quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Irã ameaça bloquear o Estreito de Ormuz se for atacado

O comandante da Marinha iraniana, parte da Guarda Revolucionária do país, declarou no dia 7 que as forças iranianas bloquearão o Estreito de Ormuz se houver qualquer ataque de forças inimigas contra o país. Ele declarou ainda que, além do Estreito, o Irã exerce completo controle sobre o Golfo Pérsico, cuja segurança está a cargo da força naval iraniana. Pelo Estreito de Ormuz transitam 40% de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo. Leia mais.
Contra-Almirante Ali Fadavi, comandante da Força Naval iraniana.

Pacificação de favelas no Rio: uma visão estrangeira

Graças a um dileto amigo, a quem agradeço, tive acesso a um longo e interessante artigo da importante publicação Stratfor Global Intelligence com o título Special Report: Brazil's Battle Against Drug Traffickers, sobre a pacificação de favelas no Rio.

O artigo começa mencionando a ocupação de 9 favelas em menos de duas horas no dia 6 deste mês. Descreve o efetivo policial-militar envolvido nessa operação e o modelo de UPP - Unidade de Polícia Pacificadora adotado desde 2008, e menciona os desafios que essa campanha tem pela frente, entre eles a carência de recursos, especialmente na polícia, para uma ocupação desse complexo de favelas (só Santa Teresa possui 12 favelas e cerca de 560 mil habitantes), e o baixo salários dos policiais.

A Stratfor é uma publicação de acesso restrito a leitores assinantes, mas dá direito a uma cópia grátis de um artigo -- seu site é www.stratfor.com

Petróleo: um novo cenário estratégico

O jornal espanhol El País publicou interessante artigo sobre economia no dia 6 deste mês, em que comenta que Brasil, China e Rússia formam o que chama de nova geoestratégia do petróleo, em decorrência do aumento de porte de suas empresas petrolíferas. Empresas gigantes como as russas Gazprom (receitas de 74,8 bilhões de euros em 2009), Lukoil e Rosneft, a brasileira Petrobras e as chinesas CNPC, Sinopec e CNOOC estão se contrapondo às tradicionais cinco grandes dessa indústria altamente competitiva: ExxonMobil, Shell, British Petroleum (BP), Total e Chevron. Para se ter uma ideia do tamanho desse jogo, basta dizer que a capitalização bursátil desses participantes é de algo como 818,4 bilhões de euros.

Sobre esse pano de fundo há um outro quadro que começa a delinear-se. "Potências petrolíferas como EUA e Canadá estão esgotando suas reservas, porque seu consumo interno é muito superior à sua atual capacidade de produção e às suas jazidas", comenta Francisco Álvarez-Ossorio, sócio responsável pela área de energia e recursos naturais da KPMG. De fato, segundo a BP, as reservas provadas americanas passaram de 30,7 bilhões de barris em 2002 para 28,4 bilhões em 2009 -- no mesmo período, as reservas brasileiras cresceram de 9,8 bilhões para 12,9 bilhões. A produção brasileira também mostrou vigor, passando de 1,899 milhão de barris/dia em 2008 para 2,029 durante 2009, um crescimento de pouco mais de 7%. Mas, nesse novo cenário, o Oriente Próximo resiste a perder sua liderança no setor. Leia mais.
Uma plataforma de petróleo na Baía da Guanabara -- o Brasil se converteu em uma potência do setor (Foto: Marcus Almeida).

Museu de arte busca asilo na Alemanha para escapar de máfia italiana

Ameaças da Máfia e a incompetência do governo esgotaram a paciência de Antonio Manfredi, diretor do Museu de Arte Contemporânea de Casoria, uma cidade pobre perto de Nápoles sob forte influência da Camorra, a máfia que domina o sul da Itália. No dia 7 ele anunciou ter escrito uma carta à chanceler alemã Angela Merkel, pedindo-lhe asilo para o seu museu na Alemanha para escapar da cidade assolada pelo crime onde sua coleção de arte se abriga.

Manfredi, que é também um escultor, declarou que quer que a Alemanha salve sua coleção da ruina -- "se (Merkel) me dá asilo, junto minhas coisas e me mudo para a Alemanha com minha equipe e meus 1.000 trabalhos de arte", disse ele. Telefonemas ameaçadores e repetidos atos de vandalismo deram-lhe a certeza de que está sob uma quase constante vigilância da Camorra. Leia mais.
Antonio Manfredi, diretor do Museu de Arte Contemporânea de Casoria, Itália (AFP/Getty).

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O que quer a Irmandade Muçulmana?

No pano de fundo da rebelião contra Mubarak e por mudanças que sacode o Egito, a Irmandade Muçulmana ressurge como a grande incógnita do cenário político do país: como principal força de oposição do país, que papel ela exerceu e tem exercido nesses acontecimentos, que nível de moderação ou radicalização possui, e quais são suas pretensões nas próximas eleições egípcias e no vácuo de poder que a saída de Mubarak provocará? A Irmandade condenou o terrorismo e os ataques de 9 de setembro nos EUA, mas há controvérsia se ela realmente possui ou não vínculos com o terrorismo.

Pela primeira vez depois de 50 anos, o governo egípcio e a Irmandade Muçulmana retomaram oficialmente o diálogo -- alguns de seus membros participaram no domingo do diálogo nacional iniciado pelo vice-presidente Omar Suleiman. Fundada em 1928, dissolvida em 1954, oficialmente interditada pelo poder mas por ele tolerada, a organização tornou-se um ator relevante na busca de uma saída da crise que paralisa o mais importante país árabe. Em 2005, quando conquistou 20% dos assentos disputados nas eleições parlamentares, a Irmandade sofreu a repressão de Hosni Mubarak.

Em editorial datado de hoje o francês Le Monde afirma que a Irmandade não está na origem do movimento que faz balançar o governo, mas ela deve ser um de seus principais beneficiários. Leia mais.
Mohamed Badie, líder atual da Irmandade Muçulmana (Reuters/Amr Abdallah Dalsh).

Enviado americano ao Egito possui vínculos de negócios com esse país

Obama está fazendo o que pode para reduzir o estrago feito por Frank Wisner, seu recente enviado ao Egito, que fez forte apelo para que Mubarak permanecesse no poder como líder, o que teria enfurecido a Casa Branca.

O problema é que agora surgem detalhes embaraçosos do relacionamento comercial de Wisner com o próprio governo egípcio, o que, se de um lado deixa claro o porquê de seu pronunciamento, por outro mostra como continua espantosamente falho e ridículo o processo de escolha do governo americano para emissários encarregados de missões de alta relevância e complexidade. Frank Wisner é empregado de um escritório de advocacia de Nova Iorque e Washington  que trabalha para o governo egípcio!

Tanto o Departamento de Estado como o próprio Wisner agora dizem que aquela declaração foi de "caráter pessoal", mas não há nada de "pessoal" nas ligações de Wisner com a firma Patton Boggs, que ostensivamente propaga que presta assessoria para  o setor militar egípcio, a Agência Egípcia para Desenvolvimento Econômico, e lidou com arbitragens e litígios nos EUA e na Europa em nome do governo de Mubarak. A confusão está armada ... Leia mais.
Frank Wisner é um diplomata "de carreira" aposentado do Departamento de Estado? Em outras palavras, não é uma indicação política (Foto EPA).

Confrontos armados no Sinai enquanto ocorrem os conflitos no Egito

Ataques ocorridos recentemente no Sinai parecem indicar que agitadores estão tentando tirar proveito da turbulência política no Egito para espalhar intranquilidade nessa península desértica, localizada entre Israel e o Egito e próxima da Jordânia e da Arábia Saudita.
Ataques com granadas lançadas por foguetes foram registrados em Rafah.

Na segunda-feira houve notícias de um confronto de duas horas na metade egípcia de Rafah, localizada na fronteira com a Faixa de Gaza (ver mapa). As informações relatam que forças de segurança do Egito, com o apoio de membros de tribos locais, repeliram ataques com granadas lançadas por foguetes. Duas pessoas teriam sido feridas, e os atacantes foram identificados como membros de um grupo islâmico chamado Takfir wal-Hijra. Leia mais.