[O ministro Ricardo Lewandowski é uma figurinha insuportável, mas é indispensável reconhecer-lhe uma característica: ele é absoluta e inequivocamente transparente em sua fidelidade canina ao seu padrinho, o NPA (o Nosso Pinóquio Acrobata - Lula), em seu apego também canino à missão de livrar a cara de José Dirceu et caterva, componentes do núcleo político do mensalão, e seu absoluto despojamento de qualquer vaidade, expondo-se continuamente em toda a verdadeira grandeza de sua miudeza técnica e ética. A seu modo e p'ra sua claque, o cara é corajoso.
Ontem, Lewandowski deu mais um de seus ataques ridículos de diva de opereta e retirou-se do plenário depois que Joaquim Barbosa o acusou de obstruir os trabalhos. A verdade tem um efeito devastador na personalidade de Lewandowski. Em seu gesto pueril -- o que é terrível em pessoas de sua idade -- ele demonstrou, mais uma vez, que é ignorante (também) em matéria de regimento do STF, como se vê no artigo abaixo de Diego Werneck Arguelhes, professor da FGV Direito Rio, publicado hoje no Globo.]
Surpresa e intransigência
Diego Werneck Arguelhes - O Globo (13/11/2012)
Na
sessão desta segunda-feira do julgamento no Supremo Tribunal Federal
(STF), o ministro Joaquim Barbosa seguiu uma ordem diferente do
esperado. Começou a votar os réus do núcleo político, em vez do núcleo
financeiro. O ministro Ricardo Lewandowski protestou: ao divergir do
caminho que havia sido divulgado pela mídia, Barbosa estaria
“surpreendendo a todos”. Essa acusação procede? A surpresa do revisor
foi justificada?
O
ministro Barbosa não fez nada de errado. O regimento do Supremo diz que
o relator deve “ordenar e dirigir” o processo. Foi nesse sentido que se
manifestaram, aliás, vários outros ministros. Defenderam a prerrogativa
do Barbosa de organizar a votação das penas na ordem que quiser — e do
correspondente dever, dos ministros, de estar com os votos preparados,
qualquer que seja essa ordem. É o relator, e não a página de jornal, que
deve dar a pauta.
terça-feira, 13 de novembro de 2012
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Usinas da discórdia (ou, me engana que eu gosto?)
Com o título "Usinas da discórdia", o Globo publicou ontem extensa reportagem sobre a disputa bilionária entre os consórcios responsáveis pelas usinas Jirau (3.750 MW) e Santo Antônio (3.150 MW), ambas no rio Madeira. É uma briga de peso, envolvendo cotas de reservatórios e a bagatela de R$ 2 bilhões.
Aparentemente, pode parecer tratar-se de uma pendenga normal entre consórcios de grandes obras, mas nessa história há ingredientes que incomodam o olfato de quem tem familiaridade com o setor elétrico. Fatos que chamam a atenção de um observador mais atento: - i) a forte presença estatal nos dois consórcios (40% no consórcio "Energia Sustentável do Brasil", de Jirau, via Eletrobras-Eletrosul e Eletrobras-Chesf, e 39% no consórcio "Santo Antônio Energia", da usina de mesmo nome, via Eletrobras-Furnas); - ii) a usina de Jirau está a montante de Santo Antônio; - iii) nos dois consórcios só há "cobra criada" em matéria de construção e operação de usinas hidroelétricas, não há ali nenhum bobo ou inocente nessa matéria.
Pelo projeto original, pelo qual o leilão da usina foi decidido, a UHE Santo Antônio teria 44 turbinas bulbo quando concluída em novembro de 2015. Aí, de repente, a 3 anos de sua conclusão, o consórcio por ela responsável pleiteia do governo a instalação de 6 turbinas a mais (cerca de 14% de aumento em termos de equipamentos), sob a alegação de que com isso se teria uma energia firme adicional equivalente à produção de uma usina de 800 MW de potência instalada, "sem os impactos socioambientais que uma usina desse porte acarretaria". Mas, para isso, a cota autoriza para seu reservatório teria que ser elevada de 70,5 m para 71,3 m.
Por seu lado, o consórcio responsável por Jirau apresentou um pleito e um protesto ao governo federal: - i) pleiteia a colocação de 4 turbinas a mais, o que, alega, sem mexer em um centímetro sequer nos reservatórios das duas usinas, lhe permitiria um ganho médio de 80 MW médios sem novos riscos e burocracias socioambientais (diz a reportagem do Globo que o governo não teria aprovado este pedido); -- ii) protesta contra o pedido do consórcio de Santo Antônio, alegando que este, se concedido, lhe acarretará perda de geração e gerará um "crime ambiental e social" de graves consequências.
Deixando de lado as argumentações e reclamações individuais de cada consórcio, há questões óbvias e estranhas que pairam no ar: - a) em se tratando de usinas em cascata de um mesmo rio, e relativamente próximas, não é crível admitir-se que não tenha sido feito um estudo de aproveitamento integrado do rio Madeira para fins energéticos, avaliando-se clara e inequivocamente a influência mútua entre Jirau e Santo Antônio (lato sensu) com as configurações e especificações definidas nos leilões para as concessões dessas usinas; - b) dentro desse contexto e dessas premissas, e estando o governo federal representado fortemente nos dois consórcios responsáveis por essas usinas, como se explica que a usina a jusante possa mexer no projeto pelo qual ganhou o leilão, com evidente reflexo na usina a montante e esta, por sua vez, não possa alterar seu projeto? -- c) como se explica essa "flexibilidade" (desigual ou não) de alteração de projeto após o fechamento do leilão? As especificações para o leilão das duas usinas não levaram em conta sua operação ótima e coordenada? -- d) como o governo poderá decidir isentamente a pendência, se tem 40% de participação em cada usina? Será o peso das empreiteiras que decidirá isso?...
Isso me parece mais um enrolo ou esculhambação do governo de Dª Dilma na área elétrica.
PS - Há mais de 30 anos atrás, quando o Brasil assinou com o Paraguai e a Argentina o Acordo Tripartite para a construção de Itaipu, ficou assentado e reconhecido o direito da Argentina de construir também no rio Paraná e a jusante de Itaipu a usina de Corpus Christi. E há mais de 30 anos sabe-se que, se e quando os argentinos fizerem essa sua usina a carga plena, seu reservatório acarretará uma perda de geração da ordem de 7% em Itaipu. Mutatis mutandis, guardadas as devidas e necessárias proporções e feitas as indispensáveis adaptações, é só trocar "Jirau" por "Itaipu", "rio Madeira" por "rio Paraná", e "Santo Antônio" por "Corpus Christi" e a história se repete.
Aparentemente, pode parecer tratar-se de uma pendenga normal entre consórcios de grandes obras, mas nessa história há ingredientes que incomodam o olfato de quem tem familiaridade com o setor elétrico. Fatos que chamam a atenção de um observador mais atento: - i) a forte presença estatal nos dois consórcios (40% no consórcio "Energia Sustentável do Brasil", de Jirau, via Eletrobras-Eletrosul e Eletrobras-Chesf, e 39% no consórcio "Santo Antônio Energia", da usina de mesmo nome, via Eletrobras-Furnas); - ii) a usina de Jirau está a montante de Santo Antônio; - iii) nos dois consórcios só há "cobra criada" em matéria de construção e operação de usinas hidroelétricas, não há ali nenhum bobo ou inocente nessa matéria.
Pelo projeto original, pelo qual o leilão da usina foi decidido, a UHE Santo Antônio teria 44 turbinas bulbo quando concluída em novembro de 2015. Aí, de repente, a 3 anos de sua conclusão, o consórcio por ela responsável pleiteia do governo a instalação de 6 turbinas a mais (cerca de 14% de aumento em termos de equipamentos), sob a alegação de que com isso se teria uma energia firme adicional equivalente à produção de uma usina de 800 MW de potência instalada, "sem os impactos socioambientais que uma usina desse porte acarretaria". Mas, para isso, a cota autoriza para seu reservatório teria que ser elevada de 70,5 m para 71,3 m.
Por seu lado, o consórcio responsável por Jirau apresentou um pleito e um protesto ao governo federal: - i) pleiteia a colocação de 4 turbinas a mais, o que, alega, sem mexer em um centímetro sequer nos reservatórios das duas usinas, lhe permitiria um ganho médio de 80 MW médios sem novos riscos e burocracias socioambientais (diz a reportagem do Globo que o governo não teria aprovado este pedido); -- ii) protesta contra o pedido do consórcio de Santo Antônio, alegando que este, se concedido, lhe acarretará perda de geração e gerará um "crime ambiental e social" de graves consequências.
Deixando de lado as argumentações e reclamações individuais de cada consórcio, há questões óbvias e estranhas que pairam no ar: - a) em se tratando de usinas em cascata de um mesmo rio, e relativamente próximas, não é crível admitir-se que não tenha sido feito um estudo de aproveitamento integrado do rio Madeira para fins energéticos, avaliando-se clara e inequivocamente a influência mútua entre Jirau e Santo Antônio (lato sensu) com as configurações e especificações definidas nos leilões para as concessões dessas usinas; - b) dentro desse contexto e dessas premissas, e estando o governo federal representado fortemente nos dois consórcios responsáveis por essas usinas, como se explica que a usina a jusante possa mexer no projeto pelo qual ganhou o leilão, com evidente reflexo na usina a montante e esta, por sua vez, não possa alterar seu projeto? -- c) como se explica essa "flexibilidade" (desigual ou não) de alteração de projeto após o fechamento do leilão? As especificações para o leilão das duas usinas não levaram em conta sua operação ótima e coordenada? -- d) como o governo poderá decidir isentamente a pendência, se tem 40% de participação em cada usina? Será o peso das empreiteiras que decidirá isso?...
Isso me parece mais um enrolo ou esculhambação do governo de Dª Dilma na área elétrica.
PS - Há mais de 30 anos atrás, quando o Brasil assinou com o Paraguai e a Argentina o Acordo Tripartite para a construção de Itaipu, ficou assentado e reconhecido o direito da Argentina de construir também no rio Paraná e a jusante de Itaipu a usina de Corpus Christi. E há mais de 30 anos sabe-se que, se e quando os argentinos fizerem essa sua usina a carga plena, seu reservatório acarretará uma perda de geração da ordem de 7% em Itaipu. Mutatis mutandis, guardadas as devidas e necessárias proporções e feitas as indispensáveis adaptações, é só trocar "Jirau" por "Itaipu", "rio Madeira" por "rio Paraná", e "Santo Antônio" por "Corpus Christi" e a história se repete.
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Nossa Síria , agora, chama-se São Paulo
O índice de violência em S. Paulo vem crescendo assustadoramente, atingindo números absolutamente alarmantes e extremamente preocupantes, sem que se sinta qualquer medida realmente eficaz no combate a essa tragédia. Só neste fim de semana, na região metropolitana da capital paulista, entre a noite de sexta-feira (9) e a de ontem (11) foram 25 homicídios -- só de sábado para domingo foram 17! E, apesar disso, o governador paulista Geraldo Alckmin diz que a violência no Estado está sob controle ... Só se for dos marginais ...
Segundo a Folha de S. Paulo, este fim de semana violento na Grande São Paulo deixou 31 mortos (e não os 22 informados pelo Estadão, como citado acima). Nos dois fins de semana anteriores as mortes chegaram a 12 e 20. Ou seja, em apenas três fins de semana houve 63 assassinatos na Grande S. Paulo -- isso é estatística que se vê comumente em ações do narcotráfico no México. E o pior é que, paralelamente à violência dos marginais, cresce também o número de crimes praticados por policiais no exercício de suas funções.
Em 2012, a violência urbana está crescendo em São Paulo e diminuindo no Rio de Janeiro. Dono da menor taxa de homicídios do Brasil até o ano passado, o estado de São Paulo vive um surto de insegurança provocado por uma grande facção criminosa, o PCC - Primeiro Comando da Capital. Documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostram o envolvimento de cerca de 4 mil pessoas no Primeiro Comando da Capital (PCC). O órgão de inteligência financeira vinculado ao Ministério da Fazenda já tem mais de 60 relatórios prontos sobre a atuação da facção e, a partir desta semana, passa a compor a Agência Integrada de Inteligência, criada no dia 6 pelos governos federal e paulista para combater o crime organizado.
O PCC já atua além das fronteiras do Brasil. Relatório do Sistema Brasileiro de Inteligência (SisBin) mostra que o grupo tem alianças desde 2008 com traficantes de Paraguai e Bolívia e hoje domina o comércio de cocaína e maconha para boa parte do mercado brasileiro. A conexão internacional garante ao PCC não apenas o suprimento de drogas - apesar de outros meios, hoje o tráfico representa mais de 80% da arrecadação do grupo -, mas também o domínio da chamada "rota caipira", que entra pela fronteira via Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul para alimentar interior paulista e capital, eventualmente chegando ao Rio. Além da associação com traficantes locais, o PCC tem instalado nesses países alguns de seus próprios homens.
Os fatos acima demonstram que o problema de segurança pública agora explicitado em S. Paulo é, na realidade inequívoca, um problema nacional e como tal tem que ser objeto de uma ação fortemente integrada entre o Governo Federal e não somente o governo paulista, mas com os demais estados da federação e, em especial, com os estados fronteiriços (principalmente com Bolívia, Paraguai e Colômbia).
Que medidas tomar contra o crime organizado do PCC, ou de outras facções? Este é o grande desafio das ações governamentais mencionadas acima. O governador paulista listou três medidas que considera essenciais para atingir esse objetivo: a remoção de líderes de facções para presídios fora de São Paulo, a criação de uma agência de inteligência integrada, que combaterá pontos estratégicos do tráfico, e o fortalecimento do Instituto de Criminalística (IC), para pesquisar o "DNA" da droga que sustenta o crime organizado. Não se sabe em que estágio de implementação se encontram tais medidas, mas seus resultados até agora têm sido pífios.
E o Governo Federal, o que está fazendo para combater o crime organizado que elegeu S. Paulo como palco para demonstrar seu poder de fogo? Com a palavra nossa ex-guerrilheira, Dª Dilma Rousseff.
Em recente viagem que fiz à Itália, passei por Milão, Veneza e Roma, cidades em que se anda com absoluta segurança em qualquer hora do dia ou da noite, com a presença ostensiva de policiamento por toda parte. Apesar da presença maciça de milhares de turistas das mais diversas origens, e de uma quantidade crescente de imigrantes legais e ilegais, essas cidades demonstram que o Estado italiano vem tendo êxito na manutenção da segurança pública. Quando chegaremos lá?
Segundo a Folha de S. Paulo, este fim de semana violento na Grande São Paulo deixou 31 mortos (e não os 22 informados pelo Estadão, como citado acima). Nos dois fins de semana anteriores as mortes chegaram a 12 e 20. Ou seja, em apenas três fins de semana houve 63 assassinatos na Grande S. Paulo -- isso é estatística que se vê comumente em ações do narcotráfico no México. E o pior é que, paralelamente à violência dos marginais, cresce também o número de crimes praticados por policiais no exercício de suas funções.
Em 2012, a violência urbana está crescendo em São Paulo e diminuindo no Rio de Janeiro. Dono da menor taxa de homicídios do Brasil até o ano passado, o estado de São Paulo vive um surto de insegurança provocado por uma grande facção criminosa, o PCC - Primeiro Comando da Capital. Documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostram o envolvimento de cerca de 4 mil pessoas no Primeiro Comando da Capital (PCC). O órgão de inteligência financeira vinculado ao Ministério da Fazenda já tem mais de 60 relatórios prontos sobre a atuação da facção e, a partir desta semana, passa a compor a Agência Integrada de Inteligência, criada no dia 6 pelos governos federal e paulista para combater o crime organizado.
O PCC já atua além das fronteiras do Brasil. Relatório do Sistema Brasileiro de Inteligência (SisBin) mostra que o grupo tem alianças desde 2008 com traficantes de Paraguai e Bolívia e hoje domina o comércio de cocaína e maconha para boa parte do mercado brasileiro. A conexão internacional garante ao PCC não apenas o suprimento de drogas - apesar de outros meios, hoje o tráfico representa mais de 80% da arrecadação do grupo -, mas também o domínio da chamada "rota caipira", que entra pela fronteira via Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul para alimentar interior paulista e capital, eventualmente chegando ao Rio. Além da associação com traficantes locais, o PCC tem instalado nesses países alguns de seus próprios homens.
Os fatos acima demonstram que o problema de segurança pública agora explicitado em S. Paulo é, na realidade inequívoca, um problema nacional e como tal tem que ser objeto de uma ação fortemente integrada entre o Governo Federal e não somente o governo paulista, mas com os demais estados da federação e, em especial, com os estados fronteiriços (principalmente com Bolívia, Paraguai e Colômbia).
Que medidas tomar contra o crime organizado do PCC, ou de outras facções? Este é o grande desafio das ações governamentais mencionadas acima. O governador paulista listou três medidas que considera essenciais para atingir esse objetivo: a remoção de líderes de facções para presídios fora de São Paulo, a criação de uma agência de inteligência integrada, que combaterá pontos estratégicos do tráfico, e o fortalecimento do Instituto de Criminalística (IC), para pesquisar o "DNA" da droga que sustenta o crime organizado. Não se sabe em que estágio de implementação se encontram tais medidas, mas seus resultados até agora têm sido pífios.
E o Governo Federal, o que está fazendo para combater o crime organizado que elegeu S. Paulo como palco para demonstrar seu poder de fogo? Com a palavra nossa ex-guerrilheira, Dª Dilma Rousseff.
Em recente viagem que fiz à Itália, passei por Milão, Veneza e Roma, cidades em que se anda com absoluta segurança em qualquer hora do dia ou da noite, com a presença ostensiva de policiamento por toda parte. Apesar da presença maciça de milhares de turistas das mais diversas origens, e de uma quantidade crescente de imigrantes legais e ilegais, essas cidades demonstram que o Estado italiano vem tendo êxito na manutenção da segurança pública. Quando chegaremos lá?
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Apple estaria em início de declínio, diz ex-colega de Steve Jobs
[O artigo abaixo, publicado na Folha de S. Paulo de hoje, é de Dan Crow, do jornal inglês The Guardian. Doutor em inteligência artificial pela Universidade de Leeds, o inglês
Dan Crow trabalhou na Apple de 1996 a 2000 como engenheiro de software e
é coautor de duas patentes com Steve Jobs. De 2006 a 2011, chefiou uma
divisão do mecanismo de busca do Google. Hoje, é colaborador do
"Guardian" e da rede de TV Channel 4.
A tradução do artigo é de Paulo Migliacci. -- O texto abaixo aborda o drama enfrentado por um projeto ancorado em um gênio, quando essa figura mágica desaparece.]
A história da Apple está longe do fim. Trata-se da mais valiosa companhia do mundo, que cria diversos produtos excepcionais e amados por consumidores. Emprega muitos dos designers e engenheiros mais talentosos do planeta. Mas creio que a empresa tenha passado do auge e que sua história nos próximos anos será a de um declínio lento, porém real.
Um preâmbulo: trabalhei na Apple por quatro anos no final da década de 90, como engenheiro de software e gerente de engenharia. Fui contratado durante o desastroso reinado de Gil Amelio como executivo-chefe, um fim desolador para uma década desoladora na companhia. Estava lá quando Steve Jobs voltou para liderar a mais espetacular reviravolta de negócios de nossas vidas. Steve era uma pessoa que eu conhecia bem, e a Apple é uma empresa que conheço ainda melhor. Sou usuário ávido de Mac, ainda que em aparelhos móveis prefira o sistema operacional Android --trabalhei no Google por cinco anos.
A história da Apple está longe do fim. Trata-se da mais valiosa companhia do mundo, que cria diversos produtos excepcionais e amados por consumidores. Emprega muitos dos designers e engenheiros mais talentosos do planeta. Mas creio que a empresa tenha passado do auge e que sua história nos próximos anos será a de um declínio lento, porém real.
Um preâmbulo: trabalhei na Apple por quatro anos no final da década de 90, como engenheiro de software e gerente de engenharia. Fui contratado durante o desastroso reinado de Gil Amelio como executivo-chefe, um fim desolador para uma década desoladora na companhia. Estava lá quando Steve Jobs voltou para liderar a mais espetacular reviravolta de negócios de nossas vidas. Steve era uma pessoa que eu conhecia bem, e a Apple é uma empresa que conheço ainda melhor. Sou usuário ávido de Mac, ainda que em aparelhos móveis prefira o sistema operacional Android --trabalhei no Google por cinco anos.
O executivo-chefe da Apple, Tim Cook, em evento da empresa em março - (Foto: Paul Sakuma/Associated Press).
Sinais do ocaso
Por que acredito que a Apple tenha passado do auge? Há diversos sinais. O
mais visível e recente foi o fiasco dos mapas. Substituir o Google Maps
em seus tablets e celulares por um produto próprio muito inferior
demonstra o quanto a Apple mudou. O sucesso da Apple sempre esteve em oferecer aos usuários a melhor
experiência possível; de repente, a companhia lhes oferece algo pior
para promover seus interesses empresariais -- no caso, por conta de sua
longa disputa com o Google.
A Apple já cometeu erros. Mesmo sob o comando de Jobs, a companhia
lançou produtos fracassados: em 2000, o Cube não entusiasmou o planeta.
As incursões iniciais da Apple nos serviços em nuvem foram embaraçosas.
Mas todos esses projetos, embora fracassados, representavam esforços
para fornecer serviços e produtos melhores aos usuários. Não foi o caso
dos mapas: a Apple apresentou um produto inferior por considerar que a
briga com o Google em relação ao Android importava mais que a satisfação
dos clientes.
O problema dos mapas é o mais óbvio sinal das recentes mudanças na
Apple, mas existem outros indicadores, mais sutis, de uma desaceleração
na criatividade.
iPad novo, de novo
O iPad 4 foi lançado só seis meses após o iPad 3. O novo modelo não
oferece melhora substancial ante o anterior, mas conseguiu irritar
compradores do iPad 3. Essa atualização insípida não representa o tipo
de lançamento mágico de produto que fez a reputação da Apple.
O pior é que a hipérbole da companhia se afastou demais da realidade.
Steve Jobs era conhecido por seu "campo de distorção da realidade", mas
ele sabia que, quando exagerava, precisava de um produto notável para
provar seus argumentos. Ou seja, o exibicionismo de Steve se justificava
porque iMac, iPod, iPhone e iPad eram excepcionais.
Compare esse passado aos lançamentos das mais recentes revisões do iPad e
do iPhone, acompanhados por um nível de hipérbole espantoso: "Acho que
esse nível de inventividade jamais esteve presente em algo que tenhamos
feito no passado".
Não me entenda mal: o iPhone 5 é provavelmente o melhor smartphone do
mercado no momento. Mas representa só uma melhora gradual ante o iPhone
4S. E o iOS 6, a nova versão do sistema operacional, recebeu críticas
não tão positivas. Mas isso não é algo que você possa depreender diante
dos exageros de Tim Cook e companhia.
O problema com o exagero infundado é que as pessoas percebem, e com o tempo isso desgasta sua confiança.
A Apple atual parece muito menos competente em manter o equilíbrio entre hipérbole e produto.
A mudança nas lojas
Não é só nos produtos que surgem sinais de deterioração na Apple. O que
aconteceu com John Browett, responsável pela divisão de varejo, não deve
ser ignorado. Ele cuidava das lojas da Apple -- peça vital do sucesso da
empresa na última década.
Browett ocupou o posto por apenas sete meses e, segundo a maioria dos
relatos, comandou uma mudança de estratégia significativa, e
injustificada, para adotar como foco o lucro e não a satisfação dos
consumidores -- outro exemplo da opção da Apple por satisfazer suas
necessidades e não a dos clientes.
A Apple tem uma fórmula vitoriosa, mas parece determinada a mudá-la. Não
lança um produto realmente novo desde o iPad, três anos atrás; em vez
disso, só melhorias graduais em sua linha, alardeadas com exagero.
Continua a fabricar produtos excelentes, e para cada fiasco como o dos
mapas há um excelente iPad mini para abrilhantar as perspectivas. Mas as
coisas não parecem meio... estagnadas?
Passos em falso da Apple: erros da empresa ao longo de sua história (clique na imagem para ampliá-la) - (Ilustração: Irapuan Campos/Folhapress).
Hierarquia
Nessa trajetória de declínio da Apple, o mais interessante é o porquê. A
mudança óbvia é a perda de Steve Jobs, no fim de 2011. Desde então,
vimos diversos equívocos que conduziram à recente reorganização que
resultou nas demissões do chefes das divisões de software, Scott
Forstall, e de varejo, John Browett.
A maioria das jovens empresas de tecnologia adota uma filosofia de
trabalho da qual o Google é exemplo: comunicações internas abertas,
decisões tomadas por escalões mais baixos da hierarquia sempre que
possível e muita colaboração entre os membros das equipes.
A Apple é o oposto, uma companhia altamente sigilosa, ao ponto da
paranoia. Tem hierarquia rígida. As decisões vêm de cima e são aplicadas
rigorosamente, com grande interferência e instruções detalhadas. Foi
feita à imagem de Steve Jobs, e para ele era importante o controle sobre
tudo o que acontecesse na Apple.
No Google, os produtos são criados por equipes em larga medida
autônomas, por isso há pouca coesão entre eles. A Apple cria produtos
altamente integrados, projetando tudo, dos processadores ao design. Mas
depende da visão e da criatividade de quem comanda o processo.
A força do chefe
A Apple tinha Steve, gênio que dominava a concepção e o marketing dos
produtos. Ele garantia a qualidade do que a Apple fazia. Usava as
vantagens de uma organização centralizada para obter efeitos
impressionantes. Capturava o talento de funcionários e o direcionava a
concretizar sua visão singular do futuro.
Por meio de uma combinação de inspiração, medo e brilhantismo, Jobs
transformou a Apple na maior empresa de tecnologia de nossa era.
Mas a estrutura organizacional que permitia que ele exercesse seu poder de modo tão efetivo agora se transformou em desvantagem.
Não há quem possa ocupar o lugar de Steve --ainda que alguns, em especial Forstall, tenham tentado. Agora não só Tim Cook demitiu Forstall como o fez por um ambiente mais "colaborativo".
A Apple é o oposto do Google, que é aberto, colaborativo e ligeiramente desorganizado. A empresa funcionava porque era uma ditadura. Mas ditaduras sem seus líderes tendem a se dissolver em disputas internas, intrigas e ineficiência. Esse pode ser o futuro da Apple.
Para onde vai?
A empresa, porém, tem muitos funcionários brilhantes que acreditam na visão de Steve para ela. Tem reservas de caixa quase inimagináveis e gera lucros insanamente elevados. Também produz computadores, tablets e celulares de altíssima qualidade que os consumidores fazem fila para comprar. E já demonstrou que consegue reverter crises do modo mais dramático. Em 1996, estava a dois ou três anos de ser vendida a preço de banana e de se tornar mais uma nota de rodapé de página na história da computação. Mas em 2002 já estava a meio caminho de se tornar a mais dominante empresa do planeta. O que foi feito uma vez pode ser repetido.
Mas a perda de Steve foi devastadora --toda a empresa foi construída em torno dele, e os erros atuais indicam uma organização altamente hierárquica tentando encontrar um caminho sem seu líder.
Em retrospecto, consideraremos que o auge de inovação e liderança da Apple ocorreu no início de 2012. Depois disso, ainda que a empresa continue a desfrutar de grande sucesso, a criar novos e excelentes produtos e a faturar muito dinheiro, o ritmo vai se desacelerar, mais erros acontecerão, e ela não recuperará a eficiência e o brilhantismo da primeira década do milênio.
Não há quem possa ocupar o lugar de Steve --ainda que alguns, em especial Forstall, tenham tentado. Agora não só Tim Cook demitiu Forstall como o fez por um ambiente mais "colaborativo".
A Apple é o oposto do Google, que é aberto, colaborativo e ligeiramente desorganizado. A empresa funcionava porque era uma ditadura. Mas ditaduras sem seus líderes tendem a se dissolver em disputas internas, intrigas e ineficiência. Esse pode ser o futuro da Apple.
Para onde vai?
A empresa, porém, tem muitos funcionários brilhantes que acreditam na visão de Steve para ela. Tem reservas de caixa quase inimagináveis e gera lucros insanamente elevados. Também produz computadores, tablets e celulares de altíssima qualidade que os consumidores fazem fila para comprar. E já demonstrou que consegue reverter crises do modo mais dramático. Em 1996, estava a dois ou três anos de ser vendida a preço de banana e de se tornar mais uma nota de rodapé de página na história da computação. Mas em 2002 já estava a meio caminho de se tornar a mais dominante empresa do planeta. O que foi feito uma vez pode ser repetido.
Mas a perda de Steve foi devastadora --toda a empresa foi construída em torno dele, e os erros atuais indicam uma organização altamente hierárquica tentando encontrar um caminho sem seu líder.
Em retrospecto, consideraremos que o auge de inovação e liderança da Apple ocorreu no início de 2012. Depois disso, ainda que a empresa continue a desfrutar de grande sucesso, a criar novos e excelentes produtos e a faturar muito dinheiro, o ritmo vai se desacelerar, mais erros acontecerão, e ela não recuperará a eficiência e o brilhantismo da primeira década do milênio.
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domingo, 11 de novembro de 2012
É bom ficar de olho: gigante estatal chinesa entra firme no setor energético brasileiro
O Globo de hoje noticia que a gigantesca estatal chinesa State Grid, responsável pelo fornecimento de energia a 88% do território da China, escolheu o Brasil como um dos destinos de seus investimentos e se instalou no Rio, onde comprou por R$ 205 milhões um prédio inteiro no centro da cidade. Além dos setores tradicionais de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, a State Grid (SG) está interessada também na venda de equipamentos para a produção de energia solar e eólica.
Qualquer notícia envolvendo a venda de produtos chineses é altamente preocupante, qualquer que seja o mercado do planeta, porque a possibilidade de dumping é real e sempre presente. Uma prova disso é que, exato neste momento, a União Europeia (UE) e os EUA estão em guerra aberta contra os fabricantes chineses de painéis fotovoltaicos -- uma das áreas declaradas de interesse da SG no Brasil -- que estariam sendo subsidiados deslealmente pelo governo chinês, segundo notícia do International Herald Tribune (IHT) no dia 8 deste mês (no site) e 9 de novembro na edição impressa.
Na quinta-feira, 8/11, os agentes reguladores da UE ampliaram suas investigações sobre a indústria chinesa de painéis fotovoltaicos, acusando formalmente o governo chinês de subsidiar deslealmente esses fabricantes. Essa medida, no contexto de uma disputa cada vez mais cáustica envolvendo a indústria global de energia limpa, ocorreu um dia depois dos EUA terem tomado uma decisão final de impor uma tributação sobre bilhões de dólares de produtos chineses de energia solar nos próximos cinco anos, para proteger os produtores americanos contra produtos importados mais baratos.
Essa medida veio também em seguida a um pronunciamento do governo chinês na segunda-feira, afirmando que havia entrado com uma reclamação na OMC - Organização Mundial de Comércio contra alguns países da UE, acusando-os de violarem as regras de livre comércio com políticas que favoreciam a compra de equipamentos de energia solar produzidos na Europa.
A Comissão Europeia (CE) já está investigando se fabricantes chineses venderam equipamentos a um preço inferior ao seu custo de fabricação. Essa investigação antidumping é a maior de seu gênero em termos de valor, cobrindo importações procedentes da China no montante de 21 bilhões de euros (cerca de R$ 54,6 bilhões). A investigação anunciada na quinta-feira cobre os mesmos produtos, mas está focada em saber se as autoridades chinesas distorceram a competitividade de seus produtos com práticas tais como suprir silício e vidro a preços inferiores aos de mercado, oferecer empréstimos ou financiamentos a baixo custo, ou isentar as companhias locais de regras regulatórias. Em pronunciamento, a CE afirmou já dispor de evidências suficientes para a abertura da investigação.
A disputa tem provocado divergências no seio das indústrias de equipamentos solares americanas e da UE. Alguns fabricantes, liderados pela empresa alemã SolarWorld, acusam os chineses de dizimarem seus negócios com práticas de comércio desleais. Eles protestaram depois que uma dezena de fabricantes de painéis fotovoltaicos faliu ou reduziu drasticamente sua produção em ambos os lados do Atlântico. Mas, algumas empresas, incluindo muitas que instalam e consertam sistemas de energia solar, dizem que punir os chineses tornará mais difícil gerar empregos e expandir o uso de energia solar como um meio de reduzir poluição e estimular a independência energética. Segundo essas empresas, milhares de empregos nos EUA ficarão sob risco por causa de uma tentativa equivocada de proteger uns poucos fabricantes que representam apenas uma pequena parte da cadeia de valores da área de energia solar.
Os fabricantes chineses desses equipamentos, por outro lado, estão às voltas com um excesso de produtos depois que bancos estatais financiaram uma explosão na construção de tais equipamentos nos últimos quatro anos, o que deixou o país com dois terços da capacidade mundial de produção de equipamentos fotovoltaicos.
Qualquer notícia envolvendo a venda de produtos chineses é altamente preocupante, qualquer que seja o mercado do planeta, porque a possibilidade de dumping é real e sempre presente. Uma prova disso é que, exato neste momento, a União Europeia (UE) e os EUA estão em guerra aberta contra os fabricantes chineses de painéis fotovoltaicos -- uma das áreas declaradas de interesse da SG no Brasil -- que estariam sendo subsidiados deslealmente pelo governo chinês, segundo notícia do International Herald Tribune (IHT) no dia 8 deste mês (no site) e 9 de novembro na edição impressa.
Na quinta-feira, 8/11, os agentes reguladores da UE ampliaram suas investigações sobre a indústria chinesa de painéis fotovoltaicos, acusando formalmente o governo chinês de subsidiar deslealmente esses fabricantes. Essa medida, no contexto de uma disputa cada vez mais cáustica envolvendo a indústria global de energia limpa, ocorreu um dia depois dos EUA terem tomado uma decisão final de impor uma tributação sobre bilhões de dólares de produtos chineses de energia solar nos próximos cinco anos, para proteger os produtores americanos contra produtos importados mais baratos.
Essa medida veio também em seguida a um pronunciamento do governo chinês na segunda-feira, afirmando que havia entrado com uma reclamação na OMC - Organização Mundial de Comércio contra alguns países da UE, acusando-os de violarem as regras de livre comércio com políticas que favoreciam a compra de equipamentos de energia solar produzidos na Europa.
A Comissão Europeia (CE) já está investigando se fabricantes chineses venderam equipamentos a um preço inferior ao seu custo de fabricação. Essa investigação antidumping é a maior de seu gênero em termos de valor, cobrindo importações procedentes da China no montante de 21 bilhões de euros (cerca de R$ 54,6 bilhões). A investigação anunciada na quinta-feira cobre os mesmos produtos, mas está focada em saber se as autoridades chinesas distorceram a competitividade de seus produtos com práticas tais como suprir silício e vidro a preços inferiores aos de mercado, oferecer empréstimos ou financiamentos a baixo custo, ou isentar as companhias locais de regras regulatórias. Em pronunciamento, a CE afirmou já dispor de evidências suficientes para a abertura da investigação.
A disputa tem provocado divergências no seio das indústrias de equipamentos solares americanas e da UE. Alguns fabricantes, liderados pela empresa alemã SolarWorld, acusam os chineses de dizimarem seus negócios com práticas de comércio desleais. Eles protestaram depois que uma dezena de fabricantes de painéis fotovoltaicos faliu ou reduziu drasticamente sua produção em ambos os lados do Atlântico. Mas, algumas empresas, incluindo muitas que instalam e consertam sistemas de energia solar, dizem que punir os chineses tornará mais difícil gerar empregos e expandir o uso de energia solar como um meio de reduzir poluição e estimular a independência energética. Segundo essas empresas, milhares de empregos nos EUA ficarão sob risco por causa de uma tentativa equivocada de proteger uns poucos fabricantes que representam apenas uma pequena parte da cadeia de valores da área de energia solar.
Os fabricantes chineses desses equipamentos, por outro lado, estão às voltas com um excesso de produtos depois que bancos estatais financiaram uma explosão na construção de tais equipamentos nos últimos quatro anos, o que deixou o país com dois terços da capacidade mundial de produção de equipamentos fotovoltaicos.
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Continuam os protestos na Europa contra a estratégia comercial do Google
Os gigantes americanos da Internet continuam a gerar protestos de seus concorrentes, dentro e fora dos EUA. Recentemente, fiz uma postagem sobre o massacre da Amazon sobre seus concorrentes no mercado americano -- e fora dele.
No dia 26 de outubro (pág. 3), deparei-me com o seguinte anúncio na edição europeia do The Wall Street Journal (tradução de minha responsabilidade):
"O abuso de poder do Google destruiu nosso website, levou à perda de empregos europeus e matou uma empresa tecnológica inovadora.
Streetmap.co.uk era um empreendimento florescente e inovador, e um dos pioneiros iniciais do mapeamentop online. Depois de 2 anos no mercado, o Google capturou sua liderança inserindo deslealmente, de modo discriminatório, seus próprios mapas no topo dos resultados de buscas. A Streetmap.co.uk e outros sites de mapeamento foram rebaixados nos resultados de buscas, restringindo a opção de escolha pelos usuários.
No primeiro mês em que o Google promoveu seus mapas com seu sistema Universal Search enfrentamos uma queda de 40% na receita proveniente de propaganda. O Google tem que ser impedido de assim proceder em outros setores e de sufocar a competição e a opção de escolha online.
Kare Sutton
Diretora
Streetmap.co.uk "
Descubra como o Google está prejudicando os europeus inovadores -- visite nosso website em http://www.i-comp.org
ICOMP - Iniciativa por um Mercado Online Competitivo apoia orgulhosamente os inovadores europeus.
No dia 26 de outubro (pág. 3), deparei-me com o seguinte anúncio na edição europeia do The Wall Street Journal (tradução de minha responsabilidade):
"O abuso de poder do Google destruiu nosso website, levou à perda de empregos europeus e matou uma empresa tecnológica inovadora.
Streetmap.co.uk era um empreendimento florescente e inovador, e um dos pioneiros iniciais do mapeamentop online. Depois de 2 anos no mercado, o Google capturou sua liderança inserindo deslealmente, de modo discriminatório, seus próprios mapas no topo dos resultados de buscas. A Streetmap.co.uk e outros sites de mapeamento foram rebaixados nos resultados de buscas, restringindo a opção de escolha pelos usuários.
No primeiro mês em que o Google promoveu seus mapas com seu sistema Universal Search enfrentamos uma queda de 40% na receita proveniente de propaganda. O Google tem que ser impedido de assim proceder em outros setores e de sufocar a competição e a opção de escolha online.
Kare Sutton
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Sem acordo, continua a greve nas obras da Refinaria Abreu e Lima
[Pelo visto, continua uma tremenda caveira de burro a famigerada Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, a tal que vem acarretando um senhor prejuízo à Petrobras desde seu nascedouro, quando o NPA (o Nosso Pinóquio Acrobata - Lula) resolveu, do alto de sua nanométrica visão política e econômica e movido por seu estranho apego ao bizarro Hugo Chávez, fazê-la em parceria com a estatal venezuelana PDVSA.]
Ficou para a próxima segunda-feira a decisão sobre o fim da greve dos cerca de 50 mil trabalhadores que atuam nas obras da Refinaria Abreu e Lima, no complexo de Suape, em Ipojuca (PE). Representantes dos trabalhadores e da direção da Odebrecht, com mediação do ministro do Trabalho e Emprego, Brizola Neto, não chegaram a um acordo e marcaram para a próxima segunda-feira nova reunião para tentar acabar com o impasse na equiparação dos salários dos empregados contratados nas obras. A greve foi decretada no dia 30 de outubro.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Pesada de Pernambuco (Sintepav-PE), Aldo Amaral, o acordo está próximo, mas ainda depende de a empresa aceitar a proposta de equiparação dos salários das várias categorias que trabalham no complexo pela média feita pela entidade. De acordo com o sindicato, operários que exercem a mesma função ganham salários diferentes, com variações que chegam a 30%, principal motivo da paralisação, que completa 12 dias neste sábado.
Cargos de chefia, por exemplo, cujos salários variam de R$$ 3 mil a R$$ 6 mil, pela proposta do sindicato ficariam na média de R$$ 4,5 mil. O julgamento da greve pelo Tribunal Regional do Trabalho de Pernambuco, marcado para esta segunda-feira, foi adiado para terça-feira em função da reunião deste sábado e a um pedido do ministro. “Criamos um caminho para reabrir as negociações e acabar com o impasse. Conseguimos adiar o julgamento e na segunda-feira vamos fazer uma mesa de negociação lá em Pernambuco para acabar com a greve”, disse Brizola Neto, logo após a reunião de mais de duas horas que aconteceu na sede da Delegacia Regional do Trabalho, em São Paulo.
De acordo com Brizola Neto, depois de resolvido o impasse dos salários o Ministério do Trabalho e Emprego vai atuar junto com os trabalhadores para melhorar as condições de trabalho no complexo de Suape, a exemplo do que aconteceu nas obras das usinas de Santo Antonio e Jirau, no rio Madeira, em Porto Velho (RO). “Vamos reproduzir em Suape o que foi feito em Santo Antonio e Jirau”, disse o ministro.
Pelos cálculos de empresários e sindicalistas a equiparação dos salários em Suape vai significar um custo adicional para a Odebrecht de R$$ 30 milhões por ano. Já os prejuízos com a paralisação no complexo chegam a R$$ 15 milhões por dia. Segundo o ministro, esses números serão informados à Petrobras.
Ficou para a próxima segunda-feira a decisão sobre o fim da greve dos cerca de 50 mil trabalhadores que atuam nas obras da Refinaria Abreu e Lima, no complexo de Suape, em Ipojuca (PE). Representantes dos trabalhadores e da direção da Odebrecht, com mediação do ministro do Trabalho e Emprego, Brizola Neto, não chegaram a um acordo e marcaram para a próxima segunda-feira nova reunião para tentar acabar com o impasse na equiparação dos salários dos empregados contratados nas obras. A greve foi decretada no dia 30 de outubro.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Pesada de Pernambuco (Sintepav-PE), Aldo Amaral, o acordo está próximo, mas ainda depende de a empresa aceitar a proposta de equiparação dos salários das várias categorias que trabalham no complexo pela média feita pela entidade. De acordo com o sindicato, operários que exercem a mesma função ganham salários diferentes, com variações que chegam a 30%, principal motivo da paralisação, que completa 12 dias neste sábado.
Cargos de chefia, por exemplo, cujos salários variam de R$$ 3 mil a R$$ 6 mil, pela proposta do sindicato ficariam na média de R$$ 4,5 mil. O julgamento da greve pelo Tribunal Regional do Trabalho de Pernambuco, marcado para esta segunda-feira, foi adiado para terça-feira em função da reunião deste sábado e a um pedido do ministro. “Criamos um caminho para reabrir as negociações e acabar com o impasse. Conseguimos adiar o julgamento e na segunda-feira vamos fazer uma mesa de negociação lá em Pernambuco para acabar com a greve”, disse Brizola Neto, logo após a reunião de mais de duas horas que aconteceu na sede da Delegacia Regional do Trabalho, em São Paulo.
De acordo com Brizola Neto, depois de resolvido o impasse dos salários o Ministério do Trabalho e Emprego vai atuar junto com os trabalhadores para melhorar as condições de trabalho no complexo de Suape, a exemplo do que aconteceu nas obras das usinas de Santo Antonio e Jirau, no rio Madeira, em Porto Velho (RO). “Vamos reproduzir em Suape o que foi feito em Santo Antonio e Jirau”, disse o ministro.
Pelos cálculos de empresários e sindicalistas a equiparação dos salários em Suape vai significar um custo adicional para a Odebrecht de R$$ 30 milhões por ano. Já os prejuízos com a paralisação no complexo chegam a R$$ 15 milhões por dia. Segundo o ministro, esses números serão informados à Petrobras.
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