quinta-feira, 22 de maio de 2014

Radiografia indigesta da Copa, presente de grego do NPA ao país piorado por Dilma NPS

[No calendário inesgotável de besteiras e lambanças dos governos do NPA (Nosso Pinóquio Acrobata, Lula) o dia 30/10/2007 tem seu lugar bem reservado: nesse dia o Brasil foi oficializado como sede da Copa do Mundo de Futebol de 2014.  A impressionante ausência de ruas pintadas e decoradas às vésperas desse evento em que o Brasil busca um inédito hexacampeonato, em evidente contraste com anos anteriores, evidencia a insatisfação da população com a carreação de bilhões de reais para estádios faraônicos, em sua esmagadora maioria em absoluto descompasso com seu entorno social, em um país onde a corrupção anda à solta -- inclusive e especialmente em obras da Copa -- e o povo não tem saúde pública, educação pública, segurança, transporte público e infraestrutura minimamente decentes.

Transcrevo abaixo a impressionante radiografia que o site da revista Veja publicou em 04/3 sobre o custo total previsto para  a Copa do Mundo. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]

Custo total da Copa poderá chegar aos 30 bilhões de reais

Veja -- 04/3/2014



Arena Corinthians (Itaquerão), estádio de abertura da Copa, ainda em obras (no site da revista há 37 fotos a mais) - (Foto: Veja). 

Vinte e seis bilhões de reais. Esse é o custo da Copa de 2014, de acordo com a última atualização da Matriz de Responsabilidades, documento que reúne todas as intervenções relacionadas com o Mundial a cargo do governo federal, dos governos estaduais e cidades-sede. A lista tem de obras em estádios a projetos na área de turismo, passando por telecomunicações, portos e segurança, entre outros. Esse valor, no entanto, está defasado: há estimativas de que, no final, a conta baterá nos 30 bilhões de reais. Isso porque a última atualização da Matriz foi feita em setembro do ano passado. Desde então, houve apenas mais uma intervenção no documento, basicamente para a exclusão de obras que não ficarão prontas até a Copa.

Assim, não entraram no cálculo total despesas como as com as estruturas temporárias, exigência da Fifa para todas as arenas do Mundial. Em média, o custo vai ser 40 milhões de reais por estádio, a serem gastos com itens diversos, entre eles aluguel de tendas, aparelhos de raio-x e implantação do sistema de tecnologia de informação. Essa é uma das principais pendências na preparação para a Copa. A 100 dias da abertura, a maior parte das cidades ainda não viabilizou a aquisição de materiais e equipamentos que compõem o aparato das temporárias. Pior: em alguns casos, ainda há discussão para definir quem vai pagar a conta. É o caso de São Paulo, palco da abertura.

Por contrato, as despesas seriam bancadas pelo Corinthians. O clube, porém, quer ajuda de parceiros privados ou do poder público (que já ajudou a conseguir patrocinadores para as arquibancadas provisórias). O problema é que o tempo está passando. No caso do Itaquerão e de várias outras arenas, o atraso pode comprometer a qualidade de alguns sistemas e equipamentos que serão instalados, além de tornar os serviços mais caros. Há obras complexas por fazer, mas até intervenções simples estão atrasadas. É o caso das obras no entorno do Beira-Rio, em Porto Alegre. Basicamente, é preciso fazer a pavimentação das vias, pequenas, mas ainda não foi feita sequer a licitação - o primeiro edital não teve interessados.


Pesquisa VEJA: o brasileiro e a Copa-2014







O que ficou só na promessa para o Mundial


Estádios privados


O Estádio Nacional de Brasília: o custo se aproxima dos 2 bilhões de reais em verba pública - (Foto: Veja)

O ministro do Esporte do governo Lula prometia uma Copa totalmente privada, sem uso de dinheiro público nas arenas. Entre as doze sedes do Mundial, porém, só três (São Paulo, Curitiba e Porto Alegre) são empreendimentos particulares - e mesmo essas obras dependem de financiamento de bancos estatais e generosos incentivos públicos.

[O site Brasil Post Esportes informa em 12/02/2014 que o custo das Arenas da Copa havia atingido quase o triplo do orçamento inicial -- passara de R$ 2,8 bilhões para mais de R$ 8 bilhões --, com destaque para o Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília (passou de R$ 745,3 milhões para R$ 1,4 bilhão), o Maracanã (de R$ 600 mi para R$ 1,05 bi), Arena da Baixada, em Curitiba (de R$ 184,5 mi para R$ 326,7 mi), Beira Rio em Porto Alegre (de R$ 130 mi para R$ 330 mi), Mineirão em Belo Horizonte (de R$ 426,1 para R$ 695 mi), Arena Fonte Nova, em Salvador (de R$ 591,7 para R$ 689,4 mi) e Arena Amazônia, em Manaus (de R$ 515 para R$ 669,5 mi). Adivinhem se alguém será preso por causa disso?]

Cumprimento dos compromissos


O Itaquerão, palco da abertura: obra deverá ser concluída apenas às vésperas da estreia - (Foto: Veja).


Quando os críticos da Copa apontavam o risco de o país repetir velhos vícios e entregar as obras em cima da hora, pagando mais do que o prometido por elas, o governo prometia seguir os planos à risca, mostrando que o Brasil é capaz de fazer as coisas conforme o combinado. Mas ele não é. Todos os estádios estouraram o orçamento, e os prazos estabelecidos pela Fifa foram repetidamente ignorados.


Revolução na infraestrutura


Trem-bala japonês: a versão brasileira foi adiada por tempo indeterminado em agosto de 2013 - (Foto: Veja).



A Copa foi usada como pretexto para a discussão de projetos há muito sonhados - como, por exemplo, o trem-bala que ligaria São Paulo ao Rio de Janeiro, possivelmente com extensões aos aeroportos de Cumbica e Viracopos. Os palcos da abertura e da final do Mundial, no entanto, seguem sem ter essa ligação rápida e prática.

Aeroportos modernizados


Obra do aeroporto de São Gonçalo do Amarante, próximo a Natal: projeto demorou a decolar - (Foto: Veja).



Há investimentos no setor, mas eles são muito mais tímidos do que o governo insiste em anunciar. Levantamento da ONG Contas Abertas mostra que, até abril de 2013, a Infraero utilizou apenas 18% dos recursos previstos neste ano para melhorias e obras nos aeroportos. Num ranking de qualidade com 142 países, nossos aeroportos estão na 122ª posição.


Transporte público de qualidade


O VLT de Brasília: projeto era muito bonito no papel, mas não vai virar realidade - (Foto: Veja).



Na Matriz de Responsabilidade, documento que lista os compromissos da União, estados e municípios em relação à Copa, a previsão inicial era de um investimento total de 11,9 bilhões de reais em projetos de mobilidade urbana nas doze cidades-sede. Com o fracasso de pelo menos seis projetos, 3 bilhões de reais foram cortados.

Combate ao supérfluo


O Maracanã, palco da final: atuação do TCU impediu desperdícios multimilionários na obra - (Foto: Veja).



O governo falava em realizar uma Copa dentro das possibilidades dos brasileiros, sem despesas desnecessárias. Essa cautela, porém, não existiu. O Tribunal de Contas da União (TCU) conseguiu identificar gastos excessivos em obras de mobilidade urbana, estádios, aeroportos, portos e telecomunicações. Sua atuação provocou economia de 600 milhões de reais.

Seis pontos vulneráveis no Brasil em 2014

Dores de cabeça nos aeroportos

No decorrer da Copa das Confederações, muitos visitantes reclamaram das falhas na infraestrutura aeroportuária brasileira. Em sedes como Belo Horizonte e Rio de Janeiro (Galeão), deram de cara com aeroportos em obras. Em Salvador, viram um terminal ficar cheio d'água após um temporal. E em quase todas as sedes, sofreram com pequenos transtornos que já viraram rotina para os passageiros brasileiros - e que fazem a experiência de voar no país ser muito mais desagradável. Exemplos: a constante troca de portões de embarque, que faz o viajante zanzar de um lado para outro nos momentos que antecedem o voo, e a longa espera nas esteiras de retirada de bagagens. Além da baixa qualidade dos serviços oferecidos em muitos aeroportos brasileiros, há um outro obstáculo para a Copa: ela está marcada para um período do ano em que muitos aeroportos, principalmente no Sul e no Sudeste, ficam fechados por causa da neblina. Garantia de fortes emoções para quem tiver voos marcados para os dias de jogos em Porto Alegre, Curitiba, São Paulo (Congonhas) e Rio de Janeiro (Santos Dumont).

Deficiências da aviação civil
Não é só na infraestrutura física que o setor aéreo preocupa. O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, disse que o Brasil tem de oferecer voos em melhor número - e com melhores rotas - entre as doze sedes do Mundial. Referia-se às maratonas que os funcionários da entidade, torcedores, patrocinadores e correspondentes estrangeiros enfrentaram para se deslocar de uma cidade para outra entre as partidas, com constantes escalas em aeroportos como Brasília, Rio e até São Paulo, que nem sequer fazia parte do mapa da Copa das Confederações. As principais companhias aéreas do país dizem que estarão prontas para atender aos visitantes e dar conta da demanda em junho e julho de 2014. A responsabilidade é grande: com as longas distâncias entre as sedes (e a falta de alternativas encontradas em outros países, como os trens de alta velocidade), a aviação será a forma de deslocamento mais comum entre as cidades. Durante um mês, os voos entre as doze sedes ficarão totalmente lotados - e terão de funcionar como um relógio para não atrapalhar a vida dos envolvidos no megaevento.


Formas de acesso às arenas

Os poucos turistas estrangeiros que vieram ao país para a Copa das Confederações logo constataram um problema comum na vida do torcedor brasileiro: nem sempre o acesso ao estádio é prioridade dos dirigentes e autoridades. Se nas grandes arenas dos países desenvolvidos há diferentes opções para ir ao jogo - o público costuma se dividir entre metrôs ou trens, ônibus e uso do carro particular -, algumas das sedes deixaram a desejar pela falta de alternativas (combinada, aliás, à localização pouco conveniente de algumas arenas). O caso mais emblemático é o de Recife, com um estádio distante demais, com apenas uma estreita via de acesso e com poucas vagas de estacionamento - ir de carro, portanto, é para poucos. Restava o metrô, mas a estação que serve à arena é distante, forçando o torcedor a pegar mais um ônibus para chegar. A viagem foi longa, mais de uma hora a partir da região onde estão concentrados os hotéis da capital pernambucana. Fortaleza, uma das principais sedes tanto em 2013 como em 2014, também deixa a desejar nesse quesito, preocupando os organizadores.
Hotelaria pouco desenvolvida
O Brasil está longe de ser um dos principais destinos turísticos do mundo. Em decorrência disso, sua rede hoteleira nem sempre está à altura das expectativas dos visitantes. Na Copa das Confederações, pelo menos duas delegações reclamaram dos hotéis em que foram hospedadas, por falhas no serviço ou nas instalações. Os uruguaios, por exemplo, não gostaram de descobrir que seu hotel no Recife não tinha nem sequer uma sala de ginástica. Tiveram de ir procurar uma academia. E essa é a vida de quem fica nos hotéis escolhidos pela Fifa. Mais imprevisível ainda será a experiência dos turistas que tiverem de ocupar os quartos de estabelecimentos defasados e mal conservados, outro problema recorrente nas sedes. O investimento no setor é alto para o ano que vem. Ainda assim, os representantes da Fifa sabem que, se em número total de leitos o Brasil promete dar conta do recado e abrigar todos os visitantes, nos quesitos qualidade e atendimento ainda há muito a melhorar. Para piorar, existe o temor sobre o aumento repentino e abusivo das diárias cobradas no decorrer do período de disputa da Copa.
Baixa qualidade de alguns serviços
O ministro Aldo Rebelo costuma dizer que o brasileiro é tão caloroso e simpático que transformará a estadia dos estrangeiros no país durante a Copa numa experiência sempre agradável e sem sobressaltos. Na prática, porém, não é bem assim. O setor de serviços se desenvolveu muito nos últimos anos, mas ainda está longe de atingir o grau de aperfeiçoamento dos países em que há maior fluxo de turistas. Nos hotéis, nos restaurantes, nas lojas e nos táxis, o visitante acabará, em algum momento, sofrendo nas mãos de funcionários pouco capacitados. Para complicar, ainda há a barreira do idioma, que persiste principalmente nas cidades pouco acostumadas a receber grandes números de estrangeiros. É um problema de difícil solução - e que reflete bem o atual estágio do Brasil na escala do desenvolvimento econômico. Falta pouco tempo para o Mundial, mas a qualificação e o treinamento de quem receberá os visitantes em 2014 devem estar entre as prioridades de quem pretende aproveitar a realização do evento para sair lucrando. Além disso, é um investimento que renderá mais frutos no futuro.
Segurança não só nos estádios
Trata-se de uma preocupação que cerca o evento desde que o Brasil foi escolhido para receber a competição, em 2007. Naquela ocasião, os questionamentos sobre a violência urbana no país provocaram enorme irritação no então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que chegou a responder de forma ríspida aos jornalistas estrangeiros que o questionavam na sede da Fifa. Conforme o próprio cartola brasileiro afirmou na ocasião, a enorme maioria dos países tem de lidar com a criminalidade, de fato. A contagem regressiva para a Copa, porém, transcorre em meio a um clima de preocupação crescente com os índices de crimes. As cidades que receberão a abertura e a final, São Paulo e Rio, enfrentam cenários alarmantes. Para complicar o quadro, a mobilização das forças de segurança em torno das arenas - ainda mais em caso de instabilidade social, como na Copa das Confederações - faz com que os contingentes policiais e militares tenham de se desdobrar em múltiplas funções. Haverá policiamento suficiente para manter o perímetro de segurança dos jogos e ao mesmo tempo proteger os visitantes nas cidades?








4 comentários:

  1. Irrepreensível delação. Retrato de um descontentamento generalizado e desconcertante. Haveria cabimento em canalizar tal sentimento para as urnas, em vez de queimar, rapinar ou mesmo trangredir esse saco de gatos que chamamos de "código penal e código processual penal". Que tal votarmos melhor, por mais difícil que essa tarefa nos pareça? Com a palavra o calhorda, o cabotino, o ingênuo e o sério.

    ResponderExcluir
  2. Reproduzo a seguir comentário que recebi via email:
    Caro Vasco
    Tenho feito um apelo a todos que estão propalando tantas desmoralizações da Copa neste momento (quando deveriam ter sido protestadas por nós na ocasião), já que não há como reverter os desvairados gastos ja realizados . Acho que tais protestos ,embora retratam uma realidade, tem um teor puramente político partidário mas,dar crédito a quem??, infelizmente não existe um partido ilibado que possamos dar crédito ( eu, pelo menso, me desiludi com todos eles) .Acho que, os gritos hoje só trarão prejuízos imensos ao Brasil. È hora de torcermos pelo nosso país e que seja o maior evento do século e que traga incalculáveis e inesgotáveis divisas para que o país cresça e saia destes atoleiros que nossos políticos nos colocaram........É como eu tenho dito:

    Entendo que querer abortar a Copa, nesta altura, é quase desumano, posto que, a maior finalidade não vai ser o que a copa vai arrecadar, mas, inegavelmente, as imensas divisas em Turismo, que o Brasil certamente poderá obter para o resto da vida. A Copa do Mundo é o maior evento do planeta, será divulgado sim, por todo o canto em vídeos e a cores. O Brasil será projetado neste universo e tem tudo para explodir com a Copa mostrando ser o melhor e o mais encantador país da face da terra, pelo seu povo gentil, alegre, hospitaleiro e, com seu clima, sua música e belezas naturais inigualáveis. É tudo que há de prevalecer e que todo “brasileiro” deve almejar, repudiando estas tentativas depreciativas contra um fato irreversível, que só redundaria em prejuízos ao nosso país.

    ABÇS SERGIO

    ResponderExcluir
  3. Faltou informar que o email acima é do engenheiro Sergio Gomes.

    ResponderExcluir
  4. segundo jornais locais da capital de mato grosso do sul, campo grande, cidade premiada, por não receber esse presente de grego...em 1 ano está sendo construído um polo da universidade estadual para 1800 alunos (inclusive medicina) por 45 milhões de reais...Pergunto, se campo grande tivesse sido "premiado" como sede de copa, essa faculdade importantíiiissima sairia? Pergunto ainda, essa gastança não terá inibido projetos semelhantes a esses a sairem do papel brasil afora? APENAS 1 ESTADIO, QUANTAS FACULDADES FARIAM? http://www.campograndenews.com.br/cidades/capital/campus-da-uems-fica-pronto-este-ano-e-laboratorio-de-medicina-sera-no-hr

    ResponderExcluir