quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Argentina reduz compras do Brasil mas aumenta importações da China

[A história é insuportavelmente repetitiva, o Brasil vive levando a pior nas relações com a Argentina, sejam elas políticas ou comerciais. Os dois se merecem -- a Argentina faz sistematicamente jogo duplo conosco, tem um prazer sádico em nos sacanear, defende seus interesses com malandragem eficiente -- vigarista, mas eficiente. O Brasil passa cada vez mais a imagem de amador, de bobo da corte, de masoquista irrecuperável, do otário satisfeito em não "contrariar" os "hermanos" seja lá o que isso nos custe. Quem fizer uma pesquisa com o verbete "argentina" no blogue encontrará várias postagens sobre esse nosso relacionamento doentio com esse vizinho, com o Brasil pagando sempre a conta -- ver, por exemplo, as postagens "Comércio externo: Brasil continua levando a pior com a Argentina" e "Argentina, um vizinho absolutamente desleal e moleque".  Agora, vem a notícia publicada pelo jornal Valor Econômico e reproduzida a seguir, de que a China ocupa espaço do Brasil na Argentina. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]

China ocupa espaço do Brasil na Argentina

Marta Watanabe e Marli Olmos -- Valor Econômico, 06/8/2014

O mau desempenho das exportações brasileiras aos argentinos tem sido creditado à situação econômica do país vizinho, mas estatísticas oficiais do governo argentino indicam que a queda também pode ser resultado de perda de participação de mercado.

Os dados mostram que as importações argentinas originadas do Mercado Comum do Sul (Mercosul) caíram 18% no primeiro semestre de 2014, na comparação com igual período de 2013. As importações vindas da China cresceram 2% e as provenientes do Nafta, bloco formado por Estados Unidos, Canadá e México, tiveram alta de 9%. Isoladamente a China já tem fatia bem próxima à dos três países do Nafta juntos - cerca de 16% - nos desembarques totais argentinos. A importação total da Argentina em igual período caiu 8%. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, a exportação brasileira para os argentinos caiu 20,4% na mesma comparação.



Importações argentinas -- (Ilustração: Valor Econômico)

[Para uma visão numérica do comércio bilateral Brasil-Argentina entre 01/8/3013 a 01/8/2014, clique aqui.]

Para analistas, os números são resultado de uma pauta brasileira para a Argentina altamente concentrada em automóveis, partes e peças. Além disso, a estratégia comercial, com busca por parceiros mais fortes e com facilidade de financiamento, favorece os fornecedores da China e do Nafta, em detrimento dos sócios do Mercosul.

O avanço da China é puxado por duas categorias de uso: bens de capital, com alta de 11%, e bens intermediários, com elevação de 10%. Nas duas categorias as importações argentinas do Mercosul caíram 21% e 7%, respectivamente. Os países do Nafta também conseguiram elevar a exportação de bens de capital aos argentinos, com alta de 66% de janeiro a junho. Como resultado, os chineses e os países da América do Norte avançaram no mercado de bens de capital importados pelo sócio brasileiro no Mercosul. A importação argentina desse tipo de bem com origem no Nafta alcançou 20,9% do total de US$ 5,91 bilhões em máquinas e equipamentos importados pela Argentina no primeiro semestre de 2014.

No ano passado, a fatia dos bens de capital provenientes do Nafta era mais modesta, de 13,4%. No mesmo período, as máquinas e equipamentos feitas na China avançaram de 24,3% para 25,4%. Não foi um ganho tão grande, mas na mesma comparação o Mercosul perdeu participação, com queda de 25,7% para 19%.

Para José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o controle das importações e da liberação de dólares favorece a compra de fornecedores com maior capacidade de financiamento próprio. Esse é o caso principalmente dos exportadores chineses. "Essa facilidade faz com que o fornecedor da China ofereça maior flexibilidade para prazos de pagamento em troca da oportunidade de ganhar mercado", diz Castro. [Surge aqui um desses mistérios típicos da era petista no Planalto. Em 20/7/2014, a Folha de S. Paulo informava que "crédito do BNDES na Argentina despenca". O banco estatal tem linha especial de crédito que empresta recursos a países para que empreiteiras brasileiras toquem as obras -- e também comprem máquinas usadas na construção ou ao longo do empreendimento. Trata-se da chamada exportação de serviços. Após o pico de financiamentos, em 2011 (US$ 802,8 milhões), o crédito ao país vizinho só caiu. Chegaram a US$ 152,8 milhões em 2013. De janeiro a março (último dado disponível), período de intensificação da crise, o valor foi de apenas US$ 1,1 milhão. Entre os motivos para essa forte redução, estão a aversão maior de investidores ao risco do país, a paralisia da economia argentina e a dificuldade em obter garantias para contratar os empréstimos. Pois bem, o BNDES fez um financiamento de US$ 682 milhões de dólares para Cuba -- com a brasileira Odebrecht -- modernizar o Porto de Mariel , cuja primeira parte foi inaugurada em 28/01/2014. Esse montante representa, sozinho, 85% do pico do financiamento do comércio com a Argentina. Como é que o BNDES consegue garantia para esse financiamento com um país falido como Cuba, que não pesa nada na nossa balança comercial, e não consegue fazer o mesmo com a Argentina?! Será que foi para esconder isso que o Brasil impôs sigilo sobre a documentação desse acordo com Cuba até 2027?]
Os chineses conseguiram elevar em 10% a venda de produtos intermediários aos argentinos de janeiro a junho, contra iguais meses do ano passado, mesmo com a queda de 3% na importação desse tipo de produto pela Argentina, no mesmo período. A importação de intermediários com origem no Mercosul caiu 7%. "Os dados levam a uma reflexão. Até que ponto o Mercosul é mesmo tão importante para o Brasil?", questiona Castro. A ideia que se tem, diz ele, é que o Mercosul garantiria uma espécie de reserva de mercado para o Brasil na exportação para os argentinos. "Mas não é bem isso que tem acontecido".
O Brasil, lembra Castro, perdeu espaço nas importações do país vizinho por conta da queda da importação de automóveis. O setor automotivo é um dos que mais sofrem tanto pelas restrições do governo argentino à entrada de produtos estrangeiros como pela queda de demanda provocada pela crise [ou seja, nosso comércio com os argentinos é um samba de uma nota só: automóveis]. O desembarque de automóveis no país caiu 35% no primeiro semestre, em relação a iguais meses de 2013. Os carros importados do Mercosul caíram 23%. O bloco representou 77,7% das importações argentinas de veículos de janeiro a junho. A venda de intermediários e de bens de capital, diz Castro, poderia compensar para o Brasil ao menos parte da perda de divisas com exportação de carros.
"A desaceleração das vendas de veículos no mercado argentino atinge o Brasil", afirma o economista Ricardo Delgado, da consultoria Analytica, de Buenos Aires. Segundo ele, nesse caso não se trata de a China ter ocupado o espaço brasileiro nas vendas do setor. Os produtos chineses que entram no mercado argentino estão mais relacionados a eletrônicos, o que não é uma competência de países do Mercosul".
O setor automotivo foi o primeiro a sofrer com o início da recessão argentina, que começou a aparecer com a contração do PIB em 0,8% no primeiro trimestre na comparação com os últimos três meses de 2013. A produção de veículos, altamente dependente de componentes produzidos no Brasil, registrou queda de 19,8% em junho, na comparação com igual mês do ano passado. No mercado interno, as vendas das montadoras para os revendedores caíram 40%, segundo a Adefa, entidade que representa fabricantes argentinos.
Já a China vende para os argentinos produtos de menor valor agregado. Componentes para uso em eletrônicos e celulares ficaram com a maior fatia das exportações da China para a Argentina em 2013. O país sul-americano gastou US$ 4,21 bilhões com esses produtos, o que representou 37% do total de US$ 11,312 bilhões que o país asiático exportou para o mercado argentino, segundo dados da consultoria Abeceb, com base nas informações do Ministério da Economia argentino. A fatia dos eletrônicos é bem maior do que a de outros segmentos, como produtos têxteis, brinquedos, autopeças, e peças para equipamentos fotográficos, além de plásticos, com participações entre 2% e 4% cada um.
A China parece menos prejudicada dos que os outros países na política de restrições às importações do governo de Cristina Kirchner. O valor anual de embarques de produtos chineses praticamente duplicou nos seis últimos anos. Ao mesmo tempo, as exportações argentinas para o país asiático, sustentadas pela soja, ficaram estagnadas. Isso fez com que a balança comercial entre os dois países revertesse em favor dos chineses nos seis últimos anos.
"É natural que as restrições às importações tenham prejudicado mais o Brasil, que é um grande fornecedor, com produção integrada em alguns setores", diz Rodrigo Branco, pesquisador do Centro de Estudos de Estratégias de Desenvolvimento (Cedes/Uerj). Para ele, a maior entrada de bens chineses também pode ser creditada aos investimentos dos países asiáticos na Argentina, muitas vezes atrelados a compras de bens de capital e insumos da China. "De qualquer forma, a perda de participação será de difícil recuperação".
[Faltam informações importantes na reportagem acima, que confirmam que a nossa política externa -- que de maneira sui generis é conduzida por dois chanceleres, o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado e o paraquedista Marco Aurélio Garcia -- virou uma brincadeira de mau gosto e uma palhaçada, com destaque negativo para o Mercosul. Na recente reunião do Brics em Fortaleza a China, com o apoio ostensivo e entusiasmado do Brasil, conseguiu um espaço adicional precioso na América do Sul. O Brasil petista ajudou a raposa chinesa a entrar no galinheiro sul-americano, e roubar-lhe espaço político, estratégico e econômico. Um dos primeiros e principais resultados disso foi um financiamento chinês de US$ 11 bi  para a Argentina -- o mercado argentino conquistado pelos chineses com esse acordo jamais será ocupado pelo Brasil. Ver também as postagens "A China é um parceiro confiável?" e "China dribla barreira via Argentina".
Fora a burrice acima, há ainda o queijo suiço do Mercosul. Empresas brasileiras e estrangeiras -- incluindo empresas têxteis chinesas -- usam brechas do Mercosul para não pagar mais imposto no Brasil. Nesse ménage à trois com Argentina e China só quem se ferra é o Brasil.]

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[PS -- Se tiverem tempo e paciência, vejam ainda "Mercosul: Argentina é entrave para livre comércio com a UE". Acho bom começarmos uma vaquinha para pagarmos um divã e um analista para a nossa política externa. O caso de Dilma NPS é insolúvel -- a psicanálise não resolve problemas de burrice arraigada e encroada, mesclada com overdose de teimosia.]
















quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Setor elétrico, a maior vitrine da incompetência de Dilma NPS

[Em 13/4/2014 escrevi que o socorro ao setor elétrico por conta da MP 579 e de inúmeras outras lambanças causadas pela incompetência pétrea de Dilma NPS (Nosso Pinóquio de Saia) nos custaria R$ 54 bilhões. Documento da Udop - União dos Produtores de Bioenergia datado de 14/7 registra que "a sucessão de problemas enfrentados pelo setor elétrico nos últimos dois anos deve gerar uma conta de R$ 53,8 bilhões para a sociedade brasileira, de acordo com um estudo elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e entregue a todos os candidatos à Presidência da República".  É pena que não consigo esse nível de acerto quando jogo na sena. Na semana passada Adriano Pires, diretor do Cbie - Centro Brasileiro de Infraestrutura, estimou que em 2014 o governo deve gastar R$ 60 bilhões em socorro ao setor elétrico -- R$ 40 bi com as distribuidoras e R$ 20 bi com as geradoras.

Essa minha estimativa infelizmente correta vai ter vida efêmera, porque a tendência é a coisa piorar, como normalmente acontece no governo Dilma NPS, especialmente na área elétrica. Há previsão de que ainda neste ano de 2014 as geradoras hidrelétricas tenham um custo adicional de quase R$ 16 bi para compra de energia no mercado. Não adianta o governo querer culpar só São Pedro pela crise do setor elétrico. Apesar da maluquice do clima, regime pluvial e hidrologia têm tratamento estatístico mais que confiável e fator de segurança existe para ser usado (ver postagem anterior sobre o aquecimento global e o setor energético). Imprevisíveis e inesgotáveis são a burrice e a teimosia da madame ex-guerrilheira, nossa versão avacalhada de Midas -- tudo o que ela toca não vira ouro, vira esterco. Ver também a postagem "Oportunismo e bomba energética".

Dilma NPS conseguiu juntar o inútil ao desagradável na área elétrica -- esculhambou técnica, econômica e financeiramente o setor e, não contente (ela só se satisfaz com besteira e meia), tornou-o também extremamente inseguro do ponto de vista jurídico. Insegurança jurídica e bagunça técnico-econômico-financeira são um tremendo chamariz para oportunistas de plantão, como se vê no artigo publicado em 29/7 no site Jornal da Energia transcrito a seguir.

Ver também: Governo deve pagar mais juros a bancos para resgatar elétricas]

Geradoras cometeram práticas abusivas, apontam entidades de defesa do consumidor

Jornal da Energia -- 29/7/2014

Movimento formado pela FNE e Proteste protocolou na última semana representação junto ao CADE

Entidades de defesa do consumidor apontam que as geradoras de energia elétrica tiraram proveito do período de poucas chuvas para lucrar com a venda de eletricidade no mercado de curto prazo. Por isso, a Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) e a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) protocolaram, na última semana, no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), representação contra o que acreditam ser práticas abusivas, e que podem afetar o equilíbrio econômico do País com perdas para a indústria e reflexo no aumento das tarifas.

As entidades pedem ao CADE que sejam adotadas medidas preventivas e coercitivas -- com a abertura de inquérito administrativo para apuração das infrações à ordem econômica --junto a todos os agentes que estão se beneficiando com a venda no mercado de curto prazo. A consultora do Proteste, Flávia Lefevre, destaca: “São necessárias ações imediatas em vista da bilionária dívida que vem sendo acumulada e que vem sempre aumentando para socorrer as empresas distribuidoras e que serão pagas pelos consumidores de energia”.

Para a FNE, a preocupação do governo federal com a crise do setor elétrico, ao conceder subsídios e autorizar empréstimos com recursos públicos e privados às concessionárias de distribuição de energia elétrica, não apresenta solução para o problema já que a dívida será repassada aos consumidores ao longo dos próximos anos.

No documento, as entidades denunciam que, para manter sua lucratividade, as empresas geradoras de energia deixam de firmar contratos, obrigando as distribuidoras a comprar energia no mercado de curto prazo.

O diretor do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP), Carlos Augusto Kirchner, explica que as geradoras deixam de atender ao requisito legal de se contratar 100% da carga disponível. “A dívida acumulada em empréstimos emergenciais de socorro às empresas distribuidoras e aportes da União será bilionária e se tornará impagável, fazendo com que os prejuízos sejam repassados para as tarifas dos consumidores", afirma.

A FNE considera, ainda, se tratar de uma política energética mercantil poderá desencadear uma crise econômica sem precedentes, além de afetar o setor industrial com a geração de desemprego, instabilidade, perda da competitividade e inflação. “Nós cobramos também uma posição da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) sobre a falta de fiscalização e intervenção nesse mercado que vem sendo explorado pelas geradoras, causando forte desequilíbrio entre agentes do mercado, com prejuízos para todo o setor produtivo nacional”, destaca o presidente da FNE, Murilo Celso de Campos Pinheiro.

Carlos Kirchner acredita que a utilização de termelétricas, desde outubro de 2012, devido à forte estiagem no País, não é o único motivo do aumento de custo para a produção de energia. “Na verdade, a geração de energia pela fonte hidráulica não deveria implicar aumento de custos, pois a maioria delas é proveniente de hidrelétricas já amortizadas”, aponta.

O diretor do SEESP explica que as empresas se respaldam em uma interpretação restrita e distorcida da legislação do setor elétrico para justificar suas condutas anticoncorrenciais e o aumento arbitrário dos lucros está em desacordo com regras de defesa do consumidor. “O fato de se produzir energia em uma hidrelétrica já amortizada como é o caso da Cemig, Copel e Cesp ao custo de R$20 por MWh e de vendê-la pelo preço de R$822,83, com margem de 4.000%, viola o princípio do serviço público essencial, em que a regra é a do menor lucro possível”, comenta.

De acordo com as entidades, a conduta das concessionárias é anticompetitiva e ilegal, pois o agente gerador transformou a sobra deliberada de energia numa prática corriqueira de lucro. Por sua vez, as distribuidoras de energia, que compram o produto caro no mercado, vão repassar o prejuízo integralmente aos seus consumidores, ainda que alguns empréstimos governamentais e privados protelem o pagamento destas dívidas. “É inadmissível a conduta que tenha como resultado a retirada de energia do mercado, implicando em escassez artificial que leva ao aumento injustificado dos preços prejudicando a livre concorrência e também os consumidores”, conclui Flávia Lefevre.

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PS - O site Ilumina teceu comentários sobre o texto acima, transcritos a seguir.

Comentário: Apesar do ILUMINA aprovar a representação contra as geradoras que se aproveitaram dos preços estratosféricos do mercado livre, é preciso entender o contexto dessa distorção e identificar corretamente a origem da dívida bilionária que estamos assumindo:
  1. A renovação antecipada das concessões (MP579) não foi um processo negociado e muito menos respeitou registros contábeis. Foi uma imposição que só foi aceita na Eletrobras. Lá a CVM abriu processo contra a diretoria contestando o interesse não preservado para as empresas. Portanto, como temos denunciado, já não há dúvidas de que a concordância não preservaria os interesses mínimos das empresas.
  2. Sob esse terrorismo, qual deveria ser a decisão das geradoras?
  3. Ao realizar o leilão de 2013 que deveria substituir os de 8 anos originados em 2004, o governo fixou um preço teto de R$ 171,8 muito caro para energia existente. Ou seja, já era óbvio que o sistema estava em desequilíbrio estrutural e o governo, temendo a própria trapalhada, colocou um preço alto para compensar.
  4. Não há na legislação nenhuma obrigação das geradoras em ofertar energia em leilões, que são livres por definição. Com o ambiente hostil provocado pela MP 579, era óbvio que as geradoras prefeririam ficar descontratadas, até porque, no fim da concessão a receita iria se reduzir aos valores que se viu na Eletrobras.
  5. Depois do fracasso do primeiro leilão, Furnas vendeu energia de usina velha (Mascarenhas) por R$ 270 por 5 anos. O que é pior para o consumidor? R$ 270 x 60 meses ou R$ 822 x 12 meses (se a seca durar tanto)?
  6. Se as geradoras que têm distribuidoras vendessem nos leilões, apenas uma parte iria para a sua distribuidora. Afinal o modelo é desverticalizado.
  7. Sobre vantagens indevidas  no nosso bizarro mercado livre, essa não é a única. Em 2011, 25% da energia comercializada teve liquidações mensais. Por que? Porque o PLD valia menos de R$ 20. Quem estava gerando a energia gratuita? As geradoras! Porque não há uma representação também?
O comportamento das empresas é criticável, mas, ao focar o problema apenas nelas, o modelo e a legislação incentivadora de comportamentos especulativos podem sair incólumes.

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[PS -- P'ra quem gosta de sofrer (leia-se: petralhada e eleitores de Dilma NPS): 
● Usina hidrelétrica de Tapajós custará 69% mais do que o previsto
● Usinas do Rio Madeira questionam dívida bilionária na justiça]

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Sem uma retumbante "vitória" em Gaza Netanyahu enfrentará um desastre político

[O artigo traduzido abaixo, de Yossi Verter, foi publicado no jornal israelense Haaretz (O País). Ver postagem anterior sobre a guerra em Gaza. Ele nos permite uma visão melhor do que ocorre dentro de Israel nesse momento crucial para o país, com repercussão direta no manejo da guerra em Gaza. Apesar das divergências políticas entre eles, falcões e pombos do governo Netanyahu concordam em que a guerra em Gaza deve ser intensificada e prolongada até a capitulação do Hamas e a destruição de seu sistema de túneis -- divergem apenas no modus operandi. Recomendo a leitura do artigo "The war of the doves" (A guerra dos pombos), de Haviv Rettig Gur, publicado no The Times of Israel em 30/7.  O artigo abaixo torna-se ainda mais oportuno no momento em que se anuncia novo cessar-fogo e a retirada das forças terrestres israelenses de Gaza. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]

Ilustração de Amos Biderman - (Fonte: Haaretz)


A verdade perturbadora para o primeiro-ministro é que terminar a guerra de uma maneira que o povo veja como fraqueza, concessão ou cansaço é passível de custar-lhe o cargo.

Um alienígena que pousasse no país no início da última semana de julho poderia pensar que todos os problemas de Israel estão sendo causados por alguém chamado John Kerry. O bem-intencionado mas um tanto desajeitado secretário de estado americano, que falhou em sua tentativa de alcançar um cessar-fogo, foi descrito na imprensa local como um diplomata terrorista, um risco estratégico, um cavador de túneis mortais sob a segurança do país.  

O ataque a Kerry e a ácida e rápida deterioração nas relações com os EUA sinalizaram que o governo israelense havia perdido o controle dos acontecimentos. O gabinete poderia ter-se abstido de emitir um desafiante e "unânime" voto contra o plano de Kerry, e resolvido a disputa calma e discretamente através dos canais diplomáticos. Em vez disso, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e seus apoiadores criaram um fronte desnecessário contra os americanos e Jon Stewart ridicularizou a crítica grosseira de Israel a Kerry em seu programa noturno "The Daily Show", uma abordagem satírica das notícias. 

Netanyahu teve uma dor de cabeça séria esta semana. Por um lado, está louco para terminar a guerra mas as condições diplomáticas para isso não estão ainda disponíveis. Por outro lado, está sob crítica crescente no país. Ministros de seu partido e de seu governo discordam publicamente da maneira pela qual ele conduz os acontecimentos; as autoridades locais no sul do país o pressionam para penetrar mais fundo em Gaza; e um "oficial bem sênior" das Forças de Defesa de Israel [IDF, na sigla inglesa] foi citado como tendo dito que chegou a hora para o governo dizer às forças armadas em que direção vai Israel nessa campanha militar.

Ademais, os EUA e o resto do mundo estão ficando cansados e irritados com a situação. E finalmente, o conflito político entre Netanyahu e o ministro da Defesa Moshe Ya'alon de um lado versus o ministro da Economia Naftali Bennett e o ministro das Relações Exteriores Avigdor Liberman de outro ficou espalhafatoso, até nas reuniões do gabinete.

A verdade perturbadora para o primeiro-ministro é que terminar a guerra de uma maneira que o povo veja como fraqueza, concessão ou cansaço é passível de custar-lhe o cargo. As pesquisas que mostram um tremendo apoio popular à continuação da operação -- 85% dos pesquisados -- estão lançando as sementes de um desastre político para ele. Esse era o sentimento predominante no seio do establishment político esta semana.

Quando o líder da direita corre risco de perder o apoio do eleitorado de direita, basta-lhe apenas um revés a mais para encerrar sua carreira. A aspiração por fama do primeiro-ministro e chefe do Likud, desde os seus primeiros dias na política, tem sido a maneira como ele se auto-define -- como interessado antes de tudo em segurança, e só depois em diplomacia.  Ele pode emergir da guerra de Gaza como sendo a pessoa que não entregou as mercadorias -- nem segurança, nem diplomacia.

A palavra final

No anoitecer da segunda-feira, enquanto Netanyahu se preparava para falar à mídia na sede do ministério da Defesa no Kyria em Tel Aviv, a ministra da Justiça Tzipi Livni e o ministro da Economia Bennett bateram à sua porta, separadamente. Cada um queria ser a última pessoa a soprar-lhe aos ouvidos visões próprias profundas e passíveis de alterar o jogo antes que aparecesse na televisão. Netanyahu tem a fama de formular suas decisões, ou pelo menos burilá-las, com base na última mensagem que receber.

Bennett ganhou, ele foi o último a ser ouvido. Mas, basicamente, o plano de ação de Livni tinha a posição de controle. Em sua fala à nação, Netanyahu foi vago e sua postura apresentava a mesma mensagem que cita desde que a guerra começou: dêem-me um acordo de cessar-fogo adequado e razoável que encerrarei as atividades, retirarei nossas forças e declararei que vencemos.

A resposta sionista apropriada de Bennett não tardou a surgir. Na tarde seguinte, durante uma visita a Ashkelon [Ascalão ou Ascalona, uma cidade na costa mediterrânea no Distrito Sul de Israel, no norte da Faixa de Gaza], ele convocou a mídia e explicou o que considera como adequado para a continuação da guerra: uma intensificação da operação, tão longa quanto necessário, até que o Hamas esteja subjugado: "Não ceda e não pare até alcançar esse objetivo ... Golpeie o Hamas sem piedade ... até a desmilitarização, até uma vitória ... até que terminemos o trabalho".  Tudo o que faltava era o próprio ministro dar as ordens de atirar e terminar com as palavras imortais: "Avancem, avancem, fim e câmbio".

Não é de espantar que Netanyahu pensasse que ele [Bennett] estivesse maluco e irracional. Os comunicados liberados rapidamente por pessoas de confiança e mais próximas do primeiro-ministro visavam diretamente o líder do Habayit Hayehudi. Bennett foi acusado de irresponsabilidade, populismo, tráfico de votos, cinismo, e jogo duplo. O que ele dizia em reuniões fechadas do gabinete não coincide com suas declarações à mídia, afirmam os associados a Netanyahu: "Ele está engajado em manipulação política, explorando o fato de que não lhe cabe responsabilidade nos fatos para tentar invadir o eleitorado de direita às custas do Likud". [É edificante a harmonia reinante no governo israelense em um momento como esse ... É fácil ver que quem paga a conta são os palestinos.]

Se há algum consenso geral no establishment político, esse é que o esforço de Bennett está dando frutos. Ele agora é considerado o porta-voz claro, genuíno e puro da direita. Uma ameaça real ao Likud. Você não o verá atacando Netanyahu diretamente. Pelo contrário. Ele é extremamente cuidadoso em não fazer isso. Mas, ele continuamente oferece uma alternativa clara, agressiva, assertiva e orgulhosa à política do primeiro-ministro, uma alternativa que corresponda bem ao estado de espírito da população e se encaixe precisamente com os sentimentos da direita. Ele soa exatamente como Netanyahu soava na Operação Chumbo Fundido (Operation Cast Lead) em 2009, por exemplo.

No gabinete, Bennett frequentemente se choca com Ya'alon e com oficiais do exército. Ele chega às reuniões após coletar informações em geral e de inteligência de oficiais seniores da área -- comandantes de brigadas, batalhões e divisões que conhece da época de seu serviço militar. Em contraste com Liberman, que constantemente recita o velho mantra "Ocupar Gaza", Bennett apresenta planos, esboços e sugestões concretos.

Bennett foi o primeiro a sugerir a Netanyahu que explorasse o assassinato dos três adolescentes israelenses na Margem Esquerda, antes da Operação Limite Protetor, para começar pela destruição dos túneis de terror em Gaza. Em reuniões fechadas, ele conduz discussões obstinadas com o exército sobre os cessar-fogos humanitários. Cada calmaria como essa, alega, ajuda diretamente o Hamas a se revigorar e se reorganizar e tem um efeito negativo no moral das nossas tropas. Não é por coincidência que em cada calmaria dessas tivemos baixas.  Mas necessitamos dos cessar-fogos para cuidar dos túneis, explicam os oficiais das IDF.  Não, diz ele, é mais eficiente cuidar dos túneis quando avançamos e atiramos, e cobrimos a área com uma grande conflagração. E assim por diante.

No fundo, Bennett sabe que o cessar-fogo aprovado pelo gabinete no início da operação, apesar da oposição dele e de Liberman, garantiu a Israel a legitimidade internacional para prosseguir. Isso não fará com que ele vote a favor de quaisquer cessar-fogos no futuro. Ele acha conveniente que eles sejam aprovados com os votos de outros ministros.

Esta é resumidamente sua proposta: continuar lutando por algumas poucas semanas a mais, até que o Hamas implore por um cessar-fogo e então insistir em um acordo que inclua as seguintes cláusulas: -- i) as IDF permanecerão na área por algumas poucas semanas a mais, o tempo que for necessário, tempo durante o qual elas utilizarão ferramentas de engenharia que destruirão todos os túneis; -- ii) quando a missão for concluída, as IDF sairão mas terão total liberdade de ação para entrar em Gaza quando julgar conveniente, para lidar com ameaças terroristas imediatas e "evitar o fortalecimento" do inimigo; -- iii) em troca, ele se mostra disposto a garantir aos habitantes de Gaza "tudo o que possam querer" em termos de benefícios econômicos e civis: abertura das travessias, um porto marítimo, um aeroporto. Brilhante, generoso e cruel esse Naftali. [Esse ministro israelense tem em muito baixa conta a autoestima dos palestinos e os objetivos do Hamas.]

Operação Yoav

Mais magro, mais revigorado, mais moderado: graças à guerra, o major-general da reserva Yoav Galant, ex-líder militar do Comando Sul e ex-candidato a chefe do Estado-Maior, está fazendo um retorno expressivo esses dias, três anos e meio depois de renunciar ao cargo após ter se apropriado ilegalmente de terreno público para sua propriedade particular em Moshav Amikam. 

De todos os ex-generais que fazem a dança das cadeiras nos estúdios de televisão, Galant é o comentarista mais relevante, mais bem informado e mais especializado. Seus conhecimentos, sua autoconfiança ("Sei o que tem que ser feito", explicou mais de uma vez) e sua política equilibrada -- contra a ocupação e contra a destruição de Gaza, o que está em consonância com os planos de ação de Netanyahu e Ya'alon -- tornaram-se os temas das conversas dos corredores da política nacional. Alguns se perguntam se, no final da operação, se descobrirá que a pessoa que sentava nos estúdios de TV toda noite não é um membro das IDF na reserva mas alguém que disputa a posição de próximo chefe de Estado-Maior.

Isso depende, obviamente e antes de tudo, de Netanyahu que, junto com o então ministro da Defesa Ehud Barak, queria na realidade Galant para o cargo. Mas isso depende também de como terminará a guerra de Gaza e do estado de espírito da população posteriormente a isso. Se a nação demandar um oficial duro, calejado por batalhas e que injetará medo nos corações dos terroristas, não é de todo certo que o candidato que lidera a disputa, o vice-chefe do Estado-Maior major-general Gadi Eisenkot, pareça ser duro e beligerante o bastante para satisfazer essas expectativas. De qualquer modo, Galant aparentemente não desistiu de seu sonho. 

[Principais personagens israelenses da reportagem acima: 


 Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu (esq) e o ministro da Economia Naftali Bennett -- (Foto: Baz RatnerReuters -- Fonte: The Jerusalem Post)

Ministra da Justiça Tzipi Livni - (Foto: Reuters)

Ministro da Defesa Moshe Ya'alon -- (Foto: Wikipédia)

General Yoav Galant -- (Foto: Wikipédia)

Ministro das Relações Exteriores, Avigdor Liberman -- (Foto: Wikipédia)


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PS -- O Estadão de hoje denuncia que documentos da ONU obtidos pelo jornal revelam  que a direção da entidade alertou 33 vezes os militares israelenses de que a escola bombardeada domingo em Rafah abrigava 3 mil refugiados. O último alerta foi feito uma hora antes do ataque, que deixou dez mortos, entre eles cinco crianças com idades entre 3 e 15 anos. O relatório mostra que seis escolas e instalações mantidas pela ONU como abrigos para refugiados já foram bombardeadas. Segundo a ONU, 95 prédios e instalações da entidade foram atingidos desde o dia 8 em 135 ataques diferentes.  Isso -- digo eu e não o jornal -- acentua o caráter de barbárie do comportamento de Israel na guerra de Gaza.

Só por um momento, imaginemos que as posições estivessem invertidas: que a Palestina (e particularmente Gaza) fosse Israel e Israel fosse a Palestina, esta última com o poderio militar de que Israel desfruta com o apoio incondicional americano. Qual seriam o sentimento e a reação dos judeus locais e alhures na ocorrência do massacre que se vê hoje em Gaza?]







domingo, 3 de agosto de 2014

Wave, de Tom Jobim, por um conjunto vocal esloveno

O vídeo abaixo me foi enviado por minha querida Cristina, a quem agradeço. Trata-se de uma excelente interpretação de Wave , de Tom Jobim, pelo conjunto vocal esloveno Perpetuum Jazzile. É de emocionar!


O terrorismo petista contra o Santander e quem mais do mercado financeiro ousar criticar o governo

Ao longo do governo de Dilma NPS (Nosso Pinóquio de Saia), e principalmente em 2014, o que mais se viu e se vê na mídia em geral -- escrita, falada e televisada -- foram e são notícias da queda de confiança do consumidor no governo da madame e a imediata alta na Bolsa com a baixa de sua popularidade. Não precisa nem incomodar Freud p'ra explicar isso, trata-se do óbvio ululante. Em julho, essa confiança -- medida pelo Índice Nacional de Expectativa (Inec) da Confederação Nacional da Indústria (CNI) -- aumentou 3% em julho na comparação com junho, chegando aos 109,5 pontos. Apesar da melhora, a CNI alerta que a confiança dos brasileiros ainda é baixa. O índice deste mês é 0,5% inferior ao de julho do ano passado. De março para abril o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da FGV - Fundação Getulio Vargas atingiu o menor nível desde maio de 2009 -- quem noticiou isto, entre outras empresas e jornais, foi a EBC - Agência Brasil, uma empresa estatal.

O reflexo positivo na Bolsa com a queda de popularidade de Dilma NPS foi mais expressivo em março deste ano, quando as ações de estatais como Petrobras e Eletrobras subiram até 10% com a perda de popularidade da madame. Essas duas estatais estão sendo dizimadas pelo governo de Dilma NPS -- nada mais natural que os investidores expressem sua esperança de que com a derrota da madame essas empresas se recuperem. Até aí morreu Neves. Nesse mesmo mês, o jornal Estadão publicou a reportagem "Por que a bolsa sobe quando Dilma cai".

Em 05/7/2014 o analista Chris Garman, do Eurasia Group, escreveu sobre as expectativas do mercado quanto às eleições de outubro: "What we're probably going to get is a further market rally in the expectation that the opposition wins. They are going to overshoot her vulnerabilities and overshoot the probability of an election victory. They will get disappointed when she wins in the secound round" ("O que provavelmente teremos será uma recuperação adicional do mercado, na expectativa de que a oposição ganhe. Eles irão além das vulnerabilidades dela [Dilma] e da probabilidade de uma vitória eleitoral. Eles ficarão desapontados se ela ganhar no segundo turno").

Em 07/5/2014, a Bloomberg escreveu: "The Ibovespa (IBOV) entered a bull market, completing a 20 percent rally from its March low, on speculation Brazil’s President Dilma Rousseff will be voted out of office after overseeing faltering economic growth" ("o Ibovespa entrou em em mercado ascendente/de alta, completando uma recuperação de 20% em relação à sua baixa de março, na suposição de que a presidente Dilma Rousseff   será derrotada após gerir uma economia vacilante".

A revista Veja que está nas bancas publica declarações de mesmo teor do Goldman Sachs, da corretora Nomura e do Oxford Economics. Todos esse pessoal exerceu seu direito e seu dever de informar seus clientes sobre as perspectivas da economia brasileira face ao cenário visível para a eleição presidencial de outubro. O mundo não veio abaixo e o governo encaixou isso sem chiar, agindo corretamente -- houve o blá-blá-blá de sempre da ex-guerrilheira contra os "pessimistas de plantão", mas não houve puxão de orelha público nem ameaça de retaliação contra nenhuma dessas empresas.

De repente, houve uma comoção nas hostes petistas, com choro, ranger de dentes e babas de raiva de Dilma NPS, do NPA (Nosso Pinóquio Acrobata, Lula) e Rui Falcão (presidente do PT), todos espumando apopléticos com um informe orientativo do Santander na semana passada para seus clientes com renda mensal acima de R$ 10 mil. Eis a nota do Santander:



Houve uma histeria coletiva. Rui Falcão disse que o comunicado do Santander foi "terrorismo eleitoral". O NPA, com sua proverbial educação de lupanar, disse que a analista do banco que escreveu a análise "não entende porra nenhuma de Brasil". Cada um no seu estilo usou seu direito democrático de expressão. A coisa começou a azedar e descambou para o terrorismo de Estado quando Dilma NPS se manifestou, classificando o episódio como “inadmissível”, e dizendo que estudava as providencias a tomar e que teria uma resposta bem clara sobre o banco. Aí, a democracia foi p'ro espaço e a insanidade dominou o cenário.

O PT, a petralhada, Dilma NPS e o NPA são tolerantes e compreensivos e convivem maravilhosamente bem com mensalões, mensaleiros, escândalos da Petrobras, ministros corruptos, ditaduras regionais e de outras plagas, manobras contábeis para enganar contribuintes, eleitores e investidores, e outros que tais de baixo coturno, mas ficam possessos com críticas -- especialmente quando lógicas e botam dedo em feridas. As máquinas do Estado e do PT caíram de pau no Santander, sua diretoria foi humilhada publicamente pelo Planalto, pelo partido e pelo NPA, e o banco foi obrigado a demitir a analista autora do comunicado e a pedir desculpas publicamente. Um show da "democracia petista". Dilma NPS, o NPA e o partido dos trabalhadores forçaram a demissão de um trabalhador que exerceu correta e honestamente suas funções. Os pitbulls da petralhada e do Planalto continuam rosnando, e o Santander deve estar ainda sob enorme pressão.

A melhor definição sobre essa palhaçada veio de Delfim Netto. No próximo Canal Livre a ser exibido pela Band, Delfim crava: “O que o banco escreveu é bobagem, mas suas consequências, não. A partir da politização do caso pelo governo e da demissão pelo banco do analista que produziu o relatório, ninguém mais vai acreditar em qualquer informe de banco sobre a economia brasileira”. Bingo. Ótima também é a charge da Tribuna da Imprensa:



Muito apropriadamente, a mesma Tribuna da Imprensa ressalta que "o governo ameaçar usar a máquina porque não gostou da opinião não só é ilegal como é perigoso. Ao contrário do que disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, desproporcional não é perder de 7 a 1. É usar a mão pesada do Estado por não aceitar o contraditório".

Na esteira do escandaloso cerceamento do Santander, o governo e o PT dirigiram em seguida seus canhões contra a consultora de investimentos Empiricus Research, que prevê "futuro sombrio" para a economia brasileira caso Dilma NPS se reeleja. Na mesma sexta-feira em que toda a artilharia petralha foi descarregada contra o Santander, o PT silenciosamente protocolou uma representação contra a consultoria de investimentos Empiricus Research no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A justificativa foi a mesma que a usada pelo presidente do PT, Rui Falcão, para recriminar o banco Santander na sexta-feira: "terrorismo eleitoral". Ou, de forma mais sofisticada, "fazer manifestações que interfiram na decisão de voto". Em entrevista à Veja, o autor dos textos, Felipe Miranda, afirmou que a medida não intimidará seu trabalho. "O que já vínhamos falando aos nossos clientes sobre a gestão do governo e a condução da política econômica só piorou com esse cerceamento. Mas vamos continuar atuando da mesma forma. Não tenho rabo preso e sou pago pelos meus clientes para falar o que penso", afirma. 

Dilma NPS, o NPA e a petralhada se aborreceram com a previsão -- correta, por sinal -- de uma simples analista de um banco, mas engolem, aceitam e estimulam há 8 anos as previsões erradas e idiotas de Guido Mantega, como assinala Elio Gaspari em sua coluna de hoje. Aliás, esse cidadão Mantega só diz besteiras desde 1994, quando esculhambou o Plano Real chamando-o de "jogo de aparências".

Vale a pena ler também o artigo de Guilherme Fiuza no Globo de 02/8: Os abutres do bem. Como ele bem diz, nossa democracia petralha está cada vez mais bolivariana.





sábado, 2 de agosto de 2014

Perfil do governo Dilma NPS em doses nada homeopáticas

Como uma modesta contribuição para os eleitores que votarão na eleição presidencial de outubro vindouro, apresento abaixo as principais realizações recentes de Dilma NPS (Nosso Pinóquio de Saia):

● PIB anêmico, até na previsão do próprio governo -- A previsão dos economistas do mercado financeiro para o crescimento da economia caiu pela quarta vez seguida. Segundo o boletim Focus, feito pelo Banco Central, a expectativa é de alta de 1,16% – na pesquisa anterior, os economistas esperavam alta de 1,24% no PIB deste ano. Para 2015, a previsão recuou de 1,73% para 1,6%.

● Contas públicas estão sob sinal amarelo, dizem economistas -- É consenso entre os economistas em que as demonstrações contábeis, por diferentes razões, inspiram cuidados. "Há um sinal amarelo nas contas públicas", diz o consultor Raul Velloso, especialista em finanças públicas. "Não podemos continuar fugindo do cerne dessa discussão", diz Velloso. "O problema é o modelo: o crescimento está baixo, as receitas caem, mas o governo insiste em não cortar gastos".

● Setor público tem menor superávit para o 1º semestre da história -- As contas de todo o setor público, que incluem o governo federal, os estados, municípios e empresas estatais, registraram em junho e também no primeiro semestre deste ano o pior resultado da história. As informações foram divulgadas pelo Banco Central nesta quinta-feira (31). Somente em junho, houve um déficit primário (receitas menos despesas, sem contar os juros da dívida pública) de R$ 2,1 bilhões. Foi o pior mês de junho desde dezembro de 2001, quando tem início a série histórica mensal do Banco Central para o indicador. Também foi a primeira vez que acontece um déficit primário em meses de junho.

● Produção industrial recua pelo quarto mês consecutivo e cai 1,4% em junho -- Os dados são do IBGE. Na comparação com junho de 2013, indústria registrou recuo de 6,9%, no pior resultado nessa relação desde 2009, quando a produção foi duramente afetada pela crise econômica mundial. Considerando todos os meses, essa é a pior queda na comparação anual desde setembro de 2009. Bens de capital recuam 21,1%. Dos 26 setores da indústria pesquisados pelo IBGE nesse período 21 tiveram retração.

● Meta fiscal de 1,9% do PIB está mais distante, diz BC -- Após um déficit de R$ 11 bilhões em maio, o setor público consolidado registrou déficit de R$ 2,1 bilhões em junho, pior resultado para o mês na série iniciada em 2001. Em 12 meses, o esforço fiscal representou 1,36% do Produto Interno Bruto (PIB), menor desde outubro de 2009, quando estava em 0,97%. No acumulado do primeiro semestre, o superávit é de R$ 29,380 bilhões, o menor registrado na série histórica. A meta é de R$ 99 bilhões.

● Contas revelam piora em todos os dados fiscais -- Os dados sobre as contas públicas de junho, divulgados ontem, são preocupantes. Eles mostram uma piora significativa de todos os indicadores fiscais do país no primeiro semestre. Se a análise for feita sobre o resultado acumulado no período de 12 meses não se encontra razão para otimismo. O déficit nominal está em 3,63% do PIB (o maior desde novembro de 2009) e o superávit primário do setor público caiu para apenas 1,36% do PIB (o menor desde outubro de 2009).

● Recuo geral na importação de máquinas -- A balança comercial de bens de capital do primeiro semestre sinaliza que uma queda na taxa de investimentos da economia brasileira pode estar relacionada não só com a crise da indústria mas também com o esfriamento em outros setores importantes, como agricultura e infraestrutura. O detalhamento dos subsetores mostra quedas importantes na importação não só de máquinas para os processos industriais.

● BNDES financiará obras em aeroporto cubano -- O empréstimo será de US$ 150 milhões (cerca de R$ 336 milhões).

● Confiança do comércio cai 6,3% no trimestre até julho, aponta FGV -- O Índice de Confiança do Comércio (Icom) caiu 6,3%, para 113,4 pontos, na média do trimestre encerrado em julho ante o mesmo período do ano anterior, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta quinta-feira. Nos três meses até junho a queda havia sido de 6,4%. 

● TCU aponta falhas generalizadas em ações do governo -- O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,tcu-aponta-falhas-generalizadas-em-acoes-do-governo-imp-,1537095O Tribunal de Contas da União (TCU) apontou falhas generalizadas na gestão de algumas das principais vitrines eleitorais do governo Dilma Rousseff. Em relatório concluído nesta semana, em que consolida o resultado de 23 auditorias pelo País, o tribunal concluiu que há falhas que devem ser consideradas sob um prisma sistêmico, afetando diversos segmentos e com reflexos negativos sobre o desempenho e a qualidade da infraestrutura.
● Crise de energia custará R$ 66 bi este ano, diz JP Morgan -- O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,crise-de-energia-custara-r-66-bi-este-ano-diz-jp-morgan-imp-,1537096A crise do setor elétrico deverá representar um custo de R$ 66 bilhões para o Brasil, sendo que a grande maioria desse montante será paga pelo consumidor na conta de luz. O cálculo consta de relatório feito pelos analistas do banco JP Morgan, Marcos Severine e Henrique Peretti. No documento, eles preveem que a tarifa de energia poderia subir até 29% no ano que vem.

● Mais da metade das obras de infraestrutura para Saúde está no papel -- O governo federal vai destinar 1,9 bilhão de reais ao programa Mais Médicos em 2014, mas a infraestrutura do setor de Saúde segue negligenciada. Foram concluídos apenas 11% das obras para o setor previstas pela segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que se refere aos anos de 2011 a 2014. De acordo com levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) feito com base em dados oficiais, das 24.006 iniciativas prometidas pelo programa, 2.547 foram entregues até dezembro de 2013. E, entre as restantes, pouco mais da metade sequer saiu do papel. Os dados estão detalhados em reportagem da ONG Contas Abertas divulgada em março deste ano.

● Relatório do TCU revela situação alarmante da saúde pública no Brasil -- A saúde no Brasil não tem médico suficiente, não tem vaga, não tem atendimento, não tem remédio. Isso você já sabe. Mas esta não é só mais uma reportagem denúncia sobre os hospitais do Brasil. Este é um relatório alarmante feito pelo Tribunal de Contas da União.

● Orçamento prevê R$ 1,2 bi para controle da aids; só 30% foram gastos -- O orçamento de 2014 prevê um incentivo de R$ 1,2 bilhão em ações de prevenção e controle das doenças sexualmente transmissíveis (DST), em especial a aids, e tratamento dos portadores de HIV. Até o dia 15 de julho, apenas R$ 358,2 milhões haviam sido desembolsados, valor que corresponde a 30% do previsto no orçamento. No mesmo período foram empenhados (separados em orçamento para pagamento posterior) R$ 421,4 milhões. 

● Seis em cada dez obras em portos não recebem investimentos federais -- Das 127 obras previstas no orçamento de investimentos das Companhias Docas, 77 não receberam qualquer centavo até o segundo bimestre. Está previsto em orçamento que o governo federal, acionista majoritário das sete Companhias Docas, invista por meio da Secretaria de Portos R$ 1,3 bilhão nas sociedades de economia mista em 2014. Até o segundo bimestre, entretanto, apenas R$ 83,9 milhões foram aplicados, cerca de 6,4% do total. 

● Eletrobras reduz investimentos e aplica menos do que em 2013 -- O Grupo Eletrobras enfrenta período de austeridade desde 2012, quando teve de renovar concessões elétricas e sofreu queda de receita. As dificuldades financeiras estão refletidas nos gastos da estatal: no primeiro quadrimestre deste ano foram reduzidos R$ 459,2 milhões do valor investido, já corrigido pela inflação, quando comparado ao mesmo período de 2013.

● TCU confirma "pedalada" nas despesas de dezembro de 2013 para 2014 -- O relatório anual das contas do governo federal, produzido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), deu ênfase ao expressivo montante de ordens bancárias emitidas em dezembro de 2013 para saque em janeiro de 2014. A postergação dos pagamentos com o intuito de inflar o resultado fiscal foi ressaltada pelo Contas Abertas já no final do ano passado. Mesmo com esclarecimentos do Tesouro Nacional, a Corte destacou que os pagamentos realizados na transição dos exercícios podem ter afetado os indicadores fiscais de 2013. De acordo com o relatório do TCU, assim como aconteceu em 2011 e 2012, a prática de postergar um montante materialmente relevante de saída de caixa de dezembro para janeiro pode ocasionar superavaliação do resultado primário do governo federal. 

● Programa de mobilidade do governo também está parado -- Apenas 7,2% do orçamento do programa orçamentário “Mobilidade Urbana e Transito” foram aplicados até o momento. O valor representa R$ 225 milhões. A verba para o programa neste ano é de R$ 3,1 bilhões. Na principal ação da rubrica “Apoio a Sistemas de Transporte Publico Coletivo Urbano”, por exemplo, foram desembolsados apenas R$ 84,7 milhões dos R$ 2,7 bilhões orçados para 2014. 

● Dilma NPS inaugura megatemplo da Igreja Universal -- Da base governamental também estavam presentes o vice-presidente Michel Temer, os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) e Aloizio Mercadante (Casa Civil), os ministros do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio Mello, o prefeito Fernando Haddad e o ex-prefeito Gilberto Kassab. O tucanato foi representado pelo governador de S. Paulo, Geraldo Alckmin.  O templo abriu em meio a uma polêmica: o Ministério Público denunciou que o tipo de alvará de funcionamento obtido pela igreja era temporário, para reforma e não para novas construções -a igreja diz que não foi notificada da denúncia.