases para o êxito futuro do formato das redes sociais. As ruas de comércio varejista estavam crescendo no Reino Unido (RU), e esses comerciantes estavam a meio caminho de uma política agressiva de longo prazo de expansão via grandes lojas de varejo que reformataram o panorama do comércio de compras. Em 2002, o PIB nominal da China valia menos de 15% do PIB dos EUA, mal chegando a 3% em termos per capita.


O mundo é hoje um lugar muito melhor conectado. Os pontos de venda para consumidores se expandiram das ruas específicas e shoppings para qualquer lugar onde exista hoje um telefone ou um sinal de Wi-Fi. As redes sociais foram muito além de serem pontos de contatos entre amigos, para se tornarem um front de comércio e de adesão a marcas. As ruas de varejo do RU estão em crise, com vítimas famosas, enquanto em termos globais os varejistas estão mudando de direção, saindo do esquema "big-box" [grandes lojas de varejo] para lojas de conveniência e canais online. Enquanto isso, o PIB da China vale hoje metade do PIB dos EUA e continua crescendo.


A Unidade de Inteligência da Economist vê os hábitos de consumo continuando a acelerar nesse caminho rumo a 2022. Embora haja um caráter cíclico nas retrações econômicas e na redução da confiança do consumidor, os efeitos colaterais da crise de 2007 têm sido um catalisador de mudanças e podem dar suporte a tendências de longo prazo. O crescimento dos mercados emergentes definirá o panorama do varejo do futuro, não apenas em termos de demanda mas também exercendo um papel aquisitivo crescente nos mercados do Ocidente, o que pode levar a que algumas marcas familiares se tornem propriedades chinesas ou indianas.


Mercados do futuro


Neste ano vimos a China ultrapassar os EUA como o maior mercado mundial de alimentos e do comércio do tipo mercearias e minimercados (grocery). Em 2013, a China deverá ultrapassar o Japão como o maior mercado mundial de artigos de luxo, e em 2016 deverá ultrapassar os EUA como o maior mercado varejista do planeta. Enquanto o crecimento do varejo é moderados em mercados ocidentais já maduros, o crescimento rápido do consumo de varejo em mercados emergentes continuará a criar um panorama global de varejo bastante diferente em 2022.

Em 2022, a China deverá ser responsável por um quarto das vendas globais de varejo geradas pelos 60 maiores mercados, o dobro da parcela americana. 

Dimensão de mercados de varejo (em milhão de US$)

País/região                           2012          2016               2022
China                               2.311.226     4.207.729       8.345.813
EUA                                 3.389.633     3.961.146       4.470.376
Índia                                  845.676     1.877.429       3.822.770
Japão                              1.691.548     1.496.789       1.628.421
Rússia                               658.961        932.014        1,482.362
Brasil                                500.338        768.459        1.155.286
Mundo (60 países)          17.011.998    23.357.957      33.471.288

Fonte: Economist Intelligence Unit.

Uma tendência fundamental na China será o crescimento de cidades, não de centros de irradiação como Shanghai, Beijing e cidades litorâneas mas de cidades de terceiro e quarto níveis, situadas mais para o interior.  São essas cidades que são vistas como as forças motrizes para o crescimento do país rumo a 2022. A classe consumidora chinesa será principalmente urbana. Rendas mais altas significam que cidades litorâneas de primeira linha já oferecem ambientes de consumo sofisticados que provocarão o crescimento do varejo na maior parte da presente década. Entretanto, as vendas de varejo crescerão mais rapidamente -- embora a partir de uma base menor -- em cidades do interior, que presenciarão um crescimento salarial mais rápido e esforços capitaneados pelo governo para estimular o consumo. Uma prática amplamente utilizada de informar receitas domésticas inferiores à realidade sugere que a demanda do consumidor possa exceder expectativas já elevadas, particularmente no que se refere a bens de preço médio ou luxuosos.

Megalópoles: proporção de população urbana ganhando acima de  30.000 Rmb (%) (*)

Área urbana                                           2002      2012      2020

Grande Shanghai                                      4,4        52,7       72,4  
Grande Shenyang                                     0,2        19,1       46,0
Chang-Zhu-Tan                                        1,3        31,7       60,3
Chongqin                                                 0,9        15,8       49,4
Grande Xi'an                                            1,2        34,6       69,1
                           
Fonte: Economist Intelligence Unit.
(*) Rmb = renminbi = moeda oficial chinesa, cuja unidade de referência é o yuan, que é dividido em 10 jiăo -- 1 yuan reminbi = 0,16 US$

A China não é o único mercado emergente no varejo a ser enfocado como um líder global em 2022, embora seja o maior. Índia, Brasil e Rússia estão também saindo da sombra de seus vizinhos ocidentais para se transformarem em forças do varejo. Em 2022, esses mercados emergentes serão quatro dos seis maiores mercados do mundo nessa área em termos de dólares americanos, e talvez cinco entre os sete maiores caso a Indonésia continue a crescer. No espaço de dez anos o mercado indiano, sozinho, poderá comparar-se em tamanho a todo o mercado da Europa ocidental!

Vista de uma perspectiva varejista, a oportunidade já está bem estabelecida  em mercados emergentes. Os "quatro grandes" varejistas globais -- Walmart, Carrefour, Metro AG e Tesco -- têm uma florescente presença na China. Outros mercados chaves, como Brasil, Vietnam, Indonésia e Índia, permanecem centros de muita atenção. A eliminação de dificuldades na regulação para investimentos estrangeiros será um fator preponderante para o comportamento desses mercados na próxima década.

Empresas de bens de luxo já disputam entre si para ganhar espaço nesses mercados, especialmente na China, a tal ponto que investidores, repetidamente, têm expressado seus receios de que empresas de artigos de luxo como Burberry, PPR e LVMH possam ficar superexpostas no caso de haver uma desaceleração no crescimento chinês. No curto prazo isso pode ser um fator mas, considerando o peso que tais mercados terão dentro de uma década, pode haver muito mais a perder se não se investir neles agora. Embora seja difícil manter um crescimento de dois dígitos em artigos de luxo na virada da década, em 2022 existirá nesses mercados novos uma sólida plataforma para lojas de artigos de luxo em cidades grandes e de porte médio, vendendo dessas mercadorias para uma base de consumidores ávida e opulenta.

PIB nominal (em US$ bi)

País/região                                    2012           2016          2022

China                                           8.188         14.134        24.960
EUA                                            15.679        18.584        24.470
Índia                                            1.921          4.406          6.970
Japão                                           5.930          5.374          6.060
Brasil                                           2.354          3.254          5.084

Fonte: Economist Intelligence Unit

Assim como influenciando domesticamente o crescimento global do varejo, 2022 presenciará mercados emergentes influenciando mercados ocidentais de maneira mais direta. No momento, o investimento em varejo por parte de mercados emergentes está grandemente concentrado em mercados domésticos ou regionais. Mercados emergentes têm investido pesadamente em mercados ocidentais, mas principalmente nos setores primário e de manufaturas. Isso, no entanto, será alterado, com um número crescente de empresas de mercados emergente atentas agora a oportunidades com o consumidor. Dois conglomerados indianos, Tata e United Breweries, um grupo chinês da área de alimentos, Bright Foods, e a empresa Hutchison Whampoa, listada na bolsa de Hong Kong, avançaram sobre mercados consumidores ocidentais. A Hutchison é dona da AS Watson, uma varejista global líder nas áreas de saúde e beleza. Em 2022, o fluxo atual de fusões e aquisições expansionistas a partir de mercados emergentes se converterá em uma inundação, com conglomerados chineses, brasileiros e indianos endinheirados buscando participar em mercados ocidentais menos "excitados", especialmente na Europa, onde a fraqueza do varejo pode proporcionar negócios melhores.

Um fator que pode contrabalançar isso é a falta de disposição de governos europeus em permitir que empresas de países emergentes se apoderem de suas "jóias da coroa" ou de empresas familiares. Há pouca chance de que isso se altere em 2022, assim atores chaves domésticos e internacionais como os quatro grandes citados acima permanecerão em poder do ocidente. Em vez disso, cadeias menores servirão de trampolim para que varejistas orientais conquistem uma fatia do mercado em 2022.

[continua]























sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Músculo artificial é 85 vezes mais forte que o humano

Um grupo internacional de pesquisadores, que inclui cinco brasileiros, desenvolveu um fio dezenas de vezes mais forte do que o músculo humano. Os resultados do trabalho com nanotubos de carbono embebidos em parafina, além de vídeos de demonstração do material, foram publicados pela revista Science.

Similar a um fio de lã, o material é formado por fibras compostas por feixes de nanotubos de carbono – estruturas cilíndricas ocas, como canudos, constituídas por átomos de carbono ocupando vértices de hexágonos, que são leves, condutoras e dezenas de vezes mais resistentes do que o aço.

O material durante contração foi capaz de desenvolver uma potência de 27,9 kW/kg, enquanto o máximo que o músculo humano consegue desenvolver é cerca de 85 vezes menos. Ao ser torcido, o fio forma uma estrutura helicoloidal (de uma hélice) e se contrai por completo a uma velocidade de apenas 25 milionésimos de segundo – o que lhe permite suportar objetos atados com peso cem mil vezes maior do que o dele.

 Desenvolvimento de fio de nanotubos de carbono revestidos com parafina foi feito por grupo internacional que contou com a participação de cinco pesquisadores brasileiros (reprodução).

Os pesquisadores observaram que a contração do fio também pode ser induzida por um estímulo térmico, produzido por uma corrente elétrica ou luminosa, em função de o material possuir capacidade de absorver radiação e aumentar sua própria temperatura em níveis mais altos do que os de outros. Além disso, também constataram que a contração do material poderia ser potencializada ao revesti-lo com parafina de cera, que tem a capacidade de se expandir muito rapidamente quando exposta a uma fonte de calor.

Por meio da combinação das propriedades dos dois materiais, quando o fio é aquecido por meio da exposição a uma lâmpada incandescente ou de uma corrente elétrica, a parafina da cera que o reveste se expande, obrigando o fio se contrair. Já quando se resfria, o material retorna ao estado inicial, provocando o relaxamento do fio, como ocorre com o músculo humano. “Por causa da expansão e contração da parafina, o fio pode realizar ciclicamente esse movimento de contração e relaxamento que pode ser aplicado para erguer objetos muito mais pesados do que ele”, disse Alexandre Fontes da Fonseca, professor do Departamento de Física da Faculdade de Ciências da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Bauru, e um dos autores do estudo, à Agência FAPESP.

De acordo com os autores da pesquisa, uma das possíveis aplicações tecnológicas do fio de nanotubos de carbono revestidos com parafina de cera estaria no desenvolvimento de tecidos inteligentes, com proteção contra o fogo.
Como o fio tem a capacidade de se contrair instantaneamente só em função do aumento da temperatura, em uma explosão um tecido feito com o material teria a capacidade de fechar os poros rapidamente e impedir a exposição ao fogo.  O material também pode ser utilizado para o desenvolvimento de “músculos artificiais” para o controle de movimentos de próteses externas (exoesqueletos) e robôs, para alavancas mais eficientes para mover objetos além de em cateteres, que podem ser empregados em intervenções minimamente invasivas, como no caso da desobstrução de artérias.

Mas um dos maiores interesses no material é para aplicações militares [p'ra variar ...], em dispositivos que protejam balisticamente soldados, por exemplo. Os dois principais financiadores do estudo nos Estados Unidos foram a Marinha e a Força Aérea norte-americana. “Esse material, provavelmente, vai gerar dezenas de patentes”, disse Douglas Soares Galvão, professor do Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e autor da pesquisa.

Essa não foi a primeira vez que se obteve um fio de nanotubos de carbono. Em um trabalho anterior, realizado pelo próprio grupo, foi desenvolvido um fio que, em vez de ser embebido em parafina de cera, necessita de uma fonte líquida ou eletrolítica para funcionar. Porém, em função disso, as vantagens da leveza dos nanotubos de carbono eram perdidas porque se necessitava de uma fonte muito mais pesada do que o material para utilizá-lo.  “O grande avanço desse novo fio de nanotubos de carbono revestido com parafina é que ele pode operar no ar, sem fonte externa. Só a luz é suficiente para fazer com que ele se contraia”, comparou Galvão.

Galvão mantém há mais de 20 anos colaborações científicas com o grupo de cientistas do NanoTech Institute da Universidade do Texas em Dallas, nos Estados Unidos, onde foi realizada a parte experimental do estudo por um grupo que inclui os brasileiros Márcio Dias Lima e Mônica Jung de Andrade –autores principais do trabalho. Os outros autores brasileiros do projeto – Leonardo Dantas Machado, que realiza doutorado no IFGW da Unicamp sob orientação de Galvão, com Bolsa da FAPESP, e Fonseca, da Unesp de Bauru, que também realizou suas pesquisas de iniciação científica, doutorado e pós-doutorado com Bolsa da FAPESP – também passaram pelo Instituto de Nanotecnologia da universidade norte-americana.

Contribuição brasileira

Uma das principais contribuições dos pesquisadores sediados no Brasil no estudo foi analisar as propriedades estruturais, mecânicas e o comportamento elástico-mecânico dos fios de nanotubos de carbono. O trabalho de Fonseca, por exemplo, foi compreender melhor o processo de formação da estrutura helicoloidal das fibras de nanotubos de carbono quando são torcidas.

O objetivo da pesquisa foi aumentar o entendimento sobre as contrações na escala dos nanotubos de carbono individuais do fio. Mas o grupo de cientistas ainda não sabe se os nanotubos de carbono apresentam contração ou expansão térmica negativa. No caso do grafeno, por exemplo, que consiste de um nanotubo de carbono desenrolado, alguns estudos demonstraram que, quando aquecido até menos de 700 graus, o material encolhe, em vez de se expandir, devido a vibrações dos átomos fora do plano da estrutura. “Ainda há dúvidas se os nanotubos de carbono individuais se contraem ou não e não há uma conclusão definitiva sobre isso”, disse Fonseca.

Por meio de um projeto de pesquisa que iniciou em setembro, com apoio da FAPESP, o pesquisador pretende estudar em nível microscópico o comportamento térmico de contração e expansão de nanotubos de carbono individuais por meio de simulações atomísticas para tentar compreender as propriedades mecânicas e elásticas mais gerais do fio.

O artigo [da revista Science]  Eletrically, chemically, and photonically powered torsional and tensile actuation of hybrid carbon nanotube yarn muscles(doi: 10.1126/science.1226762), de Márcio Dias Lima e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Trabalhadores do estaleiro da OSX, de Eike, são flagrados em condições subumanas

Após denúncias de trabalhadores que atuam na construção do estaleiro da OSX, empresa do grupo EBX do empresário Eike Batista, no Porto de Açu, na região Norte do Rio, fiscais do Ministério do Trabalho constataram na quarta-feira (28) que cerca de 200 empregados viviam em condições subumanas em um alojamento oferecido pela empresa na praia de Grussaí. As informações são do "RJ TV 2ª edição", da Rede Globo.

Os fiscais ainda não definiram a multa que será aplicada à empresa, mas o valor pode chegar a R$ 23 mil. Chamado de "Carandiru" pelos trabalhadores devido às condições, os principais problemas encontrados foram superlotação, água imprópria para consumo, fiação elétrica exposta, entre outros.

Tanto o estaleiro quanto o Porto de Açu estão sendo construídos por empresas do grupo EBX. A assessoria do grupo, no entanto, disse que a responsabilidade pela situação é da empresa espanhola Acciona, subcontratada por eles e responsável pelos contratos com os trabalhadores. O alojamento para quase 200 trabalhadores fica em uma pousada, em Grussaí. No local, muita sujeira. Os operários dizem não ter água própria para beber. Os trabalhadores fizeram uma paralisão de dois dias para reivindicar melhorias. O dono da empresa terceirizada que alugou a pousada informou que não sabia da situação dos funcionários. A empresa vai pagar as passagens dos funcionários que decidirem ir embora. Os que ficarem serão transferidos para um novo alojamento no distrito do Açu até quinta-feira (29). O Ministério do Trabalho ainda não concluiu o levantamento sobre as multas que serão aplicadas à empresa, mas informou que o valor pode chegar a R$ 30 mil.  [Vejam só: numa obra de bilhões de reais, uma empresa maltrata 200 trabalhadores e o nosso fabuloso Ministério do Trabalho (MT) diz que a empresa poderá ser multada em "até" R$ 30 mil. Pelo visto, cidadão brasileiro na visão do MT vale uma merreca. P'ra completar o acinte, a empresa é espanhola -- os espanhóis nos ofendem em seus aeroportos, e agora também em nosso próprio país. Como é que pode?!]

Procurada pela Folha, a Acciona assumiu os problemas verificados pelo Ministério do Trabalho e disse que está tomando medidas para sanar a questão.  "Reconhecemos que existe um problema no alojamento e vamos com todos os meios resolver de maneira concertada e eficaz. Vamos colocar os recursos necessários para fazer uma gestão e fiscalização direta da administração da pousada e vamos colocar todos os meios e recursos necessários para isso", informou Olivier Ricard, responsável pela área de comunicação da empresa.

Ricard disse que ainda na quarta-feira foi disponibilizada água potável e equipes profissionais para cuidar do alojamento. De acordo com ele, na próxima semana os funcionários devem ir para um alojamento próprio da empresa. 

[Eis aí mais um exemplo do péssimo nível de fiscalização de obras no Brasil. E não se trata de obrazinha de fundo de quintal, trata-se de um superporto que só do Fundo de Marinha Mercante recebeu financiamento total de R$ 4,2 bilhões. No mínimo dois órgãos têm que fiscalizar esse empreendimento, o MT e o CREA, sem falar na contratante EBX do Sr. Eike Batista. Esta última se comportou irresponsavelmente, através de sua assessoria, dizendo que a responsabilidade é da empresa contratada -- apenas dela?! Então a EBX contrata uma empresa para lidar com mão de obra e não a fiscaliza?! E essa contratada, a espanhola Acciona, alega não saber das condições do local em que enfiou 200 pessoas?! Onde é que estamos?! E o MT vem afirmar que poderá penalizar essa Acciona em "até"  R$ 30 mil?... É o fim da picada!!]