segunda-feira, 21 de março de 2011

Bandidos estão saqueando tesouros arqueológicos do Peru e de outros países latino-americanos

Moche é uma das mais antigas e misteriosas civilizações da América do Sul, que antecedeu em 1.000 anos a dos Incas. Tendo como berço o norte do Peru, ela floresceu no período de 100 a 800 DC e construiu canais e estruturas piramidais monumentais, denominadas huacas, e produziu cerâmicas e jóias de desenhos e detalhes complexos. A região peruana onde nasceu e floresceu transformou-se em uma "paisagem lunar", devido às valas e buracos de saqueadores em centenas de quilômetros. "Estima-se que mais de 100 mil túmulos -- mais da metade dos sítios conhecidos no país -- foram saqueados", diz um relatório recente denominado "Preservando nossa Herança em Desaparecimento" emitido pelo Fundo de Herança Global (Global Heritage Fund, de S. Francisco, EUA). Esse mesmo relatório identificou 200 locais "sob risco" em países em desenvolvimento, com destaque para as Américas do Sul e Central. Quadrilhas de saqueadores estão pilhando esse tesouro do Peru, para vendê-lo ilegalmente para turistas e colecionadores.

A maioria dos huaqueros é formada de agricultores, que assim agem para complementar suas magras receitas, mas há também o caso de pessoas autorizadas pelos colonizadores espanhóis a fazer mineraçãp para a descoberta de tesouros, devastando a região e causando danos irremediáveis.

Todos esses problemas virão à tona e serão discutidos por ocasião das comemorações pelo centésimo aniversário da redescoberta de Machu Picchu, a cidadela inca no sul do Peru, pelo historiador norte-americano Hiram Bingham.

Jeff Morgan, diretor executivo do Global Heritage Fund, instou o governo peruano a desviar o fluxo turístico de Machu Picchu -- sobrecarregada com dois milhões de visitantes por ano -- para outros locais menos conhecidos, que poderiam assim angariar receita para a proteção de suas heranças culturais e arqueológicas. Leia mais.
O 100° aniversário da redescoberta de Machu Picchu colocará em destaque à pilhagem que hoje se faz dos tesouros arqueológicos da região. (Foto: Alamy)

Embraer e Azul farão o primeiro teste de bioquerosene de cana em avião

A pista experimental da Embraer em Gavião Peixoto, na região de Ribeirão Preto, servirá de palco para a decolagem do primeiro avião abastecido com bioquerosene de cana-de-açúcar.

O projeto é desenvolvido em uma parceria entre Embraer, Azul Linhas Aéreas, Amyris e GE. O teste está programado para ocorrer no primeiro semestre de 2012.

Um tipo de bioquerosene de pinhão já foi testado em um voo da TAM, mas até hoje, segundo a Embraer, nenhuma experiência foi feita com a cana, principal matéria-prima para bicombustíveis no país.

De acordo com o diretor de Estratégias e Tecnologias para o Meio Ambiente da Embraer, Guilherme de Almeida Freire, o objetivo da parceria é desenvolver um combustível que possibilite o voo sem a necessidade de modificações nos aviões.

"Todos os trabalhos são para que as modificações ocorram apenas no bioquerosene, sem que sejam necessários investimentos na adaptação de aeronaves ou na infraestrutura aeroviária", afirmou Freire.

Ele disse que a fabricação do querosene de cana-de-açúcar utiliza um processo de fermentação "primo", ou semelhante, ao usado na produção do etanol utilizado nos carros.

O voo para testar a novidade será em uma aeronave da Azul.(Fonte: ver aqui).

Street View: a França aplica uma multa no Google

Através da Comissão Nacional de Informática e das Liberdades (CNIL), a polícia francesa da vida privada, a França aplicou uma multa de 100 mil euros no Google por haver coletado dados pessoais quando da implantação de seu Google Street View, seu serviço de cartografia interativa.

Para colocar em operação esse serviço o Google utiliza veículos equipados com câmeras e registradores, que circulam pelas ruas e filmam a paisagem em 360 graus. Mas essas viaturas  não coletam apenas imagens: "Controles feitos no final de 2009 e início de 2010 permitiram à CNIL constatar que os veículos utilizados no território francês captavam e registravam não apenas fotografias, mas também dados que circulavam pelas redes sem fio Wi-Fi de particulares, sem o conhecimento das pessoas afetadas", informa a CNIL. Controles semelhantes efetuados em outros países chegaram à mesma conclusão.

"Como já dissemos, lamentamos profundamente haver coletado por engano dados circulando em redes Wi-Fi sem proteção" reagiu Peter Fleischer, diretor de proteção de dados pessoais no Google, quando soube da multa. "Assim que percebemos o que ocorria suspendemos a circulação dos veículos e comunicamos imediatamente o fato às autoridades francesas. Nosso objetivo sempre foi destruir esses dados, e estamos contentes com a autorização que recebemos da CNIL para isso. Leia mais.
Os veículos Street View do Google, equipados com câmeras de 360 graus, coletaram dados privados (AFP/Daniel Mihaillescu).

Banco Mundial estima em 235 bilhões de dólares os danos ao Japão

Segundo declaração do Banco Mundial nesta segunda-feira, o terremoto e o tsunami de 11/3/11 no Japão causaram danos de 235 bilhões de dólares, o que os torna um dos desastres naturais mais caros da história moderna. O esforço de reconstrução levará 5 anos, diz o Banco em seu relatório, e custará bem mais que o terremoto do Haiti do ano passado, o de Kobe em 1995, que o furacão Katrina de 2005 e o tsunami do sul da Ásia em 2004. O Banco diz ainda que as consequências econômicas do desastre poderiam reduzir os rendimentos dos bônus japoneses, mas isso teria apenas um "modesto impacto de curto prazo" no leste da Ásia.

Até agora 8.649 pessoas morreram, outras 13.262 estão desaparecidas, e milhares foram evacuadas para abrigos em Tóquio e outros locais.

Os problemas na usina de Fukushima Daiichi ainda não foram controlados. Em um relatório emitido nove dias antes da tragédia deste mês de março, a agência de segurança nuclear do Japão criticou a empresa Tokyo Electric Power (TEPCO), responsável por Fukushima, por falhar repetidamente em fazer inspeções em equipamentos críticos, informou a agência Associated Press (AP) nesta segunda-feira. A Agência de Segurança Industrial e Nuclear (NISA, em inglês) citou a empresa por ignorar programas de inspeção e deixar de examinar 33 peças de equipamentos da usina de Fukushima Daiichi, incluindo peças cruciais do sistema de resfriamento, os geradores diesel de emergência da unidade 3, as bombas para reatores das unidades 1 e 2, e o gerador da unidade 4, diz a AP. Entretanto, as autoridades de segurança declinaram de culpar as citadas violações pela crise atual. Leia mais.

Avanços da ciência, aqui e lá fora (51)

  • Terras raras elevam eficiência de material termoelétrico em 25% -- Pesquisadores do Laboratório Ames, nos Estados Unidos, alcançaram uma melhoria surpreendente de 25% no rendimento dos materiais termoelétricos. Nas usinas termoelétricas o calor é usado para gerar vapor d'água, que é usado para gerar uma turbina, que por sua vez aciona um gerador, que finalmente produz a eletricidade. O material termoelétrico - uma chapa sólida feita com uma liga metálica especial - elimina todos esses passos, transformando diretamente o calor em eletricidade. O grande problema é que os materiais termoelétricos ainda são ineficientes. Leia mais.
  • Reator fotoquímico brasileiro inova com tecnologia de LEDs --
    Cientistas brasileiros desenvolveram uma nova versão de um reator fotoquímico usando a tecnologia dos LEDs - diodos emissores de luz.
    Reatores fotoquímicos são usados, entre outros objetivos, na investigação de reações fotoquímicas, nos estudos da fotossíntese artificial e da terapia fotodinâmica, técnica utilizada no tratamento do câncer. A maior inovação do novo reator fotoquímico é a substituição das lâmpadas fluorescentes por LEDs, uma nova tendência em tecnologia que aumenta consideravelmente a eficácia luminosa do aparelho. Leia mais.
    A maior inovação do novo reator fotoquímico é a substituição das lâmpadas fluorescentes por LEDs. [Imagem: IFSC]




Avanços da ciência, aqui e lá fora (50)

  • Finep e BNDES assinam acordo de inovação no setor de açúcar e etanol -- A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT) e o BNDES assinaram no dia 17 um Acordo de Cooperação Técnica para a execução do Plano Conjunto de Apoio à Inovação Tecnológica Industrial dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico (PAISS). O objetivo é que o Brasil possa alcançar, nas tecnologias mais avançadas, o mesmo protagonismo tecnológico já apresentado na produção de biocombustíveis convencionais. Leia mais.
  • Novo biofármaco pode aprimorar o tratamento do diabetes -- Um biofármaco que acaba de ser desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) -- e que já teve seu pedido de patente depositado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) -- pode representar um novo caminho para tornar mais eficaz o tratamento do diabetes. O medicamento,  produzido no Laboratório de Biotecnologia da universidade (BiotecFar), baseia-se em um sistema de liberação prolongada de amilina humana e tem como objetivo oferecer aos diabéticos um melhor controle da glicemia. Leia mais.
  • CTI lança pedra fundamental de novo parque tecnológico -- O complexo terá 5000m2, financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT), receberá um investimento de mais de R$ 15 milhões e tem o objetivo de viabilizar a sinergia entre empresas e entidades de pesquisa que atuem em setores tecnológicos de ponta a realizarem trabalhos em parceria com o CTI. Leia mais.

domingo, 20 de março de 2011

Histórias sórdidas envolvendo Kadafi e os principais líderes do Ocidente

Quem quiser saber mais sobre os bastidores sujos de uma relação promíscua entre Muammar Kadafi e os principais líderes do Ocidente precisa ler o artigo Can Buy Me Love, na Newsweek desta semana. Antes que os líbios se levantassem contra ele, Kadafi usou dinheiro e propostas diplomáticas de estabelecimento de relações amistosas cronologicamente bem programadas para insinuar-se nas boas graças do Ocidente. O artigo mostra como George W. Bush, Tony Blair, Nicolas Sarkozy, Gordon Brown e Silvio Berlusconi deram ao brutal ditador nova aparência e estilo.

Como o artigo diz, a história é "sórdida" e começa em 2003 no tradicional Travellers Club em Londres, que desde o século 19 tem sido um lugar favorito para encontro de cavalheiros das intrigas e maquinações internacionais. Foi lá, em dezembro de 2003, que o mestre da espionagem líbia, Musa Kusa, encontrou-se com representantes dos serviços de inteligência ingleses e americanos, com o objetivo de elaborar um acordo que tirasse o patrão de Musa, Muammar Kadafi, de uma situação de indiferença e congelamento e o colocasse novamente em cena.

Musa, hoje ministro das Relações Exteriores da Líbia, tem mestrado pela Universidade do Estado de Michigan nos anos 1970 e seus dois filhos nasceram nos EUA e são cidadãos americanos. Foi o domínio que tem dos modos e maneiras ocidentais que o tornou tão eficiente em seu papel básico de viabilizador de Kadafi, ajudando e estimulando o comportamento patológico do líder líbio. Musa inventa desculpas, evita e bloqueia consequências, gera acordos e acomodações, e assim tem conseguido manter seu patrão no poder não importa os crimes que ele tenha cometido contra seu próprio país ou contra o mundo. Mas o que é realmente perturbador é a lista de líderes mundiais que conseguiu juntar nessa atividade: Tony Blair, Nicolas Sarkozy, Silvio Berlusconi, Gordon Brown e até mesmo George W. Bush. Como eles acabaram colaborando com alguém que já havia sido e voltaria a ser um pária?

George Tenet, ex-diretor da CIA, chamou as negociações com Musa "ilustrativas do mundo surreal em que temos que operar". Segundo Tenet, muitos na CIA na realidade suspeitavam que Musa havia arquitetado a explosão, em 1988, do vôo 103 da Panam sobre Lockerbie, Escócia, matando 270 pessoas. Mas em 2003 os serviços de inteligência ocidentais  sentiam-se tão confortáveis com as propostas de Musa como nas poltronas de couro do Travellers Club -- e ajudaram os líderes ocidentais a se sentirem da mesma maneira. Eram um acordo ao qual ninguém poderia resistir: os campos de petróleo da Líbia seriam completamente abertos para o Ocidente, e os bancos americanos e europeus poderiam voltar a drenar as receitas do país. E Kadafi renunciaria publicamente ao seu supostamente verdadeiro programa nuclear (grande parte do qual nunca tinha sido sequer desencaixotada). Tendo invadido o Iraque em busca de armas de destruição em massa inexistentes, o governo Bush poderia alegar que pelo menos na Líbia os esforços estavam dando frutos. O plano parecia beneciar todo mundo exceto, como finalmente se viu, o povo líbio.

A campanha de Musa para a reabilitação de Kadafi escorava-se fortemente no forte interesse do Ocidente pelo petróleo e pelo dinheiro da Líbia, mas ele usou outros instrumentos também, como por exemplo a queda de alguns líderes democráticos por tiranos úteis. Leia mais. Ver também postagem recente sobre a atual intervenção militar na Líbia.
Ilustração por Sean Mc Cabe