quinta-feira, 3 de março de 2011

O consumo de maconha aumenta o risco de problemas psicóticos

Segundo um estudo publicado agora pelo British Medical Journal, os adolescentes e os adultos jovens que consomem maconha têm mais riscos de sofrer perturbações psicóticas do que os que não a consomem. Especialistas alemães e holandeses, assim como outros do Instituto de Psiquiatria de Londres, acompanharam durante oito anos 1.900 pessoas de idades entre 14 e 24 anos.

O estudo mostrou que os que haviam começado a consumir maconha após o início da pesquisa, e os que a haviam consumido antes e depois disso, tinham mais riscos de sofrer perturbações psicóticas do que aqueles que jamais a haviam consumido. "O consumo de maconha constitui um fator de risco para o desenvolvimento de sintomas psicóticos", diz o estudo. -- "Este estudo acrescenta uma informação complementar à evidência solidamente estabelecida de que o consumo contínuo de maconha aumenta os riscos de sintomas e de doenças psicóticas", afirmou Robert Murray, professor do Instituto de Psiquiatria. Veja aqui.
(Foto News/ Demaret Raphael)

Protestos em Londres contra a usina de Belo Monte

Na quarta-feira passada, segundo o jornal inglês Financial Times, defronte o escritório do BNDES em Londres houve uma manifestação de 50 a 60 chefes indígenas da Amazônia, alguns em trajes típicos, em protesto contra a construção da usina hidroelétrica de Belo Monte, que será financiada por esse banco. Eles dizem que essa obra de 11 bilhões de dólares a ser construída no rio Xingu, um dos maiores afluentes do Amazonas, destruirá seus lares e seus meios de subsistência. Ver postagem anterior sobre Belo Monte.

"Vemos realmente essa disputa no Xingu como muito simbólica", diz Atossa Soltani, fundador e diretor-executivo da Amazon Watch, um grupo ativista baseado nos EUA que luta contra aquela usina. "A menos que a administração de Dilma Rousseff seja desafiada em Belo Monte, o que veremos nos próximos quatro anos será a emissão de dezenas de licenças para a construção de barragens na Amazônia", acrescenta ele.

Uma das bandeiras de Dilma Rousseff, e prevista para ser a terceira maior usina hidroelétrica do mundo, Belo Monte com seus 11.200 MW ajudará a manter o Brasil como uma das poucas grandes economias do mundo alimentadas por energia sustentável -- 90% da energia que alimenta o país vêm de fontes renováveis, contra a média mundial de 18% diz Mauricio Tolmasquim, presidente da estatal EPE - Empresa de Pesquisa Energética.

Os Estados Unidos produzem 200 vezes mais gases de efeito estufa que o Brasil, e a China 190. Ambientalistas argumentam que Belo Monte será muito mais destrutiva e menos produtiva do que alega o governo. Leia mais.

Avanços da ciência, aqui e lá fora (46)

  • Novo chip brasileiro -- Pesquisadores do Departamento de Engenharia Elétrica da Faculdade de Computação da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) concluíram, no início de janeiro, o desenvolvimento do primeiro chip (circuito integrado) projetado e implementado nesse Estado -- até então essa área era dominada por cientistas de S. Paulo e do Rio Grande do Sul. Destinado à utilização em qualquer aparelho eletrônico, esse chip apresenta tecnologia inédita no mercado de equipamentos eletrônicos. Leia mais.
 Chip desenvolvido por pesquisadores da UFMS, com tecnologia inédita e alternativa para redução do tamanho dos processadores (divulgação).

China asfixiada pela poluição da indústria têxtil

A etiqueta Made in China pode ser encontrada na maioria das roupas que usamos. Sabemos que a China domina a exportação de têxteis e que esta produção se faz em condições sociais degradantes, mas não conhecemos tão bem a poluição ambiental que envolve essa indústria.

Em relatório recente ("O segredo sujo por trás de jeans e sutiãs") o Greenpeace revela os altos índices de poluição e a presença de cinco metais pesados (cádmio, cromo, mercúrio, chumbo e cobre) nas águas de duas cidades da província de Guangdong, no sudeste do país: Xintang, "a capital do mundo dos jeans" (que em 2008 produziu mais de 260 milhões de jeans, correspondentes a 60% da produção total chinesa e a 40% dos jeans vendidos nos EUA), e Gurao, uma cidade industrial cuja economia depende em 80% da confecção de roupas de baixo, especialmente sutiãs (em 2009 ela produziu mais de 200 milhões deles). Para aquela ONG, tais índices são típicos e emblemáticos da indústria têxtil chinesa, que deveria rever suas práticas e sua regulamentação. Leia mais.
Descarga de água usada em uma instalação para lavagem de jeans na China.
Imagem de satélite mostra o rio menor, proveniente de Xintang, desaguando no rio Dong, que por sua vez deságua no delta do rio Pérola.
Operário de uma indústria têxtil de Xintang.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Irã se diz chocado com a logomarca dos Jogos Olímpicos de 2012 em Londres

O comitê olímpico iraniano manifestou seu descontentamento com a logomarca dos Jogos Olímpicos de 2012 em Londres, por considerá-la racista. Essa logomarca é uma representação do número 2012 de uma forma desestruturada:
2012 ou Zion?

Segundo os iranianos, não são os números 2, 0, 1 e 2 que estão escritos mas sim a palavra "Zion", termo que designa a cidade de Jerusalém -- e a República Islâmica do Irã não reconhece a existência do Estado de Israel. Para o Irã se trata de uma provocação "racista" e seu comitê olímpico ameaça boicotar os Jogos. Em correspondência oficial ao presidente do Comitê Olímpico Internacional o presidente do comitê olímpico iraniano, Bahram Afsharzadeh, afirma que seguramente outros países, principalmente os muçulmanos, irão reagir.

Em Londres houve espanto com essa posição iraniana, pois a logomarca foi desenvolvida em 2007 e na época não despertou qualquer polêmica no Irã.

Cabe mencionar que na Grã-Bretanha a marca visual dos Jogos Olímpicos não agradou, nem convenceu -- foi inclusive lançada na Internet uma campanha para retirá-la, que já coletou cerca de 50 mil assinaturas em poucos dias. Leia aqui.

Obras atrasadas em estádios podem fazer o Brasil passar vexame na Copa de 2014

O Estadão de hoje recoloca na mesa o tema do alto risco de pagarmos vexame na Copa de 2014 com o atraso nas obras de alguns estádios, o que já foi objeto de uma postagem anterior em novembro de 2010. O jornal aborda ainda o risco adicional de alguns desses estádios virarem elefantes brancos depois da Copa. O artigo se baseia em estudo do Sindicato Nacional de Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco) que será divulgado amanhã -- entre os entraves apontados estão problemas com tribunais de contas, alto risco de vários estádios se transformarem em elefantes brancos, e falhas de projeto.

As obras que estão sendo ou foram alvo de investigação por tribunais de conta estaduais ou pelo TCU (Tribunal de Contas da União) por suspeitas de irregularidades são as do Rio de Janeiro (Maracanã), Brasília (Mané Garrincha), Fortaleza (Castelão), Cuiabá (Verdão) e Manaus (Arena da Amazônia). Desses, três (Brasília, Cuiabá e Manaus) e mais os de Natal (Arena das Dunas) e Recife (Cidade da Copa) têm tudo para se transformar em elefantes brancos após a Copa simplesmente porque o futebol local não atrai grande público. Recife é um caso à parte, pois apesar do Estado ter excelente demanda de público seus três principais clubes (Sport, Náutico e Santa Cruz) têm estádios próprios e não se mostram dispostos a abrir mão deles para jogar no Cidade da Copa.

O estudo aponta também morosidade no processo de obtenção de crédito para financiamento das obras. Leia mais.

terça-feira, 1 de março de 2011

Escândalo de plágio em tese de doutorado derruba ministro da Defesa alemão

Considerado o mais promissor político alemão, Karl Theodor zu Guttenberg renunciou na manhã de hoje ao seu cargo de ministro da Defesa, menos de duas semanas depois que foi revelado que largos trechos de sua tese de doutorado em 2006 foram plagiados. No início parecia que seu carisma e sua popularidade o salvariam -- a chanceler Angela Merkel o apoiou, assim como os eleitores de acordo com pesquisas sobre isso. Mas ele não pôde sobreviver ao tsunami de indignação da comunidade acadêmica alemã e às contradições internas de sua posição. Sua queda é um forte golpe para a chanceler, para a União Social Cristã (partido dele, ramo bávaro do partido da chanceler), para a União Democrática Cristã (partido de Merkel) e para a saúde da política em geral na Alemanha.

A ascensão de zu Guttenberg, de um precoce parlamentar a possível futuro chanceler em menos de dois anos, foi considerada a mais rápida na política alemã do pós-guerra. Sua formação aristocrática, sua boa aparência e sua glamorosa esposa jogaram a seu favor.

Quando ministro da Economia de Merkel ameaçou renunciar por causa de uma proposta de ajuda à Opel, um fabricante de carros, e com isso ganhou fama de defensor dos princípios econômicos liberais. Como ministro da Defesa, foi vitorioso contra seus oponentes conservadores e extinguiu o alistamento militar obrigatório, primeiro passo em uma proposta ambiciosa de modernização das forças armadas. Leia mais.
O ex-ministro de Defesa da Alemanha, Karl Theodor zu Guttenberg (Foto: EPA).